sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Brizola Neto: A "bandinha" de Serra

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Será que o governador quer que a gente acredite que ele não sabe o que assina?


http://www.rodrigovianna.com.br/files/Image/serra-kassab%5B1%5D.jpg

Serra: "Como assim banda lerda? Tá até rápida demais pra esse povão devagar"

Kassab:"Chefinho, melhor teria sido uma banda a lenha!"


Serra e o "mico" da banda-larga

do blog de Brizola Neto

Hoje de manhã, o Governo paulista começou a tomar “enérgicas providências”, ao se surpreender com o que a gente disse aqui no mesmo dia em que a medida foi anunciada: o plano de banda-larga popular de José Serra era pura balela. Hoje de manhã, a Folha Online anuncia as “ameaças” do governo Serra à Telefônica:

“Única operadora a vender planos de internet pelo programa “Banda Larga Popular”, a Telefônica perderá a isenção de ICMS concedida pela Secretaria da Fazenda de São Paulo caso obrigue o consumidor a pagar assinatura telefônica para ter acesso à internet pelo programa. A informação foi confirmada pela secretaria e pela assessoria do governo paulista”

Claro que, para não deixar pior do que já é o “mico” que o Governador José Serra pagou, a matéria afirma que Serra ” disse que as prestadoras não poderiam cobrar assinatura telefônica de novos clientes, vinculando os dois serviços”.

Conversa fiada. Leiam o texto (clique aqui) da mesma Folha sobre o anúncio da medida e veja se há uma palavra sobre isso. Diz, apenas, que não seria cobrado o modem e a instalação, o que operadora nenhuma mais cobra hoje.

O valor real da banda-larga popular de José Serra é tão absurdo que a própria Folha, hoje, publica o que já mostramos aqui: nem precisa de isenção de impostos para cobrar mais barato. Leia só:

“O pacote de voz mais econômico da Telefônica custa R$ 24,90 por mês. Somando-se aos R$ 29,80 da banda larga popular, resultaria em R$ 54,70 mensais. A NET já vende banda larga, voz e TV por R$ 39,90 e deverá começar a vender em novembro o seu pacote popular por R$ 29,80.”

Eu republico aí do lado o anúncio da Vivo, oferecendo internet sem fio a R$ 49,90, com desconto para R$ 24,95 nos três primeiros meses. Tudo com imposto e mais barato que a “bandinha” de Serra.

Será que os responsáveis pelo ato oficial (veja aqui o decreto) não sabiam que haveria necessidade de ser assinante do serviço? Então porque escreveram, no item 4 do artigo 5° que o serviço:

“deverá estar disponível a todos os assinantes da prestadora, salvo nos casos em que haja inviabilidade técnica;”

Que assinantes? Claro que assinantes da linha telefônica, ou seriam os assinantes da revista “Ternura”? A única restrição prevista ali (art. 4°) seria a cobrança de serviços de provedor de internet à parte. Será que as autoridades que negociaram uma isenção de impostos (dinheiro público!) não se preocuparam em perguntar à Telefônica o óbvio: “vem cá, vocês não vão obrigar a pessoa a comprar uma linha de telefone, não é?”

A banda do Serra não era tão larga assim, mas as pernas da mentira são curtas, bem curtinhas.

Fonte: Vi o Mundo

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Serra cria o Mensalão da Banda Lerda

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Não é banda nem larga

Não é banda nem larga


O Conversa Afiada publica texto enviado pela Tia Carmela:

Serra cria o Mensalão da Banda Lerda

Com ciúme do Programa Internet Para Todos, do governo federal, e preocupado com a perda de receita de seus amigos espanhóis da Telefonica, que ganharam a telefonia de SP de seu amigo FHC, o Maior de Todos os Brasileiros resolveu dar um dinheirinho para cobrir o rombo da perda de assinantes do serviço de internet banda larga (Speedy). A Telefonica anda em baixa porque a própria ANATEL foi obrigada a admitir que o serviço prestado era de qualidade tão ruim que teve sua comercialização proibida.

Seguindo as práticas cleptotucanas usuais de solidariedade com os amigos, o Presidente de Nascença lançou um programa cujo é-di-tal foi elaborado de tal forma que apenas a Telefonica poderia se habilitar.

Pelo programa, já batizado de Mensalão da Banda Lerda a Telefonica continuará prestando serviço de qualidade inferior, uma pseudo-banda larga (250 Kb), e cobrando preços parecidos com o que já cobra. Mas deixará de pagar ICMS.

A população de São Paulo já organiza um grande ato de júbilo em homenagem ao Mais Preparado dos Políticos, como forma de agradecer a mais essa grande decisão de estadista.

Comentário da Tia Carmela: O Zezinho sempre gostou de ajudar seus amiguinhos espanhóis. Lá na rua dele, na Móoca, tinha o Pepe, que era filho do seu Salvador, um espanhol que vendia pão de bicicleta de manhã cedo. O Zezinho gostava muito do Pepe, porque ele sempre ajudava o Zezinho quando ele se metia em encrenca. Eles tinham um acordo: quando um estava precisando de dinheiro pra comprar doce, o outro pagava. Acontece que o Pepe era um menino muito guloso e sempre tirava vantagem. Pagava umas balinhas do Zezinho e na hora de tomar sorvete, que era mais caro, arrumava um jeito do Zezinho pagar…

Fonte: Conversa Afiada

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Ainda sobre os animais da UNIBAN

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http://3.bp.blogspot.com/_OfghE8a8yBY/R3RvzUsjj8I/AAAAAAAAAEc/uO4Kmktsyzw/s400/feminismo.png



Intolerável

por Alessandra Terribili

Não existem palavras que definam o que foi o comportamento daquele monte de trogloditas estudantes da Uniban São Bernardo.

A história da menina vestida “com pouca roupa”, que praticamente foi atacada pelos colegas, agredida, perseguida, assediada, humilhada, é de chorar. Que tipo de gente promove um tumulto com o objetivo de violentar alguém? Que tipo de gente faz isso como quem vai à esquina comprar cigarros?

A confusão foi tamanha que a polícia foi acionada. A estudante só conseguiu sair da faculdade enrolada num jaleco e escoltada, e ainda assim, sob vaias e xingamentos. Não vi o famigerado vídeo no YouTube, não tenho estômago pra isso. Imaginar a cena já me faz passar suficientemente mal. Mas há quem tenha estômago de aço pra essas coisas, e esses fotografaram e fizeram vídeos pelo celular da cena bizarra que a Uniban presenciava.

Não há nada que justifique isso, nada. Nenhuma história anterior, nenhum contexto de conflito – que não parece haver. “Agiram mal, mas ela provocou”, li em alguns depoimentos de colegas. E certamente é o que muitos pensaram.

O que dizer de um torcedor do Palmeiras, vestido a caráter, que é agredido violentamente por torcedores do Corínthians? Que ele provocou??? A animalidade que algumas pessoas podem assumir, a possibilidade de o insano acontecer, não é motivo para atribuir à vítima o papel de cúmplice da violência que ela mesma sofreu. O normal não é isso. Nosso paradigma tem que ser o da normalidade, o das pessoas que convivem socialmente, e não o de animais incapazes de ter discernimento ou de ter a razão prevalecendo ao instinto.

Não me importa que roupa a moça vestia. Importa que ela foi duramente violentada, e isso não podemos tolerar.

Deveria importar para os julgadores de plantão que o que mais se vê neste mundo de comunicação globalizada e instantânea é milhares de listas de mulheres mais sexy, mais desejadas, mais bem-sucedidas por terem seu corpo “em forma”. As mulheres mais festejadas pela mídia são as que cumprem padrões estéticos, não éticos, profissionais, políticos ou morais. As que são expostas como referências para as meninas são as que são desejadas, as que vestem pouca roupa, as que deixam marmanjos babando pela sua sensualidade, exaustivamente explorada por tudo que é revista masculina, feminina, canal de TV privado ou não. Todas as meninas querem ser bem-sucedidas, aceitas. Pra isso, ensinaram-lhes que devem ser desejadas. Devem ter belos corpos e expô-los.

Não quero fazer um debate determinista sobre o que levou a garota a se vestir de forma x, y ou z. Muito menos pretendo justificar a ação de lado a lado a partir daí. Mas questionemos, portanto, qual a ética e qual a moral de um mundo que apresenta esse caminho para as mulheres, o de serem objetos a serem expostos e usufruídos, como um caminho possível para "o sucesso". Quantas não fazem isso? Quantos não acompanham as “mulheres-fruta”, as globais de capa de revista masculina, etc etc etc? Quem há de julgar a estudante da Uniban, ou atirar a tal da primeira pedra? Ou atirar o mesmo que atiraram em Geni?

O que cabe julgamento é ao comportamento daqueles estudantes que a perseguiram. Isso sim. Há referência ética pra isso. Pra eles, é preciso apresentar algum desfecho. Não podemos tolerar a impunidade de um bando de trogloditas que agride assim a uma mulher.
Link
E alguém se pergunta o que vai ser da vida dessa menina agora? Se ela vai continuar estudando, se vai ter os mesmos colegas? Incrível como os fatalmente punidos não são os criminosos em alguns casos...

***
Tem me chamado muita atenção a quantidade de casos de estupro praticados por adolescentes e contra adolescentes que se noticiam nos últimos dias. A violência não está encontrando limites.

Fonte: Blog Terribili

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Demo aproveita Dia dos Mortos pra reunir juventude

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por Rodrigo Vianna


Parece piada pronta: o Democratas - eterno PFL - vai aproveitar o feriado do Dia dos Mortos para reunir a Juventude do partido, em Blumenau (SC).

É verdade. Um leitor me mandou o texto. Está no blog da Juventude do DEM - http://www.juventudedemocratas.org.br/default.asp.

Heráclito Fortes: DEM esbanja juventude no Piauí


Veja o que diz o texto do DEM:

"(...) é claro, vai ter também muita festa. Primeiro, por que para o jovem a política significa fazer novos amigos."

Ah, que bonitinho. Eles vão fazer amigos no Dia dos Mortos!

Outro trecho:

"Para muitos que sairão de canto distantes do país e que já mantem contato pelas redes na internet, o evento é a oportunidade conhecer cara-a-cara os parceiros de militância política. Sem contar que Blumenau é nada mais, nada menos, do que a terra da OktoberFest. Na organização geral, está a moçada de Santa Catarina, que montou um verdadeiro quartel-general para que absolutamente todo detalhe corra bem."

Quartel-general. Disso, a turma do DEM entende - desde 64.

Jorge "vamos acabar com essa raça" Bornhausen integra a juventude demo? E o Heráclito Fortes?

Serra não foi convidado. O DEM acha que o governador de São Paulo anda meio mortão...

O Marcelo Tas (aquele do CQC - programa de humor) estará lá. Vai animar a festinha em Blumenau. E isso não é piada, tá no site do partido. O Tas virou palestrante demo.

Ótimo programa pro Dia dos Mortos...

Fonte: O Escrevinhador

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Werneck: Eleição de 2010 não muda hegemonia

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Eleição de 2010 não mudará hegemonia do agronegócio, bancos e indústria, diz Werneck Vianna


por Gilberto Costa*, na Agência Brasil
Enviado Especial



Caxambu (MG) - A um ano das eleições presidenciais de 2010, o sociólogo Luiz Werneck Vianna, do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj), não vê grandes diferenças entre os projetos dos principais pré-candidatos que estão se apresentando para a disputa. Para ele, não há muitas razões para se esperar de mudanças profundas a partir de 2011.

Considerado um dos principais analistas políticos no meio acadêmico do Brasil, Werneck fez a abertura nesta semana da reunião anual da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais (Anpocs), que ocorre em Caxambu (MG). Ele concedeu uma entrevista exclusiva à Agência Brasil.

Agência Brasil: Qual será a agenda política da campanha eleitoral e dos próximos anos?
Luiz Werneck Vianna: O tema do desenvolvimento será uma questão forte. A mobilização do Estado como indutor desse desenvolvimento certamente será discutida por Dilma [Rousseff], [José] Serra e Ciro [Gomes], mas não deverá ser discutida na agenda de Marina [Silva]. Isso não é um tema de Marina. Ela é uma candidatura interessante, pode vir a crescer, provavelmente não terá condições de vitória, mas poderá interferir na agenda dos outros. A sua presença na disputa faz com que já pese mais a questão ambiental. Com ela, o tema da ética na política aparece com mais força e isso deve contaminar também a agenda dos candidatos. A candidatura de Marina, mesmo que não esteja destinada a cumprir uma trajetória brilhante, irá exercer uma certa influência sobre as demais. Quanto ao Ciro, é difícil falar. Sobretudo é difícil diferenciar o Ciro das candidaturas da Dilma e do Serra. Os três têm o perfil muito semelhante. Serra e Dilma ainda mais semelhante. São executivos, pessoas treinadas na administração, vocacionadas para esse tipo de mando. O território deles não é propriamente o da política e das eleições, como o de Lula é. O presidente é um animal político, assim como Fernando Henrique Cardoso também é. Mas esse não é o caso nem da Dilma nem do Serra, que construíram suas pré-candidaturas como bons administradores. A eleição vai ser uma obra de químicos especializados em campanhas.

ABr: Vai ser uma campanha sisuda e menos emocional?
Werneck Vianna: Acho que sim. A entrada da Marina e do Ciro atenua um pouco isso. Só com Serra e Dilma, seria uma coisa muito monocórdica, os mesmos temas, os mesmos discursos, sem mudar a inflexão.

ABr: É possível distingui-los ideologicamente com nitidez? O governador José Serra diz estar hoje à esquerda do PT.
Werneck Vianna: O Serra tem uma história na esquerda, sem dúvida: foi presidente da UNE [União Nacional dos Estudantes], foi da Ação Popular, mas depois ele foi estabelecendo aliança com os poderosos de São Paulo, da indústria e das finanças. Como a Dilma será candidata da situação e tem os poderosos também na coalizão governamental , inclusive em posição de mando político como ministros, as diferenças não vão se estabelecer por aí. O esforço todo do presidente Lula vai ser comunicar quem é sua candidata e tentar transferir o seu prestígio eleitoral. Essa não é uma operação fácil de fazer, mas é o que ele irá fazer e pode ter sucesso nisso. Não podemos esquecer que ainda tem uma questão embaraçosa no PSDB: se é Serra ou se é Aécio. Isso ainda não foi definido. Não dá para prever nada. Uma coisa é fazer o retrato, a outra será quando isso entrar em movimento. Quem sabe se o Ciro vai cometer mais um destempero verbal na televisão? Quem sabe se um acidente ambiental não possa tornar a candidatura de Marina mais popular e mais visível? Há tantos imponderáveis nessas lutas.

ABr: Teremos, então, a agenda que já está aí.
Werneck Vianna: Sem dúvida. A expansão brasileira, a projeção da economia do país no mercado interno e no mercado externo é monopólio de um grupelho, dos poderosos do agronegócio, das finanças, da grande indústria. Esses é que estão com as cordas. Quando se falava da questão nacional das décadas de 1950 e 1960, se falava da questão do nacional-popular, havia tensão entre o nacional e o popular. Havia luta pela hegemonia na condução da questão nacional. Hoje, a questão nacional está posta sem que o tema da hegemonia seja debatido. A hegemonia é desses grandes potentados. É claro que tudo isso extraordinariamente manobrado de maneira inteligente, ardilosa e sutil pelo presidente Lula, que tem capacidade de empregar todos no mesmo governo, impondo condições. Por exemplo, impõe ao agronegócio a questão ambiental e o convívio com a agricultura familiar. O Lula tem demonstrado uma enorme capacidade de harmonizar contrários e de que a obra desses contrários seja vista como a serviço da nação na sua totalidade. Isso não se faz por muito tempo, nem se consegue criar a ilusão em todos de que aquilo que está sendo feito fundamentalmente para atender alguns esteja atendendo a todos.

ABr: O senhor diz que o PT declinou do papel de herói providencial e se adaptou às circunstâncias. Mas há mudanças, como a subida de 30 milhões de pessoas a um novo patamar de consumo, não?
Werneck Vianna: Sem dúvida, e é uma outra questão. De fato, esse governo foi muito dedicado ao enfrentamento da questão social, mas em determinados limites. Essa harmonização entre os contrários, realizada pelo Lula, é obra que não persistirá no tempo, inclusive porque o tempo do Lula acabou e a Dilma não é vocacionada para realizar isso. O meu ponto principal não é esse, mas de que o desenvolvimento e a questão nacional estão sendo pensados de forma tecnocrática, vertical, de modo assimétrico em relação à vontade da sociedade. A sociedade civil está desmobilizada, e os movimentos sociais foram cooptados. Esse é meu ponto. É político, não é uma questão técnica ou de economia. Os movimentos sociais foram todos trazidos para dentro do Estado.

ABr: O senhor fala da linha de continuidade entre o governo Lula e FHC e de um “abraço” de Lula em Getúlio Vargas. Com quem o governo atual guarda mais coincidências?

Werneck Vianna: Um pouco de cada coisa. Ele foi trazendo tudo para si. O que eu digo é que o repertório da história brasileira, da tradição da República brasileira, foi sendo selecionado e incorporado pelo governo acriticamente. A questão nacional é importante, mas isoladamente, sem a chave democrática e popular, ela pode ser uma questão perigosa. Ela fortalece um Estado isolado da sociedade, uma burguesia dominante e dominadora, a sociedade conhecendo apenas uma vontade. Esse é que é o ponto.

*O repórter viaja a convite da Anpocs

Edição: Enio Vieira

Fonte: Agência Brasil

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Fiscalização flagra escravos em escavações para rede da Claro


Claro que a gente faz vista grossa...



Fiscalização flagra escravos em escavações para rede da Claro

Por Bianca Pyl


Após a denúncia de quatro pessoas que não suportaram as condições de trabalho, a Superintendência Regional do Trabalho e Emprego do Espírito Santo (SRTE/ES) libertou 17 vítimas de trabalho análogo à escravidão, em Vitória (ES). Elas escavavam canaletas para acomodar cabos óticos da operadora de telefonia celular Claro. A fiscalização, que foi acompanhada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), se deu em 15 de outubro.

As vítimas foram aliciadas no Norte do Rio de Janeiro no final de setembro, a pedido da subempreiteira Dell Construções, que por sua vez foi contratada pela multinacional Relacom Serviços de Engenharia e Telecomunicação. Essa última prestava serviços à Claro. O "gato" - intermediário na contratação da mão-de-obra - prometeu aos trabalhadores bom salário e ainda disse que havia a possibilidade de posterior contratação pela empresa.

"Por se tratar de uma empresa conhecida, os empregados se iludiram com a chance de serem efetivados", relata Alcimar Candeias, auditor fiscal do trabalho da SRTE/ES que coordenou a ação.

Os trabalhadores entregaram suas Carteiras de Trabalho e Previdência Social (CTPS) ao "gato". Os documentos, porém, ficaram no Rio de Janeiro. A legislação trabalhista determina que o empregador informe ao Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) no município de origem do trabalhador, por meio das Superintendências, Gerências ou Agências, e emita a Certidão Declaratória (antiga Certidão Liberatória) antes da viagem.

A subempreiteira Dell Construções alugou uma espécie de galpão para alojar os empregados, no bairro Cobilândia, em Vila Velha (ES). Eles dormiam em colchonetes no chão. Havia somente um banheiro para todos. Não tinham itens de higiene pessoal e nem podiam comprá-los porque não receberam nenhum pagamento até o dia da fiscalização.

Os trabalhadores improvisaram uma cozinha no local e a esposa do "gato" preparava as refeições, que eram cobradas. O empregador não fornecia água potável, nem equipamentos de proteção individual (EPIs).

Nos primeiros dias de trabalho, as vítimas caminhavam cerca de 3 km para chegar até o local da escavação, na Rodovia Carlos Lindenberg. "Com a reclamação dos trabalhadores por causa do longo trajeto, a empresa alugou uma caçamba. Achando que estavam resolvendo uma situação, na verdade estavam colocando em risco a vida dos empregados", conta Alcimar.

A jornada de trabalho se iniciava às 6h da manhã e se estendia até às 18h, inclusive nos finais de semana. "Normalmente quando o empregado sai de seu município para trabalhar, até por estar longe da família, ele já trabalha muito. Quando ele recebe por produção, trabalha até a exaustão mesmo. Com esses trabalhadores não era diferente", opina o auditor fiscal.

O acordo inicial proposto pela empresa era pagar R$ 7 por metro escavado. Desse valor, R$ 2 ficariam com o "gato". E para piorar, o empregador achou que a produção estava baixa e diminuiu R$ 2 do valor prometido: se recebessem, os empregados ficariam só com R$ 3 por metro escavado.

Após a fiscalização, os trabalhadores libertados foram transferidos para um hotel, onde permaneceram até quarta-feira (21), quando receberam as verbas da rescisão do contrato de trabalho. A subempreiteira Dell Construção, do Rio de Janeiro, arcou com os pagamentos. A Claro é controlada por empresas do mexicano Carlos Slim, dono de uma das maiores fortunas do mundo.

A Relacom informou, por meio da assessoria de imprensa, "que já está em contato direto com o Ministério do Trabalho do Estado do Espírito Santo para prestar os esclarecimentos necessários. As acusações feitas referem-se a uma empresa subcontratada e tomará as medidas que forem necessárias no conclusão do processo". A assessoria de imprensa da Claro informou que a empresa " já tomou providências internas para o referido caso". A Repórter Brasil não conseguiu contato com a Dell Construções.

Com informações da Repórter Brasil.

Fonte: Revista Fórum

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A internet e o jogo político

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A internet e o jogo político

por Luis Nassif


Nos próximos anos, haverá alterações profundas no quadro partidário nacional, dos estados e municípios. Haverá um realinhamento dos partidos, redefinição de alianças, definição de novos princípios, novas bandeiras.

Recentemente, no meu Blog, houve uma discussão rica sobre o novo desenho da esquerda. Cada vez mais, a esquerda petista se aproxima do centro. Com isso, o PSDB é deslocado para posições que poderiam ser classificadas como de centro-direita ou direita.

Mas quais são as posições clássicas de esquerda ou direita?

Na verdade, as mudanças que vêm ocorrendo nas comunicações mudará completamente a forma de montagem das plataformas políticas dos partidos.

No modelo de democracia tradicional, as plataformas políticas eram montadas através de sistemas de diretório mas, fundamentalmente, através da imprensa. Historicamente, a imprensa sempre foi porta-voz de grupos políticos. Esse modelo vai se alterando no século 20 até que ela passasse a tentar representar os chamados interesses difusos dos leitores.

A democracia tradicional sempre foi feita com boa dose de hipocrisia. Partidos se organizam visando o poder. Aliam-se a grupos econômicos, a parcelas da tecnocracia, a grupos intelectuais. Mas, para conseguir o poder nas eleições, precisam desenvolver um discurso no qual se apresente como representante dos interesses majoritários do País.

Todo esse jogo era possível devido à centralização da comunicação. Em determinada região podiam ser organizados grupos de interesse. Só que ficavam isolados no seus guetos, sem condições de se organizar com grupos similares de outras regiões. Poucos desses grupos conseguiam levar suas demandas à direção dos partidos.

Com isso, o modelo tradicional de partidos era uma organização com uma imensa cabeça – uma executiva superdimensionada -, comandando um corpo mirrado, um partido com militantes pouco empenhados e fechando pactos de interesse, fisiológicos.

Com a Internet, as redes sociais, os Blogs, a discussão pública ganha outra dimensão. Há um campo muito maior para a montagem de pactos, alianças, para se ter uma idéia multifacetada de grupos sociais, de demandas municipais, regionais, setoriais.

Então, os partidos do futuro, os futuros grandes partidos não poderão mais governar os militantes a partir de uma sede em Brasília, Rio ou São Paulo. As assembléias não serão restritas a reuniões presenciais, mas ocorrerão em ambientes da Internet.

Além disso, a enorme facilidade de grupos interagirem, trocarem informações, se tornarem conhecidos, fará com que as alianças políticas sejam muito mais instáveis. Hoje em dia existem discussões polarizadas sobre os mais diversos temas, meio ambiente, célula tronco, controle de natalidade, desenvolvimento, inflação, câmbio, eutanásia.

Nenhum partido, isoladamente, poderá ter a pretensão de representar seus seguidores em todos os pontos. Por isso mesmo, o jogo político exigirá cada vez mais grandes negociadores, pactos em torno de cada ponto. Acabou a era dos condutores de povos.

Fonte: Luis Nassif Online

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Professores denunciam desmanche da educação pública de São Paulo

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Dois governantes e o mesmo "choque de jestão"

Dois governantes e o mesmo "choque de jestão"


O Conversa Afiada reproduz a carta que o sindicato dos professores de São Paulo (Apeoesp) enviou para a revista Veja a respeito da entrevista do secretário Paulo Renato. Está no blog da Apeoesp:

Senhor editor,

A entrevista do secretário Paulo Renato (Veja, 28/10) apenas confirma que o governo do PSDB no estado de São Paulo está mais preocupado em fomentar a “competitividade” entre os professores e aplicar receitas empresariais ao sistema público de ensino do que com a melhoria da qualidade de ensino para todos os estudantes das escolas estaduais.

O secretário culpa os sindicatos de professores pela queda na qualidade de ensino, como forma de fugir de suas próprias responsabilidades. Ele já foi secretário de Educação no governo Franco Montoro e ministro da Educação por longos oito anos, no governo FHC. Seu viés é sempre o da exclusão. Quando criou o FUNDEF, deixou descobertas as duas pontas da educação básica: a educação infantil e o ensino médio, concentrando recursos apenas no ensino fundamental, praticando assim uma política de foco. Esta é a forma como vê a educação.

Um projeto que exclui, de imediato, 80% dos professores de reajustes salariais e, ainda assim, não assegura que os demais 20% terão mesmo direito à melhoria salarial (pois depende de disponibilidade orçamentária) não vai contribuir para a qualidade de ensino e sim para gerar mais revolta e desestímulo na categoria. Os professores tem como ofício educar e sua ferramenta é a educação; e a educação não está sendo valorizada.
As posições externadas pelo secretário estão na contramão de todos os avanços que se tem verificado na educação nacional nos últimos anos. Por certo são ainda insuficientes, mas apontam na direção da escola pública de qualidade.

Por outro lado, é difícil entender como, num Estado democrático de direito, todo o espaço é reservado apenas para um dos lados, que se permite fazer juízos de valor sobre o sindicato, sem que nos seja oferecido espaço equivalente. O que queremos, em nome dos 178 mil associados da APEOESP, é que nos seja aberto espaço nesta revista para que nós próprios possamos expor nossas posições.

Não somos corporativistas. O que nos move é a qualidade da educação e a valorização dos profissionais que nela trabalham, pois a educação abrange bem mais que a relação professor-aluno em sala de aula. Entretanto, ainda que fôssemos corporativistas, o papel de um sindicato não é justamente defender os direitos e reivindicações da categoria que representa?

Aguardamos a publicação desta carta e a abertura de espaço para que possamos expor e defender nossos pontos de vista.
Atenciosamente,
Maria Izabel Azevedo Noronha
Presidenta da APEOESP
Membro do Conselho Nacional de Educação

Veja aqui o vídeo em que o presidente Lula pediu aos prefeitos e governadores que não permitam que empresas de reciclagem tirem emprego dos catadores. “É muito melhor para a cidade termos muitos ganhando pouco do que poucos ganhando muito. Essa é a conquista maior para vocês”, defendeu.

Fonte: Conversa Afiada

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A democracia volta a Honduras. Vitória da diplomacia brasileira

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A diplomacia do Brasil salvou Zelaya e a democracia em Honduras

A diplomacia do Brasil salvou Zelaya e a democracia em Honduras

Saiu na Folhaonline (*):

Zelaya e Micheletti chegam a um acordo em Honduras
Do UOL Notícias
Em São Paulo*

Sob pressão internacional, a comissão de diálogo do presidente interino de Honduras, Roberto Micheletti, assinou nesta quinta-feira (sexta-feira no Brasil) um acordo com os representantes do presidente deposto, Manuel Zelaya, para dar ao Congresso a tarefa de decidir sobre a restituição do líder, destituído por um golpe militar há quatro meses.



O governo golpista de Honduras perdeu.

Perderam o PiG(**) brasileiro e o PiG (**) de Honduras.

Perdeu o Zé Pedágio, que disse que o Brasil tinha feita uma “trapalhada” em Honduras

Perderam os ministros da relações exteriores da GloboNews, embaixadores aposentados, pagos pelo contribuinte brasileiro, que vão para a televisão falar mal do Brasil.

O governo golpista de Honduras – reconhecido pelo PiG(**) brasileiro e repudiado pelo mundo inteiro – cedeu.

E vai se submeter a uma decisão do Congresso.

Ou seja, o Congresso decide sobre a sorte de Zelaya.

E as eleições presidenciais de novembro valem.

O golpe perdeu para a democracia.

E isso só foi possível porque a diplomacia brasileira deu abrigo a Zelaya e criou um fato político incontornável: o golpe tinha que ceder.

Paulo Henrique Amorim

(*) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele acha da investigação, da “ditabranda”, do câncer do Fidel, da ficha falsa da Dilma, de Aécio vice de Serra, e que nos anos militares emprestava os carros de reportagem aos torturadores.

(**) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

Fonte: Conversa Afiada

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Investigação sobre armas é chave para combate à violência urbana

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Investigação sobre armas é chave para combate à violência urbana


Para Alba Zaluar, uma das maiores especialistas sobre violência no Brasil, a falta de investigação sobre os atos das policias (militar, civil, federal) e do Exército em todo o país torna o combate a violência pouco efetivo e não ataca o fornecimento de arma para traficantes.

A falta de investigação sobre os atos ilícitos das policias (Militar, Civil, Federal) e do Exército em todo o país torna o combate a violência pouco efetivo e não ataca uma das raízes do problema: o fornecimento de arma para traficantes. A avaliação é da antropóloga Alba Zaluar, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e uma das maiores especialistas do tema no Brasil.

“Os moradores de favela que entrevistamos sempre informaram que 'são os policiais que trazem as armas'. Ex-traficantes que também entrevistamos disseram que tinham alguns policiais que emprestavam armas em troca de algum pagamento que era feito na divisão do roubo”, conta ela, que participa do 33º Encontro Anual da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais (Anpocs).

Segundo ela, as entrevistas mostram que não há preocupação das Forças Armadas e da Polícia Militar em investigar quem leva armas para os traficantes. “Nunca fizeram um investigação séria para desmantelar isso”, aponta. “Imaginar que essa questão vai se resolver colocando um soldado em cada ponto da fronteira é besteira. Fronteira é difícil de controlar.”

O Exército, diz Alba Zaluar, controla todos os registros de armas e munições do país, porém não passa a informação para a polícia. “A Polícia Militar, por sua vez, e os policiais civis, também, podem comprar três armas a cada dois anos. Essas armas acabam sendo vendidas. Você tem um mercado aí que acaba sendo muito movimentado.”

Na avaliação da antropóloga, o fornecimento ilícito de armas é antigo. “Desde 1980, ouço falar de granada, fuzil e revólveres que sempre foram armamentos exclusivos das Forças Armadas. No regime militar, isso já ocorria.”

A antropóloga assinala que, além do controle dos traficantes sobre o território e os moradores das favelas, também há as milícias. “Elas só fazem uma coisa: controlam as armas. Não deixam entrar. Então, tem menos crime, tem menos homicídio. Menos crime de rua, mas eles mesmos são criminosos, exploram, cobram taxas para o negócio mobiliário, vendem gás mais caro, fazem um transporte alternativo que gera um caos na cidade.”

Alba Zaluar acredita que seja possível diminuir a violência nas cidades brasileiras, mas não acabar com o tráfico de drogas. “Não se acabou em lugar nenhum. É preciso fazer com que os traficantes abandonem a corrida armamentista. Deixem de lado a ideia de dominar território.”

Segundo ela, uma eventual descriminalização das drogas, que defende há 20 anos, só pode ser implementada após o desarmamento dos traficantes. “Tem que desarmá-los e depois dissolver a formação desses pequenos exércitos, ganhar essa molecada para fazer outra coisa. Mostrando para eles que há outros modelos”, avalia.

Fonte: Agência Brasil

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EUA entram em campo em Honduras e Micheletti já aceita acordo

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"Nas próximas horas as duas partes firmarão um acordo", disse na noite desta quinta-feira (29) o advogado Rasel Tomé, representante do presidente de Honduras, Miguel Zelaya, no diálogo com o golpista Roberto Micheletti. A negociação, que parecia morta há oito dias, moveu-se. Micheletti agora aceita a proposta de Zelaya, de uma solução que passe pelo Parlamento. O que mudou? Os Estados Unidos resolveram se mexer.


Shannon, na embaixada dos EUA: tempo esgotado


EUA entram em campo em Honduras e Micheletti já aceita acordo


A diplomacia americana, após três meses de dubiedades, enviou a Tegucigalpa o seu subsecretário de Estado para o Hemisfério Ocidental, Thomas Shannon. Este desembarcou na capital hondurenha na quarta-feira, acompanhado por seu adjunto, Craig Kelly, e pelo assessor da Casa Blanca para a América Latina, Dan Restrepo. O secretário da OEA (Organização de Estados Americanos) para assintos políticos, Víctor Rico, também participou da missão.

