segunda-feira, 3 de março de 2008

100 palestinos mortos; comentário sobre algumas racionalizações do massacre -fonte: O Biscoito Fino e a Massa - http://www.idelberavelar.com/

100 palestinos mortos; comentário sobre algumas racionalizações do massacre
por Idelber Avelar

Num post cheio de justificativas e racionalizações para os massacres israelenses, Pedro Dória escreve (todas as citações são tiradas do post e vão em itálicos):

1) os árabes agüentam o sangue. São mais duros, morrem sem se preocupar. É inacreditável que um jornalista continue reproduzindo essas grotescas caricaturas racistas. A cada chacina perpetrada por Israel, aparecem na mídia essas generalizações sobre os árabes. Os árabes não gostam de sangue e sacríficio mais que qualquer outro grupo humano. Submetidos a décadas de humilhações, invasões e ocupações, reagem como qualquer outro grupo humano, ou seja, num leque de alternativas que vai desde a violência suicida mais desesperada até a perda completa da capacidade de ter esperanças. Os africanos não gostam de matar suas crianças mais que qualquer outro grupo humano. Mas incontáveis africanos e afrodescendentes recorreram ao infanticídio como forma desesperada de tentar salvar seus filhos do opróbrio da escravidão. Os indígenas da Mesoamérica não gostam de se suicidar mais que qualquer outro grupo humano. Mas incontáveis mexicas, toltecas e chichimecas recorreram ao suicídio como forma de fugir dos horrores da colonização espanhola. A idéia de que “os árabes cultuam o martírio” é nada mais que isso: um estereótipo racista. Em incontáveis conversas com amigos árabes, escutei sempre, invariavelmente, a mesma história: “por que não nos percebem como humanos? Por que achariam que vamos viver contentes sob botas estrangeiras dentro da nossa própria casa? Vocês viveriam?”

2) a estúpida comparação de Israel com o nazismo [.....] Se há um Holocausto em curso? Nem de perto. Sinceramente, os defensores das chacinas de Israel têm que parar com essas brincadeirinhas de semântica. Acho obsceno que alguém escreva isso sobre 100 cadáveres palestinos num fim de semana, incluídos aí os de dezenas de crianças e bebês. Veterano de vinte e cinco anos de discussões com os que racionalizam cada crime de Israel, já está, para mim, cristalina a conclusão: não querem dialogar coisa nenhuma. Querem criar uma perene punhetagem metalingüística que vai se arrastando até que se perde completamente o horizonte da inadmissibilidade moral da coisa. Holocausto não pode, menção ao nazismo não pode (a não ser que seja para justificar os crimes de Israel, claro), chacina não pode, matança não pode. Só pode aquele delicioso termo: ato de auto-defesa. Até que a última criança palestina seja esmagada por um tanque israelense subsidiado pelos meus impostos, haverá alguém para dizer Israel tem o direito de se defender -- como, aliás, escreveu o Pedro quando Israel esmigalhou o sul do Líbano com bombas em julho de 2006, destruindo o renascimento cultural e turístico pelo qual passava o país.

3) O atual governo eleito palestino se recusa a reconhecer o direito de existência de Israel. Como conversar a paz com quem jura sua destruição na primeira chance que tiver? O cinismo do argumento é de embrulhar o estômago. A imprensa israelense cansou-se de noticiar que o Hamas propunha, implorava mesmo, por um cessar-fogo incondicional dos dois lados, sem que nenhuma das reivindicações palestinas sobre o seu território fossem cumpridas como pré-condição. O Hamas não tem chance nem de sonhar com a destruição de Israel. Só por má fé pode se negar este fato. Israel continua com suas chacinas em Gaza não porque o Hamas ainda não tenha feito uma cerimônia em que solemente escrevesse em seus estatutos que reconhece o estado judeu. As chacinas continuam por um cálculo das forças políticas que governam Israel. Sabem que podem fazê-lo, sabem que a comunidade internacional vai se calar, sabem que os EUA vão repetir a cantilena de que “Israel tem o direito de se defender” e sabem que os palestinos não têm como evitá-lo. Trata-se de um cálculo, a longo prazo, suicida – na minha opinião e na opinião de 64% dos israelenses. Mas isso não impede que os massacres sigam acontecendo. Àqueles que os racionalizam, não custa lembrar uma lei inexorável da história: nenhuma ocupação colonial dura para sempre.

Aliás, a justificativa para a recusa a se negociar com o Hamas é de um cinismo atroz. O Hamas foi incentivado politicamente por Israel na época em que a OLP (Organização para a Libertação da Palestina, precursora do atual Fatah) era a inconteste representante do povo palestino, com legitimidade não questionada. Naquela época, Arafat e a OLP é que eram os "terroristas". Depois que a representatividade do Fatah já está reduzida a frangalhos -- porque afinal de contas, a crença de qualquer ser humano na moderação vai se esvaindo quando décadas passam e você continua vivendo sob ocupação estrangeira tão brutal --, é a vez do Hamas ter que ser desqualificado como possível parceiro na mesa de negociação. Para a ocupação colonial, interlocutor bom é interlocutor morto.

4) não adianta permanecer voltando a 1948. Outra afirmação recorrente entre os defensores das chacinas de Israel. Não voltar a 1948, claro, é uma forma de perpetrar o mito de que "os árabes começaram a guerra"; é uma forma de esconder que o estado de Israel deve sua fundação a organizações terroristas; é uma maneira de mascarar a gigantesca dívida com a população palestina, expulsa de suas casas, desumanizada e humilhada para que o Ocidente pudesse aplacar a culpa pelo Holocausto. Via de regra, não acredite em ninguém que queira discutir um fenômeno histórico propagando a ignorância de suas origens.

5) Como na piada do rabino, é perfeitamente sensato dizer: ambos têm toda a razão. A frase é a insensatez em pessoa. Ante chacina após chacina, ante massacre após massacre, o menos sensato que se pode dizer é que “ambos têm toda a razão”. São 4 décadas de ocupação ilegal dos territórios palestinos na Cisjordânia (e 37 anos de ocupação de Gaza, seguidos por três anos de bombardeios, incursões, retenção de fundos, cortes de energia e um verdadeiro inferno na faixa “desocupada”). Isto é somente 22% do território palestino original. O único que pede o povo palestino é o direito de viver em paz nestes 22% reconhecidos como seus pela comunidade internacional, depois que os outros 78% já foram roubados. Imagine você, amigo paulistano, tendo que fazer fila, apresentar documentos, ser humilhado e detido a qualquer momento por um exército estrangeiro cada vez que quisesse atravessar a Avenida Paulista. Imagine, conterrâneo, ver compatriotas grávidas morrendo na fila de barreiras militares estrangeiras na Avenida Afonso Pena, porque não foram liberadas pelo exército estrangeiro ocupante a tempo de ir ao hospital. Agora imagine que cenas como esta:

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ou esta:

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ou esta:

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se repetem diariamente nos checkpoints da Palestina. Agora imagine isso durante quarenta anos consecutivos. E aí você começará a ter uma idéia do que é a vida palestina sob a ocupação, desde que não se esqueça, claro, de que junto com os checkpoints vêm os bombardeios, demolições de casas, assassinatos e o silêncio cúmplice da comunidade internacional, pontuada pelo papagaio da vez na Casa Branca repetindo que "Israel tem o direito de se defender". Sim, este blog considera que querer ver "os dois lados" nesta questão é rigorosamente análogo a escrever a história do massacre de Pizarro no Peru "tentando ver os dois lados", a relatar os horrores das senzalas "tentando ver os dois lados" e, sim senhor, contar a história do massacre alemão sobre os judeus tentando "ver os dois lados". Todos estes fenômenos históricos são bastante diferentes entre si. Idêntica é a imoralidade de quem os quer justificar com uma pseudo-ponderação balanceada.

PS: O Biscoito Fino e a Massa entende que os direitos sobre quaisquer imagens que documentem a chacina que sofre o povo palestino são de domínio público, pois elas configuram testemunho de crime lesa-humanidade.

fonte: http://www.idelberavelar.com/ - O Biscoito Fino e a Massa


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Cuba - por José Luiís Fiori - fonte: http://www.agenciacartamaior.com.br


Cuba

Do ponto de vista dos EUA, Cuba lhes pertence, e está incluída na sua “zona de segurança”. Além disto, aos seus olhos, a posição soberana dos cubanos transforma a ilha num aliado potencial dos países que se propõem a exercer influência no continente americano, de forma competitiva com os Estados Unidos.

Foi logo depois da conquista da Flórida, em 1819. Os Estados Unidos só tinham 40 anos de idade, e seu território não ia além do Rio Mississipi. James Monroe era o presidente dos Estados Unidos, mas foi seu Secretário de Estado, John Quincy Adams, quem falou, pela primeira vez, da atração norte-americana por Cuba. Quando disse, numa reunião ministerial do governo Monroe, que “existem leis na vida política que são iguais às da física gravitacional: e por isto, se uma maçã for cortada de sua árvore nativa - pela tempestade - não terá outra escolha senão cair no chão; da mesma forma que Cuba, quando se separar da Espanha, não terá outra alternativa senão gravitar na direção da União Norte Americana. E por esta mesma lei da natureza, os americanos não poderão afastá-la do seu peito” . Naquele momento, o desejo de Quincy Adams ainda não era conquistar a ilha, era preservá-la, e por isso deu ordem ao seu embaixador em Madrid, que comunicasse ao governo espanhol a “repugnância americana à qualquer tipo de transferência de Cuba para as mãos de outra Potência”.

Em 1819, a capacidade americana de projetar seu poder para fora de suas fronteiras nacionais, ainda era muito pequena, mas a declaração de Quincy Adams explicitou um desejo e antecipou um projeto, que se realizaria plenamente, a partir de 1890. Logo no início da década, o almirante Alfred Thayer Mahan, publicou um livro clássico , que exerceu imensa influencia sobre a elite dirigente norte-americana. Sobre a importância do poder naval, e das ilhas do Caribe e do Pacífico para o controle dos oceanos e a expansão das grandes potências. Logo em seguida, os Estados Unidos anexaram o Hawaii, em 1897, e venceram a Guerra Hispano-Americana, em 1898, conquistando Cuba, Filipinas e algumas outras ilhas caribenhas, onde estabeleceram um sistema de “protetorados”, como forma de governo compartido destes territórios.

