quinta-feira, 29 de outubro de 2009

::

Israel curbing water




por Carlos Latuff

::


Share/Save/Bookmark

Latuff e os palestinos da Amazônia

::

por Carlos Latuff *

A convite do Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos (CEBRASPO) passei uma semana na companhia de lavradores nos acampamentos da Liga dos Camponeses Pobres (LCP) no interior do estado de Rondônia. Nesses dias ao lado dos aldeões, tive a honra de comer de sua comida, participar de suas conversas, de sua rotina, tomar conhecimento de suas necessidades, de suas demandas e seus sonhos. Povo forte, que sofre o diabo, mas que não tem medo dele.

Marcao_Latuff_Seu_Abel.jpg

Por duas vezes passei a noite numa cabana de palha, onde vivem seu Abel e sua esposa Zilda. Reservaram uma cama para mim, me receberam com todo carinho e gentileza. Mesmo na simplicidade daquela choupana, havia uma extrema preocupação em me agradar, na melhor tradição de hospitalidade do homem do campo. Acordava-se bem cedo, ainda escuro.

Lar_de_seu_Abel.jpg

"Bom dia, dormiu bem?". Escova de dentes na mão, rumo ao rio que beira a cabana. No moedor à manivela, os grãos de café eram preparados para o desjejum. O leite fervia no fogão a lenha. A mesa posta, os copos, os talheres, o silêncio era discretamente interrompido tanto por mim quanto pelos pássaros. Daqui a pouco seu Abel já estava seguindo para a roça, para cortar lenha, para capinar a terra, irrigar as mudas, trabalho árduo para transformar seu pequeno pedaço de selva em lar. Os lavradores humildes precisam de bem pouco para viver uma vida digna, e nem mesmo isso lhes é permitido. Com o argumento do combate ao desmatamento, o Ibama persegue e aplica multas altas aos que vivem da agricultura de subsistência, usa da Polícia Federal, da Força Nacional de Segurança e mesmo tropas do Exército para sufocar as comunidades, como no caso de Rio Pardo. Aí, barreiras foram erguidas nas entradas e saídas, pessoas e veículos revistados, postos de combustível do acampamento removidos, um rigor que não tem sido aplicado aos latifundiários, que transformam vastas extensões de floresta nativa em pasto ou monocultura.

O histórico de violência naquela área já vem de longe. No Brasil Colônia, o vale do Guaporé foi palco de disputas imperialistas entre Portugal e Espanha, que só terminaram com as demarcações de terra acordadas pelo Tratado de Madrid em 1750. No século 18, com o ciclo da mineração e particularmente no final do século 19 com o ciclo da borracha, uma grande leva de migrantes de diversas partes da Bolívia foi atraída para a região, causando conflitos agrários com o país vizinho, que foram resolvidos em 1903 com o Tratado de Petrópolis.

Em 1943, como resultado do desmembramento de áreas dos estados do Amazonas e Mato Grosso, foi criado por Getúlio Vargas o Território Federal de Guaporé, tendo sido rebatizado para Rondônia em 1956, em homenagem ao Marechal Cândido Rondon, militar que entre 1910 e 1940 comandou expedições de Cuiabá até o Amazonas para instalar linhas telegráficas e levar a boa e velha civilização branca para o seio dos povos indígenas. Rondônia torna-se estado em 1982.

A Liga dos Camponeses Pobres surgiu em agosto de 1995, quando trabalhadores rurais que ocupavam terras da Fazenda Santa Elina, na cidade de Corumbiara, resistiram ao brutal despejo promovido por policiais e jagunços, resultando na morte de 11 pessoas (em números oficiais), incluindo a menina Vanessa de apenas 6 anos, no que ficou conhecido como o "Massacre de Corumbiara". De lá para cá, cansados de esperar por uma reforma agrária que nunca chega, os camponeses e suas famílias decidiram promover a "revolução agrária" no peito e na raça. São eles os acusados pela revista Isto É de serem sanguinários guerrilheiros ligados (adivinhem) as FARC.

O que pude presenciar durante minha visita aos acampamentos foram trabalhadores rurais e suas famílias armados, isso sim, de uma força de vontade poderosa, capaz de enfrentar os rigores da Amazônia Ocidental. O clima equatorial, extremamente quente e úmido, onde o sol inclemente castiga a carne, as doenças tropicais como a leshmaniose e a malária, que por aquelas bandas são tão comuns quanto um resfriado, animais selvagens como onças, porcos-do-mato e serpentes venenosas, um risco sempre presente, oculto pela densa vegetação.

Mas não são os rigores da selva amazônica os maiores inimigos do povo do campo. São os fazendeiros milionários e seus exércitos particulares formados por assassinos de aluguel e policiais, cujas ações criminosas são sustentadas por políticos locais e a imprensa corrupta, que alimentada com verbas publicitárias e mesmo matérias pagas, tenta demonizar a justa resistência dos pequenos agricultores. Os matadores são conhecidos por todos, andam tranquilamente pelas ruas, por vezes ostensivamente armados. Não são raras as execuções à luz do dia, à vista de todos. Qualquer um que tenha coragem de, por exemplo, denunciar os pistoleiros num programa de rádio, corre o sério risco de ser assassinado assim que colocar os pés para fora da emissora.

Conceitos como direitos humanos e cidadania inexistem nos cantões de Rondônia, onde a pistolagem é uma instituição consagrada pela sociedade. Numa corrida de taxi em Ariquemes, com mais três passageiros, passei a viagem de cerca de 45 minutos, ouvindo animadas histórias de fazendeiros, políticos e mortes encomendadas. Uma delas reproduzo aqui.

Um homem pescava num rio. Conseguiu apanhar dois pintados. Amarrou os peixes na garupa de sua bicicleta e seguiu tranquilamente por uma estrada. No meio do caminho foi parado por um fazendeiro e seu jagunço numa caminhonete.

-- Onde você pescou isso?-- perguntou o fazendeiro.
-- Naquele rio logo ali --, respondeu o sujeito.
-- Então pode deixar por aí mesmo, que aquele rio é meu --, disse o fazendeiro, no momento em que o capanga já saía do veículo de forma ameaçadora. O pescador teve de fugir. Ao comentar esse caso com o pessoal da LCP, me disseram que ele teve sorte de não ter sido simplesmente baleado. Essa é somente uma das histórias que explicam bem a razão da revolta que o camponês de Rondônia traz consigo no peito.

Historicamente, a reforma agrária no Brasil nunca se deu de maneira espontânea pelos governos, e sim pela pressão feita pelos movimentos populares de luta pela terra. No caso da LCP, sequer conta com o Incra para assentar as famílias. Para os integrantes da LCP, não existe o conceito de "desapropriação de terras improdutivas", visto que mesmo as produtivas, estando em mãos de ricos fazendeiros, servirão invariavelmente aos interesses do agronegócio. Os camponeses da LCP escolhem as grandes fazendas, ocupam-nas, erguem lonas, resistem ao ataque de jagunços e depois de 2 a 3 meses fazem demarcação dos lotes, o chamado "corte popular", inicialmente erguendo cabanas de palha e depois de madeira. Depois de algum tempo, os acampamentos se assemelham a povoados do velho oeste norte-americano, como o de Jacinópolis, com farmácia, escola, mercado, tudo feito de tábuas.

Diferente da confortável vida das grandes cidades, onde restaurantes, lanchonetes e supermercados estão logo ali na esquina, nas áreas de acampamento o supermercado mais próximo pode estar a 80km de estradas de terra acidentadas. É natural, portanto, que os camponeses tenham de caçar para comer, o que justifica a posse de velhas espingardas que servem também para a defesa contra onças e porcos selvagens. Operações constantes do IBAMA e das polícias tentam tomar esses armamentos rústicos das mãos dos lavradores, impedindo que eles se defendam tanto de animais ferozes quanto de pistoleiros. O direito à legítima defesa também lhes é negado. Os camponeses, no entanto, seguem resistindo a estas agressões como podem. Fecham estradas, bloqueiam o avanço da polícia com barricadas, criam seus próprios sistemas de vigilância e segurança. Não se entregam nunca.

São os palestinos da Amazônia.

Rondonia_Pistolandia.jpg

*Latuff é cartunista.


Fonte: Vi o Mundo / Blog do Latuff / Desenhos

::


Share/Save/Bookmark

A mídia em debate: Herzog e as palestras em Brasilia

::


por Rodrigo Vianna


A semana começou agitada para este escrevinhador. Na segunda-feira, subi ao palco do TUCA (histórico teatro paulistano) para receber - ao lado de valorosa equipe do Jornal da Record - menção honrosa, no prêmio Vladimir Herzog de Direitos Humanos.

A menção foi por duas reportagens especiais, sobre os "30 anos da Anistia" no Brasil.

Considero o Herzog o principal prêmio jornalístico do Brasil. Ao contrário de muitos outros, não oferece dinheiro, nem qualquer outra vantagem para os vencedores. Quem ganha leva pra casa a estatueta com o perfil de Vladimir Herzog (foto), desenhada por Elifas Andreato. Simplicidade e tradição.

Trata-se de um prêmio com peso político, porque lembra a história do jornalista, que foi assassinado pela ditadura brasileira. Muitos dos agraciados sobem ao palco e fazem aquele agradecimento compreesível à família, aos chefes, aos colegas... É natural. Todos se emocionam, e querem dividir a emoção com os amigos, com aqueles que ajudaram a chegar até ali.

Mas eu entendo (será que sou chato demais?) que o Herzog deve ter sempre um tom político, na melhor acepção da palavra. Foi por isso que, ao agradecer a menção honrosa, em nome da equipe do Jornal da Record, fiz questão de lembrar: "receber um prêmio como este, por uma materia que lembra os 30 anos da anistia, tem um sabor especial neste ano, em que um importante jornal de São Paulo chamou a ditadura de ditabranda".

A referência, pra quem não sabe, era ao jornal "Folha de S. Paulo". O diário teve a cara de pau de chamar a ditadura de "ditabranda", em editorial.

Fiquei duplamente feliz: pelo prêmio, e por ter soltado a voz contra aqueles que querem "revisar" a história de um período lamentável para o nosso país. Humildemente, dei o meu recado.

Fiquei mais feliz ainda com a belíssima homenagem prestada - durante a cerimônia - a um grande jornalista: Fernando Pacheco Jordão. Com sérios problemas de saúde, ele subiu de cadeira de rodas ao palco. Foi aplaudido de pé, durante 5 minutos. Fernando dá seu nome ao "Prêmio Jovem Jornalista" - que, paralelamente ao Herzog, premia as pautas de estudante de jornalismo. Os escolhidos ganham a chance de desenvover essas pautas, sob tutoria de um jornalista veterano. Ótima idéia!

Fernando Pacheco Jordão era grande amigo de Herzog, companheiro dele na TV Cultura, e um dos responsáveis por manter viva a memória do colega assassinado.

A semana, portanto, começou com fortes emoções. E prosseguiu com muito trabalho. Na terça-feira, gravei em São Paulo, depois peguei o avião para o Rio. Nesta quarta, tenho mais gravações pela Record, no Rio. E quinta, ufa, já estarei em Brasília, para participar de um debate sobre a chamada "blogosfera".

Trata-se, na verdade, de um ciclo de palestras. Na segunda, Paulo Henrique Amorim deu se recado. Na terça, foi a vez do Azenha. Nesta quarta, Nassif é o convidado. Tenho a honra de juntar-me a esse time seleto na quinta. E, na sexta, o Marco Aurelio Weisshemer, do blog RS Urgente, encerra a semana de debates.

O ciclo de palestras será gratuito e realizado no auditório principal do IESB, no Campus Edson Machado, na Asa Sul, em Brasília, das 19h às 21h30, e é uma iniciativa da própria instituição, em parceria com a Escola Livre de Jornalismo.

O objetivo é estimular estudantes de comunicação e jornalistas a debater os rumos da chamada grande imprensa e a conhecer o pensamento crítico de alguns blogueiros.

O tema ainda não ganhou as ruas. Na verdade, está muito longe disso. Mas, em 20 anos de profissão, nunca vi tanta gente interessada em debater o futuro (?) da mídia.

