Mostrando postagens com marcador Luiz Carlos Azenha. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Luiz Carlos Azenha. Mostrar todas as postagens

sábado, 3 de maio de 2008

OS CASOS BIZARROS EM TORNO DO REVERENDO MOON (I)


"Reverendo" Moon

por Luiz Carlos Azenha

"O pregador da direita que odeia a América", por Robert Parry*, do Consortium News, em 2 de maio de 2008

Um das vantagens que a direita americana obteve ao investir dezenas de bilhões de dólares na mídia - dos programas de comentários em rádios à TV à cabo, da imprensa escrita à internet - é a capacidade de definir o que é e o que não é um "escândalo", um fator poderoso para determinar a vitória em eleições nacionais.

Por comparação, os progressistas americanos desvalorizam seus próprios investimentos na mídia. A disparidade leva ao espetáculo de ver os candidatos presidenciais democratas se submetendo às perguntas da [emissora de notícias conservadora] Fox News, enquanto ninguém espera que um líder republicano seja interrogado, por exemplo, pelo [site progressista] DailyKos.

Em outro nível, esse desequilíbrio da mídia promoveu os discursos do reverendo Jeremiah Wright à categoria de grande notícia, efetivamente alterando o curso da campanha de 2008, ao associar Barack Obama com as duras críticas do pastor - às vezes exageradas - ao governo dos Estados Unidos. No entanto, não é notícia que uma figura religiosa anti-americana investiu bilhões de dólares para financiar o movimento conservador dos Estados Unidos e colocou gordos pacotes de dinheiro no bolso de proeminentes republicanos, inclusive membros da própria família do presidente George W. Bush.

Enquanto o senador Obama tem de explicar o que ele sabia - e quando - sobre os discursos raivosos de Wright, a família Bush flutua sobre a sua associação financeira e política com o reverendo Sun Myung Moon, um teocrata sul-coreano que denunciou os Estados Unidos como a "colheita de satã" e comparou mulheres americanas a "prostitutas."

Em seus sermões, Moon foi muito além do "Deus condene a América" - o que Wright fez - e prometeu varrer a democracia americana e o individualismo enquanto constrói seu mundo de um estado só.

Quando o plano de Moon de "engolir toda a América" estiver completo, o reverendo disse a seguidores em um sermão que "alguns indivíduos vão reclamar. No entanto, eles serão digeridos."

Mas o ódio de Moon pela América não é considerado notícia, em parte porque Moon financiou o [jornal conservador] Washington Times desde 1982 ao custo de mais de 3 bilhões de dólares, de acordo com um ex-funcionário, George Archibald.

Moon também gastou muitos milhões de dólares para pagar conferências de conservadores e para salvar figuras-chave da direita quando elas enfrentaram dificuldades financeiras, inclusive o guru da mala direta dos republicanos, Richard Viguerie, e o falecido Jerry Falwell.

Além disso, Moon pagou grandes quantias ao ex-presidente George H. W. Bush por discursos - alguns milhões de dólares - e apresentou o irmão de George W. Bush, Neil, em eventos recentes da Federação Universal da Paz, patrocinada por Moon.

Em 2004, republicanos agradecidos deram a Moon o direito de usar uma sala de escritório num prédio do Senado para que ele fosse coroado "Rei da Paz" em uma cerimônia que seguidores anunciaram como prova de que o governo dos Estados Unidos havia se rendido ao novo Messias.

Ainda assim, apesar de Moon ter acumulado influência injetando grandes somas de dinheiro misterioso no processo político dos Estados Unidos - inclusive para a família Bush - ele conseguiu evitar o intenso escrutínio que se aplica ao reverendo Wright, que até recentemente era um pregador pouco conhecido no bairro do South Side, em Chicago.

Enquanto os trechos de sermões de Wright, postados no You Tube, se tornaram atração diária em programas da TV americana, a influência de Moon na direita e a boa vontade dele com a família Bush são não-notícias. Isso apesar de Moon ser acusado de representar um nexo entre o crime internacional e a elite política dos Estados Unidos.