Logo depois da sua vitória contra a Espanha, o presidente William McKinley repetiu, frente ao Congresso Americano, em dezembro de 1889, a velha tese de Quincy Adams: “a nova Cuba precisa estar ligada a nós americanos, por laços de particular intimidade e força, para assegurar de forma duradoura, o seu bem estar” . E foi isto que aconteceu: os cubanos aprovaram sua primeira Constituição independente, em 1902, mas tiveram que anexar ao seu texto, uma lei aprovada pelo Congresso Americano e imposta aos cubanos, em 1901 – The Platt Amendement – que definia os limites e as condições de exercício da independência dos islenhos.

Os Estados Unidos mantinham sob seu controle a política externa e a política econômica de Cuba, e ficava assegurado o direito de intervenção dos norte-americanos na ilha, em “caso de ameaça à vida, a propriedade e à liberdade individual dos cubanos”. Em 1934, a Emenda Platt foi abolida, e foi substituída por um novo tratado entre os dois países, que assegurou o controle americano da Base Naval de Guantanamo, e garantiu a tutela dos Estados Unidos sobre o longo período de poder de Fulgêncio Batista, que assumiu o governo de Cuba, em 1933, a bordo de um cruzador norte-americano, e depois governou Cuba, de forma direta ou indireta, até 1959.

Depois da Revolução Cubana de 1959, entretanto, a ilha deixou de ser a “maçã” de Quincy Adams, sem deixar de ser o “objeto do desejo” dos norte-americanos. O novo governo revolucionário assumiu o comando da sua economia e da sua política externa, e provocou a reação imediata e violenta dos Estados Unidos. Primeiro foi o “embargo econômico”, imposto pela administração Eisenhower, em 1960, e logo depois, a ruptura das relações diplomáticas, em 1961. Em seguida, foi a administração Kennedy, que promoveu e apoiou a frustrada invasão da Bahia dos Porcos, a expulsão cubana da Organização dos Estados Americanos, e vários atentados contra dirigentes cubanos.

No início, os Estados Unidos justificaram sua reação, como defesa das propriedades norte-americanas expropriadas pelo governo cubano, em 1960, e como contenção da ameaça comunista, situada a 145 quilômetros do seu território. Mas depois de 1991, e do fim da URSS e da Guerra Fria, os Estados Unidos mantiveram e ampliaram sua ofensiva contra Cuba, só que agora, em nome da democracia, apesar de que mantenham relações amistosas com o Vietnã e a China. No auge da crise econômica provocada pelo fim de suas relações preferenciais com a economia soviética, entre 1989 e 1993, os governos de George Bush e Bill Clinton, tentaram um xeque-mate contra Cuba, proibindo as empresas transacionais norte-americanas, instaladas no exterior, de negociarem com os cubanos, e depois, impondo penalidades às empresas estrangeiras que tivessem negócios com a ilha, através da Lei Helms-Burton, de 1996.

Esta atração precoce e a obsessão permanente dos Estados Unidos não autorizam grandes ilusões, neste momento de mudanças nos dois países. Do ponto de vista americano, Cuba lhes pertence, e está incluída na sua “zona de segurança”. Além disto, aos seus olhos, a posição soberana dos cubanos transforma a ilha num aliado potencial dos países que se propõem exercer influencia no continente americano, de forma competitiva com os Estados Unidos. Por fim, Cuba já se transformou num símbolo e numa resistência que é intolerável por si mesma, para os seus vizinhos norte-americanos. Por isto, o objetivo principal dos Estados Unidos, em qualquer negociação futura, será sempre o de fragilizar e destruir o núcleo duro do poder cubano. Por sua vez, Cuba não tem como abrir mão do poder que acumulou a partir de sua posição defensiva, e de sua resistência vitoriosa. A hipótese de uma “saída chinesa” para Cuba, é improvável, porque se trata de um país pequeno, com baixa densidade demográfica, e com uma economia que não dispõe da massa crítica indispensável para uma relação complementar e competitiva, com os norte-americanos. Por isto, apesar da mobilização internacional a favor de mudanças nas relações entre os dois países, o mais provável é que os Estados Unidos mantenham sua obsessão de punir e enquadrar Cuba; e que Cuba se mantenha na defensiva e lutando contra a lei da gravidade, formulada por John Quincy Adams, em 1819.

José Luís Fiori, cientista político, é professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
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CRISE NA AMÉRICA DO SUL - fonte: http://www.agenciacartamaior.com.br

CRISE NA AMÉRICA DO SUL

Morte de Raúl Reyes não é boa notícia, diz ministro francês

"Não é uma boa notícia que Reyes, o homem com o qual falávamos e tínhamos contatos tenha sido morto", afirmou o ministro das Relações Exteriores da França, Bernard Kouchner. Governos da França e da Venezuela vinham negociando libertação de Ingrid Betancourt.

O assassinato de Raúl Reyes, um dos principais comandantes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), “não é uma boa notícia”, disse hoje o ministro de Relações Exteriores da França, Bernard Kouchner. “Não é uma boa notícia que Reyes, o homem com o qual falávamos e tínhamos contatos tenha sido morto”, lamentou Kouchner. Ele defendeu que os esforços agora devem ser redobrados para a libertação dos reféns da guerrilha, em especial de Ingrid Betancourt.

Reyes foi morto no sábado por militares colombianos em território equatoriano, fato que gerou uma grave crise diplomática entre Colômbia, Equador e Venezuela. Os governos de Quito e Caracas ordenaram o envio de tropas para a fronteira colombiana e denunciaram a invasão do território equatoriano pelas forças armadas colombianas.

Em Havana, Fidel Castro também criticou a atitude do governo colombiano e alertou que as “trombetas da guerra” estão sendo ouvidas com força na América do Sul, responsabilizando o governos da Colômbia e dos EUA pelo aumento da tensão na região. “Nada é novo! Estava previsto”, disse Fidel em editorial publicado no jornal “Granma”. O presidente do Equador, Rafael Correa, deveria estar em Havana, nesta segunda-feira, para falar na abertura do “Encontro sobre Globalização e Problemas do Desenvolvimento”. Foi obrigado a cancelar a viagem em função da crise com a Colômbia.

Em Caracas, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, disse que o governo Álvaro Uribe representa uma séria ameaça à paz na região. “Forças militares norte-americanas e colombianas invadiram o Equador, assassinaram e levaram alguns cadáveres, violando não sei quantas leis internacionais e as próprias leis da Colômbia”, acusou Chávez.

O vice-presidente do Parlamento do Mercosul, deputado Dr. Rosinha (PT-PR), também condenou a postura do presidente colombiano Álvaro Uribe, afirmando que ela compromete a integração da América do Sul. “Quem invade o território de outros países e viola a sua soberania não é confiável para nenhum de seus vizinhos”, disse Dr. Rosinha. Para o parlamentar brasileiro, “esse tipo de postura compromete a integração sul-americana”.

”Esse ataque promovido pelo governo da Colômbia acontece num momento em que as Farc davam demonstrações concretas de diálogo e negociação. Além disso, está prevista para daqui a poucas semanas a reunião de cúpula da União Sul-Americana de Nações”, acrescentou." A reunião da Unasul está prevista para este mês de março, na cidade colombiana de Cartagena das Índias. A ação do governo colombiano pode inviabilizar a reunião.

Por que Uribe assassinou Raúl Reyes?

No momento em que foi assassinado, Reyes estava em território do Equador e negociava com o governo francês através do presidente Chávez e do presidente Corrêa a libertação de Ingrid Betancourt. Uribe sabia, Uribe havia concordado como da vez anterior, Uribe traiu.

Raúl Reyes era o principal negociador das FARCs com os governos da Venezuela e da França para a libertação de prisioneiros de guerra e a busca de um espaço para negociações de paz mais amplas na Colômbia. Por duas vezes a ex-senadora Ingrid Betancourt esteve para ser libertada.

Na primeira delas o governo Álvaro Uribe armou emboscada para os guerrilheiros que, em missão de paz e acertada com o governo da Colômbia, estavam levando provas que a ex-senadora estava viva.

Os documentos, inclusive as cartas pessoais de Ingrid a sua família foram divulgadas por Uribe o que gerou protestos da mãe de Ingrid, de sua irmã e dos seus filhos.

No momento que foi assassinado, Reyes estava em território do Equador e negociava com o governo francês através do presidente Chávez e do presidente Corrêa a libertação de Betancourt. Uribe sabia, Uribe havia concordado como da vez anterior, Uribe traiu.

Pela segunda vez Uribe frustrou qualquer perspectiva nesse sentido pela simples razão que não lhe interessa a libertação de Ingrid Betancourt, sua adversária política.

O ataque terrorista colombiano foi feito oito quilômetros dentro do território equatoriano e o presidente Corrêa já protestou e chamou seu embaixador em Bogotá, afirmando inclusive que o telefonema de Uribe informando sobre ações militares na fronteira dos dois países foi “mentiroso e audacioso”. Uribe não falou que a força aérea da Colômbia estava atacando em território do Equador.

O presidente da Venezuela Hugo Chaves já advertiu o líder colombiano que caso operações semelhantes venham a ser feitas no território da Venezuela haverá guerra. Chávez é o principal negociador para a libertação de Betancourt, conta com apoio do governo francês e de vários outros países interessados em encontrar uma solução de paz para a guerra civil na Colômbia.

Daniel Ortega, presidente da Nicarágua, deu entrevistas em Manágua e condenou a ação terrorista do governo de Uribe, afirmando, entre outras coisas, que “Reyes era um negociador e estava negociando a paz”.

Ingrid Betancourt é apenas um peão nesse jogo todo e não interessa a Uribe (que quer mudar a constituição para mais um mandato, o terceiro)que a ex-senadora seja solta. Vai complicar o processo político na Colômbia e forçá-lo a aceitar negociações com as FARCs.

Governos europeus não alinhados com a política terrorista de Washington, Bush é o verdadeiro governante da Colômbia, mostram-se indignados com a ação terrorista da organização de Uribe. O presidente da França, que é aliado dos Estados Unidos, lamentou que as perspectivas de paz tenham sido interrompidas por essa ação insana e que violou o direito internacional (Uribe operou em território do Equador), eliminando perspectivas imediatas e concretas de paz.

O acampamento das FARCs no Equador tinha o objetivo de ampliar as negociações para a libertação de Ingrid Betancourt e outros prisioneiros de guerra, depois de várias manifestações das FARCs nessa direção, inclusive a libertação de vários presos de guerra nas últimas semanas, exemplo que vem sendo seguido pela outra força insurgente, o Exército de Libertação Nacional (ELN).

