Trocar seis por uma dúzia
Leitores seres humanos normais dizem com freqüência não entender nada do noticiário econômico. De tão confuso, desistem. Vou tentar dar um exemplo complicado, de forma simples. O governo afirma que não só zerou a dívida externa como sobrou um troco. Não é bem assim.
Nos últimos anos, o Brasil foi beneficiado pela abundância de recursos externos, por causa da alta dos preços das chamadas commodities (como produtos agrícolas e minérios que exportamos). Entraram muitos dólares no País. O Banco Central compra a moeda americana e despeja reais no mercado. Só que os reais não podem ficar de bobeira no sistema, porque isso gera inflação. Daí que o Tesouro vende títulos públicos, pega os reais de volta e, como reza o jargão, “enxuga a liquidez”. Ou seja, aumenta a dívida interna.
Essa é a primeira parte do enrosco.
A segunda, bem mais séria, é a entrada de recursos estrangeiros pela via financeira. Somente em títulos públicos, os gringos têm 42 bilhões de dólares. Fora o que investem em fundos, na Bovespa e na BM&F. O mesmo ocorre com esses fluxos. O BC compra os dólares, o Tesouro tira os reais e a dívida interna aumenta. Ou seja, se der um piripaque de aversão ao risco, os gringos fogem do Brasil como o diabo da cruz. E aí, adeus zeragem de dívida externa.
Detalhe relevante: com essa política, as reservas internacionais brasileiras bombaram e hoje somam 190 bilhões de dólares. Só que essa dinheirama é remunerada por juros internacionais baixinhos. Por exemplo, um papel do Tesouro americano de 10 anos paga cerca de 3,8% ao ano. E está em queda livre com os discursos do presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, de que vai continuar a reduzir o juro para tentar tirar a economia dos EUA do buraco em que se encontra.
E quanto custa ter dívida interna? Um caminhão de dinheiro, por causa da Selic de 11,25% ao ano, a segunda maior taxa do mundo. A diferença entre os juros interno e externo custou 51 bilhões de reais ao Brasil em 2007, de acordo com o jornal Valor Econômico.
Entendeu por que estamos trocando seis por uma dúzia?
Dica econômico-cultural
Quando olho o cenário financeiro internacional, lembro-me dos Tribalistas, na música Já sei namorar: “Eu sou de ninguém. Eu sou de todo mundo e todo mundo é meu também”. É mais ou menos isso que acontece na finança global. Não existem mais os banqueiros e os países. Há fundos especulativos (hedge) e fundos soberanos (dos países emergentes), que se esbaldam alocando o dinheiro para lá e para cá, sem a menor cerimônia, e deixam os Bancos Centrais de queixo caído.
Para saber um pouco do passado, nada melhor do que a história das famílias Morgan, Warburg, Baring e Rothschild, aqueles homens de fraque e cartola. Uma referência imperdível é um livro de apenas 134 páginas: A Morte dos Banqueiros, de Ron Chernow, conta a saga desses investidores que mandavam e desmandavam nas atividades mercantis e, posteriormente, em Wall Street até o início do século passado. A edição brasileira é da Makron Books.
Na batida da semana
Adivinha o quê? Na quarta-feira 5 tem reunião do Copom de novo. Sabe o pior? O consenso do mercado é de que o jurão brasileiro vai permanecer em 11,25% ao ano. Não há uma aposta sequer em queda. Azar do consumidor e da dívida interna brasileira.
Antes, pela ordem. Na segunda 3, saem dados importantes da economia americana. O principal é um índice que mede a atividade manufatureira (dado de fevereiro). Vai cair. Também saem os gastos com construção (janeiro). Nova queda. Más notícias. Na terça, Ben Bernanke volta a fazer um discurso, o que sempre incomoda, porque ele está sem palavras encorajadoras. Perdido, perdido....
Na quarta, o IBGE divulga o ritmo da produção industrial brasileira, que vai de vento em popa. Em janeiro, deve ter crescido cerca de 9% na comparação com o mesmo mês de 2007. Quinta-feira é dia de o Banco Central Europeu e o Banco da Inglaterra manterem o juro estável, na contramão do Federal Reserve. E a semana encerra com o desemprego nos Estados Unidos, que subirá. O inferno, desta vez, são os outros. Por enquanto.

