da Redação Carta Capital
Hora de tirar do fundo do baú a velha caixa de War, ou de procurar na internet alguma de suas novas versões para computador. Após a guerra na Geórgia e o acordo entre os EUA e a Polônia para a instalação de uma base antimíssil perto da costa do Báltico, é mera formalidade a decisão da Rússia de suspender completamente sua cooperação com a Otan, anunciada em 21 de agosto, e bater a porta na cara da fragata estadunidense USS Ford, que em setembro manobraria conjuntamente com os russos em Kamchatka – um dos nomes exóticos mais familiares aos adeptos do velho jogo.
Estamos de volta aos não tão bons velhos tempos, que podem ficar ainda mais complicados. Em 1962, a decisão do Pentágono de instalar mísseis na Turquia levou o Kremlin a retaliar com outros tantos em Cuba. Nessa ocasião, Moscou acabou por recuar e os EUA por retirar (discretamente) seus mísseis, mas nunca se chegou tão perto de uma catástrofe global.
O mesmo cenário poderia repetir-se hoje, com mísseis russos na Venezuela ou, de novo, em Cuba, mas note-se: há 46 anos, Washington tinha doze vezes mais armas atômicas que Moscou. Hoje esses números estão equilibrados. O Kremlin atrasou-se em eletrônica e armas “inteligentes” desde os tempos soviéticos e pode sentir-se tentado a reagir nuclearmente a ataques mais sofisticados, para os quais ainda não tem resposta simétrica. Há pelo menos cinco novos poderes nucleares no tabuleiro, um dos quais, a China, tem pretensões a superpotência e mais armas que a URSS de 1962.
As regras tornaram-se mais complicadas e os jogadores de hoje não são mais inteligentes. Muito pelo contrário, receia-se.
Fonte: Carta Capital
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