sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Brizola Neto: A "bandinha" de Serra

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Será que o governador quer que a gente acredite que ele não sabe o que assina?


http://www.rodrigovianna.com.br/files/Image/serra-kassab%5B1%5D.jpg

Serra: "Como assim banda lerda? Tá até rápida demais pra esse povão devagar"

Kassab:"Chefinho, melhor teria sido uma banda a lenha!"


Serra e o "mico" da banda-larga

do blog de Brizola Neto

Hoje de manhã, o Governo paulista começou a tomar “enérgicas providências”, ao se surpreender com o que a gente disse aqui no mesmo dia em que a medida foi anunciada: o plano de banda-larga popular de José Serra era pura balela. Hoje de manhã, a Folha Online anuncia as “ameaças” do governo Serra à Telefônica:

“Única operadora a vender planos de internet pelo programa “Banda Larga Popular”, a Telefônica perderá a isenção de ICMS concedida pela Secretaria da Fazenda de São Paulo caso obrigue o consumidor a pagar assinatura telefônica para ter acesso à internet pelo programa. A informação foi confirmada pela secretaria e pela assessoria do governo paulista”

Claro que, para não deixar pior do que já é o “mico” que o Governador José Serra pagou, a matéria afirma que Serra ” disse que as prestadoras não poderiam cobrar assinatura telefônica de novos clientes, vinculando os dois serviços”.

Conversa fiada. Leiam o texto (clique aqui) da mesma Folha sobre o anúncio da medida e veja se há uma palavra sobre isso. Diz, apenas, que não seria cobrado o modem e a instalação, o que operadora nenhuma mais cobra hoje.

O valor real da banda-larga popular de José Serra é tão absurdo que a própria Folha, hoje, publica o que já mostramos aqui: nem precisa de isenção de impostos para cobrar mais barato. Leia só:

“O pacote de voz mais econômico da Telefônica custa R$ 24,90 por mês. Somando-se aos R$ 29,80 da banda larga popular, resultaria em R$ 54,70 mensais. A NET já vende banda larga, voz e TV por R$ 39,90 e deverá começar a vender em novembro o seu pacote popular por R$ 29,80.”

Eu republico aí do lado o anúncio da Vivo, oferecendo internet sem fio a R$ 49,90, com desconto para R$ 24,95 nos três primeiros meses. Tudo com imposto e mais barato que a “bandinha” de Serra.

Será que os responsáveis pelo ato oficial (veja aqui o decreto) não sabiam que haveria necessidade de ser assinante do serviço? Então porque escreveram, no item 4 do artigo 5° que o serviço:

“deverá estar disponível a todos os assinantes da prestadora, salvo nos casos em que haja inviabilidade técnica;”

Que assinantes? Claro que assinantes da linha telefônica, ou seriam os assinantes da revista “Ternura”? A única restrição prevista ali (art. 4°) seria a cobrança de serviços de provedor de internet à parte. Será que as autoridades que negociaram uma isenção de impostos (dinheiro público!) não se preocuparam em perguntar à Telefônica o óbvio: “vem cá, vocês não vão obrigar a pessoa a comprar uma linha de telefone, não é?”

A banda do Serra não era tão larga assim, mas as pernas da mentira são curtas, bem curtinhas.

Fonte: Vi o Mundo

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Serra cria o Mensalão da Banda Lerda

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Não é banda nem larga

Não é banda nem larga


O Conversa Afiada publica texto enviado pela Tia Carmela:

Serra cria o Mensalão da Banda Lerda

Com ciúme do Programa Internet Para Todos, do governo federal, e preocupado com a perda de receita de seus amigos espanhóis da Telefonica, que ganharam a telefonia de SP de seu amigo FHC, o Maior de Todos os Brasileiros resolveu dar um dinheirinho para cobrir o rombo da perda de assinantes do serviço de internet banda larga (Speedy). A Telefonica anda em baixa porque a própria ANATEL foi obrigada a admitir que o serviço prestado era de qualidade tão ruim que teve sua comercialização proibida.

Seguindo as práticas cleptotucanas usuais de solidariedade com os amigos, o Presidente de Nascença lançou um programa cujo é-di-tal foi elaborado de tal forma que apenas a Telefonica poderia se habilitar.

Pelo programa, já batizado de Mensalão da Banda Lerda a Telefonica continuará prestando serviço de qualidade inferior, uma pseudo-banda larga (250 Kb), e cobrando preços parecidos com o que já cobra. Mas deixará de pagar ICMS.

A população de São Paulo já organiza um grande ato de júbilo em homenagem ao Mais Preparado dos Políticos, como forma de agradecer a mais essa grande decisão de estadista.

Comentário da Tia Carmela: O Zezinho sempre gostou de ajudar seus amiguinhos espanhóis. Lá na rua dele, na Móoca, tinha o Pepe, que era filho do seu Salvador, um espanhol que vendia pão de bicicleta de manhã cedo. O Zezinho gostava muito do Pepe, porque ele sempre ajudava o Zezinho quando ele se metia em encrenca. Eles tinham um acordo: quando um estava precisando de dinheiro pra comprar doce, o outro pagava. Acontece que o Pepe era um menino muito guloso e sempre tirava vantagem. Pagava umas balinhas do Zezinho e na hora de tomar sorvete, que era mais caro, arrumava um jeito do Zezinho pagar…

Fonte: Conversa Afiada

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Ainda sobre os animais da UNIBAN

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http://3.bp.blogspot.com/_OfghE8a8yBY/R3RvzUsjj8I/AAAAAAAAAEc/uO4Kmktsyzw/s400/feminismo.png



Intolerável

por Alessandra Terribili

Não existem palavras que definam o que foi o comportamento daquele monte de trogloditas estudantes da Uniban São Bernardo.

A história da menina vestida “com pouca roupa”, que praticamente foi atacada pelos colegas, agredida, perseguida, assediada, humilhada, é de chorar. Que tipo de gente promove um tumulto com o objetivo de violentar alguém? Que tipo de gente faz isso como quem vai à esquina comprar cigarros?

A confusão foi tamanha que a polícia foi acionada. A estudante só conseguiu sair da faculdade enrolada num jaleco e escoltada, e ainda assim, sob vaias e xingamentos. Não vi o famigerado vídeo no YouTube, não tenho estômago pra isso. Imaginar a cena já me faz passar suficientemente mal. Mas há quem tenha estômago de aço pra essas coisas, e esses fotografaram e fizeram vídeos pelo celular da cena bizarra que a Uniban presenciava.

Não há nada que justifique isso, nada. Nenhuma história anterior, nenhum contexto de conflito – que não parece haver. “Agiram mal, mas ela provocou”, li em alguns depoimentos de colegas. E certamente é o que muitos pensaram.

O que dizer de um torcedor do Palmeiras, vestido a caráter, que é agredido violentamente por torcedores do Corínthians? Que ele provocou??? A animalidade que algumas pessoas podem assumir, a possibilidade de o insano acontecer, não é motivo para atribuir à vítima o papel de cúmplice da violência que ela mesma sofreu. O normal não é isso. Nosso paradigma tem que ser o da normalidade, o das pessoas que convivem socialmente, e não o de animais incapazes de ter discernimento ou de ter a razão prevalecendo ao instinto.

Não me importa que roupa a moça vestia. Importa que ela foi duramente violentada, e isso não podemos tolerar.

Deveria importar para os julgadores de plantão que o que mais se vê neste mundo de comunicação globalizada e instantânea é milhares de listas de mulheres mais sexy, mais desejadas, mais bem-sucedidas por terem seu corpo “em forma”. As mulheres mais festejadas pela mídia são as que cumprem padrões estéticos, não éticos, profissionais, políticos ou morais. As que são expostas como referências para as meninas são as que são desejadas, as que vestem pouca roupa, as que deixam marmanjos babando pela sua sensualidade, exaustivamente explorada por tudo que é revista masculina, feminina, canal de TV privado ou não. Todas as meninas querem ser bem-sucedidas, aceitas. Pra isso, ensinaram-lhes que devem ser desejadas. Devem ter belos corpos e expô-los.

Não quero fazer um debate determinista sobre o que levou a garota a se vestir de forma x, y ou z. Muito menos pretendo justificar a ação de lado a lado a partir daí. Mas questionemos, portanto, qual a ética e qual a moral de um mundo que apresenta esse caminho para as mulheres, o de serem objetos a serem expostos e usufruídos, como um caminho possível para "o sucesso". Quantas não fazem isso? Quantos não acompanham as “mulheres-fruta”, as globais de capa de revista masculina, etc etc etc? Quem há de julgar a estudante da Uniban, ou atirar a tal da primeira pedra? Ou atirar o mesmo que atiraram em Geni?

O que cabe julgamento é ao comportamento daqueles estudantes que a perseguiram. Isso sim. Há referência ética pra isso. Pra eles, é preciso apresentar algum desfecho. Não podemos tolerar a impunidade de um bando de trogloditas que agride assim a uma mulher.
Link
E alguém se pergunta o que vai ser da vida dessa menina agora? Se ela vai continuar estudando, se vai ter os mesmos colegas? Incrível como os fatalmente punidos não são os criminosos em alguns casos...

***
Tem me chamado muita atenção a quantidade de casos de estupro praticados por adolescentes e contra adolescentes que se noticiam nos últimos dias. A violência não está encontrando limites.

Fonte: Blog Terribili

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Demo aproveita Dia dos Mortos pra reunir juventude

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por Rodrigo Vianna


Parece piada pronta: o Democratas - eterno PFL - vai aproveitar o feriado do Dia dos Mortos para reunir a Juventude do partido, em Blumenau (SC).

É verdade. Um leitor me mandou o texto. Está no blog da Juventude do DEM - http://www.juventudedemocratas.org.br/default.asp.

Heráclito Fortes: DEM esbanja juventude no Piauí


Veja o que diz o texto do DEM:

"(...) é claro, vai ter também muita festa. Primeiro, por que para o jovem a política significa fazer novos amigos."

Ah, que bonitinho. Eles vão fazer amigos no Dia dos Mortos!

Outro trecho:

"Para muitos que sairão de canto distantes do país e que já mantem contato pelas redes na internet, o evento é a oportunidade conhecer cara-a-cara os parceiros de militância política. Sem contar que Blumenau é nada mais, nada menos, do que a terra da OktoberFest. Na organização geral, está a moçada de Santa Catarina, que montou um verdadeiro quartel-general para que absolutamente todo detalhe corra bem."