Quando se discute Moon ele geralmente é apresentado simplesmente como o líder doido do culto da Igreja da Unificação que, de alguma forma, transformou a venda de flores por parte dos seguidores dele em uma vasta fortuna global.

O que quase nunca se fala é das antigas relações dele com o crime organizado e o contrabando internacional de drogas, inclusive com as gangues japoneses da Yakuza e traficantes de cocaína sul americanos. Mesmo testemunhos de primeira mão sobre a lavagem de dinheiro praticada por Moon, como os de sua ex-nora Nansook Hong, não atraem a mídia americana.

Quem é Moon?

Moon nasceu em 6 de janeiro de 1920, em uma região rural do noroeste da Coréia, a península montanhosa então ocupada pelo Japão, uma ocupação tão brutal que continuou durante os primeiros 25 anos da vida dele. Forças aliadas liberaram a península em 1945 e então dividiram a Coréia em duas partes, o sul ocupado pelos Estados Unidos e o norte por tropas soviéticas.

No período pós-guerra, Moon, que havia sido criado dentro de uma seita cristã, mudou-se para o sul da Coréia e se juntou a um grupo místico chamado de Israel Suo-won. O grupo pregava a iminente chegada de um Messias coreano e praticava um estranho rito sexual chamado "pikarume", no qual os ministros purificavam as mulheres através de relações sexuais, a chamada "benção do útero."

Enquanto desenvolvia a sua própria teologia, Moon voltou para o Norte, governado pelos comunistas, onde logo enfrentou problemas legais. Ele foi preso duas vezes pelas autoridades locais, aparentemente sob acusações morais ligadas aos ritos sexuais com mulheres jovens. Os seguidores de Moon, no entanto, tentam retratá-lo como vítima da repressão comunista, dizendo que ele não foi preso por questões sexuais, mas por espionagem.

Qualquer que seja a história real sobre a detenção dele na Coréia do Norte, a sorte de Moon logo mudou. Em 14 de outubro de 1950, com a guerra em andamento na península, tropas das Nações Unidas invadiram a prisão onde ele estava, libertando Moon e outros presos. De acordo com o que diz a Igreja da Unificação, Moon foi a pé para o Sul, carregando nas costas um prisioneiro ferido, Pak Chung Hwa.

Por anos, autoridades da igreja publicaram uma foto que seria de Pak nas costas de Moon, atravessando um rio. Mas boa parte disso parece ser propaganda. Várias fontes da igreja admitiram que a foto era falsa, que Moon não era o homem que aparecia nela e que ele não estava no lugar em que a imagem foi feita.

A jornada de Moon em direção ao Sul terminou no porto de Pusan, onde ele retomou o trabalho missionário. Mais tarde ele se mudou para Seul, a capital da Coréia do Sul, onde ele fundou sua própria igreja em maio de 1954. Ele a batizou de T'ong-il Kyo, ou Associação do Espírito Santo para a Unificação da Cristandade do Mundo. Ficou conhecida como Igreja da Unificação.

No centro da teologia de Moon estava uma nova versão de uma história do Velho Testamento sobre a queda do homem. Em vez da mordida na maçã proibida, Eva copulou com Satã e depois transmitiu o pecado ao fazer sexo com Adão.

Milhares de anos depois, Deus mandou Jesus restaurar o homem à pureza original, ensina Moon. Mas Jesus fracassou ao ser traído pelos judeus e morreu antes de ser pai de uma criança pura.

O sexo, portanto, permaneceu no centro da teologia de Moon, com a necessidade do Messias de purificar a raça humana através da reversão da contaminação causada pela sedução de Eva pelo Satã.

Moon ensinou que o fracasso de Jesus de começar o processo de purificação levou Deus a mandar um segundo Messias, ou seja, o próprio Moon. Ele via sua tarefa como a de começar o processo de purificação e assim estabelecer o Reino de Deus na Terra.

