enviada por mino
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Mais reflexões sobre a existência, ou não, de Deus
O debate sobre a existência, ou não, de Deus alarga-se. Graças à contribuição de vários internautas, a meu ver de QI alto. Aos meus botões estranhamente inclinados a filosofar (de vez em quando) pergunto: até que ponto a disputa entre evolucionismo e criacionismo tem relação com a existência, ou não, de Deus? Já contei um episódio da minha juventude de repórter em Roma. Certo dia, descobre-se, no fundo de uma mina nas cercanias de Grosseto, Toscana, o esqueleto de um Oreopitecus, encrustrado em um bloco de carvão. Chamam um cientista suíço, de sobrenome Huerzeler, para um encontro de alto nível com esse ancestral que viveu há doze milhões de anos. Contei a história, e não deixei de consultar, a bem da reportagem, um jovem teólogo para questioná-lo a respeito do achado. Não tínhamos ali mais uma prova que o homem não foi criado em um só dia, e na hora recebeu o sopro divino. Fiz a pergunta com a certeza de que o sacerdote, professor da universidade pontifícia, daria uma boa resposta. Quer dizer, não cogitava de pegá-lo, digamos assim, de calças curtas. De fato ele saiu-se mais ou menos com esta: a Bíblia é uma grande metáfora, frequentemente carregada de poesia. Um dia do Gênesis não é igual ao nosso, não tem os limites do tempo, que nós inventamos. Deus moldou o homem pelo tempo necessário. O Oreopitecus é apenas uma etapa do trabalho divino. Assim o teólogo pretendeu demonstrar que o evolucionismo não exclui Deus. Certo é que a questão é de fé, que não tem qualquer ponto de contato com a ciência. Darwin não é um teólogo, é um cientista. Tomar ao pé da letra o Gênesis é obviamente prova de QI baixo. Há, porém, muitos homens de QI alto e até altíssimo, poetas, artistas e até cineastas capazes de fé, não somente em si próprios. Por exemplo, fé na transcendência, só alcançável, está claro, por esse caminho, a misturar esperança em alguma explicação para aquilo que a mente humana não atinge, na dolorosa percepção dos nossos limites. Dante recomendava aos semelhantes que se detivessem diante do porque. O que não perguntei ao teólogo daquela aventura juvenil foi por que Deus pôs Adão e Eva à sombra da Árvore do Bem e do Mal. Onisciente, o Criador teria de saber que o casal cederia à tentação. A qual não é, definitivamente, a do sexo, ao contrário do que pensam muitos homens de QI baixo. O pecado original é a conquista da consciência, e, portanto do conhecimento, inclusive das nossas irremediáveis lacunas. Quanto aos meus botões, foram eles que me ditaram esse post.
enviada por mino

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