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por Carlinhos Medeiros
Juro que não consigo entender essa relação masoquista do presidente Lula com a imprensa. Lula é objeto de chacota da maioria dos jornalistas medíocres e da imprensa golpista, e mesmo assim, vive dando munição para que os calhordas o executem.
Sei, com absoluta certeza, que o conceito que a mídia tem sobre Lula não influencia em nada os seus índices de popularidade, aliás, contribui cada vez mais para seu crescimento e a queda na credibilidade dos jornalões.
O Brasil vai bem. Incomparavelmente melhor que na época de Fernando Henrique Cardoso, os números comprovam o que eu digo, mas a imprensa insiste em atacar Lula, os petistas e as esquerdas.
Enquanto Lula é respeitado e admirado lá fora, a imprensa nacional insiste em execrá-lo.
Mas o governo gosta e paga para isso, diferentemente do que acontece em Minas Gerais, por exemplo, onde o governador tucano, Aécio Neves, paga milhões à TV Globo para falarem bem dele e de seu governo.
No jornal da Band contei várias propagandas do governo Federal, encadeadas e ininterruptas: Petrobras, Caixa Econômica Federal, Ministério da Cultura e outras que esqueci, patrocinando o Jornal dos Saads. O governo paga os salários dos jornalistas para que estes possam atacá-lo. Fábio Pannunzio é um deles, recebe do governo para denegri-lo.
Tudo bem, somos lulistas confessos e estamos aí para defendê-lo, desmascarando a mídia de esgoto e dando nomes aos ratos, como diz seu Cloaca, mas às vezes seu Lula me tira do sério. A declaração que ele fez ontem sobre Sarney é munição para meio mundo de guerra. É só pesquisarem na internet.
Lula disse à imprensa que Sarney é uma pessoa "incomum", não pode ser tratada como os a maioria dos mortais: "Não li a reportagem do presidente Sarney, mas penso que ele tem história no Brasil suficiente para que não seja tratado como se fosse uma pessoa comum", disse o presidente.
Desculpe presidente. Mas dentre as várias tolices proferidas por Vossa Excelência esta é indefensável.
Fonte: Bodega Cultural
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As denúncias contra Sarney
por Luis Nassif
Confesso um profundo desânimo de escrever sobre os empregos dos familiares do presidente do Senado José Sarney.
Há três anos escrevi longamente sobre a venda da Cemar - Centrais Elétricas do Maranhão - para fundos de investimentos aliados a Fernando Sarney. A empresa estava sendo recuperada, por uma intervenção da ANEEL. O GP adquiriu o fundo simplesmente conseguindo que a Eletrobras renegociasse o passivo em boas condições. Um escândalo maiúsculo, sem a menor repercussão porque não havia interesse, naquele momento, em instrumentalizar a denúncia.
Meses atrás, quando estourou o caso Gautama, era evidente a ligação da empreiteira com a família Sarney. A mídia em geral atacou o governador Jackson Lago. Eu o defendi. Não saiu uma linha sobre Sarney. Depois, quando Sarney foi eleito presidente do Senado, desencavaram o tema por uma questão de conveniência política.
Quando começou o processo de cassação do Lago, fiz nova defesa aqui - ao lado de outros blogs independentes. O esquema Sarney em São Luiz espalhou que estava sendo financiado pelas verbas da Secretaria de Comunicação do Jackson Lago. Quando Roseana assumiu, escancarou as verbas e um valor imenso tinha sido aplicado, mas nos grandes veículos, visando reduzir as críticas. Não houve retificação das insinuações lançadas.
Tenho um largo histórico de conflitos com o esquema Sarney. Na verdade, desde o Plano Cruzado, quando o consultor geral Saulo Ramos, um grande espertalhão, editou um segundo decreto do Cruzado para permitir a sobrevida da indústria das liquidações extrajudiciais e das concordatas - das quais ele, como advogado, sempre fora grande beneficiário.
Acompanhei as estripulias do Edemar Cid Ferreira, protegido de Sarney, assim como as concessões distribuídas a Mathias Machline, Abril, Objetivo. Graças a Sarney ganhei um Prêmio Esso em 1987, denunciando-o, e fui rifado pela Folha pouco tempo depois e por razões bem sólidas, que garantiram a Sarney a gratidão do jornal e espaço vitalício como seu colunista.
Por tudo isso, considero Sarney o maior representante do que de mais atrasado existe na política nacional. Mas considero esse jogo de denúncias seletivas uma ampla manipulação. Usa-se a denúncia como ferramenta política apenas, jamais como instrumento de aprimoramento político.
Fonte: Luis Nassif Online
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