domingo, 14 de setembro de 2008

Não há como escapar

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por Luiz Carlos Azenha

Wall Street viveu mais uma segunda-feira negra, com queda de 504 pontos no índice Dow Jones - 4,4%.

Menos dramático que outra segunda-feira que entrou para a História, 19 de outubro de 1987, quando os 508 pontos de queda representaram perda de 22,6%.

Mas a crise de agora é mais grave. Quando engoliu o banco de investimentos Bear Stearns, em março, poucos imaginavam que avançaria para causar o colapso de duas marcas de tradição do centro financeiro de Nova York em um só dia: a concordatária Lehman Brothers, fundada em 1850, e a Merrill Lynch, fundada em 1915, agora engolida pelo Bank of America por U$ 50 bilhões.

O mercado não recebeu bem o negócio: as ações do Bank of America perderam 21% do valor.

Quem será a próxima vítima? As ações da seguradora American International Group (AIG) cairam 61% na bolsa de Nova York enquanto a empresa procurava dinheiro para se manter em pé.

O drama é justamente esse: ninguém sabe exatamente o tamanho do problema.

"É o que se chama de risco sistêmico. Você sabe que ele existe, que está se manifestando, mas não sabe a abrangência dele", avaliou o economista Luiz Gonzaga Belluzzo.

Os bancos de investimento eram os mais vulneráveis à crise, já que fizeram fortuna espalhando papéis
cuja garantia eram as hipotecas do mercado imobiliário americano. "Esses bancos, sem supervisão, quase sem nenhum controle, meteram-se na aventura da alavancagem excessiva", diz Belluzzo. "Ficaram segurando o pincel".

A papelada, já batizada de "toxic waste", o lixo tóxico de Wall Street, contaminou em maior ou menor grau vários setores do mercado financeiro.

A posição do Brasil é "relativamente boa" para enfrentar o vendaval, na avaliação de Belluzzo. Um banqueiro ouvido pelo economista disse que sua instituição chegou a pensar em comprar os papéis contaminados, "mas na hora agá eles caíram fora, felizmente".

Porém, a crise americana já afeta o mercado de capitais no Brasil e torna mais difícil a captação de dinheiro. Além disso, é certo que uma retração mundial afetaria as exportações brasileiras.

"As economias estão hoje muito entrelaçadas nos setores financeiro e comercial. Não há como escapar", diz Belluzzo.

Resta saber qual será o exato tamanho do rombo.

Fonte: Carta Capital

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