
O educador Tião Rocha, com um projeto disseminado pelo Vale do Jequitinhonha e outras regiões, mostra que é possível criar escola à sombra de um pé de manga.
Por Ana Luísa Vieira

Há quase 30 anos, ainda professor da Universidade Federal de Ouro Preto, Tião decidiu que não queria mais seguir na carreira. Estava muito mais interessado no que chama de “ensinagem”. “Não queria mais ser professor. Queria era ser educador, porque educador é aquele que aprende”. Dali em diante, o desafio estava lançado.
Incansável questionador dos conceitos da educação formal, Tião queria criar uma instituição movida a perguntas e desafios. Seguiu, então, para o sertão das Minas Gerais, onde quase não havia escola, ou prédios. “Notei que precisava reaprender meus conceitos, buscar novas bases. E ali descobri que é possível criar uma escola à sombra de um pé de manga”.
A frase não tem mero efeito metafórico. É ainda da roda montada embaixo da árvore e do trabalho dos educadores que nascem as atividades coletivas do Centro Popular de Cultura e Desenvolvimento (CPCD). Criado em 1984, o trabalho é disseminado pelos Vales do São Francisco e Jequitinhonha, além de outros estados (Espírito Santo, Bahia, São Paulo e Maranhão) e países (Moçambique e Guiné Bissau).
“A escola tradicional é fechada em si mesma, é a única instituição que ainda chama seus funcionários de servos, serventes”, diz ele, que defende que todas elas, da pré-escola à pós-graduação, sigam um único item: a Carta da Terra (documento apresentado como uma declaração de princípios éticos fundamentais para a construção, no século XXI, de uma sociedade justa, sustentável e pacífica). “Se queremos criar uma sociedade sustentável, temos de mudar a linguagem”.
Também antropólogo e folclorista, Tião Rocha é defensor do potencial humano. “Quando pensamos na periferia, há quem pense em PIB ou Índice de Desenvolvimento Humano. Eu penso no IPDH, índice de potencial humano das pessoas, na transformação de dentro para fora”.
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Abaixo, alguns pontos da a metodologia do CPCD:
:: A convicção de que "educação é algo que só ocorre no plural" e que “desenvolvimento é geração de oportunidades” forneceu a base para formulação das ações metodológicas dos projetos
:: A busca sistemática de formas criativas e inovadoras de educação e de desenvolvimento sustentável
:: A utilização dos saberes e fazeres culturais dos participantes como matéria-prima das ações pedagógicas
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:: Clique aqui e relembre a reportagem de Ricardo Prado, editor de Carta Na Escola, com Tião Rocha.
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(Crédito da foto: André Fossati/Light Press)
Fonte: Carta Capital
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