terça-feira, 15 de julho de 2008

DELEGADO FALA EM INDÍCIOS DE QUE JORNALISTAS RECEBERAM "REMUNERAÇÃO DIRETA OU INDIRETA"



por Luiz Carlos Azenha

O que era rumor começa a tomar forma.

Mas é pouco.

É pouco e, por enquanto, serve mais ao assassinato de reputações do que à verdade factual.

De acordo com conversa reproduzida por Bob Fernandes, no Terra Magazine, o banqueiro Daniel Dantas disse ao delegado Protégenes Queiroz que daria nomes aos bois, inclusive de "quem foi comprado na imprensa".

Agora, de acordo com documento publicado por Luís Nassif em seu blog, o delegado Protégenes menciona três jornalistas como supostos integrantes da organização criminosa que estaria a serviço de Daniel Dantas.

O mais importante, em minha opinião, é um trecho do documento segundo o qual "é de se considerar como participantes da organização criminosa liderada por Daniel Valente Dantas especialmente aqueles que têm indícios de remuneração direta ou indireta de recursos originados do referido investigado ou de seus colaboradores".

O que os órgãos da categoria e as empresas jornalísticas têm obrigação de fazer é exigir de autoridades a investigação dos indícios acima citados.

Considerar a investigação de jornalistas ameaça à liberdade de imprensa seria um desserviço ao público e à própria categoria.

Porém, infelizmente, essa é a tendência das próprias empresas.

Primeiro, pela desconfiança de que se pretende calar jornalistas - em se tratando de Brasil, aliás, justa.

Segundo, pela existência de uma regra não escrita segundo a qual jornalistas e empresas perdoam mutuamente suas contravenções. É um pacto de silêncio necessário à manutenção da fantasia de que o jornalismo não se sujeita a interesses políticos e econômicos.

Mas nem todo jornalismo ruim é criminoso e é disso que se trata aqui: de profissionais que, de acordo com um delegado da Polícia Federal, se colocaram a serviço do crime.

Fonte: Vi o Mundo


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