A hipótese de uma ação terrorista colombiana na Venezuela não está descartada e pode ser parte do golpe em constante articulação contra o governo do presidente Chávez.

É só lembrar que os Estados Unidos armaram com armas químicas e biológicas inclusive, o governo de Saddam Hussein para uma guerra contra o Irã e o chefe da Al Quaeda, Osama bin Laden para enfrentar as tropas da extinta União Soviética no Afeganistão.

Faz parte do conjunto de ações terroristas da Casa Branca esse tipo de prática. O discurso de democracia, direitos humanos, liberdade, etc, se esvai nos campos de concentração de Guantánamo, no Afeganistão (800 prisioneiros sem culpa formada), nos seqüestros praticados contra cidadãos árabes em países europeus (a CIA responde a processos na Itália e na Alemanha por ações dessa natureza) e na autorização expressa de George Bush para a prática de tortura contra presos que “ameacem os interesses dos Estados Unidos”.

A simples possibilidade de libertação de Ingrid Betancourt, pelo que passou a significar e a perspectiva de negociações de paz na Colômbia frustra o narcotráfico, no poder desde que Uribe foi eleito a primeira vez, contraria interesses norte-americanos, o maior deles derrubar Chávez e apropriar-se do petróleo da Venezuela e dispor de bases efetivas na Região Amazônica, outro grande objetivo da Casa Branca e dos grupos que representa.

Uribe é um preposto dos EUA, acusado de ligaçõe com o narcotráfico, um homem sem entranhas e respeito pelo que quer que seja e assim como o governo de Israel, não quer a paz, não lhe interessa a paz, não pretende a paz. Em torno de todo esse discurso o que existe são “negócios”, apenas “negócios”.

As principais redes de televisão controladas pelos governos norte-americano e colombiano já receberam instruções para dar destaque à morte de Reyes como sendo um golpe no “terrorismo das FARCs” e assim, jornais e revistas, a imensa e esmagadora maioria dos veículos de comunicação na América Latina, Ásia e África e boa parte da Europa e assim, ocultar a verdade dos fatos.

No caso específico do Brasil, a Rede Globo, no afã de endossar os informes recebidos dessas organizações (Casa Branca, Bogotá, etc) montou informes especiais para mentir e vender a idéia de democracia aos telespectadores que considera idiotas padrão Homer Simpson.

É a grande pasta do terrorismo mundial, a norte-americana. Bush não integra nenhum “corpo atuante” de uma arapuca, mas gosta de profissionais decorando com luzes natalinas e cristãs a Casa Branca.

Uribe assassinou Reyes para dificultar as negociações de paz e a libertação de Ingrid Betancourt, neste momento, símbolo do que pode vir a ser o futuro da Colômbia. Não é o que ele Uribe quer, nem Washington.

Mesmo caso do governo de Israel que pratica terrorismo de Estado contra os palestinos. Casas de palestinos destruídas pelo governo israelense no ataque à Faixa de Gaza, no justo momento que o Hammas propõe a paz e 64% da população de Israel diz que aceita. Ao terrorismo de Estado israelense não interessa a paz, nem a Uribe. “São negócios” e são “parceiros” na barbárie.

Laerte Braga é jornalista e analista político.


O mandato de sangue de Uribe

A libertação dos quatro parlamentares colombianos confirma qual é a via da pacificação da Colômbia: a negociação política, com a participação de mediadores internacionais. O sucesso do presidente venezuelano Hugo Chávez e da senadora colombiana Piedad Córdoba é a única tentativa de sucesso de abrir canais para levar a paz à Colômbia.

A posição dos quatro parlamentares, além do reconhecimento do papel de Hugo Chávez e de Piedad, é a de acusar o presidente da Colômbia Alvaro Uribe de ser o obstáculo hoje para a troca pacífica de prisioneiros, ao insistir em não aceitar a liberação temporária de um território para que se efetuem as trocas. Um deles pergunta a Uribe se lhe parece que sua política de pacificação tenha tanto sucesso como ele anuncia, se não consegue ceder por um tempo determinado um território para salvar vidas humanas? Pergunta também se vidas humanas não valem mais do que uma cessão temporária de territórios.

Os familiares dos que ainda permanecem prisioneiros insistem nessa direção, reiterando que ofensivas militares só levam a colocar em risco aos reféns, além de não haver solução militar, só solução política para a Colômbia.

Existe a proposta da formação de um Grupos de Amigos da Colômbia, para tentar intermediar a troca humanitária dos reféns pelos presos que tem o governo colombiano, de que participariam governos como os do Brasil, da Argentina, da Nicarágua, da França, entre outros.

O presidente colombiano demonstra toda sua inflexibilidade e reitera sua linha de ação militar – a mesma da “guerra infinita “ de Bush -, recusando os termos da negociação e retomando ofensivas militares. Numa delas foi morto o segundo dirigente das Farc, Raul Reyes, que atuava também como porta-voz da organização. O temor é que as Farc tomem represálias e aí o processo possível de negociações para a troca de prisioneiros se torne completamente inviável.

É a linha dura de Uribe, que precisa dos enfrentamentos militares para manter sua popularidade interna e conseguir reformar de novo a Constituição e poder obter um terceiro mandato. Ele perdeu as eleições municipais internas nas principais cidades do país, como Bogotá, Medellin, Cali, por isso precisa desviar a atenção dos colombianos para que não avaliem seu governo, mas se mantenham sob a chantagem da guerra, com ele supostamente representando a paz. Quando na realidade Uribe representa e precisa da continuidade da guerra.

Esse o jogo de Uribe, o de produzir mais sangue, como combustível para um terceiro mandato, às custas da paz e da solução política para a já tão sofrida Colômbia. Resta que os governos dos países preocupados com a paz e próprio povo colombiano, na manifestação convocada pelo fim de todo tipo de violência, atuem para obrigar o governo colombiano a parar com as ações militares e aceitar os únicos termos possíveis para que a Colômbia possa voltar a viver em paz.

Postado por Emir Sader

fonte: http://www.agenciacartamaior.com.br


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Para os que ainda têm dúvidas do caráter golpista de nossa 'grande imprensa' - por Antônio Mello - fonte: http://blogdomello.blogspot.com/



Já postei aqui, mas, como diz a Rede Globo, Vale a pena ver de novo esse pronunciamento do deputado Jair Bolsonaro, defensor ardoroso da ditadura militar. Ele mostra que não está sozinho, nem esteve sozinho, quando da defesa do golpe militar de 1964.

Da Tribuna da Câmara, o deputado lê trechos de editoriais e manchetes dos grande jornalões saudando o golpe. São os mesmos que hoje afirmam defender a democracia, a liberdade de imprensa e o livre mercado.

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Silêncio cúmplice da ‘grande imprensa’ cerca dossiê Veja de Nassif - por Antônio Mello - fonte: http://blogdomello.blogspot.com/

Silêncio cúmplice da ‘grande imprensa’ cerca dossiê Veja de Nassif

Hoje, Luis Nassif prossegue com seu dossiê Veja com a publicação de mais um capítulo, A imprensa e o estilo Dantas. É a mais importante série sobre os bastidores de um grande veículo de nossa mídia: a mais vendida (e bota vendida nisso) revista brasileira. O dossiê vem sendo revelado aos pouco, há mais de um mês. No entanto, nenhum, grifo nenhum dos jornalões ou das revistas concorrentes de Veja deu uma linha sequer sobre o dossiê.

Por que será? Será que a mídia não se interessa por assuntos da mídia?

Não parece ser isso. Hoje, O Globo publica uma reportagem mostrando que o bispo Macedo pede a seus fiéis que comprem o jornal da Universal (Folha Universal) aos lotes. Toca no assunto como se houvesse alguma irregularidade nisso. O bispo apenas está exortando seus fiéis a comprarem o jornal da Igreja em que acreditam. Qual o problema? Cada um aumenta sua tiragem como pode.

O Globo, por exemplo, está oferecendo agora bichinhos de pelúcia para quem compra sete dias do jornal. Algum problema nisso? Não, mas é o mesmo apelo emocional do bispo Macedo. Este aproveita o enlevo dos fiéis para empurrar seu jornal. O Globo conta com o irresistível apelo dos filhos pequenos (ou eles acham que algum adulto vai comprar O Globo pra ganhar um bichinho de pelúcia?) para empurrar o seu.

O problema é quando O Globo, Folha, Estadão, Época, Isto É escondem de seus leitores – muitos deles também leitores de Veja – a reportagem de Nassif. Quando fazem isso, sonegam informação, matéria-prima do jornalismo e objetivo do consumidor quando adquire um jornal ou revista. É caso para o Procon.

Provavelmente, não tocam no dossiê porque têm medo que seus leitores passem a lê-los também com olhos críticos, procurando ver a quem interessa a publicação – ou a omissão - de tal ou qual notícia. Daí o silêncio, para dizer o mínimo, cúmplice.

fonte: http://blogdomello.blogspot.com/

Leia também:

» Veja e Grupo Abril usam a mesma tática: o silêncio

» Para dono da Folha, Brasil de Médici é ‘um país onde o ódio não viceja’

» Nassif coloca Veja numa sinuca de bico


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É preciso isolar Uribe - por Alon Feuerwerker - fonte: http://blogdoalon.blogspot.com/

por Alon Feuerwerker

Houve quem chiasse quando escrevi aqui em Terror e política, em janeiro:

Na África do Sul, na Nicarágua, em El Salvador, no Uruguai (onde ex-tupamaros presidem ambas as Casas do Congresso) ou na Palestina, grupos que a seu tempo foram classificados de terroristas hoje disputam o poder pela via eleitoral, em geral com sucesso. Na Colômbia, o desejável é que se siga por esse mesmo caminho. A libertação ontem das duas reféns [das Farc] deveria, penso eu, abrir espaço para um diálogo patriótico incondicional. Quem não quer esse diálogo? Aqueles cujo poder repousa exatamente na existência de uma guerra civil. Sem a guerra civil, Álvaro Uribe deixa de ter significado político. Reparem como se torceu freneticamente para que a operação de soltura das reféns terminasse em fracasso.