Seguiremos em marcha até que todas sejamos livres
Em 2010, a Marcha Mundial das Mulheres vai organizar sua terceira ação internacional. Ela será concentrada em dois períodos, de 8 a 18 de março e de 7 a 17 de outubro, e contará com mobilizações de diferentes formatos em vários países do mundo. O primeiro período, que marcará o centenário do Dia Internacional das Mulheres, será de marchas. O segundo, de ações simultâneas, com um ponto de encontro em Sud Kivu, na República Democrática do Congo, expressará a solidariedade internacional entre as mulheres, enfatizando seu papel protagonista na solução de conflitos armados e na reconstrução das relações sociais em suas comunidades, em busca da paz.
O tema das mobilizações de 2010 é “Seguiremos em marcha até que todas sejamos livres”, e sua plataforma se baseia em quatro campos de atuação sobre os quais a Marcha Mundial das Mulheres tem se debruçado. Os pontos são: Bem comum e Serviços Públicos, Paz e desmilitarização, Autonomia econômica e Violência contra as mulheres. Cada um desses eixos se desdobra em reivindicações que apontam para a construção de outra realidade para as mulheres em nível mundial.
Estão previstas também atividades artísticas e culturais, caravanas, ações em frente a empresas fabricantes de armamentos e edifícios da ONU, manifestações de apoio às ações da MMM em outros países e campanhas de boicote a produtos de transnacionais associadas à exploração das mulheres e à guerra.
No Brasil
A ação internacional da Marcha Mundial das Mulheres no Brasil acontecerá entre os dias 8 e 18 de março e será estruturada no formato de uma marcha, que vai percorrer o trajeto entre as cidades de Campinas e São Paulo. Serão 3 mil mulheres, organizadas em delegações de todos os estados em que a MMM está presente, numa grande atividade de denúncia, reivindicação e formação, que pretende dar visibilidade à luta feminista contra o capitalismo e a favor da solidariedade internacional, além de buscar transformações reais para a vida das mulheres brasileiras.
Serão dez dias de caminhada, em que marcharemos pela manhã e realizaremos atividades de formação durante à tarde. A marcha será o resultado de um grande processo de mobilização dos comitês estaduais da Marcha Mundial das Mulheres, que contribuirá para sua organização e fortalecimento. Pretendemos também estabelecer um processo de diálogo com as mulheres das cidades pelas quais passaremos, promovendo atividades de sensibilização relacionadas à realidade de cada local.
Para participar
A mobilização e organização para a ação internacional da Marcha Mundial das Mulheres no Brasil já começou. Entre os dias 15 e 17 de maio, a Marcha realizou um seminário nacional, do qual participaram militantes de 19 estados (AM, AP, AL, BA, CE, DF, GO, MA, MS, MG, PA, PB, PE, PR, RJ, RN, RO, RS e SP), além de mulheres representantes de movimentos parceiros como ANA, ASA, AACC, CONTAG, MOC, MST, CUT, UNE e Movimento das Donas de Casa). Este seminário debateu e definiu as diretrizes da ação de 2010.
Os comitês estaduais da MMM saíram deste encontro com tarefas como arrecadação financeira, seminários e atividades preparatórias de formação e mobilização, na perspectiva de fortalecimento dos próprios comitês e das alianças entre a Marcha Mundial das Mulheres e outros movimentos sociais. Neste momento, estão sendo realizadas plenárias estaduais para a formação das delegações e organização da atividade.
Para participar, entre em contato com a Marcha Mundial das Mulheres em seu estado (no item contatos) ou procure a Secretaria Nacional, no correio eletrônico marchamulheres@sof.org.br ou telefone (11) 3819-3876.
Márcia Pinheiro 

























































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