O objetivo final seria a criação de uma teocracia mundial governada por Moon e seus seguidores e limpa da influência do Satã. Poder político e religioso andam juntos, ensina Moon. "Não podemos separar o campo político do campo religioso", disse.

Mas na Coréia do Sul ele descobriu que o governo continuava a ser obstáculo para seus planos religiosos. Quando concentrou seu trabalho religioso em jovens estudantes universitárias, especialmente em escolas cristãs exclusivas para mulheres, Moon enfrentou novos problemas legais.

O governo da Coréia do Sul prendeu Moon em 1995 alegadamente por conduzir ritos sexuais de "purificação", de acordo com relatórios dos serviços de inteligência dos Estados Unidos que agora se tornaram públicos. Ele foi libertado três meses depois quando nenhuma das jovens testemunhou por medo de humilhação pública, de acordo com um sumário do FBI sem data divulgado por ordem da Justiça depois de um pedido feito através do Freedom of Information Act.

"Durante os próximos dois anos, na mídia da Coréia do Sul o reverendo Moon foi motivo de humor escandaloso", diz o relatório do FBI.

Seis Marias

Autoridades da igreja negam que Moon tenha participado de ritos sexuais. Mas as acusações voltaram a receber atenção, em 1993, com a publicação, no Japão, do "A Tragédia das Seis Marias", um livro escrito por um discípulo de Moon, Pak Chung Hwa, aquele que o reverendo teria supostamente carregado até a Coréia do Sul.

De acordo com o livro de Pak, Moon ensinava que Jesus faria a limpeza da humanidade praticando sexo com seis mulheres casadas, que por sua vez fariam sexo com outros homens, passando assim a purificação para outras mulheres, até que todos teriam o sangue puro.

Pak alegou que Moon assumiu como seu dever pessoal, de segundo Messias, fazer sexo com as "seis Marias." Mas Pak acusou Moon de abusar da prática transformando as "Seis Marias" em uma espécie de clube rotativo de sexo. Pak disse que a primeira esposa de Moon pediu divórcio depois de flagrá-lo em um ritual sexual.

Ao todo, Pak calculou que houve ao menos 60 "Marias", muitas das quais acabaram destituídas depois que Moon as descartou.

De acordo com testemunho de uma das "Marias", de nome Yu Shin Hee, ela encontrou Moon no início dos anos 50 e se tornou uma seguidora junto com o marido. Devota da igreja, foi abandonada pelo marido e ficou com cinco filhos, que colocou num orfanato quando concordou em se tornar uma das "Seis Marias" de Moon.

Mas Yu Shin Hee diz que Moon se cansou dela depois da primeira "troca de sangue", uma frase usada para descrever as relações sexuais. Ainda assim, ela foi requisitada a fazer sexo com outros homens. Sete anos depois, sem dinheiro, tentou retomar os filhos, que a rejeitaram.

Quando Moon engravidou outra mulher, mandou-a para o Japão, onde nasceu um menino, de acordo com o livro de Pak. Moon admitiu que era o pai da criança, que morreu em um acidente de trem aos 13 anos de idade. Mas, de acordo com Pak, Moon se negou a admitir a paternidade de outras crianças ilegítimas que teve com fiéis.

"Ao avançar os seus ensinamentos, ele violou mães, filhas e irmãs", Pak escreveu. (Depois da publicação de "A Tragédia das Seis Marias", a Igreja da Unificação denunciou as acusações como falsas. Sob intensa pressão, Pak Chung Hwa concordou em se desmentir. Mas o que ele conta no livro confere com relatórios de serviços de inteligência e entrevistas com ex-integrantes da igreja feitas na mesma época).

As histórias de encontros sexuais de Moon foram corroboradas pela nora Nansook Hong, que rompeu com a chamada Verdadeira Família de Moon em 1995, alegando que sofreu abusos nas mãos do filho mais velho do reverendo, Hyo Jin Moon, durante o casamento que durou 14 anos.