O presidente da Colômbia deu sua resposta às sucessivas libertações de reféns pela guerrilha. Tropas colombianas penetraram no vizinho Equador e massacraram uma unidade das Farc, matando altos dirigentes da organização guerrilheira. A ação elevou as tensões regionais a um ponto inédito. Reagiram o próprio Equador e a Venezuela, que ordenou uma mobilização militar na fronteira entre os dois países. O fato é que o governo Uribe tornou-se uma ameaça à estabilidade do continente. Sua estratégia de "solução militar" para a questão da guerrilha terá como resultado prático a internacionalização do conflito. Talvez Uribe não esteja mesmo em condições de recuar, dado que o futuro de seu poder (como comentei em janeiro) repousa no prosseguimento da guerra civil. Um efeito colateral da estratégia uribista é a reorganização dos esquadrões paramilitares de extrema-direita. Num ambiente de paz, o caminho estaria aberto para a esquerda nacional colombiana chegar ao governo, como já aconteceu no resto do continente, com exceção do Peru. Sem guerra civil, não haverá condições políticas de Uribe pleitear um terceiro mandato -para o que precisa reformar a Constituição. A América do Sul deve, urgentemente, estabelecer um cordão sanitário em torno da Colômbia. Unir-se diante da ameaça de que a ambição política de Álvaro Uribe arraste o continente à guerra.

fonte: http://blogdoalon.blogspot.com/
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MELLO TRANSGRIDE A LEI - por Paulo Henrique Amorim - fonte: http://conversa-afiada.ig.com.br

MELLO TRANSGRIDE A LEI

por Paulo Henrique Amorim

Artigo 36, Parágrafo III da Lei Orgânica da Magistratura:

"É vedado ao magistrado: manifestar, por qualquer meio de comunicação, opinião sobre processo pendente de julgamento, seu ou de outrem, ou juízo depreciativo sobre despachos, votos ou sentenças, de órgãos judiciais, ressalvada a crítica nos autos e em obras técnicas ou no exercício do magistério."

. O Ministro (?) Mello e a Folha são a corda e a caçamba.

. Leia abaixo "Folha e Mello, unidos pelo golpe".

. A Folha inventou uma frase de Mello, Mello ficou quieto, o Presidente Lula respondeu à frase inventada – e criou-se uma "crise institucional", dessas que o PIG e a Oposição montam para derrubar o Presidente Lula.

. Clique aqui para ler "Crise ! Qual crise ? Qualquer crise !".

. O Ministro (?) deu hoje, segunda – clique aqui para ler, apenas para assinantes da Folha –, suculenta entrevista à Folha para "sugerir" que o Governo descumpre a lei.

. Que lei ?

. Qualquer lei.

. Para Mello, Salvatore Cacciola é um cidadão que cumpre a lei.

. O Presidente Lula, não, esse descumpre a lei.

. Qualquer lei.

. O Professor de Direito Luiz Flávio Gomes, em entrevista ontem ao Estadão – clique aqui para ler –, mostrou que Mello não cumpre a Lei Orgânica da Magistratura.

. Ele se referia ao supracitado Artigo 36, Parágrafo III da Lei Orgânica.

. O Ministro (?) Mello não só se pronuncia sobre problemas que julgará, como comete outro crime: incitar as partes a recorrer ao Tribunal de que faz parte, para votar de acordo com o interesse da parte incitada.

. Por exemplo, ele encoraja a oposição a entrar no Tribunal de que faz parte para sustar o programa "Territórios da Cidadania", como incitou a oposição a sustar o "Bolsa Família", e repetidas vezes incitou a oposição a ir ao Tribunal que preside para impedir a posse do Presidente Lula.

. O Ministro (?) Mello não cumpre a lei e subverte as instituições.

. O Conversa Afiada vai perguntar à Presidente do Supremo Tribunal Federal se a Lei Orgânica da Magistratura vale no STF.

. E se há uma forma de promover o impeachment do Ministro Mello.

. Uma parte do problema poderá resolver-se quando o Ministro (?) transgressor deixar a Presidência do TSE, em abril de 2008.

. O Conversa Afiada encaminhou a Ana Carvalho, que trabalha no gabinete da Ministra Ellen Gracie, as seguintes perguntas: A Lei Orgânica da Magistratura vale no Tribunal que a senhora preside ? Como é possível pedir o impeachment do Ministro (?) ?

. A Ministra Ellen Gracie preside também o Conselho Nacional de Justiça, que, teoricamente, ajuda o cidadão comum a interpelar a Justiça e a se defender dela.

Em tempo: o Conversa Afiada perguntou a Marco Aurélio Lúcio, do gabinete do Ministro do Supremo Joaquim Barbosa se o Ministro Barbosa autorizou a revista Veja a usar uma foto sua num comercial de tevê. Se o Ministro não tem acompanhado, vale a pena ler o que o jornalista Luis Nassif tem escrito sobre a revista Veja, aqui no iG. Clique aqui para ficar "estarrecido", como diria o Ministro (?) Mello, ao descobrir como a corrupção se instalou na redação da Veja.

o impeachment dele ?" border="0">

Como se faz para pedir
o impeachment dele ?


MELLO E FOLHA, UNIDOS PELO GOLPE

Paulo Henrique Amorim

Em nenhuma democracia séria do mundo,
jornais conservadores, de baixa qualidade

técnica e até sensacionalistas, e uma única

rede de televisão têm a importância que têm

no Brasil. Eles se transformaram num partido

político – o PIG, Partido da Imprensa Golpista.


. A Folha inventou uma declaração que o Ministro (?) Marco Aurélio de Mello não deu.

. O Ministro (?) Mello ficou quieto.

. Não desmentiu a Folha.

. O Conversa Afiada procurou o Ministro (?) Mello para que confirmasse a declaração que a Folha lhe atribuía.

. O Ministro (?) deu uma resposta que leva a conclusão inevitável: a Folha inventou a declaração do Ministro (?).

. Para acompanhar os detalhes desse contubérnio (palavra que o Ministro (?) Mello adoraria usar ...), Folha-Mello, clique aqui para ler “Folha inventa frase de Mello e gera crise”.

. O Presidente Lula reagiu.

. E, na minha modesta opinião, pegou leve.

. Deveria citar o Ministro (?) Mello pelo nome e dizer que ele, sim, o Ministro (?), se associou ao PIG para dar o golpe.

. O Conversa Afiada, modestamente, acha que, se o Presidente Lula não reagir, o PIG derruba ele.

. Clique aqui para ler “PIG: se Lula não reagir, cai”.

. Já estava na hora de o Presidente Lula travar a batalha no campo ideológico, parar de fingir que é de centro, e dizer que a oposição no Brasil (como a elite branca e, no caso de São Paulo, separatista) é uma oposição ao pobre.

. Não adianta, porque a elite branca (e separatista, no caso de São Paulo) não o convidará para jantar, quando ele voltar a morar em São Bernardo ...

. Clique aqui para ler “Lula volta à ideologia para combater a oposição”.

. Por que o Ministro (?) ficou quieto quando a Folha inventou sua declaração ?

. Porque, no fundo, fará sentido qualquer coisa que se atribua ao Ministro (?) Mello com o objetivo de derrubar o Presidente Lula.

. Na verdade, não é mais nem necessário entrevistar o Ministro (?) Mello.

. Basta publicar uma frase que ajude a derrubar o Presidente Lula e atribuir a ele.

. O Ministro (?) dá tantas declarações, dá tantas entrevistas, que ele será capaz de dizer qualquer coisa – desde que ajude a derrubar o Presidente Lula.

. E será incapaz de se lembrar de tudo o que disse, exatamente.

. Ele só tem certeza do rumo das suas declarações: jogar Lula no precipício.

. Ele sabe disso – e o PIG também.

. O Ministro (?) disputa com o Farol de Alexandria um troféu – não o Tartufo Nativo, porque, nesse, o Farol é imbatível – clique aqui para ir ao primeiro escrutínio do Tartufo, no Blog do Mino.

. Mello e o Farol disputam para ver quem usa melhor o PIG.

. Porém, nem a Folha poupa mais o Ministro (?): “... Marco Aurélio Mello, ávido de externar suas opiniões na imprensa.”

. O Ministro (?) Mello é um desfrutável, um disponível.

. É daquelas celebridades de segunda linha que os produtores de talk-shows guardam na manga, sempre que uma celebridade de primeira linha diz que não pode ir ao programa.

. O Ministro (?) está às ordens, do outro lado da linha.

. Hoje, sábado, dia 1º. , o PIG dá espaço à crise “institucional” provocada pela “reação” de Lula.

. Clique aqui para ler a desesperada manchete do Estadão.

. O PIG se estrebucha, porque, à falta de crises – clique aqui para ler “O PIG busca desesperadamente uma crise” – achou a crise “institucional”.

. Essa crise tem data marcada para se encerrar.

. Brevemente, o Ministro (?) Mello (até quando, Catilina ?) deixará a presidência do Tribunal Superior Eleitoral.

. E não terá concluído as obras que perseguiu em sua administração (?): derrubar o Presidente Lula e construir um Taj Mahal.

. A Oposição, na ânsia de tirar o leite das crianças, derrubou a CPMF.

. E, aí, faltou dinheiro para o Ministro (?) construir o templo adequado à celebração de seu ego.

Em tempo: quando entrei pela primeira vez numa redação de jornal, na qualidade de estudante-estagiário, havia um Ministro (?) Mello. Era o almirante Pena Boto. No jornal A Noite, dirigido pelo futuro senador Mário Martins, quando faltava manchete para a primeira página, o chefe de reportagem mandava ligar para o Pena Boto. Já na reserva, Pena Boto, invariavelmente, dava uma declaração furiosa, anti-comunista, anti-trabalhista e, no fim da vida, até anti-gaullista. Com a declaração de Pena Boto na mão, o chefe de reportagem mandava ligar para o Afonso Arinos. “Diz para o Afonso Arinos o que o Pena Boto falou e pergunta o que ele acha.” E, assim, tínhamos uma manchete ! Pena Boto disse, Arinos disse: e estava lançada a crise institucional. Quer dizer, nem nisso o PIG é inovador.

Em tempo 2: convidamos o amigo leitor a ir à pág. A13 do Estadão – clique aqui para ler – e seguir a entrevista do professor de Direito Luiz Flavio Gomes, que diz: "Juiz não pode falar fora dos autos". Ele cita a Lei Orgânica da Magistratura, que exige que o juiz só fale nos autos. Logo, o Ministro (?) Mello é um transgressor. O que dirá sobre isso a presidente do STF, Ellen Gracie ? É o que o Conversa Afiada procurará saber amanhã, segunda...

fonte: http://conversa-afiada.ig.com.br


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Dossiê Veja - A imprensa e o estilo Dantas - capítulo 16 - por Luis Nassif - fontes: http://www.projetobr.com.br e http://luis.nassif.googlepages.com

A imprensa e o estilo Dantas

Conforme fartamente demonstrado nos capítulos anteriores, antes de fechar com Dantas a direção da Veja o tinha em conta como alguém que comprava reportagens, fabricava dossiês falsos e subornava jornalistas.

