quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Não é bem assim

::


Nelson Jobim vai à CPI das Escutas Clandestinas e diz que não afirmou que a maleta de grampos comprada pela Abin seria capaz de interceptar e gravar ligações telefônicas.


Por Filipe Coutinho

O ministro da Defesa Nelson Jobim foi à CPI das Escutas Clandestinas nesta quarta-feira 17 e desconversou. Aos deputados, o ministro não apresentou provas de que a suposta maleta para varredura comprada pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin) por meio do gabinete do Exército em Washington, seria capaz de interceptar e gravar ligações telefônicas.

Na tentativa de explicar o que foi dito ao presidente Lula na reunião que resultou no afastamento da direção da Abin, Jobim foi evasivo. “Recebi notícia do Exército de que esses equipamentos viabilizariam a interceptação, mas não fiz essa afirmação [de que as maletas fazem grampos]”, afirmou.

Além disso, o ministro da Defesa disse que não pediu ao Exército parecer técnico sobre a possibilidade de fazer grampos com a maleta comprada para fazer varreduras. “Não cabe ao Ministério da Defesa fazer essa investigação. Está na alçada do Ministério da Justiça e Polícia Federal”, afirmou. Jobim disse ainda que sugeriu ao presidente Lula o afastamento da cúpula da Abin por outras razões além da compra da maleta.

Para o ministro, o principal motivo para o afastamento de Paulo Lacerda do comando da Abin foi a acusação de que os agentes do órgão teriam feito grampos ilegais, conforme denunciou a revista Veja, ainda que não tenha sido apresentada nenhuma prova até agora. “A certeza é exigida para a responsabilidade criminal, e não política”, argumentou Jobim.

Antes do depoimento de Nelson Jobim na CPI, o ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Jorge Armando Felix, havia dito na Comissão Mista de Inteligência do Congresso que o ministro da Defesa teria em mãos o laudo do Exército, a fim de se comprovar se as maletas da Abin podem fazer grampos. Jobim negou que tenha o documento. As diferentes versões dos ministros foi um prato cheio para a oposição. “Vamos confrontar os dois, alguém está faltando com a verdade”, afirmou o deputado Vanderlei Macris (PSDB-SP).

O presidente da CPI dos Grampos, deputado Marcelo Itagiba (PMDB-RJ), anunciou que a comissão fará perícia nos equipamentos da Abin, com a colaboração de técnicos da Universidade de Campinas (Unicamp). Também serão encaminhados ofícios ao Exército e ao GSI a fim de se obter o laudo técnico ao qual Felix se referiu.

De resto, o depoimento de Nelson Jobim foi marcado por elogios rasgados por partes dos deputados ao currículo do ministro, principalmente dos tempos de constituinte e presidente do Supremo Tribunal Federal. Jobim falou sobre a Lei dos Grampos, súmula vinculante e as interferências do Judiciário nas decisões do Legislativo. Além da tropa de assessores do Ministério da Defesa, a sessão da CPI foi acompanhada por pelo menos um dos advogados do banqueiro Daniel Dantas.

Fonte: Carta Capital

::
Share/Save/Bookmark

Nenhum comentário: