por Luiz Carlos Azenha
O PT parece acordar da letargia política.
A crise que vivemos, já escrevi, é a crise de um modelo político e econômico -- justamente aquele avalizado pelo PSDB-DEM e assemelhados.
É uma crise política, econômica, alimentar e ecológica.
É uma crise que requer repensar a organização da sociedade.
É uma crise que requer aproveitar todas as novas formas de mobilização social, inclusive a internet -- como fez Barack Obama nos Estados Unidos.
Aqueles que impuseram o neoliberalismo no Brasil querem privatizar A VIDA.
A lógica de privatização da vida permite o acúmulo de capital em tempos bicudos -- acúmulo de capital é o princípio norteador do capitalismo.
Esse acúmulo se dá pelo corte de impostos, pela redução dos programas sociais, pela terceirização, pelo desmanche do estado, pela desregulamentação das atividades econômicas e pela apropriação dos recursos naturais.
Foi o que George W. Bush fez nos Estados Unidos, onde até a guerra foi terceirizada. A desregulamentação do sistema elétrico deu nos apagões da Califórnia e no escândalo da Enron. O enfraquecimento das normas anti-monopólio deu na concentração da mídia. O relaxamento das leis que regulamentavam o mercado financeiro deu na crise econômica. Bush enfraqueceu todas as agências reguladoras dos Estados Unidos, jogou contra as leis ambientais e os direitos trabalhistas. E concentrou a renda.
Se a gente deixar eles vão vender o ar que respiramos.
No Brasil, as forças que pregam esse modelo estão hoje aglutinadas em torno do PSDB/DEM. O grande objetivo delas é a apropriação privada do pré-sal e a manutenção de uma política econômica que privilegia os bancos e as finanças.
Talvez de olho em 2010, o PT parece se dar conta disso.
Deu na FolhaOnline:
JOSÉ ALBERTO BOMBIG
enviado especial da Folha a São Roque
A exemplo do que ocorreu no início do primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a direção nacional do PT voltou a pressionar o governo federal por mudanças nos rumos da política econômica, com foco na direção do BC (Banco Central).
De acordo com o partido, essa é a receita para enfrentar a atual crise financeira mundial e manter o PT forte para a disputa eleitoral de 2010.
Caso contrário, os efeitos de uma eventual recessão podem minar as chances eleitorais da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), até agora sua principal pré-candidata.
Durante reunião de seus comandantes, encerrada ontem, em São Roque (SP), os petistas defenderam o fortalecimento do Estado, dos investimentos públicos por meio dos bancos estatais e o incremento dos programas de transferência de renda direta ao cidadão. Em contrapartida, pediram a redução do superávit primário, a queda dos juros e a intervenção na política cambial.
As primeiras demissões em virtude da crise, em particular as promovidas pela mineradora Vale do Rio Doce, também foram alvos de críticas. O encontro foi da corrente que controla o partido, a Construindo um Novo Brasil, o antigo Campo Majoritário do PT, implodido após a crise do mensalão (2005) e da qual fazem parte o atual presidente nacional da sigla, Ricardo Berzoini, os ex-ministros José Dirceu e Antonio Palocci, e os atuais Dilma, Luiz Dulci e Gilberto Carvalho.
"Nós vamos retomar o desenvolvimento econômico se fizermos mudanças no sistema financeiro, na política de juros, no superávit e na política cambial. Se nós abandonarmos o último bastião da ortodoxia no Brasil, que é a política do Banco Central, podemos dar um salto. É inevitável que, em um país como o Brasil, o Estado tenha um papel maior. Isso não significa que a iniciativa privada deixará de ser protagonista", afirmou à Folha José Dirceu, que conduziu a principal mesa de debates da reunião.
Berzoini, que participou da mesma mesa, também compartilhou a opinião de Dirceu. Ambos avaliam que o governo foi bem até agora. "Aqueles que apostarem na crise como solução política poderão cometer um equívoco, desde que nós tenhamos a habilidade e a capacidade de estar bem posicionados", disse o presidente do PT.
O ex-ministro, no entanto, não chegou a pedir a saída de Henrique Meirelles da presidência do BC. "Não se deve mudar ministros e presidentes de instituições em momentos de crise. Mas há consenso no país que os juros devem cair." E bateu forte na política cambial.
"Ela não está dando certo. O câmbio está desvalorizado, há especulação. Os países que estão fortes fazem intervenção. Câmbio flutuante deve ser lido entre aspas. Temos o fundo soberano e temos uma margem no superávit para fazer novos investimentos no país", disse.
Aval
Cerca de 240 dirigentes petistas de 26 Estados participaram do encontro e, segundo a Folha apurou, deram total apoio às teses apresentadas, que serão levadas ao Diretório Nacional do partido.
Ao final do encontro, o secretário nacional de comunicação do PT, Gléber Naime, sintetizou: "Cortar gastos... Não tem, não. O governo tem de investir mais. Tem de ser o alavancador do investimento. Na nossa reflexão aqui, será preciso fazer um combinação, diminuir a taxa de juros, diminuir o superávit e jogar mais dinheiro na economia popular".
Segundo ele, o Planalto precisa ser firme com o setor empresarial. "A Vale ganhou dinheiro até nesse último período. Na primeira dificuldadezinha, já demitiu 1.300 funcionários. Nosso governo tem de ser mais exigente também com os empresários", disse Naime.
O tesoureiro do PT, Paulo Ferreira, diz que o partido fará o debate eleitoral com o PSDB. "É a crise de um modelo do qual o governo FHC e o DEM foram os grandes patrocinadores no Brasil. Foi a desregulamentação do Estado, da forma de trabalho, sem proteções, as privatizações. É esse modelo que está em crise", disse.
Berzoini concorda: "Eles avalizaram o movimento neoliberal no Brasil".
Dilma participou do encontro na sexta-feira à noite e procurou tranqüilizar os presentes de que os investimentos serão mantidos. Carvalho e Dulci também estiveram em São Roque, mas não deram entrevistas.
Fonte: Vi o Mundo
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