Estou razoavelmente otimista. Sem a internet, seria impossível ter respondido à infâmia da "Folha" e sua "ditabranda". Sem a internet, seria impossível mobilizar tanta gente pra debater a comunicação no Brasil.

Já é um avanço.

Fonte: O Escrevinhador

::


Share/Save/Bookmark

Carlos Marighella ganha título de cidadão paulistano

::

por Rodrigo Vianna

O jornalista Pedro Venceslau relembra, na edição de novembro da revista "Fórum", as circunstâncias da morte de Carlos Marighella, lendário líder comunista - que rompeu com o velho PCB e, nos anos 60, ajudou a criar a ALN (grupo guerrilheiro que lutou contra a ditadura militar).

No próximo dia 4, completam-se 40 anos da morte de Marighella - assassinado numa emboscada chefiada pelo delegado Fleury, em São Paulo.

Quem se interessa pelo assunto pode ler "O Batismo de Sangue", de Frei Betto. O livro conta como a prisão de religiosos da ordem dominicana em São Paulo (barbaramente torturados) ajudou a polícia a localizar Marighella.

O líder da ALN vai virar filme em 2010. E ganhará também o título de cidadão pauliatano. Tudo isso você confere na "Fórum".



Sei também que um dos mais competentes jornalistas da nova geração (agora já não tão nova assim), Mário Magalhães, prepara uma biografia sobre Marighlella.

===

CARLOS MARIGHELLA SERÁ CIDADÃO PAULISTANO

Por Pedro Venceslau

Quarenta anos depois de ser assassinado pelos militares, o mitológico Carlos Marighella, fundador da Ação Libertadora Nacional, ganhará o título de “Cidadão Paulistano”. A honraria póstuma será condedida dia 4, na Câmara Municipal, por iniciativa do vereador petista Ítalo Cardoso.

Essa será apenas uma das homenagens. Também no dia 4, sua ex-companheira, Clara Charf, comanda cerimônia na Alameda Casa Branca, local do crime. “Vamos colocar flores no local ele foi morto”, conta Clara. O guerrilheiro foi surpreendido por uma emboscada do DOPS, em ação coordenada pelo delegado Sérgio Paranhos Fleury. Para fechar o ciclo, o Museu da Resistência, no antigo DOPS, receberá uma exposição sobre Marighella, que começa dia 7 com a presença de Paulo Vannuchi, ministro dos Direitos Humanos.

“Carlos Marighella é parte da história brasileira. ele acreditava que a principal tarefa era a libertação nacional e o fim da ditadura, para retomar o fio da história”, diz o ex-ministro José Dirceu. Em 2010, a história do líder da ALN será contada em um longa metragem, que está sendo produzido pela cineasta Isa Grinspun. Nascido em Salvador, em 5 de dezembro de 1911, Marighella completaria 98 anos em 2009. A edição de novembro de Fórum contará sua história.

(Confira na edição de novembro da revista Fórum matéria especial que relembra o assassinato de Marighella)

Fonte: O Escrevinhador

::


Share/Save/Bookmark

AQUECIMENTO GLOBAL - Imprensa olha para trás

::

http://pplware.sapo.pt/wp-content/images2008/imagem_greenpeace01.jpg


AQUECIMENTO GLOBAL
Imprensa olha para trás

Por Luciano Martins Costa


Para os jornalistas e outros profissionais que acompanham com maior interesse as questões relativas ao problema do aquecimento global, a leitura diária dos principais jornais do país, especialmente daqueles dirigidos ao público em geral, precisa ser um exercício de permanente condescendência ou de constante irritação.

O noticiário sobre o aquecimento global, que se tornou mais intenso após o mês de fevereiro de 2007, com a divulgação dos resultados dos estudos da comissão criada pela ONU para discutir as questões climáticas, permanece basicamente estático quase às vésperas do encontro internacional que deverá decidir sobre mudanças em políticas econômicas, modos de produção e comércio e comportamento. E, salvo raras exceções, a imprensa em geral vem tratando o tema como se fosse mais uma banalidade da pauta diária.

Lanterna na popa

As decisões que serão pactuadas em Copenhague, em dezembro, poderão afetar muitos dos temas com os quais a imprensa se preocupa prioritariamente nesses dias que se convenciona tratar de pós-crise.

Desde a questão da exploração das reservas de petróleo do pré-sal até os planos de governo dos futuros candidatos à eleição presidencial de 2010, passando pelas exigências que serão impostas à realização da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016, e até mesmo regras comerciais globais e as negociações de commodities e do mercado futuro de moedas e produtos, praticamente tudo que hoje ocupa os jornalistas poderá ser diferente a partir das decisões que serão tomadas pelos líderes mundiais.

Também é possível que nada mude, e que os líderes globais continuem liderando suas nações na direção do futuro incerto desenhado pelos cientistas que estudam as mudanças climáticas e suas conseqüências. Mesmo esta possibilidade – e talvez ela mais ainda – deveria estar ocupando os corações e as mentes dos profissionais e donos da imprensa.

Mas a imprensa parece fascinada com o passado. Como uma lanterna na popa de uma embarcação, prefere iluminar o caminho que já foi percorrido do que clarear o que está adiante.

O estado do mundo

Existe no Brasil uma imprensa socioambiental formada basicamente por sites, blogs e newsletters na internet e um punhado de revistas que sobrevivem por mera teimosia. As grandes empresas anunciantes não costumam apoiar a chamada imprensa alternativa; muito menos as iniciativas jornalísticas que costumam desmascarar o chamado "marketing verde".

A maior parte das informações técnicas sobre questões climáticas e temas relacionados ao desenvolvimento sustentável circula nesses meios alternativos e nas redes sociais, através de grupos de debates freqüentados por especialistas. Ali se encontram as principais fontes de informação que a grande imprensa poderia consultar para informar seus leitores sobre o verdadeiro estado do mundo.

No mês que se encerra, houve uma redução no número médio de reportagens dedicadas ao tema do aquecimento global na imprensa brasileira de alcance nacional. Apenas doze ocorrências, em média, para cada grande diário, e menos de uma página por edição das revistas semanais.

Os jornais ocuparam mais espaço para a repercussão de uma frase do presidente da República sobre o papel da imprensa, na semana passada, do que para discutir os planos para a Conferência da ONU em Copenhague. Declarações de políticos foram consideradas mais importantes, ao longo do ano, do que o destino do planeta.

Enquanto isso, desenham-se as fórmulas para o mercado internacional de carbono e define-se no Congresso Nacional, com influência dominante da bancada ruralista, a futura legislação de proteção ao patrimônio natural brasileiro.

Caminho desimpedido

Daqui a alguns anos essas páginas sairão dos arquivos para a análise dos historiógrafos e outros pesquisadores. Será o registro da contribuição que a imprensa terá dado para os debates sobre o que deverá ser o século 21 para o Brasil.

Empurrado para uma posição privilegiada na linha de largada para a nova configuração das forças econômicas internacionais, o país tem a chance de demonstrar que foi capaz de encontrar a trilha do desenvolvimento e ao mesmo tempo preservar suas riquezas naturais.

Ou teremos deixado o campo livre para a transformação do cerrado e das florestas em um grande deserto.

Fonte: Observatório da Imprensa

::

Share/Save/Bookmark

Aécio, Serra e a confusão na oposição

::


https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgYDeP__8KOkYchXalvmq4Bd2uwDEGrQnXqB9XST8wV6WhLIcl3CMIVW2biWN4g5BV-fd9REELjaAunZbhAmNJI0pt6bjJ6YtDGb-VUxefqFFSc1NdQGUvPIs4nMFy593sxcfisOl7dHOeW/s400/charge_aecio_serra_trampol.jpg


Aécio, Serra e a confusão na oposição

por Luiz Antonio Magalhães


O noticiário político dos últimos dias dá conta de uma verdadeira guerra aberta no campo oposicionista pela definição da candidatura presidencial para a sucessão do presidente Lula. É preciso ir devagar com o andor, no entanto, ao analisar os movimentos dos protagonistas desta disputa: os governadores Aécio Neves, de Minas, e José Serra, de São Paulo. Um amigo deste blog com bastante informação na aliança demo-tucana diz que muito do que Aécio vem fazendo é jogo de cena ou, para ser mais preciso, a velha estratégia de criar dificuldade para vender facilidade. Pode perfeitamente ser isto mesmo. O problema, na humilde opinião do autor destas Entrelinhas, não está em Aécio, mas na conhecida inabilidade política de Serra. Para usar uma analogia tão ao gosto do presidente Lula, Serra, da mesma maneira que o Palmeiras atual, tem dificuldades de jogar sob pressão. Em 2006, pressionado por Geraldo Alckmin, o governador paulista deu adeus à candidatura presidencial.

O cenário agora é ainda mais delicado: além de necessitar de muita articulação política e jogo de cintura, Serra tem pela frente um adversário em seu partido que é muito, mas realmente muito mais preparado do que Alckmin. Não dá nem de longe para comparar Aécio, que vem da fina flor da política brasileira, com Geraldo, ele sim, uma espécie de Forrest Gump da vida pública nacional - só se tornou governador porque Mário Covas morreu e depois conquistou espaço fazendo pose de bom moço e com frases de efeito do tipo "vamos amassar o barro"...

Isto significa que Aécio pode dar um xeque-mate em Serra? Sim, mas é preciso primeiro saber se este é de fato o desejo do governador mineiro ou se ele está apenas fazendo jogo de cena para se cacifar em Minas ou garantir espaço em um eventual governo Serra. Este blog aposta apenas que Aécio não será vice do governador paulista, nem que Fernando Henrique lhe peça isto de joelhos. Como todo bom político, Aécio pensa primeiro em sua carreira, em segundo lugar na sua carreira e, finalmente, na sua própria carreira. Carreira política, que fique bem claro.

Mesmo que Aécio esteja jogando para o público interno e sua estratégia passe longe da disputa presidencial, é bom não dar como favas contadas a candidatura de Serra. O governador pode perfeitamente se atrapalhar sozinho e coisa acabar descambando para uma definição em torno do nome de Aécio. A ver, como se diz com muita frequência nas redações de jornais...

Fonte: Blog Entrelinhas

::
Share/Save/Bookmark

Um eleitorado mais exigente

::


http://gilgiardelli.files.wordpress.com/2008/07/brasil.jpg



Um eleitorado mais exigente

Por Maria Inês Nassif


Em 2006, a política eleitoral foi marcada pelo fenômeno de descolamento do voto dos humores da classe média urbana que, ao longo da história da República, funcionou como uma caixa de ressonância das elites econômicas.

A ascensão ao mercado de consumo de uma grande parcela de excluídos, por meio do Bolsa Família, produziu uma autonomia do voto dos menos favorecidos em relação ao poder econômico e reduziu o papel de formadores de opinião das classes médias. De lá para cá, as políticas de valorização do salário mínimo adicionaram um outro componente social à realidade política: o ingresso nas classes médias de cidadãos originários da base da pirâmide que já estavam no mercado de consumo, mas que tinham acesso limitado a bens e mercadorias.

Foram, portanto, dois dados importantes de mobilidade social distintos, cada um deles com poder de repercussão em uma eleição diferente. Nas eleições de 2006, o dado social predominante foi o ingresso ao mercado de consumo de grande parcela da população. Nas eleições de 2010, terá forte influência sobre o pleito a ascensão à classe média de grandes contingentes das camadas populares.

Nos últimos sete anos, o país passou de uma situação de reduzidas classes médias e alta e amplas camadas na base da pirâmide – com forte concentração, nessas últimas, de famílias com baixíssima ou nenhuma renda.

Quase às vésperas das eleições de 2006, as estatísticas começaram a acusar um forte efeito de desconcentração de renda do programa Bolsa Família, que atingia então os situados no último degrau da pirâmide de renda. Esse dado apenas tornou-se visível no auge do chamado Escândalo do Mensalão e o mundo institucional custou a entender que algo acontecia de diferente no universo social. A política foi sacudida por traumas intensos, cujo epicentro era o Congresso Nacional – em especial uma CPI que alimentava grandes cenas midiáticas que em algum momento chegaram a consolidar, entre letrados, a idéia de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva era tão destituído de sustentação política que caminhava para um impeachment, ou uma renúncia.

