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quarta-feira, 30 de abril de 2008

A revolta dos pobres



Márcia Pinheiro e Phydia de Athayde

A disparada dos preços dos alimentos detonou um clima de guerra global. Na América Latina e no Caribe, manifestações pipocam desde o início do ano. Uma passeata no México contra a escalada do custo da popular tortilla, feita do milho americano, reuniu mais de 75 mil pessoas na capital, em janeiro. O presidente venezuelano, Hugo Chávez, responsabiliza os atravessadores pela falta de leite e pão no país e tenta aplacar o descontentamento da população, afetada pelo desabastecimento. Como tantos, atribui a culpa da falta de comida à expansão dos biocombustíveis, que supostamente ocupariam áreas antes destinadas aos alimentos. Para discutir a situação, Chávez convocou, na quarta-feira 23, uma reunião extraordinária da Alternativa Bolivariana para as Américas (Alba), da qual fazem parte Cuba, Bolívia, Nicarágua e Venezuela.

Preocupado com uma onda de violência no Haiti, o Brasil enviou neste mês à ilha caribenha 14 toneladas de feijão, açúcar e óleo de cozinha. Ao sul do continente, a presidente Cristina Kirchner deparou-se com uma Argentina em greve de associações ruralistas, quando taxou as exportações de soja e de semente de girassol em março. Além disso, as exportações de trigo do país vizinho para o mercado brasileiro continuam suspensas. O Brasil importa da Argentina 70% do trigo que consome e tem contornado a situação com compras dos Estados Unidos e do Canadá.

Em medida emergencial, para garantir o abastecimento interno e conter a inflação, o Ministério da Agricultura brasileiro anunciou a suspensão da exportação do arroz dos estoques do governo, na quarta 23, e pode estender a medida ao milho. No mesmo dia, a rede de atacado americana Sam’s Club informou que vai limitar a venda de arroz ao consumidor. Cada cliente terá um teto de quatro sacos de 9 quilos do produto por mês. A questão deixou de ser estatística, com impacto nos índices inflacionários mundiais, para adentrar à seara política. São recorrentes as revoltas, os saques e as manifestações em Moçambique, Iêmen, Uzbequistão, Peru, Indonésia, Mauritânia, Camarões, Egito e Senegal.

Como por encanto, o tema segurança alimentar substituiu o petróleo como a maior preocupação do planeta. Isso apesar de o barril ter se aproximado da marca dos 120 dólares e contribuir, de forma significativa, para a alta dos preços dos alimentos, pois muitos derivados são fundamentais na lavoura e no transporte. Ainda que de maneira equivocada e tardia, o assunto chegou à agenda dos organismos internacionais. Os biocombustíveis foram repentinamente retirados da lista de salvadores do meio ambiente e passaram a figurar na coluna dos principais vilões da inflação mundial. De fato, a produção de etanol do milho tem avançado, nos Estados Unidos, sobre lavouras antes dedicadas ao abastecimento de comida. Mas está longe de ser o caso do etanol brasileiro, produzido a partir da cana-de-açúcar (leia o quadro).

A afobação para se achar um culpado obnubilou a boa análise. O diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, disse que a produção de combustíveis, em detrimento de alimentos, era uma questão “moral”. O presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, também resumiu a questão em encher ou não os tanques dos automóveis. Coube ao secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, o papel de mediador do debate, com uma dose de equilíbrio. Segundo ele, são muitas as razões para a alta de alimentos, que não se esgotam na competição entre biocombustíveis e agricultura.

Há, no horizonte, um motivo para a crescente crítica dos países industrializados aos biocombustíveis e ele não está baseado em repentinas preocupações humanitárias. Tem a ver com negócios e interesses geopolíticos. Está previsto para 19 de maio um encontro ministerial que visa encerrar a Rodada de Doha, iniciada em 2001, da Organização Mundial do Comércio (OMC). O embate se concentra na questão dos subsídios dos países ricos (Estados Unidos, Japão e nações européias) aos produtores agrícolas. Tanto que o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, alertou para a intransigência do Primeiro Mundo, cujos bilhões de dólares e euros destinados ao campo estariam desestimulando o aumento da oferta de alimentos por parte dos países em desenvolvimento.