Nansook Hong, em seu livro "Na Sombra dos Moons", de 1998, disse que membros da família, inclusive Moon, admitiam que ele tinha tido sexo "providencial" com mulheres em seu papel de Messias. Nansook Hong disse que descobriu sobre os affairs de Moon quando o marido dela, Hyo Jin, passou a justificar suas aventuras como mandadas por Deus, da mesma forma que o pai.

"Fui diretamente à senhora Moon com as alegações de Hyo Jin", Nansook Hong escreveu. "Ela ficou furiosa e chorou. Ela disse que tinha esperança de que a dor terminaria com ela, que não seria passada à próxima geração".

"Ninguém conhece a dor causada por um marido infiel como a Verdadeira Mãe, ela me assegurou. Eu fiquei chocada. Todos tínhamos ouvido os rumores sobre os affairs de Sun Myung Moon e as crianças que ele teve fora do casamento, mas lá estava a Verdadeira Mãe confirmando a veracidade das histórias."

"Eu disse a ela que Hyo Jin havia me dito que dormia com outras mulheres por inspiração de Deus, assim como o pai. 'Não, o Pai é o Messias, não Hyo Jin. O que o Pai fez foi planejado por Deus.'"

Mais tarde, em uma discussão sobre sexo fora do casamento, Moon disse a Nansook Hong pessoalmente que "o que aconteceu no passado foi 'providencial'", ela escreveu no livro.

Quanto aos rituais de purificação, Nansook Hong disse que os rumores acompanharam a igreja por décadas, apesar dos desmentidos oficiais.

"Nos primeiros dias da Igreja da Unificação, membros se encontravam numa pequena casa com dois quartos", Nansook Hong escreveu. "Era conhecida como a Casa das Três Portas. Havia rumores de que na primeira porta se tirava o paletó, na segunda as roupas e na terceira as roupas de baixo, em preparação para o sexo."

Quanto ao livro de Chung Hwa Pak, "ATragédia das Seis Marias", Nansook Hong disse que Moon conseguiu persuadir o autor a voltar à igreja e a desmentir o que havia escrito. "Sempre me perguntei qual foi o preço", Hong escreveu.

Madeleine Pretorious, uma integrante da Igreja da Unificação da África do Sul, também trabalhou em proximidade com o filho temperamental de Moon, Hyo Jin, e soube através dele que as histórias negadas sobre os ritos sexuais de Moon com fiéis eram verdadeiras.

"Quando Hyo Jin descobriu sobre os rituais de purificação do pai perdeu a impetuosidade", Pretorious me disse em uma entrevista depois que ela deixou a igreja, na metade dos anos 90.

No final de 1994, durante conversações com Hyo Jin na suíte do hotel New Yorker, "ele me confidenciou muitas coisas", Pretorious disse. Ela também havia descoberto que o reverendo Moon tinha tido um filho fora do casamento no início dos anos 70. Ele arranjou para que a criança fosse criada por um antigo aliado, Bo Hi Pak, Pretorious contou.

O menino - já um jovem - havia procurado Hyo Jin porque queria ser reconhecido como meio-irmão. Pretorious disse que confirmou o caso mais tarde com outros integrantes da igreja.

Robert Parry foi repórter da Associated Press e da Newsweek e é autor de três livros sobre a família Bush

Fonte: Vi o Mundo


Share/Save/Bookmark

quarta-feira, 30 de abril de 2008

O FÓRUM DE MÍDIA LIVRE

por Luiz Carlos Azenha

Abertas inscrições para o I Fórum de Mídia Livre

Estão abertas as inscrições para o I Fórum de Mídia Livre, que ocorrerá no Rio de Janeiro, dias 17 e 18 de maio, e reunirá participantes de todo o País. O evento é parte de uma ampla mobilização de jornalistas, acadêmicos, estudantes e ativistas pela democratização da comunicação em defesa da diversidade informativa e da garantia de amplo direito à comunicação.

