quinta-feira, 30 de abril de 2009

Esperanza Spalding

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do blog do Idelber Avelar

A cantora e baixista americana Esperanza Spalding revisita um dos cumes da canção popular do planeta:

Esperanza Spalding
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De Saturnino para Dilma

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por Maurício Dias

Durante encontro casual com o ex-senador Saturnino Braga, ele falou que tinha superado problema de saúde semelhante ao que enfrenta a ministra Dilma Rousseff. Um câncer linfático em situação mais grave. Político de conduta exemplar com as questões públicas, Saturnino, hoje com 78 anos, estava preocupado com a saúde de Dilma e com as repercussões políticas do episódio. Posteriormente, enviei-lhe um e-mail, no qual perguntei sobre a conveniência de divulgar a história. Eis a resposta:

“Pode tornar público. Há cinco anos, em junho de 2004, comecei a sentir dores fortes na coluna. Fiz, a pedido médico, uma tomografia do tórax e foi constatada a presença de dois tumores grandes no mediastino, medindo cada um 7 centímetros de diâmetro, com ramificações que atingiam a aorta, enlaçada, e a coluna vertebral, invadida. Daí as dores que comecei a sentir; antes não sentia absolutamente nada. Feita a biópsia, muito dolorosa, pela introdução de uma agulha de uns 15 centímetros a frio, para retirada de material dos tumores, foi diagnosticado um linfoma não-hodgkin de células grandes, exatamente o mesmo tumor que foi retirado de Dilma. Pensei que teria, talvez, uns três ou seis meses de vida e me preparei.

O tratamento foi especialmente penoso, porque havia células cancerosas no líquido da coluna e tive de fazer quimioterapia intratecal, com injeções dentro da coluna uma vez por semana. No mais, fiz a quimioterapia comum, durante quatro meses, que arrasa a pessoa alguns dias após cada aplicação semanal, pois faz cair todo o cabelo e dá uma prostração muito grande em todo o período. Mas tudo passou e seis meses depois estava recuperado. Hoje estou completamente curado”.

Fonte: Carta Capital

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A escola de Gilmar leva 2

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Até quando ele rirá?

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por Maurício Dias

Criada pelo ministro Gilmar Mendes em 2001, a Faculdade de Ciências Sociais e Aplicadas de Diamantino, hoje administrada pela família do presidente do Supremo Tribunal Federal, vai ficar sob a fiscalização do Ministério da Educação e pode, em caso extremo, vir a ser fechada. O risco advém daquilo que pode manchar definitivamente a imagem de qualquer instituição de educação: a péssima qualidade do ensino.

Gerida pela União de Ensino Superior de Diamantino (Uned), a faculdade obteve conceito muito baixo – nota 2 em uma escala de zero a 5 – no Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) e será submetida à fiscalização federal. Fica, assim, na alça de mira da Superintendência do Ensino Superior.

A Uned tem uma história complicada. Afinal, nasceu em pecado. Em agosto de 2000, levou “bomba” da Comissão de Ensino Jurídico (CEJ) da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). A decisão foi por unanimidade. O relatório assinado pelo advogado Adilson Gurgel de Castro, presidente da CEJ, concluiu pela não recomendação do “curso pleiteado”. Gilmar Mendes aparece assim no relatório: “O projeto menciona que um dos docentes da Faculdade é o professor-doutor Gilmar Ferreira Mendes, que, inclusive, assina como um dos sócios cotistas”.

A decisão da OAB tinha peso nas decisões do Ministério da Educação até o governo de Fernando Henrique.

“A opinião da Ordem era considerada. Mas o ministro da Educação, Paulo Renato, passou como um trator em cima dos pareceres que demos”, diz o advogado Reginaldo de Castro, que presidia naquele ano o Conselho Federal da OAB.

Muitos dos quesitos exigidos pela OAB deixaram de ser atendidos na faculdade. Até mesmo o projeto da biblioteca não satisfazia. Uma delas era, e ainda é, a exigência de uma população mínima de 100 mil habitantes no município onde a instituição será criada. Diamantino tinha na ocasião, segundo o relatório, apenas 15.159 habitantes.

Isso, para a OAB, evidenciava “a ausência da necessidade social”.

Vários outros obstáculos barravam a faculdade de Gilmar Mendes, que pontificava como advogado-geral da União no governo FHC. Não se sabe se a decisão do ministro Paulo Renato atendeu aos interesses empresariais do parceiro de governo, mas, em agosto de 2001, o MEC expediu portaria autorizando o curso.

