segunda-feira, 23 de junho de 2008

A hora da xepa

por Márcia Pinheiro

Como toda dona-de-casa, vou à feira livre uma vez por semana. Na hora da xepa, depois do meio-dia, quando as barracas vão sendo desfeitas e os preços despencam. Ou despencavam. Na sexta-feira 20, espantei-me. Um maço de rúcula a 4 reais. Na xepa. Era 1 real há dois ou três meses. Passei na padaria, para comprar uma cervejinha. Até há pouco, eram 2 reais a latinha. Na sexta, 2,90 reais.

Se isso não é inflação, alguém me diga o que é. A alta dos preços é um fenômeno preventivo, em que os comerciantes se antecipam aos eventuais futuros aumentos e tungam o bolso do consumidor. É uma questão quase psicológica, de expectativas.

O mercado financeiro prevê, sem meias palavras, que o IPCA (índice que serve de referência para o sistema de metas) vá ultrapassar o teto de 6,5% neste ano. Em 2009, volta para o centro, de 4,5%. Isso porque, prevêem os economistas, o Banco Central vai dar uma alavancada no juro no segundo semestre. Fala-se em 15% ou até 16% ao ano, em dezembro.

Tudo bem que a inflação é um processo mundial. México e Venezuela vivem tempos de tabelamento. O presidente Lula prometeu que isso não acontecerá aqui, até porque todos temos na memória o Plano Cruzado, que só gerou distorções e mercado negro.

Haverá corte de gastos do governo, diz Lula. A verba para a safra será mais gorda. A meta de superávit primário (receitas, menos despesas, antes do pagamento dos juros da dívida interna) subiu oficialmente de 3,8% para 4,3% do Produto Interno Bruto (PIB). O mercado queria mais. Queria 4,8%. Quer sangue. O governo está numa sinuca de bico.

Dica Econômico-Cultural
A Editora Saraiva acaba de lançar O Mapa do Tesouro Direto, da jornalista especializada em finanças Mara Luquet. Nada mais oportuno. Investir diretamente nos papéis do governo é mais barato e rentável. Esta dica vai para os inseguros, como todos somos, às vésperas de crises.

Fonte: Carta Capital
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