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terça-feira, 6 de maio de 2008

Condenado por morte de missionária muda versão para inocentar fazendeiro no Pará

Por Redação Fórum

Dorothy Stang.

Após mais de dez horas de julgamento, o juiz Raimundo Moisés Flexa decidiu suspender para descanso noturno o julgamento de Vitalmiro Moura e Rayfran Sales réus no processo de homicídio qualificado praticado contra Dorothy Stang.

O depoimento de Amair Feijoli Cunha, o Tato, já sentenciado a 18 anos de prisão, foi o mais demorado. Ele, em seu julgamento, confessou ter sido o intermediador do crime, em abril de 2006.

Tato contou que foi procurado pelo fazendeiro Vitalmiro Moura para contratar Rayfran e Clodoaldo, e que Bida e Regivaldo Galvão pagariam R$ 50 mil, de recompensa aos dois executores.

Mas, no depoimento de hoje, 5, como testemunha do fazendeiro, Tato desmentiu o que disse em seu julgamento e só agora é que estaria falando a verdade, por ter se convertido à religião evangélica.

Feijoli Cunha disse, ao depor, que não houve a combinação com os fazendeiros e nem que teria contratado os dois para executar a missionária, inocentando Vitalmiro Moura.

Ele disse também que fora induzido pela advogada que o defendeu para acusar Bida e em troca seria beneficiado com a delação premiada, o que lhe renderia uma pena menor. Segundo o depoimento, Tato teria sido pressionado pelos promotores de Justiça para acusar o fazendeiro e que se não o fizesse pegaria uma pena de mais de 30 anos de cadeia.

A segunda e última testemunha a depor foi Cleone Silva Santos, ex-vaqueiro de Bida. Ele soube do crime quando estava com o fazendeiro Vitalmiro, procurando isentar Bida do crime.
(Com informações do site Última Instância)

Fonte: Revista Fórum


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COMBATE AO DESMATAMENTO - Começa segunda fase da Operação Arco de Fogo na Amazônia

Após interditar madeireiras, serrarias e carvoarias ilegais em Mato Grosso, Pará e Rondônia, operação que reúne Polícia Federal, Ibama, Força Nacional de Segurança e Polícia Rodoviária Federal centralizará ações nas estradas federais e estaduais. Desmatamento de março cai em relação a fevereiro.

RIO DE JANEIRO – Terá início nos próximos dias a segunda fase da Operação Arco de Fogo, criada há dois meses pelo governo federal para combater o aumento do ritmo do desmatamento na Amazônia registrado pelos satélites nos últimos meses de 2007. Após concentrar, na primeira fase, suas ações nas carvoarias, serrarias e madeireiras localizadas nos principais pólos de desmatamento em Mato Grosso, Pará e Rondônia, a operação pretende agora intensificar a presença do poder público nas inúmeras e quase nunca fiscalizadas estradas federais e estaduais que cortam a floresta nesses três estados.

Com custo estimado em R$ 200 milhões, a Operação Arco de Fogo mobiliza 1.100 agentes da Polícia Federal, da Força Nacional de Segurança, da Polícia Rodoviária Federal e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Em sua primeira fase, segundo dados fornecidos pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA), a operação aplicou R$ 60 milhões em multas nas cinco bases de ação montadas em Mato Grosso, Pará e Rondônia. Os fiscais envolvidos na operação vistoriaram 166 propriedades, entre empresas e fazendas, aplicaram 338 multas e apreenderam 37,4 mil metros cúbicos de madeira ilegal, o suficiente para encher mil e quinhentos caminhões repletos de toras.

De acordo com o MMA, quarenta e dois estabelecimentos tiveram suas atividades paralisadas devido à falta de licenciamento ou por depósito e venda de madeira sem documentos que comprovassem sua origem legal. Os fiscais também apreenderam 1,4 mil metros cúbicos de carvão vegetal ilegal, 26 veículos e 31 motosserras utilizados no corte de árvores, além de destruir mil e seiscentos fornos clandestinos utilizados na produção de carvão vegetal.