Foram quase simultâneas as divulgações das pesquisas de opinião que acusavam um constante aumento de popularidade de Lula, em plena crise, e a divulgação de indicadores que comprovavam um efeito grande de mobilidade do Bolsa Família. Os fenômenos foram tão vinculados que foram necessárias várias pesquisas de opinião acusando aumento da popularidade de Lula para que a oposição se convencesse que o presidente não apenas estava no páreo, como era o franco favorito na disputa pela reeleição.

O aumento da classe média brasileira no período seguinte é um dado ainda de difícil avaliação, que precisará ser devidamente considerado nas definições de estratégias de campanha de todos os candidatos às eleições presidenciais.

O fato de os dois fenômenos terem acontecido num período governado por um único partido, e não ter ocorrido até o momento – nem no período de crise – um forte refluxo das condições objetivas de consumo desses setores, pode indicar que a candidata governista entra no mercado eleitoral como depositária de um legado. O conservadorismo da classe média, no caso dos ascendentes no governo Lula, tende a favorecer a candidata – o status quo agora é o PT, ao contrário de 2002.

De outro lado, a ascensão à sociedade de consumo significa também acesso a bens de consumo ideológicos que mantinham esses setores à margem até agora. A informação, o acesso a tecnologias por onde elas transitam rapidamente e a exposição a diversas outras mídias expõem esses setores emergentes a conteúdos dos quais foram marginalizados enquanto estavam excluídos dessas tecnologias – e cuja inclusão não era alguma coisa que estava na agenda das elites políticas, que partiam do pressuposto, no jogo eleitoral, de que essas camadas eram cooptáveis via movimentos de emocionalização de uma classe média mais conservadora. Outro fator que pode contribuir para isso é o aumento progressivo de escolaridade, que caminha de forma constante desde os governos Fernando Henrique Cardoso.

Os ganhos de distribuição de renda podem acelerar o processo de aumento de anos de estudo da população.

Num contexto de maior escolaridade e maior renda, portanto, imagina-se que mudem também os critérios de escolha do voto. O julgamento do eleitor tende a passar por crivos que superem o simples ganho de renda – esse é um ganho passado e entram no cenário expectativas de ascensão social diferentes.

Nesse contexto, pode adquirir importância grande a adesão a candidatos de setores da mídia convencional e não convencional – veiculada pela internet – e ganham peso maior os programas de propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão. Esse é um elemento novo no processo eleitoral. Dificilmente se volte a uma realidade onde as classes médias representem simplesmente uma caixa de ressonância das elites econômicas mas não necessariamente esse eleitorado tenderá à esquerda por ter ascendido no governo Lula. O dado concreto, no momento, é que esse eleitorado obrigará uma campanha eleitoral que agregue mais informações e argumentos eleitorais mais convincentes.

Fonte: Luis Nassif Online

::


Share/Save/Bookmark

Mulher no timão

::




A primeira viagem de Hildelene Bahia no comando do navio Carangola.


Mulher no timão

Por Dil Mota Dias


Quando, no feriado de 12 de outubro, o navio Carangola fundeou no rio Negro carregado de 16, 6 mil metros cúbicos de petróleo, poderia ser mais uma atividade rotineira de uma das embarcações da Transpetro, subsidiária da Petrobras. Mas foi um marco histórico. Era o fim da viagem de estreia de Hildelene Lobato Bahia como comandante, a primeira mulher a ocupar o cargo na Marinha Mercante brasileira.

A própria trajetória da marinheira paraense de 35 anos, formada em Ciências Contábeis, foi menos guiada pela bússola do que pelas estrelas. O irmão de Hildelene havia decidido prestar o concurso para a Escola de Formação de Oficiais da Marinha Mercante. Ela, para ajudar o irmão a estudar, resolveu se inscrever também. “Para minha surpresa, fui aprovada e ele não”, conta Hildelene, que passou a integrar o primeiro quadro feminino do Centro de Instrução Almirante Braz de Aguiar (Ciaba), em Belém.

De lá para cá, ela acumula quase meio milhão de milhas navegadas, o equivalente a duas vezes e meia a distância entre a Terra e a Lua. São mais de 1.700 dias no mar. A bordo de petroleiros, atravessou oito vezes o Estreito de Magalhães e acompanhou trabalhos de obras e reparos de embarcações em estaleiros de Cingapura e no Golfo Pérsico. No Bahrein, chamaram sua atenção a surpresa dos muçulmanos ao ver uma mulher na chefia e as joias das muçulmanas. A bordo do Carangola, a vaidosa Hildelene não dispensa o batom e os brincos, mesmo trajando roupas e equipamentos de proteção.

O primeiro dia de viagem começou de madrugada. Às 3 da manhã do dia 1º de outubro, o Carangola deixou a Baía de Guanabara rumo a Manaus. Apesar da experiência, a comandante estava um pouco ansiosa. O mau tempo e a pouca visibilidade a preocupavam. “Agora a responsabilidade de decidir é só minha. Além de transportar um patrimônio da empresa, sou responsável pela tripulação”, diz.

A costa da Bahia, emoldurada por um céu claro e mar azul, afasta as nuvens do semblante da comandante de primeira viagem. É o terceiro dia de jornada, um sábado, e mesmo em alto-mar, nos fins de semana o navio diminui o ritmo das atividades. A comandante aproveita para uma visita à cozinha e ao paiol de mantimentos. “Os melhores chefs do mundo são homens”, enfatiza Paulo Moreira, cozinheiro de bordo, que parece confiar mais nas habilidades de Hildelene como comandante. Ela mesma confessa preferir pilotar navios a fogões.

Reza a lenda que os marinheiros têm uma mulher em cada porto. A regra, pelo visto, não vale para marinheiras. O porto seguro de Hildelene é o também marítimo Paulo Roberto Souza de Moraes, com quem está casada há cinco anos e que dá a maior força à mulher. “É meu sonho também que está sendo concretizado”, afirma Moraes, confessando sua intenção de se juntar à tripulação da amada. “Nosso desejo é poder embarcar juntos para diminuir a saudade.”

Assumir a função de primeira comandante da Marinha Mercante brasileira não limita as ambições de Hildelene. Com mais dois anos de embarque, ela poderá se tornar capitã-de-longo-curso e comandar petroleiros em travessias de águas internacionais. Tudo muito bem planejado, diz, para poder realizar outro sonho, o de ser mãe.

O Carangola deixa o litoral baiano com um mar prateado pela lua cheia. No domingo, um almoço reúne todos a bordo, vestidos com o uniforme branco em homenagem à comandante. Segunda-feira é dia de burocracia até no oceano. Hildelene se tranca no escritório para a parte mais formal de seu trabalho, que inclui os preparativos para vistorias nos portos e a prestação de contas.

No sexto dia de viagem, já na costa do Ceará, o trabalho da nova comandante começa com a visita às equipes que atuam no turno da madrugada. “É preciso valorizar os tripulantes que realizam um trabalho silencioso. Se tudo corre bem, todos dormem tranquilos”, ensina. Parecia adivinhar que o dia seguinte seria agitado, de temperaturas altas e mar arisco, na véspera de o Carangola cruzar a Linha do Equador. A tripulação se prepara para subir o rio Amazonas, seguindo procedimentos de navegação em águas restritas.
“Isto significa que o navio fica com restrições de manobras e há instruções a serem seguidas”, explica Hildelene. A primeira orientação é passar o sistema de direção do modo automático para o manual. Ou seja, nos próximos três dias haverá um marinheiro no timão sob as ordens diretas da comandante. Durante a navegação pelo Amazonas, o navio ganha outros ares. A paisagem da viagem muda. O azul do mar dá lugar às águas escuras do rio e, mesmo de longe, já se consegue avistar o verde da floresta.

Andrey Reinert, prático que conduziu o navio, revela um momento curioso. Durante a madrugada, enquanto subia o rio, o Carangola cruzou com o navio Floriano, que já pertenceu à frota da Transpetro e foi vendido neste ano a uma empresa da Índia que vai reaproveitar suas peças. Por rádio, o prático da outra embarcação perguntou se aquele era o navio da comandante Hildelene. “Confirmei que sim, e ele imediatamente comentou com o comandante indiano que era um fato histórico”, conta Reinert.

Apesar da rigidez dos procedimentos em águas fluviais, o sábado seguinte, décimo dia de viagem, é de descontração. Alguns tripulantes recebem certificados de batismo, fazendo jus à tradição marinheira: quem cruza a Linha do Equador pela primeira vez é batizado por Netuno, rei dos mares e dos rios.

É um batismo de fogo também para a comandante. A poucas horas de chegar a Manaus, ela esclarece que a viagem só termina quando descarrega o produto, embora já tenha o sentimento do dever cumprido. Apesar de longo, não houve tempestades no trajeto e, o que é melhor, nenhum motim por parte da tripulação masculina. “Confesso que no início estava preocupada com a reação deles”, ri Hildelene. “Mas encontrei uma equipe muito unida e motivada.” Se houve porventura a bordo algum marujo mais machão que não gostou de ver uma mulher ao leme, ficou a ver navios.

Fonte: Carta Capital

::


Share/Save/Bookmark

O Morro dos Macacos e as armas

::


http://img.terra.com.br/i/2009/07/16/1267054-7492-atm17.jpg



O Morro dos Macacos e as armas

por Wálter Fanganiello Maierovitch

Enquanto existir guerra, haverá esperança. Esta frase sai da boca de Alberto Sordi, no papel de traficante de armas de fogo: o filme é de 1974, com o título Finché c’è Guerra c’è Speranza. Quando rodado o filme, 30% da população africana estava envolvida em conflitos intestinos.

Na sexta-feira 16, uma facção do Comando Vermelho (CV), saída, segundo a polícia, do Morro São João, tentou se apropriar de “bocas de fumo” do Morro dos Macacos, território controlado pela organização rival conhecida por Amigos dos Amigos (ADA). Na verdade, repetiu-se o enredo de um clássico da tragédia vivida pela população pobre do Rio de Janeiro e que sempre resulta na morte de civis inocentes: três jovens que voltavam de uma festa foram fuzilados e a polícia os apresentou como “soldados” de facção criminosa. O pedido de desculpa só veio quando os caixões desciam à sepultura.

Mais uma vez assistiu-se ao mesmo enredo de filme. Em abril de 2004, o conflito entre CV e ADA ocorreu na Rocinha e a disputa era pelo maior entreposto de drogas proibidas do Brasil. A família Garotinho, com o varão querendo a função de general de modo a comandar o Exército, prometeu uma guerra contra o tráfico. Só que a Guerra da Rocinha prometida pelo casal Garotinho virou batalha de Itararé, ou seja, como aquela, simplesmente não aconteceu. Enquanto o casal fazia inconstitucionais exigências ao governo federal, a criminalidade organizada aproveitou para subtrair 22 fuzis do arsenal das Forças Armadas.

No confronto, no Morro dos Macacos, chamou a atenção a derrubada de um helicóptero da polícia, alvejado por arma de grosso calibre. O helicóptero era semiblindado e três dos ocupantes morreram. A respeito, apanho na minha hemeroteca um velho recorte do jornal O Globo, edição de 14 de maio de 2007, com duas notícias que, agora, servem para mostrar a irresponsabilidade das autoridades que determinaram, no conflito no Morro dos Macacos, o emprego de helicóptero apenas blindado no assoalho, a transformar policiais em camicases involuntários: 1. “A Secretaria de Segurança Pública do Rio planeja comprar um novo modelo de helicóptero para enfrentar os traficantes. O motivo: o modelo deve ser totalmente blindado. O parcialmente blindado não atende mais às necessidades policiais, já que os traficantes estão cada vez mais bem armados.” 2. “Armas de longo alcance em poder de traficantes vêm obrigando pilotos de helicópteros de empresas de táxi-aéreo a mudarem as rotas para evitar tiros de fuzis.”