Amorim acenou, no entanto, a bandeira branca, na terça-feira 22, e disse que o Itamaraty está disposto a aceitar uma abertura negociada do mercado brasileiro às manufaturas estrangeiras, em troca de uma “redução substancial” dos subsídios. O que se teme é o fracasso da rodada, se não ocorrer neste primeiro semestre, em razão da mudança do governo nos EUA, com a eleição presidencial. Os democratas, com boas chances de vitória, são tidos como mais protecionistas do que os republicanos. A questão de fundo não é o etanol, cuja importância foi fortemente defendida pelo presidente Lula, em revide aos ataques do FMI e do Banco Mundial. Há muito mais em jogo.

De acordo com o professor José Maria da Silveira, do Núcleo de Economia Agrícola da Unicamp, quatro fatores explicam a atual crise. Primeiro, e inegável, é a inclusão dos cidadãos chineses e indianos no mercado mundial. São 450 milhões de consumidores que deixaram a linha de pobreza, desequilibraram as leis de oferta e demanda e surpreenderam a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), que foi “desleixada” em relação à pesquisa agrícola e assistiu passivamente à produtividade do setor desabar, segundo o economista.

No mundo desenvolvido, os Estados Unidos e a Europa não abrem mão dos subsídios aos agricultores. O resultado foi a falência das chamadas fazendas familiares americanas, que perderam o trem do avanço tecnológico, fato aguçado pela desvalorização do dólar, que ajudou a bombar os preços das commodities agrícolas. De seu lado, os países europeus sentaram em cima do protecionismo, com o estabelecimento de cotas regionais e produção de alimentos de origem controlada e grife, “que não enche a barriga do mundo”, como foie gras, azeites, vinhos e embutidos. “Tudo cercado de um modelo empresarial ultrapassado”, diz Silveira.

E qual é a saída? Lucilio Rogério Aparecido Alves, professor da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/Universidade de São Paulo), acredita que os mercados vão se definir por si só. “Há um aumento forte na demanda de alimentos, desde 2006, e o Brasil tem um papel importante diante desse cenário, por ter um bom volume de produção disponível e por ser o único país, no mundo, com áreas disponíveis para aumentar a produção”, diz Alves, também pesquisador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da USP.

Ele ressalta que as novas lavouras não precisam avançar sobre a Amazônia. “Temos áreas de pecuária não competitiva que podem ceder espaço para grãos, como soja e milho. Se isso vai acontecer ou não, dependerá da relação de preços.” Mas o professor destaca que o Brasil tem uma enorme lista de deveres de casa a cumprir, desde desenvolver pesquisas para aumentar a produtividade até realizar melhoras na infra-estrutura. “Isso depende de muito investimento, e não é necessariamente um Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) que vai resolver”, alerta.

Não há, é óbvio, solução mágica de curto prazo nem o Brasil será capaz, sozinho, de desempenhar o papel de celeiro do mundo. O tema é candente e merece atenção imediata, daí o desespero que tomou conta das autoridades mundiais. Segundo levantamento da organização americana Council on Foreign Relations, além do Brasil e da Argentina, a escassez de alimentos levou vários países a suspender as exportações, para abastecer o mercado interno. É o caso do Cazaquistão, importante supridor de trigo para a Ásia Central, do Vietnã, o segundo maior exportador mundial de arroz e da Índia.