Fonte: Carta Capital

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Barbárie e impunidade

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por Wálter Fanganiello Maierovitch

De 2002 a 2005, os 007 da Agência Central de Inteligência (CIA) norte-americana utilizaram técnicas brutais e desumanas nos interrogatórios de islâmicos suspeitos de ter vínculos com organizações terroristas. A causar inveja aos franceses que torturaram os árabes da Argélia (1962) e aos brasileiros a serviço da ditadura iniciada em 1964.

Esses 007 da CIA só não conseguiram se igualar ao que fizeram, em Grozny (Chechênia), os russos da FSB (sucessora da KGB) e da Spetsnaz do Ministério do Interior. Desapareceram mais de 5 mil chechenos, na luta contra o terror iniciada em 1999 e finda em 2006. Do registro oficial consta que poderiam ser ligados ao terrorismo checheno, que ficou conhecido pelas ações sangrentas no Teatro Dubrovka, de Moscou, e em uma escola de Beslan: 334 mortes.

Nesta semana, o semanal britânico Sunday Times entrevistou dois agentes da Spetsnaz que estiveram na Chechênia. Entre outras barbaridades, eles contaram que, nos interrogatórios e com marteladas, amassavam dedos ou quebravam joelhos dos acusados. Quanto aos desaparecidos, “explodiram e viraram pó”, para evitar o encontro de corpos.

Relatório do comitê de inteligência do Senado americano revelou que, na era Bush, as técnicas empregadas pelos 007 da CIA estavam em flagrante violação à legislação interna e ao estabelecido no Artigo 16 da Convenção das Nações Unidas contra o Terror, subscrita pelos Estados Unidos.

Acrescente-se que a então conselheira para questões de segurança nacional, Condoleezza Rice, autorizou, em 2002, e sem antes colher parecer jurídico obrigatório, o interrogatório do suspeito Abu Zubayda com emprego do waterboarding. O waterboarding consiste em acorrentar o interrogado numa maca inclinável. Os olhos são vendados e um pano é utilizado para cobrir-lhe a boca e o nariz. Uma mangueira de grosso calibre despeja água sobre a boca e o nariz do torturado, de modo a dar sensação, com a simultânea inclinação da cabeça, de afogamento em banheira. Em síntese, trata-se de uma simulação de afogamento, a produzir dióxido de carbono no sangue e tornar difícil a respiração.

Abu Zubayda foi submetido a 83 sessões de waterboarding. Fora a sua colocação em contêiner cheio de insetos, que acreditava serem venenosos. Na justificativa do pedido feito a Condoleezza, em 2002, constava que Abu Zubayda dominava informações a respeito de iminentes ataques terroristas.

Além do waterboarding, a CIA utilizou, sempre com autorização superior, outras técnicas covardes e inconcebíveis em uma democracia. Por exemplo, o walling, no qual o interrogado encapuzado era obrigado a manter os calcanhares encostados num falso muro. De surpresa, era puxado pelo peito e arremessado o tronco deslocado contra o muro, este dotado de aparelho a multiplicar o barulho provocado pelo impacto.

Também era recorrente a privação de sono ou de alimentos, golpes no abdome, tapas na cara, estrangulamento simulado, palmadas com a as mãos em concha nas orelhas. A nudez era uma forma de constranger o interrogado na presença de agentes de outro sexo. Existia ainda o isolamento em contêiner e o wall standing: em pé, corpo inclinado e com os dedos das mãos apoiados em uma parede.

No supracitado relatório do Senate Intelligence Committee, presidido por John Rockefeller, ficou patente a responsabilidade de Condoleezza Rice: o parecer do Departamento de Justiça no sentido de não considerar o waterbording prática proibida veio depois do sinal verde dado por Rice. Recentemente ouvida no Congresso, a ex-secretária de Estado desconversou ao dizer que lembrava de uma discussão sobre o waterbording, mas não sobre empregos e implicações.

Condoleezza recebeu as explicações sobre o waterboarding em reunião com o ministro da Justiça, John Ashcroft. Em 2003, o emprego do waterboarding foi revelado ao vice-presidente, Dick Cheney, ao secretário de Estado, Colin Powell, e ao ministro da Defesa, Donald Rumsfeld. Nenhum deles determinou a suspensão da prática.

