quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

FALTOU A HOMENAGEADA.

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foto: Aung San Suu Kyi, nobel da Paz em 1991 e presa pelos ditadores da Birmânia.




por Wálter Fanganiello Maierovitch

Em Paris, a semana comemorativa dos 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos fechou com o 9º. encontro dos vencedores do prêmio Nobel da Paz.

Nos encontros anuais, sempre se homenageia uma personalidade dedicada ao pacifismo. Neste 2008, a homenagem recaiu na ativista política e pacifista birmanesa Aung San Suu Kyi. Ela foi eleita para o Nobel da Paz em 1991.

Por estar presa há 12 anos, Kyi não pode deixar o país. Ou seja, nem para receber o Nobel em 1991 e nem para encontros com os seus pares de Nobel.

A ditatorial e corrupta Junta Militar que governa a Birmânia (hoje Mianmar) mantém Kyi em prisão domiciliar, praticamente incomunicável, com a casa cercada por soldados fortemente armados.

Em setembro de 2007, depois do massacre a pacíficos budistas que protestavam contra a caristia nas cidades de Rangoone e Mandalay, as Nações Unidas enviaram um representante do secretário-geral para iniciar tratativas voltadas a suspender a pesada e sangrenta repressão. Nada mudou: os monges recolheram-se, Kyi continua em prisão domiciliar e o regime ditatorial prossegue, inclusive a proteger o narcotráfico. A propósito, a Birmânia é um narco-estado.

O encontro que reúne os vencedores do prêmio Nobel da Paz ocorreu, neste ano, no monumental e secular Hotel de Ville, que é a sede da Prefeitura de Paris. Estava presente a primeira-dama francesa Carla Bruni, várias celebridades e ativistas, com destaque para a franco-colombiana Ingrid Betancourt e o cantor irlandês Bono Vox, que faz importantes trabalhos humanitários na África, com destaque a Darfur (Sudão).

O ponto alto da cerimônia foi a exibição de um filme que emocionou os presentes.

Supracitado filme mostrou a chegada ao Hotel de Ville de vários vencedores do prêmio, como Desmond Tuto, Betty Willians, etc.

Os vencedores do Nobel da Paz chegavam num luxuoso automóvel da marca Lancia, modelo Delta. E o filme terminava por exibir o motorista do último veículo a estacionar. Num impecável uniforme, o motorista abria a porta traseira, mas de dentro ninguém saia. Encontrava-se vazio o banco traseiro. Na seqüência, era exibido o vidro dianteiro, com o nome da passageira ausente.

No caso, era o automóvel destinado a conduzir a pacifista birmanesa Aung Kyi, que está presa por pretender pacificar e democratizar o seu país.

Ao 10º. encontro designado para o final de 2009, certamente Aung Kyi não comparcerá, pois nada indica que a Birmânia mudará.

A propósito, a Birmânia declarou-se independente do Reino Unido em 4 de janeiro de 1948. Mudou de nome em junho de 1989 e passou a se chamar Myanmar.

Os militares usurparam o poder em 1962, quando virou presidente o general Ne-Win. Com plenos poderes e pena de morte em vigor, Ne-Win manteve-se no poder até 1988, quando foi substituído por uma Junta Militar.

Em 1990, a Junta de generais resolveu realizar uma eleição para formação de uma Assembléia Constituinte.

Para surpresa dos militares, --a Liga Nacional para a Democracia, conhecida pela sigla NLD e liderada por Aung San Suu Kyi (filha de um líder nacional da guerra contra o Japão)--, venceu ao obter 392 cadeiras parlamentares, das 485 em disputa.

Derrotados na urnas, os militares deram um novo golpe- de-estado. Isto para não entregar o poder constituinte aos civis.

Por ato ditatorial da Junta Militar, todos os partidos políticos foram declarados extintos, a Assembléia Constituinte suspensa e criado um “Conselho de Estado, para a restauração da lei e da ordem”. Referido órgão trocou de nome em 1997 e passou a se chamar de “Conselho de Estado para a Paz e o Desenvolvimento”.

Quando do golpe militar, acabou presa em regime fechado a líder do NLD, Aung San Suu Kyi, hoje com 62 anos de idade e que ganhou o Nobel da Paz em 1991. Ela foi colocada em prisão domiciliar apenas em 2002.

Em 2004, o general e primeiro ministro Khin Nyunt iniciou um diálogo com a oposição (NLD). Foram soltos 4 mil opositores do regime: estavam presos por fazerem oposição à Junta Militar. No dia 8 de outubro de 2004, foi o general Khin Nyunt retirado do cargo de premier em razão das suas posturas conciliatórias. No seu lugar colocou-se, em 19/10/2004, o general Soe Win, ligado ao presidente, general Than Shwe, no poder desde 23 de abril de 1992.

A desculpa dos generais para se manterem no poder é o combate à guerrilha que membros das etinias karen e shan mantém na fronteira com a Tailândia: os separatistas karen e shan iniciaram luta separatista em 1948.

Em Myanmar, segundo o último senso de 2004, vivem 46.900.00 habitantes, divididos nas seguintes etnias: birmanos (55,9%), karen (9,5%), Shan (6,5%), Chin (2,5%), Mon (2,3%), Kachin (1,5%), outros (21,8). A mmioria da população é budista (89,4%), com 4,9 de cristãos, 3,8 de islâmicos, 1,2 animistas (crença tradicional), 0,5% de induistas e 0,2 de outros diferentes crenças.

A nobel da Paz, Aung San Suu Kyi, é humanista e pacifista. Está presa por lidera, como acima exposto, o partido-político que ganhou, sem levar, as eleições no país, isto para a formação de uma Assembléia Constituinte.

Faz mais de 45 anos que a ex-Birmânia, hoje Myanmar, vive debaixo de uma narcoditadura militar.

A Junta de corruptos generais, que governa por meio de um presidente e de um premier, dá sustentação ao tráfico internacional de heroína e de anfetaminas. Myanmar é o maior fabricante e fornecedor ilegal de drogas sintéticas para o mercado asiático.

Na ex-Birmânia viveu até falecer em 2007 o “Rei da Heroína e das Drogas Sintéticas”, chamado Khun Sa. E a Birmânia é conhecida internacionalmente, frise-se, como Narco-Estado.

Fonte: Blog do Wálter Fanganiello Maierovitch

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