quarta-feira, 17 de setembro de 2008

A chance de Obama

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por Luiz Carlos Azenha

Nem Wall Street conseguiu digerir, ainda, a extraordinária decisão do Fed, o Banco Central americano, de injetar U$ 85 bilhões no American International Group para evitar um colapso que poderia arrastar junto outras instituições financeiras.

O governo Bush justificou a intervenção - na prática, a nacionalização de uma empresa privada - com o argumento de que a empresa é muito grande para falir.

Nesta quarta-feira as ações do setor financeiro tomavam outro tombo em Wall Street. As flutuações do mercado se devem ao fato de que ninguém tem dimensão exata do tamanho do rombo, nem se outras instituições correm risco de falir.

Os candidatos à Casa Branca ofereceram idéias divergentes para enfrentar a crise.

"Instituições velhas não podem inspecionar práticas novas", disse o democrata Barack Obama, ao propor uma reforma no setor que regulamenta o mercado financeiro.

Para John McCain, o problema é a corrupção e a cobiça dos agentes financeiros. Seria, portanto, um problema dos homens, não das instituições.

O republicano teve que recuar depois de dizer que os fundamentos da economia americana "estão fortes". Logo a declaração dele foi comparada à do presidente Herbert Hoover em 25 de outubro de 1929, o dia seguinte à Quinta Feira Negra em que a bolsa de Nova York teve queda de 9%. A falência de bancos que se seguiu mergulhou os Estados Unidos na Depressão.

"Os negócios fundamentais do país, ou seja, a produção e distribuição de mercadorias, estão em base segura e próspera", disse Hoover então.

Já não há dúvida de que a economia será o principal tema dos debates presidenciais e dos últimos 50 dias de campanha.

É um campo que favorece os democratas, já que McCain fica sujeito à associação com o governo Bush. A principal proposta econômica do republicano é tornar permanentes os cortes de impostos promovidos pelo atual presidente.

Embora o republicano se apresente ao eleitorado como reformista, o fato de que passou mais de duas décadas no Congresso, em Washington, abre espaço para que Obama o defina como uma das "velhas instituições".

Fonte: Carta Capital

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