No capítulo “Os Primeiros Ataques a Dantas” e “O dossiê falso” esmiuço as sucessivas denúncias de Veja antes de ser cooptada pelo banqueiro. Qual a lógica que leva uma revista a se associar a um empresário que, segundo ela mesmo, espalha dossiês falsos, compra reportagens e jornalistas? Há muitas explicações para isso, nenhuma boa, do ponto de vista jornalístico.

Essa atuação da revista, no entanto, era apenas a ponta final de uma linha de operação que passava por várias instâncias antes de desembocar nos dossiês e informações passadas ao quarteto de Veja.

O jogo fica mais claro quando se começa a penetrar no mundo de Dantas e a entender melhor a linha de montagem preparada para suas guerras empresariais.

Nelson Tanure ganhou rios de dinheiro entrando em ações judiciais que tinham por único objetivo criar dificuldades para a concretização de algum negócio. Com a lentidão da justiça brasileira, as partes envolvidas achavam mais barato pagar para se ver livre das ações. Caso típico foi a compra do Banco Boavista pelo Bradesco.

A partir das lições de Tanure, Dantas percebeu que ações judiciais, matérias na imprensa, com espionagem, dossiês falsos, faziam parte de uma mesma estratégia, portanto deveriam estar sob um mesmo comando.

Assim, montou uma estrutura de lobby interna com os diversos elos das disputas empresariais, colocando-os todos sob o comando de Humberto Braz, diretor corporativo da Brasil Telecom no período em que Dantas esteve no comando da companhia.

Braz integrava e comandava os trabalhos jurídicos (legais e de lobbies), os contatos com espionagem (da Kroll a jornalistas infiltrados no meio), a cooptação de publicações e jornalistas, através do comando sobre as verbas publicitárias de empresas controladas e a contratação de assessorias de imprensa incumbidas de atrair jornalistas para o esquema Dantas.

Grosso modo, se poderia desenhar assim o cronograma da operação.

Vamos nos fixar na parte jornalística, que é objeto dessa série, e já é dor-de-cabeça o suficiente.

No campo da mídia propriamente dita, a coordenação de Humberto Braz consiste dos seguintes movimentos:

• Agências de Publicidade: não apenas opinava sobre as campanhas da Brasil Telecom, quando sob controle de Dantas, como dava a última palavra nas campanhas da SMP&B e DNA (de Marcos Valério), que eram agências da Telemig Celular e da Amazônia Celular.

• Mantinha contratos formais com sites de informação, como Consultor Jurídico e Cláudio Humberto.

• Tinha contratos polpudos, muito acima dos preços de mercado, com assessorias como FSB, Andreolli, Insight, AbreDePágina, LínguaMensagem. Em muitos casos (como a FSB), não havia nenhum relatório de serviços prestados. Pelos valores envolvidos, havia suspeitas de que, por trás de algumas delas, poderiam se esconder jornalistas profissionais militando na mídia.

• Mantinha contato com a Kroll e com jornalistas ou empresários do setor incumbidos do trabalho de informação e espionagem.

O modo de operação obedece a um padrão.

1. Montagem de dossiê, para a qual, além da Kroll, Braz conta com as próprias assessorias de imprensa, além de outros personagens que serão mostrados no decorrer deste capítulo.

2. Depois, o lobista passa as informações para o jornalista cooptado.

3. O jornalista publica sem mencionar a fonte, ou mentindo sobre sua origem (caso recente de Diogo Mainardi sobre o dossiê da Telecom Italia).

4. Outros jornalistas, cooptados, repercutem a denúncia.

5. O lobista faz um apanhado do conjunto de informações e agrega ao processo, como se viesse de fonte neutra.

6. Finalmente, o uso das agências de publicidade para "adoçar" a boca das publicações.

É nesse ambiente de atuação do lobby de Dantas, que o quarteto de Veja se torna um dos operadores mais audaciosos.

O caso Nassif

Vamos a alguns exemplos práticos de como funciona esse sistema estruturado.

Ao longo de 2003, 2004 em diante, andei escrevendo sobre Daniel Dantas, tentando trocar em miúdos o intrincado roteiro de que se valia o banqueiro para confundir a opinião pública.

Fui alvo de uma tentativa de “assassinato de reputação” praticada por Diogo Mainardi, através de duas colunas na revista Veja, em 14 e 21 de agosto de 2005. Como relatei no início da série, foi o primeiro serviço prestado pela revista dentro da nova fase de aliança com Dantas.

Na época em que sofri o ataque de Mainardi, tinha escrito colunas informando que as agências financiadoras do “mensalão” – SMP&B e DNA – trabalhavam para a Telemig Celular e Amazônia Celular, controladas por Dantas.

Anote os ataques de Mainardi e me acompanhe por um passeio pela agenda do lobista Humberto Braz.

Dossiê – Sérgio Thompson Flores é um ex-diplomata que enriqueceu com privatizações e tentou seguir os passos de Nelson Tanure, de entrar na mídia como reforço para manobras de lobby. No começo de 2005, estava montando uma revista e me procurou propondo se associar à Dinheiro Vivo. Me atazanou por um mês, querendo um plano de negócios com os dados da empresa. Depois que recebeu, sumiu com as informações. Na mesma época, foi trabalhar na agência Rodrigo Squizatto. Quando estourou o escândalo Kroll, seu nome apareceu em um CD e ele admitiu que trabalhava para a Kroll e seu contato era o português Tiago Verdial.

Thompson Flores reuniu-se com Braz sucessivamente em 11, 15 e 25 de junho, em 2, 6, 9 e 16 de julho de 2004. A Brasil Telecom anunciou na capa da revista durante praticamente todo o ano. Braz reunia-se periodicamente com a Kroll. Provavelmente vem daí a origem do "dossiê" manipulado por Mainardi.

Jornalista –o passo seguinte era encontrar o jornalista “sela”. Conforme relatado nos primeiros capítulos, a cooptação da Veja se dá em meados de 2005. O primeiro serviço prestado foi de Diogo Mainardi me atacando.

Publicidade – apesar de presidente da holding da Brasil Telecom, Braz dava a palavra final para todas as campanhas preparadas pelas agências SMP&B e DNA, de Marcos Valério. Por exemplo, reúne-se com Marcos Valério e Cristiano Paes nos dias 21 e 22 de junho de 2004, 13 e 22 de julho de 2004 e 5 de agosto de 2004.

É de Humberto Braz a autorização final para a veiculação de 12 páginas de publicidade na revista Veja, seis em cada uma das duas edições que continham os ataques de Mainardi. Ou seja, enquanto denunciava a plenos pulmões o "mensalão", a Veja recebia 12 páginas de publicidade das empresas do "mensalão", aparentemente como contrapartida pelo ataque combinado com seu colunista para desviar a atenção sobre as fontes de financiamento do "mensalão".

O caso Márcia Cunha

Vocês se recordam do capítulo “O Caso Edson Vidigal”, onde se narrava a tentativa de “assassinato de reputação” da Veja em cima do então presidente do Superior Tribunal de Justiça, por ter confirmado a sentença que apeou o Opportunity do comando da Brasil Telecom. Foi na edição de 21 de setembro de 2005.

Em 13 de abril de 2004, os fundos e o Citigroup propuseram uma ação para anular o chamado contrato guarda-chuva (que conferia plenos poderes ao Opportunity para gerir as empresas de telefonia).

Em maio de 2005 a juiza Márcia Cunha, da 2a Vara Empresarial do Rio de Janeiro proferiu a sentença, anulando os efeitos de um acordo guarda-chuva que dava plenos poderes a Dantas. A decisão foi mantida pelo Tribunal de Justiça do Rio.

Foi alvo de uma campanha pesada, que culminou com advogados do Opportunity recorrendo a linguistas, para tentar provar que a sentença não tinha sido escrita por ela.

Através de Mauro Salles, tentaram comprar o parecer de um funcionário da Academia Brasileira de Letras, que recusou. O "imortal" Antonio Olintho não se fez de rogado e aceitou a encomenda. Um dia a ABL ainda terá que colocar essa história em pratos limpos.

Pressionada, a juiza denunciou ter sido alvo de uma tentativa de suborno por parte de Eduardo Rascovisky, falando em nome do Opportunity. Atenção: entre 6 de fevereiro de 2004 e 20 de outubro de 2004, Rascovisky teve 16 reuniões com Humberto Braz.

Qiando a juíza denunciou a tentativa de suborno, a "Folha" incumbiu a repórter Janaína Leite de ir ao Rio cobrir o episódio (clique aqui).

Em vez de se concentrar nas acusações da juíza, Janaína comete uma tentativa de “assassinato de reputação” – sem identificar a fonte da informação. Semanas atrás se ficou sabendo que sua principal fonte de informação era um diretor do Opportunity.

Não é a primeira vez que Márcia Cunha sofre questionamentos administrativos. A primeira foi no início dos anos 1990 e envolvia tentativa de fraude fiscal. A juíza também foi alvo de críticas por aceitar passagens de cortesia da Varig quando julgava processos envolvendo a companhia aérea. (...)

A decisão da juíza foi dada poucos dias após a apresentação da defesa do Opportunity, que contava com mil páginas. Ao todo, mesmo o julgamento sendo liminar e não de mérito, a sentença contava com 40 páginas impressas. Causou estranheza ao Conselho de Magistratura a rapidez e a diferença no padrão de decisões proferidas por Márcia Cunha - geralmente manuscritas e com, no máximo, quatro páginas.

O mesmo modelo da Veja, o mesmo modelo das colunas de Mainardi. Um conjunto de informações incompletas, de fatos banais que se transformam em escândalos, no formato de um dossiê.

O que seria uma “tentativa de fraude fiscal”? Uma declaração de renda incorreta, algum lançamento errado? A matéria não avançava em informações.

O Opportunity apresentara uma defesa de mil páginas. Suspeita seria a juiza se respondesse com uma sentença manuscrita de quatro páginas. No entanto, era “acusada” de ter escrito uma sentença de 40 páginas no computador.

Era a subversão absoluta do conceito de escândalo, mas fazia parte de um procedimento padrão do esquema jornalístico montado, e que seria repetido por Mainardi, Veja, Leonardo Attuch e outros jornalistas que atuavam de forma sincronizada.

