sexta-feira, 18 de julho de 2008

Queiroz dá munição para a grande mídia

Por Glauco Faria

A divulgação de trechos de uma reunião de três horas onde o delegado Protógenes Queiroz tece elogios a seus superiores é mais uma cena do teatro do absurdo em que se transformou um conflito interno da Polícia Federal. E, analisando a fundo, de novo a mídia tem participação na história. No entanto, desta feita ela é só coadjuvante.

Tudo indica que a decisão da cúpula da PF em divulgar trechos (obviamente editados) da tal reunião é uma resposta aos contínuos vazamentos que o delegado que comandava a Operação Satiagraha faz à imprensa. Em especial, à Rede Globo. Foi por ali que ele articulou o que seria uma defesa contra a suposta má-vontade de seus chefes em apurar o caso Dantas, tornando de conhecimento geral uma guerra de bastidores.

Nesse sentido, um trecho do áudio da gravação é relevante, justo aquele em Queiroz (referindo-se a si mesmo na terceira pessoa) diz: “Na minha avaliação, tirando os erros que a gente está avaliando aqui hoje, a avaliação é feita para nos corrigirmos como policiais. Então houve a presença da imprensa aqui em São Paulo? Houve. Falhou? Falhou. Quem falhou? Queiroz falhou, porque o doutor Troncon me depositou confiança, eu firmei compromisso com ele, mas falhou ao meu controle.”

Após a reunião que definiu sua saída, Queiroz não fez qualquer depoimento público (sem dúvida, um erro) e as versões que pululavam na mídia davam conta de uma “operação abafa” que teria vitimado o delegado. No entanto, quem vira o jogo e põe o delegado na parede é o próprio presidente da República, quando cobra que ele continue no cargo. No dia seguinte, a PF divulga a gravação da reunião, autorizada por Lula.

Parte da grande mídia tentou ridicularizar Protógenes, como já foi dito aqui, tomando o acessório como principal. E ele mesmo acabou ajudando a afetar sua imagem com todo esse imbróglio, dando mais munição a quem quer atacá-lo. Em um passado recente, membros do Ministério Público colocaram a perder importantes investigações por conta da sanha pelos holofotes. Não será esse o caso, já que, a despeito do acontecido, o delegado Queiroz fez um belo e importante trabalho. Isso que não se pode perder de vista e o governo deve ter habilidade para contornar essa situação sem desmoralizar o resultado de tudo o que foi apurado. Por enquanto, Dantas conseguiu sair do foco e é nele que os holofotes e a volúpia investigativa da imprensa deveriam estar mirando.

Fonte: Blog do Rovai


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