sábado, 3 de outubro de 2009

Superprodução apela à população mundial por mudança de atitudes

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por Carmen Guerreiro





A mensagem de “A era da estupidez”, primeira grande dramatização contra o aquecimento global, é clara: se não transformarmos – sim, no plural – nosso modo de vida e repensarmos nossa relação com as outras pessoas e os recursos naturais, em cerca de uma década a temperatura do planeta atingirá determinado nível em que diversos processos dos ecossistemas serão quebrados e dificilmente revertidos, conduzindo a uma inevitável escassez e disputa por recursos, extinção de espécies, êxodos massivos e mortes.

Parece irreal? Pois a mensagem do filme é que contra fatos não há argumentos. "A era da estupidez", que será lançado em todo o mundo amanhã, 22 de setembro, se passa em 2055, em um mundo devastado pelas mudanças climáticas e consequentes revoltas humanas. O ator britânico Pete Postlethwhaite (imagem) interpreta “o arquivista”, um sobrevivente que decidiu criar, no Ártico, um banco de dados gigantesco com todos os livros escritos, obras de arte produzidas e um casal de cada espécie remanescente. O filme mistura essa dramatização, na qual o homem questiona por que não tomamos uma atitude enquanto ainda era tempo, alguns extratos de notícias de catástrofes ambientais já ocorridas e uma série de depoimentos de pessoas de diferentes partes do mundo sobre sua relação com o meio ambiente.

Um exemplo é o norte-americano que trabalha em uma empresa petrolífera, teve sua casa devastada pelo furacão Katrina, em New Orleans, e defende que devemos utilizar o restante do petróleo para encontrar alternativas ao combustível fóssil. Ou o britânico que luta contra a própria comunidade para instalar um pequeno parque eólico local, mas a população argumenta que as turbinas “estragarão a vista” do condado. Do outro lado do mundo, na Índia, um empresário comemora a criação de sua companhia aérea que, segundo ele, ao oferecer voos de baixo custo e deve “acabar com a pobreza na Índia”.

Impossível não se sensibilizar à mensagem forte e se angustiar com o senso de urgência trazido pelo longa de Franny Armstrong. A vontade adicional, além de promover a transformação, é de fazer com que todos assistam à "A era da estupidez". Parece improvável resistir ao apelo tão real e contundente para que defendamos nossos próprios interesses, ou seja, de perpetuar habitando o planeta. Outra sacada do filme é trazer o senso de emergência para a vida individual das pessoas, mostrando que mudanças pessoais fazem a diferença no todo.

A diferença dessa produção para outras do gênero, entretanto, é trazer um grande número de líderes globais, celebridades e divulgação para a causa, como o ex-secretário geral Kofi Annan ou a atriz hollywoodiana Heather Graham.

O filme faz parte também da pressão para Copenhague em dezembro, quando Estados de todo o mundo deverão se reunir para discutir metas e compromissos contra o aquecimento global em curto, médio e longo prazo.

No Brasil, você pode assistir à estreia nas cidades de Belo Horizonte, Brasília, Campinas, São Paulo, Santos, Rio de Janeiro, Curitiba, Fortaleza, Juiz de Fora, Porto Alegre, Recife e Salvador.

Confira também o site oficial do filme.

Fonte: Revista Sustenta

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