No Rio de Janeiro, as organizações criminosas de matriz pré-mafiosa continuam a enriquecer e contam com o suficiente para corromper autoridades e adquirir potentes armas de fogo. Por outro lado, conseguem expandir os territórios e aumentar o controle social. Para aumentar os lucros, entram em guerra para conquistar territórios sob controle de outra associação delinquencial. No caso da intromissão das forças de ordem, também são atacadas, como sucedeu no sábado 17 no Morro dos Macacos.

A velocidade imprimida pela criminalidade organizada para atingir as suas metas é infinitamente superior à empregada pelo Estado no contraste a esse fenômeno. Em boa hora, o governo de Sérgio Cabral substituiu a inócua e perigosa política de war on drugs, de inspiração W. Bush. No México, só neste ano, ela produziu mais de 4 mil mortes e mais da metade das vítimas eram civis, sem qualquer vínculo com os cartéis de drogas.

Cabral substituiu a guerra nos morros, onde a população ficava entre o fogo cruzado de policiais e traficantes, por um policiamento pacificador, de reconquista de territórios e retomada do controle social. O seu governo conta com o apoio federal na reurbanização das favelas, estratégia fundamental. Só que a implantação da “polícia da paz” mostra-se irritantemente lenta. Enquanto isso, o crime migra e se expande.

Quanto às armas e munições, o mercado movimenta anualmente 29 bilhões de dólares. Como as máfias fazem o jogo geopolítico de muitas potências, embolsam 35% do lucro. Só para exemplificar: a CIA prendeu o seu colaborador Sarkis Soganaliam, o maior traficante de armas do mundo. Isso porque ele, sem sua autorização e aliado a Vladimiro Montesinos (eminência parda da ditadura Fujimori e aliado da CIA), vendeu armas para as Farc.

Para nossa vergonha, o Brasil integra o terceiro maior grupo de fabricantes de armas. Para exportar armas, basta a expedição do chamado Certificado de Destinação Final. Se constar que o destino é Angola, nenhum órgão internacional controla a chegada. O armamento poderá, portanto, desembarcar no “narco-Estado” da Guiné Equatorial. E o crime organizado tem interpostos, como no Paraguai, cujos mercadores atendem brasileiros por telefone e internet.

Fonte: Carta Capital

::
Share/Save/Bookmark

Capitalismo à brasileira


As pressões sobre a Vale, o apoio do BNDES às empresas... O mundo não é um faz de conta liberal.


Capitalismo à brasileira

Por André Siqueira e Luiz Antonio Cintra, na Carta Capital

Há um mundo de faz de conta pintado por uma turma de analistas econômicos, frequentadores de certas colunas jornalísticas e restaurantes caros. Nele, o capitalismo brasileiro é fruto pura e simplesmente da livre iniciativa, conforme imaginada pelo escocês Adam Smith no século XVIII. Vívido e criativo esforço de empreendedores agora ameaçados pela intervenção extemporânea e imperfeita do Estado, espécie de ogro capaz de destruir o equilíbrio no reino das fadas do capital.

E há o mundo real. Este, no qual 190 milhões de brasileiros acordam todos os dias com a esperança de arrumar emprego, comprar um carro, casar, ter filhos ou simplesmente conseguir algo para comer antes que a noite chegue. Nesta realidade imperfeita, neste país desigual atrasado por 21 anos de ditadura, Estado e capital vivem uma simbiose. São almas gêmeas. Houve quem achasse – e quem ainda acredite – que a força do segundo reside na fraqueza do primeiro. Mas não há mais o muro de Wall Street para escorar essa ideia.

Mesmo assim, as fadas da capitolândia por vezes se agitam. Como recentemente, no caso da disputa entre a Vale e o governo. Há cerca de dois meses, a maior mineradora do País e a administração Lula oscilam entre o que um integrante do alto escalão do Palácio do Planalto definiu como arengas “levemente, razoavelmente ou bastante feias”. Na segunda-feira 19, pode-se dizer, as conversas poderiam ser classificadas como “levemente feias”. Durante seu discurso na premiação das empresas mais admiradas no Brasil, organizada por CartaCapital, Lula fez questão de tecer elogios a Roger Agnelli, principal executivo da Vale. Hora antes, Agnelli havia anunciado investimentos de 24 bilhões de reais no ano que vem. No evento, o presidente e o executivo, aplaudidos com entusiasmo oceânico pela plateia, se esforçaram para demonstrar ânimos apaziguados.

A retomada dos investimentos da Vale, após os cortes bruscos de empregos e novos projetos no auge da crise mundial, certamente contribui para melhorar o clima. Mas a queda de braço está longe do fim. Agnelli é sustentado na presidência da mineradora pelo Bradesco, que detém 17,4% das ações da Valepar. A japonesa Mitsui, dona de 15%, prefere manter certa neutralidade. A Previ, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, com 58,1%, e a BNDESpar, com 9,5%, exigem mudanças na estratégia da empresa, alinhados com o Planalto, que gostaria de mais investimentos em siderúrgicas em vista da perspectiva de ampliação do consumo nos próximos anos.

Além disso, a atividade mineradora está escorada em concessões públicas, o que torna ainda mais factíveis eventuais interferências do Estado nos rumos da companhia. O governo também critica a condução das negociações com os japoneses da Baosteel, que, após idas e vindas da mineradora brasileira, desistiram de instalar uma siderúrgica no País. A desistência teria ocorrido diante das dificuldades em obter a aprovação para a construção da usina.

O ingresso da mineradora no ramo do aço é visto em Brasília como estratégico. Vai além, inclusive, do discurso de Lula, para quem a empresa deveria exportar “mais valor agregado e menos minério”. A maior preocupação diz respeito aos planos de investimento da Petrobras, que preveem a contratação de fornecedores locais de navios, equipamentos de exploração e plataformas de petróleo – o que deverá puxar a demanda doméstica e periga deixar a cadeia petrolífera sujeita às oscilações internacionais no preço da commodity metálica.

As preocupações do governo não se restringem aos passos da Vale. As demais empresas e setores foram entregues aos cuidados do ex-professor de Economia da Unicamp Luciano Coutinho, chamado de “craque” por Lula em conversas privadas. O BNDES detém participações relevantes no capital de mais de 140 empresas e tem assento em quase 30 diferentes conselhos de administração.

O banco foi financiador e avalista da maioria dos grandes arranjos setoriais realizados no Brasil nos últimos anos, desde a reorganização dos ativos petroquímicos até as polêmicas fusões da Oi com a Brasil Telecom e da Sadia com a Perdigão. No auge da crise, após receber aporte de 100 bilhões de reais do Tesouro, reservou 25 bilhões à Petrobras, que enfrentou problemas para captar dinheiro no exterior.
“Damos suporte aos campeões emergentes que o sistema empresarial brasileiro, pelos seus méritos, produziu”, afirma Coutinho.

O debate sobre o papel do Estado no setor empresarial é antigo e, se ainda não caducou no resto do mundo, no Brasil é certo que ainda vai render acalorados debates. Fora as consolidações ainda em andamento, como a da indústria de alimentos, o BNDES de Coutinho mantém estudos sobre possíveis reestruturações, com vistas à formação de grandes conglomerados, em setores como o siderúrgico, o farmacêutico e o petroquímico. Neste último caso, ocorreria um segundo rearranjo, com a aquisição da Quattor pela Braskem, por enquanto não confirmada pelas companhias.

Acadêmico ligado à corrente desenvolvimentista, Coutinho estava cotado para uma posição no governo desde o início da era Lula. Eventuais resistências de liberais a seu nome foram minadas pelo desempenho como consultor de grandes companhias e o entusiasmo pela formação de um time de múltis brasileiras. Coutinho foi um dos artífices da formação da AmBev. E participou de uma frustrada tentativa de unir a Varig à TAM, em 2004.

“Se há no governo federal uma pessoa treinada para pensar a longo prazo, é o Luciano Coutinho. Ele restaura a tradição do banco com instrumentos mais modernos e formas mais ágeis de ação. Tem uma vantagem diante de muitos outros gestores públicos porque respeita o mercado”, afirma o economista-chefe do Bradesco, Octavio de Barros, de quem o presidente do BNDES foi colega na Unicamp. “Pode-se criticar pontualmente essa ou aquela estratégia, mas, para um país que desaprendeu a investir, a ação do BNDES é um alento. Por outro lado, acho que é importante envolver cada vez mais o setor privado no ciclo de investimentos de infraestrutura e de energia que o Brasil terá pela frente nos próximos dez ou quinze anos.”

Se a sua capacidade de trabalho é reconhecida, também fica evidente que a política de estimular a formação de empresas de capital nacional que possam ser consideradas “campeãs mundiais”, como defende Coutinho, traz consigo sérios riscos à concorrência na economia brasileira.

Um desses efeitos colaterais é apontado pelo economista Ricardo Machado Ruiz, especialista em política industrial e professor na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). “Criar uma grande empresa de porte global a partir da fusão de duas pequenas não é algo trivial. Se simplesmente se “amarram” duas companhias médias, o resultado será uma empresa “grande-pequena”, diz o economista. “A criação de grandes empresas nacionais pelo BNDES é importante, mas o objetivo deve ser gerar ganhos de eficiência significativos que sustentem uma internacionalização com maior probabilidade de sucesso”, afirma.

Não é isso, necessariamente, o que se viu em todos os grandes negócios fechados com aval do BNDES, alguns dos quais atenderam menos a diretrizes de política industrial do que a necessidades imediatas de caixa. Foi o caso da incorporação da Sadia pela Perdigão, após a primeira revelar que havia sofrido perdas bilionárias em operações com derivativos após a quebra do Lehman Brothers, em setembro de 2008. As trapalhadas no mercado cambial exigiram ainda o apoio do banco à transferência do controle da Aracruz para a VCP, do Grupo Votorantim. Os efeitos da crise também renderam aos Ermírio de Moraes a entrada do Banco do Brasil como sócio na instituição financeira da família. Nesses casos, a atuação do governo lembrou os tempos em que BNDES e BB eram convocados prioritariamente para socializar prejuízos decorrentes de desastres privados.

O risco de estimular a criação de empresas com grande poder de fogo no mercado interno pode causar desespero em fornecedores e clientes. É esse um dos motivos para as crescentes manifestações contrárias à fusão da Sadia e da Perdigão na Brasil Foods (BRF), que contou com indispensável colaboração do banco estatal.

O tema tem sido objeto de discussões na Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados nas últimas semanas. Na quarta-feira 21, uma subcomissão com parlamentares de Santa Catarina, Paraná e do Centro-Oeste, regiões onde a agricultura e a pecuária são fortes, encaminhou um requerimento em que solicita a presença de Coutinho para “esclarecer dúvidas” em relação aos efeitos do negócio para agricultores de menor porte e cooperativas e discutir a atuação do banco no setor agropecuário. “O BNDES não pode privilegiar só as grandes empresas. E precisa tratar melhor os pequenos, que levam de seis a oito meses para ter uma operação aprovada”, diz o deputado federal Odacir Zonta (PP-SC), autor do requerimento.

Entre as operações objeto de questionamentos está o caso do frigorífico Independência, que entrou em processo de recuperação judicial pouco tempo após obter do BNDES um aporte de 200 milhões de reais. Nesse caso, reclamam parlamentares, faltou ao banco justamente aquilo que Coutinho mais se gaba de ter, a perícia técnica. Ou a recente compra da Seara, divisão de carnes da americana Cargill, pela Marfrig Alimentos, um negócio de 700 milhões de dólares que também contou com o apoio do banco e deixou insatisfeitos pecuaristas e cooperativas. Criou um conglomerado com nada menos que 60 mil funcionários.

O caso da Marfrig ilustra outro ponto delicado da política do BNDES. Para manter a participação no frigorífico, no qual detém 14,66% do capital, o banco estuda fazer novo aporte de recursos. A informação, divulgada em depoimento na Câmara, na quinta-feira 22, por André Mendes, gerente de mercado de capitais do banco, foi acompanhada da explicação de que o banco não participara da decisão de comprar a Seara, por não possuir assento na diretoria da empresa.