Quartel-general. Disso, a turma do DEM entende - desde 64.

Jorge "vamos acabar com essa raça" Bornhausen integra a juventude demo? E o Heráclito Fortes?

Serra não foi convidado. O DEM acha que o governador de São Paulo anda meio mortão...

O Marcelo Tas (aquele do CQC - programa de humor) estará lá. Vai animar a festinha em Blumenau. E isso não é piada, tá no site do partido. O Tas virou palestrante demo.

Ótimo programa pro Dia dos Mortos...

Fonte: O Escrevinhador

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Werneck: Eleição de 2010 não muda hegemonia

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Eleição de 2010 não mudará hegemonia do agronegócio, bancos e indústria, diz Werneck Vianna


por Gilberto Costa*, na Agência Brasil
Enviado Especial



Caxambu (MG) - A um ano das eleições presidenciais de 2010, o sociólogo Luiz Werneck Vianna, do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj), não vê grandes diferenças entre os projetos dos principais pré-candidatos que estão se apresentando para a disputa. Para ele, não há muitas razões para se esperar de mudanças profundas a partir de 2011.

Considerado um dos principais analistas políticos no meio acadêmico do Brasil, Werneck fez a abertura nesta semana da reunião anual da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais (Anpocs), que ocorre em Caxambu (MG). Ele concedeu uma entrevista exclusiva à Agência Brasil.

Agência Brasil: Qual será a agenda política da campanha eleitoral e dos próximos anos?
Luiz Werneck Vianna: O tema do desenvolvimento será uma questão forte. A mobilização do Estado como indutor desse desenvolvimento certamente será discutida por Dilma [Rousseff], [José] Serra e Ciro [Gomes], mas não deverá ser discutida na agenda de Marina [Silva]. Isso não é um tema de Marina. Ela é uma candidatura interessante, pode vir a crescer, provavelmente não terá condições de vitória, mas poderá interferir na agenda dos outros. A sua presença na disputa faz com que já pese mais a questão ambiental. Com ela, o tema da ética na política aparece com mais força e isso deve contaminar também a agenda dos candidatos. A candidatura de Marina, mesmo que não esteja destinada a cumprir uma trajetória brilhante, irá exercer uma certa influência sobre as demais. Quanto ao Ciro, é difícil falar. Sobretudo é difícil diferenciar o Ciro das candidaturas da Dilma e do Serra. Os três têm o perfil muito semelhante. Serra e Dilma ainda mais semelhante. São executivos, pessoas treinadas na administração, vocacionadas para esse tipo de mando. O território deles não é propriamente o da política e das eleições, como o de Lula é. O presidente é um animal político, assim como Fernando Henrique Cardoso também é. Mas esse não é o caso nem da Dilma nem do Serra, que construíram suas pré-candidaturas como bons administradores. A eleição vai ser uma obra de químicos especializados em campanhas.

ABr: Vai ser uma campanha sisuda e menos emocional?
Werneck Vianna: Acho que sim. A entrada da Marina e do Ciro atenua um pouco isso. Só com Serra e Dilma, seria uma coisa muito monocórdica, os mesmos temas, os mesmos discursos, sem mudar a inflexão.

ABr: É possível distingui-los ideologicamente com nitidez? O governador José Serra diz estar hoje à esquerda do PT.
Werneck Vianna: O Serra tem uma história na esquerda, sem dúvida: foi presidente da UNE [União Nacional dos Estudantes], foi da Ação Popular, mas depois ele foi estabelecendo aliança com os poderosos de São Paulo, da indústria e das finanças. Como a Dilma será candidata da situação e tem os poderosos também na coalizão governamental , inclusive em posição de mando político como ministros, as diferenças não vão se estabelecer por aí. O esforço todo do presidente Lula vai ser comunicar quem é sua candidata e tentar transferir o seu prestígio eleitoral. Essa não é uma operação fácil de fazer, mas é o que ele irá fazer e pode ter sucesso nisso. Não podemos esquecer que ainda tem uma questão embaraçosa no PSDB: se é Serra ou se é Aécio. Isso ainda não foi definido. Não dá para prever nada. Uma coisa é fazer o retrato, a outra será quando isso entrar em movimento. Quem sabe se o Ciro vai cometer mais um destempero verbal na televisão? Quem sabe se um acidente ambiental não possa tornar a candidatura de Marina mais popular e mais visível? Há tantos imponderáveis nessas lutas.

ABr: Teremos, então, a agenda que já está aí.
Werneck Vianna: Sem dúvida. A expansão brasileira, a projeção da economia do país no mercado interno e no mercado externo é monopólio de um grupelho, dos poderosos do agronegócio, das finanças, da grande indústria. Esses é que estão com as cordas. Quando se falava da questão nacional das décadas de 1950 e 1960, se falava da questão do nacional-popular, havia tensão entre o nacional e o popular. Havia luta pela hegemonia na condução da questão nacional. Hoje, a questão nacional está posta sem que o tema da hegemonia seja debatido. A hegemonia é desses grandes potentados. É claro que tudo isso extraordinariamente manobrado de maneira inteligente, ardilosa e sutil pelo presidente Lula, que tem capacidade de empregar todos no mesmo governo, impondo condições. Por exemplo, impõe ao agronegócio a questão ambiental e o convívio com a agricultura familiar. O Lula tem demonstrado uma enorme capacidade de harmonizar contrários e de que a obra desses contrários seja vista como a serviço da nação na sua totalidade. Isso não se faz por muito tempo, nem se consegue criar a ilusão em todos de que aquilo que está sendo feito fundamentalmente para atender alguns esteja atendendo a todos.

ABr: O senhor diz que o PT declinou do papel de herói providencial e se adaptou às circunstâncias. Mas há mudanças, como a subida de 30 milhões de pessoas a um novo patamar de consumo, não?
Werneck Vianna: Sem dúvida, e é uma outra questão. De fato, esse governo foi muito dedicado ao enfrentamento da questão social, mas em determinados limites. Essa harmonização entre os contrários, realizada pelo Lula, é obra que não persistirá no tempo, inclusive porque o tempo do Lula acabou e a Dilma não é vocacionada para realizar isso. O meu ponto principal não é esse, mas de que o desenvolvimento e a questão nacional estão sendo pensados de forma tecnocrática, vertical, de modo assimétrico em relação à vontade da sociedade. A sociedade civil está desmobilizada, e os movimentos sociais foram cooptados. Esse é meu ponto. É político, não é uma questão técnica ou de economia. Os movimentos sociais foram todos trazidos para dentro do Estado.

ABr: O senhor fala da linha de continuidade entre o governo Lula e FHC e de um “abraço” de Lula em Getúlio Vargas. Com quem o governo atual guarda mais coincidências?

Werneck Vianna: Um pouco de cada coisa. Ele foi trazendo tudo para si. O que eu digo é que o repertório da história brasileira, da tradição da República brasileira, foi sendo selecionado e incorporado pelo governo acriticamente. A questão nacional é importante, mas isoladamente, sem a chave democrática e popular, ela pode ser uma questão perigosa. Ela fortalece um Estado isolado da sociedade, uma burguesia dominante e dominadora, a sociedade conhecendo apenas uma vontade. Esse é que é o ponto.

*O repórter viaja a convite da Anpocs

Edição: Enio Vieira

Fonte: Agência Brasil

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Fiscalização flagra escravos em escavações para rede da Claro


Claro que a gente faz vista grossa...



Fiscalização flagra escravos em escavações para rede da Claro

Por Bianca Pyl


Após a denúncia de quatro pessoas que não suportaram as condições de trabalho, a Superintendência Regional do Trabalho e Emprego do Espírito Santo (SRTE/ES) libertou 17 vítimas de trabalho análogo à escravidão, em Vitória (ES). Elas escavavam canaletas para acomodar cabos óticos da operadora de telefonia celular Claro. A fiscalização, que foi acompanhada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), se deu em 15 de outubro.

As vítimas foram aliciadas no Norte do Rio de Janeiro no final de setembro, a pedido da subempreiteira Dell Construções, que por sua vez foi contratada pela multinacional Relacom Serviços de Engenharia e Telecomunicação. Essa última prestava serviços à Claro. O "gato" - intermediário na contratação da mão-de-obra - prometeu aos trabalhadores bom salário e ainda disse que havia a possibilidade de posterior contratação pela empresa.

"Por se tratar de uma empresa conhecida, os empregados se iludiram com a chance de serem efetivados", relata Alcimar Candeias, auditor fiscal do trabalho da SRTE/ES que coordenou a ação.

Os trabalhadores entregaram suas Carteiras de Trabalho e Previdência Social (CTPS) ao "gato". Os documentos, porém, ficaram no Rio de Janeiro. A legislação trabalhista determina que o empregador informe ao Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) no município de origem do trabalhador, por meio das Superintendências, Gerências ou Agências, e emita a Certidão Declaratória (antiga Certidão Liberatória) antes da viagem.

A subempreiteira Dell Construções alugou uma espécie de galpão para alojar os empregados, no bairro Cobilândia, em Vila Velha (ES). Eles dormiam em colchonetes no chão. Havia somente um banheiro para todos. Não tinham itens de higiene pessoal e nem podiam comprá-los porque não receberam nenhum pagamento até o dia da fiscalização.

Os trabalhadores improvisaram uma cozinha no local e a esposa do "gato" preparava as refeições, que eram cobradas. O empregador não fornecia água potável, nem equipamentos de proteção individual (EPIs).

Nos primeiros dias de trabalho, as vítimas caminhavam cerca de 3 km para chegar até o local da escavação, na Rodovia Carlos Lindenberg. "Com a reclamação dos trabalhadores por causa do longo trajeto, a empresa alugou uma caçamba. Achando que estavam resolvendo uma situação, na verdade estavam colocando em risco a vida dos empregados", conta Alcimar.

A jornada de trabalho se iniciava às 6h da manhã e se estendia até às 18h, inclusive nos finais de semana. "Normalmente quando o empregado sai de seu município para trabalhar, até por estar longe da família, ele já trabalha muito. Quando ele recebe por produção, trabalha até a exaustão mesmo. Com esses trabalhadores não era diferente", opina o auditor fiscal.

O acordo inicial proposto pela empresa era pagar R$ 7 por metro escavado. Desse valor, R$ 2 ficariam com o "gato". E para piorar, o empregador achou que a produção estava baixa e diminuiu R$ 2 do valor prometido: se recebessem, os empregados ficariam só com R$ 3 por metro escavado.