Na reunião de primavera do FMI, em meados de abril, Zoellick, do Banco Mundial, propôs um tipo de New Deal para a Política Global de Alimentos, que incluiria a doação de 500 milhões de dólares dos países ricos para transferências em dinheiro vivo às populações com fome, além da elaboração de programas que resultem em maior produção mundial. Tal iniciativa seria emergencial e não toca no problema central. Falta comida e sobra especulação dos mercados financeiros. Para o semanário britânico The Economist, a crise dos alimentos deveria ser levada tão a sério como a do subprime. Seria urgente a criação de um fundo de ao menos 700 milhões de dólares para ajuda humanitária aos países mais pobres.

Na esteira da carência mundial, entraram em cena os especuladores. A publicação dedicada a finanças Barron’s, do grupo The Wall Street Journal, informou em 31 de março deste ano que ao menos 40% das apostas em mercados futuros de commodities estão em mãos de fundos altamente especulativos. Em razão da crise americana do subprime, os investidores em busca de alto retorno migraram para os contratos futuros de alimentos e metais. Para ter uma idéia da força das finanças, entre 31 de dezembro de 2004 e 31 de março de 2008, os preços futuros dos grãos e sementes deram um salto de 163%, de acordo com o conceituado índice CRB da Reuters.

A especulação não surgiu do nada. Tem como base a percepção de que está em curso uma mudança estrutural da economia mundial. Segundo Pedro de Camargo Neto, presidente da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs) e antigo observador das rodadas mundiais de comércio, há uma somatória de fatores que fez o mundo acordar para a questão alimentar. O programa de etanol do milho nos Estados Unidos “enxugou” muito da oferta global. Antes mesmo disso, afirma, houve o crescimento acelerado da China, que passou a demandar toneladas de soja e fertilizantes. Assim como a Rússia, grande importadora de carne do Brasil.

Ele cita também a Austrália, que passa por seguidas secas há anos, e desabasteceu o mundo, principalmente, de leite e derivados. Por fim, a desconfiança dos ativos financeiros americanos e europeus com a crise hipotecária do subprime gerou a busca por ativos reais, como grãos e metais preciosos. “Para atender ao aumento da demanda, é preciso o mundo todo produzir mais”, diz. Camargo Neto é cético em relação aos resultados da Rodada de Doha, pelas iniciativas protecionistas que se multiplicam mundo afora.

Para o empresário, os arcabouços de organização global, representados pelo FMI, Banco Mundial e Organização Mundial do Comércio, por exemplo, enfrentam uma crise por ter sido criados para atender às iniciativas das nações ricas. Como o eixo do poder está se movendo em direção aos emergentes, cujas demandas ganharam fôlego, as negociações emperram.

A hora e a vez, segundo especialistas, é do Brasil e dos países africanos. Apostar em inovação tecnológica é a chave para o abastecimento global, com o horizonte de preços em ascensão, diz Silveira, da Unicamp. Trancar os mercados é ato impensado, fruto da inoperância dos acordos multilaterais. O desafio é expandir uma produção agrícola menos intensiva em energia, com respeito ao meio ambiente, e arranjos produtivos que combinem tecnologia e inovação, além de incentivar esquemas de cooperativas para que o crédito chegue ao produtor rural. Não há alternativa.
O mundo precisa mudar, antes que a próxima crise se una à atual. Seria um disparate se, ao mesmo tempo que enfrenta a escassez de comida, o planeta começasse a ter problemas no fornecimento de água potável, a desencadear uma nova disputa global.

Fonte: Carta Capital
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terça-feira, 29 de abril de 2008

Três bispos que atuam no Pará integram a 'lista da morte' por denunciarem mazelas sociais na região.

derwin220408_1.jpgCHICO ARAÚJO

chicoaraujo@agenciaamazonia.com.brEste endereço de e-mail está sendo protegido de spam, você precisa de Javascript habilitado para vê-lo

BRASÍLIA — Três bispos católicos da Amazônia estão marcados para morrer. Um deles, dom Erwin Kräutler, de Altamira (PA), vive sob escolta policial durante as 24 horas do dia há mais de um ano. Os outros dois ameaçados são dom Luiz Ascona, de Marajó (PA), dom Flávio Giovenale, de Abaetetuba (PA). Eles entraram na ‘lista da morte’ de fazendeiros, fazendeiros e traficantes devido à atuação contra a grilagem de terras, derrubada e tráfico de madeira e de drogas, tráfico de mulheres (crianças e adolescentes) para a prostituição da Guiana e na Europa.

