
foto: jornalista Sayed, 23 anos, condenado à morte.
O jornalista Sayed Parwez Kambakns, de 23 anos de idade, escreveu um artigo, publicado num jornal de Cabul (Afeganistão), sobre “O Papel da Mulher no Islã”.
No artigo, o jovem jornalista defendeu a liberdade da mulher e a igualdade com os homens. Isto num país onde, apesar da queda do talebans, ainda se usa a burka. Ou melhor, a mulher cobre-se da cabeça aos pés.
O artigo foi considerado uma blasfêmia por ofender o Corão e a Sharia (jursprudência islâmica). Sem direito de escolher um defensor, o jornalista, -- preso desde 27 de outubro de 2007, acabou condenado à morte. A execução poderá ocorrer nas próximas semanas.
Ao lado de China e EUA, o Afeganistão não aceitou, em sede da ONU, a moratória à pena de morte. Não seguiu o Afeganistão a grande maioria dos estados-membros. Ou melhor, a grande maioria dos estados-membros das Nações Unidas aprovou proposta da Alemanha para a suspensão da execução da pena capital até que, por Covenção da ONU, se decida definitivamente sobre o tema.
O presidente afegão, Hammid Karzai, continua a não interferir em questões religiosas, num estado que mistura poder de mando entre governo, religiosos e dos chamados “Senhores das Guerras” (chefes de etnias).
A cada dia que passa, Karzai assiste ao aumento da pressão dos talebans e experimenta derrotas seguidas. No momento, Karzai só controla Cabul e, há pouco, conseguiu escapar ileso de um atentado, próximo ao palácio, na capital do país. Os funcionários do governo, perante a população,estão desacreditados: são considerados corruptos e cresce, entre a população afegão, o desejo de volta dos talebans, cujo líder é o mula Omar, sogro de Bin Laden.
As forças da ONU, pela missão ISAF (Força Internacional de Assistência à Segurança no Afeganistão), combatem, sem sucesso, os talebans. Isto depois dos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001 e de o governo do então mulá Omar ter se negado a entregar Bin Laden.
A topografia montanhosa favorece os talebans que, novamente, associaram-se aos “Senhores das Guerras, interessados em prosseguir com o plantio da papoula e realizar o tráfico ilegal do ópio-bruto: o Afeganistão é o maior produtor mundial de ópio, empregado para a elaboração da heroína.
No caso do jornalista Sayed Parwez Kambaksh, está em curso uma campanha mundial voltada à revogação da sua condenação à pena de morte.
Outro que está arriscado a receber a pena de capital, por ter manifestado sua opinião em artigo jornalístico, é Ghows Zalmai, de 50 anos . Também ele é acusado de blasfêmia.
Para as associações internacionais de jornalistas e ONGS dedicadas à proteção dos direitos humanos, “ - Ocorrem crescentes agressões contra a liberdade de imprensa no Afeganistão, perpetradas por círculos religiosos do Afeganistão”.
Fonte: Blog do Wálter Fanganiello Maierovitch

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