Após a fiscalização, os trabalhadores libertados foram transferidos para um hotel, onde permaneceram até quarta-feira (21), quando receberam as verbas da rescisão do contrato de trabalho. A subempreiteira Dell Construção, do Rio de Janeiro, arcou com os pagamentos. A Claro é controlada por empresas do mexicano Carlos Slim, dono de uma das maiores fortunas do mundo.

A Relacom informou, por meio da assessoria de imprensa, "que já está em contato direto com o Ministério do Trabalho do Estado do Espírito Santo para prestar os esclarecimentos necessários. As acusações feitas referem-se a uma empresa subcontratada e tomará as medidas que forem necessárias no conclusão do processo". A assessoria de imprensa da Claro informou que a empresa " já tomou providências internas para o referido caso". A Repórter Brasil não conseguiu contato com a Dell Construções.

Com informações da Repórter Brasil.

Fonte: Revista Fórum

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A internet e o jogo político

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A internet e o jogo político

por Luis Nassif


Nos próximos anos, haverá alterações profundas no quadro partidário nacional, dos estados e municípios. Haverá um realinhamento dos partidos, redefinição de alianças, definição de novos princípios, novas bandeiras.

Recentemente, no meu Blog, houve uma discussão rica sobre o novo desenho da esquerda. Cada vez mais, a esquerda petista se aproxima do centro. Com isso, o PSDB é deslocado para posições que poderiam ser classificadas como de centro-direita ou direita.

Mas quais são as posições clássicas de esquerda ou direita?

Na verdade, as mudanças que vêm ocorrendo nas comunicações mudará completamente a forma de montagem das plataformas políticas dos partidos.

No modelo de democracia tradicional, as plataformas políticas eram montadas através de sistemas de diretório mas, fundamentalmente, através da imprensa. Historicamente, a imprensa sempre foi porta-voz de grupos políticos. Esse modelo vai se alterando no século 20 até que ela passasse a tentar representar os chamados interesses difusos dos leitores.

A democracia tradicional sempre foi feita com boa dose de hipocrisia. Partidos se organizam visando o poder. Aliam-se a grupos econômicos, a parcelas da tecnocracia, a grupos intelectuais. Mas, para conseguir o poder nas eleições, precisam desenvolver um discurso no qual se apresente como representante dos interesses majoritários do País.

Todo esse jogo era possível devido à centralização da comunicação. Em determinada região podiam ser organizados grupos de interesse. Só que ficavam isolados no seus guetos, sem condições de se organizar com grupos similares de outras regiões. Poucos desses grupos conseguiam levar suas demandas à direção dos partidos.

Com isso, o modelo tradicional de partidos era uma organização com uma imensa cabeça – uma executiva superdimensionada -, comandando um corpo mirrado, um partido com militantes pouco empenhados e fechando pactos de interesse, fisiológicos.

Com a Internet, as redes sociais, os Blogs, a discussão pública ganha outra dimensão. Há um campo muito maior para a montagem de pactos, alianças, para se ter uma idéia multifacetada de grupos sociais, de demandas municipais, regionais, setoriais.

Então, os partidos do futuro, os futuros grandes partidos não poderão mais governar os militantes a partir de uma sede em Brasília, Rio ou São Paulo. As assembléias não serão restritas a reuniões presenciais, mas ocorrerão em ambientes da Internet.

Além disso, a enorme facilidade de grupos interagirem, trocarem informações, se tornarem conhecidos, fará com que as alianças políticas sejam muito mais instáveis. Hoje em dia existem discussões polarizadas sobre os mais diversos temas, meio ambiente, célula tronco, controle de natalidade, desenvolvimento, inflação, câmbio, eutanásia.

Nenhum partido, isoladamente, poderá ter a pretensão de representar seus seguidores em todos os pontos. Por isso mesmo, o jogo político exigirá cada vez mais grandes negociadores, pactos em torno de cada ponto. Acabou a era dos condutores de povos.

Fonte: Luis Nassif Online

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Professores denunciam desmanche da educação pública de São Paulo

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Dois governantes e o mesmo "choque de jestão"

Dois governantes e o mesmo "choque de jestão"


O Conversa Afiada reproduz a carta que o sindicato dos professores de São Paulo (Apeoesp) enviou para a revista Veja a respeito da entrevista do secretário Paulo Renato. Está no blog da Apeoesp:

Senhor editor,

A entrevista do secretário Paulo Renato (Veja, 28/10) apenas confirma que o governo do PSDB no estado de São Paulo está mais preocupado em fomentar a “competitividade” entre os professores e aplicar receitas empresariais ao sistema público de ensino do que com a melhoria da qualidade de ensino para todos os estudantes das escolas estaduais.

O secretário culpa os sindicatos de professores pela queda na qualidade de ensino, como forma de fugir de suas próprias responsabilidades. Ele já foi secretário de Educação no governo Franco Montoro e ministro da Educação por longos oito anos, no governo FHC. Seu viés é sempre o da exclusão. Quando criou o FUNDEF, deixou descobertas as duas pontas da educação básica: a educação infantil e o ensino médio, concentrando recursos apenas no ensino fundamental, praticando assim uma política de foco. Esta é a forma como vê a educação.

Um projeto que exclui, de imediato, 80% dos professores de reajustes salariais e, ainda assim, não assegura que os demais 20% terão mesmo direito à melhoria salarial (pois depende de disponibilidade orçamentária) não vai contribuir para a qualidade de ensino e sim para gerar mais revolta e desestímulo na categoria. Os professores tem como ofício educar e sua ferramenta é a educação; e a educação não está sendo valorizada.
As posições externadas pelo secretário estão na contramão de todos os avanços que se tem verificado na educação nacional nos últimos anos. Por certo são ainda insuficientes, mas apontam na direção da escola pública de qualidade.

Por outro lado, é difícil entender como, num Estado democrático de direito, todo o espaço é reservado apenas para um dos lados, que se permite fazer juízos de valor sobre o sindicato, sem que nos seja oferecido espaço equivalente. O que queremos, em nome dos 178 mil associados da APEOESP, é que nos seja aberto espaço nesta revista para que nós próprios possamos expor nossas posições.

Não somos corporativistas. O que nos move é a qualidade da educação e a valorização dos profissionais que nela trabalham, pois a educação abrange bem mais que a relação professor-aluno em sala de aula. Entretanto, ainda que fôssemos corporativistas, o papel de um sindicato não é justamente defender os direitos e reivindicações da categoria que representa?

Aguardamos a publicação desta carta e a abertura de espaço para que possamos expor e defender nossos pontos de vista.
Atenciosamente,
Maria Izabel Azevedo Noronha
Presidenta da APEOESP
Membro do Conselho Nacional de Educação

Veja aqui o vídeo em que o presidente Lula pediu aos prefeitos e governadores que não permitam que empresas de reciclagem tirem emprego dos catadores. “É muito melhor para a cidade termos muitos ganhando pouco do que poucos ganhando muito. Essa é a conquista maior para vocês”, defendeu.

Fonte: Conversa Afiada

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A democracia volta a Honduras. Vitória da diplomacia brasileira

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A diplomacia do Brasil salvou Zelaya e a democracia em Honduras

A diplomacia do Brasil salvou Zelaya e a democracia em Honduras

Saiu na Folhaonline (*):

Zelaya e Micheletti chegam a um acordo em Honduras
Do UOL Notícias
Em São Paulo*

Sob pressão internacional, a comissão de diálogo do presidente interino de Honduras, Roberto Micheletti, assinou nesta quinta-feira (sexta-feira no Brasil) um acordo com os representantes do presidente deposto, Manuel Zelaya, para dar ao Congresso a tarefa de decidir sobre a restituição do líder, destituído por um golpe militar há quatro meses.



O governo golpista de Honduras perdeu.

Perderam o PiG(**) brasileiro e o PiG (**) de Honduras.

Perdeu o Zé Pedágio, que disse que o Brasil tinha feita uma “trapalhada” em Honduras

Perderam os ministros da relações exteriores da GloboNews, embaixadores aposentados, pagos pelo contribuinte brasileiro, que vão para a televisão falar mal do Brasil.

O governo golpista de Honduras – reconhecido pelo PiG(**) brasileiro e repudiado pelo mundo inteiro – cedeu.

E vai se submeter a uma decisão do Congresso.

Ou seja, o Congresso decide sobre a sorte de Zelaya.

E as eleições presidenciais de novembro valem.

O golpe perdeu para a democracia.

E isso só foi possível porque a diplomacia brasileira deu abrigo a Zelaya e criou um fato político incontornável: o golpe tinha que ceder.

Paulo Henrique Amorim

(*) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele acha da investigação, da “ditabranda”, do câncer do Fidel, da ficha falsa da Dilma, de Aécio vice de Serra, e que nos anos militares emprestava os carros de reportagem aos torturadores.

(**) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

Fonte: Conversa Afiada

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Investigação sobre armas é chave para combate à violência urbana

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Investigação sobre armas é chave para combate à violência urbana


Para Alba Zaluar, uma das maiores especialistas sobre violência no Brasil, a falta de investigação sobre os atos das policias (militar, civil, federal) e do Exército em todo o país torna o combate a violência pouco efetivo e não ataca o fornecimento de arma para traficantes.

A falta de investigação sobre os atos ilícitos das policias (Militar, Civil, Federal) e do Exército em todo o país torna o combate a violência pouco efetivo e não ataca uma das raízes do problema: o fornecimento de arma para traficantes. A avaliação é da antropóloga Alba Zaluar, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e uma das maiores especialistas do tema no Brasil.

“Os moradores de favela que entrevistamos sempre informaram que 'são os policiais que trazem as armas'. Ex-traficantes que também entrevistamos disseram que tinham alguns policiais que emprestavam armas em troca de algum pagamento que era feito na divisão do roubo”, conta ela, que participa do 33º Encontro Anual da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais (Anpocs).

Segundo ela, as entrevistas mostram que não há preocupação das Forças Armadas e da Polícia Militar em investigar quem leva armas para os traficantes. “Nunca fizeram um investigação séria para desmantelar isso”, aponta. “Imaginar que essa questão vai se resolver colocando um soldado em cada ponto da fronteira é besteira. Fronteira é difícil de controlar.”