A mobilização começou em uma reunião em São Paulo envolvendo 42 jornalistas, estudantes, professores ou pessoas atuantes na área das comunicações, de diferentes regiões do Brasil. Entre outras questões, os presentes discutiram o avanço do movimento de comunicação da mídia livre em todo o país, de modo a fazer frente aos grupos conservadores que concentram as atividades da comunicação social no Brasil.

O setor de comunicação, segundo o manifesto em construção disponível no site do Fórum de Mídia Livre, "não reflete os avanços que ao longo dos últimos trinta anos a sociedade brasileira garantiu em outras áreas. Isso impede que o país cresça democraticamente e se torne socialmente mais justo". E continua: "A democracia brasileira precisa de maior diversidade informativa e de amplo direito à comunicação. Para que isso se torne realidade, é necessário modificar a lógica que impera no setor e que privilegia os interesses dos grandes grupos econômicos (...)".

Um dos objetivos, ainda segundo o texto, é a democratização das verbas públicas, apoiando que "as verbas de publicidade e propaganda sejam distribuídas levando em consideração toda a ampla gama de veículos de informação e a diversidade de sua natureza; que os critérios de distribuição sejam mais amplos, públicos e justos, para além da lógica do mercado; e que ao mesmo tempo o poder público garanta espaços para os veículos da mídia livre nas TVs e nas rádios públicas, nas suas sinopses e meios semelhantes". O documento está disponível no site do evento (http://forumdemidialivre.blogspot.com/).

Antes mesmo do evento no Rio de Janeiro, o movimento social de comunicação já está se mobilizando em sete cidades: Porto Alegre, São Paulo, Rio de Janeiro, Belém, Fortaleza, Recife e Aracaju. Os primeiros relatos já estão disponíveis no site. O próprio evento é um importante passo na discussão e deliberação sobre os rumos do movimento social de comunicação.

Programação - O I Fórum de Mídia Livre acontecerá dias 17 e 18 de maio de 2008 (sábado e domingo), das 9h às 17h (com pausas entre os debates e grupos de trabalho). Será realizado no campus da UFRJ da Praia Vermelha, no Auditório Pedro Calmon do Fórum de Ciência e Cultura (FCC) e salas anexas. Endereço: Avenida Pasteur, 250 – Praia Vermelha. O Auditório Pedro Calmon fica no segundo andar do FCC. Confira em breve no site do evento a programação completa do evento.

Inscrições - A participação no I Fórum de Mídia Livre é aberta e a inscrição é obrigatória. Os participantes podem também se informar sobre os pré-encontros em suas respectivas cidades. O custo individual da inscrição é de R$15 (quinze reais) para o público em geral e R$5 (cinco reais) para estudantes, pagos no dia do evento, junto à secretaria executiva do evento. A secretaria executiva do evento emitirá um certificado de participação para os que compareceram nos dois dias de evento.

A inscrição no I Fórum de Mídia Livre não garante, por ora, o transporte, estadia e alimentação dos inscritos, que no entanto estão sendo negociados. Inscreva-se já e participe dos debates: http://forumdemidialivre.blogspot.com/

Fonte: Vi o Mundo
Share/Save/Bookmark

XINGU VIVO PARA SEMPRE

por Luiz Carlos Azenha

Entre os dias 19 e 23 de maio, cerca de mil pessoas, entre representantes de populações indígenas e ribeirinhas, movimentos sociais, organizações da sociedade civil e pesquisadores, realizam o encontro Xingu Vivo para Sempre, em Altamira (PA), para discutir projetos hidrelétricos e seus impactos na Bacia do Rio Xingu.

Incluem-se aí a construção prevista da usina de Belo Monte, que faz parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), e as pequenas centrais hidrelétricas (PCHs). Tanto as que já estão prontas, como a do Culuene (MT), quanto as que estão em construção e as que estão planejadas para o Pará e o Mato Grosso. Se forem adiante, tais projetos devem atingir direta e indiretamente cerca de 16 mil pessoas, 14 povos indígenas entre elas.