Tailândia (PA) e Machadinho D’Oeste (RO) foram até agora os municípios mais visados pela Operação Arco de Fogo e, neles, a PF e o Ibama consideram o trabalho concluído. O alvo atual no Pará é a cidade de Paragominas, conhecida terra-de-ninguém onde imperam a violência e a destruição da floresta. Em Rondônia, a operação centraliza suas ações agora no município de Cujubim. No Mato Grosso, outras duas cidades conhecidas por sua participação na cadeia do desmatamento - Sinop e Alta Floresta - também serão alvos das ações do governo.

Em Machadinho D’Oeste, localizada a 150 km de Porto Velho, todas as 32 madeireiras que funcionavam na cidade foram autuadas pela Operação Arco de Fogo. Nove madeireiras foram interditadas por abrigar madeira de origem ilegal, e 23 foram identificadas pela fiscalização como sendo empresas-fantasmas. Os fiscais aplicaram em Machadinho D’Oeste 97 Autos de Infração, totalizando multas no valor de R$ 15 milhões, além de apreenderem três mil metros cúbicos de madeira em tora e serrada, o suficiente para encher 130 caminhões.

Após tentar neutralizar as madeireiras ilegais nos principais pólos de destruição da Amazônia, a Operação Arco de Fogo pretende agora combater o transporte ilegal de madeira que é comum nas rodovias federais e estaduais dos três estados mais fiscalizados. Para tanto, também serão mobilizados agentes da Polícia Federal, do Ibama, da Força Nacional de Segurança e da Polícia Rodoviária Federal: “A intenção é fechar as estradas para evitar que cargas de madeira estocada ilegalmente saiam das serrarias e voltem a circular, como estava ocorrendo em várias regiões do Pará”, explica o diretor-geral da PF, Luiz Fernando Corrêa.

Desmatamento diminui

Pela primeira vez em quase seis meses, os satélites do Sistema Deter (Sistema de Detecção do Desmatamento em Tempo Real) desenvolvido pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) apontaram redução no desmatamento da Amazônia. Os dados relativos a março mostram que, durante o mês, foi desmatada uma área de 145,7 quilômetros quadrados, o que representa uma redução de 80% em relação a fevereiro, quando o Inpe registrou 725 quilômetros quadrados de novas áreas desmatadas.

Segundo o Deter, ocorreu em março uma diminuição do ritmo de desmatamento em todos os estados da Amazônia Legal, com a exceção do Maranhão, onde a área desmatada registrada pelo Inpe aumentou de 2,1 quilômetros quadrados em fevereiro para 12,2 quilômetros quadrados em março. Nos estados do Acre, Amapá, Amazonas e Rondônia, os satélites não registraram novas áreas de desmatamento em março.

Os maiores responsáveis pela destruição da Amazônia continuam concentrados nos estados do Pará e de Mato Grosso. Este último, com 112,4 quilômetros quadrados de novas áreas devastadas, segundo o Inpe, responde por 77% dos desmatamentos registrados pelo Deter em março, em que pese a redução de 82,4% em relação a fevereiro. Apesar de o início do ano ser marcado pela maior incidência de chuvas na região amazônica _ fato que costuma frear o ritmo do desmatamento _ os dois estados apresentam nos três primeiros meses de 2008 a marca de 214 quilômetros quadrados de novas áreas de devastação florestal, contra 77 quilômetros quadrados registrados no mesmo período em 2007.

Coordenador da Campanha Amazônia do Greenpeace, Paulo Adário afirmou, em entrevista à Agência Brasil, que a redução do desmatamento em março registrada pelo Inpe “pode ser um sinal de que a Operação Arco de Fogo está começando a assustar os fazendeiros”. Adário, no entanto, ressaltou a importância de se intensificar o combate à destruição da floresta: “Espero que essa redução persista, porque é fundamental que o desmatamento caia radicalmente no primeiro semestre para que o números de 2007/2008 fiquem abaixo dos do período anterior”, disse.

Fonte: Agência Carta Maior


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Tiros em Raposa Serra do Sol

da Redação Carta Capital

Dez indígenas foram feridos à bala na manhã desta segunda-feira (5) na reserva indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima. Os responsáveis pelos disparos agiram a mando de Paulo César Quartieiro, prefeito de Paracaima (RR) e líder da resistência à desocupação das terras indígenas, conforme o prefeito afirmou à Agência Brasil.