O Exército, diz Alba Zaluar, controla todos os registros de armas e munições do país, porém não passa a informação para a polícia. “A Polícia Militar, por sua vez, e os policiais civis, também, podem comprar três armas a cada dois anos. Essas armas acabam sendo vendidas. Você tem um mercado aí que acaba sendo muito movimentado.”

Na avaliação da antropóloga, o fornecimento ilícito de armas é antigo. “Desde 1980, ouço falar de granada, fuzil e revólveres que sempre foram armamentos exclusivos das Forças Armadas. No regime militar, isso já ocorria.”

A antropóloga assinala que, além do controle dos traficantes sobre o território e os moradores das favelas, também há as milícias. “Elas só fazem uma coisa: controlam as armas. Não deixam entrar. Então, tem menos crime, tem menos homicídio. Menos crime de rua, mas eles mesmos são criminosos, exploram, cobram taxas para o negócio mobiliário, vendem gás mais caro, fazem um transporte alternativo que gera um caos na cidade.”

Alba Zaluar acredita que seja possível diminuir a violência nas cidades brasileiras, mas não acabar com o tráfico de drogas. “Não se acabou em lugar nenhum. É preciso fazer com que os traficantes abandonem a corrida armamentista. Deixem de lado a ideia de dominar território.”

Segundo ela, uma eventual descriminalização das drogas, que defende há 20 anos, só pode ser implementada após o desarmamento dos traficantes. “Tem que desarmá-los e depois dissolver a formação desses pequenos exércitos, ganhar essa molecada para fazer outra coisa. Mostrando para eles que há outros modelos”, avalia.

Fonte: Agência Brasil

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EUA entram em campo em Honduras e Micheletti já aceita acordo

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"Nas próximas horas as duas partes firmarão um acordo", disse na noite desta quinta-feira (29) o advogado Rasel Tomé, representante do presidente de Honduras, Miguel Zelaya, no diálogo com o golpista Roberto Micheletti. A negociação, que parecia morta há oito dias, moveu-se. Micheletti agora aceita a proposta de Zelaya, de uma solução que passe pelo Parlamento. O que mudou? Os Estados Unidos resolveram se mexer.


Shannon, na embaixada dos EUA: tempo esgotado


EUA entram em campo em Honduras e Micheletti já aceita acordo


A diplomacia americana, após três meses de dubiedades, enviou a Tegucigalpa o seu subsecretário de Estado para o Hemisfério Ocidental, Thomas Shannon. Este desembarcou na capital hondurenha na quarta-feira, acompanhado por seu adjunto, Craig Kelly, e pelo assessor da Casa Blanca para a América Latina, Dan Restrepo. O secretário da OEA (Organização de Estados Americanos) para assintos políticos, Víctor Rico, também participou da missão.

Shannon: "O tempo está acabando"


O homem do Departamento de Estado reuniu-se pessoalmente, a portas fechadas, com Micheletti, e com Zelaya, este na embaixada brasileira onde este está abrigado desde que retornou ao seu país, em 21 de setembro. E desta vez, finalmente, a diplomacia de Washington tinha algo a dizer, a julgar pelas declarações do seu enviado.

O subsecretário disse que "o tempo está acabando". E agregou: "só temos um mês antes das eleições de 29 de novembro. Então, do ponto de vista dos Estados Unidos e da comunidade internacional, necessitamos de um acordo o mais rápido possível."

O emissário ianque asseverou que "não estamos aqui para impor nada". E agregou: "Estamos aqui para mostrar interesse e, do modo que pudermos, ajudar os negociadores e líderes políticos a chegar a um acordo, que é necessário não só para Honduras mas para a comunidade internacional".

No entanto, deixou claro que o tempo das tergiversações acabara. "A solução está na mesa. O acordo está feito. Não é questão de redação, não é questão de propostas, é questão de vontade política", declarou Shannon.

Micheletti e a voz do dono


Parece que o enviado do Departamento de Estado teve virtudes persuasórias que faltaram aos secretários-gerais da OEA e da ONU. Quem sabe foi o fato de 70% do comércio externo de Honduras ser com os EUA, ou a base militar que o Pentágono mantém no país, ou os insistentes rumores de participação estadunidense desde os preparativos do golpe de 28 de junho, ou simplesmente o atavismo que faz as oligarquias centro-americanas identificarem em Washington a voz do dono.

Sejam quais tenham sido os argumentos, o regime golpista recuou. Ainda nesta quinta-feira, anunciava que levaria o Brasil à Corte Internacional de Justiça, em Haia, por ter dado abrigo a Zelaya – como se Haia fosse aceitar uma representação de um a ditadura que não é reconhecida por nenhum país do mundo. Ao mesmo tempo, forças policiais e militares reprimiam com cassetetes e bombas de gás lacrimogêneo centenas de manifestantes da Resistência, deixando vários feridos.

Mas logo em seguida Micheletti cedeu. Sua representante nas negociações que pareciam mortas, Vilma Morales, anunciou que o governante golpista aceitava que a solução da crise fosse encaminhada através do Congresso Nacional, e não da Corte Suprema, como o ditador insistira desde o início do diálogo.

"Aceitamos ir ao Congresso. Aceitamos que esta pretensão é um direito de Zelaya", disse Vilma.

Prudência no campo zelayista


Shannon e sua missão resolveram adiar seu retorno aos EUA, de quinta para sexta-feira, "para apoiar o diálogo". O acordo, que deve ser assinado antes de sua partida, deve incluir o retorno de Zelaya à presidência, para conduzir as eleições e empossar seu sucessor.

A reação no campo zelayista foi de otimismo moderado e prudente. Tomé disse que caberá à OEA enviar ao Congresso o acordo a ser firmado. Lembrou, porém, que "em caso positivo terão que anular o decreto de 28 de junho que aceitou a destituição de Zelaya".

"Entendemos que se abre a possibilidade de alcançar uma solução", disse ainda Tomé. "Veremos se o regime golpista aceita chegar a uma solução democrática ou se dará uma nova bofetada no mundo", agregou.

Mais tarde, o próprio Zelaya avaliou que "estamos no ponto em que começamos, com 95% de avanço". Assinalou que, "pelo menos, aceitou-se que o Congresso Nacional é a instância correta para o fim deste processo". Mas recordou que "ainda não se conhece a vontade do senhor Micheletti Bain quanto a aprovar o que se está discutindo".

Micheletti permaneceu silencioso. No último dia 14, os seus negociadores e os de Zelaya chegaram a um consenso, mas ele disse não. A diferença é que agora Shannon está em Tegucigalpa, dizendo que "o tempo está acabando" e "o acordo está feito". É possível portanto que dessa vez não haja bofetada.

Da redação, com agências

Fonte: Portal Vermelho

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A tarifa é nossa

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A tarifa é nossa

por Guilherme Scalzilli


Enquanto a Vale paga propagandas milionárias nos horários nobres da TV e nas melhores páginas dos periódicos (mas por que um gigante da indústria de base precisa se vender ao consumidor comum?) e enquanto a Telefonica afunda seus clientes em apagões e desculpas esfarrapadas, descobrimos a tunga das tarifas cobradas a mais pelas concessionárias de energia elétrica. E o pior: tudo começou com a privatização de FHC.
Durante a campanha presidencial, falaram que era golpe baixo acusar os tucanos de privatas. Pouco depois, José Serra tentou vender a Cesp, no que seria um dos maiores leilões da privataria nacional.
Assim é fácil posar de “mudérnio”. O desrespeito e a incompetência de particulares são sempre culpa das agências governamentais. Se reclamamos dos absurdos cobrados para utilizar nossos celulares cintilantes, alguém repreende: devemos ser gratos, porque até quem não possui comida no prato pode ostentar seu aparelho de última geração. Oh, obrigado, Efeagá!
Quando a coisa aperta e alguém ousa questionar o que foi feito das concessões de serviços públicos, fogem todos para a histeria anti-estatizante. A CPI das Tarifas de Energia Elétrica poderá contribuir um pouco para esse debate, apesar do silêncio generalizado da imprensa.

Fonte: Blog do Guilherme Scalzilli

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Duas faces de um mesmo torpor

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Colégio Liceu Coração de Jesus (from inside)

Liceu Coração de Jesus


Duas faces de um mesmo torpor

por Léo Lince*


A coluna de Mônica Bergamo, no "Ilustrada" da Folha de 28/10, traz notícias de um jantar beneficente, realizado dois dias antes no hotel Grand Hyaat, onde estiveram como convidados de honra os banqueiros Roberto Setúbal e Pedro Moreira Salles, donos do Itaú/Unibanco e par-ímpar entre os magnatas supremos do capital financeiro.

Naquele linguajar que tipifica as colunas do gênero, se afirma que: "entre taças de Veuve Clicquot e entradinhas como mini vol au vent de aspargos, ostras à moda de Nantes sobre julienne de alho porro caramelizado, tost de alcachofra com emmental e pequenos macarrons salgados, Setubal festejava o fato de a crise econômica ter chegado ao fim".

O cardápio do opíparo repasto, com 9 entradas e os 16 pratos, foi assinado pelos maiores nomes da altíssima gastronomia. Como se lê na matéria: "os convidados saborearam ravióli baroa e manteiga noisette com pinhole, pelas mãos de Claude Troisgros, lagosta assada com ervas, feita por Philippe Jousse, do restaurante francês Alain Chapel, duas estrelas no guia "Michelin", robalo ligeiramente defumado com caviar oscietre, do chef Jean Michel Lorain, do restaurante La Côte St-Jacques, três estrelas no "Michelin", e milanesa de costela, molho de jabuticaba e creme de ervilha, de Laurent Suaudeau. De sobremesa foram servidas mousseline de chocolate e profiterole preparada por Christophe Michalak, do hotel Plaza Athénée". Uma beleza.

Em outro trecho não muito distante do mesmo jornal, não por acaso no caderno "Cotidiano", se noticia um acontecimento que parece localizado a milhares de anos luz do anterior. Um colégio tradicional de São Paulo, fundado em 1885 por Dom Bosco em pessoa, o Liceu Coração de Jesus, está definhando e corre o risco de fechar. Seu magnífico prédio, tombado pelo patrimônio histórico, com teatro de 750 lugares, santuário com 20 altares, conservatório de música, é uma cidadela cercada pela brutalidade da violência urbana e, como diz o jornal, "definha em meio à cracolândia, área degradada do centro de São Paulo que abriga centenas de usuários de crack".