A situação enfrentada pelos religiosos causa preocupação aos integrantes da Comissão da Amazônia da Câmara. Para discutir a questão, a Comissão promove audiência pública no dia 6 de maio. O debate foi sugerido pela presidente da comissão, deputada Janete Capiberibe (PSB-AP), e teve o apoio de mais de outros dois deputados: Marcelo Serafim (PSB-AM) e Maria Helena (PSB-RR).

Até dia 26 de fevereiro último, Dom Kräutler acordava todos os dias às 4h15 da manhã e fazia uma caminhada de 5 quilômetros pela orla do rio Xingu. Em menos de uma hora, o austríaco Erwin Kräutler, “brasileiro nascido fora do Brasil”, voltava à sua residência de bispo. Devido às ameaças, Dom Kräutler teve de mudar a rotina. “Estou preso dentro de casa”, disse ele à repórter Phydia de Athayde, de Carta Capital.
Confira abaixo, trechos da reportagem da Carta Capital desta semana sobre os bispos ameaçados de morte na Amazônia:

Policiais militares revezam-se em três turnos de oito horas para garantir a integridade do bispo, sob escolta há cerca de um ano, por conta de ameaças de morte. A descoberta de que havia um prêmio de 1 milhão de reais pela cabeça de Kräutler levou a polícia a aconselhá-lo a não mais sair de casa pela manhã, para não facilitar a vida dos pistoleiros.
Quanto tempo se leva para rezar três vezes o terço? Exatos 45 minutos. Kräutler obteve a resposta ao substituir a exuberante beira do Xingu pela monotonia do corredor da casa paroquial. “São 65 passos para a frente, 65 passos para trás, vou e volto sem parar, rápido.” O bispo tem 68 anos, 42 de Brasil, zero de sotaque. É torcedor do Paysandu, o time mais popular do Pará, gosta dos tambores quentes do carimbó (a dança sagrada paraense), e escuta muita música clássica. “Adoro Mozart e Villa-Lobos, mas Bach é minha vida.”
O religioso nunca solicitou proteção policial. Aceitou a escolta por imposição, depois de anos de ameaças diversas. No fim de 2006, após uma série de telefonemas com detalhes de como seria assassinado, rezou as missas festivas das paróquias de Gurupá e Porto de Moz, para cerca de 2 mil fiéis, usando colete à prova de balas. “Foi horrível, imagine aquilo pesado, embaixo da túnica, no calor amazonense”, diz, num relato sem rancor, quase irônico. “Pior eram os policiais armados, no altar. Eu disse para mim mesmo: ‘Não estou aqui para isso’”. Deixou de lado os coletes, mas os soldados não o abandonaram.
Além de Kräutler, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) alerta para outros dois ameaçados de morte, dom José Luís Azcona (de Marajó) e de dom Flavio Giovenale (de Abaetetuba), todos atuantes no Pará. A Comissão Pastoral da Terra acaba de lançar o relatório anual sobre conflitos de terra no País. Entre 260 ameaçados de morte há dez religiosos.
Giovenale não anda escoltado, mas admite a “problemática” local. No ano passado, foi ameaçado em duas ocasiões, por denunciar esquemas de tráfico de drogas na cidade, que fica na foz do rio Tocantins. “Te cuida ou fazemos o serviço”, ouviu ao telefone. O clima tenso o levou a evitar a mídia no episódio da garota de 15 anos, presa em uma cela com homens na delegacia local, que chocou o País. Participou ativamente, porém, das reuniões com o Ministério Público e com o Conselho Tutelar, exigindo a punição e transferência dos envolvidos. “Depois que baixar a poeira, acertamos com você”, ouviu de um transeunte, na rua. Mas o bispo não pretende deixar a cidade. “A presença da Igreja é uma proteção para as pessoas. Me sinto bem lá, me sinto amado”, conclui.