Um ano depois, a juíza foi inocentada das acusações. A cobertura da “Folha” voltava às mãos sérias de Elvira Lobato (clique aqui).

Em 20 de janeiro de 2006, os repórteres Chico Otávio e Maria Fernanda Delmas, de “O Globo”, escreviam ampla reportagem sobre a influência de Eduardo Raschkovsky no TJ do Rio de Janeiro (clique aqui).

Em 4 de março de 2006, Elvira Lobato e Pedro Soares mostram as perseguições sofridas pela juiza (clique aqui).

Em quase todos os casos havia a mesma articulação de interesses, a manipulação de denúncias, a chantagem explícita - caso de Mainardi nas suas últimas colunas na Veja.

Algumas vezes o jornalismo conseguia sair vitorioso, como nesse episódio.

fonte: http://www.projetobr.com.br


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COLÔMBIA IMPLANTA NA AMÉRICA LATINA A "DOUTRINA DO ATAQUE PREVENTIVO" - por Luiz Carlos Azenha - http://www.viomundo.com.br

COLÔMBIA IMPLANTA NA AMÉRICA LATINA A "DOUTRINA DO ATAQUE PREVENTIVO"

SÃO PAULO - A falta de coragem, de ousadia e a síndrome do "em cima do muro", que são marca do governo Lula em vários episódios domésticos, se cristalizaram na crise internacional em que o Brasil está calado, mais de 48 horas depois dos acontecimentos.

Até os governos do México - oferecendo mediação - e da França - lamentando a morte de Raúl Reyes - já se manifestaram.

De Brasília não saiu um pio.

E aqui há algumas obviedades tão gritantes que eu mesmo poderia escrever uma nota que teria 100% de respaldo dos brasileiros: um conflito regional não interessa ao Brasil; o país reafirma seu compromisso integral com a defesa da soberania de seu territorio. Só isso. Depois a gente entra em detalhes.

O que a Colômbia fez foi aplicar, na América do Sul, a "doutrina do ataque preventivo" do governo Bush. Isso abre as portas para que a Argentina faça o mesmo no Uruguai, o Brasil faça o mesmo no Paraguai e a Bolívia faça o mesmo no Chile.

Há muitas outras considerações políticas e estratégicas a fazer: a Colômbia se consolida como o braço militar dos Estados Unidos na América do Sul. A interceptação de chamadas feitas por telefone via satélite exige alta tecnologia, assim como um ataque aéreo noturno seguido de desembarque de tropas. Toda essa tecnologia foi fornecida à Colômbia pelos Estados Unidos, para não falar da assessoria direta prestada por Washington na área de coleta de informações.

Por Luiz Carlos Azenha - fonte: http://www.viomundo.com.br


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REGIÃO INVADIDA PELA COLÔMBIA É CLARAMENTE DEMARCADA PELO RIO PUTUMAYO - por Luiz Carlos Azenha


REGIÃO INVADIDA PELA COLÔMBIA É CLARAMENTE DEMARCADA PELO RIO PUTUMAYO

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SÃO PAULO - A região em que militares colombianos, com tecnologia e armamentos dos Estados Unidos, eliminaram o número 2 das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), é claramente demarcada pelo rio Putumayo (no mapa acima, à direita da cidade de Puerto Assis, na Colômbia).

Isso é suficiente para colocar por terra a primeira versão apresentada pelo governo de Álvaro Uribe, de que teria agido "em legítima defesa" depois de perseguir uma coluna de guerrilheiros na região.

O presidente do Equador, Rafael Correa, disse que foi informado da operação, por telefone, pelo colega colombiano, segundo o qual a invasão do território equatoriano teria se dado a partir de um confronto.

Porém, quando os militares equatorianos chegaram ao local do acampamento descobriram que ele havia sido bombardeado. Duas sobreviventes do ataque foram levadas para um hospital de Quito.

O Equador alega que tropas colombianas desembarcaram cerca de dois quilômetros ao sul do rio Putumayo. Fizeram isso com certeza porque um soldado colombiano foi morto no confronto e a ação colombiana envolveu o resgate do corpo de Raúl Reyes, que foi levado para a Colômbia - assim como computadores e documentos da guerrilha.

O material apreendido foi examinado por peritos de agências de segurança dos Estados Unidos, conforme o próprio governo colombiano admitiu em nota oficial. De posse do material, o governo americano poderá divulgá-lo seletivamente, de acordo com seus objetivos políticos.

O governo da França já se adiantou a essa possibilidade e lamentou a morte de Raúl Reyes, confirmando que ele era intermediário entre os franceses e as FARC para a libertação da refém Ingrid Betancourt, que tem cidadania colombiana e francesa.

A versão do presidente do Equador de que os guerrilheiros foram mortos enquanto dormiam foi reforçada pelas próprias roupas vestidas por Raúl Reyes. Essa foto foi divulgada pelo jornal colombiano El Tiempo:

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A operação também demonstra o altíssimo grau de envolvimento dos Estados Unidos com as forças militares da Colômbia. Os ataques, que envolveram aviões e helicópteros - segundo o governo do Equador - aconteceram durante a noite.

Ou seja, uma operação noturna desse gênero, em região de selva, exige um grau de perícia, preparo e equipamento só disponível em forças armadas altamente sofisticadas, que trabalham com equipamento que permite ver na escuridão, similar ao que aparece abaixo.

Eu mesmo estive em uma base militar dos Estados Unidos acompanhando treinamento do exército para ações noturnas, antes da invasão do Iraque. As operações envolviam helicópteros e o ataque de comandos a uma cidade-cenário em plena escuridão.

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Não se pode descartar o fato de que os Estados Unidos controlam a base Eloy Alfaro, em Manta, na costa do Equador, a partir da qual alegam "monitorar o narcotráfico" na região. O presidente Rafael Correa já afirmou que não pretende renovar a concessão para o uso da base, quando ela vencer, em 2009.

É preciso considerar que a região de selva amazônica nas fronteiras entre Colômbia, Equador, Peru, Venezuela e Brasil são de uma imensidão incalculável. Estive na serra do Divisor, no Acre, na fronteira do Brasil com o Peru, onde os brasileiros ouviam rádios peruanas e eram testemunhas da passagem de narcotraficantes e de guerrilheiros do grupo peruano Sendero Luminoso. Subimos o rio Moa acompanhados por uma patrulha do Exército brasileiro. A certa altura, a escolta disse que não poderia mais nos acompanhar.

Temiam provocar algum conflito que resultasse em tiroteio com guerrilheiros e traficantes - como nossa equipe de reportagem no meio. O comandante da operação disse que, a partir daquele ponto do rio, só estavam autorizados a subir grupos de mais de 50 soldados brasileiros - nossa escolta tinha cerca de dez.

É nesse contexto que é preciso entender operação colombiana em território do Equador. O governo Uribe entendeu que tinha mais a ganhar do que a perder com a ação. E dificilmente faria isso sem autorização superior, ou seja, dos Estados Unidos.

ITÁLIA, FRANÇA, ALEMANHA, ARGENTINA E CHILE SE MANIFESTAM SOBRE INCURSÃO COLOMBIANA; GOVERNO LULA CALADO

SÃO PAULO - É patética, para dizer o mínimo, a postura do governo Lula sobre a incursão de militares da Colômbia em território do Equador. É inépcia. Não importa se telefonemas foram feitos. Há de haver uma manifestação oficial. E não houve mais de 48 horas depois do incidente. Um incidente que aconteceu na vizinhança do Brasil. Causado por um país que tem uma longa fronteira com o Brasil.

De acordo com o jornal colombiano El Tiempo, a França disse que a notícia da morte de Raúl Reyes "não é uma boa notícia". A Alemanha pediu prudência. O ministro de Relações Exteriores da Itália, Massimo D'Alema, disse: "A operação militar colombiana no exterior nos surpreendeu muito e nos deixou preocupados e perplexos."

"Uma operação desse tipo resulta em contradição com o esforço para abrir um canal diplomático" com as FARC e com isso "se criaram graves tensões na América Latina."

"A Argentina está muito consternada e preocupada diante de uma evidente violação da soberania de um país da região como é o Equador", disse uma fonte do governo de Cristina Kirchner ao jornal colombiano.

Michelle Bachelet, do Chile: "A fronteira e os limites dos países estão baseados em muitos acordos internacionais e é uma situação de extrema delicadeza que se possa invadir (a fronteira) com qualquer objetivo, legítimo ou ilegítimo."

"Nos preocupa tremendamente. Lamentamos e não podemos concordar com que não se respeite a fronteira, por qualquer razão e, sobretudo, porque o Equador se sentiu agredido com esta intervenção", afirmou a presidente do Chile.

"Temos a esperança de que todas as partes se comportem com a devida prudência para evitar que a crise se agrave", disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Alemanha, Martin Jäger, em Berlim.

"Não é uma boa notícia", disse Bernard Kourchner, ministro francês das Relações Exteriores. "O homem com o qual falávamos e tínhamos contato foi morto", afirmou.

E o governo Lula? Oficialmente, nem um pio. Em vez de liderar, está sendo liderado.

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SÃO PAULO - Apesar de fazer fronteira com a Colômbia e a Venezuela e ter interesses diretos na crise causada pela invasão de território do Equador por militares colombianos, o governo Lula se manteve em cima do muro. Até o México, a França e a União Européia se ofereceram para mediar. A falta de uma posição clara do Brasil, ainda que um mero pedido "formal" para evitar novos confrontos, demonstra que o país se nega a tomar posições equivalentes à sua importância política e econômica na região.

O governo de Rafael Correa expulsou o embaixador da Colômbia, mandou tropas para a região fronteiriça e confirmou a existência de 21 mortos, sendo um deles um soldado colombiano. A Colômbia é, de longe, o país com maior poderio militar na região, contando com assessoria direta dos Estados Unidos.

O governo de Álvaro Uribe pediu desculpas formais ao Equador pela invasão mas ao mesmo tempo acusou o governo de Rafael Correa de ter ligações com as FARC. A acusação é baseada em suposto conteúdo de computadores pertencentes ao número dois das FARC, Raúl Reyes, morto na incursão de militares colombianos em território do Equador.

Rafael Correa é considerado uma ameaça aos interesses estratégicos dos Estados Unidos na região, já que não pretende renovar o tratado que permite a Washington manter uma base militar em Manta - a partir da qual, dizem os americanos, são feitos vôos para monitorar o narcotráfico. A incursão colombiana foi feita utilizando helicópteros e comandos militares dotados de tecnologia de ponta para combate noturno.