O colégio tem história, Monteiro Lobato estudou lá, e já viveu momentos de ordenamento menos injusto da nossa estrutura social. O Liceu de Artes e Ofícios e Comércio, como se chamava no início, atendia aos filhos dos imigrantes italianos e dos negros libertos, que ali estudavam de graça. Depois serviu de internato para filhos dos fazendeiros do café e abrigou cursos universitários e técnicos. Agora, seu imenso pátio vazio é a imagem da desolação. O bedel de turno, que atende pelo carinhoso apelido de Manolo, amarra com arame as janelas basculantes para impedir que os alunos vejam o uso da droga nas calçadas que circundam o colégio. Um horror.

O padre Benedito Spinosa, o salesiano com nome de filósofo que dirige o colégio, ao contrário de banqueiro Setubal, não vislumbra em seu horizonte o fim da crise. No máximo almeja manter a sobrevida da instituição com o ensino integral, "pois os pais entram de carro no pátio do colégio e deixam as crianças aqui". Fora dos muros da fortaleza, seguirá território da horda dos brasileiros deserdados que se refugiam na droga. Segundo o padre, ao atravessarem sozinhos tal território, os jovens do ensino médio acabavam "vítimas dessa situação de não cidadania, que penetra em seu coração e planta a semente do medo e da indiferença".

A euforia do banqueiro e o desânimo do padre educador são expressões distintas de um mesmo enigma ainda não decifrado. A agonia do Liceu Coração de Jesus e a fantástica comemoração do hotel Grand Hyaat são acontecimentos interligados no novelo da crise: duas faces de um mesmo torpor.

*Léo Lince é sociólogo

Fonte: Correio da Cidadania

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Os animais da Uniban

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Os animais da Uniban

Por JOSUE MECENAS

Em contrapartida ao eleitorado mais exigente, temos o atraso de um grande número de jovens violentos e preconceituosos – além de hipócritas, tais como aqueles que promoveram aquela selvageria na UNIBAN:

http://www.youtube.com/watch?v=k0qyofVSQsU

A cena me fez recordar o documentário de curta-metragem do diretor francês Jean-Gabriel Périot, “Ainda que ela fosse criminosa”.

Em pleno Século 21 uma mulher é tratada desta forma dentro de uma universidade. Xingada e escorraçada, apenas por estar vestindo uma roupa curta, precisando de proteção policial para não ser agredida fisicamente.

Ao assistir ao vídeo é flagrante como as imagens das instalações grandiosas da UNIBAN constrastam com a pequenez dos estudantes que integram a turba.

Abaixo uma análise desta monstruosidade cometida contra os direitos das mulheres:

http://www.youtube.com/watch?v=ejmxrXMyiLc

Fonte: Luis Nassif Online

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Guerra urbana

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‘Rio virou um laboratório de técnicas genocidas’

por Rodrigo Mendes

281009_riodejaneiro_violenc.jpgToda a grande mídia tem dado vasto destaque nas últimas duas semanas à "escalada da violência" no Rio de Janeiro. Mas há sempre o questionamento acerca do quanto isso chega a ser um acontecimento fora do comum.

Além do mais, há pouca possibilidade de uma análise mais sóbria, que fuja da idéia de que há um confronto entre as forças da lei e as forças do crime. Muitos especialistas, defensores dos direitos humanos, entidades e militantes apontam que há complicações mais profundas na política de segurança que se acostumou a aplicar no Brasil atual.

É o caso da socióloga Vera Malaguti Batista. Militante acadêmica do Instituto Carioca de Criminologia, ela defende teses muito diferentes, quando não opostas, às que estão implícitas no discurso predominante da grande mídia, que com suas análises apenas colabora em formar um consenso generalizado na população.

Correio da Cidadania: Como você analisa a atual política de segurança pública do Rio de Janeiro? Pode ser classificada como adequada?

Vera Malaguti: Lembrando uma polêmica que aconteceu um tempo atrás entre Marta Suplicy e Joel Rufino dos Santos: a Marta dizia que a esquerda precisava de uma política de segurança pública e o Joel Rufino disse que política de segurança pública é coisa da direita, e que a esquerda precisa mesmo é de política de Direitos Humanos. Há uma grande discussão em torno disso, que redundou em um fracasso, no chamado ‘realismo de esquerda’, na idéia de que a esquerda tinha de praticar uma política de segurança pública mesmo sem ter derrotado o capitalismo. Acabou dando o que deu na Europa, nos Estados Unidos. A esquerda contribuiu para a expansão do sistema prisional neoliberal; a esquerda começou a assimilar, a dar a mesma resposta da mídia, e para a mídia, ao invés de desconstruir o conceito de segurança pública no sentido de lei e ordem. Contribuiu para essa gestão criminal da pobreza, ao discurso que prega o ordenamento dos deserdados da ordem neoliberal.

Hoje, vemos um monte de sociólogo – e eu posso falar porque sou socióloga também – fazendo projetinho de segurança pública. É uma vergonha o que está acontecendo no Rio de Janeiro, eu olho o jornal e não acredito na quantidade de pessoas aplaudindo essa aliança entre o governo do estado do Rio e o governo federal. Eu entendo aliança eleitoral em função da governabilidade, sou muito compreensiva com as dificuldades de governabilidade do governo Lula, mas tudo tem limite ético. Acho que o governo federal apoiar essa política de segurança truculenta do Rio de Janeiro é perder o rumo da História. São muitos equívocos, tem ministro da Justiça pedindo fim da progressão...

A esquerda tem medo do lúmpen e há uma má compreensão da questão criminal pela teoria marxista. É preciso parar de contribuir com a implementação da ordem neoliberal e começar a proteger os pobres do massacre.

Vi um levantamento que aponta que desde o começo de 2007 houve 21 mil homicídios no Rio de Janeiro. A polícia do Rio mata, com aplausos da imprensa, da elite e de parte do mundo acadêmico e da esquerda, 1300 pessoas por ano – e isso são os números oficiais!

Acho que esse governo do estado do Rio de Janeiro trabalha em um tripé de negócios privados, grande mídia e segurança pública. Não tem projetos de política pública.

CC: Há uma ligação entre a propalada escalada da violência e a escolha do Rio para sediar os Jogos Olímpicos?

VM: A mídia fala de explosão de criminalidade porque legitima essas políticas tenebrosas, exterminadoras, truculentas. Com a luta de classes nesse capitalismo de barbárie, a violência não aumenta só no Rio de Janeiro, é o modelo econômico que gera violência, os últimos episódios demonstraram: há uma visão de segurança pública baseada numa ideologia apartadora à la Bush. Há um conflito social, apela-se para a indústria bélica e essa indústria se aquece. Isso produz o discurso jurídico do Inimigo, alguém que pode ser torturado, exterminado, alguém cujas famílias vão pagar também.

Quando o secretário de segurança fala que os últimos eventos foram "nosso 11 de setembro", há também uma tentativa da imprensa de esconder a qualificação desse debate, fica sempre naquele papo da "escalada de violência".

Houve um coronel, além de várias outras pessoas que entendem de polícia, que disse ser um absurdo usar helicóptero da maneira como se vem usando. Ali não tem confronto, é extermínio, homicídio. Nenhuma polícia do mundo usa helicóptero daquele jeito, isso faz parte de uma ideologia de guerra, inspirada nos modelos de apartação mais questionados no mundo contemporâneo. Um sistema que produz o policial matador.

Aí a elite fica espantada quando vê dois policiais passando por cima de um cara agonizando para roubar seu casaco, seu tênis. Ora, para o cara que mata cinco, que mata vinte, o que é roubar para ele? A polícia vai punindo, torturando, roubando, saqueando.

É o que acontece quando você dá todo poder à polícia, não há freios democráticos. O governador disse que a polícia não tem política, pois, para ele, política é só a troca de favores, a barganha e negociação de cargos.

É a naturalização da morte. Isso expõe tremendamente o policial também, afeta muito a vida dele, da família dele, tem muito sofrimento. Precisamos de um grande movimento com as mães dos meninos mortos, dos policiais, contra a naturalização da morte.

CC: Há alguma chance de os problemas serem, pelo menos em parte, resolvidos até as Olimpíadas?

VM: Temos que botar pra correr quem está gerindo a cidade e o estado – e essa mentalidade dos grandes negócios esportivos, da concentração das multinacionais. É preciso fazer das Olimpíadas um grande projeto para o povo.

Veja como foi o Pan-americano, todo dia tinha massacre no Morro do Alemão. Teve dia que chegaram a 20 mortos. E a grande pergunta tinha de ser: estão derrotando o tráfico? Os dirigentes da segurança pública dizem que está tudo no Alemão, então aquela matança não serviu pra nada. O Pan-americano não trouxe nada para o Rio, apenas alguns investimentos milionários, todos concentradíssimos. Proporcionou muitas viagens para governadores, dirigentes, políticos. E o Maracanã hoje não tem mais vendedor ambulante, flanelinha... essas pessoas são presas, a pobreza é tratada como sujeira.

E o Rio virou um laboratório de técnicas genocidas. Daqui até 2016, esperamos derrotar esse pessoal (que está hoje nos governos municipal e estadual).

CC: Ou seja, os conflitos vão se acirrando, a temperatura só tende a subir...

VM: Veja só, a mesma indústria que vai vender o helicóptero blindado vende a arma que derruba o helicóptero blindado. São redes econômicas. As favelas são punidas como um todo, mas vai sobrar para todo mundo, inclusive para os ricos. Uma elite matadora sofre com os efeitos disso também. 

CC: Há alguma ligação ou similaridade entre a atuação das facções criminosas do Rio e do PCC em São Paulo e entre as políticas de segurança dessas duas cidades?

VM: Acho que não. O que há em comum, e não só no Rio e em São Paulo, mas na Bahia e em outros lugares onde isso está começando, é que todas as facções são fruto do sistema penitenciário. A mistura de crimes hediondos, a legislação do direito penal do inimigo e o neoliberalismo produziram essa loucura.

Todos os grandes líderes entraram no sistema prisional por pequenos delitos e foram se barbarizando. Cada vez que eles têm menos expectativa de sair da prisão, de encontrar acolhimento, isso aumenta. A pauta da esquerda tinha de ser prender menos, amparar as redes de familiares de presos, estabelecer mais comunicação de dentro para fora da prisão, para acabar com essa idéia de que quem está fora é o cidadão de bem – essa expressão que a gente ouve tanto – e dentro da prisão está ‘O Mal’.

