por Luiz Carlos Azenha
O Partido Republicano é muito esperto. Esse ano não será mole ganhar a eleição. A bola está com os democratas, por causa das dificuldades econômicas que afetam o bloco do eleitorado americano que é decisivo: a classe média baixa branca de estados industriais como Michigan, Ohio e Pensilvânia.
Mas, como sempre, os republicanos estão anos-luz à frente dos democratas nas malandragens de campanha.
Transformaram magistralmente um factóide negativo em um factóide positivo durante a Convenção, ao apresentar ao público a filha da candidata a vice -- Bristol, de 17 anos, grávida -- ao lado do futuro marido. Com isso ao mesmo tempo desfizeram a imagem de intolerância atribuída ao partido, asseguraram aos conservadores um "final feliz", sugeriram aos eleitores brancos um contraste (a gravidez precoce que termina com mães solteiras é um problema que atinge desproporcionalmente os negros americanos que estão na base da pirâmide social) e humanizaram a candidata a vice (que poderia ter optado pelo "mais fácil", o aborto).
Com isso, o fato de que a própria candidata a vice, Sarah Palin, cortou fundos para dar apoio a mães solteiras perde força para ser usado contra ela.
Outra jogada magistral dos republicanos é fazer campanha contra a mídia, o que vai "energizar" a base conservadora. John McCain cancelou de última hora uma entrevista com Larry King, da rede CNN, alegando que a emissora havia tratado mal um porta-voz da campanha. E a candidata a vice Sarah Palin atacou a mídia em seu discurso na Convenção. Tudo isso serve à mentalidade do "nós contra eles" ou à sensação de que os republicanos precisam lutar contra tudo e contra todos para triunfar.
É de um cinismo brutal, quando sabemos que Rupert Murdoch, o triliardário magnata da mídia é republicano de carteirinha, assim como 9 de cada 10 empresários do ramo. Diz-se por lá que há um "liberal bias", uma queda da mídia pelos liberais, o que é uma grande besteira. A maioria dos jornalistas americanos é conservadora e eu me arrisco a dizer que vota nos republicanos.
Atacar a mídia é, portanto, uma tática eleitoral que funciona. Além de intimidar os próprios editores lança dúvidas sobre qualquer notícia negativa sobre McCain-Palin: pode ser invenção da mídia. Como no Brasil, há um forte grau de desconfiança em relação ao que sai nos jornais e aparece nos programas de televisão. E isso acaba reforçando a imagem de durão de McCain, uma imagem de firmeza que é atraente em um mundo de "homens tíbios", cuja espinha dorsal parece programada para o servilismo.
Fonte: Vi o Mundo
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