Um dos mais admirados jovens jornalistas do Oriente Médio, Mohammed Omer, correspondente da Inter Press Service na Faixa de Gaza, viajou na semana passada para a Europa, onde recebeu o prestigioso prêmio Martha Gellhorn de jornalismo pelo seu trabalho. Além de receber o prêmio em Londres, Omer falou nos parlamentos grego, sueco e holandês. Sua viagem foi auspiciada pelo Washington Report e os trâmites para sua saída de Gaza foram feitos pela embaixada holandesa em Tel-Aviv.
Ao voltar para casa, escoltado por diplomatas holandeses, Omer teria que cruzar a fronteira jordaniana com os Territórios Ocupados da Cisjordânia, para depois enfrentar o infernal percurso de volta a Gaza. Mesmo tendo passado pelo Raio-X das forças de ocupação, Omer recebeu ordens de se despir. Depois de revisar todos os papéis que ele trazia e de fazer piadas com as cartas que ele recebeu de seus leitores na Inglaterra, as forças de ocupação arrancaram sua cueca à força e jogaram-no ao chão. Perguntaram-lhe por que trazia perfumes e, ante a resposta de que eram presentes para pessoas que ele amava, um oficial israelense retrucou: vocês têm amor na sua cultura? Já com Omer totalmente pelado, as forças de ocupação o obrigaram a dançar. Tanto o insulto à sua cultura como essas formas de humilhação são diariamente usadas pelas forças israelenses contra os palestinos. A única diferença é que Omer é conhecido, e desta vez a história vazou.
Nesse ponto, com Omer chorando e pedindo clemência, oito oficiais israelenses armados procederam a uma sessão de torturas que incluiu não só insultos e piadas como agressões ao seu rosto, pancadas que fraturaram algumas de suas costelas e pisoteios enquanto ele permanecia no solo. Omer desmaiou e só acordou horas depois num hospital palestino. Enquanto isso, o embaixador sionista à Grã-Bretanha reclamava que os britânicos não apreciam a "democracia" israelense e as forças de ocupação soltavam um comunicado dizendo que Omer havia "perdido o equilíbrio" durante um interrogatório.
As forças de ocupação israelenses já assassinaram muitos jornalistas que ousaram produzir informação independente sobre a realidade da Palestina. As torturas a Omer continuam, sem dúvida, esse paradigma. Se você entende inglês e tem estômago, pode ouvir a entrevista concedida por Omer no leito do hospital. Enquanto isso, os massacres israelenses contra os civis de Ni'lin, vila próxima a Ramallah, entraram em seu quarto dia. Alguma notícia na imprensa? Não vi.
É o país mais detestado do planeta, continuando sua obra.
Fonte: O Biscoito Fino e a Massa



























































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