Shannon: "O tempo está acabando"


O homem do Departamento de Estado reuniu-se pessoalmente, a portas fechadas, com Micheletti, e com Zelaya, este na embaixada brasileira onde este está abrigado desde que retornou ao seu país, em 21 de setembro. E desta vez, finalmente, a diplomacia de Washington tinha algo a dizer, a julgar pelas declarações do seu enviado.

O subsecretário disse que "o tempo está acabando". E agregou: "só temos um mês antes das eleições de 29 de novembro. Então, do ponto de vista dos Estados Unidos e da comunidade internacional, necessitamos de um acordo o mais rápido possível."

O emissário ianque asseverou que "não estamos aqui para impor nada". E agregou: "Estamos aqui para mostrar interesse e, do modo que pudermos, ajudar os negociadores e líderes políticos a chegar a um acordo, que é necessário não só para Honduras mas para a comunidade internacional".

No entanto, deixou claro que o tempo das tergiversações acabara. "A solução está na mesa. O acordo está feito. Não é questão de redação, não é questão de propostas, é questão de vontade política", declarou Shannon.

Micheletti e a voz do dono


Parece que o enviado do Departamento de Estado teve virtudes persuasórias que faltaram aos secretários-gerais da OEA e da ONU. Quem sabe foi o fato de 70% do comércio externo de Honduras ser com os EUA, ou a base militar que o Pentágono mantém no país, ou os insistentes rumores de participação estadunidense desde os preparativos do golpe de 28 de junho, ou simplesmente o atavismo que faz as oligarquias centro-americanas identificarem em Washington a voz do dono.

Sejam quais tenham sido os argumentos, o regime golpista recuou. Ainda nesta quinta-feira, anunciava que levaria o Brasil à Corte Internacional de Justiça, em Haia, por ter dado abrigo a Zelaya – como se Haia fosse aceitar uma representação de um a ditadura que não é reconhecida por nenhum país do mundo. Ao mesmo tempo, forças policiais e militares reprimiam com cassetetes e bombas de gás lacrimogêneo centenas de manifestantes da Resistência, deixando vários feridos.

Mas logo em seguida Micheletti cedeu. Sua representante nas negociações que pareciam mortas, Vilma Morales, anunciou que o governante golpista aceitava que a solução da crise fosse encaminhada através do Congresso Nacional, e não da Corte Suprema, como o ditador insistira desde o início do diálogo.

"Aceitamos ir ao Congresso. Aceitamos que esta pretensão é um direito de Zelaya", disse Vilma.

Prudência no campo zelayista


Shannon e sua missão resolveram adiar seu retorno aos EUA, de quinta para sexta-feira, "para apoiar o diálogo". O acordo, que deve ser assinado antes de sua partida, deve incluir o retorno de Zelaya à presidência, para conduzir as eleições e empossar seu sucessor.

A reação no campo zelayista foi de otimismo moderado e prudente. Tomé disse que caberá à OEA enviar ao Congresso o acordo a ser firmado. Lembrou, porém, que "em caso positivo terão que anular o decreto de 28 de junho que aceitou a destituição de Zelaya".

"Entendemos que se abre a possibilidade de alcançar uma solução", disse ainda Tomé. "Veremos se o regime golpista aceita chegar a uma solução democrática ou se dará uma nova bofetada no mundo", agregou.

Mais tarde, o próprio Zelaya avaliou que "estamos no ponto em que começamos, com 95% de avanço". Assinalou que, "pelo menos, aceitou-se que o Congresso Nacional é a instância correta para o fim deste processo". Mas recordou que "ainda não se conhece a vontade do senhor Micheletti Bain quanto a aprovar o que se está discutindo".

Micheletti permaneceu silencioso. No último dia 14, os seus negociadores e os de Zelaya chegaram a um consenso, mas ele disse não. A diferença é que agora Shannon está em Tegucigalpa, dizendo que "o tempo está acabando" e "o acordo está feito". É possível portanto que dessa vez não haja bofetada.

Da redação, com agências

Fonte: Portal Vermelho

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A tarifa é nossa

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A tarifa é nossa

por Guilherme Scalzilli


Enquanto a Vale paga propagandas milionárias nos horários nobres da TV e nas melhores páginas dos periódicos (mas por que um gigante da indústria de base precisa se vender ao consumidor comum?) e enquanto a Telefonica afunda seus clientes em apagões e desculpas esfarrapadas, descobrimos a tunga das tarifas cobradas a mais pelas concessionárias de energia elétrica. E o pior: tudo começou com a privatização de FHC.
Durante a campanha presidencial, falaram que era golpe baixo acusar os tucanos de privatas. Pouco depois, José Serra tentou vender a Cesp, no que seria um dos maiores leilões da privataria nacional.
Assim é fácil posar de “mudérnio”. O desrespeito e a incompetência de particulares são sempre culpa das agências governamentais. Se reclamamos dos absurdos cobrados para utilizar nossos celulares cintilantes, alguém repreende: devemos ser gratos, porque até quem não possui comida no prato pode ostentar seu aparelho de última geração. Oh, obrigado, Efeagá!
Quando a coisa aperta e alguém ousa questionar o que foi feito das concessões de serviços públicos, fogem todos para a histeria anti-estatizante. A CPI das Tarifas de Energia Elétrica poderá contribuir um pouco para esse debate, apesar do silêncio generalizado da imprensa.

Fonte: Blog do Guilherme Scalzilli

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Duas faces de um mesmo torpor

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Colégio Liceu Coração de Jesus (from inside)

Liceu Coração de Jesus


Duas faces de um mesmo torpor

por Léo Lince*


A coluna de Mônica Bergamo, no "Ilustrada" da Folha de 28/10, traz notícias de um jantar beneficente, realizado dois dias antes no hotel Grand Hyaat, onde estiveram como convidados de honra os banqueiros Roberto Setúbal e Pedro Moreira Salles, donos do Itaú/Unibanco e par-ímpar entre os magnatas supremos do capital financeiro.

Naquele linguajar que tipifica as colunas do gênero, se afirma que: "entre taças de Veuve Clicquot e entradinhas como mini vol au vent de aspargos, ostras à moda de Nantes sobre julienne de alho porro caramelizado, tost de alcachofra com emmental e pequenos macarrons salgados, Setubal festejava o fato de a crise econômica ter chegado ao fim".

O cardápio do opíparo repasto, com 9 entradas e os 16 pratos, foi assinado pelos maiores nomes da altíssima gastronomia. Como se lê na matéria: "os convidados saborearam ravióli baroa e manteiga noisette com pinhole, pelas mãos de Claude Troisgros, lagosta assada com ervas, feita por Philippe Jousse, do restaurante francês Alain Chapel, duas estrelas no guia "Michelin", robalo ligeiramente defumado com caviar oscietre, do chef Jean Michel Lorain, do restaurante La Côte St-Jacques, três estrelas no "Michelin", e milanesa de costela, molho de jabuticaba e creme de ervilha, de Laurent Suaudeau. De sobremesa foram servidas mousseline de chocolate e profiterole preparada por Christophe Michalak, do hotel Plaza Athénée". Uma beleza.

Em outro trecho não muito distante do mesmo jornal, não por acaso no caderno "Cotidiano", se noticia um acontecimento que parece localizado a milhares de anos luz do anterior. Um colégio tradicional de São Paulo, fundado em 1885 por Dom Bosco em pessoa, o Liceu Coração de Jesus, está definhando e corre o risco de fechar. Seu magnífico prédio, tombado pelo patrimônio histórico, com teatro de 750 lugares, santuário com 20 altares, conservatório de música, é uma cidadela cercada pela brutalidade da violência urbana e, como diz o jornal, "definha em meio à cracolândia, área degradada do centro de São Paulo que abriga centenas de usuários de crack".

O colégio tem história, Monteiro Lobato estudou lá, e já viveu momentos de ordenamento menos injusto da nossa estrutura social. O Liceu de Artes e Ofícios e Comércio, como se chamava no início, atendia aos filhos dos imigrantes italianos e dos negros libertos, que ali estudavam de graça. Depois serviu de internato para filhos dos fazendeiros do café e abrigou cursos universitários e técnicos. Agora, seu imenso pátio vazio é a imagem da desolação. O bedel de turno, que atende pelo carinhoso apelido de Manolo, amarra com arame as janelas basculantes para impedir que os alunos vejam o uso da droga nas calçadas que circundam o colégio. Um horror.

O padre Benedito Spinosa, o salesiano com nome de filósofo que dirige o colégio, ao contrário de banqueiro Setubal, não vislumbra em seu horizonte o fim da crise. No máximo almeja manter a sobrevida da instituição com o ensino integral, "pois os pais entram de carro no pátio do colégio e deixam as crianças aqui". Fora dos muros da fortaleza, seguirá território da horda dos brasileiros deserdados que se refugiam na droga. Segundo o padre, ao atravessarem sozinhos tal território, os jovens do ensino médio acabavam "vítimas dessa situação de não cidadania, que penetra em seu coração e planta a semente do medo e da indiferença".

A euforia do banqueiro e o desânimo do padre educador são expressões distintas de um mesmo enigma ainda não decifrado. A agonia do Liceu Coração de Jesus e a fantástica comemoração do hotel Grand Hyaat são acontecimentos interligados no novelo da crise: duas faces de um mesmo torpor.

*Léo Lince é sociólogo

Fonte: Correio da Cidadania

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Os animais da Uniban

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Os animais da Uniban

Por JOSUE MECENAS

Em contrapartida ao eleitorado mais exigente, temos o atraso de um grande número de jovens violentos e preconceituosos – além de hipócritas, tais como aqueles que promoveram aquela selvageria na UNIBAN:

http://www.youtube.com/watch?v=k0qyofVSQsU

A cena me fez recordar o documentário de curta-metragem do diretor francês Jean-Gabriel Périot, “Ainda que ela fosse criminosa”.

Em pleno Século 21 uma mulher é tratada desta forma dentro de uma universidade. Xingada e escorraçada, apenas por estar vestindo uma roupa curta, precisando de proteção policial para não ser agredida fisicamente.

Ao assistir ao vídeo é flagrante como as imagens das instalações grandiosas da UNIBAN constrastam com a pequenez dos estudantes que integram a turba.

Abaixo uma análise desta monstruosidade cometida contra os direitos das mulheres:

http://www.youtube.com/watch?v=ejmxrXMyiLc

Fonte: Luis Nassif Online

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Guerra urbana

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‘Rio virou um laboratório de técnicas genocidas’

por Rodrigo Mendes

281009_riodejaneiro_violenc.jpgToda a grande mídia tem dado vasto destaque nas últimas duas semanas à "escalada da violência" no Rio de Janeiro. Mas há sempre o questionamento acerca do quanto isso chega a ser um acontecimento fora do comum.

Além do mais, há pouca possibilidade de uma análise mais sóbria, que fuja da idéia de que há um confronto entre as forças da lei e as forças do crime. Muitos especialistas, defensores dos direitos humanos, entidades e militantes apontam que há complicações mais profundas na política de segurança que se acostumou a aplicar no Brasil atual.

É o caso da socióloga Vera Malaguti Batista. Militante acadêmica do Instituto Carioca de Criminologia, ela defende teses muito diferentes, quando não opostas, às que estão implícitas no discurso predominante da grande mídia, que com suas análises apenas colabora em formar um consenso generalizado na população.

Correio da Cidadania: Como você analisa a atual política de segurança pública do Rio de Janeiro? Pode ser classificada como adequada?

Vera Malaguti: Lembrando uma polêmica que aconteceu um tempo atrás entre Marta Suplicy e Joel Rufino dos Santos: a Marta dizia que a esquerda precisava de uma política de segurança pública e o Joel Rufino disse que política de segurança pública é coisa da direita, e que a esquerda precisa mesmo é de política de Direitos Humanos. Há uma grande discussão em torno disso, que redundou em um fracasso, no chamado ‘realismo de esquerda’, na idéia de que a esquerda tinha de praticar uma política de segurança pública mesmo sem ter derrotado o capitalismo. Acabou dando o que deu na Europa, nos Estados Unidos. A esquerda contribuiu para a expansão do sistema prisional neoliberal; a esquerda começou a assimilar, a dar a mesma resposta da mídia, e para a mídia, ao invés de desconstruir o conceito de segurança pública no sentido de lei e ordem. Contribuiu para essa gestão criminal da pobreza, ao discurso que prega o ordenamento dos deserdados da ordem neoliberal.

Hoje, vemos um monte de sociólogo – e eu posso falar porque sou socióloga também – fazendo projetinho de segurança pública. É uma vergonha o que está acontecendo no Rio de Janeiro, eu olho o jornal e não acredito na quantidade de pessoas aplaudindo essa aliança entre o governo do estado do Rio e o governo federal. Eu entendo aliança eleitoral em função da governabilidade, sou muito compreensiva com as dificuldades de governabilidade do governo Lula, mas tudo tem limite ético. Acho que o governo federal apoiar essa política de segurança truculenta do Rio de Janeiro é perder o rumo da História. São muitos equívocos, tem ministro da Justiça pedindo fim da progressão...

A esquerda tem medo do lúmpen e há uma má compreensão da questão criminal pela teoria marxista. É preciso parar de contribuir com a implementação da ordem neoliberal e começar a proteger os pobres do massacre.

Vi um levantamento que aponta que desde o começo de 2007 houve 21 mil homicídios no Rio de Janeiro. A polícia do Rio mata, com aplausos da imprensa, da elite e de parte do mundo acadêmico e da esquerda, 1300 pessoas por ano – e isso são os números oficiais!

Acho que esse governo do estado do Rio de Janeiro trabalha em um tripé de negócios privados, grande mídia e segurança pública. Não tem projetos de política pública.

CC: Há uma ligação entre a propalada escalada da violência e a escolha do Rio para sediar os Jogos Olímpicos?

VM: A mídia fala de explosão de criminalidade porque legitima essas políticas tenebrosas, exterminadoras, truculentas. Com a luta de classes nesse capitalismo de barbárie, a violência não aumenta só no Rio de Janeiro, é o modelo econômico que gera violência, os últimos episódios demonstraram: há uma visão de segurança pública baseada numa ideologia apartadora à la Bush. Há um conflito social, apela-se para a indústria bélica e essa indústria se aquece. Isso produz o discurso jurídico do Inimigo, alguém que pode ser torturado, exterminado, alguém cujas famílias vão pagar também.

Quando o secretário de segurança fala que os últimos eventos foram "nosso 11 de setembro", há também uma tentativa da imprensa de esconder a qualificação desse debate, fica sempre naquele papo da "escalada de violência".

Houve um coronel, além de várias outras pessoas que entendem de polícia, que disse ser um absurdo usar helicóptero da maneira como se vem usando. Ali não tem confronto, é extermínio, homicídio. Nenhuma polícia do mundo usa helicóptero daquele jeito, isso faz parte de uma ideologia de guerra, inspirada nos modelos de apartação mais questionados no mundo contemporâneo. Um sistema que produz o policial matador.

Aí a elite fica espantada quando vê dois policiais passando por cima de um cara agonizando para roubar seu casaco, seu tênis. Ora, para o cara que mata cinco, que mata vinte, o que é roubar para ele? A polícia vai punindo, torturando, roubando, saqueando.

É o que acontece quando você dá todo poder à polícia, não há freios democráticos. O governador disse que a polícia não tem política, pois, para ele, política é só a troca de favores, a barganha e negociação de cargos.

É a naturalização da morte. Isso expõe tremendamente o policial também, afeta muito a vida dele, da família dele, tem muito sofrimento. Precisamos de um grande movimento com as mães dos meninos mortos, dos policiais, contra a naturalização da morte.

CC: Há alguma chance de os problemas serem, pelo menos em parte, resolvidos até as Olimpíadas?

VM: Temos que botar pra correr quem está gerindo a cidade e o estado – e essa mentalidade dos grandes negócios esportivos, da concentração das multinacionais. É preciso fazer das Olimpíadas um grande projeto para o povo.

Veja como foi o Pan-americano, todo dia tinha massacre no Morro do Alemão. Teve dia que chegaram a 20 mortos. E a grande pergunta tinha de ser: estão derrotando o tráfico? Os dirigentes da segurança pública dizem que está tudo no Alemão, então aquela matança não serviu pra nada. O Pan-americano não trouxe nada para o Rio, apenas alguns investimentos milionários, todos concentradíssimos. Proporcionou muitas viagens para governadores, dirigentes, políticos. E o Maracanã hoje não tem mais vendedor ambulante, flanelinha... essas pessoas são presas, a pobreza é tratada como sujeira.

E o Rio virou um laboratório de técnicas genocidas. Daqui até 2016, esperamos derrotar esse pessoal (que está hoje nos governos municipal e estadual).

CC: Ou seja, os conflitos vão se acirrando, a temperatura só tende a subir...

VM: Veja só, a mesma indústria que vai vender o helicóptero blindado vende a arma que derruba o helicóptero blindado. São redes econômicas. As favelas são punidas como um todo, mas vai sobrar para todo mundo, inclusive para os ricos. Uma elite matadora sofre com os efeitos disso também. 

CC: Há alguma ligação ou similaridade entre a atuação das facções criminosas do Rio e do PCC em São Paulo e entre as políticas de segurança dessas duas cidades?

VM: Acho que não. O que há em comum, e não só no Rio e em São Paulo, mas na Bahia e em outros lugares onde isso está começando, é que todas as facções são fruto do sistema penitenciário. A mistura de crimes hediondos, a legislação do direito penal do inimigo e o neoliberalismo produziram essa loucura.

Todos os grandes líderes entraram no sistema prisional por pequenos delitos e foram se barbarizando. Cada vez que eles têm menos expectativa de sair da prisão, de encontrar acolhimento, isso aumenta. A pauta da esquerda tinha de ser prender menos, amparar as redes de familiares de presos, estabelecer mais comunicação de dentro para fora da prisão, para acabar com essa idéia de que quem está fora é o cidadão de bem – essa expressão que a gente ouve tanto – e dentro da prisão está ‘O Mal’.

É preciso romper com essa política estadunidense proibicionista das drogas. Não se pode trabalhar uma questão de saúde pública pela legislação penal. Vários países já começaram a se desgarrar dessa política que começou com o Nixon e foi ao auge com Reagan. Temos que parar de querer resolver a conflitividade através da pena, do sistema penal.

*Rodrigo Mendes é jornalista

Fonte: Correio da Cidadania

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Mudança climática empurra altiplano boliviano para a pobreza

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http://www.inscc.utah.edu/~reichler/research/projects/Altiplano.jpg

Mudança climática empurra altiplano boliviano para a pobreza

Por Franz Chávez, da IPS


O rápido desaparecimento de geleiras e o consequente esgotamento das fontes de água empurram para a pobreza os povos andinos e obrigam a criar consciência sobre a mudança climática, afirmaram especialistas bolivianos à IPS. Um aumento da temperatura determina perda de neve e gelo na cordilheira dos Andes, disse a responsável pela área de mudança climática da filial boliviana da Agência de Cooperação Internacional do Japão (Jica), Carmen Capriles. Ela conversou com a IPS durante uma visita à Chacaltaya, montanha a 30 quilômetros de La Paz cujo pico superior fica a 5.530 metros acima do nível do mar.

Chacaltaya é uma amostra de “geleira morta”. Até 10 anos atrás, tinha uma massa de gelo e neve que transformavam essa montanha na pista de esqui mais alta do mundo e que era sua grande atração, segundo os incentivadores do capítulo boliviano do movimento internacional Ação Climática 350. Esta organização reclama medidas urgentes para deter as emissões de dióxido de carbono e outros gases causadores do efeito estufa.

Durante todo o ano a montanha exibe apenas sua imagem cônica de rocha. Mas, no último final de semana uma tempestade de neve acompanhada de baixas temperaturas e fortes ventos saudaram a visita de uma centena de surpresos ativistas. “É um milagre do céu”, exclamou o presidente do Círculo de Jornalistas de Turismo da Bolívia, Jorge Amonzabel, defensor do meio ambiente a praticante de esqui.

Cerca de 20 organizações somaram-se à Ação Climática 350, que reclama limite para a concentração de dióxido de carbono na atmosfera em 350 partes por milhão, que será discutido em dezembro na Conferência das Partes da Convenção Marco das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP 15) que acontecerá em Copenhague no mês de dezembro. A alegria pela neve que cobriu rapidamente o telhado do único abrigo e pelos flocos passando livres e velozes sobre os rostos e as roupas misturou-se com certa tristeza, porque essa imagem não será habitual durante o resto do ano.

Uma tempestade de neve na primavera boliviana é incomum e pode ser atribuída à desordem climática, disse Amonzabel, que observava preocupado o que em outros tempos foi uma natural pista de esqui agora convertida em uma inclinação de rocha e terra. A Bolívia é um país altamente vulnerável às mudanças climáticas, sociais e econômicas globais, disse Capriles.

A segurança alimentar dos povos do altiplano boliviano está seriamente ameaçada porque a seca reduz a colheita de tubérculos, grão e pasto para o gado, enquanto a falta de períodos de baixa temperatura impede o processo de desidratação e conservação da batata, produto básico para temporadas de escassez, afirmou. Capriles recordou que, tradicionalmente, as famílias que vivem da agricultura de subsistência em zonas rurais vendiam seu excedente de alimentos e, com dinheiro obtido, tinham acesso a bens e serviços necessários. Mas agora são obrigados a vender o pouco que colhem e ficam sem comida.

A psicóloga Daniela Leytón, coordenadora de gênero da Ação Climática 350 para a América Latina, considerou que os bolivianos, mais do que se limitarem a ser espectadores do aquecimento, podem “ser ativos em um país vulnerável por seus altos índices de pobreza e onde são observados efeitos físicos como o derretimento das neves da montanha Chacaltaya. Temos a oportunidade de nos mobilizarmos e canalizarmos nossas demandas de maneira efetiva”. Leytón afirmou que as mulheres suportam os efeitos da mudança climática por seus papeis e pelas condições de discriminação e pobreza que as afetam de maneira desproporcional. Por isso – disse – participa de um movimento que, além de defender os direitos femininos, reclama do mundo uma ação para a conservação da natureza.

As mulheres das zonas baixas da Bolívia sabem com antecedência que entre os meses de janeiro e fevereiro são obrigadas, por causa das inundações, a abandonar suas casas e assentar-se em espaços não necessariamente adequados para sobreviver. A psicóloga destacou a criatividade das chefes de família, que combatem a desnutrição buscando alimentos ricos em proteínas produzidos em tendas solares e empregando método de cozimento também solar, de modo que também evitam o consumo de combustíveis contaminantes.

Carmen Capriles disse que Chacaltaya não sofreu apenas o aumento da temperatura, mas também o impacto da extração de gelo para seu uso em frigoríficos e geladeiras da vizinha cidade de El Alto. O aumento da temperatura também contribuiu para o uso de tetos de zinco, que refletem e multiplicam os raios do sol, explicou a ativista. O engenheiro Luis Tórrez, especialista em mudança climática e desenvolvimento humano, considerou que o uso de combustíveis fósseis continuará no mundo por muitos anos, e diante deste cenário recomendou redesenhar as casas para adaptá-las a eventos como tempestades e deslizamentos.

Publicado por IPS/Envolverde.



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quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Projeto quer tomar terra indígena com crime ambiental

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por Leonardo Sakamoto

Um projeto de lei tramitando no Congresso Nacional quer alterar o Estatuto do Índio prevendo que nações indígenas percam seus territórios em caso de constatação de crimes ambientais. A brilhante idéia saiu da mente de Marco Aurélio Ubiali (PSB-SP) e percorre a Câmara dos Deputados sob o número 5.442/2009.

Bem, antes de conversa, vale lembrar que os territórios de populações tradicionais são historicamente mais bem preservados do que parques nacionais ou estaduais. Em outras palavras, a maior parte das pessoas cuida da sua própria casa.

Na (bizarra) justificativa do projeto, o Dr. Ubiali, como é chamado, diz:

“Quando a União destina uma determinada área para o usufruto indígena, centenas de agricultores, posseiros de boa-fé e proprietários são expulsos para que seja entregue e ocupada unicamente pelos índios. Assim, constatado o uso criminoso de determinada gleba, nada mais justo que ela seja desafetada e possa vir a ter nova destinação, transformando-se numa unidade de conservação da natureza, ou, se vocacionada para as atividades agropecuárias, possa ser destinada ao assentamento de trabalhadores rurais.”

Perceberam? Ele reescreveu a história! O índio tirando a terra do branco! Um monte de indígenas chegando nus em caravelas e estragando a vida dos brancos que viviam aqui, plantando sua cana e criando seus boizinhos.

Se eu não confiasse nos políticos brasileiros, iria achar que o deputado estava criando uma forma de usurpar terras indígenas.

Muitas comunidades se vêem obrigadas a dilapidar seu próprio patrimônio natural, pois o Estado não garantiu condições mínimas para que pudessem manter uma vida digna. Ou, sob fogo cerrado de pessoas interessadas em suas terras e riquezas, muitos deles acabam por ceder a pressões. Há os que fazem em busca do lucro fácil? Claro! Não há santo nesse mundo. Mas imagine uma comunidade ser condenada porque meia dúzia desenvolve um comércio ilegal de madeira? Seria equivalente a taxar toda uma população de um morro carioca de bandida por conta de alguns traficantes de drogas. Isso não acontece, não no Brasil…

Exatamente por isso, me pergunto porque o nobre deputado não propôs também que proprietários rurais que cometam crimes ambientais percam suas terras? Uma lei assim, mais ampla, ainda seria questionada, mas não daria margem a ser considerada como preconceito étnico.

Fonte: Blog do Sakamoto

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PiG (*) é o herói do horário político dos demos

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Não há uma mísera idéia

Não há uma mísera idéia

por Paulo Henrique Amorim


O jornal nacional abriu com o exercício de fogos de artifício de Zé Pedágio para mostrar que a polícia de São Paulo é mais eficiente que a Scotland Yard.

Para desmoralizar o Rio e transferir as Olimpíadas para Madri, o notável repórter Rodrigo Bocardi – aquele da moedinha, clique aqui para ler – fez uma reportagem em que se comprova que nos Estados Unidos é diferente: não há viciados pelas ruas, não há consumidores de cocaína ou crack que não sejam atendidos pelo governo Lula de lá.

Aliás, a rigor, só se consome cocaína e crack no Rio.

Porque para o PIG (*) não há consumo de cocaína e crack em São Paulo, e, agora se vê, nos Estados Unidos também não.

A melhor reportagem do jornal nacional foi o programa partidário dos demos.

Como os tucanos, os demos não tem uma mísera idéia na cabeça.

Os demos transformaram o PiG (*) no seu porta-voz.

Na verdade, o PiG (*) é o demo.

Como dizem os ingleses, no programa dos demos, o que é bom não é novo. E o que é novo, não é bom.

E o melhor do programa dos demos foi a notável ausência do Zé Pedágio.

(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

Leia também:

O PiG (*) substitui a oposição e se torna a oposição

Gramsci: na Itália também era assim. Sem partidos, o PiG (*) se torna partido

Lula dizimou a oposição. Só sobrou o Gilmar(*)

Fonte: Conversa Afiada

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Governo anuncia 3 mil novos telecentros. Bye-Bye PiG (*)

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Bateu o desespero no PiG (*)

Bateu o desespero no PiG (*)


Saiu na Folha (**) Online:

Governo federal anuncia 3.000 novos telecentros

O governo federal instituiu o Programa Nacional de Apoio à Inclusão Digital nas Comunidades (Telecentros.BR), para implantação e manutenção de telecentros públicos e comunitários em todo o país.

O programa vai viabilizar a implantação de cerca de 3.000 novos telecentros públicos e comunitários e a manutenção de outros 10 mil já existentes no Brasil.

O decreto 6.991/09, que trata do tema foi publicado nesta quarta-feira (28), no Diário Oficial da União.

Seu objetivo é “ampliar a inclusão digital junto à população que ainda não dispõe de renda para aquisição de computador e de serviços de conexão à internet”, informa comunicado conjunto dos ministérios das Comunicações, Planejamento e Ciência e Tecnologia.

O apoio do governo federal consiste na oferta de conexão, computadores, bolsas de auxílio financeiro a jovens monitores e formação de monitores bolsistas e não-bolsistas para atuar nos telecentros.

Leia a íntegra do texto na Folha Online.

(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

(**) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele acha da investigação, da “ditabranda”, do câncer do Fidel, da ficha falsa da Dilma, de Aécio vice de Serra, e que nos anos militares emprestava os carros de reportagem aos torturadores.

Fonte: Conversa Afiada

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Israel: Procurado por assassinato

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http://artintifada.files.wordpress.com/2009/02/holocaust_remembrance_day_by_latuff21.jpg


Israel: Procurado por assassinato

por Dina Ezzat, Al-Ahram Weelky

Cairo - O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, instruiu seu governo, essa semana, para que encaminhe projeto de emenda às leis internacionais de guerra; foi sua resposta a um relatório da ONU sobre crimes de guerra praticados por Israel. Netanyahu, como informaram na 4ª-feira as agências internacionais de notícias, está decidido a impedir que vários altos dirigentes do governo israelense sejam indiciados e processados por cortes internacionais, acusados de cometer crimes de guerra – e possivelmente também crimes contra a humanidade – contra palestinos em território ocupado. Para Netanyahu, a emenda que Israel planeja encaminhar é parte de campanha para que o mundo mantenha a todo vapor a guerra ao terror.

O novo movimento de Israel aparece em momento em que o Estado israelense é objeto de graves acusações referentes às atrocidades cometidas contra os palestinos em território ocupado, inclusive o massacre de Gaza em dez --janeiro passados – objeto do relatório divulgado por missão oficial de investigação da ONU. Israel reage também, agora, contra novas e vigorosas tentativas nos planos governamental e não governamental, em todo o mundo árabe, para que os criminosos de guerra israelenses sejam levados a julgamento na Corte Criminal Internacional ou em cortes nacionais nos países cujos sistemas legais prevejam julgamentos de crimes de guerra, corolário da adoção, por vários países, do princípio da jurisdição universal.

O “Relatório Goldstone” foi aprovado semana passada pela Comissão de Direitos Humanos da ONU e, consequentemente, foi encaminhado ao secretário-geral e ao presidente da Assembleia Geral. Segundo fontes em NY, é provável que a Assembleia Geral da ONU analise o Relatório ainda antes do Natal. “Israel moverá céus e terra e não deixará pedra sobre pedra, para impedir que a Assembleia Geral aprove o Relatório Goldstone” – disse um diplomata egípcio, em NY. Mas acrescentou: “Façam o que fizerem, a Assembleia Geral terá de examinar o Relatório. Se não for antes do Natal, será depois do Ano Novo.”

Até lá, cabe ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, se assim decidir, enviar o Relatório diretamente ao Conselho de Segurança, dado que o Conselho de Direitos Humanos já o aprovou e acatou todas as suas recomendações, inclusive o pedido de que o Conselho de Segurança examine o relatório e as provas que contém e tome as necessárias providências para julgar os autores das violações ali listadas.

O Conselho de Direitos Humanos espera manifestação de Ban Ki-Moon para março. Mas diplomatas especialistas em Direitos Humanos dizem que o máximo que se deve esperar da Assembleia Geral da ONU é uma Resolução na qual conclame todos os países a observar o que postulam as leis internacionais e as leis humanitárias. E um diplomata palestino disse ao jornal Al-Ahram Weekly que “supor que os EUA permitirão que o Relatório chegue ao Conselho de Segurança é delírio, para dizer o mínimo."

Os EUA trabalharam ativa e abertamente para impedir que o Conselho de Direitos Humanos aprovasse o Relatório Goldstone, em lobby com os sionistas, dizem fontes egípcias, dentre outras fontes árabes em New York. Agora, há quem acredite que o Relatório, de fato, acabará por ser engavetado.

Apesar disso, Hesham Youssef, chefe de gabinete do secretário-geral da Liga Árabe, disse essa semana que a organização árabe “prossegue em seus esforços para processar todos que tenham cometido crimes de guerra em Gaza”. Youssef falou a Al-Ahram Weekly, dias depois de retornar de Haia, onde manteve contato com o Procurador-chefe da Corte Internacional, Luis Moreno-Ocampo. Participou desses contatos em Haia também o ministro da Justiça da Palestina, Ali Al-Khashan, e o professor de Direito Internacional John Dugard, que presidiu uma comissão independente que também investigou o massacre de Gaza e publicou relatório sobre violações da legislação internacional, pelos israelenses, em Gaza: “No safe place” [pode ser lido em http://www.lphr.org.uk/gaza2009/Report_IFFC_Gaza.pdf].

As reuniões em Haia tiveram dois principais objetivos: estabelecer o direito da Autoridade Palestina – que tem autoridade de Estado – para apresentar queixa à Corte Internacional; e estabelecer o fundamento legal formal da Corte Internacional para acolher a queixa e encaminhar o processo.

Haytham Manna, ativista de direitos humanos que trabalha em Paris, disse à nossa reportagem, em entrevista por telefone, que Moreno-Ocampo recebeu grande quantidade de documentos, a partir dos quais pode começar a trabalhar. “Não permitiremos que o Relatório Goldstone e o trabalho do prof. Dugard tenham o mesmo destino que teve o Relatório Tutu” – disse Manna, referindo-se ao relatório elaborado por missão presidida pelo bispo Desmond Tutu, prêmio Nobel, que investigou as atrocidades cometidas pelos israelenses em Beit Hanoun, Gaza, em 2006.