Há pouco mais de uma semana, a chefe-de-gabinete de Quartieiro foi detida depois que a Polícia Federal localizou em sua residência armas e munição de uso exclusivo do Exército, no bojo dos protestos que marcaram a tentativa de desintrusão da resersa, suspensa por liminar do Supremo Tribunal Federal (STF).

O comunicado divulgado pelo Conselho Indígena de Roraima diz que os indígenas estavam em Raposa Serra do Sol construindo casas na reserva, quando uma caminhonete e cinco motos chegaram ao local “logo atirando por todos os lados no sentido de impedir que os indígenas construíssem suas malocas”.

Uma das vítimas, como relata o informe do CIR, estaria em estado grave, após ser atingido na cabeça, ouvidos e nas costas. Os feridos foram encaminhados pela Polícia Federal à capital Boa Vista.

Em entrevista à Agência Brasil, Quartieiro confirmou que os autores dos disparos são funcionários seus. Segundo o prefeito de Paracaima, os tiros foram reação a uma tentativa de invasão da fazenda Depósito, de sua propriedade, por um grupo de indígenas.

“De 50 a 100 índios invadiram a fazenda e meu pessoal foi pedir para que se retirassem. Eles chegaram atirando flechas e aí houve o confronto”, disse Quartiero. “Também estamos com seis feridos em Pacaraima”.

Os conflitos entre indígenas e arrozeiros em Raposa Serra do Sol se acirraram em razão da decisão liminar do STF, que suspendeu o processo de retirada dos agricultores do local para proceder a demarcação contínua da reserva indígena, conforme lei aprovada em 2005.

Os problemas na região também provocaram uma crise entre as Forças Armadas, o governo federal e a Justiça em relação à política indigenista, considerada “caótica” e “lamentável” pelo comandante militar da Amazônia, general Augusto Heleno.

O pronunciamento de Heleno provocou mal estar no Planalto e Lula, por meio de Nelson Jobim, seu ministro da Defesa, determinou o silêncio do comandante militar da Amazônia sobre o assunto.

Fonte: Carta Capital
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segunda-feira, 5 de maio de 2008

I Fórum Nossa São Paulo!



Atividades:*

Dia 15/05/2008

9:00
Debate - São Paulo vai parar? A crise de mobilidade na cidade
Diversos atores sociais envolvidos com mobilidade urbana: a pedestre Asuncion Blanco, a ciclista Renata Falzoni; Jackson Schneider, da Anfavea; Isao Hosogi (Jorginho), do Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores em Transporte Rodoviário Urbano; Wagner Gomes, do Sindicato dos Metroviários; Jorge Miguel dos Santos, do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros por Fretamento e para Turismo de São Paulo e Região (Transfretur); Alexandre Moraes, da Secretaria Municipal dos Transportes; Jóse Luiz Portella, da Secretaria dos Transportes Metropolitanos do Estado de São Paulo; Roberto Salvador Scaringella, presidente da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET); Eduardo Jorge, secretário Municipal do Verde e Meio Ambiente; Natalício Bezerra Silva, do sindicato dos Taxistas Autônomos de São Paulo; Gilberto dos Santos, do sindicato dos Trabalhadores Motociclistas da Cidade de São Paulo e Renato Laurenti, portador de deficiência.

Moderação: jornalista Milton Jung

14:00
Propostas para melhorar o transporte público, o trânsito e os índices de poluição na cidade
14h às 15h - Apresentação Mobilidade Urbana - Paris

15h às 16h30 - Propostas emergenciais para melhorar o transporte público, o trânsito e os índices de poluição na cidade

16h30 às 18h30 - Propostas de médio e longo prazo para melhorar o transporte público, o trânsito e os índices de poluição na cidade

9:00
Abertura - Roda de conversa: "Sociedade Civil e Democracia Participativa"
Abertura - Saudação inicial
Danilo Miranda, diretor regional do SescSP; Ana Moser, ex-jogadora de vôlei e integrante da organização Atletas pela Cidadania; Padre Jaime Crowe, da Sociedade Santos Mártires e do Fórum Social Zona Sul

Roda de conversa - "Sociedade Civil e Democracia Participativa"
Mário Sérgio Cortella, filósofo e professor da PUC-SP; Cláudio Lembro, ex-governador de São Paulo Claudio Lembo; Cida Bento, especialista em igualdade racial e coordenadora do Centro de Estudos das Relações de Trabalho e da Desigualdade (CEERT); Raquel Rolnik , arquiteta e urbanista; Frei Betto, escritor e religioso dominicano; Eduardo Ferreira, do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis.

