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por Luiz Carlos Azenha
"Os Estados Unidos estão abalados e sem rumo depois de oito anos da liderança fracassada do presidente Bush. Ele entrega ao sucessor duas guerras, uma imagem global arranhada e um governo sem capacidade de proteger e ajudar seus cidadãos -- seja para fugir das enchentes de um furacão, buscar seguro de saúde, manter a casa, o emprego, a poupança e a aposentadoria em meio a uma crise financeira anunciada e que poderia ter sido evitada".
E assim o conselho editorial do jornal "New York Times" anunciou o apoio ao democrata Barack Obama nesta sexta-feira, 24. A decisão era esperada e tem um impacto eleitoral desprezível. Mas oferece uma janela para o que pensa a elite dos Estados Unidos em relação ao momento político e econômico do país.
As pesquisas mostram que a vantagem de Obama sobre seu rival republicano, o senador John McCain, está na casa dos dois dígitos. Mais do que isso, o democrata avança em bastiões do conservadorismo, como a Geórgia.
A boa notícia para McCain é que 33% dos entrevistados em uma pesquisa do Times dizem conhecer alguém que não vai votar em Obama por ele ser negro. A má notícia é que a taxa de rejeição do republicano subiu para 46% depois que ele adotou uma campanha agressiva contra o adversário. A rejeição de Obama está em 31%.
A pesquisa mais confiável é a do instituto Rasmussen, que ouve diariamente 3.000 eleitores que pretendem comparecer às urnas em 4 de novembro, já que o voto nos Estados Unidos não é obrigatório. Nos últimos 29 dias Barack Obama aparece na pesquisa com mais de 50%.
Quando Bill Clinton concorreu à presidência contra o pai do atual presidente, George H. Bush, um cartaz no comitê central de campanha lembrava o democrata o tema que ele deveria enfatizar: "É a economia, estúpido".
Esse lembrete não é necessário nos dias de hoje. Foi a crise econômica que alimentou a ascensão de Obama nas últimas semanas. Os estrategistas democratas estão de olho na disputa pelo Senado. Se o partido ganhar nove cadeiras terá os 60 votos necessários para barrar qualquer tentativa dos republicanos de trancar as votações.
Com o controle da Casa Branca e das duas casas do Congresso o provável presidente Obama terá a força necessária para enfrentar a crise sem fazer concessões à oposição.
Fonte: Carta Capital
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