Ainda na área dos frigoríficos, o BNDES tornou-se o principal financiador da acelerada expansão do JBS Friboi. A última tacada do grupo foi dada em setembro, no anúncio conjunto da aquisição da americana Pilgrim’s e de uma união com o rival Bertin (do qual o banco também participa). O BNDES ficou com uma participação de mais de 20% na maior produtora de carne bovina do mundo.

Um dos argumentos de quem defende a entrada do BNDES em operações de setores problemáticos ou atrasados é que o banco acaba por agir a favor da chamada governança corporativa. Ou seja, pode exigir mais transparência na gestão, adoção de práticas socioambientais moderadas e compromisso com o País. Como o mercado de capitais brasileiro ainda não atingiu sua maturidade, o banco estatal é o único capaz de contribuir efetivamente para a modernização do setor privado.

O professor da Fundação Dom Cabral Álvaro Cyrino, coordenador do ranking das empresas mais internacionalizadas do Brasil, se diz “absolutamente contrário à figura do Estado empresário”. Mas ressalva que, historicamente, todos os países capitalistas desenvolvidos mantiveram, e ainda mantêm, políticas claras de apoio aos grandes grupos nacionais. “Foi assim que surgiram as potências. Somente a partir da década de 90, com a ascensão do modelo neoliberal, organismos como o FMI e o Banco Mundial começaram a considerar economicamente incorreto colocar os interesses dos governos à frente dos interesses das empresas”, afirma. “O próprio Brasil já teve políticas muito mais ativas com relação às empresas, sobretudo nos anos 70, mas todas foram abandonadas na década passada.”

Poucos grupos, entre os de maior presença no exterior, segundo Cyrino, galgaram posições sem recorrer aos cofres do BNDES. A Gerdau, no topo da lista, tem 3,5% de ações nas mãos da BNDESPar, para citar só um exemplo. “Investir nesses grupos não é um mau negócio, mas é preciso cuidado para que eles não se tornem obstáculos à livre concorrência”, defende o especialista.

A crise financeira internacional deixou evidente que não existe essa história de Estado mínimo. Tudo não passa da eterna disputa pelo butim do Tesouro Nacional, controlador da emissão de moeda e responsável pela arrecadação dos impostos. Estado reduzido significa que alguém, e não necessariamente a maioria, embolsa o excedente produzido pela esfera pública. O segredo das economias de sucesso no mundo contemporâneo (e no anterior, a bem da verdade) é saber dosar o estímulo à liberdade empresarial e os interesses nacionais legítimos.

Fonte: Carta Capital

::


Share/Save/Bookmark

Oposição da Venezuela tem mais cabeça que a do Brasil

::


Imagine se o Chávez tivesse uma oposição como a brasileira. Aí mesmo é que ele ia deitar e rolar ...

Imagine se o Chávez tivesse uma oposição como a brasileira. Aí mesmo é que ele ia deitar e rolar ...



Oposição da Venezuela tem mais cabeça que a do Brasil

por Paulo Henrique Amorim

Amigo navegante liga para dizer que teve o desprazer de assistir ao Bom (?) Dia Brasil e viu a urubóloga Miriam Leitão, perplexa, afirmar que ATÉ a oposição da Venezuela quer que a Venezuela entre para o Mercosul.

ATÉ a oposição da Venezuela.

A oposição da Venezuela acha que só o Brasil, no Mercosul, segura o Chávez.

Quem não quer a oposição na Venezuela é o PiG (*) – a urubóloga Miriam Leitão à frente – e o senador tucano Tasso “tenho jatinho porque posso” Jereissati.

Para a urubóloga e o feliz proprietário de jatinho, o Chávez é incontrolável …

Que horror.Link

Até a oposição da Venezuela é mais competente que o partido do PiG (*) e seu sucedâneo no Congresso, o PSDB…


(*)Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

Fonte: Conversa Afiada

::
Share/Save/Bookmark

Até a Hipólito chama Zé Pedágio às falas. Tenha coragem, Serra !

::


Agora ele vai ter coragem. A Hipólito ele ouve

Agora ele vai ter coragem. A Hipólito ele ouve


O Conversa Afiada reproduz comentário do amigo navegante Diogo:

PHA,

Olha só o recado que a Lúcia Hipólito mandou para o Zé Pedágio:

http://oglobo.globo.com/pais/noblat/luciahippolito/#236311

Serra, por sua vez, receia anunciar já a candidatura à presidência e ver sua administração em São Paulo paralisada pela ação dos sindicatos. É uma decisão difícil.

Mas é fraco o argumento do governador de que Dilma ainda não se assumiu como candidata e, portanto, ele tampouco teria que fazê-lo.

Dilma é candidatíssima. Só não o será se houver uma hecatombe. Só falta o anúncio oficial.

Já Serra…

Não há, nem no campo do governo nem no campo da oposição certeza absoluta de que José Serra será mesmo candidato à presidência da República.

O que parece é que o governador quer ter uma eleição garantida.

Mas política é assumir riscos. Eleição, então, é salto triplo sem rede.

Não dá para esperar ter tudo garantido. Aí não é eleição. É nomeação.

Chamou na chincha!

Também, se até da Xuxa ele levou pito…

Um abraço.
Diogo.



por Paulo Henrique Amorim

No obituário que a revista Piauí publicou sobre Zé Pedágio – clique aqui para ler as estarrecedoras revelações sobre ele – alguém diz que Zé Pedágio só ouve as mulheres.

Se for assim, com a pressão irresistível da Hipólito, ele acaba dominado por um raro sentimento de coragem e diz logo que é candidato.

Clique aqui para ler sobre o ultimato que Aécio lhe deu

E aqui para ler “o PiG substitui a oposição”

E aqui para ver que, segundo Gramsci, na Itália também era assim, porque não havia partidos (como aqui Lula sufocou a oposição – clique para ler )

E aqui para votar na trepidante enquete: “quem merece a vassoura de ouro ?”

Fonte: Conversa Afiada

::
Share/Save/Bookmark

Banda larga do Serra e da Telefônica não é banda nem larga

::


Tinha que ser coisa de tucano paulista

Tinha que ser coisa de tucano paulista


Banda larga do Serra e da Telefônica não é banda nem larga

O Conversa Afiada reproduz a sugestão dos amigos navegantes Fernando e José Luiz Couto:

JOSÉ LUIZ COUTO
Enviado em 29/10/2009 às 9:11

Paulo Henrique
Assim não dá. A Telefonica tá boicotando o Serra. A Telefonica virou a casaca para ajudar a eleição da Dilma. Bye Bye Serra 2010.

Telefônica exigirá que usuários de Banda Larga Popular paguem assinatura de telefone

Da Redação

A Telefônica, única operadora a aderir ao programa Banda Larga Popular do governo de São Paulo, deve cobrar assinatura de telefone para quem quiser ter internet rápida por R$ 29,80 mensais. O pacote de voz mais barato da empresa sai por R$ 24,90. Assim, a conta, que não deveria passar de R$ 30 por mês, conforme decreto assinado pelo governador do Estado de São Paulo José Serra, sairá por R$ 54,70.
Entretanto, a cobrança de qualquer serviço adicional ao pacote de banda larga é proibida pelo governo no decreto 54.921, que regulamenta o programa.

http://tecnologia.uol.com.br/ultnot/2009/10/29/ult4213u871.jhtm

Leia também o que o Conversa Afiada já publicou a respeito do assunto:

Cadê os investimentos da Telefônica ? Pergunte ao FHC !

“Banda larga” do Serra tem cheiro de mutreta

“Banda larga” do Zé Pedágio não é banda nem larga

Teletime: órfãos das teles não querem ampliação da banda larga no Brasil

A quem serve a banda larga do Serra ? À Telefônica

Universalização da banda larga é com dinheiro do Estado. No mundo inteiro

Lula chama Globo na chincha. E Globo começa a ir à Confecom

Virgílio Freire: Estadão é contra inclusão digital do governo Lula

Lula resolve meter a mão na banda larga. Pobre, preto e p … também vão ter acesso

Governo Lula decide tomar conta e instalar a banda larga no país inteiro. O fim do PiG(*) está próximo.

O que o Governo quer sobre telecomunicações, banda larga? Quem manda?

Lula quer banda larga no interior até 2014.
Bye-bye PiG (*)

Apagão atinge banda larga 3G

Deputado tucano pede intervenção da Anatel na Telefônica

Por que a telefonia de São Paulo apaga. Vamos comprá-la de volta


Fonte: Conversa Afiada

::
Share/Save/Bookmark

Globo: Lula não derrubou o avião da TAM. Mas é responsável pela epidemia de crack

::


Na foto, o Palácio do Planalto, segundo o Camel(*)

Na foto, o Palácio do Planalto, segundo o Camel(*)


Saiu na primeira página do Globo :

“Um descaso federal – equipamento de combate ao tráfico apodrece no Rio… 55 esteiras de raios X … permanecem encaixotados desde que chegaram … em 2007.”




por Paulo Henrique Amorim

Logo, conclui-se, o aeroporto Tom Jobim transformou-se no maior duto de drogas do mundo, por culpa do Presidente Lula.

O jornal nacional está em plena campanha – clique aqui para ler -, há alguns dias, para responsabilizar o presidente Lula pela epidemia de crack.

Logo agora, depois de inquéritos da Aeronáutica e da Polícia Federal concluírem que o Presidente Lula não estava na cabine de comando, nem deixou de puxar o freio do avião da TAM que explodiu em Congonhas.

Portanto, caiu por terra a prova irrefutável do então repórter do jornal nacional, Rodrigo Bocardi, que demonstrou, de forma categórica, que uma poça d’água da espessura da moeda de um Real, ali depositada pela incompetência do Presidente Lula, tinha sido a causa da tragédia.

Não dá mais para responsabilizar o Presidente Lula, como, na ocasião, fez o Governador Zé Pedágio.

Clique aqui para ler

O jeito agora é responsabilizá-lo pela epidemia de crack.

E o crack tem vantagens, para o Ali Camel (*).

Primeiro, porque a culpa é do Lula.

Segundo, porque, em São Paulo, ninguém vende ou compra crack.

Ou seja, com uma pedra de crack, o Camel (*) derruba o presidente Lula e transfere as Olimpíadas para Madrid.

Em tempo: a coisa deve estar feia lá na Globo.
Clique aqui para ler “Lula vai à Record e espinafra a Globo”
Já imaginou a Cristina Kirchner aprovar uma Ley de Medios ?

(*) Ali Camel é aquele que se utiliza da Globo para povoar mentes desérticas e disseminar idéias conservadoras e golpistas (sem muito sucesso).

Fonte: Conversa Afiada

::
Share/Save/Bookmark

Os carniceiros da tragédia

::

http://blig.ig.com.br/brokenarrow/files/2009/09/acidente_tam_3054.jpg


Os carniceiros da tragédia

por Urariano Mota*, em
Direto da Redação

Recife (PE) - Os jornais de hoje revelam, de passagem, que a causa decisiva do desastre da TAM em julho de 2007, em São Paulo, foi a posição incorreta do manete direito, que controla a potência da turbina direita do avião. Agora. Mas enquanto houve sangue fresco e restos de pessoas, o comportamento da mídia não foi assim.

Na época, houve um circo de horrores maior que o número de mortos. Na televisão, nos periódicos, nas revistas, pulavam de alegria diante de mais uma desgraça onde o culpado seria o governo brasileiro. Repórteres obedientes à orientação da pauta, articulistas que viraram autoridades, mais pareciam papa-defuntos. Na Folha de São Paulo, por exemplo, em 19 de julho se publicou:

“O que ocorreu não foi acidente, foi crime

Gostaria imensamente de ter minha dor amenizada por uma manchete que estampasse, em letras garrafais, ‘GOVERNO ASSASSINA MAIS DE 200 PESSOAS’. O assassino não é só aquele que enfia a faca, mas o que, sabendo que o crime vai ocorrer, nada faz para impedi-lo. O que ocorreu não pode ser chamado de acidente, vamos dar o nome certo: crime.... Talvez o presidente não se importe tanto, afinal, quem viaja de avião não é beneficiário de sua bolsa-esmola, não faz parte do seu particular curral eleitoral cevado com o dinheiro que ele arranca de nós. Devem fazer parte das tais ‘elites’, que é como ele escarnece da classe média que faz (apesar do governo) o país crescer”.