Manna e Djebril Fahl, advogado palestino e conselheiro da Autoridade Palestina, previram, em entrevistas separadas com nossos repórteres, que Moreno- Ocampo precisará de alguns meses antes de poder concluir. Os dois especialistas descartaram a possibilidade de o Procurador-chefe da Corte Internacional de Justiça ser diretamente pressionado por Israel. “As coisas estão andando”, disse Manna.

Manna também excluiu a possibilidade de a Autoridade Palestina – que, no início do mês, chegou a tentar adiar o exame do Relatório Goldstone pelo Conselho de Direitos Humanos – desistir da ação. “Já passamos do ponto em que eles poderiam tentar voltar atrás.”

Em entrevista a Weekly, por telefone, falando de Ramallah, Al-Khashan disse que “a Autoridade Palestina está firmemente comprometida e não desistirá”. Mas o ministro palestino não espera que o processo resulte em condenação dos líderes sionistas, nem que o governo israelense admita ter cometido crimes em território palestino ocupado. “Essa é operação de longo prazo”, disse ele. “Mas, sim, conseguiremos incriminar Israel no plano moral.”

Manna não desconsidera essas dificuldades, mas diz que “pelo menos creio que algumas cortes nacionais estarão em condições de processar os criminosos de guerra israelenses. Chegaremos lá.” [...]

O artigo original, em inglês, pode ser lido em: http://weekly.ahram.org.eg/2009/969/fr1.htm

Tradução: Caia Fittipaldi

Fonte: Vi o Mundo

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Workshop da Soma no Rio de Janeiro

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Venezuela entra no Mercosul e passa trator em 5 Cavaleiros do Apocalipse

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Tasso “tenho jatinho porque posso” Jereissati levou uma surra do Interesse Nacional

Tasso “tenho jatinho porque posso” Jereissati levou uma surra do Interesse Nacional



Venezuela entra no Mercosul e passa trator em 5 Cavaleiros do Apocalipse

por Paulo Henrique Amorim


Tasso “tenho jatinho porque posso”, Arthur Virgílio Cardoso, José Agripino Maia, Heráclito Fortes e Flexa Ribeiro são os grandes derrotados na votação da Comissão de Relações Exteriores do Senado, que aprovou por 12 a 5 o ingresso da Venezuela no Mercosul.

Clique aqui para ler a íntegra do voto em separado do senador Romero Jucá, que contém a proposta aprovada pela Comissão.

O assunto agora vai ao plenário do Senado.

Esses cinco Cavaleiros do Apocalipse não sabem distinguir Estado de Governo.

Nem Interesse Nacional de política partidária.

A aproximação comercial e energética entre o Brasil e a Venezuela se iniciou com o governo Fernando Henrique e se aprofundou agora no governo Lula.

É uma associação extremamente positiva para o Brasil e também para a Venezuela.

Um dia, o senador Tasso “tenho jatinho porque posso” Jereissati vai ser presidente do Aeroclube de Fortaleza.

E os presidentes Lula e Chávez serão um retrato na parede.

Mas o Interesse Nacional permanece.

Fonte: Conversa Afiada

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Israel curbing water




por Carlos Latuff

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Latuff e os palestinos da Amazônia

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por Carlos Latuff *

A convite do Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos (CEBRASPO) passei uma semana na companhia de lavradores nos acampamentos da Liga dos Camponeses Pobres (LCP) no interior do estado de Rondônia. Nesses dias ao lado dos aldeões, tive a honra de comer de sua comida, participar de suas conversas, de sua rotina, tomar conhecimento de suas necessidades, de suas demandas e seus sonhos. Povo forte, que sofre o diabo, mas que não tem medo dele.

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Por duas vezes passei a noite numa cabana de palha, onde vivem seu Abel e sua esposa Zilda. Reservaram uma cama para mim, me receberam com todo carinho e gentileza. Mesmo na simplicidade daquela choupana, havia uma extrema preocupação em me agradar, na melhor tradição de hospitalidade do homem do campo. Acordava-se bem cedo, ainda escuro.

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"Bom dia, dormiu bem?". Escova de dentes na mão, rumo ao rio que beira a cabana. No moedor à manivela, os grãos de café eram preparados para o desjejum. O leite fervia no fogão a lenha. A mesa posta, os copos, os talheres, o silêncio era discretamente interrompido tanto por mim quanto pelos pássaros. Daqui a pouco seu Abel já estava seguindo para a roça, para cortar lenha, para capinar a terra, irrigar as mudas, trabalho árduo para transformar seu pequeno pedaço de selva em lar. Os lavradores humildes precisam de bem pouco para viver uma vida digna, e nem mesmo isso lhes é permitido. Com o argumento do combate ao desmatamento, o Ibama persegue e aplica multas altas aos que vivem da agricultura de subsistência, usa da Polícia Federal, da Força Nacional de Segurança e mesmo tropas do Exército para sufocar as comunidades, como no caso de Rio Pardo. Aí, barreiras foram erguidas nas entradas e saídas, pessoas e veículos revistados, postos de combustível do acampamento removidos, um rigor que não tem sido aplicado aos latifundiários, que transformam vastas extensões de floresta nativa em pasto ou monocultura.

O histórico de violência naquela área já vem de longe. No Brasil Colônia, o vale do Guaporé foi palco de disputas imperialistas entre Portugal e Espanha, que só terminaram com as demarcações de terra acordadas pelo Tratado de Madrid em 1750. No século 18, com o ciclo da mineração e particularmente no final do século 19 com o ciclo da borracha, uma grande leva de migrantes de diversas partes da Bolívia foi atraída para a região, causando conflitos agrários com o país vizinho, que foram resolvidos em 1903 com o Tratado de Petrópolis.

Em 1943, como resultado do desmembramento de áreas dos estados do Amazonas e Mato Grosso, foi criado por Getúlio Vargas o Território Federal de Guaporé, tendo sido rebatizado para Rondônia em 1956, em homenagem ao Marechal Cândido Rondon, militar que entre 1910 e 1940 comandou expedições de Cuiabá até o Amazonas para instalar linhas telegráficas e levar a boa e velha civilização branca para o seio dos povos indígenas. Rondônia torna-se estado em 1982.

A Liga dos Camponeses Pobres surgiu em agosto de 1995, quando trabalhadores rurais que ocupavam terras da Fazenda Santa Elina, na cidade de Corumbiara, resistiram ao brutal despejo promovido por policiais e jagunços, resultando na morte de 11 pessoas (em números oficiais), incluindo a menina Vanessa de apenas 6 anos, no que ficou conhecido como o "Massacre de Corumbiara". De lá para cá, cansados de esperar por uma reforma agrária que nunca chega, os camponeses e suas famílias decidiram promover a "revolução agrária" no peito e na raça. São eles os acusados pela revista Isto É de serem sanguinários guerrilheiros ligados (adivinhem) as FARC.

O que pude presenciar durante minha visita aos acampamentos foram trabalhadores rurais e suas famílias armados, isso sim, de uma força de vontade poderosa, capaz de enfrentar os rigores da Amazônia Ocidental. O clima equatorial, extremamente quente e úmido, onde o sol inclemente castiga a carne, as doenças tropicais como a leshmaniose e a malária, que por aquelas bandas são tão comuns quanto um resfriado, animais selvagens como onças, porcos-do-mato e serpentes venenosas, um risco sempre presente, oculto pela densa vegetação.

Mas não são os rigores da selva amazônica os maiores inimigos do povo do campo. São os fazendeiros milionários e seus exércitos particulares formados por assassinos de aluguel e policiais, cujas ações criminosas são sustentadas por políticos locais e a imprensa corrupta, que alimentada com verbas publicitárias e mesmo matérias pagas, tenta demonizar a justa resistência dos pequenos agricultores. Os matadores são conhecidos por todos, andam tranquilamente pelas ruas, por vezes ostensivamente armados. Não são raras as execuções à luz do dia, à vista de todos. Qualquer um que tenha coragem de, por exemplo, denunciar os pistoleiros num programa de rádio, corre o sério risco de ser assassinado assim que colocar os pés para fora da emissora.

Conceitos como direitos humanos e cidadania inexistem nos cantões de Rondônia, onde a pistolagem é uma instituição consagrada pela sociedade. Numa corrida de taxi em Ariquemes, com mais três passageiros, passei a viagem de cerca de 45 minutos, ouvindo animadas histórias de fazendeiros, políticos e mortes encomendadas. Uma delas reproduzo aqui.

Um homem pescava num rio. Conseguiu apanhar dois pintados. Amarrou os peixes na garupa de sua bicicleta e seguiu tranquilamente por uma estrada. No meio do caminho foi parado por um fazendeiro e seu jagunço numa caminhonete.

-- Onde você pescou isso?-- perguntou o fazendeiro.
-- Naquele rio logo ali --, respondeu o sujeito.
-- Então pode deixar por aí mesmo, que aquele rio é meu --, disse o fazendeiro, no momento em que o capanga já saía do veículo de forma ameaçadora. O pescador teve de fugir. Ao comentar esse caso com o pessoal da LCP, me disseram que ele teve sorte de não ter sido simplesmente baleado. Essa é somente uma das histórias que explicam bem a razão da revolta que o camponês de Rondônia traz consigo no peito.

Historicamente, a reforma agrária no Brasil nunca se deu de maneira espontânea pelos governos, e sim pela pressão feita pelos movimentos populares de luta pela terra. No caso da LCP, sequer conta com o Incra para assentar as famílias. Para os integrantes da LCP, não existe o conceito de "desapropriação de terras improdutivas", visto que mesmo as produtivas, estando em mãos de ricos fazendeiros, servirão invariavelmente aos interesses do agronegócio. Os camponeses da LCP escolhem as grandes fazendas, ocupam-nas, erguem lonas, resistem ao ataque de jagunços e depois de 2 a 3 meses fazem demarcação dos lotes, o chamado "corte popular", inicialmente erguendo cabanas de palha e depois de madeira. Depois de algum tempo, os acampamentos se assemelham a povoados do velho oeste norte-americano, como o de Jacinópolis, com farmácia, escola, mercado, tudo feito de tábuas.

Diferente da confortável vida das grandes cidades, onde restaurantes, lanchonetes e supermercados estão logo ali na esquina, nas áreas de acampamento o supermercado mais próximo pode estar a 80km de estradas de terra acidentadas. É natural, portanto, que os camponeses tenham de caçar para comer, o que justifica a posse de velhas espingardas que servem também para a defesa contra onças e porcos selvagens. Operações constantes do IBAMA e das polícias tentam tomar esses armamentos rústicos das mãos dos lavradores, impedindo que eles se defendam tanto de animais ferozes quanto de pistoleiros. O direito à legítima defesa também lhes é negado. Os camponeses, no entanto, seguem resistindo a estas agressões como podem. Fecham estradas, bloqueiam o avanço da polícia com barricadas, criam seus próprios sistemas de vigilância e segurança. Não se entregam nunca.

São os palestinos da Amazônia.

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*Latuff é cartunista.


Fonte: Vi o Mundo / Blog do Latuff / Desenhos

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A mídia em debate: Herzog e as palestras em Brasilia

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por Rodrigo Vianna


A semana começou agitada para este escrevinhador. Na segunda-feira, subi ao palco do TUCA (histórico teatro paulistano) para receber - ao lado de valorosa equipe do Jornal da Record - menção honrosa, no prêmio Vladimir Herzog de Direitos Humanos.

A menção foi por duas reportagens especiais, sobre os "30 anos da Anistia" no Brasil.

Considero o Herzog o principal prêmio jornalístico do Brasil. Ao contrário de muitos outros, não oferece dinheiro, nem qualquer outra vantagem para os vencedores. Quem ganha leva pra casa a estatueta com o perfil de Vladimir Herzog (foto), desenhada por Elifas Andreato. Simplicidade e tradição.

Trata-se de um prêmio com peso político, porque lembra a história do jornalista, que foi assassinado pela ditadura brasileira. Muitos dos agraciados sobem ao palco e fazem aquele agradecimento compreesível à família, aos chefes, aos colegas... É natural. Todos se emocionam, e querem dividir a emoção com os amigos, com aqueles que ajudaram a chegar até ali.

Mas eu entendo (será que sou chato demais?) que o Herzog deve ter sempre um tom político, na melhor acepção da palavra. Foi por isso que, ao agradecer a menção honrosa, em nome da equipe do Jornal da Record, fiz questão de lembrar: "receber um prêmio como este, por uma materia que lembra os 30 anos da anistia, tem um sabor especial neste ano, em que um importante jornal de São Paulo chamou a ditadura de ditabranda".

A referência, pra quem não sabe, era ao jornal "Folha de S. Paulo". O diário teve a cara de pau de chamar a ditadura de "ditabranda", em editorial.

Fiquei duplamente feliz: pelo prêmio, e por ter soltado a voz contra aqueles que querem "revisar" a história de um período lamentável para o nosso país. Humildemente, dei o meu recado.

Fiquei mais feliz ainda com a belíssima homenagem prestada - durante a cerimônia - a um grande jornalista: Fernando Pacheco Jordão. Com sérios problemas de saúde, ele subiu de cadeira de rodas ao palco. Foi aplaudido de pé, durante 5 minutos. Fernando dá seu nome ao "Prêmio Jovem Jornalista" - que, paralelamente ao Herzog, premia as pautas de estudante de jornalismo. Os escolhidos ganham a chance de desenvover essas pautas, sob tutoria de um jornalista veterano. Ótima idéia!

Fernando Pacheco Jordão era grande amigo de Herzog, companheiro dele na TV Cultura, e um dos responsáveis por manter viva a memória do colega assassinado.

A semana, portanto, começou com fortes emoções. E prosseguiu com muito trabalho. Na terça-feira, gravei em São Paulo, depois peguei o avião para o Rio. Nesta quarta, tenho mais gravações pela Record, no Rio. E quinta, ufa, já estarei em Brasília, para participar de um debate sobre a chamada "blogosfera".

Trata-se, na verdade, de um ciclo de palestras. Na segunda, Paulo Henrique Amorim deu se recado. Na terça, foi a vez do Azenha. Nesta quarta, Nassif é o convidado. Tenho a honra de juntar-me a esse time seleto na quinta. E, na sexta, o Marco Aurelio Weisshemer, do blog RS Urgente, encerra a semana de debates.

O ciclo de palestras será gratuito e realizado no auditório principal do IESB, no Campus Edson Machado, na Asa Sul, em Brasília, das 19h às 21h30, e é uma iniciativa da própria instituição, em parceria com a Escola Livre de Jornalismo.

O objetivo é estimular estudantes de comunicação e jornalistas a debater os rumos da chamada grande imprensa e a conhecer o pensamento crítico de alguns blogueiros.

O tema ainda não ganhou as ruas. Na verdade, está muito longe disso. Mas, em 20 anos de profissão, nunca vi tanta gente interessada em debater o futuro (?) da mídia.

Estou razoavelmente otimista. Sem a internet, seria impossível ter respondido à infâmia da "Folha" e sua "ditabranda". Sem a internet, seria impossível mobilizar tanta gente pra debater a comunicação no Brasil.

Já é um avanço.

Fonte: O Escrevinhador

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Carlos Marighella ganha título de cidadão paulistano

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por Rodrigo Vianna

O jornalista Pedro Venceslau relembra, na edição de novembro da revista "Fórum", as circunstâncias da morte de Carlos Marighella, lendário líder comunista - que rompeu com o velho PCB e, nos anos 60, ajudou a criar a ALN (grupo guerrilheiro que lutou contra a ditadura militar).

No próximo dia 4, completam-se 40 anos da morte de Marighella - assassinado numa emboscada chefiada pelo delegado Fleury, em São Paulo.

Quem se interessa pelo assunto pode ler "O Batismo de Sangue", de Frei Betto. O livro conta como a prisão de religiosos da ordem dominicana em São Paulo (barbaramente torturados) ajudou a polícia a localizar Marighella.

O líder da ALN vai virar filme em 2010. E ganhará também o título de cidadão pauliatano. Tudo isso você confere na "Fórum".



Sei também que um dos mais competentes jornalistas da nova geração (agora já não tão nova assim), Mário Magalhães, prepara uma biografia sobre Marighlella.

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CARLOS MARIGHELLA SERÁ CIDADÃO PAULISTANO

Por Pedro Venceslau

Quarenta anos depois de ser assassinado pelos militares, o mitológico Carlos Marighella, fundador da Ação Libertadora Nacional, ganhará o título de “Cidadão Paulistano”. A honraria póstuma será condedida dia 4, na Câmara Municipal, por iniciativa do vereador petista Ítalo Cardoso.

Essa será apenas uma das homenagens. Também no dia 4, sua ex-companheira, Clara Charf, comanda cerimônia na Alameda Casa Branca, local do crime. “Vamos colocar flores no local ele foi morto”, conta Clara. O guerrilheiro foi surpreendido por uma emboscada do DOPS, em ação coordenada pelo delegado Sérgio Paranhos Fleury. Para fechar o ciclo, o Museu da Resistência, no antigo DOPS, receberá uma exposição sobre Marighella, que começa dia 7 com a presença de Paulo Vannuchi, ministro dos Direitos Humanos.

“Carlos Marighella é parte da história brasileira. ele acreditava que a principal tarefa era a libertação nacional e o fim da ditadura, para retomar o fio da história”, diz o ex-ministro José Dirceu. Em 2010, a história do líder da ALN será contada em um longa metragem, que está sendo produzido pela cineasta Isa Grinspun. Nascido em Salvador, em 5 de dezembro de 1911, Marighella completaria 98 anos em 2009. A edição de novembro de Fórum contará sua história.

(Confira na edição de novembro da revista Fórum matéria especial que relembra o assassinato de Marighella)

Fonte: O Escrevinhador

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AQUECIMENTO GLOBAL - Imprensa olha para trás

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AQUECIMENTO GLOBAL
Imprensa olha para trás

Por Luciano Martins Costa


Para os jornalistas e outros profissionais que acompanham com maior interesse as questões relativas ao problema do aquecimento global, a leitura diária dos principais jornais do país, especialmente daqueles dirigidos ao público em geral, precisa ser um exercício de permanente condescendência ou de constante irritação.

O noticiário sobre o aquecimento global, que se tornou mais intenso após o mês de fevereiro de 2007, com a divulgação dos resultados dos estudos da comissão criada pela ONU para discutir as questões climáticas, permanece basicamente estático quase às vésperas do encontro internacional que deverá decidir sobre mudanças em políticas econômicas, modos de produção e comércio e comportamento. E, salvo raras exceções, a imprensa em geral vem tratando o tema como se fosse mais uma banalidade da pauta diária.

Lanterna na popa

As decisões que serão pactuadas em Copenhague, em dezembro, poderão afetar muitos dos temas com os quais a imprensa se preocupa prioritariamente nesses dias que se convenciona tratar de pós-crise.

Desde a questão da exploração das reservas de petróleo do pré-sal até os planos de governo dos futuros candidatos à eleição presidencial de 2010, passando pelas exigências que serão impostas à realização da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016, e até mesmo regras comerciais globais e as negociações de commodities e do mercado futuro de moedas e produtos, praticamente tudo que hoje ocupa os jornalistas poderá ser diferente a partir das decisões que serão tomadas pelos líderes mundiais.

Também é possível que nada mude, e que os líderes globais continuem liderando suas nações na direção do futuro incerto desenhado pelos cientistas que estudam as mudanças climáticas e suas conseqüências. Mesmo esta possibilidade – e talvez ela mais ainda – deveria estar ocupando os corações e as mentes dos profissionais e donos da imprensa.

Mas a imprensa parece fascinada com o passado. Como uma lanterna na popa de uma embarcação, prefere iluminar o caminho que já foi percorrido do que clarear o que está adiante.

O estado do mundo

Existe no Brasil uma imprensa socioambiental formada basicamente por sites, blogs e newsletters na internet e um punhado de revistas que sobrevivem por mera teimosia. As grandes empresas anunciantes não costumam apoiar a chamada imprensa alternativa; muito menos as iniciativas jornalísticas que costumam desmascarar o chamado "marketing verde".

A maior parte das informações técnicas sobre questões climáticas e temas relacionados ao desenvolvimento sustentável circula nesses meios alternativos e nas redes sociais, através de grupos de debates freqüentados por especialistas. Ali se encontram as principais fontes de informação que a grande imprensa poderia consultar para informar seus leitores sobre o verdadeiro estado do mundo.

No mês que se encerra, houve uma redução no número médio de reportagens dedicadas ao tema do aquecimento global na imprensa brasileira de alcance nacional. Apenas doze ocorrências, em média, para cada grande diário, e menos de uma página por edição das revistas semanais.

Os jornais ocuparam mais espaço para a repercussão de uma frase do presidente da República sobre o papel da imprensa, na semana passada, do que para discutir os planos para a Conferência da ONU em Copenhague. Declarações de políticos foram consideradas mais importantes, ao longo do ano, do que o destino do planeta.

Enquanto isso, desenham-se as fórmulas para o mercado internacional de carbono e define-se no Congresso Nacional, com influência dominante da bancada ruralista, a futura legislação de proteção ao patrimônio natural brasileiro.

Caminho desimpedido

Daqui a alguns anos essas páginas sairão dos arquivos para a análise dos historiógrafos e outros pesquisadores. Será o registro da contribuição que a imprensa terá dado para os debates sobre o que deverá ser o século 21 para o Brasil.

Empurrado para uma posição privilegiada na linha de largada para a nova configuração das forças econômicas internacionais, o país tem a chance de demonstrar que foi capaz de encontrar a trilha do desenvolvimento e ao mesmo tempo preservar suas riquezas naturais.

Ou teremos deixado o campo livre para a transformação do cerrado e das florestas em um grande deserto.

Fonte: Observatório da Imprensa

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Aécio, Serra e a confusão na oposição

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Aécio, Serra e a confusão na oposição

por Luiz Antonio Magalhães


O noticiário político dos últimos dias dá conta de uma verdadeira guerra aberta no campo oposicionista pela definição da candidatura presidencial para a sucessão do presidente Lula. É preciso ir devagar com o andor, no entanto, ao analisar os movimentos dos protagonistas desta disputa: os governadores Aécio Neves, de Minas, e José Serra, de São Paulo. Um amigo deste blog com bastante informação na aliança demo-tucana diz que muito do que Aécio vem fazendo é jogo de cena ou, para ser mais preciso, a velha estratégia de criar dificuldade para vender facilidade. Pode perfeitamente ser isto mesmo. O problema, na humilde opinião do autor destas Entrelinhas, não está em Aécio, mas na conhecida inabilidade política de Serra. Para usar uma analogia tão ao gosto do presidente Lula, Serra, da mesma maneira que o Palmeiras atual, tem dificuldades de jogar sob pressão. Em 2006, pressionado por Geraldo Alckmin, o governador paulista deu adeus à candidatura presidencial.

O cenário agora é ainda mais delicado: além de necessitar de muita articulação política e jogo de cintura, Serra tem pela frente um adversário em seu partido que é muito, mas realmente muito mais preparado do que Alckmin. Não dá nem de longe para comparar Aécio, que vem da fina flor da política brasileira, com Geraldo, ele sim, uma espécie de Forrest Gump da vida pública nacional - só se tornou governador porque Mário Covas morreu e depois conquistou espaço fazendo pose de bom moço e com frases de efeito do tipo "vamos amassar o barro"...

Isto significa que Aécio pode dar um xeque-mate em Serra? Sim, mas é preciso primeiro saber se este é de fato o desejo do governador mineiro ou se ele está apenas fazendo jogo de cena para se cacifar em Minas ou garantir espaço em um eventual governo Serra. Este blog aposta apenas que Aécio não será vice do governador paulista, nem que Fernando Henrique lhe peça isto de joelhos. Como todo bom político, Aécio pensa primeiro em sua carreira, em segundo lugar na sua carreira e, finalmente, na sua própria carreira. Carreira política, que fique bem claro.

Mesmo que Aécio esteja jogando para o público interno e sua estratégia passe longe da disputa presidencial, é bom não dar como favas contadas a candidatura de Serra. O governador pode perfeitamente se atrapalhar sozinho e coisa acabar descambando para uma definição em torno do nome de Aécio. A ver, como se diz com muita frequência nas redações de jornais...

Fonte: Blog Entrelinhas

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Um eleitorado mais exigente

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Um eleitorado mais exigente

Por Maria Inês Nassif


Em 2006, a política eleitoral foi marcada pelo fenômeno de descolamento do voto dos humores da classe média urbana que, ao longo da história da República, funcionou como uma caixa de ressonância das elites econômicas.

A ascensão ao mercado de consumo de uma grande parcela de excluídos, por meio do Bolsa Família, produziu uma autonomia do voto dos menos favorecidos em relação ao poder econômico e reduziu o papel de formadores de opinião das classes médias. De lá para cá, as políticas de valorização do salário mínimo adicionaram um outro componente social à realidade política: o ingresso nas classes médias de cidadãos originários da base da pirâmide que já estavam no mercado de consumo, mas que tinham acesso limitado a bens e mercadorias.

Foram, portanto, dois dados importantes de mobilidade social distintos, cada um deles com poder de repercussão em uma eleição diferente. Nas eleições de 2006, o dado social predominante foi o ingresso ao mercado de consumo de grande parcela da população. Nas eleições de 2010, terá forte influência sobre o pleito a ascensão à classe média de grandes contingentes das camadas populares.

Nos últimos sete anos, o país passou de uma situação de reduzidas classes médias e alta e amplas camadas na base da pirâmide – com forte concentração, nessas últimas, de famílias com baixíssima ou nenhuma renda.

Quase às vésperas das eleições de 2006, as estatísticas começaram a acusar um forte efeito de desconcentração de renda do programa Bolsa Família, que atingia então os situados no último degrau da pirâmide de renda. Esse dado apenas tornou-se visível no auge do chamado Escândalo do Mensalão e o mundo institucional custou a entender que algo acontecia de diferente no universo social. A política foi sacudida por traumas intensos, cujo epicentro era o Congresso Nacional – em especial uma CPI que alimentava grandes cenas midiáticas que em algum momento chegaram a consolidar, entre letrados, a idéia de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva era tão destituído de sustentação política que caminhava para um impeachment, ou uma renúncia.

Foram quase simultâneas as divulgações das pesquisas de opinião que acusavam um constante aumento de popularidade de Lula, em plena crise, e a divulgação de indicadores que comprovavam um efeito grande de mobilidade do Bolsa Família. Os fenômenos foram tão vinculados que foram necessárias várias pesquisas de opinião acusando aumento da popularidade de Lula para que a oposição se convencesse que o presidente não apenas estava no páreo, como era o franco favorito na disputa pela reeleição.

O aumento da classe média brasileira no período seguinte é um dado ainda de difícil avaliação, que precisará ser devidamente considerado nas definições de estratégias de campanha de todos os candidatos às eleições presidenciais.

O fato de os dois fenômenos terem acontecido num período governado por um único partido, e não ter ocorrido até o momento – nem no período de crise – um forte refluxo das condições objetivas de consumo desses setores, pode indicar que a candidata governista entra no mercado eleitoral como depositária de um legado. O conservadorismo da classe média, no caso dos ascendentes no governo Lula, tende a favorecer a candidata – o status quo agora é o PT, ao contrário de 2002.

De outro lado, a ascensão à sociedade de consumo significa também acesso a bens de consumo ideológicos que mantinham esses setores à margem até agora. A informação, o acesso a tecnologias por onde elas transitam rapidamente e a exposição a diversas outras mídias expõem esses setores emergentes a conteúdos dos quais foram marginalizados enquanto estavam excluídos dessas tecnologias – e cuja inclusão não era alguma coisa que estava na agenda das elites políticas, que partiam do pressuposto, no jogo eleitoral, de que essas camadas eram cooptáveis via movimentos de emocionalização de uma classe média mais conservadora. Outro fator que pode contribuir para isso é o aumento progressivo de escolaridade, que caminha de forma constante desde os governos Fernando Henrique Cardoso.

Os ganhos de distribuição de renda podem acelerar o processo de aumento de anos de estudo da população.

Num contexto de maior escolaridade e maior renda, portanto, imagina-se que mudem também os critérios de escolha do voto. O julgamento do eleitor tende a passar por crivos que superem o simples ganho de renda – esse é um ganho passado e entram no cenário expectativas de ascensão social diferentes.

Nesse contexto, pode adquirir importância grande a adesão a candidatos de setores da mídia convencional e não convencional – veiculada pela internet – e ganham peso maior os programas de propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão. Esse é um elemento novo no processo eleitoral. Dificilmente se volte a uma realidade onde as classes médias representem simplesmente uma caixa de ressonância das elites econômicas mas não necessariamente esse eleitorado tenderá à esquerda por ter ascendido no governo Lula. O dado concreto, no momento, é que esse eleitorado obrigará uma campanha eleitoral que agregue mais informações e argumentos eleitorais mais convincentes.

Fonte: Luis Nassif Online

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Mulher no timão

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A primeira viagem de Hildelene Bahia no comando do navio Carangola.


Mulher no timão

Por Dil Mota Dias


Quando, no feriado de 12 de outubro, o navio Carangola fundeou no rio Negro carregado de 16, 6 mil metros cúbicos de petróleo, poderia ser mais uma atividade rotineira de uma das embarcações da Transpetro, subsidiária da Petrobras. Mas foi um marco histórico. Era o fim da viagem de estreia de Hildelene Lobato Bahia como comandante, a primeira mulher a ocupar o cargo na Marinha Mercante brasileira.

A própria trajetória da marinheira paraense de 35 anos, formada em Ciências Contábeis, foi menos guiada pela bússola do que pelas estrelas. O irmão de Hildelene havia decidido prestar o concurso para a Escola de Formação de Oficiais da Marinha Mercante. Ela, para ajudar o irmão a estudar, resolveu se inscrever também. “Para minha surpresa, fui aprovada e ele não”, conta Hildelene, que passou a integrar o primeiro quadro feminino do Centro de Instrução Almirante Braz de Aguiar (Ciaba), em Belém.

De lá para cá, ela acumula quase meio milhão de milhas navegadas, o equivalente a duas vezes e meia a distância entre a Terra e a Lua. São mais de 1.700 dias no mar. A bordo de petroleiros, atravessou oito vezes o Estreito de Magalhães e acompanhou trabalhos de obras e reparos de embarcações em estaleiros de Cingapura e no Golfo Pérsico. No Bahrein, chamaram sua atenção a surpresa dos muçulmanos ao ver uma mulher na chefia e as joias das muçulmanas. A bordo do Carangola, a vaidosa Hildelene não dispensa o batom e os brincos, mesmo trajando roupas e equipamentos de proteção.

O primeiro dia de viagem começou de madrugada. Às 3 da manhã do dia 1º de outubro, o Carangola deixou a Baía de Guanabara rumo a Manaus. Apesar da experiência, a comandante estava um pouco ansiosa. O mau tempo e a pouca visibilidade a preocupavam. “Agora a responsabilidade de decidir é só minha. Além de transportar um patrimônio da empresa, sou responsável pela tripulação”, diz.

A costa da Bahia, emoldurada por um céu claro e mar azul, afasta as nuvens do semblante da comandante de primeira viagem. É o terceiro dia de jornada, um sábado, e mesmo em alto-mar, nos fins de semana o navio diminui o ritmo das atividades. A comandante aproveita para uma visita à cozinha e ao paiol de mantimentos. “Os melhores chefs do mundo são homens”, enfatiza Paulo Moreira, cozinheiro de bordo, que parece confiar mais nas habilidades de Hildelene como comandante. Ela mesma confessa preferir pilotar navios a fogões.

Reza a lenda que os marinheiros têm uma mulher em cada porto. A regra, pelo visto, não vale para marinheiras. O porto seguro de Hildelene é o também marítimo Paulo Roberto Souza de Moraes, com quem está casada há cinco anos e que dá a maior força à mulher. “É meu sonho também que está sendo concretizado”, afirma Moraes, confessando sua intenção de se juntar à tripulação da amada. “Nosso desejo é poder embarcar juntos para diminuir a saudade.”

Assumir a função de primeira comandante da Marinha Mercante brasileira não limita as ambições de Hildelene. Com mais dois anos de embarque, ela poderá se tornar capitã-de-longo-curso e comandar petroleiros em travessias de águas internacionais. Tudo muito bem planejado, diz, para poder realizar outro sonho, o de ser mãe.

O Carangola deixa o litoral baiano com um mar prateado pela lua cheia. No domingo, um almoço reúne todos a bordo, vestidos com o uniforme branco em homenagem à comandante. Segunda-feira é dia de burocracia até no oceano. Hildelene se tranca no escritório para a parte mais formal de seu trabalho, que inclui os preparativos para vistorias nos portos e a prestação de contas.

