terça-feira, 5 de maio de 2009

O câncer de dona Dilma

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por Guilherme Scalzilli

De repente, por vias inusitadas e talvez imprevistas, Dilma Rousseff entrou na campanha de 2010.
Enquanto propagava que suas chances eram pequenas, que seu perfil não ajudava, que a base resistiria, etc, a grande imprensa atacou-a. A mentira sobre o planejamento do seqüestro de Delfim Netto, publicada pela Folha em manchete de primeira página dominical (e refutada em meia página interna, com título ambíguo), entrou para o repertório das maiores cabeçadas do jornalismo ideológico.
A onda continuou após a divulgação do tratamento médico de Dilma. Contrariando suas recentes defesas da intimidade das pessoas públicas (a saúde do candidato deve ser debatida durante uma campanha eleitoral?), os comentaristas especularam sobre o futuro da ministra. Claro, nos subtextos, o que todos diziam era que ela pode morrer, entregando o país ao PMDB ou algum aventureiro ocasional.
Mas, sem maiores explicações, o assunto desapareceu do noticiário. Ora pois, tamanha reviravolta se deu logo após o idiota da Veja babar teorias conspiratórias e o PSDB condenar o “uso político da doença de dona Dilma”. E então surgem “analistas” defendendo que ela abdique da candidatura, em nome de princípios republicanos.
Essa reação nada possui de intempestiva; ela é fruto das pesquisas de opinião realizadas nesse intervalo, além de uma boa dose de bom-senso. Ninguém sabe como o eleitorado reagirá a uma longa exposição das agruras da ministra. Há chances de se tornar uma heroína popular, abrandando sua imagem de gerente durona (e “terrorista”), atraindo redobrada atenção midiática, angariando simpatia e cumplicidade. Em outras palavras: uma locomotiva eleitoral, que pode varrer o pleito já no primeiro turno.
São ainda meras especulações. Mas a grande mídia já dá sinais de que passou a jogar o jogo, usando táticas que antes não parecia julgar necessárias. Dilma está mais competitiva do que nunca, e passará a ser tratada como tal.

Fonte: Blog do Guilherme Scalzilli

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