E mais se dizia:

“Incompetência, imprudência, tragédia. A despeito das causas do acidente com o Airbus A-320 da TAM, o desastre potencializa a crise da aviação civil, escancara a precariedade do transporte aéreo brasileiro e torna ainda mais urgente uma redefinição ambiciosa e profunda do sistema. É inacreditável que reiteradas demonstrações de inépcia, ao longo de dez meses de crise, não tenham rendido nenhuma demissão no alto escalão do governo Lula”, no editorial.

“E as circunstâncias eram desfavoráveis: chovia, a pista estava escorregadia, as reformas são recentes, faltam as ranhuras (riscos para produzir mais atrito nas rodas).

Pairando sobre o vôo 3054, havia também o Boeing da Gol e dez meses de crise, greve e prisão de controladores, nevoeiros, trocas de acusações, panes de rádios, suspeitas quanto aos radares. Um sistema em xeque. Seus operadores, sob profundo estresse. Pequenos erros podem virar grandes tragédias. E há a falta de comando do governo e a ganância das companhias”.

Para haver justiça, deve ser dito que em toda a grande mídia, dos impressos à televisão, o tom e o clima foram de um oportunismo político sem escrúpulo, que poderia assim ser resumido: “Há desgraça, estou presente. Há cadáveres, vou cheirar sua carniça”.

Os devoradores de mortos pareciam não saber de um limite para o horror. A Rede Globo de Televisão deu um show de teledramaturgia. As chamadas foram um primor de folhetim: “O maior desastre da aviação brasileira ... Duas tragédias em dez meses... Tristeza e indignação na madrugada em São Paulo... A aflição das famílias das vítimas em Porto Alegre... O medo de quem mora próximo a Congonhas”. Eram mostrados fogo, choro, convulsões, desespero, e reconstituições por recursos de computador, que misturados à narração do... repórter ....eram uma aula de insuflar emoção nas... reportagens. Lágrimas, choros, prantos, fotos de crianças mortas, de jovens sem vida no vigor dos seus anos.

Imagens do assessor especial do Presidente foram mostradas, um dia depois, no interior da sua sala, a fazer gestos que significavam coito, “estão fodidos”. Um escárnio, um insulto à memória das vítimas, porque o governo estaria a comemorar uma nova versão para os mortos.

“Olha, foi uma das cenas mais dantescas, mais cruéis que eu já vi. A nação inteira, inteira chorando, o Pan parando pra chorar e o Palácio festejando. O cara levantando as mãos, dizendo que a culpa não é do governo! Claro que é do governo. Agora, mesmo que não fosse do governo, comemorar é uma bofetada no povo brasileiro”, afirmou então o senador Pedro Simon, o paladino da hora.

Mas agora a culpa foi do manete, admitem, sem verniz na cara. Memória de abutre é pequena.

Leia outras crônicas do autor em Sapoti da Japaranduba
Share/Save/Bookmark

Agrotóxicos em seu estômago

::


http://aldoadv.files.wordpress.com/2009/05/agrotoxicos.jpg


Agrotóxicos em seu estômago

por João Pedro Stedile*, na Adital

Os ricos sabem do que estamos falando e tratam de consumir apenas produtos orgânicos. E você precisa decidir-se. De que lado está?

Os porta-vozes da grande propriedade e das empresas transnacionais estão muito bem pagos para poder defender, falar e escrever todos os dias que no Brasil já não existe mais problemas agrários. Por fim, a grande propriedade está produzindo muito mais e tendo mais benefícios. Portanto, o latifúndio já não é um problema para a sociedade brasileira. Será verdade?

Tampouco vou abordar o tema da injustiça social da concentração da propriedade da terra, que faz com que apenas 2%, ou seja, 50.000 latifundiários sejam donos da metade de toda nossa natureza, enquanto que temos 4 milhões de famílias sem direito a ela.

Falarei das consequências para você que habita na cidade da adoção do modelo agrícola do agronegócio. O agronegócio é a produção em grande escala, em monocultivos, empregando muitos agrotóxicos e maquinaria. Usam venenos para eliminar as outras plantas e não contratar mão de obra. Com isso, destroem a biodiversidade; alteram o clima e expulsam cada vez mais famílias de trabalhadores rurais de suas terras.

Na colheita passada, as empresas transnacionais, e são poucas (Basf, Bayer, Monsanto, DuPont. Sygenta, Bunge, Shell química...), celebraram porque o Brasil se tornou o maior consumidor mundial de venenos agrícolas. Foram vertidos 173 milhões de toneladas! Uma média de 3.700 quilos por cada brasileiro. Esses venenos são de origem química e permanecem na natureza. Degradam o solo. Contaminam as águas. E, sobretudo, acumulam-se nos alimentos. Os cultivos que mais usam venenos são: a cana de açúcar, a soja, o arroz, o milho, o tabaco, o tomate, a batata, a uva, as cerejas e as hortaliças. Tudo isso deixará resíduos em seu estômago. E em seu organismo afetam as células e, um dia, poderão transformar-se em câncer.

Perguntem aos cientistas de nosso Instituto Nacional do Câncer, centro de referência da investigação nacional, qual é a principal origem do câncer, depois do tabaco?

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) denunciou que existem no mercado mais de vinte produtos agrícolas não recomendáveis para a saúde humana. Porém, ninguém coloca um aviso nos rótulos dos alimentos, nem os retira das prateleiras. Antigamente, era permitido que a soja e o óleo de soja tivessem apenas 0,2mg/kg de resíduos do veneno glifosato para não causar problemas de saúde. De repente, a Anvisa autorizou que os produtos derivados da soja pudessem ter até 10,0mg/kg de glifosato: 50 vezes mais. Isso aconteceu certamente por pressão da Monsanto, pois o resíduo do glifosato aumentou com a soja transgênica, de sua propriedade.

Isso mesmo está acontecendo agora com os derivados do milho. Depois que foi aprovado o cultivo de milho transgênico, o que aumenta o uso de venenos, querem ampliar a possibilidade de resíduos de 0,1mg/kg (permitido atualmente), para 1,0mg/kg.

Existem muitos outros exemplos das consequências dos agrotóxicos. O doutor Vanderley Pignati, pesquisador da UFMT (Universidade Federal do Mato Grosso), revelou em suas pesquisas que nos municípios onde há grande produção de soja, devido ao uso intensivo de venenos, os índices de abortos e malformações de fetos são quatro vezes maiores do que a média do Estado.

Nós temos defendido que é preciso valorizar a agricultura familiar, camponesa; que essa é a única que pode produzir sem venenos e de maneira diversificada. O agronegócio, para ter escala e obter grandes benefícios, somente consegue produzir com venenos e expulsando aos trabalhadores para as cidades.

E você paga a conta com o aumento do êxodo rural, das favelas e com o aumento da incidência do veneno em seus alimentos.

Por isso, defender a agricultura familiar e a reforma agrária, que é uma forma de produzir alimentos saudáveis, é uma questão nacional, de toda a sociedade. Não é mais um problema dos sem terra. E é por isso que cada vez mais o MST e a Via Campesina se mobilizam contra o agronegócio e contra as empresas transnacionais; é por isso que seus veículos de comunicação e seus deputados e senadores nos atacam tanto. Porque estão em disputa dois modelos de produção. Está em disputa a que interesses a produção agrícola deve atender: somente o benefício ou a saúde e o bem estar da população?

Os ricos sabem do que estamos falando e tratam de consumir somente produtos orgânicos. E você precisa decidir-se. De que lado está?

* Membro da coordenação nacional do MST e da Via Campesina Brasil

Fonte: Adital

::


Share/Save/Bookmark

Só EUA, Israel e Palau defendem bloqueio contra Cuba

::

Só EUA, Israel e Palau defendem bloqueio contra Cuba

Mais uma vez, a Organização das Nações Unidas condenou o bloqueio aplicado pelos Estados Unidos contra a ilha. Em uma nova votação, 187 países disseram não ao bloqueio, deixando em uma posição isolada os três únicos defensores da medida: os EUA, Israel e Palau. Proibições e restrições seguem atingindo diversas áreas. Recentemente, a Orquestra Filarmônica de Nova York foi proibida pelo governo norte-americano de se apresentar em Cuba. Governo cubano vê alguns passos positivos de Obama, mas diz que eles ainda são extremamente limitados e insuficientes.

Mais uma vez, a esmagadora maioria dos países do mundo condenou, na Organização das Nações Unidas, o bloqueio imposto pelos Estados Unidos contra Cuba. Este ano, 187 países disseram não ao bloqueio, superando o recorde de votos de 2008, com dois votos a mais. EUA, Israel e Palau voltaram a integrar a pequena lista de países que votou contra o fim do bloqueio.

O governo de Cuba, por sua vez, reiterou que o bloqueio dos EUA contra a ilha permanece intacto e constitui uma violação massiva, fragrante e sistemática dos direitos humanos. “Esse cerco continua sendo uma política absurda que provoca carências e sofrimentos, aparecendo tipificado, na Convenção de Genebra de 1948, como um ato de genocídio inaceitável eticamente”, disse o chanceler cubano, Bruno Rodríguez.

Falando no plenário da Assembléia Geral das ONU, o chanceler acrescentou que essa política é um ato de ignorância e acusou Washington de mentir quando diz que se trata de um assunto bilateral. Rodríguez lembrou que a aplicação extraterritorial das leis do bloqueio, como a Helms-Burton e a Torricelli, também afeta aos demais Estados da ONU e apontou que 56 países sofreram sanções no último período, em função desta legislação. “Essas proibições, desumanas e anacrônicas, não se aplicam somente a Cuba, mas também aos países que vocês representam”, disse.

Ele falou também sobre o impacto do bloqueio, em especial nas áreas da infância, medicina, telecomunicações, alimentação, cultura e ciências. Recentemente, a Orquestra Filarmônica de Nova York foi proibida pelo governo dos EUA de tocar em Cuba.

As 1.941 embarcações que atracaram em Cuba, entre julho de 2008 e julho de 2009, foram proibidas de entrar nos portos dos EUA durante 180 dias. O chanceler destacou ainda que, segundo recentes pesquisas, 76% dos cidadãos estadunidenses se opõem ao bloqueio. Além disso, cresce a pressão do setor empresarial pelo fim do bloqueio. As empresas dos EUA estão proibidas de investir em Cuba e de entrar no mercado da ilha. Isso faz com que as empresas de outros países não sofram a competição das companhias norte-americanas em Cuba.

Ao comentar a prorrogação da aplicação do bloqueio, em setembro deste ano, Rodriguez rechaçou o pretexto do interesse nacional dos EUA, utilizado por Barack Obama. “Nenhuma pessoa séria pode sustentar que Cuba é uma ameaça é uma ameaça à segurança nacional da única superpotência”.

O governo cubano também exigiu o fim da inclusão de Cuba nas listas de supostos Estados patrocinadores do terrorismo e exigiu a libertação de cinco ativistas cubanos presos nos EUA desde 1998. “O presidente Obama tem a oportunidade histórica de mudar essa política e acabar com o bloqueio. Ele tem os instrumentos executivos que permitiriam, agora mesmo, modificar substancialmente a aplicação das medidas de bloqueio”, observou o chanceler, que qualificou como positivos, mas extremamente limitados e insuficientes, diversos passos dados pela Casa Branca para desmontar as duríssimas restrições aplicadas pelo ex-presidente George W. Bush.

“A realidade é que ainda não voltamos sequer à situação de 2004, quando os EUA permitiam um certo nível de intercâmbio com contrapartidas cubanas”.

Fonte: Carta Maior

::
Share/Save/Bookmark

Juanita e o passado sinistro do Itamaraty

::

Juanita e o passado sinistro do Itamaraty

O Ministério das Relações Exteriores atravessou todo o período da ditadura militar como se vivéssemos no melhor dos mundos, enquanto perseguia diplomatas - intelectuais como Antonio Houaiss, Vinícius de Morais, João Cabral de Melo Neto entre muitos. E prestou-se a papéis indignos mesmo antes do golpe de 1964. Vale a pena lembrar tais coisas embora neste momento o Itamaraty, com o ministro Celso Amorim à frente, conduza com sucesso uma política externa exemplar.


