segunda-feira, 10 de março de 2008

ISSO É QUE É CRISE: AMERICANOS TROCAM STARBUCK'S POR DUNKIN' DONUTS - por Luiz Carlos Azenha

"Todo mundo quer comer tanto quanto um americano no mundo". A frase foi dita por um fazendeiro dos Estados Unidos ao New York Times. Espero que nem todos os habitantes do planeta comam tanto quanto os americanos. Se isso acontecer a Terra corre o risco de mudar de órbita por causa da obesidade.

Mas foi modo de dizer do agricultor. O fato é que o mundo não dá mais conta de produzir os grãos necessários à demanda, causando um fenômeno sobre o qual já falei em um texto anterior: inflação mundial e risco de que famílias que comiam dois pães por dia passem a comer apenas um.

O maior motivo disso é o crescimento recorde dos países em desenvolvimento, que ficou na média de 7 por cento em anos recentes. O preço da soja, que estava em 8 dólares e 50 o bushel em agosto agora está em 12 dólares e 79 centavos. Se de um lados os agricultores estão fazendo a festa, o mesmo não se pode dizer dos consumidores.

O preço do trigo disparou de tal forma que, segundo o jornal americano, o Paquistão foi obrigado a colocar comboios militares para acompanhar caminhões que transportam trigo e farinha. A Malásia tornou ilegal exportar trigo sem licença oficial.

O jornal também menciona uma explosão de demanda por grãos na Nigéria, Tunísia, Venezuela e Índia.

Já o clima entre os produtores americanos é de celebração. O país vai exportar mais de 100 bilhões de dólares em grãos em 2008. Os estoques de grãos no mundo estão em seu ponto mais baixo dos últimos anos.

De um lado, o Brasil tem tudo para tirar proveito dessa demanda, desde que consiga evitar que as novas áreas de plantio invadam a franja Sul da Amazônia - o que já acontece. Algo me diz que o projeto de transposição do rio São Francisco tem muito mais a ver com isso do que com incentivo à agricultura familiar.

No Brasil, só a revista Carta Capital percebeu, até agora, a delicadeza da situação econômica dos Estados Unidos. Inflação de anos 70, por causa do preço do petróleo a 100 dólares do barril e da inflação empurrada pelo preço dos alimentos. Queda acentuada da atividade econômica. Nuvem negra sobre Wall Street, já que ninguém conseguiu mensurar ainda o prejuízo causado pelos empréstimos podres no mercado imobiliário.

Subprime, fica todo mundo perguntando que troço é esse. É empréstimo sem garantia dado durante um período de dinheiro fácil, com juros flutuáveis. O calote generalizado desencadeou a crise.

Aqui há duas observações importantes que escaparam mesmo à Carta Capital: a casa própria é O BEM de um família americana. Quer uma grana? Refinancia o mortgage (empréstimo), pega um dinheiro vivo e compra um automóvel. Como o consumo pessoal é o motor da economia dos Estados Unidos e fazer financiamento ou refinanciamento ficou mais difícil, tá todo mundo reduzindo o consumo.

O Dunkin' Donuts está roubando clientela do Starbuck's, a rede chique que cobra 5 dólares por uma dose de café com leite. No Dunkin' Donuts sai por um dólar e meio e você ainda pode comer uma daquelas roscas que fazem parte do regime de engorda dos policiais americanos.

Outro ponto: a bolsa de Valores não é coisa de elite nos Estados Unidos. Quase 60% dos americanos têm algum dinheiro investido na bolsa, seja diretamente na compra de ações, seja em cestas de investimento em que eles investem pensando na aposentadoria, os famosos 401K.

Ou seja, quando a bolsa de São Paulo desaba a Miriam Leitão fica de cabelo em pé. Quando Wall Street despenca os americanos saem correndo do Starbuck's para beber café aguado no Dunkin' Donuts.

fonte: Vi o Mundo


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