É preciso romper com essa política estadunidense proibicionista das drogas. Não se pode trabalhar uma questão de saúde pública pela legislação penal. Vários países já começaram a se desgarrar dessa política que começou com o Nixon e foi ao auge com Reagan. Temos que parar de querer resolver a conflitividade através da pena, do sistema penal.

*Rodrigo Mendes é jornalista

Fonte: Correio da Cidadania

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Mudança climática empurra altiplano boliviano para a pobreza

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http://www.inscc.utah.edu/~reichler/research/projects/Altiplano.jpg

Mudança climática empurra altiplano boliviano para a pobreza

Por Franz Chávez, da IPS


O rápido desaparecimento de geleiras e o consequente esgotamento das fontes de água empurram para a pobreza os povos andinos e obrigam a criar consciência sobre a mudança climática, afirmaram especialistas bolivianos à IPS. Um aumento da temperatura determina perda de neve e gelo na cordilheira dos Andes, disse a responsável pela área de mudança climática da filial boliviana da Agência de Cooperação Internacional do Japão (Jica), Carmen Capriles. Ela conversou com a IPS durante uma visita à Chacaltaya, montanha a 30 quilômetros de La Paz cujo pico superior fica a 5.530 metros acima do nível do mar.

Chacaltaya é uma amostra de “geleira morta”. Até 10 anos atrás, tinha uma massa de gelo e neve que transformavam essa montanha na pista de esqui mais alta do mundo e que era sua grande atração, segundo os incentivadores do capítulo boliviano do movimento internacional Ação Climática 350. Esta organização reclama medidas urgentes para deter as emissões de dióxido de carbono e outros gases causadores do efeito estufa.

Durante todo o ano a montanha exibe apenas sua imagem cônica de rocha. Mas, no último final de semana uma tempestade de neve acompanhada de baixas temperaturas e fortes ventos saudaram a visita de uma centena de surpresos ativistas. “É um milagre do céu”, exclamou o presidente do Círculo de Jornalistas de Turismo da Bolívia, Jorge Amonzabel, defensor do meio ambiente a praticante de esqui.

Cerca de 20 organizações somaram-se à Ação Climática 350, que reclama limite para a concentração de dióxido de carbono na atmosfera em 350 partes por milhão, que será discutido em dezembro na Conferência das Partes da Convenção Marco das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP 15) que acontecerá em Copenhague no mês de dezembro. A alegria pela neve que cobriu rapidamente o telhado do único abrigo e pelos flocos passando livres e velozes sobre os rostos e as roupas misturou-se com certa tristeza, porque essa imagem não será habitual durante o resto do ano.

Uma tempestade de neve na primavera boliviana é incomum e pode ser atribuída à desordem climática, disse Amonzabel, que observava preocupado o que em outros tempos foi uma natural pista de esqui agora convertida em uma inclinação de rocha e terra. A Bolívia é um país altamente vulnerável às mudanças climáticas, sociais e econômicas globais, disse Capriles.

A segurança alimentar dos povos do altiplano boliviano está seriamente ameaçada porque a seca reduz a colheita de tubérculos, grão e pasto para o gado, enquanto a falta de períodos de baixa temperatura impede o processo de desidratação e conservação da batata, produto básico para temporadas de escassez, afirmou. Capriles recordou que, tradicionalmente, as famílias que vivem da agricultura de subsistência em zonas rurais vendiam seu excedente de alimentos e, com dinheiro obtido, tinham acesso a bens e serviços necessários. Mas agora são obrigados a vender o pouco que colhem e ficam sem comida.

A psicóloga Daniela Leytón, coordenadora de gênero da Ação Climática 350 para a América Latina, considerou que os bolivianos, mais do que se limitarem a ser espectadores do aquecimento, podem “ser ativos em um país vulnerável por seus altos índices de pobreza e onde são observados efeitos físicos como o derretimento das neves da montanha Chacaltaya. Temos a oportunidade de nos mobilizarmos e canalizarmos nossas demandas de maneira efetiva”. Leytón afirmou que as mulheres suportam os efeitos da mudança climática por seus papeis e pelas condições de discriminação e pobreza que as afetam de maneira desproporcional. Por isso – disse – participa de um movimento que, além de defender os direitos femininos, reclama do mundo uma ação para a conservação da natureza.

As mulheres das zonas baixas da Bolívia sabem com antecedência que entre os meses de janeiro e fevereiro são obrigadas, por causa das inundações, a abandonar suas casas e assentar-se em espaços não necessariamente adequados para sobreviver. A psicóloga destacou a criatividade das chefes de família, que combatem a desnutrição buscando alimentos ricos em proteínas produzidos em tendas solares e empregando método de cozimento também solar, de modo que também evitam o consumo de combustíveis contaminantes.

Carmen Capriles disse que Chacaltaya não sofreu apenas o aumento da temperatura, mas também o impacto da extração de gelo para seu uso em frigoríficos e geladeiras da vizinha cidade de El Alto. O aumento da temperatura também contribuiu para o uso de tetos de zinco, que refletem e multiplicam os raios do sol, explicou a ativista. O engenheiro Luis Tórrez, especialista em mudança climática e desenvolvimento humano, considerou que o uso de combustíveis fósseis continuará no mundo por muitos anos, e diante deste cenário recomendou redesenhar as casas para adaptá-las a eventos como tempestades e deslizamentos.

Publicado por IPS/Envolverde.



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quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Projeto quer tomar terra indígena com crime ambiental

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por Leonardo Sakamoto

Um projeto de lei tramitando no Congresso Nacional quer alterar o Estatuto do Índio prevendo que nações indígenas percam seus territórios em caso de constatação de crimes ambientais. A brilhante idéia saiu da mente de Marco Aurélio Ubiali (PSB-SP) e percorre a Câmara dos Deputados sob o número 5.442/2009.

Bem, antes de conversa, vale lembrar que os territórios de populações tradicionais são historicamente mais bem preservados do que parques nacionais ou estaduais. Em outras palavras, a maior parte das pessoas cuida da sua própria casa.

Na (bizarra) justificativa do projeto, o Dr. Ubiali, como é chamado, diz:

“Quando a União destina uma determinada área para o usufruto indígena, centenas de agricultores, posseiros de boa-fé e proprietários são expulsos para que seja entregue e ocupada unicamente pelos índios. Assim, constatado o uso criminoso de determinada gleba, nada mais justo que ela seja desafetada e possa vir a ter nova destinação, transformando-se numa unidade de conservação da natureza, ou, se vocacionada para as atividades agropecuárias, possa ser destinada ao assentamento de trabalhadores rurais.”

Perceberam? Ele reescreveu a história! O índio tirando a terra do branco! Um monte de indígenas chegando nus em caravelas e estragando a vida dos brancos que viviam aqui, plantando sua cana e criando seus boizinhos.

Se eu não confiasse nos políticos brasileiros, iria achar que o deputado estava criando uma forma de usurpar terras indígenas.

Muitas comunidades se vêem obrigadas a dilapidar seu próprio patrimônio natural, pois o Estado não garantiu condições mínimas para que pudessem manter uma vida digna. Ou, sob fogo cerrado de pessoas interessadas em suas terras e riquezas, muitos deles acabam por ceder a pressões. Há os que fazem em busca do lucro fácil? Claro! Não há santo nesse mundo. Mas imagine uma comunidade ser condenada porque meia dúzia desenvolve um comércio ilegal de madeira? Seria equivalente a taxar toda uma população de um morro carioca de bandida por conta de alguns traficantes de drogas. Isso não acontece, não no Brasil…

Exatamente por isso, me pergunto porque o nobre deputado não propôs também que proprietários rurais que cometam crimes ambientais percam suas terras? Uma lei assim, mais ampla, ainda seria questionada, mas não daria margem a ser considerada como preconceito étnico.

Fonte: Blog do Sakamoto

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PiG (*) é o herói do horário político dos demos

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Não há uma mísera idéia

Não há uma mísera idéia

por Paulo Henrique Amorim


O jornal nacional abriu com o exercício de fogos de artifício de Zé Pedágio para mostrar que a polícia de São Paulo é mais eficiente que a Scotland Yard.

Para desmoralizar o Rio e transferir as Olimpíadas para Madri, o notável repórter Rodrigo Bocardi – aquele da moedinha, clique aqui para ler – fez uma reportagem em que se comprova que nos Estados Unidos é diferente: não há viciados pelas ruas, não há consumidores de cocaína ou crack que não sejam atendidos pelo governo Lula de lá.

Aliás, a rigor, só se consome cocaína e crack no Rio.

Porque para o PIG (*) não há consumo de cocaína e crack em São Paulo, e, agora se vê, nos Estados Unidos também não.

A melhor reportagem do jornal nacional foi o programa partidário dos demos.

Como os tucanos, os demos não tem uma mísera idéia na cabeça.

Os demos transformaram o PiG (*) no seu porta-voz.

Na verdade, o PiG (*) é o demo.

Como dizem os ingleses, no programa dos demos, o que é bom não é novo. E o que é novo, não é bom.

E o melhor do programa dos demos foi a notável ausência do Zé Pedágio.

(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

Leia também:

O PiG (*) substitui a oposição e se torna a oposição

Gramsci: na Itália também era assim. Sem partidos, o PiG (*) se torna partido

Lula dizimou a oposição. Só sobrou o Gilmar(*)

Fonte: Conversa Afiada

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Governo anuncia 3 mil novos telecentros. Bye-Bye PiG (*)

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Bateu o desespero no PiG (*)

Bateu o desespero no PiG (*)


Saiu na Folha (**) Online:

Governo federal anuncia 3.000 novos telecentros

O governo federal instituiu o Programa Nacional de Apoio à Inclusão Digital nas Comunidades (Telecentros.BR), para implantação e manutenção de telecentros públicos e comunitários em todo o país.

O programa vai viabilizar a implantação de cerca de 3.000 novos telecentros públicos e comunitários e a manutenção de outros 10 mil já existentes no Brasil.

O decreto 6.991/09, que trata do tema foi publicado nesta quarta-feira (28), no Diário Oficial da União.

Seu objetivo é “ampliar a inclusão digital junto à população que ainda não dispõe de renda para aquisição de computador e de serviços de conexão à internet”, informa comunicado conjunto dos ministérios das Comunicações, Planejamento e Ciência e Tecnologia.