O governo do Equador diz que o ataque começou com bombardeio de aviões e helicópteros seguido pela entrada de tropas aerotransportadas - até dez quilômetros dentro do território do país: "Foi um ataque aéreo planejado com incursão posterior de tropas com plena consciência de que estavam violando nossa soberania."

Alguns dos guerrilheiros encontrados mortos estavam com roupas de dormir. "Não se tratou de uma perseguição ou legítima defesa. Foi um massacre", disse Correa. "Os aviões colombianos ingressaram até 10 quilômetros em nosso território para fazer o ataque desde o Sul. Chegaram tropas transportadas em helicópteros que completaram a matança. Inclusive foram encontrados cadáveres com tiros nas costas", disse o presidente do Equador.

"Tudo demonstra que o Ministério da Defesa, a chancelaria e o presidente Uribe estão mentindo ao Equador". O governo equatoriano convocou a Comunidade Andina de Nações, o Mercosul e a Organização dos Estados Americanos para evitar que o conflito na Colômbia seja internacionalizado.

Por sua vez, ao permanecer calado o governo Lula abdicou de qualquer liderança regional, da reafirmação da integridade do território nacional e demonstrou uma vacilação que não é condizente com um país que pleiteia assumir vaga no Conselho de Segurança das Nações Unidas. Nem uma nota pedindo calma às partes o governo Lula foi capaz de produzir 48 horas depois do ataque.

O governo da França lamentou a morte de Raúl Reyes informando que ele era o contato usado para tentar a libertação da senadora colombiana Ingrid Bettancourt, que tem cidadania francesa e é refém das FARC.

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A Venezuela fechou sua embaixada em Bogotá e retirou todos os diplomatas do país como resposta ao ataque militar que matou o número dois das Forças Revolucionárias da Colômbia (FARC), Raúl Reyes. O acampamento em que Reyes foi emboscado ficava quase dois quilômetros além da fronteira entre a Colômbia e o Equador e, portanto, violou território equatoriano.

O presidente do Equador, Rafael Corrêa, classificou a incursão militar colombiana de "escandalosa".

Hugo Chávez, durante o programa dominical Alô Cidadão, pediu ao ministro da Defesa que deslocasse dez batalhões para a fronteira com a Colômbia. Segundo a BBC, a mobilização deve envolver tanques e milhares de tropas.

"O governo da Colômbia se converteu no Israel da América Latina. É certeza que mercenários israelenses estão lá instruindo os paramilitares sobre como matar", disse Chávez.

E mais: "Esperamos que os governos da América Latina se pronunciem a respeito, não podemos nos calar ante uma situação grave como esta, que afeta a todos, sobretudo aos vizinhos da Colômbia. O estado da Colômbia é um estado terrorista".

Sobre Álvaro Uribe, o presidente da Colômbia: "Ele não é só um lacaio do império, não é só um mentiroso, é um criminoso, é um mafioso. Dirige um narcogoverno, um governo paramilitar. É um subordinado de Bush. Dirige um bando de criminosos no Palacio de Nariño".

Gustavo Larrea, ministro de Segurança Interna e Externa do Equador considerou o ataque "um atentado" contra seu país. O presidente do Equador cancelou a viagem que faria amanhã a Cuba.

O Ministério das Relações Exteriores da Colômbia negou que tenha violado a soberania do Equador, alegando que agiu "em legítima defesa."

De acordo com o presidente do Equador, Rafael Correa, ele foi informado do ataque pelo presidente Álvaro Uribe, da Colômbia:

"Ele me chamou hoje de manhã para me informar que em um encontro armado entre o exército colombiano e as FARC tinha ocorrido, que uma coluna das FARC tinha entra em território equatoriano, que havia continuado a disparar e que as forças armadas colombianas tinham que se defender".

"Com surpresa descobrimos que se tratava de um acampamento temporário da guerrilha colombiana a dois quilômetros da fronteira com a Colômbia, dentro de nosso território, que foram massacrados enquanto dormiam, que claramente se invadiu o espaço aéreo equatoriano, que seguramente foram localizados com a ajuda de tecnologia de ponta de potências estrangeiras e extra-regionais e não só isso, que entraram e levaram o cadáver de Raúl Reyes e deixaram 15 cadáveres na região, que nossa Forças Armadas encontraram, assim como duas guerrilheiras feridas."

"Não permitiremos esse ultraje. Ou o presidente Uribe estava mal informado e terá que punir seus comandantes, que o enganaram, mal informaram e, atropelando todo o procedimento internacional, bilateram, incursionaram em nosso território - ou, sinceramente, Uribe mentiu."

fonte: http://www.viomundo.com.br

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domingo, 2 de março de 2008

Israel continua a matança genocida em Gaza: Mais de 60 mortos. Pelo menos um terço são crianças - por Idelber Avelar - fonte: http://www.idelberavelar

O estado nazi-sionista continua com sua matança indiscriminada em Gaza. Israel conseguiu bater recordes de criminalidade internacional neste sábado: bombardeios a civis, assassinatos de crianças e bebês de seis meses de idade, ambulâncias metralhadas. Mais de 60 mortos, sendo pelo menos um terço crianças; mais de 200 feridos, boa parte deles em estado muito grave. Israel simplesmente faz o que quer e a comunidade internacional se cala.

Explicam-se com a velha desculpa esfarrapada, quando até mesmo a imprensa israelense está cansada de saber que há meses o Hamas vem mandando enviados com propostas de trégua. É a estratégia denunciada pelo próprio israelense Dorom Rosemblum como “Só mais um”. Só mais uma matança, só mais uma “incursão”, só mais uma chacina. Quando algum desses “razoáveis” e “ponderados” cúmplices do nazi-sionismo objetar ao uso do termo “Holocausto” para descrever o que está acontecendo em Gaza, avise que é o próprio Ministro de Defesa de Israel que está prometendo Holocausto. Assista, se agüentar, as imagens do genocídio em Gaza:

O mínimo que podemos fazer é escrever à embaixada dos nazistas para manifestar o que pensamos sobre o assunto. O email da embaixatriz nazi-sionista no Brasil é ambassadorsec@brasilia.mfa.gov.il

Nada, nada vai fazê-los parar até que a pressão da comunidade internacional se torne insustentável. Boicote Israel. Boicote os produtos israelenses. Boicote as firmas israelenses. Não há conversa “ponderada” e “equilibrada” possível sobre este assunto. Só a hostilidade incondicional do resto do mundo tem alguma chance de deter esses assassinos.



A quatro garotos

O Galo aos sábados faz um intervalo hoje em memória dos quatro garotos palestinos assassinados por Israel quando jogavam futebol. Enquanto continuam os massacres em Gaza e Israel consolida sua posição de país mais detestado do planeta, deixo-os com uma foto assombrosa tirada recentemente em Hebrom, na Cisjordânia, Palestina Ocupada.


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fonte: http://www.idelberavelar.com/


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Reação em cadeia - por Antonio Luiz Monteiro Coelho da Costa - fonte: http://www.cartacapital.com.br

Reação em cadeia

Antonio Luiz Monteiro Coelho da Costa

Em 21 de fevereiro, o Iraque foi novamente invadido. Desta vez, pela Turquia, que avançou 30 quilômetros no Curdistão, única região relativamente poupada do caos da primeira ocupação, com milhares de soldados e dezenas de tanques. Mais uma vez, em conseqüência, o preço do petróleo subiu e agora fecha regularmente acima dos 100 dólares por barril.


Segundo a ONU, os bombardeios às aldeias que supostamente abrigam separatistas produziram 1.225 refugiados. Os turcos dizem ter perdido 17 soldados e matado 150 guerrilheiros, estes dizem ter abatido 81 turcos.

A Turquia tem, ao menos, a desculpa de ter motivos mais concretos para sua ação do que os EUA em 2003. As alegações de Bush júnior, Colin Powell e Tony Blair sobre o perigo das armas de destruição em massa de Saddam Hussein foram totalmente forjadas, ao passo que a guerrilha separatista curda na Turquia de fato usa o Curdistão iraquiano como base para suas operações, que já causaram milhares de mortos no confronto com o exército turco.

Além disso, o governo de Istambul também ganhou mais motivos para recear o movimento separatista. O ataque aconteceu dias depois que os EUA e a maior parte da União Européia (salvo Espanha, Eslováquia, Romênia, Grécia e Chipre, integrantes preocupados com seus próprios separatistas) reconheceram a independência de Kosovo sem a aprovação da ONU ou do Conselho de Segurança e mostraram não dar grande valor à preservação do direito internacional quando este conflita com seus interesses econômicos e estratégicos.

Não os do humanitarismo ou da autodeterminação dos povos, acentue-se, pois é claro que este princípio não é aplicado quando não convém. Nenhum país, além da Turquia, reconheceu os separatistas da República Turca do Norte de Chipre, que existe de fato desde 1983. E o que aconteceria se a Escócia, a Flandres ou o País Basco proclamassem unilateralmente sua independência?

Nos últimos anos, debates entre políticos e estrategistas respeitados nos EUA deixaram clara a importância de correntes favoráveis à tripartição do Iraque em três mini-estados, dos quais o Curdistão rico em petróleo seria o mais fiel aliado de Washington na região, e mesmo à criação de um “Grande Curdistão”, incluindo territórios da Turquia, Síria e Irã, em um “Novo Oriente Médio” redesenhado de acordo com as conveniências estadunidenses.

Quando as potências fazem prevalecer o fato consumado e a lei do mais forte e ignoram as vantagens de uma ordem internacional aceita pelo consenso das nações, não se deve estranhar que pequenas e médias potências também tentem prevenir tais fatos consumados e defender seus interesses pela força.

O governo turco quer não só reprimir a guerrilha em seu território, como também isolar os separatistas do PKK (Partido dos Trabalhadores Curdos) no Iraque e desencorajar a independência total do Curdistão iraquiano, que certamente estimularia seus primos do norte a fragmentar a Turquia. Convém lembrar que os curdos iraquianos – bem como seus amigos no Ocidente, interessados no acesso a seus campos de petróleo – consideram sua independência total uma questão de tempo, desde a invasão de 2003.

Se esta é a melhor solução para os povos da região, isso não está entre as preocupações de Ancara, como também não está entre as de Washington, Londres, Berlim ou Paris. Mas a ação turca coloca aos EUA e seus aliados um dilema. A Turquia, apesar de rejeitada como membro da União Européia, é um membro sólido e tradicional da OTAN.

