quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Grampos clandestinos - As contas foram feitas

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foto: delegado e diretor-geral da Abin Paulo Lacerda



Em novo depoimento na Comissão Mista de Inteligência, dirigentes afastados da Abin confirmam informação adiantada por CartaCapital: agência não cedeu 56 recursos à Satiagraha

por Filipe Coutinho

Conforme CartaCapital adiantou na terça-feira 16, a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) não cedeu 56 agentes à Operação Satiagraha da Polícia Federal, informação que havia gerado duras críticas por parte de parlamentares. Em depoimento nesta quarta-feira 17 à Comissão Mista de Inteligência do Congresso, o diretor afastado de contra-inteligência da Abin, Paulo Maurício Fortunato Pinto, disse que trabalharam no máximo 16 agentes ao mesmo tempo, divididos em São Paulo, Brasília e Rio de Janeiro. “Não se pode pegar as escalas e somar o a quantidade de agentes porque vai dar um número maior”, explicou.

Após o esclarecimento, o diretor-geral afastado da Abin, Paulo Lacerda, criticou os parlamentares que defenderam o fim da agência, em especial o presidente da CPI dos Grampos, deputado Marcelo Itagiba (PMDB-RJ). “É a presunção da culpa. Estão colocando na conta da Abin há mais de um mês, mas cadê o áudio? Quem fez o grampo?”, disse Lacerda. Sobre o número de agentes que participaram da Satiagraha, Lacerda disse que não houve incoerências com os depoimentos prestados à CPI. “Não foi uma contradição, foi uma confusão”, afirmou.

Em resposta, o presidente da Comissão Mista de Inteligência do Congresso, senador Heráclito Fortes (ex-PFL-PI), jogou a culpa para o colo da Abin mais uma vez. “Essa confusão não foi criada aqui”, rebateu. Vale lembrar que, durante a prisão do banqueiro Daniel Dantas, o senador foi ao plenário criticar Paulo Lacerda. Heráclito classificou a Operação Satiagraha como “um propósito firme de Paulo Lacerda, magoado, ofendido e ferido”.

Na mesma sessão, o diretor-geral da Polícia Federal Luiz Fernando Corrêa se esquivou de comentar a cooperação com a Abin. “Já detectamos o registro de quem entrou na sede da Polícia Federal. Maiores respostas são a razão de ser do inquérito e não podemos antecipar”, disse.

Assim como havia dito Lacerda, o deputado Laerte Bessa (PMDB-DF) enfatizou o fato de não haver o áudio da tal conversa grampeada entre o senador Demóstenes Torres (ex-PFL-GO) e o presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes. “Para existir um crime, precisamos de um autor, vítima e provas. Não vejo um crime ainda, faltam as provas. Precisamos do áudio”, disse.

Fonte: Carta Capital

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