domingo, 14 de setembro de 2008

Alckmin repete Maluf. Vai dar certo?

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Por Glauco Faria

Geraldo Alckmin mudou o marqueteiro, mas sua campanha parece perdida como antes. Kassab já empatou com ele e aparece na frente na pesquisa do Datafolha, dentro da margem de erro. Na descendente, o tucano tenta táticas algo desesperadas para ir ao segundo turno contra Marta Suplicy.

Uma das novas peças publicitárias da campanha reflete o descontrole. Um apresentador aparece associando o PT à baderna, às greves etc etc etc. E, no meio do discurso que tenta convencer o eleitor de que Alckmin é a melhor opção para enfrentar Marta, vem a seguinte pérola: “o Lula, tudo bem, o problema é o PT”.

A tática não é propriamente uma novidade. Quando Paulo Maluf enfrentou Eduardo Suplicy no segundo turno das eleições municipais de 1992, um de seus jingles dizia “Não tenho nada contra o Suplicy, eu só não quero o PT mandando aqui”. As referências ao partido eram desabonadoras e atribuíam as qualidades negativas comuns à época: a agremiação promovia a desordem, era composta por radicais, um antro de comunistas... e outros argumentos do gênero, aproveitando os conflitos vividos pelo partido no governo Erundina.

Mas não só a campanha de Alckmin não viu que a situação atual é bem diferente daquela e o discurso da ordem ficou um pouco bolorento, como também não percebeu que Maluf fez aquilo em um segundo turno. Fazer isso hoje pode ser um tiro no pé, já que atacar Marta a essa altura pode beneficiar Kassab. Se, por exemplo, parte do eleitorado conservador das regiões periféricas desistir de votar em Marta (sim, há conservadores na periferia), eles migrarão provavelmente para Kassab, que tem avaliação de 50% de ótimo/bom e uma campanha muito mais engrenada que a de Alckmin. O posto de anti-PT, ao que parece, está ocupado.

Restaria o ataque direto ao demo, mas o tucano sabe que tal estratégia também não deu certo contra Lula. Seu bom-mocismo não combina com agressões, ainda mais se forem feitas em relação a um administrador bem quisto. Porém, o maior risco de tal tática é Alckmin perder votos entre os eleitores que são contra Lula. Uma minoria, mas que pode ser decisiva na hora de definir uma vaga para o segundo turno.

Se o eleitor que votou no tucano nas eleições de 2006 comparar o Alckmin de hoje com o daquela ocasião, vai se perguntar: como ele pôde mudar tanto? Relembremos algumas pérolas do tucano desferidas contra Lula na campanha presidencial:

"Não sou o tipo de governante que diz que não sabia, que convive com o crime e com a corrupção na sala ao lado."

"Governo corrupto é assim mesmo, tem de esconder”

“Agora, na realidade, o presidente deu as costas para o povo brasileiro, para a Justiça, para os bons costumes. Isso é fato.

"Aquela cadeira vazia [no último debate do primeiro turno] é bem o retrato do Lula. Ele não tem postura democrática. É omisso, é fraco e frouxo. Não assume a responsabilidade"

Como se pode observar, são juízos de valor emitidos de forma bastante assertiva. Será que agora, só porque Lula tem popularidade recorde deixou de ser omisso, fraco, frouxo, adquiriu bons costumes e deixou de conviver com o crime e a corrupção? Então o problema não era Lula, mas sim o PT? Se é assim, quando você, Alckmin, adjetivou o presidente das formas acima, era um erro de avaliação seu ou você estava faltando com a verdade?

Em 1992, Maluf nunca chegou a atacar Suplicy de forma veemente, por isso seu discurso guardava certa coerência. Mas, para Alckmin, sua campanha dizer que “Lula, tudo bem” e que o problema é o PT, mostra a capitulação diante da popularidade do presidente e deixa clara a incoerência de alguém que pode assinar o atestado de incompetência política ao perder no primeiro turno uma disputa em que se esforçou demais para entrar.

Fonte: Blog do Rovai

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