quarta-feira, 9 de julho de 2008

Dantas: o ataque diversionista como defesa



Operação Santiagrha

por Sérgio Lírio


O advogado Nélio Machado, que assumiu a linha de frente na defesa do banqueiro Daniel Dantas, ameaça solicitar documentos anexados ao processo que o Citibank move contra o Opportunity em Nova Iorque para provar que seu cliente sofre perseguição do governo e do PT. É o que se lê hoje em reportagem da jornalista Elvira Lobato na Folha de S. Paulo. Segundo Machado, os documentos demonstram pressões sobre Dantas para que ele desistisse da disputa pelo controle da Brasil Telecom.

Não é uma história nova. Dantas já se referiu a essa suposta chantagem em outros momentos. Parte dos documentos anexados em Nova Iorque são públicos. Além de recortes de jornais, há declarações genéricas do próprio Opportunity de que o governo atuou para entregar a Brasil Telecom à OI. Outro pedaço está sob sigilo. Haveria, nesta parte interditada pela Justiça, o depoimento de uma “testemunha-chave” que comprovaria a atuação de ministros e de integrantes do PT na operação para afastar Dantas do setor de telefonia em benefício dos acionistas da OI, especificamente da Andrade Gutierrez.

Mas as declarações de Machado, no calor da prisão do banqueiro, contrastam com a estratégia e os acordos firmados pelo Opportunity na corte de Nova Iorque nos últimos meses. Apesar das ameaças, o banco sempre atuou para manter essas tais informações em sigilo. Em abril passado, por exemplo, os advogados do banco brasileiro apelaram ao juiz Lewis Kaplan que impedisse o acesso do empresário Luis Roberto Demarco aos documentos que agora Machado diz pretender solicitar aos Estados Unidos.

Ex-sócio do Opportunity, Demarco atua como assistente de acusação no processo que investiga a espionagem ilegal de desafetos e adversários de Dantas no chamado “Caso Kroll”. DD é réu, acusado de formação de quadrilha, entre outros crimes. Demarco foi um dos principais alvos da espionagem da Kroll.
O empresário havia solicitado a Kaplan que os papéis fossem enviados ao Ministério Público Federal do Brasil. Tanto a defesa do Opportunity quanto do Citi apelaram à corte de Nova Iorque para que esta negasse o pedido.

Em abril, as negociações para a fusão da Brasil Telecom com a OI estavam em pleno vapor. Apesar de se declarar prejudicado pela operação, Dantas pode se tornar um de seus grandes beneficiários (a fusão ainda depende de alterações nas leis brasileiras para se concretizar). Estima-se que o Opportunity receberá cerca de um bilhão de dólares por sua parte na BrT. O banqueiro também conseguiu a suspensão de todas as ações movidas contra ele pelos fundos de pensão e o próprio Citibank, no Brasil e nos Estados Unidos.

Fonte: Carta Capital
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