No sexto dia de viagem, já na costa do Ceará, o trabalho da nova comandante começa com a visita às equipes que atuam no turno da madrugada. “É preciso valorizar os tripulantes que realizam um trabalho silencioso. Se tudo corre bem, todos dormem tranquilos”, ensina. Parecia adivinhar que o dia seguinte seria agitado, de temperaturas altas e mar arisco, na véspera de o Carangola cruzar a Linha do Equador. A tripulação se prepara para subir o rio Amazonas, seguindo procedimentos de navegação em águas restritas.
“Isto significa que o navio fica com restrições de manobras e há instruções a serem seguidas”, explica Hildelene. A primeira orientação é passar o sistema de direção do modo automático para o manual. Ou seja, nos próximos três dias haverá um marinheiro no timão sob as ordens diretas da comandante. Durante a navegação pelo Amazonas, o navio ganha outros ares. A paisagem da viagem muda. O azul do mar dá lugar às águas escuras do rio e, mesmo de longe, já se consegue avistar o verde da floresta.

Andrey Reinert, prático que conduziu o navio, revela um momento curioso. Durante a madrugada, enquanto subia o rio, o Carangola cruzou com o navio Floriano, que já pertenceu à frota da Transpetro e foi vendido neste ano a uma empresa da Índia que vai reaproveitar suas peças. Por rádio, o prático da outra embarcação perguntou se aquele era o navio da comandante Hildelene. “Confirmei que sim, e ele imediatamente comentou com o comandante indiano que era um fato histórico”, conta Reinert.

Apesar da rigidez dos procedimentos em águas fluviais, o sábado seguinte, décimo dia de viagem, é de descontração. Alguns tripulantes recebem certificados de batismo, fazendo jus à tradição marinheira: quem cruza a Linha do Equador pela primeira vez é batizado por Netuno, rei dos mares e dos rios.

É um batismo de fogo também para a comandante. A poucas horas de chegar a Manaus, ela esclarece que a viagem só termina quando descarrega o produto, embora já tenha o sentimento do dever cumprido. Apesar de longo, não houve tempestades no trajeto e, o que é melhor, nenhum motim por parte da tripulação masculina. “Confesso que no início estava preocupada com a reação deles”, ri Hildelene. “Mas encontrei uma equipe muito unida e motivada.” Se houve porventura a bordo algum marujo mais machão que não gostou de ver uma mulher ao leme, ficou a ver navios.

Fonte: Carta Capital

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O Morro dos Macacos e as armas

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O Morro dos Macacos e as armas

por Wálter Fanganiello Maierovitch

Enquanto existir guerra, haverá esperança. Esta frase sai da boca de Alberto Sordi, no papel de traficante de armas de fogo: o filme é de 1974, com o título Finché c’è Guerra c’è Speranza. Quando rodado o filme, 30% da população africana estava envolvida em conflitos intestinos.

Na sexta-feira 16, uma facção do Comando Vermelho (CV), saída, segundo a polícia, do Morro São João, tentou se apropriar de “bocas de fumo” do Morro dos Macacos, território controlado pela organização rival conhecida por Amigos dos Amigos (ADA). Na verdade, repetiu-se o enredo de um clássico da tragédia vivida pela população pobre do Rio de Janeiro e que sempre resulta na morte de civis inocentes: três jovens que voltavam de uma festa foram fuzilados e a polícia os apresentou como “soldados” de facção criminosa. O pedido de desculpa só veio quando os caixões desciam à sepultura.

Mais uma vez assistiu-se ao mesmo enredo de filme. Em abril de 2004, o conflito entre CV e ADA ocorreu na Rocinha e a disputa era pelo maior entreposto de drogas proibidas do Brasil. A família Garotinho, com o varão querendo a função de general de modo a comandar o Exército, prometeu uma guerra contra o tráfico. Só que a Guerra da Rocinha prometida pelo casal Garotinho virou batalha de Itararé, ou seja, como aquela, simplesmente não aconteceu. Enquanto o casal fazia inconstitucionais exigências ao governo federal, a criminalidade organizada aproveitou para subtrair 22 fuzis do arsenal das Forças Armadas.

No confronto, no Morro dos Macacos, chamou a atenção a derrubada de um helicóptero da polícia, alvejado por arma de grosso calibre. O helicóptero era semiblindado e três dos ocupantes morreram. A respeito, apanho na minha hemeroteca um velho recorte do jornal O Globo, edição de 14 de maio de 2007, com duas notícias que, agora, servem para mostrar a irresponsabilidade das autoridades que determinaram, no conflito no Morro dos Macacos, o emprego de helicóptero apenas blindado no assoalho, a transformar policiais em camicases involuntários: 1. “A Secretaria de Segurança Pública do Rio planeja comprar um novo modelo de helicóptero para enfrentar os traficantes. O motivo: o modelo deve ser totalmente blindado. O parcialmente blindado não atende mais às necessidades policiais, já que os traficantes estão cada vez mais bem armados.” 2. “Armas de longo alcance em poder de traficantes vêm obrigando pilotos de helicópteros de empresas de táxi-aéreo a mudarem as rotas para evitar tiros de fuzis.”

No Rio de Janeiro, as organizações criminosas de matriz pré-mafiosa continuam a enriquecer e contam com o suficiente para corromper autoridades e adquirir potentes armas de fogo. Por outro lado, conseguem expandir os territórios e aumentar o controle social. Para aumentar os lucros, entram em guerra para conquistar territórios sob controle de outra associação delinquencial. No caso da intromissão das forças de ordem, também são atacadas, como sucedeu no sábado 17 no Morro dos Macacos.

A velocidade imprimida pela criminalidade organizada para atingir as suas metas é infinitamente superior à empregada pelo Estado no contraste a esse fenômeno. Em boa hora, o governo de Sérgio Cabral substituiu a inócua e perigosa política de war on drugs, de inspiração W. Bush. No México, só neste ano, ela produziu mais de 4 mil mortes e mais da metade das vítimas eram civis, sem qualquer vínculo com os cartéis de drogas.

Cabral substituiu a guerra nos morros, onde a população ficava entre o fogo cruzado de policiais e traficantes, por um policiamento pacificador, de reconquista de territórios e retomada do controle social. O seu governo conta com o apoio federal na reurbanização das favelas, estratégia fundamental. Só que a implantação da “polícia da paz” mostra-se irritantemente lenta. Enquanto isso, o crime migra e se expande.

Quanto às armas e munições, o mercado movimenta anualmente 29 bilhões de dólares. Como as máfias fazem o jogo geopolítico de muitas potências, embolsam 35% do lucro. Só para exemplificar: a CIA prendeu o seu colaborador Sarkis Soganaliam, o maior traficante de armas do mundo. Isso porque ele, sem sua autorização e aliado a Vladimiro Montesinos (eminência parda da ditadura Fujimori e aliado da CIA), vendeu armas para as Farc.

Para nossa vergonha, o Brasil integra o terceiro maior grupo de fabricantes de armas. Para exportar armas, basta a expedição do chamado Certificado de Destinação Final. Se constar que o destino é Angola, nenhum órgão internacional controla a chegada. O armamento poderá, portanto, desembarcar no “narco-Estado” da Guiné Equatorial. E o crime organizado tem interpostos, como no Paraguai, cujos mercadores atendem brasileiros por telefone e internet.

Fonte: Carta Capital

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Capitalismo à brasileira


As pressões sobre a Vale, o apoio do BNDES às empresas... O mundo não é um faz de conta liberal.


Capitalismo à brasileira

Por André Siqueira e Luiz Antonio Cintra, na Carta Capital

Há um mundo de faz de conta pintado por uma turma de analistas econômicos, frequentadores de certas colunas jornalísticas e restaurantes caros. Nele, o capitalismo brasileiro é fruto pura e simplesmente da livre iniciativa, conforme imaginada pelo escocês Adam Smith no século XVIII. Vívido e criativo esforço de empreendedores agora ameaçados pela intervenção extemporânea e imperfeita do Estado, espécie de ogro capaz de destruir o equilíbrio no reino das fadas do capital.

E há o mundo real. Este, no qual 190 milhões de brasileiros acordam todos os dias com a esperança de arrumar emprego, comprar um carro, casar, ter filhos ou simplesmente conseguir algo para comer antes que a noite chegue. Nesta realidade imperfeita, neste país desigual atrasado por 21 anos de ditadura, Estado e capital vivem uma simbiose. São almas gêmeas. Houve quem achasse – e quem ainda acredite – que a força do segundo reside na fraqueza do primeiro. Mas não há mais o muro de Wall Street para escorar essa ideia.

Mesmo assim, as fadas da capitolândia por vezes se agitam. Como recentemente, no caso da disputa entre a Vale e o governo. Há cerca de dois meses, a maior mineradora do País e a administração Lula oscilam entre o que um integrante do alto escalão do Palácio do Planalto definiu como arengas “levemente, razoavelmente ou bastante feias”. Na segunda-feira 19, pode-se dizer, as conversas poderiam ser classificadas como “levemente feias”. Durante seu discurso na premiação das empresas mais admiradas no Brasil, organizada por CartaCapital, Lula fez questão de tecer elogios a Roger Agnelli, principal executivo da Vale. Hora antes, Agnelli havia anunciado investimentos de 24 bilhões de reais no ano que vem. No evento, o presidente e o executivo, aplaudidos com entusiasmo oceânico pela plateia, se esforçaram para demonstrar ânimos apaziguados.

A retomada dos investimentos da Vale, após os cortes bruscos de empregos e novos projetos no auge da crise mundial, certamente contribui para melhorar o clima. Mas a queda de braço está longe do fim. Agnelli é sustentado na presidência da mineradora pelo Bradesco, que detém 17,4% das ações da Valepar. A japonesa Mitsui, dona de 15%, prefere manter certa neutralidade. A Previ, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, com 58,1%, e a BNDESpar, com 9,5%, exigem mudanças na estratégia da empresa, alinhados com o Planalto, que gostaria de mais investimentos em siderúrgicas em vista da perspectiva de ampliação do consumo nos próximos anos.

Além disso, a atividade mineradora está escorada em concessões públicas, o que torna ainda mais factíveis eventuais interferências do Estado nos rumos da companhia. O governo também critica a condução das negociações com os japoneses da Baosteel, que, após idas e vindas da mineradora brasileira, desistiram de instalar uma siderúrgica no País. A desistência teria ocorrido diante das dificuldades em obter a aprovação para a construção da usina.

O ingresso da mineradora no ramo do aço é visto em Brasília como estratégico. Vai além, inclusive, do discurso de Lula, para quem a empresa deveria exportar “mais valor agregado e menos minério”. A maior preocupação diz respeito aos planos de investimento da Petrobras, que preveem a contratação de fornecedores locais de navios, equipamentos de exploração e plataformas de petróleo – o que deverá puxar a demanda doméstica e periga deixar a cadeia petrolífera sujeita às oscilações internacionais no preço da commodity metálica.

As preocupações do governo não se restringem aos passos da Vale. As demais empresas e setores foram entregues aos cuidados do ex-professor de Economia da Unicamp Luciano Coutinho, chamado de “craque” por Lula em conversas privadas. O BNDES detém participações relevantes no capital de mais de 140 empresas e tem assento em quase 30 diferentes conselhos de administração.

O banco foi financiador e avalista da maioria dos grandes arranjos setoriais realizados no Brasil nos últimos anos, desde a reorganização dos ativos petroquímicos até as polêmicas fusões da Oi com a Brasil Telecom e da Sadia com a Perdigão. No auge da crise, após receber aporte de 100 bilhões de reais do Tesouro, reservou 25 bilhões à Petrobras, que enfrentou problemas para captar dinheiro no exterior.
“Damos suporte aos campeões emergentes que o sistema empresarial brasileiro, pelos seus méritos, produziu”, afirma Coutinho.

O debate sobre o papel do Estado no setor empresarial é antigo e, se ainda não caducou no resto do mundo, no Brasil é certo que ainda vai render acalorados debates. Fora as consolidações ainda em andamento, como a da indústria de alimentos, o BNDES de Coutinho mantém estudos sobre possíveis reestruturações, com vistas à formação de grandes conglomerados, em setores como o siderúrgico, o farmacêutico e o petroquímico. Neste último caso, ocorreria um segundo rearranjo, com a aquisição da Quattor pela Braskem, por enquanto não confirmada pelas companhias.

Acadêmico ligado à corrente desenvolvimentista, Coutinho estava cotado para uma posição no governo desde o início da era Lula. Eventuais resistências de liberais a seu nome foram minadas pelo desempenho como consultor de grandes companhias e o entusiasmo pela formação de um time de múltis brasileiras. Coutinho foi um dos artífices da formação da AmBev. E participou de uma frustrada tentativa de unir a Varig à TAM, em 2004.

“Se há no governo federal uma pessoa treinada para pensar a longo prazo, é o Luciano Coutinho. Ele restaura a tradição do banco com instrumentos mais modernos e formas mais ágeis de ação. Tem uma vantagem diante de muitos outros gestores públicos porque respeita o mercado”, afirma o economista-chefe do Bradesco, Octavio de Barros, de quem o presidente do BNDES foi colega na Unicamp. “Pode-se criticar pontualmente essa ou aquela estratégia, mas, para um país que desaprendeu a investir, a ação do BNDES é um alento. Por outro lado, acho que é importante envolver cada vez mais o setor privado no ciclo de investimentos de infraestrutura e de energia que o Brasil terá pela frente nos próximos dez ou quinze anos.”

Se a sua capacidade de trabalho é reconhecida, também fica evidente que a política de estimular a formação de empresas de capital nacional que possam ser consideradas “campeãs mundiais”, como defende Coutinho, traz consigo sérios riscos à concorrência na economia brasileira.

Um desses efeitos colaterais é apontado pelo economista Ricardo Machado Ruiz, especialista em política industrial e professor na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). “Criar uma grande empresa de porte global a partir da fusão de duas pequenas não é algo trivial. Se simplesmente se “amarram” duas companhias médias, o resultado será uma empresa “grande-pequena”, diz o economista. “A criação de grandes empresas nacionais pelo BNDES é importante, mas o objetivo deve ser gerar ganhos de eficiência significativos que sustentem uma internacionalização com maior probabilidade de sucesso”, afirma.

Não é isso, necessariamente, o que se viu em todos os grandes negócios fechados com aval do BNDES, alguns dos quais atenderam menos a diretrizes de política industrial do que a necessidades imediatas de caixa. Foi o caso da incorporação da Sadia pela Perdigão, após a primeira revelar que havia sofrido perdas bilionárias em operações com derivativos após a quebra do Lehman Brothers, em setembro de 2008. As trapalhadas no mercado cambial exigiram ainda o apoio do banco à transferência do controle da Aracruz para a VCP, do Grupo Votorantim. Os efeitos da crise também renderam aos Ermírio de Moraes a entrada do Banco do Brasil como sócio na instituição financeira da família. Nesses casos, a atuação do governo lembrou os tempos em que BNDES e BB eram convocados prioritariamente para socializar prejuízos decorrentes de desastres privados.

O risco de estimular a criação de empresas com grande poder de fogo no mercado interno pode causar desespero em fornecedores e clientes. É esse um dos motivos para as crescentes manifestações contrárias à fusão da Sadia e da Perdigão na Brasil Foods (BRF), que contou com indispensável colaboração do banco estatal.

O tema tem sido objeto de discussões na Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados nas últimas semanas. Na quarta-feira 21, uma subcomissão com parlamentares de Santa Catarina, Paraná e do Centro-Oeste, regiões onde a agricultura e a pecuária são fortes, encaminhou um requerimento em que solicita a presença de Coutinho para “esclarecer dúvidas” em relação aos efeitos do negócio para agricultores de menor porte e cooperativas e discutir a atuação do banco no setor agropecuário. “O BNDES não pode privilegiar só as grandes empresas. E precisa tratar melhor os pequenos, que levam de seis a oito meses para ter uma operação aprovada”, diz o deputado federal Odacir Zonta (PP-SC), autor do requerimento.

Entre as operações objeto de questionamentos está o caso do frigorífico Independência, que entrou em processo de recuperação judicial pouco tempo após obter do BNDES um aporte de 200 milhões de reais. Nesse caso, reclamam parlamentares, faltou ao banco justamente aquilo que Coutinho mais se gaba de ter, a perícia técnica. Ou a recente compra da Seara, divisão de carnes da americana Cargill, pela Marfrig Alimentos, um negócio de 700 milhões de dólares que também contou com o apoio do banco e deixou insatisfeitos pecuaristas e cooperativas. Criou um conglomerado com nada menos que 60 mil funcionários.

O caso da Marfrig ilustra outro ponto delicado da política do BNDES. Para manter a participação no frigorífico, no qual detém 14,66% do capital, o banco estuda fazer novo aporte de recursos. A informação, divulgada em depoimento na Câmara, na quinta-feira 22, por André Mendes, gerente de mercado de capitais do banco, foi acompanhada da explicação de que o banco não participara da decisão de comprar a Seara, por não possuir assento na diretoria da empresa.

Ainda na área dos frigoríficos, o BNDES tornou-se o principal financiador da acelerada expansão do JBS Friboi. A última tacada do grupo foi dada em setembro, no anúncio conjunto da aquisição da americana Pilgrim’s e de uma união com o rival Bertin (do qual o banco também participa). O BNDES ficou com uma participação de mais de 20% na maior produtora de carne bovina do mundo.

Um dos argumentos de quem defende a entrada do BNDES em operações de setores problemáticos ou atrasados é que o banco acaba por agir a favor da chamada governança corporativa. Ou seja, pode exigir mais transparência na gestão, adoção de práticas socioambientais moderadas e compromisso com o País. Como o mercado de capitais brasileiro ainda não atingiu sua maturidade, o banco estatal é o único capaz de contribuir efetivamente para a modernização do setor privado.

O professor da Fundação Dom Cabral Álvaro Cyrino, coordenador do ranking das empresas mais internacionalizadas do Brasil, se diz “absolutamente contrário à figura do Estado empresário”. Mas ressalva que, historicamente, todos os países capitalistas desenvolvidos mantiveram, e ainda mantêm, políticas claras de apoio aos grandes grupos nacionais. “Foi assim que surgiram as potências. Somente a partir da década de 90, com a ascensão do modelo neoliberal, organismos como o FMI e o Banco Mundial começaram a considerar economicamente incorreto colocar os interesses dos governos à frente dos interesses das empresas”, afirma. “O próprio Brasil já teve políticas muito mais ativas com relação às empresas, sobretudo nos anos 70, mas todas foram abandonadas na década passada.”

Poucos grupos, entre os de maior presença no exterior, segundo Cyrino, galgaram posições sem recorrer aos cofres do BNDES. A Gerdau, no topo da lista, tem 3,5% de ações nas mãos da BNDESPar, para citar só um exemplo. “Investir nesses grupos não é um mau negócio, mas é preciso cuidado para que eles não se tornem obstáculos à livre concorrência”, defende o especialista.

A crise financeira internacional deixou evidente que não existe essa história de Estado mínimo. Tudo não passa da eterna disputa pelo butim do Tesouro Nacional, controlador da emissão de moeda e responsável pela arrecadação dos impostos. Estado reduzido significa que alguém, e não necessariamente a maioria, embolsa o excedente produzido pela esfera pública. O segredo das economias de sucesso no mundo contemporâneo (e no anterior, a bem da verdade) é saber dosar o estímulo à liberdade empresarial e os interesses nacionais legítimos.

Fonte: Carta Capital

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Oposição da Venezuela tem mais cabeça que a do Brasil

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Imagine se o Chávez tivesse uma oposição como a brasileira. Aí mesmo é que ele ia deitar e rolar ...

Imagine se o Chávez tivesse uma oposição como a brasileira. Aí mesmo é que ele ia deitar e rolar ...



Oposição da Venezuela tem mais cabeça que a do Brasil

por Paulo Henrique Amorim

Amigo navegante liga para dizer que teve o desprazer de assistir ao Bom (?) Dia Brasil e viu a urubóloga Miriam Leitão, perplexa, afirmar que ATÉ a oposição da Venezuela quer que a Venezuela entre para o Mercosul.

ATÉ a oposição da Venezuela.

A oposição da Venezuela acha que só o Brasil, no Mercosul, segura o Chávez.

Quem não quer a oposição na Venezuela é o PiG (*) – a urubóloga Miriam Leitão à frente – e o senador tucano Tasso “tenho jatinho porque posso” Jereissati.

Para a urubóloga e o feliz proprietário de jatinho, o Chávez é incontrolável …

Que horror.Link

Até a oposição da Venezuela é mais competente que o partido do PiG (*) e seu sucedâneo no Congresso, o PSDB…


(*)Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

Fonte: Conversa Afiada

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Até a Hipólito chama Zé Pedágio às falas. Tenha coragem, Serra !

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Agora ele vai ter coragem. A Hipólito ele ouve

Agora ele vai ter coragem. A Hipólito ele ouve


O Conversa Afiada reproduz comentário do amigo navegante Diogo:

PHA,

Olha só o recado que a Lúcia Hipólito mandou para o Zé Pedágio:

http://oglobo.globo.com/pais/noblat/luciahippolito/#236311

Serra, por sua vez, receia anunciar já a candidatura à presidência e ver sua administração em São Paulo paralisada pela ação dos sindicatos. É uma decisão difícil.

Mas é fraco o argumento do governador de que Dilma ainda não se assumiu como candidata e, portanto, ele tampouco teria que fazê-lo.

Dilma é candidatíssima. Só não o será se houver uma hecatombe. Só falta o anúncio oficial.

Já Serra…

Não há, nem no campo do governo nem no campo da oposição certeza absoluta de que José Serra será mesmo candidato à presidência da República.

O que parece é que o governador quer ter uma eleição garantida.

Mas política é assumir riscos. Eleição, então, é salto triplo sem rede.

Não dá para esperar ter tudo garantido. Aí não é eleição. É nomeação.

Chamou na chincha!

Também, se até da Xuxa ele levou pito…

Um abraço.
Diogo.



por Paulo Henrique Amorim

No obituário que a revista Piauí publicou sobre Zé Pedágio – clique aqui para ler as estarrecedoras revelações sobre ele – alguém diz que Zé Pedágio só ouve as mulheres.

Se for assim, com a pressão irresistível da Hipólito, ele acaba dominado por um raro sentimento de coragem e diz logo que é candidato.

Clique aqui para ler sobre o ultimato que Aécio lhe deu

E aqui para ler “o PiG substitui a oposição”

E aqui para ver que, segundo Gramsci, na Itália também era assim, porque não havia partidos (como aqui Lula sufocou a oposição – clique para ler )

E aqui para votar na trepidante enquete: “quem merece a vassoura de ouro ?”

Fonte: Conversa Afiada

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Banda larga do Serra e da Telefônica não é banda nem larga

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Tinha que ser coisa de tucano paulista

Tinha que ser coisa de tucano paulista


Banda larga do Serra e da Telefônica não é banda nem larga

O Conversa Afiada reproduz a sugestão dos amigos navegantes Fernando e José Luiz Couto:

JOSÉ LUIZ COUTO
Enviado em 29/10/2009 às 9:11

Paulo Henrique
Assim não dá. A Telefonica tá boicotando o Serra. A Telefonica virou a casaca para ajudar a eleição da Dilma. Bye Bye Serra 2010.

Telefônica exigirá que usuários de Banda Larga Popular paguem assinatura de telefone

Da Redação

A Telefônica, única operadora a aderir ao programa Banda Larga Popular do governo de São Paulo, deve cobrar assinatura de telefone para quem quiser ter internet rápida por R$ 29,80 mensais. O pacote de voz mais barato da empresa sai por R$ 24,90. Assim, a conta, que não deveria passar de R$ 30 por mês, conforme decreto assinado pelo governador do Estado de São Paulo José Serra, sairá por R$ 54,70.
Entretanto, a cobrança de qualquer serviço adicional ao pacote de banda larga é proibida pelo governo no decreto 54.921, que regulamenta o programa.

http://tecnologia.uol.com.br/ultnot/2009/10/29/ult4213u871.jhtm

Leia também o que o Conversa Afiada já publicou a respeito do assunto:

Cadê os investimentos da Telefônica ? Pergunte ao FHC !

“Banda larga” do Serra tem cheiro de mutreta

“Banda larga” do Zé Pedágio não é banda nem larga

Teletime: órfãos das teles não querem ampliação da banda larga no Brasil

A quem serve a banda larga do Serra ? À Telefônica

Universalização da banda larga é com dinheiro do Estado. No mundo inteiro

Lula chama Globo na chincha. E Globo começa a ir à Confecom

Virgílio Freire: Estadão é contra inclusão digital do governo Lula

Lula resolve meter a mão na banda larga. Pobre, preto e p … também vão ter acesso

Governo Lula decide tomar conta e instalar a banda larga no país inteiro. O fim do PiG(*) está próximo.

O que o Governo quer sobre telecomunicações, banda larga? Quem manda?

Lula quer banda larga no interior até 2014.
Bye-bye PiG (*)

Apagão atinge banda larga 3G

Deputado tucano pede intervenção da Anatel na Telefônica

Por que a telefonia de São Paulo apaga. Vamos comprá-la de volta


Fonte: Conversa Afiada

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Globo: Lula não derrubou o avião da TAM. Mas é responsável pela epidemia de crack

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Na foto, o Palácio do Planalto, segundo o Camel(*)

Na foto, o Palácio do Planalto, segundo o Camel(*)


Saiu na primeira página do Globo :

“Um descaso federal – equipamento de combate ao tráfico apodrece no Rio… 55 esteiras de raios X … permanecem encaixotados desde que chegaram … em 2007.”




por Paulo Henrique Amorim

Logo, conclui-se, o aeroporto Tom Jobim transformou-se no maior duto de drogas do mundo, por culpa do Presidente Lula.

O jornal nacional está em plena campanha – clique aqui para ler -, há alguns dias, para responsabilizar o presidente Lula pela epidemia de crack.

Logo agora, depois de inquéritos da Aeronáutica e da Polícia Federal concluírem que o Presidente Lula não estava na cabine de comando, nem deixou de puxar o freio do avião da TAM que explodiu em Congonhas.

Portanto, caiu por terra a prova irrefutável do então repórter do jornal nacional, Rodrigo Bocardi, que demonstrou, de forma categórica, que uma poça d’água da espessura da moeda de um Real, ali depositada pela incompetência do Presidente Lula, tinha sido a causa da tragédia.

Não dá mais para responsabilizar o Presidente Lula, como, na ocasião, fez o Governador Zé Pedágio.

Clique aqui para ler

O jeito agora é responsabilizá-lo pela epidemia de crack.

E o crack tem vantagens, para o Ali Camel (*).

Primeiro, porque a culpa é do Lula.

Segundo, porque, em São Paulo, ninguém vende ou compra crack.

Ou seja, com uma pedra de crack, o Camel (*) derruba o presidente Lula e transfere as Olimpíadas para Madrid.

Em tempo: a coisa deve estar feia lá na Globo.
Clique aqui para ler “Lula vai à Record e espinafra a Globo”
Já imaginou a Cristina Kirchner aprovar uma Ley de Medios ?

(*) Ali Camel é aquele que se utiliza da Globo para povoar mentes desérticas e disseminar idéias conservadoras e golpistas (sem muito sucesso).

Fonte: Conversa Afiada

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Os carniceiros da tragédia

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http://blig.ig.com.br/brokenarrow/files/2009/09/acidente_tam_3054.jpg


Os carniceiros da tragédia

por Urariano Mota*, em
Direto da Redação

Recife (PE) - Os jornais de hoje revelam, de passagem, que a causa decisiva do desastre da TAM em julho de 2007, em São Paulo, foi a posição incorreta do manete direito, que controla a potência da turbina direita do avião. Agora. Mas enquanto houve sangue fresco e restos de pessoas, o comportamento da mídia não foi assim.

Na época, houve um circo de horrores maior que o número de mortos. Na televisão, nos periódicos, nas revistas, pulavam de alegria diante de mais uma desgraça onde o culpado seria o governo brasileiro. Repórteres obedientes à orientação da pauta, articulistas que viraram autoridades, mais pareciam papa-defuntos. Na Folha de São Paulo, por exemplo, em 19 de julho se publicou:

“O que ocorreu não foi acidente, foi crime

Gostaria imensamente de ter minha dor amenizada por uma manchete que estampasse, em letras garrafais, ‘GOVERNO ASSASSINA MAIS DE 200 PESSOAS’. O assassino não é só aquele que enfia a faca, mas o que, sabendo que o crime vai ocorrer, nada faz para impedi-lo. O que ocorreu não pode ser chamado de acidente, vamos dar o nome certo: crime.... Talvez o presidente não se importe tanto, afinal, quem viaja de avião não é beneficiário de sua bolsa-esmola, não faz parte do seu particular curral eleitoral cevado com o dinheiro que ele arranca de nós. Devem fazer parte das tais ‘elites’, que é como ele escarnece da classe média que faz (apesar do governo) o país crescer”.

E mais se dizia:

“Incompetência, imprudência, tragédia. A despeito das causas do acidente com o Airbus A-320 da TAM, o desastre potencializa a crise da aviação civil, escancara a precariedade do transporte aéreo brasileiro e torna ainda mais urgente uma redefinição ambiciosa e profunda do sistema. É inacreditável que reiteradas demonstrações de inépcia, ao longo de dez meses de crise, não tenham rendido nenhuma demissão no alto escalão do governo Lula”, no editorial.

“E as circunstâncias eram desfavoráveis: chovia, a pista estava escorregadia, as reformas são recentes, faltam as ranhuras (riscos para produzir mais atrito nas rodas).

Pairando sobre o vôo 3054, havia também o Boeing da Gol e dez meses de crise, greve e prisão de controladores, nevoeiros, trocas de acusações, panes de rádios, suspeitas quanto aos radares. Um sistema em xeque. Seus operadores, sob profundo estresse. Pequenos erros podem virar grandes tragédias. E há a falta de comando do governo e a ganância das companhias”.

Para haver justiça, deve ser dito que em toda a grande mídia, dos impressos à televisão, o tom e o clima foram de um oportunismo político sem escrúpulo, que poderia assim ser resumido: “Há desgraça, estou presente. Há cadáveres, vou cheirar sua carniça”.

Os devoradores de mortos pareciam não saber de um limite para o horror. A Rede Globo de Televisão deu um show de teledramaturgia. As chamadas foram um primor de folhetim: “O maior desastre da aviação brasileira ... Duas tragédias em dez meses... Tristeza e indignação na madrugada em São Paulo... A aflição das famílias das vítimas em Porto Alegre... O medo de quem mora próximo a Congonhas”. Eram mostrados fogo, choro, convulsões, desespero, e reconstituições por recursos de computador, que misturados à narração do... repórter ....eram uma aula de insuflar emoção nas... reportagens. Lágrimas, choros, prantos, fotos de crianças mortas, de jovens sem vida no vigor dos seus anos.

Imagens do assessor especial do Presidente foram mostradas, um dia depois, no interior da sua sala, a fazer gestos que significavam coito, “estão fodidos”. Um escárnio, um insulto à memória das vítimas, porque o governo estaria a comemorar uma nova versão para os mortos.

“Olha, foi uma das cenas mais dantescas, mais cruéis que eu já vi. A nação inteira, inteira chorando, o Pan parando pra chorar e o Palácio festejando. O cara levantando as mãos, dizendo que a culpa não é do governo! Claro que é do governo. Agora, mesmo que não fosse do governo, comemorar é uma bofetada no povo brasileiro”, afirmou então o senador Pedro Simon, o paladino da hora.

Mas agora a culpa foi do manete, admitem, sem verniz na cara. Memória de abutre é pequena.

Leia outras crônicas do autor em Sapoti da Japaranduba
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Agrotóxicos em seu estômago

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http://aldoadv.files.wordpress.com/2009/05/agrotoxicos.jpg


Agrotóxicos em seu estômago

por João Pedro Stedile*, na Adital

Os ricos sabem do que estamos falando e tratam de consumir apenas produtos orgânicos. E você precisa decidir-se. De que lado está?

Os porta-vozes da grande propriedade e das empresas transnacionais estão muito bem pagos para poder defender, falar e escrever todos os dias que no Brasil já não existe mais problemas agrários. Por fim, a grande propriedade está produzindo muito mais e tendo mais benefícios. Portanto, o latifúndio já não é um problema para a sociedade brasileira. Será verdade?

Tampouco vou abordar o tema da injustiça social da concentração da propriedade da terra, que faz com que apenas 2%, ou seja, 50.000 latifundiários sejam donos da metade de toda nossa natureza, enquanto que temos 4 milhões de famílias sem direito a ela.

Falarei das consequências para você que habita na cidade da adoção do modelo agrícola do agronegócio. O agronegócio é a produção em grande escala, em monocultivos, empregando muitos agrotóxicos e maquinaria. Usam venenos para eliminar as outras plantas e não contratar mão de obra. Com isso, destroem a biodiversidade; alteram o clima e expulsam cada vez mais famílias de trabalhadores rurais de suas terras.

Na colheita passada, as empresas transnacionais, e são poucas (Basf, Bayer, Monsanto, DuPont. Sygenta, Bunge, Shell química...), celebraram porque o Brasil se tornou o maior consumidor mundial de venenos agrícolas. Foram vertidos 173 milhões de toneladas! Uma média de 3.700 quilos por cada brasileiro. Esses venenos são de origem química e permanecem na natureza. Degradam o solo. Contaminam as águas. E, sobretudo, acumulam-se nos alimentos. Os cultivos que mais usam venenos são: a cana de açúcar, a soja, o arroz, o milho, o tabaco, o tomate, a batata, a uva, as cerejas e as hortaliças. Tudo isso deixará resíduos em seu estômago. E em seu organismo afetam as células e, um dia, poderão transformar-se em câncer.

