sexta-feira, 18 de julho de 2008

Daniel Dantas e os dribles da vaca



por Wálter Fanganiello Maierovitch
Especial para Terra Magazine

Daniel Dantas continua a apostar no seu poder de influência e no diversionismo, ou seja, no deslocamento do foco a respeito do principal, que são os crimes a ele imputados.

Na sua estratégia, virou prioridade afastar o juiz Fausto De Sanctis e o delegado Protógenes de Queiroz. Mais ainda, reclamar no Supremo Tribunal Federal (STF) do descumprimento da decisão da ministra Ellen Gracie, que impediu a investigação criminal sobre o contido nos discos-rígidos do Opportunity-Fund, apreendidos na Operação Chacal, em 2004.

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Por meio de instrumento processual, afastar por parcialidade o delegado Protógenes não era possível.

A lei processual penal, no seu artigo 107, estabelece que "não se poderá opor suspeição às autoridades policiais nos atos do inquérito".

Assim sendo, Dantas teve de usar a mão do gato.

O presidente Lula entrou como gato ao avalizar o afastamento de delegado.

Quando Lula percebeu o jogo e sentiu a desaprovação popular, voltou atrás e, na tentativa de mostrar que o seu governo não coonesta com a criminalidade organizada, mandou revelar o conteúdo da gravação da "reunião", por convocação, entre o delegado Protógenes e os seus superiores hierárquicos.

O foco, no momento, virou a ambigüidade do presidente Lula e a montagem, ou melhor, a edição desvirtuada, do real conteúdo da gravação sobre a reunião ocorrida na segunda feira passada (14 de julho) entre o delegado federal Protógenes e os seus superiores hierárquicos. Reunião para pressão hierarquica, voltada ao afastamento de Protógenes.

Enquanto a opinião pública debate sobre a edição da fita, Dantas, com Protógenes já com substitutos escalados, dá passos largos na tentativa de afastar o juiz Fausto De Sanctis do processo.

Com a argüição da suspeição já protocolada, prevista na lei processual penal, quer Dantas demonstrar ter De Sanctis, por pronunciamentos, despachos e decisões, perdido a isenção necessária para, com imparcialidade, julgar o processo.

Pano Rápido e Olho Vivo. Com o foco desviado e os nomes dos substitutos de Protógenos já anunciados, Dantas espera sucesso nas duas novas frentes, ou seja, afastar o juiz e manter a blindagem dos dados.

A reclamação por descumprimento de decisões do Supremo Tribunal é remédio previsto no seu Regimento Interno. Já foi apresentada por Dantas e não se sabe, ainda, se o ministro Gilmar, no plantão vai apreciá-la, ou encaminhar à ministra Gracie, afinal, quem pariu deverá embalar.

Wálter Fanganiello Maierovitch é colunista da revista CartaCapital e presidente do Instituto Giovanni Falcone (www.ibgf.org.br).

Fonte: Terra Magazine




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