Schwartsman quer sempre aumentar os juros dos bancos
por Paulo Henrique Amorim
Máximas e Mínimas 2057
Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista
. Alexandre Schwartsman foi diretor do Banco Central, na gestão do presidente do BankBoston, Alexandre Schwartsman.
. Ele faz dupla com Ilan Goldfajn, também do diretor do Banco Central na gestão do presidente do BankBoston.
. Os dois formam uma dupla de uma nota só: imediatamente depois de deixarem o Banco Central, arrumaram um lugar no PiG para falar mal do Governo a que serviram, o Governo do Presidente Lula, um presidente que tem medo e entregou o Banco Central a adversários políticos.
. O Banco Central, sob a presidência provisória do presidente do BankBoston, está para anunciar a nova taxa de juros.
. O que querem os bancos?
. Os bancos sempre querem juros mais altos.
. É o mesmo que perguntar a macaco se ele quer banana.
. Alexandre Schwartsman agora é colonista (*) da Folha (da Tarde) (**).
. E hoje, na primeira página, publica uma míssil dirigível: “Manter a demanda interna aquecida só vai gerar inflação.”
. A demanda aquecida, anuncia o profeta da catástrofe, “... trará depreciação cambial e mais inflação”.
. Ou seja, juros mais altos – é o que os meus ex-colegas devem fazer hoje.
. Schwartsman ocupa o cargo de economista chefe do Santander para a America Latina e tem PhD pela Universidade da Califórnia (Berkeley).
. O mais interessante é que ele deve ser o “tipo ideal” dos diretores do Banco Central na gestão do presidente que entregou o Banco Central a gênios PhDs neo-liberais.
. Se o Banco Central aumentar os juros hoje, se o Presidente Lula não fosse o presidente que tem medo, mandava toda a diretoria do Banco Central, seu presidente à frente, para administrar os fundos do Banco Opportunity, como fez outro gênio do BC, o Afonso Bevilaqua – clique aqui para ler “Se Meirelles aumentar os juros...” .
. O Brasil será o ÚNICO país sério do mundo que, depois do tsunami concebido e gerado nas entranhas de outro economista genial – o Greenspan –, aumentou os juros.
. O problema dos bancos centrais no mundo hoje não é a inflação.
. É a recessão, é a depressão !
. O desemprego.
. A queda do padrão de vida.
. É a supressão dos programas de proteção social.
. É o desmonte do serviço público de saúde e de educação.
. (É armar a rede para o presidente eleito, José Serra, se deitar...)
. Já seria tempo de o Banco Central e o PiG pegarem esses neoliberais de quinta extração e trocar por uns keynesianos.
. Como fizeram os países sérios do mundo, que transformaram esses Schwartsman, Bevilaqua e Goldfajn em keynesianos desde criancinha.
. Em tempo: o Alexandre Schwartsman deveria ter lido o respeitado Martin Wolf no jornal Valor, página A-11: "os Bancos Centrais precisam reexaminar as suas economias e reduzir taxas em pelo menos um e, idealmente, em dois pontos percentuais".
.Outra que acredita que é preciso sufocar a demanda é a candidata ao Prêmio Nobel de Economia, Miriam Leitão, no caderno de Economia do Globo - clique aqui.
(*) Se refere à “colônia”, dá a idéia de pessoa “colonizada”, submetida ao pensamento hegemônico que se originou na Metrópole e se fortaleceu nos epígonos coloniais. Epígonos esses que, na maioria dos casos, não têm a menor idéia de como a Metrópole funciona, mas a “copiam” como se a ela pertencessem.
(**) Já estava na hora de a Folha tirar os cães de guarda do armário e confessar que foi “Cão de Guarda” do regime militar. Instigado pelo Azenha – clique aqui para ir ao Viomundo – acabei de ler o excelente livro “Cães de Guarda – jornalistas e censores do AI-5 à Constituição de 1989”, de Beatriz Kushnir, Boitempo Editorial, que trata das relações especiais da Folha (e a Folha da Tarde) com a repressão dos anos militares. Octavio Frias Filho, publisher da Folha (da Tarde), não quis dar entrevista a Kushnir.
Fonte: Conversa Afiada
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