Perguntem aos cientistas de nosso Instituto Nacional do Câncer, centro de referência da investigação nacional, qual é a principal origem do câncer, depois do tabaco?

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) denunciou que existem no mercado mais de vinte produtos agrícolas não recomendáveis para a saúde humana. Porém, ninguém coloca um aviso nos rótulos dos alimentos, nem os retira das prateleiras. Antigamente, era permitido que a soja e o óleo de soja tivessem apenas 0,2mg/kg de resíduos do veneno glifosato para não causar problemas de saúde. De repente, a Anvisa autorizou que os produtos derivados da soja pudessem ter até 10,0mg/kg de glifosato: 50 vezes mais. Isso aconteceu certamente por pressão da Monsanto, pois o resíduo do glifosato aumentou com a soja transgênica, de sua propriedade.

Isso mesmo está acontecendo agora com os derivados do milho. Depois que foi aprovado o cultivo de milho transgênico, o que aumenta o uso de venenos, querem ampliar a possibilidade de resíduos de 0,1mg/kg (permitido atualmente), para 1,0mg/kg.

Existem muitos outros exemplos das consequências dos agrotóxicos. O doutor Vanderley Pignati, pesquisador da UFMT (Universidade Federal do Mato Grosso), revelou em suas pesquisas que nos municípios onde há grande produção de soja, devido ao uso intensivo de venenos, os índices de abortos e malformações de fetos são quatro vezes maiores do que a média do Estado.

Nós temos defendido que é preciso valorizar a agricultura familiar, camponesa; que essa é a única que pode produzir sem venenos e de maneira diversificada. O agronegócio, para ter escala e obter grandes benefícios, somente consegue produzir com venenos e expulsando aos trabalhadores para as cidades.

E você paga a conta com o aumento do êxodo rural, das favelas e com o aumento da incidência do veneno em seus alimentos.

Por isso, defender a agricultura familiar e a reforma agrária, que é uma forma de produzir alimentos saudáveis, é uma questão nacional, de toda a sociedade. Não é mais um problema dos sem terra. E é por isso que cada vez mais o MST e a Via Campesina se mobilizam contra o agronegócio e contra as empresas transnacionais; é por isso que seus veículos de comunicação e seus deputados e senadores nos atacam tanto. Porque estão em disputa dois modelos de produção. Está em disputa a que interesses a produção agrícola deve atender: somente o benefício ou a saúde e o bem estar da população?

Os ricos sabem do que estamos falando e tratam de consumir somente produtos orgânicos. E você precisa decidir-se. De que lado está?

* Membro da coordenação nacional do MST e da Via Campesina Brasil

Fonte: Adital

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Só EUA, Israel e Palau defendem bloqueio contra Cuba

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Só EUA, Israel e Palau defendem bloqueio contra Cuba

Mais uma vez, a Organização das Nações Unidas condenou o bloqueio aplicado pelos Estados Unidos contra a ilha. Em uma nova votação, 187 países disseram não ao bloqueio, deixando em uma posição isolada os três únicos defensores da medida: os EUA, Israel e Palau. Proibições e restrições seguem atingindo diversas áreas. Recentemente, a Orquestra Filarmônica de Nova York foi proibida pelo governo norte-americano de se apresentar em Cuba. Governo cubano vê alguns passos positivos de Obama, mas diz que eles ainda são extremamente limitados e insuficientes.

Mais uma vez, a esmagadora maioria dos países do mundo condenou, na Organização das Nações Unidas, o bloqueio imposto pelos Estados Unidos contra Cuba. Este ano, 187 países disseram não ao bloqueio, superando o recorde de votos de 2008, com dois votos a mais. EUA, Israel e Palau voltaram a integrar a pequena lista de países que votou contra o fim do bloqueio.

O governo de Cuba, por sua vez, reiterou que o bloqueio dos EUA contra a ilha permanece intacto e constitui uma violação massiva, fragrante e sistemática dos direitos humanos. “Esse cerco continua sendo uma política absurda que provoca carências e sofrimentos, aparecendo tipificado, na Convenção de Genebra de 1948, como um ato de genocídio inaceitável eticamente”, disse o chanceler cubano, Bruno Rodríguez.

Falando no plenário da Assembléia Geral das ONU, o chanceler acrescentou que essa política é um ato de ignorância e acusou Washington de mentir quando diz que se trata de um assunto bilateral. Rodríguez lembrou que a aplicação extraterritorial das leis do bloqueio, como a Helms-Burton e a Torricelli, também afeta aos demais Estados da ONU e apontou que 56 países sofreram sanções no último período, em função desta legislação. “Essas proibições, desumanas e anacrônicas, não se aplicam somente a Cuba, mas também aos países que vocês representam”, disse.

Ele falou também sobre o impacto do bloqueio, em especial nas áreas da infância, medicina, telecomunicações, alimentação, cultura e ciências. Recentemente, a Orquestra Filarmônica de Nova York foi proibida pelo governo dos EUA de tocar em Cuba.

As 1.941 embarcações que atracaram em Cuba, entre julho de 2008 e julho de 2009, foram proibidas de entrar nos portos dos EUA durante 180 dias. O chanceler destacou ainda que, segundo recentes pesquisas, 76% dos cidadãos estadunidenses se opõem ao bloqueio. Além disso, cresce a pressão do setor empresarial pelo fim do bloqueio. As empresas dos EUA estão proibidas de investir em Cuba e de entrar no mercado da ilha. Isso faz com que as empresas de outros países não sofram a competição das companhias norte-americanas em Cuba.

Ao comentar a prorrogação da aplicação do bloqueio, em setembro deste ano, Rodriguez rechaçou o pretexto do interesse nacional dos EUA, utilizado por Barack Obama. “Nenhuma pessoa séria pode sustentar que Cuba é uma ameaça é uma ameaça à segurança nacional da única superpotência”.

O governo cubano também exigiu o fim da inclusão de Cuba nas listas de supostos Estados patrocinadores do terrorismo e exigiu a libertação de cinco ativistas cubanos presos nos EUA desde 1998. “O presidente Obama tem a oportunidade histórica de mudar essa política e acabar com o bloqueio. Ele tem os instrumentos executivos que permitiriam, agora mesmo, modificar substancialmente a aplicação das medidas de bloqueio”, observou o chanceler, que qualificou como positivos, mas extremamente limitados e insuficientes, diversos passos dados pela Casa Branca para desmontar as duríssimas restrições aplicadas pelo ex-presidente George W. Bush.

“A realidade é que ainda não voltamos sequer à situação de 2004, quando os EUA permitiam um certo nível de intercâmbio com contrapartidas cubanas”.

Fonte: Carta Maior

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Juanita e o passado sinistro do Itamaraty

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Juanita e o passado sinistro do Itamaraty

O Ministério das Relações Exteriores atravessou todo o período da ditadura militar como se vivéssemos no melhor dos mundos, enquanto perseguia diplomatas - intelectuais como Antonio Houaiss, Vinícius de Morais, João Cabral de Melo Neto entre muitos. E prestou-se a papéis indignos mesmo antes do golpe de 1964. Vale a pena lembrar tais coisas embora neste momento o Itamaraty, com o ministro Celso Amorim à frente, conduza com sucesso uma política externa exemplar.


Há uma particularidade insólita sobre nosso ministério das Relações Exteriores, o velho Itamaraty. Sempre desfrutou de boa imagem, menos por merecê-la do que pela prática nefasta, talvez de muitos anos, de varrer a sujeira para debaixo do tapete. Atravessou, por exemplo, todo o período da ditadura militar como se vivéssemos no melhor dos mundos, enquanto perseguia diplomatas - intelectuais como Antonio Houaiss, Vinícius de Morais, João Cabral de Melo Neto entre muitos. E prestou-se a papéis indignos mesmo antes do golpe de 1964.

Vale a pena lembrar tais coisas embora neste momento o Itamaraty, com o ministro Celso Amorim à frente, conduza com sucesso uma política externa exemplar. O que sugere revisitar a questão é a iniciativa de uma cubana de Miami, 76 anos de idade, notória pelo detalhe de ser irmã de Fidel e Raul Castro, de revelar num prolixo livro de memórias (Fidel y Raúl, Mis Hermanos – La Historia Secreta, 432 páginas), ter sido agente da CIA, central de espionagem dos EUA, graças à diplomacia brasileira.

Juanita Castro não fez a revelação nesses termos, mas o que escreveu (ou o que escreveu para ela a co-autora mexicana Maria Antonieta Collins, especialista em livros de auto-ajuda que ensinam dietas, receitas, como lidar com ex-maridos, livrar-se do vício do cartão de crédito, etc) permite chegar a tal conclusão. Sem atribuir explicitiamente a carreira de espiã à nossa diplomacia, ela diz ter sido recrutada para a atividade pouco nobre através da mulher do embaixador Vasco Leitão da Cunha, que então servia em Havana.

O péssimo exemplo da embaixatriz

É conveniente esclarecer que, entre outras coisas, agora Juanita se diz traída duas vezes - uma pelo irmão Fidel, a outra pela CIA e os EUA. No primeiro caso, a gente entende: como governante Fidel optou por cuidar dos problemas do país, não dos interesses da família. Quanto ao país que a recebeu, queixou-se de que a CIA no governo do presidente Nixon, eleito em 1968, pediu a ela para mudar o discurso e sustar os ataques a Cuba e Fidel - ou seja, dizer o contrário do que dizia até então.

Mas voltemos à diplomacia. Como chefe da missão do Brasil, o embaixador Leitão da Cunha recebera Juanita como asilada em 1958, ainda no governo JK. Ela alegara correr risco por ser irmã de Fidel, então líder dos guerrilheiros que lutavam contra o ditador Fulgencio Batista. Vitoriosa a revolução no primeiro dia de 1959, ela deixou a embaixada. E em 1961, depois do fracasso (em abril) da invasão da CIA (na baía dos Porcos) a embaixatriz Virginia Leitão, ciente da atividade dela contra o governo revolucionário do irmão, chamou-a para uma conversa. E sugeriu que passasse a colaborar “com uns amigos que conhecem seu trabalho (contra o governo) e querem ajudá-la”.

De acordo com a versão, Virginia encarregou-se de promover o encontro de Juanita com um dos “amigos”, Tony Sforza, então usando o codinome “Enrique”, depois de ter atuado um tempo sob o disfarce de jogador e frequentador de cassinos, com o codinome “Frank Stevens”. Logo depois Juanita passava a operar como agente da CIA em território cubano, com o codinome “Donna”. A se acreditar no livro, durante quase três anos (até 1964, quando foi para os EUA), ela “protegia”, inclusive escondendo em sua casa, críticos e opositores da revolução.

As relações promíscuas de diplomatas

Daí em diante Juanita foi usada permanentemente pela CIA como arma de propaganda. A ligação dela com a espionagem americana não era segredo. Já em 1975, no seu livro Inside the Company - CIA Diary, o ex-espião Philip Agee, citou-a como “agente de propaganda da CIA”. E num livro póstumo de 2005, Spymaster - My Life in the CIA, o célebre Ted Schackley, controvertido ex-chefe de operações da agência, revelou publicamente, pela primeira vez, que o contato da CIA com Juanita Castro tinha sido feito através da embaixatriz brasileira Virginia Leitão da Cunha.

Difícil é entender porque o fato ainda era ocultado no Brasil e porque não se tenta saber mais sobre as relações promíscuas de diplomatas e gente direta ou indiretamente ligada ao Itamaraty, dentro e fora do país? O mesmo livro que fizera (em 1975) a primeira referência à relação de Juanita com a CIA também registrara que no Uruguai, na década de 1960, o embaixador brasileiro Manuel Pio Corrêa atuara como espião da CIA.

Mas só em julho de 2007, graças a série de reportagens do Correio Braziliense durante quatro dias seguidos, o país soube a extensão do papel de Corrêa. Depois de passar pelo Uruguai e pela Argentina ele foi premiado com a secretaria geral do Itamaraty e usou o cargo - e os superpoderes recebidos no governo Castello Branco - para criar insólita máquina de espionagem no ministério, com alcance mundial. Um certo Centro de Informações do Exterior (CIEX) dedicava-se a monitorar em toda parte, com a ajuda de nossos diplomatas, os exilados brasileiros e críticos do regime militar.

D. Hélder e a espionagem de Pio Corrêa
Por alguma razão desconhecida a grande mídia do resto do país, cúmplice do golpe de 1964 e beneficiária da ditadura durante 20 anos, preferiu praticamente ignorar o conteúdo daquelas reportagens. Mas um dos efeitos conspícuos da ação do CIEX pode ter sido a campanha mundial orquestrada pela diplomacia brasileira para impedir a concessão do prêmio Nobel da Paz ao arcebispo Hélder Câmara, que denunciava torturas e abusos contra os direitos humanos no Brasil. A maquinação torpe devia ser hoje motivo de estudo e repúdio na formação dos futuros diplomatas.

Mas os segredos do Itamaraty, ao contrário, parecem intocáveis. No seu livro de memórias, O mundo em que vivi, o próprio Pio Corrêa, ao negar perseguição a Vinícius de Moraes (que se desligou, alega ele, num acordo amistoso) vangloriou-se de ter demitido “pederastas”, “vagabundos” e “bêbados”. Houaiss e João Cabral já eram perseguidos antes da ditadura, como alvos de campanha macarthista liderada, ainda no início da guerra fria, pela Tribuna da Imprensa ao tempo de Carlos Lacerda, que os denunciava como subversivos em manchetes de primeira página.

Seria no mínimo saudável arejar esse passado recente e não perpetuar o sigilo. O Itamaraty foi suspeito antes de ocultar seus erros e ainda os gastos elevados, como se fosse uma caixa preta. O fato de alguém como Virginia Leitão da Cunha - cujo marido ocupou altos cargos, foi até ministro do Exterior da ditadura - ter atuado como espiã a serviço de potência estrangeira, dentro da embaixada brasileira, e recrutado agente para serviço de espionagem de outro país, é vergonha que tem de ser exposta à execração pública, para o exemplo nunca ser seguido. E se deixar de ser feita coisa parecida em relação aos Pio Corrêa da vida, a impunidade funcionará como estímulo no futuro ao mesmo comportamento deprimente - que revela subserviência e rebaixa a qualidade de nossa diplomacia.

Blog de Argemiro Ferreira


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O PiG (*) substitui a oposição e se torna a oposição!

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Na Divina Comédia de Dante Aligheri, Cérbero era o cão faminto na porta a atormentar os gulosos. (Ilustração: Gustavo Doré)

Na Divina Comédia de Dante Aligheri, Cérbero era o cão faminto na porta do inferno a atormentar os gulosos. (Ilustração: Gustavo Doré)


Ex-comunistas, Dora Kramer e Míriam Leitão apontam para a oposição os rumos e a resposta à velha máxima de Lênin: “o que fazer?”

por Olímpio Cruz Neto


Jornalista com mais de 20 anos de profissão e passagem por alguns dos principais jornais brasileiros – Folha, Globo, JB, Zero Hora e Correio –, sei como funcionam as grandes redações. A linha editorial de cada veículo é definida pelos donos dos veículos e seguida à risca pelos editores e colunistas. É a regra do jogo. Entra nele quem quer.

Da janela do meu trabalho, aqui em Brasília, admito que surpreendo-me muito pouco com o comportamento da grande imprensa. Mas, quando tais surpresas revelam essa lógica estranha da inversão de papéis, é difícil acreditar. No jogo político, a imprensa agora é a principal protagonista. À oposição, resta seguir as orientações gerais de colunistas.

Assistindo à palestra de Paulo Henrique Amorim, na última segunda-feira, num evento realizado pela Escola Livre de Jornalismo e Iesb, vi a reação da platéia à uma declaração do veterano jornalista, blogueiro à frente do Conversa Afiada. Provocador e sarcástico, ele bateu duro ao dizer que, no Brasil, agora “não há mais política partidária, não há mais negociação política. Hoje, a política se trava no PIG”. A sigla é o que Paulo Henrique alardeia como “Partido da Imprensa Golpista”.

Ataques

Pode parecer um exagero de retórica. Mas não é. De fato, quem orienta o carnaval da oposição não são os líderes demos e tucanos. São jornalistas. Claro, os jornalistas da grande imprensa. Quem acompanha os jornalões e os telejornais sabem do que estou falando. A virulência de alguns colunistas na hora de bater no governo Lula é sempre maior do que a medida em qualquer outro momento da história recente.

“Porrada, nos caras que não fazem nada!” A máxima daquela canção dos Titãs é empregada com um vigor messiânico. Mas, agora, não apenas contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. É contra a própria oposição. Escolhi aqui dois artigos de duas das mais importantes colunistas da imprensa nacional, Dora Kramer e Míriam Leitão, para mostrar como o protagonismo político migrou do Congresso Nacional para as redações de dois dos mais influentes jornais do país: O Globo e O Estado de S.Paulo.

O tom de indignação, a verve colérica das duas experientes jornalistas se voltaram, nas últimas semanas deste mês de outubro, exatamente a um ano das eleições presidenciais, não apenas contra o governo do PT. Também contra os líderes do PSDB e Democratas. Tome-se o artigo “Uma nação de cócoras”, de autoria de Dora Kramer, publicada no Estadão em 15 de outubro.

A colunista mostra-se irritada com a falta de firmeza dos dirigentes oposicionistas, diante das peripécias de Lula, que ousou ir até às margens do São Francisco para participar de uma “vistoria” das obras de transposição do rio.

Lições

Escreve Dora Kramer: “Objetivamente: qual a necessidade de o presidente da República passar três dias vistoriando obras do projeto de transposição das águas do Rio São Francisco em quatro Estados, na companhia de uma vasta comitiva de ministros, entre eles a chefe da Casa Civil?” Ela mesma responde: “(…) como o objetivo não é verificar coisa alguma e a publicidade pura e simples, no caso, não cumpre o objetivo, o presidente Luiz Inácio da Silva ocupa três dias úteis dos raros que tem passado no país com uma turnê de acampamentos e pronunciamentos de caráter pura e explicitamente eleitoral”.

O esporro geral da jornalista é na oposição: “Mas o que espanta já não é mais o que Lula faz. O que assusta é o que deixam que ele faça. E pelas piores razões: uns por oportunismo deslavado, outros por medo de um fantasma chamado popularidade, que assombra – mas, sobretudo, enfraquece – todo o país. Fato é que os poderes, os partidos, os políticos, as instituições, as entidades organizadas, a sociedade estão todos intimidados, de cócoras ante um mito que se alimenta exatamente da covardia alheia de apontar o que está errado. Por receio de remar contra a corrente, mal percebendo que a corrente é formada justamente por força da intimidação geral, temor de ser enquadrado na categoria dos golpistas”.

O tom leninista da camarada Dora Kramer é de um chamamento geral. Como diria o presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, é preciso chamar os tucanos e os demos “às falas”. E ela o faz: “O governador de Minas, e de forma mais contida o de São Paulo, José Serra, acham que fazendo vista grossa a todo e qualquer tipo de transgressão estão sendo politicamente espertos, quando apenas fogem de suas responsabilidades como homens públicos que se pretendem ‘íntegros’, conforme pregou outro dia o governador Serra. Não contestam coisa alguma, coonestam e assim vão amaciando, ‘respeitosamente’, o caminho rumo ao Palácio do Planalto”.

Desencanto

O desencanto com os próceres da oposição também atravessou 400km que separam São Paulo do Rio de Janeiro para ganhar um lustro mais vistoso de Míriam Leitão. A fúria foi despejada ontem pela jornalista de O Globo, que também atua na rádio CBN, na GloboNews e na TV Globo. Em sua coluna no diário da família Marinho, na edição desta terça-feira, 27 de outubro, também ela resolveu ocupar o vácuo e assumir o papel de ideóloga. No artigo “O papel da oposição”, ela afirma que “a oposição tem medo da popularidade do presidente e acha melhor não apontar suas falhas sequenciais”.

E escreve, sem dó nem pena de tucanos e demos, para reclamar de como o anúncio do pré-sal foi montado para beneficiar a pré-candidata Dilma Rousseff e que os tucanos nada fazem: “O projeto de regulação tem uma sucessão de erros, mas lá estava Serra no lançamento, reclamando apenas dos royalties. Cabe à oposição, de qualquer partido, mostrar os equívocos do caminho escolhido que favorece uma empresa de capital aberto, tira transparência do processo de escolha de investidores e não pesa o custo ambiental da exploração”.

A irritação é grande. Há um certo desencanto. Os tucanos levaram um pito. “O presidente deu uma entrevista em que nem Cristo foi poupado. Tudo o que Serra disse foi uma ironia de pouco alcance: Quando Lula ficou três dias num carnaval fora de hora, em cima de um palanque, com dinheiro público, alegando fiscalizar uma obra, Serra falou algo sobre irrigação nas terras ribeirinhas, e há um movimento de se saber o custo da viagem”.

Parece que as duas colunistas do Estadão e Globo cansaram da falta de ânimo dos líderes da oposição para empunhar uma bandeira que nem eles mesmos sabem quais são. A tática sugerida é: “Vamos lá, partam para cima e destruam”. Os governadores José Serra (SP) e Aécio Neves (MG) não estão seguindo o papel combinado. A plataforma programática, o plano estratégico de ação e as táticas a serem adotadas pelos partidos da oposição estão na mesa. É pegar ou largar. Ambas assumiram a condição de protagonistas do jogo político.

“Cérbero”

As duas colunistas estão hoje na posição do “Cérbero” da grande imprensa. Para quem conhece mitologia grega, sabe que esse era o nome do grande cão de inúmeras cabeças que vigiava o poço de entrada de Hades, o reino subterrâneo dos mortos. A função era deixar as almas entrarem naqueles domínios para jamais saírem. “Cérbero”, contudo, era implacável com os incautos, despedaçando-os em pedaços. Na Divina Comédia de Dante, o cão aparecia no Inferno dos Gulosos.

Curioso é que tanto Dora quanto Míriam, alçadas à condição de guardiãs da grande mídia, ideólogas da oposição e da grande imprensa, tiveram uma juventude de militância em agremiações comunistas. Dora, no antigo PCB. E Míriam, no PC do B.

Isso foi no passado. É lógico que elas amadureceram e deixaram os fundamentos leninistas de lado. Contudo, a conversão aos ideais liberais não tirou delas o raciocínio político claro.

Nessa disputa política, o ativismo das duas seria mais interessante fora das colunas dos jornalões. Seria melhor tê-las no Senado Federal. Ou, quem sabe, numa chapa presidencial. As eleições de 2010 estão aí, e ainda há tempo. Chega de intermediários. Enfim, coloquemos a grande imprensa atrás de votos, disputando com Lula a preferência do eleitorado. Aos mouros da oposição, caberia bater palmas e apoiá-las.

Só há um risco: a derrota política. É bom lembrar que, na mitologia grega, Hércules apoderou-se de “Cérbero”, subjugando-o.

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Segue, abaixo, a íntegra dos artigos de Dora e Míriam. Boa leitura!

Uma nação de cócoras

por Dora Kramer

Objetivamente: qual a necessidade de o presidente da República passar três dias vistoriando obras do projeto de transposição das águas do Rio São Francisco em quatro Estados, na companhia de uma vasta comitiva de ministros, entre eles a chefe da Casa Civil?

Para uma vistoria, engenheiros dariam conta do recado. Para uma prestação de contas à sociedade com a finalidade de mostrar que as obras estão andando, há verbas (abundantes) de propaganda institucional.

Mas, como o objetivo não é verificar coisa alguma e a publicidade pura e simples, no caso, não cumpre o objetivo, o presidente Luiz Inácio da Silva ocupa três dias úteis dos raros que tem passado no País com uma turnê de acampamentos e pronunciamentos de caráter pura e explicitamente eleitoral.

Isso quando há problemas graves que mereceriam do presidente mais que referências ligeiras ou declarações de natureza político-partidária, ora em sentido de ataque, ora de defesa.

Exemplos mais recentes: o cancelamento por fraude do Enem e o confisco temporário de parte da devolução do Imposto de Renda para cobrir gastos públicos contratados pela necessidade de sua excelência alimentar o mito do grande beneficiário da Nação, empreendedor ousado.

Mas o que espanta já não é mais o que Lula faz. O que assusta é o que deixam que ele faça. E pelas piores razões: uns por oportunismo deslavado, outros por medo de um fantasma chamado popularidade, que assombra – mas, sobretudo, enfraquece – todo o País.

Fato é que os Poderes, os partidos, os políticos, as instituições, as entidades organizadas, a sociedade estão todos intimidados, de cócoras ante um mito que se alimenta exatamente da covardia alheia de apontar o que está errado.
Por receio de remar contra a corrente, mal percebendo que a corrente é formada justamente por força da intimidação geral, temor de ser enquadrado na categoria dos golpistas.

Tomemos o partido de oposição que pretende voltar ao poder nas próximas eleições, o PSDB, pois ontem um dos postulantes à candidatura presidencial, o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, manifestou-se com muita clareza a respeito dessa última e mais atrevida turnê eleitoral financiada com dinheiro do bolso de quem é partidário do presidente e de quem não é.

“Acho que o presidente tem todo direito de viajar pelo País. Isso faz parte do jogo político. Eu não me preocupo com essas viagens. Acho que elas são legítimas, da mesma forma que nós, da oposição, de forma extremamente respeitosa, temos de ter nossa estratégia. Isso é a democracia”, disse o governador, num momento de acentuado equívoco.

Pelo seguinte: não se trata de a oposição se preocupar eleitoralmente ou não com as viagens de Lula. Inclusive porque a questão não são as viagens, mas a natureza eleitoral, partidária, portanto, e o fato de transgredirem a lei no que tange ao uso da máquina pública.

A declaração do governador de Minas, sendo ele quem é no cenário político e em particular de seu partido, representa a voz do PSDB. Que, portanto, não apenas aceita que o dinheiro público seja usado pelo governante para financiamento de campanha como, ao achar tudo muito “natural e legítimo”, confessa que faria (se já não faz) o mesmo.

O governador de Minas, e de forma mais contida o de São Paulo, José Serra, acham que fazendo vista grossa a todo e qualquer tipo de transgressão estão sendo politicamente espertos, quando apenas fogem de suas responsabilidades como homens públicos que se pretendem “íntegros”, conforme pregou outro dia o governador Serra. Não contestam coisa alguma, coonestam e assim vão amaciando, “respeitosamente”, o caminho rumo ao Palácio do Planalto.

Pode até ser que a estratégia dê certo sob o ponto de vista eleitoral da oposição. Mas é um desserviço à democracia, que, ao contrário do que parece pensar o governador Aécio, não significa liberdade para transgredir, mas respeito ao direito – e ao dinheiro – de todos.

Estadão, 15 de outubro de 2009

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O papel da oposição

por Míriam Leitão

O Brasil tem governo demais e oposição de menos. O presidente Lula fala e faz o que bem entende sem um contraponto. A oposição tem medo da popularidade do presidente e acha melhor não apontar suas falhas sequenciais. O PSDB se omite em questões importantes, o DEM é temático, o PSB é oficialmente da base, o PV começa a desenhar uma alternativa, o PMDB é governo e sempre será.

O novo ministro do Supremo José Antonio Toffoli não foi escolhido por seu currículo, mas por sua extensa folha de serviços prestados ao PT.

Nos Estados Unidos, a juíza Sonia Sotomayor foi sabatinada por uma semana pelo Senado, e os republicanos quiserem saber o sentido de cada ato e declaração dela antes de aprová-la.

Aqui, bastou meia dúzia de perguntas dos partidos de oposição, durante uma tarde, e ele foi aprovado. Na posse de Toffoli, lá estava na primeira fila batendo palmas para ele o governador José Serra, que é o nome da oposição que está na frente em todas as pesquisas de intenção de votos.

O anúncio do pré-sal foi montado como um palanque para a candidata Dilma Rousseff, e o projeto de regulação tem uma sucessão de erros, mas lá estava Serra no lançamento, reclamando apenas dos royalties.

Cabe à oposição, de qualquer partido, mostrar os equívocos do caminho escolhido que favorece uma empresa de capital aberto, tira transparência do processo de escolha de investidores e não pesa o custo ambiental da exploração.

O PAC das cidades históricas é uma versão empobrecida de um projeto do governo passado, mas lá estava batendo palmas o governador de Minas, Aécio Neves, outro pré-candidato do PSDB.

O presidente deu uma entrevista em que nem Cristo foi poupado. Tudo o que Serra disse foi uma ironia de pouco alcance: Quando Lula ficou três dias num carnaval fora de hora, em cima de um palanque, com dinheiro público, alegando fiscalizar uma obra, Serra falou algo sobre irrigação nas terras ribeirinhas, e há um movimento de se saber o custo da viagem.

Mas a transposição do Rio São Francisco deve ser discutida também por uma série de outros motivos. Teve licença ambiental condicionada a exigências até agora não cumpridas. O rio sofre com assoreamento, esgoto sanitário de inúmeras cidades ribeirinhas, e destruição da mata ciliar. A população não pode ficar na situação de apenas se queixar ao bispo.

O presidente Lula tem atacado o TCU sucessivamente e avisa que vai apresentar uma lista de absurdos que pararam obras importantes.

A oposição sabe a lista de absurdos encontrados nas obras do PAC ou fora dele?

É melhor que saiba porque o governo informa que está pensando em criar um conselho para que as obras contestadas sejam liberadas em rito sumário.

O governo atrasa a restituição de Imposto de Renda às pessoas físicas; desmoraliza, por erros gerenciais e falta de controle, o programa de avaliação do ensino médio; planeja construir dezenas de termoelétricas a combustível fóssil nos próximos anos; permite que o setor elétrico se transforme em feudo familiar de um aliado; faz ameaças públicas a uma empresa privada; o Rio afunda numa angustiante crise de segurança. Isso para citar alguns eventos recentes sobre os quais os políticos de oposição ou fazem protesto débil ou frases de efeito.

O Bolsa Família é um programa que distribui renda para quem precisa e tem o direito de receber. Mas um dos seus méritos iniciais, quando nasceu como Bolsa Escola em experiências municipais, era não ser uma concessão assistencialista. Está perdendo essa virtude.

Seu maior desafio como política pública era ter uma porta de saída, ser uma alavanca para a mobilidade social. O governo não formatou essa porta de saída e o programa começa a perder qualidade.

A oposição tem medo de criticar o que está errado no projeto, tem medo de desmascarar o uso político-eleitoral do programa, e de propor avanços. Toda política pública é uma ferramenta. O Bolsa Família pode e deve ser aperfeiçoado, sem ser abandonado.

O Globo, 27 de outubro de 2009

Fonte: Blog do Olímpio Cruz Neto


Na foto, Agripino Maia e Arthur Virgílio

Na foto, Agripino Maia e Arthur Virgílio


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Gilmar defende Zé Pedágio, que quer dar o calote nos velhinhos

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Será que o Ali Camel (**) pensa que o espectador é burro ?


Gilmar defende Zé Pedágio, que quer dar o calote nos velhinhos

por Paulo Henrique Amorim

No jornal nacional de hoje houve uma reportagem sobre o projeto de dar o calote nos velhinhos.

Clique aqui para ver que esse projeto tem como objetivo fazer caixa para a campanha do Zé Pedágio.

A reportagem do jornal nacional culmina, como sempre, no ápice do Sistema Solar, com uma entrevista – 982ª. da semana – do Supremo Presidente do Supremo, Gilmar Dantas (*).

Numa de suas costumeiras manifestações de obviedade lancinante, o Presidente Supremo do Supremo, o Sol do sistema jurídico brasileiro, diz esperar que a Justiça seja feita.

Inacreditável.

Jamais se imaginou que um Juiz da Suprema Corte fosse capaz de raciocínio tão brilhante !

Mas, aí, veio o “mas”.

Sim, Justiça, disse Ele, desde que se preserve a saúde financeira de Estados e Municípios.

O Estado que mais pretende dar calote nos velhinhos é o de São Paulo.

A Prefeitura que mais calotes tem a dar aos velhinhos é a de São Paulo.

Gilmar vai, volta, vai, volta e acaba por desempenhar o papel a que demonstra se acostumar: proteger o Farol de Alexandria e seus pimpolhos, como Zé Pedágio e o poste que se tornou prefeito de São Paulo.

Paulo Henrique Amorim

Em tempo 1: Gilmar não trabalha ? Ele não julga ? Ele não vota ? Ele dá expediente no STF ? Como é que ele consegue tanto tempo para dar entre vistas ? Parece o Roger Agnelli, que dá mais entrevista que a Daniela Cicarelli.

Em tempo 2: O Ali Camel (**) pensa que o espectador é burro e não percebe os malabarismo da edição das reportagens do jornal nacional ?

(*) Acompanhe aqui, amigo navegante, como um ilustre jornalista do Globo, do Globo !, se refere a Ele

(**) Ali Camel é aquele que se utiliza da Globo para povoar mentes desérticas e disseminar idéias conservadoras e golpistas (sem muito sucesso).

Fonte: Conversa Afiada

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Lula vai à Record e espinafra a Globo: chega de monopólio !