O apoio do governo federal consiste na oferta de conexão, computadores, bolsas de auxílio financeiro a jovens monitores e formação de monitores bolsistas e não-bolsistas para atuar nos telecentros.

Leia a íntegra do texto na Folha Online.

(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

(**) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele acha da investigação, da “ditabranda”, do câncer do Fidel, da ficha falsa da Dilma, de Aécio vice de Serra, e que nos anos militares emprestava os carros de reportagem aos torturadores.

Fonte: Conversa Afiada

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Israel: Procurado por assassinato

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http://artintifada.files.wordpress.com/2009/02/holocaust_remembrance_day_by_latuff21.jpg


Israel: Procurado por assassinato

por Dina Ezzat, Al-Ahram Weelky

Cairo - O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, instruiu seu governo, essa semana, para que encaminhe projeto de emenda às leis internacionais de guerra; foi sua resposta a um relatório da ONU sobre crimes de guerra praticados por Israel. Netanyahu, como informaram na 4ª-feira as agências internacionais de notícias, está decidido a impedir que vários altos dirigentes do governo israelense sejam indiciados e processados por cortes internacionais, acusados de cometer crimes de guerra – e possivelmente também crimes contra a humanidade – contra palestinos em território ocupado. Para Netanyahu, a emenda que Israel planeja encaminhar é parte de campanha para que o mundo mantenha a todo vapor a guerra ao terror.

O novo movimento de Israel aparece em momento em que o Estado israelense é objeto de graves acusações referentes às atrocidades cometidas contra os palestinos em território ocupado, inclusive o massacre de Gaza em dez --janeiro passados – objeto do relatório divulgado por missão oficial de investigação da ONU. Israel reage também, agora, contra novas e vigorosas tentativas nos planos governamental e não governamental, em todo o mundo árabe, para que os criminosos de guerra israelenses sejam levados a julgamento na Corte Criminal Internacional ou em cortes nacionais nos países cujos sistemas legais prevejam julgamentos de crimes de guerra, corolário da adoção, por vários países, do princípio da jurisdição universal.

O “Relatório Goldstone” foi aprovado semana passada pela Comissão de Direitos Humanos da ONU e, consequentemente, foi encaminhado ao secretário-geral e ao presidente da Assembleia Geral. Segundo fontes em NY, é provável que a Assembleia Geral da ONU analise o Relatório ainda antes do Natal. “Israel moverá céus e terra e não deixará pedra sobre pedra, para impedir que a Assembleia Geral aprove o Relatório Goldstone” – disse um diplomata egípcio, em NY. Mas acrescentou: “Façam o que fizerem, a Assembleia Geral terá de examinar o Relatório. Se não for antes do Natal, será depois do Ano Novo.”

Até lá, cabe ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, se assim decidir, enviar o Relatório diretamente ao Conselho de Segurança, dado que o Conselho de Direitos Humanos já o aprovou e acatou todas as suas recomendações, inclusive o pedido de que o Conselho de Segurança examine o relatório e as provas que contém e tome as necessárias providências para julgar os autores das violações ali listadas.

O Conselho de Direitos Humanos espera manifestação de Ban Ki-Moon para março. Mas diplomatas especialistas em Direitos Humanos dizem que o máximo que se deve esperar da Assembleia Geral da ONU é uma Resolução na qual conclame todos os países a observar o que postulam as leis internacionais e as leis humanitárias. E um diplomata palestino disse ao jornal Al-Ahram Weekly que “supor que os EUA permitirão que o Relatório chegue ao Conselho de Segurança é delírio, para dizer o mínimo."

Os EUA trabalharam ativa e abertamente para impedir que o Conselho de Direitos Humanos aprovasse o Relatório Goldstone, em lobby com os sionistas, dizem fontes egípcias, dentre outras fontes árabes em New York. Agora, há quem acredite que o Relatório, de fato, acabará por ser engavetado.

Apesar disso, Hesham Youssef, chefe de gabinete do secretário-geral da Liga Árabe, disse essa semana que a organização árabe “prossegue em seus esforços para processar todos que tenham cometido crimes de guerra em Gaza”. Youssef falou a Al-Ahram Weekly, dias depois de retornar de Haia, onde manteve contato com o Procurador-chefe da Corte Internacional, Luis Moreno-Ocampo. Participou desses contatos em Haia também o ministro da Justiça da Palestina, Ali Al-Khashan, e o professor de Direito Internacional John Dugard, que presidiu uma comissão independente que também investigou o massacre de Gaza e publicou relatório sobre violações da legislação internacional, pelos israelenses, em Gaza: “No safe place” [pode ser lido em http://www.lphr.org.uk/gaza2009/Report_IFFC_Gaza.pdf].

As reuniões em Haia tiveram dois principais objetivos: estabelecer o direito da Autoridade Palestina – que tem autoridade de Estado – para apresentar queixa à Corte Internacional; e estabelecer o fundamento legal formal da Corte Internacional para acolher a queixa e encaminhar o processo.

Haytham Manna, ativista de direitos humanos que trabalha em Paris, disse à nossa reportagem, em entrevista por telefone, que Moreno-Ocampo recebeu grande quantidade de documentos, a partir dos quais pode começar a trabalhar. “Não permitiremos que o Relatório Goldstone e o trabalho do prof. Dugard tenham o mesmo destino que teve o Relatório Tutu” – disse Manna, referindo-se ao relatório elaborado por missão presidida pelo bispo Desmond Tutu, prêmio Nobel, que investigou as atrocidades cometidas pelos israelenses em Beit Hanoun, Gaza, em 2006.

Manna e Djebril Fahl, advogado palestino e conselheiro da Autoridade Palestina, previram, em entrevistas separadas com nossos repórteres, que Moreno- Ocampo precisará de alguns meses antes de poder concluir. Os dois especialistas descartaram a possibilidade de o Procurador-chefe da Corte Internacional de Justiça ser diretamente pressionado por Israel. “As coisas estão andando”, disse Manna.

Manna também excluiu a possibilidade de a Autoridade Palestina – que, no início do mês, chegou a tentar adiar o exame do Relatório Goldstone pelo Conselho de Direitos Humanos – desistir da ação. “Já passamos do ponto em que eles poderiam tentar voltar atrás.”

Em entrevista a Weekly, por telefone, falando de Ramallah, Al-Khashan disse que “a Autoridade Palestina está firmemente comprometida e não desistirá”. Mas o ministro palestino não espera que o processo resulte em condenação dos líderes sionistas, nem que o governo israelense admita ter cometido crimes em território palestino ocupado. “Essa é operação de longo prazo”, disse ele. “Mas, sim, conseguiremos incriminar Israel no plano moral.”

Manna não desconsidera essas dificuldades, mas diz que “pelo menos creio que algumas cortes nacionais estarão em condições de processar os criminosos de guerra israelenses. Chegaremos lá.” [...]

O artigo original, em inglês, pode ser lido em: http://weekly.ahram.org.eg/2009/969/fr1.htm

Tradução: Caia Fittipaldi

Fonte: Vi o Mundo

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Workshop da Soma no Rio de Janeiro

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Venezuela entra no Mercosul e passa trator em 5 Cavaleiros do Apocalipse

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Tasso “tenho jatinho porque posso” Jereissati levou uma surra do Interesse Nacional

Tasso “tenho jatinho porque posso” Jereissati levou uma surra do Interesse Nacional



Venezuela entra no Mercosul e passa trator em 5 Cavaleiros do Apocalipse

por Paulo Henrique Amorim


Tasso “tenho jatinho porque posso”, Arthur Virgílio Cardoso, José Agripino Maia, Heráclito Fortes e Flexa Ribeiro são os grandes derrotados na votação da Comissão de Relações Exteriores do Senado, que aprovou por 12 a 5 o ingresso da Venezuela no Mercosul.

Clique aqui para ler a íntegra do voto em separado do senador Romero Jucá, que contém a proposta aprovada pela Comissão.

O assunto agora vai ao plenário do Senado.

Esses cinco Cavaleiros do Apocalipse não sabem distinguir Estado de Governo.

Nem Interesse Nacional de política partidária.

A aproximação comercial e energética entre o Brasil e a Venezuela se iniciou com o governo Fernando Henrique e se aprofundou agora no governo Lula.

É uma associação extremamente positiva para o Brasil e também para a Venezuela.

Um dia, o senador Tasso “tenho jatinho porque posso” Jereissati vai ser presidente do Aeroclube de Fortaleza.

E os presidentes Lula e Chávez serão um retrato na parede.

Mas o Interesse Nacional permanece.

Fonte: Conversa Afiada

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Israel curbing water




por Carlos Latuff

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Latuff e os palestinos da Amazônia

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por Carlos Latuff *

A convite do Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos (CEBRASPO) passei uma semana na companhia de lavradores nos acampamentos da Liga dos Camponeses Pobres (LCP) no interior do estado de Rondônia. Nesses dias ao lado dos aldeões, tive a honra de comer de sua comida, participar de suas conversas, de sua rotina, tomar conhecimento de suas necessidades, de suas demandas e seus sonhos. Povo forte, que sofre o diabo, mas que não tem medo dele.

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Por duas vezes passei a noite numa cabana de palha, onde vivem seu Abel e sua esposa Zilda. Reservaram uma cama para mim, me receberam com todo carinho e gentileza. Mesmo na simplicidade daquela choupana, havia uma extrema preocupação em me agradar, na melhor tradição de hospitalidade do homem do campo. Acordava-se bem cedo, ainda escuro.

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"Bom dia, dormiu bem?". Escova de dentes na mão, rumo ao rio que beira a cabana. No moedor à manivela, os grãos de café eram preparados para o desjejum. O leite fervia no fogão a lenha. A mesa posta, os copos, os talheres, o silêncio era discretamente interrompido tanto por mim quanto pelos pássaros. Daqui a pouco seu Abel já estava seguindo para a roça, para cortar lenha, para capinar a terra, irrigar as mudas, trabalho árduo para transformar seu pequeno pedaço de selva em lar. Os lavradores humildes precisam de bem pouco para viver uma vida digna, e nem mesmo isso lhes é permitido. Com o argumento do combate ao desmatamento, o Ibama persegue e aplica multas altas aos que vivem da agricultura de subsistência, usa da Polícia Federal, da Força Nacional de Segurança e mesmo tropas do Exército para sufocar as comunidades, como no caso de Rio Pardo. Aí, barreiras foram erguidas nas entradas e saídas, pessoas e veículos revistados, postos de combustível do acampamento removidos, um rigor que não tem sido aplicado aos latifundiários, que transformam vastas extensões de floresta nativa em pasto ou monocultura.