A mobilização ocorre 19 anos depois do I Encontro de Povos Indígenas, realizado em Altamira, que reuniu três mil pessoas, das quais 650 eram índios. Naquela época, os participantes protestaram contra a construção já prevista de cinco hidrelétricas no Rio Xingu, Belo Monte entre elas. Os protestos tiveram repercussão internacional e levaram o Banco Mundial a cancelar o financiamento previsto para o empreendimento, que até hoje não saiu do papel.

O Encontro Xingu Vivo para Sempre vai debater os impactos das usinas previstas para a Bacia do Rio Xingu e as ameaças que representam às populações tradicionais. Os participantes também pretendem propor ações que apontem para um modelo de desenvolvimento alternativo para a região, considerando o planejamento integrado da bacia, além de discutir a formação de um Comitê para a Bacia Hidrográfica do Xingu.

Líderes de movimentos sociais e indígenas, especialistas no tema energia e hidrelétricas, procuradores do Ministério Público Federal e membros do governo devem participar do evento. Foram convidados representantes da Eletronorte, da EPE (Empresa de Pesquisa Energética), do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), Funai (Fundação Nacional do Índio) e de alguns ministérios.

Histórico

Em 1989, os povos indígenas protestaram contra o projeto de aproveitamento hidrelétrico do Xingu, que inundaria cerca de 1,7 milhão de hectares, com a construção de cinco barragens em trechos do rio. A forte oposição de índios, ambientalistas e movimentos sociais, fez com que o projeto fosse deixado de lado. Correu o mundo a foto da índia Kayapó Tuíra que encostou a lâmina de seu facão no rosto do então presidente da Eletronorte, José Antônio Muniz Lopes, num gesto de advertência. Lopes continuou ocupando o cargo durante o governo FHC e hoje é presidente da Eletrobrás.

Em 1999, o projeto foi retomado em menor proporção, com a previsão de uma só barragem na chamada Volta Grande do Xingu, em Altamira. Apesar disso, os impactos socioambientais e inúmeras irregularidades nos estudos e no licenciamento da obra levaram o Ministério Público Federal a questioná-la judicialmente repetidas vezes. Em 15 de abril último, a Justiça Federal acatou o pedido de liminar do Ministério Público Federal que suspendeu a autorização dada a consórcio formado por três grandes construtoras para finalizar o Estudo de Impacto Ambiental (EIA-Rima) de Belo Monte.

Vários pesquisadores e instituições vêm questionando a viabilidade técnica e econômica da usina, que teria potencial para gerar até 11,1 mil megawatts, mas que, durante a maior parte do ano, seria capaz de gerar no máximo 4,6 mil megawatts. Também é preocupante a construção de pequenas centrais hidrelétricas previstas para o Xingu, cujas licenças dependem apenas do governo estadual. O caso mais emblemático é o da PCH do Culuene, já construída, e nove outras previstas, que se construídas deverão afetar a vida de 18 povos indígenas da região.

O movimento Xingu Vivo para Sempre acredita que as hidrelétricas na Bacia do Rio Xingu podem causar a remoção forçada de comunidades, prejuízos para a pesca e o transporte fluvial, emissão de gases de efeito-estufa pelos reservatórios e o aumento de doenças como malária e febre amarela.

Fonte: Vi o Mundo


Share/Save/Bookmark

PASTOR TENTA TRAZER DE VOLTA "BLACK POWER" E COLOCA BARACK OBAMA NA ENCRUZILHADA

por Luiz Carlos Azenha

WASHINGTON - Os americanos nos "venderam", culturalmente, uma série de bobagens. Muitas foram entregues no pacote do politicamente correto, que aqui está sendo, graças aos céus, destruído pela turma do South Park, pelo comediante (negro) Chris Rock e pela turma cética em relação ao moralismo da patrulha comportamental.