Apesar do mal-estar com a invasão, Washington, que certamente teria meios de impedi-la, limitou-se a pedir aos turcos que a façam a mais breve possível. Isto provavelmente vai enfraquecer o apoio que até agora os curdos deram às forças de ocupação e pode acabar com a única ilha de estabilidade com que as tropas do Pentágono e as transnacionais petrolíferas têm contado dentro do caos iraquiano.

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Feios, sujos e malvados - fonte: http://www.cartacapital.com.br


Redação CartaCapital

O Brasil continua mal na fita. Somos um país corrupto, desigual, racista, violento e impune. Eis o triste retrato preliminar da Revisão Periódica Universal sobre os direitos humanos realizada pela Organização das Nações Unidas (ONU). O diagnóstico foi feito com base em dados coletados pelos próprios representantes da instituição e 22 organizações não-governamentais (ONGs). Falta o governo enviar as informações pedidas pela ONU, o que ocorrerá em março, segundo o ministro de Direitos Humanos, Paulo Vannuchi.

No documento, a ONU dá um puxão de orelhas no governo brasileiro, que não teria cumprido o prazo, de um ano a partir de 2005, para sanar os abusos com relação às expulsões de populações indígenas de suas terras, execuções extrajudiciais, tortura, superpopulação e condições desumanas no sistema carcerário.

Segundo a organização, “a violência em todas as idades aumentou na última década, transformando o assunto em um dos mais sérios desafios enfrentados pelo País”. Também enfatiza que “os homicídios de adolescentes entre 15 e 19 anos quadruplicaram na última década”. É a principal causa de mortes entre brasileiros de 15 a 44 anos, a maioria composta por jovens do sexo masculino, negros e pobres. Estima-se em cerca de 50 mil o número de assassinatos por ano.

Em relação à tortura, o relatório diz que é prática generalizada para arrancar confissões e que os juízes são tolerantes. Preferem nomeá-la de “abuso de poder”. Na lista das mazelas, consta ainda que 50 milhões de cidadãos vivem na miséria e que o Brasil é um dos cinco países mais desiguais do mundo.

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Ousar é preciso - por Miguel Nicolelis - fonte: http://www.cartacapital.com.br

Ousar é preciso

por Miguel Nicolelis

Naquela tarde de ventos fortes de 19 de outubro de 1901, toda Paris parou para ver a realização daquilo que o mundo do início do século XX considerava a epítome do impossível. A bordo do seu dirigível Brasil VI, exatamente às duas e meia da tarde de um dia de outono que ficaria marcado para sempre na memória de milhões de pessoas mundo afora, o maior cientista brasileiro de todos os tempos, Alberto Santos-Dumont, decolou do Parque Saint Cloud em direção ao monumento mais imponente da capital francesa, a Torre Eiffel.

Carregando na mente o objetivo de contornar a torre e retornar ao ponto de partida em não mais de 30 minutos, Santos-Dumont deve ter se lembrado, por alguns segundos ao menos, dos meses de tentativas malsucedidas e acidentes, alguns quase fatais, que precederam aquela histórica decolagem.

Munido apenas de uma inesgotável dose de ousadia e um desejo insaciável de voar com e como os pássaros, esse filho de fazendeiro, nascido no interior de Minas Gerais, percorreu 11 infindáveis quilômetros para assombrar o mundo e ingressar no panteão dos heróis da humanidade como o ganhador do prêmio Deutsch de la Meurthe, a primeira grande honraria internacional da história da aviação.

Mas Santos-Dumont conquistou muito mais do que um prêmio ao voar ao lado dos pássaros franceses, que, meio atordoados, flutuavam nos céus de Paris sem entender bem o que se passava com aquela gente lá embaixo que, em delírio, insistia em atirar seus chapéus ao ar, cantando a Marseillaise.

Ao tocar as fronteiras do impossível e arrastá-las sem hesitação para o território do factível, do realizável, Santos-Dumont conquistou um lugar ímpar na saga da construção da nação brasileira, aquela que um dia ainda vai decidir honrá-lo com a devida pompa e circunstância que só um verdadeiro herói nacional merece receber. Pois Santos-Dumont, ao contornar a Torre Eiffel, realizou algo muito pouco comum na história do nosso País.

Ele cumpriu a palavra empenhada.

Sem nuanças, sem meio-termo, sem deixar dúvida alguma do resultado final. Santos-Dumont não se conformou só em prometer que iria voar. Ele sabia que o sonho prometido e não realizado não condena apenas o seu sonhador, mas fornece munição preciosa àqueles que há muito renunciaram aos seus próprios sonhos e, como tal, não podem permitir que outros voem.

Assim, Santos-Dumont também decolou naquela tarde parisiense para permitir que gerações futuras de brasileiros jamais esmorecessem em seus desejos de um dia realizarem seus vôos impossíveis, sejam eles quais forem.

Por essa razão, a entrada principal do Campus do Cérebro do Instituto Internacional de Neurociências de Natal Edmond e Lily Safra (IINN-ELS), a ser construído na pequena cidade de Macaíba, na periferia da capital do Rio Grande do Norte, será coberta por uma maravilhosa escultura, representando um 14-Bis do século XXI. Todas as manhãs, milhares de crianças passarão debaixo dessa escultura a caminho da Escola Lygia Maria Laporta do IINN-ELS.

A esperança de todos os envolvidos nesse projeto é que, ao cruzarem a sombra desse grande pássaro brasileiro, esculpido em metal, plástico e história, todas essas crianças, dia após dia, construam seus sonhos impossíveis e imaginem como será o grandioso momento em que, finalmente, eles também poderão voar, livres como pássaros, rumo ao desconhecido e maravilhoso mundo da realização humana plena. Como Santos-Dumont, nosso exército de sonhadores, que já conta com mil voluntários, vai carregar consigo olhos brilhantes, cheios de ousadia e vontade de contribuir para o futuro do País.

Na semana do passamento da dívida externa brasileira, aquela mesma que durante tanto tempo soterrou os sonhos de toda uma geração de brasileiros, está na hora de olhar para o céu e começar a planejar a decolagem que vai fazer com que filhos e filhas do Brasil voltem a voar e assombrar todo o mundo.

Não há mais tempo a perder. Ousar é preciso.

O Cruzeiro do Sul, que jamais teve o privilégio de ver Santos-Dumont voar, espera ansioso pela visita de cada um de nós.

Miguel Nicolelis

fonte: http://www.cartacapital.com.br


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Nazismo made in Israel - por Georges Bourdoukan - fonte: http://blogdobourdoukan.blogspot.com/


Alguns sintomas de que serpente chocou o ovo na então Terra Santa.
E tudo por obra de jovens judeus que, ao que parece, não aprenderam nada com a História.

A sinagoga de Haifa teve paredes pichadas com suásticas.

No muro de uma escola primária em Ashkelon (foto), além da suástica, foi pichada uma imagem de Hitler e uma mensagem que significa "Hitler Domina".

Uma grande sucá perto da sinagoga de Haifa foi incendiada logo após sua construção

Outros incidentes: moradores de B'nei Brak, considerada uma área religiosa de Tel-Aviv, encontram suásticas e slogans pró-Hitler nas paredes da sinagoga local.

Moradores de um prédio de apartamentos na rua Allemby, em Haifa, encontraram slogans anti-semitas e suásticas pichadas nas paredes da escada interna do edifício.

Duas suásticas foram pichadas no muro da sinagoga de Dimona no segundo dia de Rosh Hashaná.

Uma senhora de 70 anos foi agredida a socos e pontapés na ponte que liga o Meridien Hotel e o bairro Neveh David, em Haifa. Ao mesmo tempo em que era agredida, os dois jovens faziam a saudação nazista e gritavam "Heil Hitler".

Um varredor de rua que passava pelo local tentou ajudá-la, também foi atacado.

A rádio de Haifa noticiou que no mesmo dia uma família encontrou seu carro na rua com uma enorme suástica pichada no teto.

Enquanto isso, os novos arianos israelenses continuam praticando o seu folguedo de assassinar semitas palestinos.


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Folha quer ser a Veja dos jornais diários - por Antônio Mello - fonte: http://blogdomello.blogspot.com/


Só pode ser isso. O grau de virulência, o ataque sistemático ao governo, ao PT e até à nossa incipiente blogosfera política só pode significar duas coisas: ou a Folha resolveu ser a Veja dos diários ou seus colunistas resolveram se candidatar a uma vaga no hebdomadário dos Civita, apostando na queda da cúpula da revista, por causa do dossiê Veja do Nassif.

O tom da Folha tem sido o de partir pro pau. Começou com a criminosa coluna de Cantanhêde recomendando vacinação em massa contra a febre amarela, agora seguida por Clóvis Rossi.

Hoje, por exemplo, Rossi distorce uma justa reclamação do presidente em relação à postura de certos membros do Judiciário, e tenta jogar Lula contra Lula, mas o que consegue é jogar Tico contra Teco - os dois neurônios que usou para escrever a coluna. [assinante, lê aqui]

O colunista da Veja Folha tenta contrapor a reclamação de Lula "Seria tão bom se o Poder Judiciário metesse o nariz apenas nas coisas dele" com uma outra anterior, em que o presidente defendeu o direito de fiéis da Universal processarem a Folha. Ficamos sem saber por que Lula poderia dizer uma coisa e não outra, simplesmente porque Rossi não fala coisa com coisa.

Parece magoado, escrevendo com o fígado, na defensiva, jogando para a platéia dos “indignados úteis”, como os colunistas de Veja. Será por causa da descoberta recente de que sua esposa, Catarina Rossi, é presidente do PSDB Mulher da capital paulista e membro nato do PSDB Mulher estadual?

Acho que não. Não sei nem mesmo se a Catarina Rossi do PSDB é a mesma que é esposa do colunista, porque ele não toca no assunto, como se assim evitasse que ele existisse. O que me parece é que os ataques ao governo seguem a mesma linha dos ataques de Veja, tão bem explicitados por seu presidente, Roberto Civita, numa entrevista:

"... Os leitores clamam, (...), querem que a sua revista se indigne. Eles querem. Os brasileiros, hoje, não posso falar de outras partes do planeta, mas os leitores de Veja querem a indignação de Veja. Eles ficam irritados conosco quando não nos indignamos."

A Folha vai pelo mesmo caminho. Deve ser lucrativo. Mas não é jornalismo.

fonte: http://blogdomello.blogspot.com/


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