Há uma particularidade insólita sobre nosso ministério das Relações Exteriores, o velho Itamaraty. Sempre desfrutou de boa imagem, menos por merecê-la do que pela prática nefasta, talvez de muitos anos, de varrer a sujeira para debaixo do tapete. Atravessou, por exemplo, todo o período da ditadura militar como se vivéssemos no melhor dos mundos, enquanto perseguia diplomatas - intelectuais como Antonio Houaiss, Vinícius de Morais, João Cabral de Melo Neto entre muitos. E prestou-se a papéis indignos mesmo antes do golpe de 1964.

Vale a pena lembrar tais coisas embora neste momento o Itamaraty, com o ministro Celso Amorim à frente, conduza com sucesso uma política externa exemplar. O que sugere revisitar a questão é a iniciativa de uma cubana de Miami, 76 anos de idade, notória pelo detalhe de ser irmã de Fidel e Raul Castro, de revelar num prolixo livro de memórias (Fidel y Raúl, Mis Hermanos – La Historia Secreta, 432 páginas), ter sido agente da CIA, central de espionagem dos EUA, graças à diplomacia brasileira.

Juanita Castro não fez a revelação nesses termos, mas o que escreveu (ou o que escreveu para ela a co-autora mexicana Maria Antonieta Collins, especialista em livros de auto-ajuda que ensinam dietas, receitas, como lidar com ex-maridos, livrar-se do vício do cartão de crédito, etc) permite chegar a tal conclusão. Sem atribuir explicitiamente a carreira de espiã à nossa diplomacia, ela diz ter sido recrutada para a atividade pouco nobre através da mulher do embaixador Vasco Leitão da Cunha, que então servia em Havana.

O péssimo exemplo da embaixatriz

É conveniente esclarecer que, entre outras coisas, agora Juanita se diz traída duas vezes - uma pelo irmão Fidel, a outra pela CIA e os EUA. No primeiro caso, a gente entende: como governante Fidel optou por cuidar dos problemas do país, não dos interesses da família. Quanto ao país que a recebeu, queixou-se de que a CIA no governo do presidente Nixon, eleito em 1968, pediu a ela para mudar o discurso e sustar os ataques a Cuba e Fidel - ou seja, dizer o contrário do que dizia até então.

Mas voltemos à diplomacia. Como chefe da missão do Brasil, o embaixador Leitão da Cunha recebera Juanita como asilada em 1958, ainda no governo JK. Ela alegara correr risco por ser irmã de Fidel, então líder dos guerrilheiros que lutavam contra o ditador Fulgencio Batista. Vitoriosa a revolução no primeiro dia de 1959, ela deixou a embaixada. E em 1961, depois do fracasso (em abril) da invasão da CIA (na baía dos Porcos) a embaixatriz Virginia Leitão, ciente da atividade dela contra o governo revolucionário do irmão, chamou-a para uma conversa. E sugeriu que passasse a colaborar “com uns amigos que conhecem seu trabalho (contra o governo) e querem ajudá-la”.

De acordo com a versão, Virginia encarregou-se de promover o encontro de Juanita com um dos “amigos”, Tony Sforza, então usando o codinome “Enrique”, depois de ter atuado um tempo sob o disfarce de jogador e frequentador de cassinos, com o codinome “Frank Stevens”. Logo depois Juanita passava a operar como agente da CIA em território cubano, com o codinome “Donna”. A se acreditar no livro, durante quase três anos (até 1964, quando foi para os EUA), ela “protegia”, inclusive escondendo em sua casa, críticos e opositores da revolução.

As relações promíscuas de diplomatas

Daí em diante Juanita foi usada permanentemente pela CIA como arma de propaganda. A ligação dela com a espionagem americana não era segredo. Já em 1975, no seu livro Inside the Company - CIA Diary, o ex-espião Philip Agee, citou-a como “agente de propaganda da CIA”. E num livro póstumo de 2005, Spymaster - My Life in the CIA, o célebre Ted Schackley, controvertido ex-chefe de operações da agência, revelou publicamente, pela primeira vez, que o contato da CIA com Juanita Castro tinha sido feito através da embaixatriz brasileira Virginia Leitão da Cunha.

Difícil é entender porque o fato ainda era ocultado no Brasil e porque não se tenta saber mais sobre as relações promíscuas de diplomatas e gente direta ou indiretamente ligada ao Itamaraty, dentro e fora do país? O mesmo livro que fizera (em 1975) a primeira referência à relação de Juanita com a CIA também registrara que no Uruguai, na década de 1960, o embaixador brasileiro Manuel Pio Corrêa atuara como espião da CIA.

Mas só em julho de 2007, graças a série de reportagens do Correio Braziliense durante quatro dias seguidos, o país soube a extensão do papel de Corrêa. Depois de passar pelo Uruguai e pela Argentina ele foi premiado com a secretaria geral do Itamaraty e usou o cargo - e os superpoderes recebidos no governo Castello Branco - para criar insólita máquina de espionagem no ministério, com alcance mundial. Um certo Centro de Informações do Exterior (CIEX) dedicava-se a monitorar em toda parte, com a ajuda de nossos diplomatas, os exilados brasileiros e críticos do regime militar.

D. Hélder e a espionagem de Pio Corrêa
Por alguma razão desconhecida a grande mídia do resto do país, cúmplice do golpe de 1964 e beneficiária da ditadura durante 20 anos, preferiu praticamente ignorar o conteúdo daquelas reportagens. Mas um dos efeitos conspícuos da ação do CIEX pode ter sido a campanha mundial orquestrada pela diplomacia brasileira para impedir a concessão do prêmio Nobel da Paz ao arcebispo Hélder Câmara, que denunciava torturas e abusos contra os direitos humanos no Brasil. A maquinação torpe devia ser hoje motivo de estudo e repúdio na formação dos futuros diplomatas.

Mas os segredos do Itamaraty, ao contrário, parecem intocáveis. No seu livro de memórias, O mundo em que vivi, o próprio Pio Corrêa, ao negar perseguição a Vinícius de Moraes (que se desligou, alega ele, num acordo amistoso) vangloriou-se de ter demitido “pederastas”, “vagabundos” e “bêbados”. Houaiss e João Cabral já eram perseguidos antes da ditadura, como alvos de campanha macarthista liderada, ainda no início da guerra fria, pela Tribuna da Imprensa ao tempo de Carlos Lacerda, que os denunciava como subversivos em manchetes de primeira página.

Seria no mínimo saudável arejar esse passado recente e não perpetuar o sigilo. O Itamaraty foi suspeito antes de ocultar seus erros e ainda os gastos elevados, como se fosse uma caixa preta. O fato de alguém como Virginia Leitão da Cunha - cujo marido ocupou altos cargos, foi até ministro do Exterior da ditadura - ter atuado como espiã a serviço de potência estrangeira, dentro da embaixada brasileira, e recrutado agente para serviço de espionagem de outro país, é vergonha que tem de ser exposta à execração pública, para o exemplo nunca ser seguido. E se deixar de ser feita coisa parecida em relação aos Pio Corrêa da vida, a impunidade funcionará como estímulo no futuro ao mesmo comportamento deprimente - que revela subserviência e rebaixa a qualidade de nossa diplomacia.

Blog de Argemiro Ferreira


Share/Save/Bookmark

O PiG (*) substitui a oposição e se torna a oposição!

::

Na Divina Comédia de Dante Aligheri, Cérbero era o cão faminto na porta a atormentar os gulosos. (Ilustração: Gustavo Doré)

Na Divina Comédia de Dante Aligheri, Cérbero era o cão faminto na porta do inferno a atormentar os gulosos. (Ilustração: Gustavo Doré)


Ex-comunistas, Dora Kramer e Míriam Leitão apontam para a oposição os rumos e a resposta à velha máxima de Lênin: “o que fazer?”

por Olímpio Cruz Neto


Jornalista com mais de 20 anos de profissão e passagem por alguns dos principais jornais brasileiros – Folha, Globo, JB, Zero Hora e Correio –, sei como funcionam as grandes redações. A linha editorial de cada veículo é definida pelos donos dos veículos e seguida à risca pelos editores e colunistas. É a regra do jogo. Entra nele quem quer.

Da janela do meu trabalho, aqui em Brasília, admito que surpreendo-me muito pouco com o comportamento da grande imprensa. Mas, quando tais surpresas revelam essa lógica estranha da inversão de papéis, é difícil acreditar. No jogo político, a imprensa agora é a principal protagonista. À oposição, resta seguir as orientações gerais de colunistas.

Assistindo à palestra de Paulo Henrique Amorim, na última segunda-feira, num evento realizado pela Escola Livre de Jornalismo e Iesb, vi a reação da platéia à uma declaração do veterano jornalista, blogueiro à frente do Conversa Afiada. Provocador e sarcástico, ele bateu duro ao dizer que, no Brasil, agora “não há mais política partidária, não há mais negociação política. Hoje, a política se trava no PIG”. A sigla é o que Paulo Henrique alardeia como “Partido da Imprensa Golpista”.

Ataques

Pode parecer um exagero de retórica. Mas não é. De fato, quem orienta o carnaval da oposição não são os líderes demos e tucanos. São jornalistas. Claro, os jornalistas da grande imprensa. Quem acompanha os jornalões e os telejornais sabem do que estou falando. A virulência de alguns colunistas na hora de bater no governo Lula é sempre maior do que a medida em qualquer outro momento da história recente.

“Porrada, nos caras que não fazem nada!” A máxima daquela canção dos Titãs é empregada com um vigor messiânico. Mas, agora, não apenas contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. É contra a própria oposição. Escolhi aqui dois artigos de duas das mais importantes colunistas da imprensa nacional, Dora Kramer e Míriam Leitão, para mostrar como o protagonismo político migrou do Congresso Nacional para as redações de dois dos mais influentes jornais do país: O Globo e O Estado de S.Paulo.

O tom de indignação, a verve colérica das duas experientes jornalistas se voltaram, nas últimas semanas deste mês de outubro, exatamente a um ano das eleições presidenciais, não apenas contra o governo do PT. Também contra os líderes do PSDB e Democratas. Tome-se o artigo “Uma nação de cócoras”, de autoria de Dora Kramer, publicada no Estadão em 15 de outubro.

A colunista mostra-se irritada com a falta de firmeza dos dirigentes oposicionistas, diante das peripécias de Lula, que ousou ir até às margens do São Francisco para participar de uma “vistoria” das obras de transposição do rio.

Lições

Escreve Dora Kramer: “Objetivamente: qual a necessidade de o presidente da República passar três dias vistoriando obras do projeto de transposição das águas do Rio São Francisco em quatro Estados, na companhia de uma vasta comitiva de ministros, entre eles a chefe da Casa Civil?” Ela mesma responde: “(…) como o objetivo não é verificar coisa alguma e a publicidade pura e simples, no caso, não cumpre o objetivo, o presidente Luiz Inácio da Silva ocupa três dias úteis dos raros que tem passado no país com uma turnê de acampamentos e pronunciamentos de caráter pura e explicitamente eleitoral”.

O esporro geral da jornalista é na oposição: “Mas o que espanta já não é mais o que Lula faz. O que assusta é o que deixam que ele faça. E pelas piores razões: uns por oportunismo deslavado, outros por medo de um fantasma chamado popularidade, que assombra – mas, sobretudo, enfraquece – todo o país. Fato é que os poderes, os partidos, os políticos, as instituições, as entidades organizadas, a sociedade estão todos intimidados, de cócoras ante um mito que se alimenta exatamente da covardia alheia de apontar o que está errado. Por receio de remar contra a corrente, mal percebendo que a corrente é formada justamente por força da intimidação geral, temor de ser enquadrado na categoria dos golpistas”.

