Eduardo Galeano*
"O crime não compensa": já nem os provérbios sabem o que dizem. O mundo gasta nada menos do que US$ 2,2 milhões por dia, isto mesmo, por dia, na indústria militar, indústria da morte, e dia após dia a cifra aumenta e aumenta.
As guerras necessitam de armas, as armas necessitam de guerras e as guerras e as armas necessitam de inimigos. Não existe negócio mais lucrativo do que o assassinato praticado em escala industrial.
Sua indústria derivada, a indústria do medo, consagrada à fabricação de inimigos, é atualmente a principal fonte de lucro das empresas dedicadas ao entretenimento e à comunicação. Em Hollywood já não há filme que não exploda, e seus roteiristas acrescentam sustos ao susto: como se fosse pouco o pânico terrestre, acrescentam as ameaças do terror importado de outros planetas.
A indústria militar necessita produzir medo para justificar sua existência. Perverso circuito: o mundo se converte em um matadouro que se converte em um manicômio que se converte em um matadouro que...
O Iraque, país bombardeado, ocupado, humilhado, é a escola do crime mais ativa em nossos dias. Seus invasores, que dizem ser libertadores, montaram ali o mais profícuo criadouro de terroristas, que se alimentam da desesperança e do desespero.
(*) Eduardo Galeano, escritor e jornalista uruguaio, autor de As Veias Abertas da América Latina e Memórias do Fogo.

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