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Lula partiu para o ataque

Lula partiu para o ataque

por Paulo Henrique Amorim


Na inauguração de estúdios do RecNov, a central de novelas da Record no Rio, o presidente Lula espinafrou a Globo.

Disse que não faz sentido o Brasil depender de uma única emissora para ver novela.

Diz que não faz sentido depender de uma única emissora para ter informação.

O Presidente Lula foi mais longe e partiu para cima dos colonistas (*) da Globo (você, amigo navegante, sabe quem são …).

Lula disse que não podemos ser vítimas de formadores de opinião que querem que você tenha uma única opinião.

A deles.

Querem que você compartilhe de um pensamento único.

O Conversa Afiada, modestamente, considera que o Presidente Lula lê este modesto site e gostou do nosso PUM – o Pensamento Único da Midia (golpista) !

Ontem, o Presidente Lula tinha peitado o Supremo Presidente do Supremo e o tratou como o que ele é: um de onze ministros do Supremo, que, breve, será reduzido à sua insignificância ministerial.

Clique aqui para ler Lula peita Gilmar.

O Presidente Lula resolveu ir para o ataque.

Paulo Henrique Amorim

Em tempo: o Ali Camel (*) pensa que o espectador é burro e vai acreditar no que ele diz …

Clique aqui para ler sobre a defesa que o jornal nacional (via Gilmar Dantas (**) fez do calote nos velhinhos que Zé Pedágio quer aprovar na Câmara.


(*) Ali Camel é aquele que se utiliza da Globo para povoar mentes desérticas e disseminar idéias conservadoras e golpistas (sem muito sucesso).

(**) Acompanhe aqui, amigo navegante, como um ilustre jornalista do Globo, do Globo !, se refere a Ele

Fonte: Conversa Afiada

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CUBA

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Diretora geral da OMS diz que Fidel "parece esplêndido"

por Jeff Franks, na Reuters Brasil

HAVANA (Reuters) - Fidel Castro "parece esplêndido", disse nesta quarta-feira a diretora geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Margaret Chan, depois de se encontrar com o ex-líder cubano de 83 anos, que deixou a Presidência no ano passado devido a um problema de saúde.

Chan disse que conversou com Fidel por mais de duas horas na terça-feira, e que ele exibiu um conhecimento "realmente impressionante" de questões relacionadas ao sistema de saúde, e parecia em boas condições físicas.

"Sou médica, entendo a importância da confidencialidade, mas tenho que dizer que ele pareceu esplêndido", disse Chan durante uma coletiva de imprensa em Havana.

Quando a reunião acabou, "fiquei humilde. Ele me acompanhou até a porta --foi uma grande distância, (ele estava) muito forte", disse sobre a condição física de Fidel.

O ex-líder cubano não é visto em público, com exceção de imagens de TV e fotografias, desde julho de 2006, quando foi submetido a uma cirurgia no intestino. Em fevereiro de 2008, ele deixou a Presidência depois de 49 anos, citando razões de saúde, e foi substituído por seu irmão mais novo, Raúl Castro, de 78 anos.

Fidel ainda recebe líderes de outros países e escreve colunas, frequentemente sobre questões internacionais, para a mídia cubana.

Chan disse que visitou instalações médicas cubanas e ficou impressionada com o sistema de saúde na ilha, que é gratuito para todos os cubanos.

Citando os fortes indicadores de saúde da ilha, como expectativa de vida e mortalidade infantil, ela disse: "em um país com esse nível de desenvolvimento econômico, ser capaz de alcançar esses índices muito bons de saúde não é fácil".

Cuba, ela disse, "tem a visão certa e está na direção certa. A saúde é uma política estatal e a saúde é vista como um direito do povo".

O sistema de saúde cubano é elogiado por suas medidas preventivas e cuidados básicos, mas também sofre de problemas como falta de remédios e equipamento e instalações precárias.

Fonte: Vi o Mundo

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quarta-feira, 28 de outubro de 2009

AFEGANISTÃO

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Obama cederá no Afeganistão?


por Robert Dreyfuss, na The Nation [excerto]


Christine Fair, estudiosa dos conflitos chamados Af-Pak [Afeganistão-Paquistão], fala sobre o que Obama provavelmente fará (...):

"Acho que temos de manter a missão de treinamento. De fato, é possível que tenhamos de aumentar nosso contingente de soldados para conseguirmos cair fora de lá. Nesse momento a missão de treinamento está desesperadamente carente de pessoal. Só um, de cada três postos, está ocupado. Portanto, se mais soldados forem enviados para a missão de treinamento, em vez de postos em missão de combate, poderemos organizar as coisas de modo a conseguir dar o fora de lá. E não será difícil argumentar que ‘Aqueles soldados precisam de apoio’.”

Fair, observadora inteligente, é forte adversária do culto da COIN [ing. counterinsurgency), e ridiculariza os que confundem os Taliban e Al-Qaeda. Adiante, transcrição de alguns de seus comentários, em entrevista, que vale a pena ler:

PERGUNTA: Você tem alguma ideia de o que Obama fará?

FAIR: Não. Acho que estamos vivendo momento de genuína confusão sobre quais são nossos interesses nacionais. E não ajuda haver gente que diz que, se não derrotarmos decisivamente os Talibã, ‘então’ a Al-Qaeda voltará. A ideia que acho mais estranha é “se deixarmos que os Talibã voltem, em seguida a Al- Qaeda voltará.” É ideia completamente sem sentido, porque os Talibã jamais saíram do Afeganistão. Pode-se dizer que os Talibã já voltaram, dado que jamais saíram. Consolidaram e expandiram sua posição, e entraram, como cunhas, em áreas nas quais antes não entravam e eram áreas consideradas seguras.

Portanto, deveríamos estar propondo uma pergunta diferente. Não ‘Como derrotar os Talibã?’, porque essa pergunta pressupõe que os Talibã sejam derrotáveis por nossos recursos nacionais e – não sei dizer de modo mais suave – por aquele presidente cleptocrata narcotraficante reeleito por fraude massiva e parceiro dos EUA em Kabul. A pergunta que deveríamos estar fazendo, portanto, não é “Como derrotar os Talibã?”, mas “Como agir para defender nossos interesses contra a Al-Qaeda apesar de os Talibã continuarem ativos como sempre?”

Deve-se acrescentar que o ‘retorno’ dos Talibã foi excepcionalmente facilitado pelo próprio Karzai. Estive lá, como monitora para as eleições, e os noticiários só faziam repetir histórias sobre negócios e conchavos feitos por Karzai para garantir que urnas cheias de votos atravessassem todos os territórios [dos Talibã] sem qualquer impedimento, ao mesmo tempo em que os cidadãos estavam sendo de fato ‘dispensados’ de votar, para, assim, não desmoralizar a decisão dos Talibã de impedir as eleições! Karzai portanto, de fato, facilitou os negócios com os Talibã, para viabilizar sua fraude eleitoral. E em outros casos, os comandantes Talibã contestaram as eleições nas províncias, diretamente ou mediante prepostos. Mas, de fato, não ameaçaram a realização de eleições. Isso significa que, no plano do engajamento político, os Talibã já estão no jogo.

E há outra coisa que me deixa furiosa, além de Al-Qaeda e os Talibã, e que parece ser, mesmo, o nome do jogo. A palavra “Talibã” passou a significar tudo, qualquer coisa e, ao mesmo tempo, nada. O fato de que não conseguirmos pegar Mullah Omar não significa que qualquer comandante num distrito de narcotraficantes em Helmand seria invencível, porque é aliado de Mullah Omar. Fato é que precisamos fazer debate verdadeiro, real, honesto, sobre o que acontece lá, os erros que cometemos. Quais ainda podem ser remediados e quais são irremediáveis?

E aí está outro motivo pelo qual a abordagem da ‘contrainsurgência’ não funciona e jamais funcionará. Já cometemos erros irremediáveis. Por exemplo, permitir que a Aliança do Norte[1] voltasse, aqueles senhores-da-guerra recuperados que os afegãos odiavam. Nós não apenas permitimos que voltassem; nós os convertemos em avalistas de nosso problema de segurança. Daí nasceram inúmeros outros problemas. Porque quando os paquistaneses viram que a Aliança do Norte estava de volta, apesar das muitas promessas dos EUA de que não deixaríamos que a Aliança do Norte tomasse Kabul, os paquistaneses interpretaram o resultado como ‘entregar o ouro ao bandido’. Porque lá estavam eles de volta, levando suprimentos à Aliança do Norte, com uma base aérea no Tajiquistão que usavam para reabastecer a Aliança do Norte; e com um agente militar lá, para treinar a Aliança do Norte. Assim, houve boas razões para os paquistaneses considerarem a Aliança do Norte como avatar da Índia: eram, mesmo, uma espécie de simulacro da Índia!

Conversei com um general-brigadeiro indiano que se vangloriava de ter treinado a Aliança do Norte naquela base. Boa parte dessas informações é de domínio público, embora os indianos costumassem negar tudo. Hoje, os indianos dizem “Não fosse por nós, vocês não teriam a Aliança do Norte para ajudá-los a entrar no Afeganistão.” E os indianos orgulham-se de seu currículo com a Aliança do Norte. E isso explica também por que, quando a Aliança do Norte voltou, os paquistaneses rapidamente reavaliaram o quadro e concluíram que os norte-americanos não estavam entendendo grande coisa do caso no qual se estavam envolvendo. Além do mais, os paquistaneses não tinham interesse em opor-se aos Talibã. Acho que aí está a razão pela qual, em linhas gerais, os paquistaneses apoiaram os EUA, ao mesmo tempo em que permaneceram estrategicamente ligados também aos Talibã.

PERGUNTA: Se há meio para sairmos disso, temos de começar pelos paquistaneses, conseguir que eles tragam os Talibã à mesa de negociações? E é possível que isso implique dar alguma coisa que paquistaneses e sauditas desejem, porque precisamos da cooperação deles?

FAIR: Esse é um dos modos de formular o problema. Prefiro uma abordagem um pouco diferente. Se você admite que os Talibã são nossa principal preocupação de segurança, então, o seu modo de colocar as coisas está correto. Mas não me parece que os Talibã sejam nossa principal preocupação de segurança. Os Talibã são um bando de caipirões [ing. Hillbillies]. São uma insurgência paroquial, territorial. Apesar do muito que se fala deles, não têm, de fato, uma agenda internacional. São focados no Afeganistão. Ponto final. O que nos preocupa é a Al-Qaeda. E há mais Al-Qaeda em operação no Paquistão do que no Afeganistão, e há mais grupos terroristas internacionais operando no Paquistão que no Afeganistão. Uma vasta maioria dessas conspirações terroristas internacionais que agem na Europa e no Reino Unido têm pegadas no Paquistão. Obviamente, Jaish-e Muhammad, Lashkar-e Taiba, e a lista é enorme. Todos esses estão no Paquistão. E o Paquistão usa grupos militantes há 60 anos, como parte de sua política. (...)

Minha opinião é que erramos tanto, nessa avaliação, que é quase cômico! Metemos soldados no Afeganistão. Temos, agora, que aplacar o Paquistão, ‘conversá-los’, fazê-los sentirem-se importantes, jogar dinheiro lá, porque precisamos do Paquistão para nos dar apoio logístico. Então, temos essa narrativa que diz sobre estabilizar o Afeganistão porque precisamos de suporte paquistanês. A meta não é estabilizar o Afeganistão. De fato, é praticamente o contrário. Temos de estar em lugar diferente, em outro tipo de posição, no Afeganistão, para podermos jogar duro com os paquistaneses. Então... Que ideia é essa, de estabilizar o Afeganistão, para chegar aos Paquistão e pôr à mesa esses outros palhaços? O objetivo dos EUA não é esse. O objetivo dos EUA é conter o terrorismo internacional; lim itar nossa exposição a eles; impedir qualquer negociação nuclear no subcontinente indiano; e impedir qualquer proliferação nuclear. E o endereço para devolução de todos esses problemas está bem ali, no Paquistão. Então se pode dizer que, por causa dos erros que cometemos ao nos meter no Afeganistão, estamos na pior posição possível para negociar com o Paquistão.

PERGUNTA: Sendo assim, o que você acha que os EUA devam fazer?

FAIR: Acho que temos de fazer o que está sendo discutido, ou seja: entender, de vez, que não podemos vencer a guerra de contrainsurgência, porque não temos, propriamente dito, o que vencer ali; não é nossa guerra. Nenhum exército estrangeiro jamais venceu guerra de contrainsurgência; são confrontos locais e só podem ser ganhos por forças locais. E os locais, lá, não vencerão coisa alguma, porque o governo local é espantosamente incapaz, insuficiente! Um mau governo é pior que nenhum governo. Podemos continuar a construir o exército afegão, a polícia – mas isso sequer valerá o que nos está custando. Não são capazes, sequer, de pagar, eles mesmos, o custo das eleições! Como, algum dia, poderão pagar o custo de construir um exército?

Acho que temos de prosseguir, continuar a pôr recursos no treinamento, tentar montar algum fundo que possa pagar por tudo isso depois de o país estar estável. Mas, sobretudo, temos de tirar de lá os nossos soldados. Quanto mais soldados lá estiverem, matando civis, mais difícil será a retirada. Todos culpam os EUA por tudo. Quando os Talibã matam civis, a culpa é dos EUA, porque, se os EUA não estivessem lá, não haveria insurgentes. Quando nós matamos civis, os Talibã, é claro, exageram os números e dizem que matamos mulheres e crianças a caminho da mesquita, ou coisa parecida, o que nos fizer parecer mais maus. Somos culpados por ter imposto a eles esse governo corrupto. Por tudo isso, acho que temos de abandonar o esforço de guerra de contrainsurgência, reconhecer que jamais venceremos. (...) Em vez de mandar mais norte-americanos para aquele inferno, deveríamos estar propondo perguntas radicais: “Que alternativas há, à guerra de contrainsurgência?” Temos de nos convencer, definitivamente, que seremos derrotados na guerra de contrainsurgência. E “Como podemos nos proteger contra a Al-Qaeda?”

PERGUNTA: Mas será que a Al-Qaeda é, de fato, uma ameaça tão grave?

FAIR: Concordo com você. Todos esses argumentos foram inventados. São falsos argumentos, numa falsa discussão.

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[1] Ing. The Afghan Northern Alliance [Aliança Afegã do Norte], ou United Islamic Front for the Salvation of Afghanistan [Frente Islâmica Unida pela Salvação do Afeganistão], organização guarda-chuva político-militar criada pelo Estado Islâmico do Afeganistão em 1996. Para saber mais, ver aqui.

Tradução: Caia Fittipaldi

Fonte: Vi o Mundo

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Alemães ricaços querem mais imposto

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(Dica do leitor do Vi o Mundo, o Marcelo)



RICOS PEDEM MAIS IMPOSTOS!

do blog Anais Políticos


Por essa (veja na BBC) nossa imprensa partidarizada e nossa classe-média alienada, não esperavam. Bomba no mundo econômico, subvertendo tudo o que a maioria dos afetados do planeta (escpecialmente os "sem noção" do Higienópolis paulistano) sempre ouviu falar sobre economia, capitalismo, trabalhismo e impostos.

Um grupo de ricaços alemães fez um pedido formal à Chanceler Angela Merkell pedindo que o governo AUMENTE OS IMPOSTOS dos que têm mais dinheiro. Eles entendem que se o governo arrecadar mais, poderá investir em programas sociais. E assim, pessoas que estão excluídas do consumo, poderão voltar a gastar dinheiro, fazendo novamente a roda da economia girar.

Não são bons samaritanos querendo dar esmolas como medo de irem para o inferno quando morrerem. São apenas pessoas, capitalistas, que entendem como funciona o jogo. Gente fora do consumo, prejuízo para todos.

E agora, Miriam, e agora, Kamel, o que dizer?

Afinal, não é um grupo de sem-terra fazendo gritaria na porta do Ministério da Fazenda. São ricos querendo pagar mais impostos pra que não afundem todos no mesmo rio.

Daí complica, né? Como justificar a ladainha que nossa mídia faz todo dia no Bom Dia Brasil e nos jornalões? Como falar mal da tal "esmola" que Lula dá aos pobres?

O que precisa ser entendido sobre nossa imprensa burra e um par de gente preconceituosa do nosso país é o seguinte. Sob a capa das críticas aos programas de distribuição de renda (sempre muito bem fundamentadas, claro. No Mein Kampf) se escondem pessoas classistas, que odeiam a hipótese de repartir, o mínimo que seja, com os miseráveis da periferia. Os restaurantes precisam continuar sendo só deles, as lojas de carro devem vender só pra eles. Por isso desfiam seu veneno todo santo dia na televisão e nos jornais.

Não querem que a economia cresça. A menos que seja a economia deles.

E falam, a mesma ladainha, que o Brasil precisa investir em educação. Curioso que quando o Governo central destinou metade das vagas das universidades federais para alunos oriundos das escolhas públicas, fizeram a maior gritaria.

Claro, quando pedem educação, devem estar falando da educação dos próprios filhos. E de preferência nas boas universidades americanas ou europeias. Certamente não se incomodariam se o governo Federal lhes concedesse esse mimo. Com o dinheiro público, naturalmente.

Educação para pobre? Sim, sim. Desde que seja para ensinar o empregado a se manter calado ao ouvir desaforos e nunca procurar a Justiça Trabalhista quando descobrir que nenhum tostão do FGTS foi recolhido.

Clique aqui para ver porque um pedaço da nossa imprensa não quer que sejamos primeiro mundo nunca.
Clique aqui para ver que o Bolsa Família fez aumentar o PIB do Brasil, como na Alemanha antigamente.
Clique aqui para ler sobre a distribuição de renda na Alemanha.

Fonte: Vi o Mundo / Anais Políticos

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Valeu, Azenha!

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Luiz Carlos Azenha, Jornalista

Uma breve pausa para celebrar. Breve

por Luiz Carlos Azenha


As últimas semanas tem sido absolutamente desgastantes para mim. Estou gasto. Física e mentalmente. Mas não espiritualmente, que na verdade é o mais importante.

Participei de vários eventos preparatórios da Conferência Nacional de Comunicação. Estou gravando uma série especial para o Jornal da Record. E editando os programas da série Nova África, produzida pela Baboon Filmes, da qual também sou contratado. Isso e mais a responsabilidade de cuidar desse blog, que só me dá prazer embora eu não possa dedicar a ele tanto tempo quanto deveria.

Ontem, em Brasília, fiz uma breve pausa para fazer um balanço das últimas semanas. Participei de um evento de uma universidade local, organizado pelo Leandro Fortes, num salão para umas quinhentas pessoas -- que estava cheio. Eu disse aos participantes que estava absolutamente surpreso com o interesse das pessoas em discutir a mídia. Um assunto que, há alguns anos, atrairia quando muito meia dúzia de acadêmicos e jornalistas.

Sobre a Confecom, acrescentei: não vai haver nenhum milagre. Trata-se de um processo. Um processo de educação das pessoas. A tarefa de engajá-las em defesa da democratização das verbas publicitárias públicas, do fortalecimento das rádios e TVs comunitárias, do campo público da comunicação, de regras transparentes para a concessão e a renovação de concessões de emissoras de rádio e TV, de uma rede nacional gratuita para acesso à banda larga.

E o meu balanço, já tendo participado de outras campanhas de mobilização, é muito positivo. Gente de todas as áreas parece genuinamente interessada em fazer com que a mídia deixe de refletir apenas os interesses de uma pequena parcela da população brasileira. As pessoas parecem se dar conta de que o PIG, na sigla popularizada pelo Paulo Henrique Amorim, faz mal ao fígado e à cabeça. E de que, conforme diz sempre o Eduardo Guimarães, queremos mais mídia, não menos.

Os meninos e meninas presentes queriam saber muito sobre as novas tecnologias e pareciam apreensivos quanto a seu futuro profissional no Jornalismo. Falei um pouco da absoluta necessidade de os jornalistas resistirem sempre, na medida de suas possibilidades, aos chefes e às empresas em que trabalham quando se trata de manipulação e distorção de notícias.

Disse que todos nós, hoje, somos produtores de conteúdo, graças às novas tecnologias: as fotos e imagens feitas e transmitidas por celulares, as pequenas câmeras digitais, os programas de edição, os comentaristas de alta qualidade dos blogs (o exemplo citado por uma pessoa da plateia foi o Stanley Burburinho, mas eu mostrei os brilhantes comentários feitos por vocês).

O pessoal do blog da Petrobras estava na plateia. Vários leitores deste blog estavam na plateia. Professores, policiais federais, funcionários públicos estavam na plateia. Documentaristas gravavam um especial sobre a blogosfera. Quando a noite acabou eu estava exausto (depois de um dia de gravações e viagem), mas satisfeito. Senti que a briga que um pequeno mas crescente número de jornalistas comprou em defesa da profissão está surtindo efeito. Devagar, com certeza. Com uma capacidade de articulação ainda reduzida diante do conjunto da sociedade brasileira. Mas é uma briga boa. Amanhã tem mais.

PS: Meu agradecimento à Conceição Lemes e aos comentaristas, sem os quais o Viomundo já teria fenecido.

Fonte: Vi o Mundo

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Mais um post sobre a monarquia pseudo-parlamentarista do Jardim Botânico

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por Marco Aurélio Mello*, no excelente blog DoLadoDeLá


Vocês pediram, então aí vai mais uma da série faz de conta.
Era uma reportagem de fôlego. O ponto de partida: uma pesquisa, obtida com exclusividade, em 2004. Estabelecia uma relação direta entre abuso de álcool, sobretudo de cerveja, e índices de violência, criminalidade e saúde pública. Produtores foram a campo e coletaram flagrantes de ameaças, brigas e confusões, principalmente em bares que funcionam à noite nas regiões mais violentas de São Paulo, à época: Jardim Ângela, Capão Redondo, Parque Santo Antônio e alguns bairros da Zona Leste. Depois de editada, era o tipo de matéria que serviria para abrir o telejornal antes da novela, com o apresentador dizendo, de voz cheia: - Exclusivo! Nossos repórteres mostram como o abuso de álcool se transformou na maior doença do país. Mas o vídeo tape foi vetado para a exibição, foi para o freezer, no jargão. No diálogo que um dos produtores travou com o Guardião da Doutrina da Fé, ouviu o seguinte argumento: - Não podemos exibir uma reportagem assim, sabendo que a indústria de bebidas é a maior anunciante da casa e dona de cotas de patrocínio dos principais eventos esportivos que transmitimos. É um tiro no pé! E vai que algum deputado 'maluco' resolva propor uma lei que proíba a propaganda de bebida na TV? Já não basta o que eles fizeram com a indústria de cigarros... Um exemplo cristalino de como um interesse público pode dar lugar a interese comerciais de certas organizações, e pior, de como a imprensa pode deixar de atender às exigências de uma sociedade que clama por paz. Agora, mesmo que fosse ficção, que falta faz um deputado 'maluco', desses que legislam de olho nos interesses da nação, e não nos de um grupo econômico qualquer? O álcool é hoje a principal causa de violência doméstica (disse, ouviu rainha? violência do-més-ti-ca), pedofilia e outros crimes violentos, como assassinatos. Mas acho que nossa sociedade ainda não está preparada para 'Apreciar com Moderação' a concessão de serviço público. Que pena...

Fonte: blog DoLadoDeLá

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Lutemos pela democratização da comunicação!

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Lutemos pela democratização da comunicação!



Comunicação é um Direito Humano!



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DEMOCRACIA URGENTE - O mercado de mídia e a comunicação

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DEMOCRACIA URGENTE

O mercado de mídia e a comunicação

Por Venício A. de Lima


A principal conseqüência da convocação da 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom) talvez seja o sem número de debates – estruturalmente ligados à sua realização ou paralelos a ela – que pipocam por todo o país. Essa é uma posição que tenho reiterado numerosas vezes.

Considerando que um dos formidáveis poderes da grande mídia ainda é exatamente sua capacidade de construir a agenda pública – e que a realização da Confecom é um tema totalmente ausente dela –, a própria capilaridade geográfica e social do debate é, em si mesma, um fato a ser estudado e compreendido.

Tenho tido a oportunidade de participar de alguns desses debates e, neles, certos temas sempre aparecem: o que é democratização da comunicação?; o que significa controle social da mídia?; por que não se afirma no Brasil uma mídia alternativa?; a internet democratiza a comunicação?; os jornais impressos vão desaparecer?

"Mal estar" contemporâneo

A ousada e inédita atitude do governo Barack Obama de tratar publicamente os veículos ligados à rede Fox de televisão como "partido político de oposição" é apenas mais um capítulo de certo "mal estar" contemporâneo generalizado que está cada vez mais difícil de esconder.

Até mesmo a grande mídia está sendo obrigada a reconhecer publicamente que, independente de sua vontade, existe hoje um debate universal sobre as transformações por que ela passa em decorrência da revolução digital e sobre seu papel nas democracias. E, de uma forma ou de outra, os temas recorrentes nos debates provocados pela convocação da Confecom são os mesmos que se discutem em toda parte.

Comunicação vs. mídia

Uma diferença que me parece fundamental – e lembrada pelo jornalista e professor Bernardo Kucinski em debate recente, em São Paulo – é aquela existente entre democratização da mídia e democratização da comunicação.

Em artigo recente neste Observatório ("Como democratizar as comunicações") chamei a atenção para o fato de que "democratizar as comunicações" tem sido uma espécie de bandeira a orientar boa parte dos segmentos organizados da sociedade civil comprometidos com o avanço nessa área. Todavia, essa bandeira esconde uma falácia: pressupõe que a grande mídia, privada e comercial, seria passível de ser democratizada. Em termos da teoria liberal da liberdade de imprensa, isso significaria a mídia trazer para dentro de si mesma "o mercado livre de idéias" (the market place of ideas) representativo do conjunto da sociedade – isto é, plural e diverso.

Argumentei que essa bandeira encontra dificuldades incontornáveis identificadas, sobretudo, com relação aos mitos da imparcialidade e da objetividade jornalística e da independência dos conglomerados de mídia – e também se mostrou inviável em sociedades como a Inglaterra, onde existe uma tradição historicamente consolidada de imprensa partidária.

"Democratizar a mídia", portanto, seria viável apenas através de políticas públicas que garantam a concorrência das empresas de mídia (a não-oligopolização) no mercado de idéias. É exatamente essa a idéia do constituinte quando incluiu no Artigo 223 da Constituição de 1988 o princípio da complementaridade dos sistemas privado, público e estatal de radiodifusão como critério a ser observado para as outorgas e renovações das concessões desse serviço público.

Essa é também uma das idéias orientadoras da Lei de Serviços Audiovisuais recentemente aprovada na Argentina, que reserva um terço do mercado de mídia audiovisual para cada um dos três setores representativos do conjunto da sociedade: o privado comercial, o estatal e o de entidades privadas não-comerciais (povos originários, sindicatos, associações, fundações, universidades).

Desta forma, democratizar a mídia, na verdade, significa democratizar o mercado das empresas de mídia, garantindo a não-oligopolização e, principalmente, a representação plural e diversa dos diferentes setores da sociedade.

Já a democratização da comunicação é um processo no qual estamos avançando a passos largos por intermédio das potencialidades oferecidas pela internet. Aqui a bandeira principal é a inclusão digital por meio da oferta de computadores a preços acessíveis a todos os segmentos da população e a universalização da banda larga, possibilitando o acesso universal ao espaço interativo da internet.

Direito à comunicação

Democratizar o mercado de mídia e democratizar a comunicação são, na verdade, aspectos complementares da conquista do direito à comunicação pela cidadania.

Tenho reiterado que conquistar o direito à comunicação significa garantir a circulação da diversidade e da pluralidade de idéias existentes na sociedade, isto é, a universalidade da liberdade de expressão individual. Essa garantia tem que ser buscada tanto "externamente" – através da regulação do mercado (sem propriedade cruzada e sem oligopólios; priorizando a complementaridade dos sistemas público, privado e estatal) – quanto "internamente" à mídia – cobrando o cumprimento dos Manuais de Redação que prometem (mas não praticam) a imparcialidade e a objetividade jornalística. E tem que ser buscada também no acesso universal à internet, explorando suas imensas possibilidades de superação da unidirecionalidade da mídia tradicional pela interatividade da comunicação dialógica.

Fonte: Observatório da Imprensa

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ENTREVISTAS DE LULA - Um gênio que não se compreende?

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ENTREVISTAS DE LULA

Um gênio que não se compreende?

por Eugênio Bucci, no Observatório da Imprensa


** Dois sentidos convergentes

O título deste artigo tem dois sentidos óbvios – são distintos, mas não são divergentes. O primeiro é mais imediato: refere-se a um gênio que não compreende a si mesmo, que não sabe dizer como é que ele próprio funciona, como pensa, quais máximas guiam suas ações – e, não obstante, ele funciona, pensa e age com maestria. O segundo sentido indaga se o suposto gênio não carece da compreensão dos seus contemporâneos. O interessante é que um e outro sentido nos servem. Por um ou por outro, chegaremos ao mesmo lugar. Pode ser um bom lugar, desde que essa condição que se vai associar à figura do presidente da República, a condição de um político genial, seja posta, por enquanto, sempre diante de uma interrogação. A genialidade não é algo que se afirme assim, sem mais nem menos. Mas, na altura em que nos encontramos, já é algo que se pode ao menos perguntar.

Fora isso, há ainda outros sentidos nesse título, mas desses não nos ocuparemos agora.

** Da genialidade como defeito

A percepção de que Lula tem um quê de genial começa a ser falada por aí, embora um tanto timidamente, com parcimônia. Com um toque curioso: ela aparece mais em discursos que criticam e menos naqueles que elogiam o presidente. Por exemplo: há poucos dias, o articulista José Nêumanne Pinto anotou com todas as letras: "O presidente Luiz Inácio Lula da Silva é um gênio da política e disso não dá para duvidar." ("Banzé brasuca em Tegucigalpa", O Estado de S. Paulo, 30/9/2009)

Os aliados preferem não se manifestar sobre a poderosa intuição de seu líder, talvez para não passarem por bajuladores – embora, não raro, sejam pouco mais que bajuladores. Já os adversários lhe reconhecem os dons de raríssima acuidade política. Como eu disse, aqui e ali esse reconhecimento já se faz notar. Alguns, no entanto, ao se permitirem admitir o brilho político de Lula, adotam não o tom de elogio, como fez Nêumanne, mas um tom de admoestação. É gozado. Eles não o aplaudem: eles o acusam de ser um virtuose no jogo do poder. Eles o acusam de ganhar todas, de driblar os adversários a ponto de fazê-los perder o rumo, eles o acusam de ser um craque. A sua eventual genialidade, portanto, vira uma espécie de vantagem indevida, uma forma de concorrência desleal. Se dizem que ele é um craque, dizem-no apenas para pedir que se comporte, para exigir dele que não abuse de sua superioridade individual. É quase como se pleiteassem que o presidente fosse considerado hors-concours logo de uma vez, já que, contra ele, os normais não conseguem competir.

Repito que não é esse o caso de José Nêumanne Pinto, mas, em geral, o discurso daqueles que tentam desqualificar o presidente passou por uma transição particularíssima. Antes, eles o atacavam porque ele não tinha diploma, não era poliglota e não lia cinco livros por semana. Agora, atacam-no por ter inteligência, sensibilidade e capacidade de liderança acima da média, mesmo sem ter pós-doc, mesmo sem saber recitar de cor, e em alemão, A crítica da razão pura.

Atacam-no porque seus talentos se converteram agravantes, que encobririam seus defeitos e os vícios presentes em seu governo. O raciocínio desses opositores é elementar: o fato de Lula ser um exímio articulador melhora o governo – o que, vejam bem, é péssimo, pois vem camuflar a incompetência que o cerca. O fato de Lula saber se comunicar com todas as camadas sociais, e isso de forma espontânea, sem ter de chamar os marqueteiros para "traduzir" suas mensagens, torna seu prestígio incontestável, dentro e fora do Brasil – o que é terrível, tenebrosamente terrível, pois mascara os interesses escusos que o sustentam. Segundo essa visão, que se expressa como um resmungo, teria sido melhor para a democracia se Lula fosse apenas mais um medíocre. Mas ele não é. Oh, Deus, ele não é medíocre.

Lula enxerga três, quatro lances adiante e sabe levá-los em conta quando realiza o movimento presente – o que em xadrez é banal, mas em política representa um dom bastante incomum. Para aflição dos antagonistas, é assim que Lula é. E não há o que fazer.

A questão não é se Lula age certo ou errado, se ele é virtuoso ou não. Quando se fala em "genialidade" do presidente, ao menos no sentido que isso vem aparecendo, o que se tem em mente é o fato de que suas jogadas políticas são, cada vez mais, coroadas de êxito. Ele é um animal político eficaz, como poucas vezes se viu. Não importa se para o bem ou para o mal: ele é eficaz. O que ele encasqueta de levar adiante acaba dando certo. É nesse contexto que, agora, os adversários deram de xingar o presidente de genial, mesmo que à boca pequena. É bem isso: eles o xingam de genial. Com inconformismo, com cara feia, reconhecem em Lula essa superioridade relativa. E assim, xingando-o de genial, eles se reconciliam internamente com uma atitude que, em si mesmos, julgam ser generosa.