Nós somos compradores da "auto-estima". Qualquer coisa no Brasil, hoje, é reduzida a um problema de auto-estima. Câncer? Auto-estima. Não passou no vestibular? Auto-estima. Atropelado no trânsito? Auto-estima. Essa enganação é uma forma de atribuir, ao indivíduo, a responsabilidade pela resolução de problemas que são sociais e que ele, sozinho, jamais vai conseguir resolver. É uma forma perversa de desmobilizar a sociedade, como se os indivíduos pudessem tudo, como se a força deles não estivesse na organização que se pretende esvaziar.

Não devemos, porém, confundir o self-service, o self-esteem e o self-help com o que as igrejas negras americanas chamam de self-reliance. Essa palavra é chave para entender o renascimento, nos Estados Unidos, da Teologia da Libertação Negra, a vertente do cristianismo que foi trazida de volta ao debate depois do escândalo envolvendo o reverendo Jeremiah Wright e a igreja da qual faz parte o candidato Barack Obama.

Podemos dizer que, dentro do protestantismo americano, as igrejas negras hoje estão divididas entre aquelas que propõem respostas pessoais para problemas comunitários e outras que promovem a organização social, a exemplo do que fez a Teologia da Libertação na América Latina. Essas igrejam adotam a Teologia da Libertação Negra.

lgst3245_mexico_city_olympics_black_power_poster.jpg

NAS OLIMPÍADAS DE 1968, NO MÉXICO, OS ATLETAS AMERICANOS TOMMIE SMITH E JOHN CARLOS FIZERAM UM PROTESTO SILENCIOSO, GESTO QUE SE TORNOU SÍMBOLO DO BLACK POWER

Self-reliance, nesse contexto, é a responsabilidade que cada fiel tem de assumir para transformar o mundo em que vive, através de ações políticas e sociais. É a independência do governo, o cuidado com os seus e com a comunidade. O pastor Wright decidiu que não vai mais ficar calado. Abandonou a aposentadoria para dar uma série de entrevistas nos últimos dias. É, de longe, o assunto com o maior potencial para afetar a campanha presidencial de Barack Obama.

Posando ao lado de dirigentes da Nação do Islã - num ecumenismo que os brancos foram incapazes de promover - o reverendo Wright defendeu a afirmação que fez de que os atentados de 11 de setembro de 2001 foram "a volta das galinhas para ciscar em casa", ou seja, uma resposta terrorista à violência terrorista praticada pelo estado americano em outros países.

Os colunistas americanos - inclusive os negros - logo correram para sentar a pua no reverendo, que taxaram de extremista. Jeremiah Wright foi além: disse que Obama só assumiu a postura que assumiu por ser político, ou seja, fez o que todo político faria em campanha eleitoral. Isso é um golpe pesado em um candidato que diz fazer política "diferente" dos outros.

Obama ficou (sem intenção de trocadilho) entre a cruz e a calderinha. Ele tem pela frente, no dia 6 de maio, duas prévias em estados bastante distintos. Na Carolina do Norte, depende de apoio maciço dos negros para vencer. Em Indiana, não pode embarcar na polarização racial. Se Obama atacar o reverendo que oficiou seu casamento e batizou suas filhas perde votos na Carolina. Mas, se não se distanciar de Wright, corre sério risco de perder votos de eleitores brancos, sem os quais não consegue vencer em Indiana.

Wright parece convencido de que o mais importante agora é reviver o movimento negro americano, apostar no Black Power do século 21. Desde o episódio do Katrina a classe média negra americana está em ebulição. Foi a "descoberta" concreta de que as leis mudaram, sim, os negros avançaram como nunca, mas ainda hoje são a grande maioria entre os pobres, os presos, os assassinos e os assassinados.

Fonte: Vi o Mundo


Share/Save/Bookmark

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Aos trancos e barrancos o Mercosul chega lá - por Luiz Carlos Azenha





Tem muita gente torcendo contra. Mas é inevitável, assim como a chuva cai. Os setores mais atrasados da economia são os mais relutantes. Querem preservar privilégios. E tem os que de fato perdem. Porém, é a dinâmica do próprio modelo econômico que empurra o troço adiante. E a política externa do governo Lula vem trabalhando com perícia, sem fazer diplomacia de microfone e sem cair na armadilha dos que querem detonar o bloco.

