terça-feira, 16 de setembro de 2008

O REINO DA FANTASIA

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por John Hemingway

Montréal (Canadá) - Quando eu era menino, em Miami, meus professores costumavam dizer que qualquer um poderia crescer e chegar a ser presidente dos Estados Unidos. A nossa, eles nos diziam, era uma democracia onde todos os homens foram criados iguais e onde até mesmo os mais pobres, menino ou menina, poderia algum dia aspirar o mais alto cargo da nação. Essa era a propaganda oficial e de vez em quando esta mensagem era renovada com candidatos escolhidos para nos fazerem acreditar que isso ainda era verdade.

As últimas reencarnações desta fantasia de “pobres que ficam ricos" são Barack Obama e Sarah Palin. Obama é uma mistura de raças, filho de um imigrante africano, enquanto Palin é uma "hockey mom” (uma mãe comum), com apenas 19 meses de experiência como governadora do Alaska. Ambos são a prova tangível de que, com apenas um pouco de sorte e determinação, você pode fazer qualquer coisa. A América, como a Disneylândia, é ainda um lugar "onde sonhos podem virar realidade."

O caminho para o palácio no "Reino da Fantasia", no entanto, está cheio de perigos. A campanha é longa, às vezes com duração de dois anos ou mais e com o exame de seleção severo. A mídia corporativa faz perguntas difíceis quando pede o ponto de vista dos candidatos sobre o aborto, o terrorismo e os impostos, e, além disso, há também as questões religiosas. Um candidato presidencial nos EUA deve acreditar em Deus e não apenas num deus qualquer. Com a nação em guerra contra os muçulmanos infiéis, quem aspira a presidência ou vice-presidência tem de mostrar que seu deus fará tudo que for necessário para proteger a América e derrotar as forças do mal.

O deus do senador Obama quase falhou neste último ponto. Seu amigo e confidente, seu pastor há mais de vinte anos, o Reverendo Jeremiah Wright, pregou um cristianismo ecumênico que não tenha medo de se aprofundar nas páginas mais negras da história da América, a questão racial. Um ex-marine, Wright mostrou como a escravização dos africanos na América e o quase extermínio de suas tribos nativas não foram a exceção, mas a regra, quando ele definiu a alma assassina do país. Tal como os antigos romanos, nossa política tem sido sempre dividir para imperar e Wright considera que somente enfrentando e entendendo esse fato, é que podemos realmente mudar como nação.

Isto, naturalmente, é um sacrilégio para a elite que governa a América. A verdade da nossa história conflita com a fantasia do tipo “disney” de que os Estados Unidos são um amante da paz e onde a cultura multi-racial faz de cada um um vencedor. Obama evidentemente teria que expiar os pecados do seu pastor e uma campanha foi montada na mídia corporativa para denunciar Wright e exigir que o senador de Illinois se afastasse de seu velho amigo. O que de fato ele fez para manter viva sua corrida à Casa Branca.

O deus de Sarah Palin, por outro lado, está muito mais em sintonia com os tempos atuais e, como resultado, tem recebido pouca cobertura da mídia corporativa. Ela passou mais de vinte e cinco anos de sua vida como membro da igreja em Wasilla, Alaska, que é parte de um fanático culto cristão que está se espalhando por toda a América. A governadora, de fato, frequenta a mais radical corrente do evangelismo renascido dos Estados Unidos, conhecido como "Joel’s Army" (Exército de Joel), um desdobramento do "Dominionism" (Dominionismo) ou o que é, às vezes, conhecido como o culto "Latter Rain” (“Ultimas Chuvas) ou os "Manifest Sons of God” (Os Filhos Manifestos de Deus).

Estes soldados comprometidos com o Joel's Army (incluindo Sarah Palin) entregaram suas vidas a Jesus e à luta contra o mal que eles chamam de "tempos finais" (o período antes do Dia do Julgamento, quando o Senhor enfrentará o diabo para ver quem vence). Como líder do exército canadense de Joel, Todd Bentley, explica, que "o exército do final dos tempos tem um propósito comum – de ocupar agressivamente a terra para o reino de Deus, sob a autoridade de Jesus Cristo, o campeão da dominação … A trombeta está soando, convocando aqueles que acreditam a se alistarem no Joel’s Army... Muitos já estão mobilizados para estabelecer e avançar o reino de Deus na terra”.

Um exército de fanáticos religiosos mobilizados, é exatamente o que é necessário se o objetivo final de seu país é a dominação total dos recursos naturais do mundo. Pense em todas as nações ricas em petróleo que ainda não estão submissas! De fato, os dirigentes das corporações da América não poderiam ter escolhido um melhor representante do que Sarah Palin, e nenhum deles alguma vez irá perguntar-lhe as questões difíceis que foram feitas a Obama ou a seu pastor. É melhor para manter esse tipo de informação em segredo, sob pena de alguém descobrir a verdade antes que seja tarde demais.

Fonte: Direto da Redação

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