Em comum, os ameaçados, especialmente na Região Norte do Brasil, têm o fato de lutar contra a devastação da mata e a favor dos direitos de povos indígenas e ribeirinhos. Mas Kräutler “incomoda” também por ter denunciado uma rede de exploração sexual e prostituição infantil no estado, por cobrar incessantemente a punição dos mandantes do assassinato da ex-colega e missionária Dorothy Stang (morta a tiros, em 2005, por lutar contra madeireiros em Anapu) e por ser uma voz fervorosa contra a construção da Usina Hidrelétrica Belo Monte no rio Xingu. Em uma tacada, contraria interesses locais, regionais e federais.
A sinceridade escancarada e destemida não colabora com a segurança. “O governo brasileiro está muito preocupado com a imagem do Brasil lá fora, e não com o que vivemos aqui. Eu mesmo, minha proteção é para inglês ver, pois não se preocupam em buscar os que me ameaçam e que matam outros que lutam como eu”, afirma. E prossegue a falar sobre a política local.
“O Pará é o estado mais rico do Brasil, tem recursos naturais incríveis, mas o povo vive na miséria. Quem é beneficiado por esse tal progresso? O problema é que existem pessoas que são de primeira categoria, os donos do mundo, enquanto outras são descartáveis. O nosso desenvolvimento favorece apenas a primeira categoria. Por isso, o índio não tem valor. São chamados de entraves do progresso porque não produzem.”
Kräutler disseca, de forma igualmente crítica, a estrutura social da região, que conhece como a palma da própria mão. A saber: o povo (“índios, ribeirinhos e imigrantes dos anos 1970”), os aventureiros (“querem enricar no curto prazo”), os madeireiros (“querem serrar e não pensam no futuro”), os mineradores (“a mesma coisa”) e aqueles, no governo, que “enxergam a região apenas como província energética”.
"Todos, menos o povo, me colocam como inimigo do progresso”, declara, e explica suas motivações: “Entendo a ecologia a partir da visão cristã de que não devemos destruir o que recebemos como uma bênção. Defendo uma idéia de desenvolvimento em que a pessoa humana seja o centro, e não o dinheiro. Me revolto, fico indignado com essa mania do Brasil se deixar explorar e ainda agradecer. Isso tem de acabar”.
Em quatro décadas de Xingu, o inconformismo de Kräutler rendeu alguns frutos. Antônia Pereira Martins, a Toínha, é coordenadora do movimento de mulheres de Altamira Defensoras do Xingu e diz que a “visão libertadora” do bispo foi crucial na organização social da região. Ele presidiu o Conselho Indigenista Missionário (Cimi) por oito anos, na década de 80, e recentemente voltou a liderar a organização.
“Dom Erwin é muito carismático e muito firme nas suas posições. Não é bispo apenas dos católicos, se posiciona ao lado de quem está ameaçado. Ele nos ensinou a ter uma visão crítica da sociedade, é claro que isso incomoda alguns”, diz Toínha. O movimento social local prepara, para fim de maio, um Encontro dos Povos do Xingu para protestar contra a Hidrelétrica de Belo Monte. Toínha diz ter esperança de que o projeto seja barrado e contará com o apoio do religioso, “um exemplo para nós”, nas manifestações.
O bispo da prelazia do Xingu não é o primeiro Kräutler a exercer influência na região. Seu tio, Eurico, chegou ao Pará em 1934, como missionário. Seria bispo da mesma prelazia até 1981, quando foi substituído pelo sobrinho. Na gélida Áustria, graças às cartas do tio, o garoto Erwin ouvia falar do Xingu, dos índios, dos seringueiros, da imensidão da natureza, e alimentava o início de uma paixão.

Fonte: Agência Amazônia de Notícias


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