Além disso, xingar o presidente de brilhante, de inteligente, de genial tem lhes servido de cobertura para que, por meio de um aparente elogio, reafirmem extemporaneamente preconceitos antigos. Eles continuam acreditando que quem não tem diploma não pode governar, mas, em vez de dizer isso, afirmam apenas que o caso de Lula não é parâmetro, não conta, pois ele afinal de contas é um tipo excepcional, é a exceção que não revoga, mas confirma a regra antiga. Dizer então que Lula é um gênio, um tipo único, é um modo de dizer que não surgirão outros iguais. Mais cedo ou mais tarde, as coisas voltarão ao "normal".

É fascinante como se tecem as teias dos sentidos. Concedendo o título de "genial" ao presidente da República, os adversários dizem o que querem e, provavelmente sem notar, denunciam de si mesmos o que gostariam de dissimular. De novo, é o caso de alertar: também no discurso desses que se opõem a Lula há outros sentidos divergentes, além dos que realcei aqui, mas por enquanto não vamos nos ocupar dos demais. Já temos um bolo de sentidos mais do que suficiente.

**...e por falar em sentidos contraditórios

Do mesmo modo, há toneladas de sentidos divergentes e mesmo contraditórios nas profusas declarações de Lula à imprensa. E também nos comícios ou, como se prefere oficialmente, nos atos de governo para fiscalização ou inauguração de obras. Pululam frases que rendem panos e mais panos para mangas e mais mangas na prosa dos comentaristas políticos. A elas se dedicam os exegetas hodiernos, intrigados com o fato de que as palavras desajeitadas do presidente contrastam com a precisão inacreditável de seus movimentos na arena política. De que modo elas os explicariam? Por meio de que charadas, de que cifras, de quais enigmas? Como interpretá-las? Como, por meio delas, entender um pouco melhor o personagem?

A fala de Lula sobre os atos de Lula é fraca, é insuficiente. Sempre. A fala de Lula é constrangedoramente inferior à performance de Lula. Mesmo assim, espera-se dela que ilumine os milhões de pontos escuros de seu estilo prático. Espera-se com razão. Fora seu discurso, não há muitos outros lugares de onde tirar a chave para os movimentos que ele faz. Por isso, suas entrevistas e suas declarações se revestem de tão grande interesse. Não só por ele ser o maior político em atividade hoje no Brasil. Não só por ele ser a autoridade máxima no Estado. Também porque existe esse descompasso enervante entre a clareza premonitória de seus atos na disputa política – quase sempre bem sucedidos – e a precariedade de suas palavras, que só são mais expressivas quando são mais desastradas. É esse desacerto e essa imprevisibilidade, aparentemente fora de controle, que tornam tão atraentes as declarações de Lula.

(Um parênteses. Há aqui uma distinção necessária. Quando fala para os eleitores ou para os públicos internacionais, Lula é claríssimo. Sua comunicação é quase impecável. O ruído acontece quando dele se quer ouvir a teoria sobre a política que ele faz. Aí é que o sentido se bifurca sucessivamente. Quando fala de seu modo de agir, a fala de Lula é sempre insuficiente e refratária.)

Enfim, das declarações de Lula à imprensa não se conseguem extrair explicações cristalinas sobre sua ação política. No entanto, quando ele escorrega, quando erra no jeito de falar, acaba revelando involuntariamente o que talvez preferisse manter invisível. Lula se explica melhor quando se trai pela fala. Por isso é que, também nas suas entrevistas e nos seus pronunciamentos, os sentidos cruzados aparecem. E, nesse caso, são muito, mas muito mais interessantes do que os sentidos arrevesados dos que o criticam duramente por ser genial.

Não que Lula não tenha consciência de seu lugar na História. Passados já sete anos de governo, é indiscutível que ele domina bem o papel que lhe cabe. Tanto para o que é bom, modernizante, justo etc., como para o que não é tão bom assim – como os pactos com o fisiologismo e o pragmatismo excessivo, que ele dá sinais de firmar por não enxergar alternativas. O ponto é que sabemos que Lula tem essa consciência de si não pelo que ele diz, mas pelo que ele faz. São os seus gestos que transmitem essa consciência. A sua fala apenas confunde o observador.

O Lula orador não é um bom intérprete do agente Lula – daí a sensação de que, talvez, ele mesmo não se compreenda muito bem. Talvez por isso mesmo, sua fala segue tão irresistível. Por baixo dos sentidos aparentes, insinua-se um riquíssimo acervo de revelações inadvertidas. Vale repetir: também as entrevistas de Lula têm seus múltiplos sentidos – e alguns deles nos interessam aqui.

** Alhos, bugalhos e atos falhos

Vez por outra, as declarações do presidente enunciam o oposto do que ele talvez pretendesse proclamar. Isso acontece com todos nós, não há dúvidas, mas, em se tratando de Lula, o processo chega a ser clamoroso. Mais ou menos assim: ao se referir a um atributo positivo que julga ter, o presidente expõe outro, negativo, que gostaria de ocultar. Não que ele esteja mentindo quanto ao primeiro – o atributo positivo que ele acredita ter. Ele diz a verdade. Mas o outro aspecto, o segundo, o que ele gostaria de sonegar, é também verdadeiro e contradiz o primeiro, sem, contudo, anulá-lo. Assim, o presidente deixa que seu interlocutor lhe veja as contradições – que por enquanto são insolúveis.

Vamos a um exemplo. No dia 12 de agosto de 2009, uma quarta-feira de manhã, Lula compareceu ao culto de comemoração de 150 anos da Igreja Presbiteriana no Brasil. A celebração aconteceu na Catedral Presbiteriana do Rio de Janeiro. Logo depois, a notícia estaria nos jornais, como na reportagem que Luciana Nunes Leal e Alberto Komatsu escreveram para O Estado de S. Paulo no dia seguinte.

Na ocasião, Lula reclamou da qualidade da programação de TV, a pretexto de defender os valores da família – que, em nosso país, são valores bastante associados à tradição e à família. Segundo o relato dos dois repórteres, o presidente criticou o excesso de violência e afirmou que, se houvesse aferição de "quantos filmes falam de integração familiar, de amor, de paz", viria à tona que o porcentual "é infinitamente menor do que a quantidade de filmes que começam atirando, terminam atirando e no meio matam pessoas que a gente nem consegue entender por quê".

Lula prosseguiu: "Muito mais graves que os problemas econômicos, sociais, tem um problema crônico que é a degradação da estrutura familiar deste país. Quantos momentos de bons ensinamentos temos na televisão, nacional e importada?"

De saída, já existe, aí, uma fratura no discurso: ao reclamar da TV, Lula acaba declarando que vê muita TV, o que não lhe cairia bem, já que, segundo o seu próprio juízo, a TV é tão ruim. Mas essa fratura não é central para o que este artigo pretende focalizar. Por isso, será deixada de lado. Passemos adiante.

Ainda segundo a reportagem do Estadão, Lula disse que está na Presidência "por obra de Deus", no que contou com a anuência do reverendo Guilhermino Cunha, segundo o qual o presidente foi "eleito pelo povo e abençoado por Deus". Entre todas, a frase mais reveladora só viria quando o presidente se retirava da catedral. Na despedida, ele declarou aos jornalistas: "Valeu a pena viver meu cristianismo por algumas horas".

Fixemo-nos então nesse arremate. Ele nos interessa mais de perto. Segundo a frase presidencial, "cristianismo" é algo que se "vive" dentro de uma igreja, durante a cerimônia religiosa, por "algumas horas". Por decorrência lógica, quando o sujeito está fora da igreja, vive outras condições de sua existência, mas não o seu "cristianismo". Surge aí a contradição entre aquilo que o autor da declaração se apressa em manifestar de si (que ele tem dentro de si o "cristianismo") e aquilo que o incomoda, ou seja, o fato de ele não viver seu "cristianismo" durante todas as horas do dia.

Sendo assim, cabe perguntar: que tipo de coisa ele estaria "vivendo" nessas outras horas? Uma crítica fácil seria dizer que Lula não compreende o significado da palavra cristianismo. Ele parece não entender que ou bem o sujeito tenta viver o cristianismo durante as 24 horas do dia, ou bem o sujeito não é cristão. Claramente, essa seria uma crítica possível. Ocorre que, além de fácil, ela seria falsa. Não é por aí. Lula não deixa de saber o que se entende por essa palavra, cristianismo. Não é bem de ignorância teológica que ele padece, mas de uma dor subjetiva. Uma lâmina o espreita e, dela, o presidente se sente instado a dar conta – como se precisasse confessar que tangencia o fio da navalha. Essa lâmina é o pragmatismo violento que a política vem exigindo de seus praticantes no Brasil.

Na fala oblíqua do presidente, essa lâmina tem parte com o pecado. Lula não se vê como um não-cristão, ele sequer deixa de ser cristão segundo seu próprio juízo, mas, de vez em quando, é obrigado a rezar fora do catecismo, quer dizer, é obrigado a se pautar por outra cartilha, e isso o aporrinha (um pouco, apenas um pouco, mas aporrinha). Ele não chega a se ajoelhar para outros deuses, mas vai até eles e, diante deles, procede às confraternizações necessárias. Não vê como escapar disso e, nesse sentido, lamenta-se.

O que nós temos aqui não é uma mentira oposta a uma verdade. Temos duas verdades. Podemos tomá-las como duas verdades porque elas são perfeitamente verdadeiras para aquele que as enuncia. Mais ainda: duas verdades que se opõem, mas nenhuma tem força suficiente para anular a outra. Então, ambas coexistem, em permanente contradição.

Lula quis dizer que é um cristão (o que é verdade) e acabou dizendo que, nas outras horas do dia, é outras coisas além de cristão (o que também é verdade). Entre essas outras coisas, encontra-se a profissão de político, que lhe impõe um preço alto. Ao que se pode deduzir de suas palavras, o preço que lhe é cobrado é um custo de consciência. Ou, pelo menos, um custo que ele desejaria ver computado como um custo de consciência.

De novo, é preciso dizer: há mais sentidos nisso tudo, mas, por agora, esses aí nos bastam. Mesmo porque prosseguiremos aqui com os conflitos religiosos mais íntimos de Lula, pois eles continuaram habitando a sua fala por mais tempo.

** O ato falho que reincide

Mais recentemente, em entrevista exclusiva a Kennedy Alencar, da Folha de S. Paulo, o mesmo político soltou uma afirmação que virou a principal manchete do jornal de quinta-feira, 22 de outubro de 2009: "`No Brasil, Jesus teria que se aliar a Judas´, diz Lula". Outra vez, emergem aí dilemas da consciência cristã. Outra vez, brotam os sentidos contraditórios.

FOLHA - Ciro disse que o sr. e FHC foram tolerantes com o patrimonialismo para fazer aliança no Congresso. Ou seja, aceitaram a prática de usar bens públicos como privados.

LULA - Qualquer um que ganhar as eleições, pode ser o maior xiita deste país ou o maior direitista, não conseguirá montar o governo fora da realidade política. Entre o que se quer e o que se pode fazer tem uma diferença do tamanho do oceano Atlântico. Se Jesus Cristo viesse para cá, e Judas tivesse a votação num partido qualquer, Jesus teria de chamar Judas para fazer coalizão.

Consta que alguém da CNBB logo cuidou de ralhar elegantemente com o presidente acerca da correta interpretação dos evangelhos. Falou-se em fariseus e saduceus, alianças, traições e um pouco mais. Mas não é isso o que vem ao caso – aqui, no caso deste artigo. O que clama no discurso, agora, é que o entrevistado tenta se comparar a Jesus Cristo, não por julgar-se ao nível dele, mas porque não enxerga, de fato, alternativas a um jogo político que o força a buscar o apoio dos patrimonialistas. Nem Cristo faria diferente, ele diz. Assim, expondo-se em um sacrilégio brando, busca uma branda expiação da culpa. Lula não se considera melhor do que Jesus. Lula não se considera igual a Cristo. Apenas confessa, humildemente, que, nessa matéria, a política brasileira, da qual ele entende muito bem, nem Cristo poderia montar uma base aliada mais limpa do que a que ele mesmo construiu.

O encerramento da entrevista também nos interessa:

FOLHA - É o que explica o sr. ter reatado com Collor, apesar do jogo baixo na campanha de 1989?

LULA - Minha relação com o Collor é a de um presidente com um senador da base.

FOLHA - Dá aperto no peito?

LULA - Não tenho razão para carregar mágoa ou ressentimento. Quando o cidadão tem mágoa, só ele sofre. Quando se chega à Presidência, a responsabilidade nas suas costas é de tal envergadura que você não tem o direito de ser pequeno.

Assim como os adversários que se sentem generosos quando elogiam o presidente da República por sua notável competência de articulador, Lula parece sentir como uma grandeza de sua parte a capacidade de tolerar os vícios pré-históricos dos que lhe dão sustentação. Ao declarar indiretamente sua grandeza ("você não tem o direito de ser pequeno"), o entrevistado se outorga o perdão que a ele tanta falta faz. A outros, a expressão "você não tem o direito de ser pequeno" poderia significar "você não tem o direito de ter princípios", mas não é isso que conta agora. Para Lula, o fundamental é que o sujeito não tem o direito de ser inflexível. E não vamos discutir aqui se ele tem ou não tem razão nisso, pois aí a discussão seria política, e sairia dos registros estritos dos sentidos que se descolam do discurso concreto.

Só o que se quer demonstrar aqui é que, também agora, o discurso fala pelo avesso. Diz o contrário do que aparentemente pretende dizer e, também aí, diz a verdade – mas uma verdade invertida. Lula diz a verdade quando afirma que o sujeito não tem o direito de ser pequeno. Como isso, diz – o que é incontestável – que precisou sacrificar suas "pequenezas" para conseguir fazer política. Tanto assim que nem Jesus Cristo poderia fazer diferente. Ele fala como quem está convencido de que não pecou, mesmo que ninguém o tenha acusado de pecado.

Prosseguindo, outra vez é preciso afirmar que, também aqui, há ainda outras verdades (invertidas ou não) dentro do mesmo discurso. Outra vez, não vamos delas nos ocupar.

** Eles não sabem o que fazem

Falando em Jesus Cristo, que entrou nessa história mais ou menos como Pôncio Pilatos entrou naquela outra, a que chamam "Credo", ele talvez dissesse ao que chamava de "Pai": "Perdoai-os, eles não sabem o que fazem". Ou: "Perdoai-os, eles não sabem o que falam". Não sabem mesmo. Não sabemos. Ninguém sabe inteiramente, por definição, o que comparece à sua própria fala. A fala é falha, amalgamada de erros, saltos, atos falhos. Somos seres ideológicos não por acalentarmos uma carta de valores que pretendemos traduzir em realidade, não porque queiramos "mudar o mundo" (por favor, não é por isso), mas porque não sabemos o que fazemos ou falamos. Ou por que fazemos. Ou como falamos. E, no entanto, fazemos. E falamos.

Ao falarmos, deixamos no ar as nervuras abertas do manto de palavras embaixo do qual gostaríamos de nos esconder. Queremos nos esconder de quem?

Falemos ainda um pouco da genialidade posta como interrogação.

Há aqueles que se destacam porque parecem ter parte com as leis da natureza e realizam proezas impossíveis aos comuns. Lula sabe o que não sabe que sabe e, por sabê-lo, age como um craque. Age, talvez, por não se preocupar em saber – porque o saber, talvez, o aprisionasse. Seu espírito político sabe – sua fala apenas rasteja ao redor do que seu espírito sabe.

Vamos comparar, porque é inevitável: parece que Garrincha também era um craque – mas que não lhe pedissem para explicar planos táticos, armações de meio campo, contra-ataques e polivalências. Ele seria incapaz de explicar. Sabia fazer, mas não sabia dizer nada das fundamentações do que fazia. Ele sabia, no corpo, que a bola obedecia aos seus comandos, mesmo que tivesse de desafiar a lei da gravidade. Ia lá e... fazia. Pelo menos é o que contam.

Bem, a metáfora esportiva é sempre a pior possível – sobretudo aqui, neste texto, onde não existe uma única letra que goste de futebol – e, não obstante, é com ela que caminharemos para o final. Penso que justamente por explicar tão mal o jogo político que conduz tão bem é que Lula se diferenciou dos concorrentes. Nele, a política é natural. Como se fosse pré-lingüística. Como se fosse infra-lógica. Isso é possível? Não sei – e não importa.

A sua fala cheia de ranhuras, de imperfeições, de quebras sintáticas e anacolutos abissais acaba servindo de comprovação do que nele começa a tomar a forma de uma genialidade atípica. É a prova cabal de que o melhor que ele sabe ele o sabe apenas intuitivamente. O que nos outros é cálculo estudado, nele é reflexo filtrado e refiltrado por uma sabedoria indecifrável. É assim que o que ele fala tem cada vez mais interesse. E é cada vez mais fascinante tentar decifrar. Mesmo quando a gente não consegue.


Fonte: Observatório da Imprensa

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Aécio dá ultimato. Zé Pedágio tenha coragem. Diga que é candidato.

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Ele perde

Ele perde


Aécio dá ultimato. Zé Pedágio tenha coragem. Diga que é candidato.

por Paulo Henrique Amorim

O jornal Valor na pág. A9 diz que Aécio busca apoio dos Demos para antecipar definição do PSDB.

Na verdade, não é nada disso.

O presidente dos Demos, Rodrigo Maia, já apóia Aécio.

A reportagem, um inútil exercício pró-Serra, não enfatiza o que ela própria diz.

Primeiro, Aécio reafirma o ultimato ao Zé Pedágio: ou o PSDB se define até dezembro, ou ele se lança candidato a senador por Minas.

A segunda informação é que Aécio diz taxativamente que não vai na garupa de ninguém.

Ou seja, Aécio reafirma que não será vice de Zé Pedágio.

Portanto, Zé Pedágio aprofunda a divisão do PSDB.

Zé Pedágio se credencia a não receber um único voto em Minas com a recomendação de Aécio.

Zé Pedágio amplia o buraco em que sepultará a sua inútil candidatura.

Como se sabe, e como ouvi, ontem, de um prefeito tucano de Minas, o problema do Zé Pedágio é que o Zé Pedágio perde.

O Conversa Afiada considera que esse é exatamente o principal atributo do Zé Pedágio: ele perde.

Como um outro paulista que desafiou um mineiro, Paulo Maluf, Zé Pedágio perde.

O Conversa Afiada faz um apelo: Zé Pedágio, tenha coragem ! Anuncie a sua candidatura ! E copie Obama: revele que é candidato no site da Sabesp !


Leia também:

Azenha: Zé Pedágio aumenta gastos com publicidade e reduz com Educação e Saúde

Fonte: Conversa Afiada

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A tendência de queda dos jornais impressos


por Renato Rovai


Não é incomum, inclusive, entre aqueles os que discutem a democratização da mídia, um certo fetiche em relação aos jornais diários brasileiros. Eles são classificados como grande mídia ou ainda como jornalões. Não vou aqui negar a influência que alguns deles têm em pautar o debate na classe média mais informada. E mesmo de influenciar veículos com poder maior de alcance. Mas a verdade é que nossos jornalões não são assim tão jornalões como alguns imaginam. E, mais do que isso, vem perdendo leitores mês a mês, ano a ano.

O último Meio e Mensagem, a partir de dados do IVC, publicou uma tabela com os atuais 20 jornais diários de maior circulação média neste ano, considerando os meses de janeiro a agosto.

Os dados impressionam. A Folha de S. Paulo ainda se segura por uma diferença mínima como primeira do ranking. Sua circulação é de 295.781 exemplares. Ou seja, num país de quase 200 milhões de pessoas isso significa 0,15% da população. Jornalão? E nos 8 meses deste ano em relação ao ano passado, o jornal dos Frias perdeu 6,13 % dos seus leitores.

Mas o O Estado de S. Paulo, seu concorrente direto, está numa situação ainda mais delicada. Hoje é o quinto no ranking nacional. Está atrás do Supernotícia, da região metropolitana de BH, o maior fenômeno do segmento nos últimos anos, e também do Extra e de O Globo. O Estado perdeu neste ano, comparando com o ano passado, 16,59% na circulação, que hoje é de 213.205. Jornalão?

Se você olhar a tabela vai perceber que pelo andar da carruagem em breve o famoso Estadão vai perder a quinta colocação, não só para o popular carioca Meia Hora, mas também para o gaúcho Zero Hora.

Aliás, os três diários do Rio Grande do Sul juntos (Zero Hora, Correio do Povo e Diário Gaúcho) tem circulação próxima à da Folha e do Estado somados.

Há um claro crescimento do segmento popular entre os jornais diários vendidos (não vou tratar dos gratuitos, farei isso num próximo post). Além dos Supernotícia, um jornal lançado no fim do ano passado em Manaus, o Dez Minutos, já tem circulação média de 55.687 exemplares. E é o 18º do ranking nacional.

Enquanto isso, o Jornal da Tarde, do Grupo O Estado de S. Paulo, que em outros tempos foi tão importante, inclusive possibilitando um jornalismo mais autoral, não aparece nem entre os 20, pois chega a 50 mil exemplares. Jornalão?

Por fim, as organizações Globo não venderam o Diário de São Paulo porque apareceu um bom negócio, mas porque, ao comprar o veículo em 2001, ele tinha 110 mil exemplares de circulação. E agora nesta última aferição está com 59.299.

Os antigos donos do nosso jornalismo impresso diário brasileiro ainda não perceberam que a qualidade de seus veículos só tem piorado, mas quem compra jornal já percebeu. E tem procurado outros veículos. Ou buscado blogues e sites que tratam melhor a informação.


Fonte: Blog do Rovai

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A tendência de queda dos jornais impressos

Por Pedro Biondo:

Gráfico da circulação de jornais nos EUA, parece que a tendência é irreversível. Clique aqui.

circ2

Por nsdel:

As vendas da FOLHA estão desabando. Já perde feio para o ESTADÃO. As vendas avulsas da FOLHA já estão no último lugar na Capital. Agonia e desespero sem fim.

Os números em agosto de 2009 na CAPITAL DE SP são as seguintes (fonte IVC – Instituto Verificador de Circulação; propaganda feita na Folha VP: http://www.folhavp.com.br, pág. 16, edição de 23 de outubro de 2009):


ESTADÃO………….Domingo………seg. a sábado (média)

Venda avulsa:…….51.688……………. 15.614

Assinatura………..113.420 ………….105.658

Total…………………165.108…………..121.271

.

FOLHA DE SP……Domingo………seg. a sábado (média)

Venda avulsa:…….21.356……………. .7.082

Assinatura………..109.745 …………103.785

Total…………………131.101…………..110.868

.

DIÁRIO DE SP………….Domingo………seg. a sábado (média)

Venda avulsa:…………..25.943……………. 17.983

Assinatura………………..18.517 …………….18.312

Total…………………………..44.460……………..36.295

.

AGORA SP………….Domingo………seg. a sábado (média)

Venda avulsa:…….50.588……………..32.875

Assinatura………….13.068 …………….13.062

Total…………………..63.656……………….45.937

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JORNAL DA TARDE…..Domingo………seg. a sábado (média)

Venda avulsa:……………..7.857…………….13.585

Assinatura…………………18.231 ………….17.445

Total…………………………..26.088…………..31.030


Fonte: Luis Nassif Online

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O desafio de reconstruir a oposição

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http://1.bp.blogspot.com/_gVjmrNm31tg/RmFsOfbcfQI/AAAAAAAAAmA/_Gi-dGzbyE8/s320/serra.jpg


O desafio de reconstruir a oposição

por Luis Nassif


O modelo político partidário brasileiro está em meio a mudanças radicais, as mais radicais desde meados dos anos 90, quando o PSDB ganhou corpo e elegeu seu primeiro presidente, Fernando Henrique Cardoso.

Depois da redemocratização, a rigor foram dois os partidos com vocação de poder, o PSDB e o PT. E dois agregados, partidos-ônibus sem discurso para assumir a presidência, mas com importância: o PMDB e o DEM.

O PSDB surge de uma costela do PMDB, pretendendo-se menos fisiológico. No governo Collor, quase chega ao poder, depois da crise que culminou com a saída de Zélia Cardoso de Mello. Alguns anos depois, o Real ajudou a eleger Fernando Henrique Cardoso. E o partido ficou oito anos no poder. Nos primeiros quatros anos, impulsionado pelo fogo sagrado de Sérgio Motta. Depois, perdendo gradativamente a vitalidade, à medida que várias lideranças expressivas (Motta, Covas e Montoro) desapareciam e que FHC se enrolava com a falta de garra para governar e com o “apagão” elétrico.

Agora, chega-se a uma situação complicada, em que o partido diminui gradativamente em todo território nacional e vê seu espaço – de centro-esquerda – sendo ocupado por Lula.

Nesse período, o candidato natural a ocupar o espaço de FHC, o governador José Serra, não logrou desenvolver um discurso público. A rigor, não se sabe o que ele pensa sobre políticas sociais, gestão, desenvolvimentismo, diplomacia internacional, educação.

De repente, se chega às vésperas das eleições sem saber qual a plataforma do partido, que ideias são remanescentes dos princípios originais, qual o modo de governar do PSDB. E se vê o partido cada vez mais parecido com o DEM e cada vez mais restrito a São Paulo

O que aconteceu com o PSDB para chegar a esse ponto?

Um dos pontos centrais desse envelhecimento precoce foi a falta de preocupação em criar novos quadros. Em parte devido ao fato do PSDB ter nascido do PMDB, sem ter criado bases sociais mais sólidas. Em grande parte devido ao anacronismo de sucessivas direções, que se estratificaram no poder. Para evitar competição, mataram o aparecimento de novas lideranças.

Tome o caso de São Paulo. Após a geração das diretas – Serra, FHC – que liderança o partido criou? Apenas Geraldo Alckmin que foi muito mais um acidente de percurso, herdando o governo de São Paulo devido ao desaparecimento de Covas.

Jovens prefeitos promissores, lideranças parlamentares, nada sobrou. José Aníbal foi triturado, o ex-prefeito de São José dos Campos, Emanuel Fernandes, nem chegou a acontecer, deputados estaduais bem votados, federais promissores, foram sementes lançadas no deserto, enquanto três ou quatro lideranças envelhecidas recusavam-se a passar o bastão.

Dias desses, o ex-senador Roberto Freire – aliado incondicional de José Serra – declarou que o partido precisaria abjurar a política econômica de FHC. Sem dúvida. Só que nenhuma ideia nova apareceu, nenhuma liderança nova surgiu. Os ecos do interior não chegaram à cúpula do partido. Haverá uma longa luta de reconstrução de ideias e projetos. Mas com quem?



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Fonte: Luis Nassif Online

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As dúvidas existenciais de Serra

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A imagem “http://1.bp.blogspot.com/_gVjmrNm31tg/R3JNZI3YlzI/AAAAAAAABZ4/bfh6Gp02YZw/s320/serra.jpg” contém erros e não pode ser exibida.


As dúvidas existenciais de Serra

Do Blog do Josias:

Serra diz ao DEM que deseja Aécio como o seu ‘vice’

Em público, José Serra esquiva-se de assumir a candidatura presidencial. E nega o desejo de compor com Aécio Neves uma chapa puro sangue do tucanato.

Em privado, o governador de São Paulo desdiz tudo o que afirma sob holofotes. Sua posição foi acomodada em pratos asseados há oito dias.

Serra reuniu-se em Brasília com dois aliados –um grão-tucano e um dirigente do DEM. Foi à mesa o desconforto dos ‘demos’ com as hesitações do governador.

O interlocutor do DEM foi ao ponto:

— O partido sente insegurança na sua candidatura. Não sabemos se você é o candidato ou não. Você é o candidato?

— Eu sou o candidato, Serra respondeu.

O dirigente ‘demo’ emendou uma segunda pergunta:

— Posso dizer isso à minha tropa?

— Pode dizer, Serra completou, em timbre categórico.

Na sequência, sem que ninguém o provocasse, Serra disse que, a depender do seu desejo, Aécio Neves vai à chapa de 2010 na condição de vice.

Serra foi lembrado acerca do óbvio: é preciso combinar com os russos. No caso do PSDB, o “russo” é mineiro.

Recordou-se a Serra que o governador Aécio Neves recusa o papel secundário na chapa. Prefere ser protagonista no Senado a coadjuvante no Planalto.

Serra concordou. Mas deu a entender que não jogou a toalha. Espera que a conjuntura quebre as resistências de Aécio.

Nesta terça (27), de passagem por Brasília, Aécio foi à mesa de almoço com o presidente do DEM, Rodrigo Maia (RJ).

O mesmo Rodrigo que, nos últimos dias, destila irritação com Serra nas páginas dos jornais. Um veneno que revigorou Aécio.

Conversaram sobre a antecipação do calendário eleitoral. Coisa imposta por Lula, que corre o país com a presidenciável oficial Dilma Rousseff.

Aécio repisou uma tecla que vem pressionando há semanas: acha que o PSDB precisa se definir, no máximo, até janeiro de 2010.

Na reunião reservada de uma semana atrás, Serra dissera que não contempla a hipótese de levar a candidatura à vitrine antes de março de 2010.

Trata-se de grave erro, na opinião de Rodrigo Maia, endossada por um pedaço expressivo do DEM.

No almoço com o presidente ‘demo’, o “russo” de Minas disse que não abre mão do menos elástico.

Aécio deu a entender que, à falta de uma definição no tempo que considera razoável, vai cuidar da vida. Significa dizer que voltará os olhos para o Senado.

Além de avistar-se com Rodrigo Maia, Aécio desperdiçou um pedaço do seu tempo em Brasília em conversas com lideranças do seu partido.

Repetiu ao tucanato: não será vice de Serra. Para usar as palavras do governador mineiro: não vai a 2010 “na garupa de ninguém”.

Também nesta terça (27), o senador Eliseu Resende (DEM-MG) revelou, numa reunião da bancada ‘demo’, uma suspeita.

Coisa recolhida nos subterrâneos da política de Minas: descartado como alternativa presidencial, Aécio tentaria emplacar um outro candidato a vice mineiro.

Segundo Eliseu, Aécio trabalharia para empurrar para dentro da chapa de Serra o atual vice-presidente do PPS, Itamar Franco. Uma ideia que deixa a tribo ‘demo’ de cabelos hirtos.


Comentário do Luis Nassif:

Serra não sai candidato sem Aécio. E talvez nem com Aécio. Derrotado sozinho, perde a presidência, o governo do Estado e o controle do PSDB. Nunca foi de correr risco até menor.


Fonte: Luis Nassif Online

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Entrevista do Luis Nassif na revista Teoria e Debate, da Fundação Perseu Abramo

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por Luis Nassif

Estava lendo agora matéria sobre o encontro dos cientistas sociais em Caxambú. Nele, Luiz Werneck Vianna aborda a estratégia política de Lula, comparando-a à de Vargas. Semanas atrás a Maria Inês Nassif escreveu bela análise sobre o tema.

Meses atrás, concedi a entrevista abaixo ao Nilmário Miranda e à Rose Spina, do Teoria e Debate – revista da Fundação Perseu Abramo. Foi publicada na edição de julho-agosto.

Tenho a pretensão de que foi o primeiro esboço para decifrar o que foi essa montagem política que, no segundo governo, permitiu a Lula um desenho de país que certamente irá vigorar na próxima década.

Na entrevista, analiso a estratégia política, a visão do país como um todo, o papel deletério da mídia, o papel fundamental da Fazenda na crise – e o papel deletério do Banco Central – e a redução gradativa dos dois maiores fatores de instabilidade política no país: a influência do mercado e da mídia.

Clique aqui se quiser baixar o PDF.

Fonte: Luis Nassif Online

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O futuro ainda não chegou

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Nobel de Economia não vê Brasil como “país do futuro”


O prêmio Nobel de Economia de 2008, Paul Krugman, disse ontem em Buenos Aires que “Todos conhecem a piada de que o Brasil é o país do futuro e sempre será”. Para Krugman não se vê no Brasil o tipo de crescimento que há na Ásia.

Para ele o Brasil continua sendo uma esperança e não uma perspectiva certa.

Apesar da crítica, Krugman acredita que o Brasil teve um ótimo desempenho durante a crise global. Segundo ele os bancos se sustentaram muito bem e o mundo quer investir no Brasil, mas isto gera problemas para competitividade nas exportações. Em sua opinião o país não foi tão afetado pela crise mundial porque não estava muito exposto ao comércio mundial e possui uma estrutura financeira muito sólida.

O economista acrescentou que “quando as pessoas falam dos Bric, talvez devessem falar dos IC, porque Índia e China tiveram essa decolagem, mas o Brasil ainda não”.


Comentário do Luis Nassif:

Essas são as críticas consistentes. De fato, as bases estão assentadas. Mas ainda há amarras pesadas segurando o país e impedindo uma explosão de crescimento. Dentre as amarras, tributação desequilibrada e câmbio no lugar errado.

Na outra ponta, já começou um movimento subterrâneo vigoroso de mnudança do perfil da grande poupança brasileira, que começa a sair das taxas de juros para a economia real. Há negócios sendo armados em todos os cantos, em PCHs, bioenergia, energia eólica, frigoríficos, açúcar e álcool, TI.