Atividade artística e cultural - A confirmar


Dia 16/05/2008

9:00
Encontro de organizações sociais latinoamericanas por cidades justas e sustentáveis (enfoque América Latina)
Expositores convidados: Expositores convidados: Carlos Córdoba, Bogotá (Colômbia), do Movimento Bogotá Como Vamos
Pedro Zapata, Cidade do México (México), do Concejo Nacional Del Água en México
Lake Sagaris, Santiago (Chile), de Mapas Verdes

14:30
Encontro de organizações sociais latinoamericanas por cidades justas e sustentáveis (enfoque Brasil)
Participantes: representantes da sociedade civil de cidades brasileiras
Dia 17/05/2008

9:00
Apresentação de propostas para uma cidade justa e sustentável - Parte 1
Participantes: Grupos de Trabalho (GTs) do Movimento e público presente. GTs fazem a apresentação das propostas sistematizadas por 30 minutos e o público poderá fazer perguntas e obter esclarecimentos por mais 30 minutos.
1) Democracia Participativa
2) Transparência Orçamentária
3) Indicadores da cidade
4) Trabalho e Renda

14:30
Apresentação de propostas para uma cidade justa e sustentável - Parte 2
Participantes: Grupos de Trabalho (GTs) do Movimento e público presente. GTs fazem a apresentação das propostas sistematizadas por 30 minutos e o público poderá fazer perguntas e obter esclarecimentos por mais 30 minutos.
5) Educação
6) Cultura
7) Esporte
8) Segurança Cidadã

Dia 18/05/2008

9:00
Apresentação de propostas para uma cidade justa e sustentável - Parte 3
Participantes: Grupos de Trabalho (GTs) do Movimento e público presente. GTs fazem a apresentação das propostas sistematizadas por 30 minutos e o público poderá fazer perguntas e obter esclarecimentos por mais 30 minutos.
9) Saúde
10) Habitação
11) Meio Ambiente
12) Urbanismo

13:00
Encerramento


Plenárias Finais de 15 a 18 de maio

Veja a programação
Faça sua inscrição - vagas limitadas!

Abertura - Roda de conversa: "Sociedade Civil e Democracia Participativa"
com Mário Sérgio Cortella, Cláudio Lembo, Frei Betto,
Raquel Rolnik, Cida Bento e Eduardo Ferreira


Participe do I Fórum Nossa São Paulo - Propostas para uma Cidade Justa e Sustentável. O objetivo do Fórum é estimular a formulação e a apresentação de propostas para os principais desafios sociais, econômicos, políticos, ambientais e urbanos de São Paulo.

Para participar, é só realizar encontros em grupos (na escola, no trabalho, no bairro, no condomínio...) e debater soluções para transformar a cidade.

Os encontros preparatórios e as propostas devem ser registrados neste portal para que constem da programação geral do Fórum.

Registro de propostas até 7 de maio

Plenárias finais do Fórum - 15 a 18 de maio


Saiba mais sobre o Fórum e como participar

Faça sua inscrição para as plenárias finais de 15 a 18 de maio

Veja a programação das plenárias finais de 15 a 18 de maio

Material de mobilização para o Fórum - baixe aqui



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quarta-feira, 30 de abril de 2008

XINGU VIVO PARA SEMPRE

por Luiz Carlos Azenha

Entre os dias 19 e 23 de maio, cerca de mil pessoas, entre representantes de populações indígenas e ribeirinhas, movimentos sociais, organizações da sociedade civil e pesquisadores, realizam o encontro Xingu Vivo para Sempre, em Altamira (PA), para discutir projetos hidrelétricos e seus impactos na Bacia do Rio Xingu.

Incluem-se aí a construção prevista da usina de Belo Monte, que faz parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), e as pequenas centrais hidrelétricas (PCHs). Tanto as que já estão prontas, como a do Culuene (MT), quanto as que estão em construção e as que estão planejadas para o Pará e o Mato Grosso. Se forem adiante, tais projetos devem atingir direta e indiretamente cerca de 16 mil pessoas, 14 povos indígenas entre elas.

