por Leonardo Sakamoto
Ação exige reconhecimento de Ustra como torturador
Nesta terça, o Tribunal de Justiça de São Paulo julgará um agravo de instrumento movido pelo coronel reformado do Exército Carlos Alberto Brilhante Ustra, cujo objetivo é impedir o andamento de um processo movido pela família do jornalista Luiz Eduardo Merlino, torturado e assassinado no Doi-Codi, em São Paulo, em 1971.
A família move uma ação civil declaratória, que busca o reconhecimento público da responsabilidade do coronel pela morte de Merlino. Ustra era comandante do Doi-Codi e diversas testemunhas (entre elas o ministro-chefe da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, Paulo Vannuchi, preso no local na mesma época) afirmam ter visto Merlino em estado gravíssimo após sessões de tortura. O jornalista, que trabalhou no Jornal da Tarde e Folha da Tarde, foi morto aos 23 anos. Era militante do Partido Operário Comunista.
Caso o instrumento de agravo seja aceito, a audiência que dá continuidade ao processo contra o militar não ocorrerá. A família está divulgando um abaixo-assinado, pedindo apoio às pessoas a favor de que o instrumento seja negado pelo Tribunal de Justiça, e que a audiência e julgamento de Ustra, com todas as formalidades da lei, seja realizado.
Para aderir ao abaixo-assinado, acesse: http://www.petitiononline.com/4bnpdsa5/petition.html
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Troféu Frango vai para Jair Bolsonaro
“O grande erro foi ter torturado e não matado.”
A frase é do deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ), dita após seminário no Clube Militar, no Rio de Janeiro, nesta quinta, contra manifestantes do Grupo Tortura Nunca Mais e da União Nacional dos Estudantes. Segundo ele, essa teria sido a melhor solução para evitar que, hoje, pessoas perseguidas pela ditadura peçam indenização ou reclamem a justa e correta abertura dos arquivos que contam o que aconteceu na época.
(Com isso, o deputado se mostra menos "humano" que o seu colega de partido Paulo Maluf, que outrora sugeriu aos criminosos "estupre, mas não não mate". Ou que seu outro partidário Celso Russomano, que defende a redução da idade mínima para trabalho, possibilitando que crianças de 12 anos peguem no batente).
É claro que Bolsonaro (que era quase uma criança na época dos Anos de Chumbo, mas que defende a Gloriosa como se dela fosse pai e mãe) e o refugo militar da reserva (com a ajuda de alguns "estrelados" da ativa)querem que o direito à verdade e à memória permaneça enterrado em cova desconhecida junto com assassinados pela ditadura.
Fazem muito bem os ministros da Justiça (Tarso Genro) e dos Direitos Humanos (Paulo Vannuchi) defenderem publicamente o julgamento de torturadores e a revisão da Lei de Anistia. A Argentina está limpando suas feridas para que possam cicatrizar, passando por um doloroso mas necessário processo de lembrança, exposição, julgamento. O Brasil apenas tapa com gaze, achando que o tempo vai cuidar do resto. Não vai. Aquele refugo militar vai passar mas, se nada for feito, a mentalidade de que a vida humana é lixo continuará sendo passada de geração em geração. E torturar ainda será algo banal, seja em quartéis, seja em delegacias.
Quem não se lembra do senador Agripino Maia (DEM-RN) questionando o caráter de Dilma Roussef, em depoimento da ministra no Senado, por ela ter mentido diante de torturadores? Uma imbecilidade.
Criei o Troféu Frango para premiar bizarrices. Mas, se continuar assim, vou ter que mudar o nome do prêmio para Troféu Jair Bolsonaro – tamanha a quantidade de besteiras que diz o nobre deputado.
Fonte: Blog do Sakamoto
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