Fonte: Luis Nassif Online

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A autópsia da urubóloga Miriam Leitão

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A urubóloga se oferece para liderar a oposição. O lugar já é do Gilmar

A urubóloga se oferece para liderar a oposição. O lugar já é do Gilmar


A 'cacique do PIG' Miriam Leitão baixa diretiva: 'Mais oposição' "O Brasil tem governo demais e oposição de menos", sentencia Miriam Leitão em sua coluna desta terça-feira (27), no jornal O Globo. Como um fürher de saias, a versátil e intrépida jornalista espinafra sem piedade o PSDB, o DEM e adjacências, deixando claro quem está no comando na coligação entre o PIG (Partido da Imprensa Golpista) e a oposição convencional. Pergunta a Miriam: e o PIG, está com essa bola toda?


Por Bernardo Joffily


Miriam Leitão:"A oposição tem medo"

"O presidente Lula fala e faz o que bem entende sem um contraponto. A oposição tem medo da popularidade do presidente e acha melhor não apontar suas falhas sequenciais", denuncia a colunista de jornal, comentarista de TV e rádio, blogueira de língua afiada.

Ela dá nome aos bois: o PSDB, omisso; o DEM, temático; e sobra até para os oposicionistas em legendas da base do governo. Só escapa, por um tris, o PV, que segundo Miriam "começa a desenhar uma alternativa".

Partido de Bush virou exemplo


Miriam invoca o exemplo da oposição republicana nos Estados Unidos – essa mesma, de George W. Bush, inimiga da saúde pública. Louva-a por ter sabatinado durante uma semana a juíza Sonia Sotomayor. Enquanto "aqui, bastou meia dúzia de perguntas dos partidos de oposição, durante uma tarde", e José Antonio Toffoli foi aprovado para o Supremo.

A coluna é, à primeira vista, uma proposta de plataforma tática que Miriam Leitão recrimina a oposição convencional por não abraçar e levar adiante. Porém uma segunda leitura traz à tona o tom agastado, colérico até, e prepotente, de uma superiora a comunicar ukases.

Não sobra pedra sobre pedra, nem da ação do governo Lula, nem muito menos da ação oposicionista. O pré-sal, o PAC, a transposição do Rio São Francisco, o funcionamento colegiado dos órgãos de controle das obras do governo, o Programa Bolsa Família...

A oposição tem medo, o PIG não


"A oposição sabe a lista de absurdos encontrados nas obras do PAC ou fora dele?", admoesta a colunista. E, linhas abaixo: "A oposição tem medo de criticar".

Miriam Leitão, está visto, não tem medo de criticar. As Organizações Globo, que pagam seu salário (ou serão vários, um para cada multifunção? e de quanto?) não tem medo de criticar. O PIG não tem medo de criticar. E cobra igual intrepidez de seus aliados da oposição convencional.

Ocorre que os desgraçados oposicionistas do mundo político real terão de pedir votos para continuarem à tona nas eleições daqui a 11 meses. É compreensível que não tenham toda a bravura que Miriam exige deles, para sair à liça numa ofensiva geral de denúncias do execrável governo Lula. Não enquanto o execrável for aprovado por 82% dos eleitores, nas próprias pesquisas tucanas.

O PIG não teme porque não depende do eleitorado. Responde única e exclusivamente à vontade dos seus editores, diretores, 'publishers', dos seus donos. Os seus segredos de alcova, esses ninguém desvenda.

Mensagem final de confiança no PIG


Alguém bem podia replicar a Miriam Leitão, interpelando o PIG e seus caciques (e 'cacicas') sobre o desempenho que anda tendo. O último escândalo nacional, no Senado, não alcançou seu objetivo. Pior: esgotou-se faz cinco meses, e ainda não há outro na praça. A denúncia contra a ANP (agência Nacional de Petróleo), revelada pela mídia, terminou se revelando uma fraude forjada por um ex-araponga nomeado pelo genro do ex-presidente Fernando Henrique.

O fato é que o PIG tampouco está dando no couro. Vive à cata de alguma pegadinha como a infeliz metáfora de Lula sobre o Brasil, Jesus e Judas. Não anda fazendo justiça aos gloriosos idos de 2005, quando conquistou o galardão da bela sigla.

Porém o autor destas linhas confia. O PIG não há de nos desapontar. Mais dia, menos dia, a sequência dos escândalos há de ser retomada. O Brasil tem oposição de menos, mas, yes, nós temos PIG, PIG para dar e vender. E de que vale a opinião pública estar com Lula, se a opinião publicada estíver contra?!

Para o deleite do amigo internauta, publico abaixo, na íntegra, a coluna da colega Miriam Leitão:

"O papel da oposição"

"O Brasil tem governo demais e oposição de menos. O presidente Lula fala e faz o que bem entende sem um contraponto. A oposição tem medo da popularidade do presidente e acha melhor não apontar suas falhas sequenciais. O PSDB se omite em questões importantes, o DEM é temático, o PSB é oficialmente da base, o PV começa a desenhar uma alternativa, o PMDB é governo e sempre será.

O novo ministro do Supremo José Antonio Toffoli não foi escolhido por seu currículo, mas por sua extensa folha de serviços prestados ao PT.

Nos Estados Unidos, a juíza Sonia Sotomayor foi sabatinada por uma semana pelo Senado, e os republicanos quiserem saber o sentido de cada ato e declaração dela antes de aprová-la.

Aqui, bastou meia dúzia de perguntas dos partidos de oposição, durante uma tarde, e ele foi aprovado. Na posse de Toffoli, lá estava na primeira fila batendo palmas para ele o governador José Serra, que é o nome da oposição que está na frente em todas as pesquisas de intenção de votos.

O anúncio do pré-sal foi montado como um palanque para a candidata Dilma Rousseff, e o projeto de regulação tem uma sucessão de erros, mas lá estava Serra no lançamento, reclamando apenas dos royalties.

Cabe à oposição, de qualquer partido, mostrar os equívocos do caminho escolhido que favorece uma empresa de capital aberto, tira transparência do processo de escolha de investidores e não pesa o custo ambiental da exploração.

O PAC das cidades históricas é uma versão empobrecida de um projeto do governo passado, mas lá estava batendo palmas o governador de Minas, Aécio Neves, outro pré-candidato do PSDB.

O presidente deu uma entrevista em que nem Cristo foi poupado. Tudo o que Serra disse foi uma ironia de pouco alcance: Quando Lula ficou três dias num carnaval fora de hora, em cima de um palanque, com dinheiro público, alegando fiscalizar uma obra, Serra falou algo sobre irrigação nas terras ribeirinhas, e há um movimento de se saber o custo da viagem.

Mas a transposição do Rio São Francisco deve ser discutida também por uma série de outros motivos. Teve licença ambiental condicionada a exigências até agora não cumpridas. O rio sofre com assoreamento, esgoto sanitário de inúmeras cidades ribeirinhas, e destruição da mata ciliar. A população não pode ficar na situação de apenas se queixar ao bispo.

O presidente Lula tem atacado o TCU sucessivamente e avisa que vai apresentar uma lista de absurdos que pararam obras importantes.

A oposição sabe a lista de absurdos encontrados nas obras do PAC ou fora dele?

É melhor que saiba porque o governo informa que está pensando em criar um conselho para que as obras contestadas sejam liberadas em rito sumário.

O governo atrasa a restituição de Imposto de Renda às pessoas físicas; desmoraliza, por erros gerenciais e falta de controle, o programa de avaliação do ensino médio; planeja construir dezenas de termoelétricas a combustível fóssil nos próximos anos; permite que o setor elétrico se transforme em feudo familiar de um aliado; faz ameaças públicas a uma empresa privada; o Rio afunda numa angustiante crise de segurança. Isso para citar alguns eventos recentes sobre os quais os políticos de oposição ou fazem protesto débil ou frases de efeito.

O Bolsa Família é um programa que distribui renda para quem precisa e tem o direito de receber. Mas um dos seus méritos iniciais, quando nasceu como Bolsa Escola em experiências municipais, era não ser uma concessão assistencialista. Está perdendo essa virtude.

Seu maior desafio como política pública era ter uma porta de saída, ser uma alavanca para a mobilidade social. O governo não formatou essa porta de saída e o programa começa a perder qualidade.

A oposição tem medo de criticar o que está errado no projeto, tem medo de desmascarar o uso político-eleitoral do programa, e de propor avanços. Toda política pública é uma ferramenta. O Bolsa Família pode e deve ser aperfeiçoado, sem ser abandonado."

Com informações dO Globo

Veja também: Luis Nassif: a oposição abandonou o barco da mídia

Fonte: Vermelho

::Link

Em tempo: Hoje no Bom (?) Dia Brasil a supra citada urubóloga curvou-se ao óbvio e admitiu que a economia brasileira é um sucesso. O enólogo Renato Machado fazia questão de enfatizar que o crescimento econômico deste ano será zero. Ele se esquece de que a urubóloga se cansou de anunciar que haveria, este ano, um crescimento negativo. Segundo o Bradesco – clique aqui para ler – ano que vem o PIB crescerá no mínimo 5,4%. Se você tiver o infortúnio de acordar com a Miriam Leitão e dormir com o Willian Waack, você não anuncia na Globo e pede asilo à Embaixada do Haiti.

Fonte: Conversa Afiada

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A pedidos: Como o Bonner trata o espectador do jornal nacional

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É assim que o Bonner trata o espectador do jornal nacinal

É assim que o Bonner trata o espectador do jornal nacinal


Por sugestão da navegante Luciene, o Conversa Afiada publica o artigo de Laurindo Lalo Leal Filho publicado na Carta Capital, edição número 371, de título: “De Bonner para Homer”

DE BONNER PARA HOMER

por Laurindo Lalo Leal Filho*


O editor-chefe considera o obtuso pai dos Simpsons como o espectador padrão do Jornal Nacional

Ele é preguiçoso, burro e passa o tempo no sofá, comendo rosquinhas e bebendo cerveja

Na reunião matinal, é Bonner quem decide o que vai ou não para o ar Pauta.

A decisão do juiz Livingsthon Machado, de soltar presos, é considerada coisa de louco

Perplexidade no ar. Um grupo de professores da USP está reunido em torno da mesa onde o apresentador de tevê William Bonner realiza a reunião de pauta matutina do Jornal Nacional, na quarta-feira, 23 de novembro.

Alguns custam a acreditar no que vêem e ouvem. A escolha dos principais assuntos a serem transmitidos para milhões de pessoas em todo o Brasil, dali a algumas horas, é feita superficialmente, quase sem discussão.

Os professores estão lá a convite da Rede Globo para conhecer um pouco do funcionamento do Jornal Nacional e algumas das instalações da empresa no Rio de Janeiro. São nove, de diferentes faculdades e foram convidados por terem dado palestras num curso de telejornalismo promovido pela emissora juntamente com a Escola de Comunicações e Artes da USP. Chegaram ao Rio no meio da manhã e do Santos Dumont uma van os levou ao Jardim Botânico.

A conversa com o apresentador, que é também editor-chefe do jornal, começa um pouco antes da reunião de pauta, ainda de pé numa ante-sala bem suprida de doces, salgados, sucos e café. E sua primeira informação viria a se tornar referência para todas as conversas seguintes. Depois de um simpático bom-dia , Bonner informa sobre uma pesquisa realizada pela Globo que identificou o perfil do telespectador médio do Jornal Nacional. Constatou-se que ele tem muita dificuldade para entender notícias complexas e pouca familiaridade com siglas como BNDES, por exemplo. Na redação, foi apelidado de Homer Simpson. Trata-se do simpático mas obtuso personagem dos Simpsons, uma das séries estadunidenses de maior sucesso na televisão em todo o mundo. Pai da família Simpson, Homer adora ficar no sofá, comendo rosquinhas e bebendo cerveja. É preguiçoso e tem o raciocínio lento.

A explicação inicial seria mais do que necessária. Daí para a frente o nome mais citado pelo editor-chefe do Jornal Nacional é o do senhor Simpson. Essa o Homer não vai entender , diz Bonner, com convicção, antes de rifar uma reportagem que, segundo ele, o telespectador brasileiro médio não compreenderia.

Mal-estar entre alguns professores. Dada a linha condutora dos trabalhos atender ao Homer , passa-se à reunião para discutir a pauta do dia. Na cabeceira, o editor-chefe; nas laterais, alguns jornalistas responsáveis por determinadas editorias e pela produção do jornal; e na tela instalada numa das paredes, imagens das redações de Nova York, Brasília, São Paulo e Belo Horizonte, com os seus representantes. Outras cidades também suprem o JN de notícias (Pequim, Porto Alegre, Roma), mas elas não entram nessa conversa eletrônica. E, num círculo maior, ainda ao redor da mesa, os professores convidados. É a teleconferência diária, acompanhada de perto pelos visitantes.

Todos recebem, por escrito, uma breve descrição dos temas oferecidos pelas praças (cidades onde se produzem reportagens para o jornal) que são analisados pelo editor-chefe. Esse resumo é transmitido logo cedo para o Rio e depois, na reunião, cada editor tenta explicar e defender as ofertas, mas eles não vão muito além do que está no papel. Ninguém contraria o chefe.

A primeira reportagem oferecida pela praça de Nova York trata da venda de óleo para calefação a baixo custo feita por uma empresa de petróleo da Venezuela para famílias pobres do estado de Massachusetts. O resumo da oferta jornalística informa que a empresa venezuelana, que tem 14 mil postos de gasolina nos Estados Unidos, separou 45 milhões de litros de combustível para serem vendidos em parcerias com ONGs locais a preços 40% mais baixos do que os praticados no mercado americano . Uma notícia de impacto social e político.

O editor-chefe do Jornal Nacional apenas pergunta se os jornalistas têm a posição do governo dos Estados Unidos antes de, rapidamente, dizer que considera a notícia imprópria para o jornal. E segue em frente.

Na seqüência, entre uma imitação do presidente Lula e da fala de um argentino, passa a defender com grande empolgação uma matéria oferecida pela praça de Belo Horizonte. Em Contagem, um juiz estava determinando a soltura de presos por falta de condições carcerárias. A argumentação do editor-chefe é sobre o perigo de criminosos voltarem às ruas. Esse juiz é um louco , chega a dizer, indignado. Nenhuma palavra sobre os motivos que levaram o magistrado a tomar essa medida e, muito menos, sobre a situação dos presídios no Brasil. A defesa da matéria é em cima do medo, sentimento que se espalha pelo País e rende preciosos pontos de audiência.

Sobre a greve dos peritos do INSS, que completava um mês matéria oferecida por São Paulo , o comentário gira em torno dos prejuízos causados ao órgão. Quantos segurados já poderiam ter voltado ao trabalho e, sem perícia, continuam onerando o INSS , ouve-se. E sobre os grevistas? Nada.

De Brasília é oferecida uma reportagem sobre a importância do superávit fiscal para reduzir a dívida pública . Um dos visitantes, o professor Gilson Schwartz, observou como a argumentação da proponente obedecia aos cânones econômicos ortodoxos e ressaltou a falta de visões alternativas no noticiário global.

Encerrada a reunião segue-se um tour pelas áreas técnica e jornalística, com a inevitável parada em torno da bancada onde o editor-chefe senta-se diariamente ao lado da esposa para falar ao Brasil. A visita inclui a passagem diante da tela do computador em que os índices de audiência chegam em tempo real. Líder eterna, a Globo pela manhã é assediada pelo Chaves mexicano, transmitido pelo SBT. Pelo menos é o que dizem os números do Ibope.

E no almoço, antes da sobremesa, chega o espelho do Jornal Nacional daquela noite (no jargão, espelho é a previsão das reportagens a serem transmitidas, relacionadas pela ordem de entrada e com a respectiva duração). Nenhuma grande novidade. A matéria dos presos libertados pelo juiz de Contagem abriria o jornal. E o óleo barato do Chávez venezuelano foi para o limbo.

Diante de saborosas tortas e antes de seguirem para o Projac o centro de produções de novelas, seriados e programas de auditório da Globo em Jacarepaguá os professores continuam ouvindo inúmeras referências ao Homer. A mesa é comprida e em torno dela notam-se alguns olhares constrangidos.

* Sociólogo e jornalista, professor da Escola de Comunicações e Artes da USP

Fonte: Conversa Afiada

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Lula peita Gilmar sobre MST. Já estava na hora

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Lula coloca Gilmar no seu devido lugar: ventriloquo de FHC

Lula coloca Gilmar no seu devido lugar: ventriloquo de FHC


por Paulo Henrique Amorim


O presidente Lula resolveu, finalmente, enfrentar o auto-nomeado líder da oposição, o Supremo Presidente do Supremo, Gilmar Dantas(*)

Gilmar Dantas(*) na 898º entrevista desta semana desafiou o governo a suspender as transferências legais de recursos a movimentos sociais, como o MST

O governo, como se sabe, não dá dinheiro ao MST.

Leia aqui trecho da reportagem na Folha Online:

Não precisa de dinheiro para cometer barbáries, diz Lula sobre MST

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu com irritação nesta terça-feira à declaração do presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Gilmar Mendes, que ontem defendeu punição para atos criminosos cometidos por movimentos sociais.

“Eu não acho nada. Não acho absolutamente nada”, afirmou o presidente ao ser perguntado sobre as declarações de Mendes. Depois, ressaltou que as entidades que pedem dinheiro a algum órgão do governo precisam apresentar documentos e proposta que passam “por um crivo” que libera ou não o dinheiro.

Como se sabe, o MST recebe recursos de instituições, como a Emater, que, segundo critérios previstos em Lei, financia projetos agrícolas.

Numa entrevista, o presidente Lula disse, primeiro, que as transferências para o MST continuarão e, o que deve significar um tiro no peito dos seguidores da senadora Kátia Abreu, afirmou que dará curso à atualização dos índices de produtividade da terra, como pré-condição para realizar a reforma agrária.

Quando um repórter perguntou o que achava das opiniões do Supremo Presidente do Supremo, Lula disse “não acho absolutamente nada”.

Essa técnica de desqualificar o interlocutor evidentemente desqualificado, o presidente Lula utilizou recentemente numa entrevista em que massacrou – clique aqui para ler – um repórter do PiG(**).

O repórter da Folha (***), suposto órgão de imprensa da reduzida base de apoio a Zé Pedágio, quis saber o que o presidente Lula achava da opinião de Zé Pedágio sobre o imposto na entrada de capital estrangeiro.

O objetivo secreto do repórter da Folha(***) era elevar o Zé Pedágio à condição de interlocutor privilegiado para contestar uma política do Governo Federal.

Ou seja, fazer escada para o Zé Pedágio.

O presidente Lula observou que a opinião do Zé Pedágio sobre o câmbio ou sobre qualquer outra coisa “não interessa” a ninguém.

Agora, sobre o MST, o presidente Lula faz o mesmo e coloca o Supremo Presidente do Supremo no seu devido lugar: o de um megalomaníaco, que dá palpite sobre tudo, na tentativa de ocupar o espaço que a oposição lhe concedeu.

Clique aqui para ler “Lula dizimou a oposição e só sobrou o Gilmar”.

Conversei com amigos que o conhecem de longa data para tentar diagnosticar a patologia do Supremo Presidente do Supremo.

Defendi a tese de que ele foi acometido de hubris – clique aqui para ler.

O meu amigo tem uma tese menos elaborada.

Considera que o Supremo Presidente cumpre apenas o dever de defender os interesses políticos que sempre defendeu e que culminou com a sua nomeação para o Supremo, a maior das heranças malditas de Fernando Henrique Cardoso.

Diz o meu amigo, que conhece a matéria como a palma da mão, que Gilmar Dantas (*) defende os mesmo tipos de interesses desde que na AGU, Advocacia Geral da União, cuidou com empenho e zelo dos precatórios do Ministério dos Transportes nos bons tempos de Elizeu Padilha e o Farol de Alexandria.

Segundo essa interpretação, Gilmar Dantas(*) não é um ministro do Supremo nem presidente do Supremo.

Ele continua a ser o advogado geral do governo Fernando Henrique.

E por isso deu dois HCs em 48 horas a Daniel Dantas, o passador de bola condenado por passar bola.

Porque ele, Gilmar, e a torcida do Flamengo sabem que Daniel Dantas detem a caixa preta do governo FHC.

O presidente Lula vai pendurar Fernando Henrique no pescoço do Serra.

O Serra vai tentar jogar Fernando Henrique no mar como fez em 2002 e como anuncia seu aliado Roberto Freire - clique aqui para ler a reveladora entrevista a um jornal do Ceará deste presidente de partido que não se elege vereador em Recife.

Quem vai defender Fernando Henrique e seus esqueletos até a morte será Gilmar Dantas(*).


Em tempo: O Conversa Afiada reproduz nota veiculada no portal do MST

Quatro deputados federais que assinaram o requerimento favorável à criação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) contra o MST receberam doações da Sucocítrico Cutrale, empresa que monopoliza o mercado de laranja do Brasil e acumula denúncias na Justiça.

De acordo com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), a fazenda da Cutrale ocupada neste mês por trabalhadores rurais Sem Terra em Iaras (SP), é uma área pública grilada.

Arnaldo Madeira (PSDB/SP) recebeu, em setembro de 2006, R$ 50.000,00 em doações da empresa. Carlos Henrique Focesi Sampaio, também do PSDB paulista, e Jutahy Magalhães Júnior (PSDB/BA), obtiveram cada um R$ 25.000,00 para suas respectivas campanhas. Nelson Marquezelli (PTB/SP) foi beneficiado com R$ 40.000,00 no mesmo período.

Os quatro parlamentares que votaram favoravelmente à CPI integram a lista dos 55 candidatos beneficiados pela empresa em 2006.

Clique aqui para ler na íntegra

___________________________________________________________________________________

(*)Acompanhe aqui, amigo navegante, como um ilustre jornalista do Globo, do Globo !, se refere a Ele

(**)Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

(***)Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele acha da investigação, da “ditabranda”, do câncer do Fidel, da ficha falsa da Dilma, de Aécio vice de Serra, e que nos anos militares emprestava os carros de reportagem aos torturadores.

Fonte: Conversa Afiada

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Solidariedade ao MST

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http://3.bp.blogspot.com/_arpMDVPXPPs/SUpAsJ4SrZI/AAAAAAAAAfU/ekHVOXR0sps/s400/Latuff-MST.jpg


Solidariedade ao MST

por João Baptista Herkenhoff *



A nosso ver, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) é o mais importante movimento social do Brasil contemporâneo. O MST nasceu em 1984, por iniciativa de trabalhadores rurais ligados à Igreja Católica.

Segundo dados da CPT (Comissão Pastoral da Terra), órgão ligado a um elenco de Igrejas cristãs, existem, atualmente, cerca de 300 mil famílias vivendo sob o abrigo de tendas de plástico junto às rodovias. Trabalhadores acampados revelam apenas a face militante do grito de Justiça do MST. Se aprofundamos no exame dos dados existentes, a situação real é bem mais dramática.

O Brasil possui 600 milhões de hectares de terra cultiváveis. Entretanto, 2% de proprietários rurais são donos de 48% das terras agriculturáveis. Há latifúndios com extensão superior ao território de países como a Holanda e a Bélgica.

Segundo dados do Atlas Fundiário do INCRA, "existem 3.114.898 imóveis rurais cadastrados no país que ocupam uma área de 331.364.012 hectares. Desse total, os minifúndios representam 62,2 % dos imóveis, ocupando 7,9% da área total. No outro extremo verifica-se que 2,8 % dos imóveis são latifúndios que ocupam 56,7% da área total".

Em cima desses dados, conclui a CPT: "Lamentavelmente, o Brasil ostenta o deplorável título de país com o quadro de segunda maior concentração da propriedade fundiária, em todo o planeta".

Um terço da população brasileira vive abaixo da linha de pobreza, com renda mensal inferior a 60 dólares. Um oitavo do povo vive abaixo da linha da indigência, com renda mensal inferior a 30 dólares.

Muitos desses excluídos foram expulsos do campo:

a) por força dos latifúndios que ampliam seus domínios;
b) como consequência das barragens que são construídas sem qualquer atenção àqueles que são removidos do seu chão;
c) e finalmente por causa de juros bancários extorsivos que transformam o pequeno proprietário rural de ontem no homem sem referência e sem horizontes de hoje, a perambular pelas ruas da cidade, ou a buscar a retomada do sonho de viver, nos acampamentos dos trabalhadores sem terra.
A Confederação Nacional da Indústria encomendou uma pesquisa sobre os sentimentos do povo, em relação ao MST. O grau de aceitação e aprovação do MST, no seio da opinião pública, merece nossa atenção:
85% dos respondentes apoiavam as ocupações de terra, desde que sem violência e mortes;
94% consideravam justa a luta do MST pela reforma agrária;
77% encaravam o MST como um movimento legítimo;
88% disseram que o Governo deveria confiscar as terras improdutivas e distribuí-las aos sem-terra.

As marchas do MST, a meu ver, são marchas de luta pela Justiça, são marchas cívicas de salvação nacional.

Quando assusta a migração do campo para a cidade, num país que, por sua imensa extensão territorial, tem vocação agrícola, o que o MST pretende é a migração da cidade para o campo.

Vejo um traço de poesia nessa trajetória: migram da desesperança para a Esperança, da exclusão para a inclusão, da condição de apátridas do abandono social para a condição de construtores da Pátria Mãe gentil de todos nós.

Temos de repelir a ideia falsa e preconceituosa que tenta indigitar o MST como "inimigo social", confundindo uma luta legítima, que deve merecer nosso apoio e simpatia, com um motim de desordeiros.

Da mesma forma merece esclarecimento a ideia às vezes corrente de que a reforma agrária repartiria a pobreza no campo. Os fatos levam a conclusões diametralmente opostas.

Colocou muito bem o "Fórum Nacional pela Reforma Agrária e Justiça no Campo":
"Com todas as adversidades, a agricultura familiar responde hoje por 80% do abastecimento dos produtos que compõem a cesta básica e emprega quase 90% da mão-de-obra no campo.

A pequena propriedade gera um emprego a cada 5 hectares enquanto o latifúndio precisa de 223 hectares para gerar um emprego. (...) Dado o desemprego e a deterioração da qualidade de vida nos centros urbanos brasileiros, a vida nas cidades fica cada vez mais insustentável. Neste contexto, a reforma agrária é um elemento central de um novo rumo para o desenvolvimento no Brasil".

[Autor do livro Movimentos Sociais e Direito. Porto Alegre, Livraria do Advogado, 2004]


* Livre-Docente da Universidade Federal do Espírito Santo, membro emérito da Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de Vitória, palestrante e escritor

Fonte: Adital

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Economia tem a ver com felicidade

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Economia tem a ver com felicidade

por
Marcus Eduardo de Oliveira*


O lado consumista do ser humano recomenda que a felicidade repouse na aquisição de produtos e serviços diversos, e, de preferência, em grandes quantidades. Somente por esse pormenor já bastaria para analisarmos a economia pelos seus dois lados mais influentes: a oferta e a demanda. Até mesmo porque tudo parece ser uma questão de oferta e demanda; não à toa esse é um dos principais conceitos da economia.

Evidentemente, junto à oferta e demanda, deve-se levar em conta à variável "preço"; condição essa essencial para deslocar (para cima ou para baixo) a quantidade procurada (demanda) em razão da quantidade fornecida (oferta); isso tudo, é claro, num lugar específico chamado "mercado".

Utilizando a variável "preço" queremos, por sua vez, apenas para sintetizar essa discussão e não torná-la enfadonha, fazer um link com a variável "renda", que aponta, essa sim, para a real possibilidade de compra ou recusa dos diversos bens e serviços dispostos nos mercados.

Portanto, pensando friamente dessa forma, ou seja, (no ato de consumir), quanto mais se consumir, mais a felicidade aumenta; ainda que seja não apenas sobre um consumo necessário.

Esse consumo excessivo, que vai além das necessidades básicas, encontra nas ciências econômicas amparo no conceito "conspícuo", ou seja, aquele consumo supérfluo, típico do consumidor voraz pronto para alimentar com seu consumo sem limites a oferta. Ao economista Thorstein Veblen devemos esse conceito desde 1899.

Portanto, se a felicidade repousa no ato de consumir, como querem alguns, basta consumir cada vez mais para ser muito feliz. Afinal, consome-se de tudo (até mesmo coisas sem sentido) e, em geral, em quantidades que agradam muito aos ofertantes. Desse modo, como a sociedade, em geral, é muito consumista, pressupõe-se que há muita gente feliz. Portanto, nesse pormenor, a felicidade é igual ao consumo e o consumo leva a felicidade. Certo ou errado?

A diversificação da oferta - o poder da demanda

Tamanha é a diversificação da oferta - cuja demanda parece sempre disposta a responder aos estímulos -, que os economistas, além de calcularem a sensibilidade (elasticidade) da demanda e da oferta em relação aos preços, chegam até mesmo a definir certo tipo de mercadoria chamando-a de "mercadoria não rival". Essa é aquela mercadoria cujo consumo feito por uma pessoa não impede que outra também a consuma, como um passeio pelo parque público nas manhãs de domingo, a leitura em público de um poema, assistir ao filme do momento no cinema lotado ou mesmo no DVD junto aos familiares.

Pela pura lógica do consumo, o poder parece então residir, de fato, nas mãos dos consumidores. John K. Galbraith, a esse respeito em The Economics of Innocent Fraud: Truth For Our Time nos diz que "O poder de última instância é o do consumidor. A escolha do consumidor dá forma à curva de demanda. (...) A curva de demanda confere autoridade ao consumidor".

É dessa forma então que a teoria econômica foi esboçada desde seus primeiros passos. A prática do consumo é o determinante do vigor econômico. E vigor econômico é o que todos queremos, não é mesmo?

A economista Diane Coyle em Sexo, Drogas e Economia (leitura imperdível para quem gosta de ler economia fora do padrão acadêmico dos manuais) corrobora com essa afirmação apontando que "o vigor econômico tem a ver com consumo, não com produção". Nós acrescentamos que o consumo tem a ver com trabalho, que tem a ver com renda...e, quanto mais renda, mais consumo, mais vigor econômico. Entendemos definitivamente que a variável "consumo" é a responsável por puxar qualquer economia para cima. Aqueles que querem que a felicidade esteja relacionada ao consumo certamente acrescentariam que, dessa forma, pela estrita lógica consumista, alargar-se-á a oportunidade de alcançar a felicidade.

Essa parece ser a estrutura econômica balizada pelo consumo. Enganam-se aqueles que pensam que a base do capitalismo é a produção. A base (fundamento) é o consumo. Alguém já disse que acabar com os consumidores é matar a galinha dos ovos de ouro do capitalismo.

Retornando à idéia de felicidade há algo ainda que precisa ser inquirido.

Será mesmo que a felicidade é apenas consumir, consumir e consumir? Será que a felicidade pode mesmo ser comprada qual fosse uma mercadoria disposta em alguma prateleira?

Maximização da utilidade esperada

Embora o dinheiro não compre felicidade, é um pré-requisito para isso. Assim como o trabalho é o pré-requisito para o dinheiro. Em geral, os economistas querem que todos sejam felizes, e não apenas ricos. Até mesmo porque os economistas caracterizam o comportamento das pessoas quando fazem escolhas com base na maximização da utilidade esperada (espera-se escolher a opção que lhe proporciona a maior utilidade média).

Para entramos nessa discussão, convém, antes, lembrarmos que a economia é construída em cima da estrutura da utilidade, como bem aponta Diane Coyle na obra acima citada.

Utilidade (utilitarismo) para os economistas só faz sentido se pensada em forma de benefício, de bem-estar. A base da Teoria do Consumidor passa pelo conceito de utilitarismo. Esse pode ser definido como o bem que se identifica com o útil.

Os utilitaristas - Jeremy Bentham e John Stuart Mill - são claros a esse respeito: "a felicidade está na aquisição daquilo que nos é útil".

O útil, grosso modo, leva à satisfação, leva ao prazer, leva ao bem-estar. Essa é, em essência, o objetivo do economista: proporcionar oportunidades e escolhas disponíveis a todos no dia a dia, auxiliando o maior número de pessoas na busca de algo fundamental: o bem-estar.

Bem-estar, então, por sua vez, se liga de forma íntima à felicidade. Pelo menos é o que diz a ciência econômica quando recomenda a seus fiéis consumidores que maximizem a utilidade esperada, ou seja, que no ato de tomada de decisões (não somente no ato de consumir) cada indivíduo alcance o maior nível possível de utilidade.

Conquanto, nem sempre essa utilidade está relacionada apenas ao ato de consumir, como parece recomendar a lógica mercadológica. Posso perfeitamente obter utilidade ao encontrar alguém, ao falar com alguém, ao pensar em algo prazeroso, ao ler um poema agradável, ao respirar um ar puro, ao contemplar uma obra de arte ou um monumento público. Estou assim consumindo algo? Sem dúvida; no entanto, não estou tendo nenhum dispêndio para isso. Para desespero do capitalismo, nem sempre um consumo vem seguido de gastos.

Resultados sociais

Se a economia é uma ciência social, nada mais justo que seus resultados apresentem um significado social - e não apenas econômico, como quer a lógica econômico-consumista-mercadológica.

No entanto, esse lado social imerso nessa lógica econômica tem ficado à margem das decisões que priorizam, apenas, e tão somente, o lado econômico. O lado social sempre foi - e continua a ser - relegado a quinto plano.

Pelo lado econômico, o que tem validade são os ganhos financeiros, n