O histórico de violência naquela área já vem de longe. No Brasil Colônia, o vale do Guaporé foi palco de disputas imperialistas entre Portugal e Espanha, que só terminaram com as demarcações de terra acordadas pelo Tratado de Madrid em 1750. No século 18, com o ciclo da mineração e particularmente no final do século 19 com o ciclo da borracha, uma grande leva de migrantes de diversas partes da Bolívia foi atraída para a região, causando conflitos agrários com o país vizinho, que foram resolvidos em 1903 com o Tratado de Petrópolis.

Em 1943, como resultado do desmembramento de áreas dos estados do Amazonas e Mato Grosso, foi criado por Getúlio Vargas o Território Federal de Guaporé, tendo sido rebatizado para Rondônia em 1956, em homenagem ao Marechal Cândido Rondon, militar que entre 1910 e 1940 comandou expedições de Cuiabá até o Amazonas para instalar linhas telegráficas e levar a boa e velha civilização branca para o seio dos povos indígenas. Rondônia torna-se estado em 1982.

A Liga dos Camponeses Pobres surgiu em agosto de 1995, quando trabalhadores rurais que ocupavam terras da Fazenda Santa Elina, na cidade de Corumbiara, resistiram ao brutal despejo promovido por policiais e jagunços, resultando na morte de 11 pessoas (em números oficiais), incluindo a menina Vanessa de apenas 6 anos, no que ficou conhecido como o "Massacre de Corumbiara". De lá para cá, cansados de esperar por uma reforma agrária que nunca chega, os camponeses e suas famílias decidiram promover a "revolução agrária" no peito e na raça. São eles os acusados pela revista Isto É de serem sanguinários guerrilheiros ligados (adivinhem) as FARC.

O que pude presenciar durante minha visita aos acampamentos foram trabalhadores rurais e suas famílias armados, isso sim, de uma força de vontade poderosa, capaz de enfrentar os rigores da Amazônia Ocidental. O clima equatorial, extremamente quente e úmido, onde o sol inclemente castiga a carne, as doenças tropicais como a leshmaniose e a malária, que por aquelas bandas são tão comuns quanto um resfriado, animais selvagens como onças, porcos-do-mato e serpentes venenosas, um risco sempre presente, oculto pela densa vegetação.

Mas não são os rigores da selva amazônica os maiores inimigos do povo do campo. São os fazendeiros milionários e seus exércitos particulares formados por assassinos de aluguel e policiais, cujas ações criminosas são sustentadas por políticos locais e a imprensa corrupta, que alimentada com verbas publicitárias e mesmo matérias pagas, tenta demonizar a justa resistência dos pequenos agricultores. Os matadores são conhecidos por todos, andam tranquilamente pelas ruas, por vezes ostensivamente armados. Não são raras as execuções à luz do dia, à vista de todos. Qualquer um que tenha coragem de, por exemplo, denunciar os pistoleiros num programa de rádio, corre o sério risco de ser assassinado assim que colocar os pés para fora da emissora.

Conceitos como direitos humanos e cidadania inexistem nos cantões de Rondônia, onde a pistolagem é uma instituição consagrada pela sociedade. Numa corrida de taxi em Ariquemes, com mais três passageiros, passei a viagem de cerca de 45 minutos, ouvindo animadas histórias de fazendeiros, políticos e mortes encomendadas. Uma delas reproduzo aqui.

Um homem pescava num rio. Conseguiu apanhar dois pintados. Amarrou os peixes na garupa de sua bicicleta e seguiu tranquilamente por uma estrada. No meio do caminho foi parado por um fazendeiro e seu jagunço numa caminhonete.

-- Onde você pescou isso?-- perguntou o fazendeiro.
-- Naquele rio logo ali --, respondeu o sujeito.
-- Então pode deixar por aí mesmo, que aquele rio é meu --, disse o fazendeiro, no momento em que o capanga já saía do veículo de forma ameaçadora. O pescador teve de fugir. Ao comentar esse caso com o pessoal da LCP, me disseram que ele teve sorte de não ter sido simplesmente baleado. Essa é somente uma das histórias que explicam bem a razão da revolta que o camponês de Rondônia traz consigo no peito.

Historicamente, a reforma agrária no Brasil nunca se deu de maneira espontânea pelos governos, e sim pela pressão feita pelos movimentos populares de luta pela terra. No caso da LCP, sequer conta com o Incra para assentar as famílias. Para os integrantes da LCP, não existe o conceito de "desapropriação de terras improdutivas", visto que mesmo as produtivas, estando em mãos de ricos fazendeiros, servirão invariavelmente aos interesses do agronegócio. Os camponeses da LCP escolhem as grandes fazendas, ocupam-nas, erguem lonas, resistem ao ataque de jagunços e depois de 2 a 3 meses fazem demarcação dos lotes, o chamado "corte popular", inicialmente erguendo cabanas de palha e depois de madeira. Depois de algum tempo, os acampamentos se assemelham a povoados do velho oeste norte-americano, como o de Jacinópolis, com farmácia, escola, mercado, tudo feito de tábuas.

Diferente da confortável vida das grandes cidades, onde restaurantes, lanchonetes e supermercados estão logo ali na esquina, nas áreas de acampamento o supermercado mais próximo pode estar a 80km de estradas de terra acidentadas. É natural, portanto, que os camponeses tenham de caçar para comer, o que justifica a posse de velhas espingardas que servem também para a defesa contra onças e porcos selvagens. Operações constantes do IBAMA e das polícias tentam tomar esses armamentos rústicos das mãos dos lavradores, impedindo que eles se defendam tanto de animais ferozes quanto de pistoleiros. O direito à legítima defesa também lhes é negado. Os camponeses, no entanto, seguem resistindo a estas agressões como podem. Fecham estradas, bloqueiam o avanço da polícia com barricadas, criam seus próprios sistemas de vigilância e segurança. Não se entregam nunca.

São os palestinos da Amazônia.

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*Latuff é cartunista.


Fonte: Vi o Mundo / Blog do Latuff / Desenhos

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A mídia em debate: Herzog e as palestras em Brasilia

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por Rodrigo Vianna


A semana começou agitada para este escrevinhador. Na segunda-feira, subi ao palco do TUCA (histórico teatro paulistano) para receber - ao lado de valorosa equipe do Jornal da Record - menção honrosa, no prêmio Vladimir Herzog de Direitos Humanos.

A menção foi por duas reportagens especiais, sobre os "30 anos da Anistia" no Brasil.

Considero o Herzog o principal prêmio jornalístico do Brasil. Ao contrário de muitos outros, não oferece dinheiro, nem qualquer outra vantagem para os vencedores. Quem ganha leva pra casa a estatueta com o perfil de Vladimir Herzog (foto), desenhada por Elifas Andreato. Simplicidade e tradição.

Trata-se de um prêmio com peso político, porque lembra a história do jornalista, que foi assassinado pela ditadura brasileira. Muitos dos agraciados sobem ao palco e fazem aquele agradecimento compreesível à família, aos chefes, aos colegas... É natural. Todos se emocionam, e querem dividir a emoção com os amigos, com aqueles que ajudaram a chegar até ali.

Mas eu entendo (será que sou chato demais?) que o Herzog deve ter sempre um tom político, na melhor acepção da palavra. Foi por isso que, ao agradecer a menção honrosa, em nome da equipe do Jornal da Record, fiz questão de lembrar: "receber um prêmio como este, por uma materia que lembra os 30 anos da anistia, tem um sabor especial neste ano, em que um importante jornal de São Paulo chamou a ditadura de ditabranda".

A referência, pra quem não sabe, era ao jornal "Folha de S. Paulo". O diário teve a cara de pau de chamar a ditadura de "ditabranda", em editorial.

Fiquei duplamente feliz: pelo prêmio, e por ter soltado a voz contra aqueles que querem "revisar" a história de um período lamentável para o nosso país. Humildemente, dei o meu recado.

Fiquei mais feliz ainda com a belíssima homenagem prestada - durante a cerimônia - a um grande jornalista: Fernando Pacheco Jordão. Com sérios problemas de saúde, ele subiu de cadeira de rodas ao palco. Foi aplaudido de pé, durante 5 minutos. Fernando dá seu nome ao "Prêmio Jovem Jornalista" - que, paralelamente ao Herzog, premia as pautas de estudante de jornalismo. Os escolhidos ganham a chance de desenvover essas pautas, sob tutoria de um jornalista veterano. Ótima idéia!

Fernando Pacheco Jordão era grande amigo de Herzog, companheiro dele na TV Cultura, e um dos responsáveis por manter viva a memória do colega assassinado.

A semana, portanto, começou com fortes emoções. E prosseguiu com muito trabalho. Na terça-feira, gravei em São Paulo, depois peguei o avião para o Rio. Nesta quarta, tenho mais gravações pela Record, no Rio. E quinta, ufa, já estarei em Brasília, para participar de um debate sobre a chamada "blogosfera".

Trata-se, na verdade, de um ciclo de palestras. Na segunda, Paulo Henrique Amorim deu se recado. Na terça, foi a vez do Azenha. Nesta quarta, Nassif é o convidado. Tenho a honra de juntar-me a esse time seleto na quinta. E, na sexta, o Marco Aurelio Weisshemer, do blog RS Urgente, encerra a semana de debates.

O ciclo de palestras será gratuito e realizado no auditório principal do IESB, no Campus Edson Machado, na Asa Sul, em Brasília, das 19h às 21h30, e é uma iniciativa da própria instituição, em parceria com a Escola Livre de Jornalismo.

O objetivo é estimular estudantes de comunicação e jornalistas a debater os rumos da chamada grande imprensa e a conhecer o pensamento crítico de alguns blogueiros.

O tema ainda não ganhou as ruas. Na verdade, está muito longe disso. Mas, em 20 anos de profissão, nunca vi tanta gente interessada em debater o futuro (?) da mídia.

Estou razoavelmente otimista. Sem a internet, seria impossível ter respondido à infâmia da "Folha" e sua "ditabranda". Sem a internet, seria impossível mobilizar tanta gente pra debater a comunicação no Brasil.

Já é um avanço.

Fonte: O Escrevinhador

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