A mobilização ocorre 19 anos depois do I Encontro de Povos Indígenas, realizado em Altamira, que reuniu três mil pessoas, das quais 650 eram índios. Naquela época, os participantes protestaram contra a construção já prevista de cinco hidrelétricas no Rio Xingu, Belo Monte entre elas. Os protestos tiveram repercussão internacional e levaram o Banco Mundial a cancelar o financiamento previsto para o empreendimento, que até hoje não saiu do papel.

O Encontro Xingu Vivo para Sempre vai debater os impactos das usinas previstas para a Bacia do Rio Xingu e as ameaças que representam às populações tradicionais. Os participantes também pretendem propor ações que apontem para um modelo de desenvolvimento alternativo para a região, considerando o planejamento integrado da bacia, além de discutir a formação de um Comitê para a Bacia Hidrográfica do Xingu.

Líderes de movimentos sociais e indígenas, especialistas no tema energia e hidrelétricas, procuradores do Ministério Público Federal e membros do governo devem participar do evento. Foram convidados representantes da Eletronorte, da EPE (Empresa de Pesquisa Energética), do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), Funai (Fundação Nacional do Índio) e de alguns ministérios.

Histórico

Em 1989, os povos indígenas protestaram contra o projeto de aproveitamento hidrelétrico do Xingu, que inundaria cerca de 1,7 milhão de hectares, com a construção de cinco barragens em trechos do rio. A forte oposição de índios, ambientalistas e movimentos sociais, fez com que o projeto fosse deixado de lado. Correu o mundo a foto da índia Kayapó Tuíra que encostou a lâmina de seu facão no rosto do então presidente da Eletronorte, José Antônio Muniz Lopes, num gesto de advertência. Lopes continuou ocupando o cargo durante o governo FHC e hoje é presidente da Eletrobrás.

Em 1999, o projeto foi retomado em menor proporção, com a previsão de uma só barragem na chamada Volta Grande do Xingu, em Altamira. Apesar disso, os impactos socioambientais e inúmeras irregularidades nos estudos e no licenciamento da obra levaram o Ministério Público Federal a questioná-la judicialmente repetidas vezes. Em 15 de abril último, a Justiça Federal acatou o pedido de liminar do Ministério Público Federal que suspendeu a autorização dada a consórcio formado por três grandes construtoras para finalizar o Estudo de Impacto Ambiental (EIA-Rima) de Belo Monte.

Vários pesquisadores e instituições vêm questionando a viabilidade técnica e econômica da usina, que teria potencial para gerar até 11,1 mil megawatts, mas que, durante a maior parte do ano, seria capaz de gerar no máximo 4,6 mil megawatts. Também é preocupante a construção de pequenas centrais hidrelétricas previstas para o Xingu, cujas licenças dependem apenas do governo estadual. O caso mais emblemático é o da PCH do Culuene, já construída, e nove outras previstas, que se construídas deverão afetar a vida de 18 povos indígenas da região.

O movimento Xingu Vivo para Sempre acredita que as hidrelétricas na Bacia do Rio Xingu podem causar a remoção forçada de comunidades, prejuízos para a pesca e o transporte fluvial, emissão de gases de efeito-estufa pelos reservatórios e o aumento de doenças como malária e febre amarela.

Fonte: Vi o Mundo


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terça-feira, 29 de abril de 2008

O desafio do pós-desenvolvimentismo

Ao ampliar a democracia, e promover distribuição de renda, o governo Lula enfrentou duas das três tendências malditas que marcaram o "desenvolvimento" brasileiro nos anos 1900. Mas ainda corre um risco: o de manter a tradição predatória, no século em que o grande desafio é a sustentabilidade

por Hamilton Pereira

Nós brasileiros somos herdeiros de uma tradição desenvolvimentista firmada ao longo de século 20, que se definiu por um triplo caráter: autoritário, crescemos sob ditaduras; excludente, crescemos concentrando renda; e predatório, crescemos ignorando a sustentabilidade do uso dos recursos naturais.

A cultura do desenvolvimento brasileiro parte do pressuposto equivocado de que os recursos naturais são infinitos. Em decorrência do modelo de acumulação agro-exportador, colonial e neocolonial baseado nas monoculturas “históricas” (cana-de-açúcar, café...) e nas recentes (cana de açúcar... e soja), vigiadas de perto pelos olhos redondos das vacas... Crescemos de maneira disforme, sem o equilíbrio capaz de garantir a durabilidade dos ciclos, historicamente interrompidos por longos períodos de crise e estagnação, como nos últimos 20 anos.