O mapa acima mostra a rodovia que ligará portos brasileiros aos do Chile, cortando a Bolívia. É mais um passo da integração. O Mercosul fechou acordo com Israel, a crise entre a Argentina e o Uruguai está sendo resolvida, o Brasil se deu conta de que deve pagar a parte maior da conta. Uma Bolívia dividida em alguns pedaços, bem na fronteira do Brasil, interessa a quem? Com certeza não interessa à indústria brasileira, que importa gás boliviano. Aquele papo de trazer gás da Argélia ou de tirá-lo da bacia de Santos a gente sabe que é conversa mole, papo de negociador. O gás boliviano ainda é o mais barato, ainda que tenha encarecido.

Para quem pensa a médio prazo, o que é muito exigir da elite jurássica do Brasil, a ascensão de uma classe média em toda a América Latina interessa a quem? Principalmente ao Brasil, que tem indústria para calçá-la, alimentá-la e transportá-la. A alternativa é deixar tudo como está: a minoria controlando a maior parte da renda, a grande maioria na miséria. Há mais de 200 milhões de latinoamericanos vivendo abaixo da linha da pobreza.

O que eles fazem? Saem em busca de oportunidades. Assim como os brasileiros foram para os Estados Unidos - agora estão voltando em massa -, os guatemaltecos, salvadorenhos e mexicanos estão fazendo qualquer coisa para entrar nos Estados Unidos. Se o Brasil crescer muito mais que a Bolívia e o Paraguai, é inevitável que bolivianos e paraguaios venham procurar oportunidades de trabalho no Brasil.

Assim como o crescimento econômico tirou milhões de brasileiros da classe "D", o mesmo está acontecendo na Venezuela e na Argentina. Se a Bolívia tiver estabilidade e a elite branca e rascista de Santa Cruz tiver juízo, o país também está destinado a crescer. Brasil, Argentina e Chile precisam do gás boliviano para sustentar seu crescimento econômico.

Tenho viajado bastante pela América Latina, que já consome cerca de 25% das exportações brasileiras. México, Colômbia, Cuba, Venezuela e em alguns dias estarei na Costa Rica. A presença de empresas brasileiras, muitas vezes associadas a grupos locais, está crescendo rapidamente. Quando se fala em "segurança energética" todo mundo se joga sob a cama, com medo do Hugo Chávez.

Esta é a chave. A América do Sul tem tudo para se tornar uma União Européia tropical: água, terra, mão-de-obra relativamente barata e energia. Faltam escolas e hospitais. Tem papel para o estado, sim, na economia. Ou vocês acham que o estado não interferiu na economia americana, quando foi preciso? Essa história de estado mínimo é o que eles pregam para os outros. Quanto menos estado dos outros, mais fácil de manobrar os interesses políticos e econômicos alheios.

Porém, a diplomacia americana sob George Bush é tão inepta que eles conseguiram juntar do outro lado aqueles que pretendiam dividir: Brasil, Uruguai, Argentina, Venezuela, Bolívia e até mesmo o Paraguai. A não ser que uma recessão americana das bravas detone o crescimento da China, da Índia, da Rússia e do Brasil, tudo indica que o quadro atual será mantido: pressão sobre recursos energéticos findáveis, como o gás natural e o petróleo.

Mais um motivo para que a região desenvolva um sistema interdependente de troca de energia, com a eletricidade do Paraguai sendo vendida ao Brasil, o gás boliviano abastecendo os vizinhos e a Venezuela, com suas gigantescas reservas, ajudando a regular o preço do petróleo - o que passou a interessar muito mais ao Brasil desde que foi descoberto o campo de Tupi e, a longo prazo, tornou-se factível pensar no país como modesto exportador de petróleo.

Por Luiz Carlos Azenha - fonte: http://viomundo.globo.com


Share/Save/Bookmark