sexta-feira, 9 de outubro de 2009

O puff de Yeda Crusius

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O puff de Yeda Crusius

A foto do móvel adquirido pela governadora gaúcha com dinheiro público é ninharia perto das denúncias de desvios de mais de R$ 300 milhões. Mas vamos combinar: é imoral demais.


Por Paulo Cezar da Rosa

Nesta quinta feira 8, a comissão de deputados gaúchos que analisa o pedido de abertura de um processo de impeachment da governadora Yeda Crusius (PSDB-RS) rejeitou a solicitação. O relatório da deputada Zilá Breitenbach, do mesmo partido da governadora, recomendando o arquivamento, foi aprovado pela maioria yedista de 16 deputados. A oposição retirou-se da sessão e é praticamente certo que em plenário haverá repetição do resultado.

A decisão afrontou a opinião da maioria dos gaúchos. No final de semana anterior, uma pesquisa do instituto Ibope mostrava uma rejeição de 60% ao nome da governadora e 64% de ruim e péssimo na avaliação de seu governo. Perguntados sobre o impeachment, 62% dos entrevistados se manifestaram a favor e apenas 22% contrários.

Números arrasadores

Yeda, diante de índices tão negativos (provavelmente a pior avaliação entre todos os governadores brasileiros) preferiu negar a realidade. Numa entrevista nacional, fez uma interpretação da pergunta feita pelo Ibope no sentido de que as pessoas estavam se manifestando a favor da investigação e não do seu afastamento. A pergunta entretanto, foi feita exatamente neste sentido.

Nos bastidores, algumas interpretações especulavam sobre a intencionalidade da pesquisa, totalmente negativa para a governadora. Uns, acreditando que o ministro Tarso Genro, candidato declarado do PT a governador, estaria disposto a limpar o terreno e desbloquear o campo yedista em busca de aliados entre os partidos de centro como o PDT e PTB, estaria por trás da pesquisa. Outros, que o verdadeiro interessado nos números mortíferos para as pretensões da tucana, seria seu companheiro de partido e candidatoa presidente, José Serra. O governador paulista estaria temeroso de que os escândalos envolvendo o governo gaúcho venham a contaminar sua candidatura. Como os reiterados convites a que Yeda desista de concorrer à reeleição não vêm sendo aceitos pela tucana, Serra estaria, através da pesquisa do Ibope, tentando colocar uma pá de cal nas pretensões da governadora.

Toques e estoques

No meio da semana, enquanto a base yedista cerrava fileiras para enterrar o pedido de abertura do processo de impeachment, surgiram provas de que Yeda reformou sua casa particular e mobiliou o quarto de um neto com recursos do erário público. Conforme o governo, a operação foi legal porque existiria uma lei que prevê a possibilidade de utilizar recursos públicos para isso, devendo a governadora devolver os bens comprados ou pagar por eles no final do mandato.

A foto do puff adquirido na Tok Stok, dos móveis e a reprodução da nota fiscal foram parar nos blogues e colunas políticas. Perto das denúncias de que mais de 300 milhões teriam sido desviados dos cofres públicos nos últimos anos, sendo 44 milhões no Detran gaúcho, os 13 mil reais do puff e dos móveis parecem ninharia. Mas vamos combinar: é imoral demais. Fosse de outro partido ou outras as circunstâncias, Yeda seria defenestrada do Palácio Piratini sem dó nem piedade.

Novo jeito de governar

Yeda elegeu-se em 2006 prometendo um “novo jeito de governar”. Saiu de menos de 5% nas pesquisas para a vitória nas urnas de maneira quase mágica. Isso parece ter vitaminado a arrogância e o sentimento de impunidade da elite que a levou ao Palácio Piratini.

Não foi feito ainda um balanço do custo da crise política que vive o Rio Grande do Sul. Mas sem dúvida é enorme e desolador. Quando um governante se põe a mobiliar sua casa com o dinheiro do povo, é sinal de que inexistem limites e os gaúchos estão, de fato, diante de um novo jeito de governar que afronta a todos.

Fonte: Carta Capital

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Yeda usa dinheiro público para pagar reforma de casa


Governo emite nota admitindo o uso de dinheiro público na casa da governadora

Deputados de oposição na Assembléia Legislativa do RS apresentaram ontem informações que apontam o uso de dinheiro público para a reforma da casa da governadora Yeda Crusius em Porto Alegre. Em entrevista coletiva, os parlamentares afirmaram terem documentos que comprovariam o desvio. Empenhos obtidos na Casa Militar demonstram a compra de materiais de construção e mobília por parte do Estado. A informação é da Agência Chasque.

Além disso, dois deputados viram uma nota fiscal em uma loja de material de construção da Capital que teria como local de entrega a casa em que Yeda mora desde 2006. A presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Corrupção, deputada Stela Farias (PT), ainda apontou que um dos valores dos materiais de construção e móveis adquiridos por meio da Casa Militar seria idêntico ao valor da nota fiscal entregue na casa da governadora. Entre as aquisições estariam cerca de R$ 8 mil em pisos de borracha. Também foram adquiridos, com dinheiro público, móveis para os netos de Yeda.

“A bancada do PT, no ano passado, encaminhou à subchefia de assuntos administrativos da Casa Civil uma solicitação para vista ao processo 16980801-07-5, que é um dos processos que vêm na denúncia. Cujo processo é compra no ano de 2007 com dinheiro público no valor R$ 6.005,00, num comércio de móveis de Porto Alegre, que teriam sido comprados móveis para os quartos dos netos da governadora. Isso é o que diz a denúncia”, afirmou.

Ao todo, as denúncias de aquisição irregular de material de construção, móveis, produtos para jardinagem e alimentos somam cerca de R$ 100 mil. Em nota emitida a noite, o governo do Estado diz conhecer o uso do dinheiro público na reforma da mansão e afirmou que é legal. Segundo o texto, bens e serviços podem ser adquiridos para o local em que o governador mora. No final do mandato, os bens deverão ser restituídos ou indenizados ao Estado.

No entanto, a própria casa de Yeda é alvo de denúncias. Suspeitas apontam que o imóvel de luxo teria sido comprado com dinheiro de Caixa 2 de campanha eleitoral. Na época, Yeda justificou a compra da casa a fim de ter uma moradia à altura do cargo de governadora.

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Com essas provas de que Yeda comprou bens pessoais (tudo miudezas e irrelevâncias, em que pese os valores expressivos) para sua casa com recursos públicos não há mais dúvida: a governadora do Rio Grande do Sul é portadora de uma personalidade lúmpen, que rapina, se aproveita, tira vantagens e mistura a sua própria casa familial com o Tesouro público.

No popular: - Uma baita chinelagem!




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