por Laerte Braga
Não faço idéia de como a revista VEJA vai explicar a furada com o “negócio” dos grampos. Daniel Dantas foi o patrocinador do esquema e é o “dono” de VEJA. Com certeza não vai explicar coisa alguma. Fez assim quando na confusão em torno do acidente com o avião da TAM colocou a culpa no piloto para aliviar a barra da mídia de um modo geral, toda ela empenhada na “falta de ranhuras na pista do aeroporto de Congonhas”.
Importante é criar o clima, lançar as suspeitas, o que vem depois não interessa muito, pois logo vai haver necessidade de outro piloto, outro grampo. O objetivo passa ao largo dessa história toda de escuta fulano, escuta beltrano. Há uma compulsão hoje por expor as próprias vísceras, é estimulada pelo modelo de vida neoliberal.
O objetivo é outro. Grampo é detalhe. Na prática vivemos como que dentro de uma casa imensa, assim como a do Big Brother e vamos sendo eliminados gradativamente enquanto os caras tomam conta e se apoderam de tudo que lá dentro existe ou está. Faz de conta que somos heróis. Bial não fala aquilo por acaso. Tem que sustentar o IBOPE de cada dia.
Num primeiro momento restringir a possibilidade de Lula dar passos maiores que os que já deu em termos de conter o processo de privatizações e o poder das empresas privadas. E essencialmente aquelas que são estratégicas. E Lula nem deu passos assim tão grandes, ou tão largos. Tem mania de ir e de voltar, dar uma rodeada e ficar no mesmo lugar na maioria dos casos, ainda mais aqueles que despertam reações que podem complicar.
No quesito grampos resolveu andar para frente e se antecipou a tudo. Quem está na saia justa é o Senado e de permeio Daniel Dantas o chefe do esquema. Decidiu espionar os funcionários e conferir se tudo funciona a contento. Falo do responsável pelo stf, gilmar mendes.
Por detrás de toda essa parafernália está a briga de gigantes do mundo dos “negócios” pelo controle maior de cada um dos setores da economia de um país que tem bilhões em petróleo e em muitas outras coisas, mas teima em permanecer deitado em berço esplêndido, em se deixar colonizar sem necessidade de ser invadido.
A colonização hoje se dá via mídia. Algo como um chip que se implanta diariamente nas pessoas através de veículos como VEJA, redes de tevê, grandes jornais, predispondo-as a aceitar como natural servirmos de bolas a serem encaçapadas na conversa fiada do progresso e do futuro radiante.
A disputa é entre Dantas e outros Dantas. O que corre à volta disso é acessório. Ora indispensável, ora não. Depende de como as peças vão ser movimentadas. Ou quando surgem contratempos como surgiu o delegado Protógenes e sua equipe.
O esquema todo tem cara de Dantas.
O processo atinge níveis de perfeição quando você começa a achar que a Barra da Tijuca deve servir de modelo para todo o resto do Brasil e não enxerga nada demais na VALE querer transformar a Amazônia numa imensa plantação de eucaliptos, repartindo a floresta com os que querem plantar cana e criar gado.
Por isso Mangabeira Unger (que trabalhou – trabalhou? – para Dantas) é ministro mesmo sendo norte-americano. Assim como dispensar intermediários. Coloca logo o cara e pronto. O sotaque dá a sensação de primeiro mundo.
É como se Lula tivesse um ministro padrão “cartier”. Importado e todo paramentado. No duro mesmo é um baita dum hambúrguer indigesto e calórico que na obesidade/obtusidade das coisas ainda não sabe direito para onde vai o pré-sal. Falo de Lula. Mangabeira sabe direitinho.
De repente aparece um diretor da VALE com nome Agnelli e a marca “Fiat” estampada na testa e todo mundo pensa que é “Ferrari”. O cara diz que o Brasil não pode romper os contratos assim desse jeito. Aí cisma de repartir, vale dizer entregar. Se o Felipe Massa for o campeão do mundo então, facilita tudo.
“Felipe! Felipe! Felipe! Felipe Massa do Brasil...”
O próprio governo, ou o PT, supostamente partido do presidente, está dividido. Não sabe se é contra ou se é a favor de Dantas. Faz acordo com Aécio e abriga a máfia do lixo na Prefeitura de Belo Horizonte.
O institucional virou mais ou menos uma espécie de programa de televisão tipo era o do Ratinho. Chama lá a mulher traída e coloca uma vassoura nas mãos da dita cuja, haja vassourada. Ou vice versa, chama o marido.
O show, o espetáculo. Ininterrupto. O progresso não pode esperar.
A pretexto de dar a opção seriedade, que não existe, só parecer ser, coloca o Bonner todo dia distorcendo e inventando fatos. Uma esfinge pronta a esclarecer que Chávez é ditador e Uribe é democrata. Depois passa no caixa. Pronto.
Vale tudo.
Penso que Lula deva ter levado um detergente especial para lavar as mãos após exibi-las petrolifericamente em exposição feérica de contentamento.
No fundo é tudo “o mundo gira e a Lusitana roda”.
“Roda mundo/roda moinho/roda pião/o mundo rodou num instante nas rodas do meu coração”.
Pra valer mesmo é “a gente quer ter voz ativa/no nosso destino mandar/mas eis que chega a roda viva e carrega o destino pra la/...a gente vai contra a corrente até não poder resistir/na volta do barco é que sente o quando deixou de cumprir/faz tem que a gente cultiva a mais linda roseira que há/mas eis que chegou roda vida e carrega a roseira pra lá/a gente toma a iniciativa viola na rua a cantar...”
Não vale puxar a toalha da mesa naquele truque de tirar a toalha sem derramar nada. É pegar as quatro pontas e enrolar, fazer uma trouxa e jogar no lixo. É irrecuperável. Deu bicho barata, bicho rato.
Tente imaginar dois ou três dias de grampos totais e absolutos. Que baita audiência não daria. A conseqüência?
Nenhuma, ia todo mundo ficar anestesiado com o disse me disse de quem come quem.
Quando a FOLHA DE SÃO PAULO, jornal “indé-pendente”, publicou uma conversa de Fernando Henrique sobre exatamente telefonia, grampo também, avisou na primeira página que os fatos particulares seriam omitidos. Eram horas de gravação.
Duvido que Eduardo Azeredo ou Pimenta da Veiga, um ou outro tivesse cara para chegar à janela se o jornal tivesse divulgado a totalidade dos fatos.
Se bem que tudo é normal.
É o peixe mais vendido no modelo colonizado. Tudo é normal. Tanto pode ser de água doce, como salgada. Importante é comprar e comer com fé. O que tem dentro da pasta é irrelevante.
Fonte: Fazendo Media
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