sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Em causa própria: Telefonica dá brindes ao PROCON mas não consegue nem vender seus produtos - por Luiz Carlos Azenha - fonte: http://viomundo.globo.c


Em causa própria: Telefonica dá brindes ao PROCON mas não consegue nem vender seus produtos







Eu pretendia agradecer a vocês pela audiência dos últimos dias. Este site bateu recorde de freqüência em fins-de-semana, presumo que devido à cobertura de áudio, vídeo e texto que fiz de Caracas, praticamente "ao vivo", sobre o referendo que garantiria diversão para o planeta até 2050.

É bom saber que quem acompanhou o assunto através do site soube com algumas horas de antecedência do resultado e deu boas risadas com as barrigas do Estadão e da TV Globo. Furar a mídia brasileira nâo me orgulha, pelo contrário, apenas deixa claro o estado adiantado de decomposição do jornalismo brasileiro. É indesculpável que um resultado anunciado oficialmente às 3h25 da manhã, horário de Brasília, tenha escapado dos telejornais que acordam o país para "bem informá-lo".

Mas o assunto que me leva a pedir socorro é outro, embora também se relacione à decomposição, neste caso a dos serviços prestados no Brasil. Por algum acordo fechado entre o condomínio onde moro e a NET, houve a "descentralização" ou algum outro nome chique que inventaram.

Hoje um rapaz muito simpático se apresentou em meu apartamento para retirar as caixas da TV à cabo. Tê-las ou não em casa não faz diferença, dado que não assisto TV. Porém, à minha revelia, o serviço da VIRTUA foi derrubado. Fiz algumas ligações para a empresa, a pedido do técnico, que disse não poder ajudar por ser "terceirizado".

Sabe aqueles números de ocorrência que a gente fica com preguiça de anotar? Eu acho que gerei meia dúzia deles. À certa altura, o atendente da área técnica jogou a culpa no pessoal da cobrança, como se o problema fosse meu. Eu disse a ele: "Desculpe se estou causando algum problema interno. Não tenho como ajudá-lo. Eu acho que você se esqueceu de que o prestador de serviços aqui não sou eu." Confesso que ri, para não chorar. E fiquei pensando, com os meus botôes: "Se esse é o serviço que uma empresa privada brasileira presta aos seus clientes mais rentáveis, ou seja, um comprador de internet rápida que paga uma fortuna mensalmente, como será o serviço público?" Tem jeito de estatizar a NET?

Tendo desistido daquele jogo-de-empurra sem fim, fui procurar a concorrente da NET. Achei que aqui funcionava que nem nos Estados Unidos, onde as empresas competem pelos consumidores. Vocês já tentaram comprar alguma coisa da Telefonica? A moça que me atendeu queria me vender um monte de coisas, sem entender o que eu queria: pagar caro por uma conexão rápida de internet. Pagar QUALQUER VALOR mensal pela conexão. Parece simples, não é? Depois de uns quinze minutos de conversa notei que seria impossível. Acho que a moça do outro lado tinha uma lista de serviços que deveria obrigatoriamente me oferecer. Só faltou oferecer massagem, manicure e troca de óleo para o automóvel que eu não tenho. Resumo da ópera: sou um sem internet. Será que dá para estatizar a Telefonica?

A ajuda que peço a vocês é a seguinte: alguém aí conhece alguma empresa que forneça serviço de internet rápida depois de uma ligação telefônica normal? Se for preciso, pago um ano da conta adiantado. Não quero desconto, nem promoção, nem o chaveirinho. Quero um serviço simples: internet rápida no bairro do Higienópolis, em SP. Alguém conhece algum serviço sem fio QUE FUNCIONE? Alguma conexão que eu possa fazer de casa através da Argentina, do Paraguai, dos Estados Unidos? Posso pagar em real, em dólares ou com os bolívares que sobraram da Venezuela. Enquanto isso, o site vão cambalear mais do que o normal, uma vez que não tenho como atualizá-lo a não ser "roubando" sinal sem fio em algum aeroporto.

Publicado em 05 de dezembro de 2007

Voltei de uma lanhouse.

Publicado em 06 de dezembro de 2007

O Márcio Pinho escreveu, na Folha de S. Paulo:

"A Telefônica, empresa líder no ranking de reclamações do Procon, principal órgão de defesa do consumidor, patrocinou ontem um encontro de "intercâmbio" com mais de cem funcionários da entidade, em São Paulo, com direito a almoço, vinho e distribuição de presentes (aparelhos de DVD, telefones sem fio, pendrives, relógios de mesa etc.).

O objetivo do evento, segundo a Telefônica, era o intercâmbio de informações para a melhora do atendimento. Na cidade de São Paulo, de acordo com o último levantamento disponível (2006), a empresa liderou o ranking do Procon com 11% das queixas (2.262), seguida da Vivo (1.076) e da Embratel (916).

[...]

Antes do almoço, ocorreram palestras nas quais diretores disseram como a Telefônica pretende melhorar o atendimento e deixar o posto de primeira do ranking. "Se a empresa não focar mais no consumidor, poderemos ter o mesmo caminho do Corinthians, perdendo clientes para as outras empresas", afirmou um deles. Após as discussões, foi servido o almoço (pratos como medalhão de lagarto ao molho madeira) e a sobremesa --um sorteio de presentes para os funcionários do Procon."

Meu comentário:

Teria a Telefonica feito o que ativistas acusam o Wal Mart de fazer nos Estados Unidos? Lá, a maior empresa do mundo estaria pagando salários baixos aos empregados para mantê-los na linha da pobreza, com isso permitindo acesso a programas sociais do governo. Ou seja, o Wal Mart teria terceirizado os benefícios para o Tesouro público. Teria a Telefonica terceirizado o seu balcão de atendimentos ao PROCON, com isso se livrando das despesas com a contratação de funcionários para atender ao público?

Publicado em 07 de dezembro de 2007


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