
por Cynara Menezes
Da última (e única) vez em que foi preso, em junho de 2000, Salvatore Alberto Cacciola estava de pernas para o ar em um spa de luxo em Gramado, no Rio Grande do Sul, tratando de perder alguns quilinhos. Na quinta-feira 17, extraditado para o Brasil depois de oito anos foragido, o banqueiro parece ter saído de outra temporada de cuidados com a aparência física. Aos 64 anos, bronzeado, sorridente, sem qualquer sinal de barriga, “fininho”, como definiu uma testemunha, Cacciola retornou ao País como quem regressa de longas férias na Europa.
Desde setembro do ano passado, o ex-dono do falido Banco Marka, pivô do escândalo financeiro que, em 1999, causou um prejuízo de 1,6 bilhão de reais aos cofres públicos, estava preso no Principado de Mônaco. O discreto charme da tradução monegasca para Casa de Detenção dá a pista do quanto a prisão se diferenciava das brasileiras: localizada no centro histórico de Monte Carlo, parecida com um castelo, a Maison D’Arrêt possui biblioteca, ginásio e vista para o Mediterrâneo. Cacciola, que passava os dias de moletom, tinha o direito de ler jornais e revistas do mundo inteiro, usufruía de frigobar e tevê na cela e podia encomendar refeições em qualquer restaurante da terra onde viveu e morreu a atriz Grace Kelly.
Impossível deixar de comparar as feições do homem bem conservado que volta ao País com as de outro foragido ilustre, Paulo César Farias, o PC. Recapturado em Bancoc, na Tailândia, em novembro de 1993, e sem outra nacionalidade a não ser a alagoana, o tesoureiro de Fernando Collor estava abatido e com a barba por fazer quando foi laçado pelas autoridades brasileiras no subsolo malcheiroso da polícia de imigração do país asiático. Quem viu disse que o local parecia um porão de navio clandestino. Em comum com Cacciola, PC também não queria retornar algemado, mas não teve jeito: foi exibido assim ao chegar ao País.
Cacciola se livrou das argolas nos pulsos por decisão do STJ (Superior Tribunal de Justiça), que proibiu a PF de algemá-lo em sua volta. De acordo com o despacho do presidente do tribunal, ministro Humberto Gomes de Barros, Cacciola “é idoso” e não apresenta riscos aos policiais federais. Além disso, o uso de algemas “não pode ocorrer como instrumento de constrangimento abusivo à integridade física ou moral do preso”, decidiu Barros. Na chegada ao Brasil, agradecido, o jovial banqueiro sexagenário sorriu e declarou confiar na Justiça do País.
Fonte: Carta Capital



























































Nenhum comentário:
Postar um comentário