Nos seis anos do governo Lula, o Brasil enfrenta com relativo êxito esse triplo desafio: crescemos com democracia. É inegável. Crescemos com distribuição de renda. Não há como contestar. Mas não incorporamos a dimensão da sustentabilidade sócio-ambiental à cultura do novo ciclo de desenvolvimento.

O que fazer para que o governo Lula não passe para a história como um período que, sob condições infernais, teve êxito na consolidação da democracia brasileira, no combate às criminosas desigualdades sociais — mas não soube dar a solução adequada para a agenda do século 21: a sustentabilidade sócio-ambiental do desenvolvimento?

O principal agente de um novo modelo será a sociedade. Ao Estado cabe oferecer instrumentos. Mas que resulta das resoluções tomadas nas Conferências Nacionais?

Partimos da convicção de que quem resolve o problema é quem sente o problema: ou seja, a sociedade, a cidadania. Ao Estado cabe – e o Brasil ainda está longe disso – oferecer os instrumentos para dar solução, cumprir o papel indutor do desenvolvimento. Essa convicção orienta o esforço de mobilização da sociedade por meio de uma série de Conferências Nacionais. No início de abril, concluímos a etapa das plenárias estaduais da III Conferência Nacional do Meio Ambiente. Foram 27, precedidas de 556 plenárias municipais e 141 plenárias regionais. Esse rico processo de mobilização e educação social envolveu mais de 100 mil pessoas para debater o tema das mudanças climáticas e oferecer a contribuição da sociedade para a formulação da Política Nacional face às Mudanças do Clima e do Plano Nacional que derivará dela.

Uma pergunta inevitável, apresentada pelos setores sociais que entendem as Conferências como uma vistosa maneira de perder tempo e jogar dinheiro fora – e mesmo pelos setores que desejam aprimorar o processo é: o que é feito com as deliberações delas? A informação está disponível no site do Ministério do Meio Ambiente (MMA): mais de 350 deliberações aprovadas na II Conferência Nacional do Meio Ambiente, de competência do MMA, foram implementadas ou estão em fase de implementação, por se tratar de processos. Isso significa 83% das decisões aprovadas pelos cidadãos que participaram da conferência anterior. O cumprimento das deliberações, no que tange às atribuições do MMA, representa não apenas o compromisso do ministério com o processo, mas também o grau de amadurecimento dos delegados, ao aprovarem deliberações que sinalizam as prioridades de uma agenda ambiental para o Brasil.

Ao lado dos números que se referem à mobilização e execução das deliberações pelo governo, cumpre registrar um fato igualmente relevante: a agenda ambiental no Brasil vai deixando de ser assunto exclusivo dos ambientalistas e dos estudiosos, para se tornar um tema do quotidiano dos cidadãos. Chegaremos à Plenária Nacional da III Conferência, de 7 a 10 de maio, com a presença majoritária de movimentos sociais, entidades comunitárias, populações tradicionais que vão, de modo crescente, legitimando-se como protagonistas na consolidação dos espaços democráticos que construímos. Essa é uma conquista formidável da sociedade brasileira. Ela deriva de décadas de militância e compromisso de ONGs ambientalistas, movimentos sociais, comunitários, cooperativas, administrações municipais e estaduais pioneiras. Esse processo traz consigo o significado mais profundo: estamos vivendo uma transformação na cultura do desenvolvimento brasileiro. Consolidar essa sensibilidade nas políticas de desenvolvimento em curso será fundamental para imprimir essa nova qualidade ao ciclo histórico que marcará o Brasil do século 21.

Fonte: Le Monde Diplomatique Brasil

Hamilton Pereira da Silva (Pedro Tierra) é poeta e escritor. É Secretário de Articulação Institucional e Cidadania Ambiental do Ministério do Meio Ambiente e membro do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONMA). Foi secretário de Cultura do Distrito Federal e presidente da Fundação Perseu Abramo. Atuou junto às lideranças sindicais de trabalhadores rurais e movimentos sindical, popular e cultural.


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