O tom leninista da camarada Dora Kramer é de um chamamento geral. Como diria o presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, é preciso chamar os tucanos e os demos “às falas”. E ela o faz: “O governador de Minas, e de forma mais contida o de São Paulo, José Serra, acham que fazendo vista grossa a todo e qualquer tipo de transgressão estão sendo politicamente espertos, quando apenas fogem de suas responsabilidades como homens públicos que se pretendem ‘íntegros’, conforme pregou outro dia o governador Serra. Não contestam coisa alguma, coonestam e assim vão amaciando, ‘respeitosamente’, o caminho rumo ao Palácio do Planalto”.

Desencanto

O desencanto com os próceres da oposição também atravessou 400km que separam São Paulo do Rio de Janeiro para ganhar um lustro mais vistoso de Míriam Leitão. A fúria foi despejada ontem pela jornalista de O Globo, que também atua na rádio CBN, na GloboNews e na TV Globo. Em sua coluna no diário da família Marinho, na edição desta terça-feira, 27 de outubro, também ela resolveu ocupar o vácuo e assumir o papel de ideóloga. No artigo “O papel da oposição”, ela afirma que “a oposição tem medo da popularidade do presidente e acha melhor não apontar suas falhas sequenciais”.

E escreve, sem dó nem pena de tucanos e demos, para reclamar de como o anúncio do pré-sal foi montado para beneficiar a pré-candidata Dilma Rousseff e que os tucanos nada fazem: “O projeto de regulação tem uma sucessão de erros, mas lá estava Serra no lançamento, reclamando apenas dos royalties. Cabe à oposição, de qualquer partido, mostrar os equívocos do caminho escolhido que favorece uma empresa de capital aberto, tira transparência do processo de escolha de investidores e não pesa o custo ambiental da exploração”.

A irritação é grande. Há um certo desencanto. Os tucanos levaram um pito. “O presidente deu uma entrevista em que nem Cristo foi poupado. Tudo o que Serra disse foi uma ironia de pouco alcance: Quando Lula ficou três dias num carnaval fora de hora, em cima de um palanque, com dinheiro público, alegando fiscalizar uma obra, Serra falou algo sobre irrigação nas terras ribeirinhas, e há um movimento de se saber o custo da viagem”.

Parece que as duas colunistas do Estadão e Globo cansaram da falta de ânimo dos líderes da oposição para empunhar uma bandeira que nem eles mesmos sabem quais são. A tática sugerida é: “Vamos lá, partam para cima e destruam”. Os governadores José Serra (SP) e Aécio Neves (MG) não estão seguindo o papel combinado. A plataforma programática, o plano estratégico de ação e as táticas a serem adotadas pelos partidos da oposição estão na mesa. É pegar ou largar. Ambas assumiram a condição de protagonistas do jogo político.

“Cérbero”

As duas colunistas estão hoje na posição do “Cérbero” da grande imprensa. Para quem conhece mitologia grega, sabe que esse era o nome do grande cão de inúmeras cabeças que vigiava o poço de entrada de Hades, o reino subterrâneo dos mortos. A função era deixar as almas entrarem naqueles domínios para jamais saírem. “Cérbero”, contudo, era implacável com os incautos, despedaçando-os em pedaços. Na Divina Comédia de Dante, o cão aparecia no Inferno dos Gulosos.

Curioso é que tanto Dora quanto Míriam, alçadas à condição de guardiãs da grande mídia, ideólogas da oposição e da grande imprensa, tiveram uma juventude de militância em agremiações comunistas. Dora, no antigo PCB. E Míriam, no PC do B.

Isso foi no passado. É lógico que elas amadureceram e deixaram os fundamentos leninistas de lado. Contudo, a conversão aos ideais liberais não tirou delas o raciocínio político claro.

Nessa disputa política, o ativismo das duas seria mais interessante fora das colunas dos jornalões. Seria melhor tê-las no Senado Federal. Ou, quem sabe, numa chapa presidencial. As eleições de 2010 estão aí, e ainda há tempo. Chega de intermediários. Enfim, coloquemos a grande imprensa atrás de votos, disputando com Lula a preferência do eleitorado. Aos mouros da oposição, caberia bater palmas e apoiá-las.

Só há um risco: a derrota política. É bom lembrar que, na mitologia grega, Hércules apoderou-se de “Cérbero”, subjugando-o.

**********

Segue, abaixo, a íntegra dos artigos de Dora e Míriam. Boa leitura!

Uma nação de cócoras

por Dora Kramer

Objetivamente: qual a necessidade de o presidente da República passar três dias vistoriando obras do projeto de transposição das águas do Rio São Francisco em quatro Estados, na companhia de uma vasta comitiva de ministros, entre eles a chefe da Casa Civil?

Para uma vistoria, engenheiros dariam conta do recado. Para uma prestação de contas à sociedade com a finalidade de mostrar que as obras estão andando, há verbas (abundantes) de propaganda institucional.

Mas, como o objetivo não é verificar coisa alguma e a publicidade pura e simples, no caso, não cumpre o objetivo, o presidente Luiz Inácio da Silva ocupa três dias úteis dos raros que tem passado no País com uma turnê de acampamentos e pronunciamentos de caráter pura e explicitamente eleitoral.

Isso quando há problemas graves que mereceriam do presidente mais que referências ligeiras ou declarações de natureza político-partidária, ora em sentido de ataque, ora de defesa.

Exemplos mais recentes: o cancelamento por fraude do Enem e o confisco temporário de parte da devolução do Imposto de Renda para cobrir gastos públicos contratados pela necessidade de sua excelência alimentar o mito do grande beneficiário da Nação, empreendedor ousado.

Mas o que espanta já não é mais o que Lula faz. O que assusta é o que deixam que ele faça. E pelas piores razões: uns por oportunismo deslavado, outros por medo de um fantasma chamado popularidade, que assombra – mas, sobretudo, enfraquece – todo o País.

Fato é que os Poderes, os partidos, os políticos, as instituições, as entidades organizadas, a sociedade estão todos intimidados, de cócoras ante um mito que se alimenta exatamente da covardia alheia de apontar o que está errado.
Por receio de remar contra a corrente, mal percebendo que a corrente é formada justamente por força da intimidação geral, temor de ser enquadrado na categoria dos golpistas.

Tomemos o partido de oposição que pretende voltar ao poder nas próximas eleições, o PSDB, pois ontem um dos postulantes à candidatura presidencial, o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, manifestou-se com muita clareza a respeito dessa última e mais atrevida turnê eleitoral financiada com dinheiro do bolso de quem é partidário do presidente e de quem não é.

“Acho que o presidente tem todo direito de viajar pelo País. Isso faz parte do jogo político. Eu não me preocupo com essas viagens. Acho que elas são legítimas, da mesma forma que nós, da oposição, de forma extremamente respeitosa, temos de ter nossa estratégia. Isso é a democracia”, disse o governador, num momento de acentuado equívoco.

Pelo seguinte: não se trata de a oposição se preocupar eleitoralmente ou não com as viagens de Lula. Inclusive porque a questão não são as viagens, mas a natureza eleitoral, partidária, portanto, e o fato de transgredirem a lei no que tange ao uso da máquina pública.

A declaração do governador de Minas, sendo ele quem é no cenário político e em particular de seu partido, representa a voz do PSDB. Que, portanto, não apenas aceita que o dinheiro público seja usado pelo governante para financiamento de campanha como, ao achar tudo muito “natural e legítimo”, confessa que faria (se já não faz) o mesmo.

O governador de Minas, e de forma mais contida o de São Paulo, José Serra, acham que fazendo vista grossa a todo e qualquer tipo de transgressão estão sendo politicamente espertos, quando apenas fogem de suas responsabilidades como homens públicos que se pretendem “íntegros”, conforme pregou outro dia o governador Serra. Não contestam coisa alguma, coonestam e assim vão amaciando, “respeitosamente”, o caminho rumo ao Palácio do Planalto.

Pode até ser que a estratégia dê certo sob o ponto de vista eleitoral da oposição. Mas é um desserviço à democracia, que, ao contrário do que parece pensar o governador Aécio, não significa liberdade para transgredir, mas respeito ao direito – e ao dinheiro – de todos.

Estadão, 15 de outubro de 2009

********************************************************

O papel da oposição

por Míriam Leitão

O Brasil tem governo demais e oposição de menos. O presidente Lula fala e faz o que bem entende sem um contraponto. A oposição tem medo da popularidade do presidente e acha melhor não apontar suas falhas sequenciais. O PSDB se omite em questões importantes, o DEM é temático, o PSB é oficialmente da base, o PV começa a desenhar uma alternativa, o PMDB é governo e sempre será.

O novo ministro do Supremo José Antonio Toffoli não foi escolhido por seu currículo, mas por sua extensa folha de serviços prestados ao PT.

Nos Estados Unidos, a juíza Sonia Sotomayor foi sabatinada por uma semana pelo Senado, e os republicanos quiserem saber o sentido de cada ato e declaração dela antes de aprová-la.

Aqui, bastou meia dúzia de perguntas dos partidos de oposição, durante uma tarde, e ele foi aprovado. Na posse de Toffoli, lá estava na primeira fila batendo palmas para ele o governador José Serra, que é o nome da oposição que está na frente em todas as pesquisas de intenção de votos.

O anúncio do pré-sal foi montado como um palanque para a candidata Dilma Rousseff, e o projeto de regulação tem uma sucessão de erros, mas lá estava Serra no lançamento, reclamando apenas dos royalties.

Cabe à oposição, de qualquer partido, mostrar os equívocos do caminho escolhido que favorece uma empresa de capital aberto, tira transparência do processo de escolha de investidores e não pesa o custo ambiental da exploração.

O PAC das cidades históricas é uma versão empobrecida de um projeto do governo passado, mas lá estava batendo palmas o governador de Minas, Aécio Neves, outro pré-candidato do PSDB.

O presidente deu uma entrevista em que nem Cristo foi poupado. Tudo o que Serra disse foi uma ironia de pouco alcance: Quando Lula ficou três dias num carnaval fora de hora, em cima de um palanque, com dinheiro público, alegando fiscalizar uma obra, Serra falou algo sobre irrigação nas terras ribeirinhas, e há um movimento de se saber o custo da viagem.

Mas a transposição do Rio São Francisco deve ser discutida também por uma série de outros motivos. Teve licença ambiental condicionada a exigências até agora não cumpridas. O rio sofre com assoreamento, esgoto sanitário de inúmeras cidades ribeirinhas, e destruição da mata ciliar. A população não pode ficar na situação de apenas se queixar ao bispo.

O presidente Lula tem atacado o TCU sucessivamente e avisa que vai apresentar uma lista de absurdos que pararam obras importantes.

A oposição sabe a lista de absurdos encontrados nas obras do PAC ou fora dele?

É melhor que saiba porque o governo informa que está pensando em criar um conselho para que as obras contestadas sejam liberadas em rito sumário.

O governo atrasa a restituição de Imposto de Renda às pessoas físicas; desmoraliza, por erros gerenciais e falta de controle, o programa de avaliação do ensino médio; planeja construir dezenas de termoelétricas a combustível fóssil nos próximos anos; permite que o setor elétrico se transforme em feudo familiar de um aliado; faz ameaças públicas a uma empresa privada; o Rio afunda numa angustiante crise de segurança. Isso para citar alguns eventos recentes sobre os quais os políticos de oposição ou fazem protesto débil ou frases de efeito.

O Bolsa Família é um programa que distribui renda para quem precisa e tem o direito de receber. Mas um dos seus méritos iniciais, quando nasceu como Bolsa Escola em experiências municipais, era não ser uma concessão assistencialista. Está perdendo essa virtude.

Seu maior desafio como política pública era ter uma porta de saída, ser uma alavanca para a mobilidade social. O governo não formatou essa porta de saída e o programa começa a perder qualidade.

A oposição tem medo de criticar o que está errado no projeto, tem medo de desmascarar o uso político-eleitoral do programa, e de propor avanços. Toda política pública é uma ferramenta. O Bolsa Família pode e deve ser aperfeiçoado, sem ser abandonado.

O Globo, 27 de outubro de 2009

Fonte: Blog do Olímpio Cruz Neto


Na foto, Agripino Maia e Arthur Virgílio

Na foto, Agripino Maia e Arthur Virgílio


::

Share/Save/Bookmark