Para o Departamento de Justiça do governo Bush, nenhuma das técnicas poderia ser considerada como tortura. No waterboarding, concluiu-se pela inexistência de “dano mental prolongado”, pois o “alívio era quase imediato, quando o pano de cobertura é removido. Segundo os “juristas” de Bush, a tortura apenas se caracteriza quando ocorre grave dor física ou sofrimento mental. Portanto, waterboarding, tapas na cara, golpes com o dorso da mão aberta e sem anéis ou soco-inglês, entre outras, eram ações legítimas no trato com suspeitas de terrorismo.

Na segunda semana de abril, o presidente Barack Obama decidiu dar publicidade a quatro memoriais de torturas cometidas pela CIA, mas não encaminhou à Justiça a identidade dos executores das torturas. Agora, com o relatório do Comitê de Inteligência do Senado, tem-se os nomes dos responsáveis pelas autorizações pedidas pela agência. Ou seja, de Bush a Rice, passando pelo vice-presidente, ministros e secretários.

Fonte: Carta Capital

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Últimas inscrições

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por Celso Marcondes

Começa no próximo dia 6 de maio o II Fórum Internacional de Comunicação e Sustentabilidade, no Anhembi, em São Paulo. Se você é estudante ou professor, está convidado. As inscrições são gratuitas. CartaCapital apóia o seminário e tem direito a uma cota de convites. Basta pedir sua inscrição no espaço destinado aos COMENTÁRIOS, logo abaixo deste texto, colocando seu nome completo, e-mail, cidade e nome de sua escola.

Será uma oportunidade única para você conhecer as ideias e debater com estudiosos de várias partes do mundo, três deles ganhadores de Prêmios Nobel.

Confira abaixo toda a programação e leia aqui no site a entrevista que CartaCapital desta semana publica com David Trimble, um destes ganhadores do Nobel e um dos responsáveis pelo acordo de paz na Irlanda do Norte. Se você quiser saber tudo sobre o Fórum, acesse www.comunicacaoesustentabilidade.com.

Plenária de palestras e debate
Tendo como base os quatro princípios da Carta da Terra - "Respeitar e Cuidar da Comunidade de Vida", "Integridade Ecológica", "Democracia, Não Violência e Paz", "Justiça Social e Econômica", o evento será realizado nos dias 6 e 7 de maio, dividido em quatro mesas, das 8h30 às 19h00. Todas as mesas serão mediadas por profissionais de comunicação. Em formato de talk show, o debate terá a participação do público presente.

06 de maio de 2009
09h00 - 09h30 Abertura
Apresentador: Wellington Nogueira
Atitude Brasil
Carta da Terra - Monja Coen
09h30 - 13h30 Mesa 1: Respeitar e Cuidar da Comunidade da Vida
Bernardo Toro - Fundação AVINA
Danah Zohar - Física e Filósofa
Ferréz - Escritor
Danilo Miranda - Diretor Regional do SESC
Flávio Oliveira - Ger. de Projetos Sociais da TV Globo
Tarcísio Godoy - Diretor Presidente da BrasilPrev
Mediadora: Mona Dorf - TV Ideal
13h30 - 14h30 Almoço
14h30 - 15h00 Flávio Comim - Campanha Brasil Ponto a Ponto - PNUD
15h00 - 19h00 Mesa 2: Justiça Social e Econômica
Edmund Phelps - Prêmio Nobel da Economia 2006
Luiz Gonzaga Belluzzo - Carta Capital
Representante da Petrobrás
Claudio Frischtak - Consultor Sênior da Vale
Florestan Fernandes Jr. - TV Brasil
Mediador: Merval Pereira - TV Globo
19h00 - 19h20 Mônica Dias Pinto - Canal Futura

07 de maio de 2009
09h00 - 10h00 Apresentação Pesquisa Dossiê Jovem MTV
10h00 - 14h00 Mesa 3: Democracia, Não Violência e Paz
David Trimble - Prêmio Nobel da Paz de 1998
Fernando Haddad - Ministro da Educação
Mario Sergio Cortella - Educação PUC-SP
Terezinha Azerêdo Rios - Filósofa
Vincent Defourny - UNESCO
Mediador: Ricardo Kotscho - Rev. Brasileiros/IG
14h00 - 15h00 Almoço
15h00 - 19h00 Mesa 4: Integridade Ecológica
Mohan Munasinghe - Prêmio Nobel da Paz 2007
Marina Silva - Senadora da República
André Baniwa - Vice-Prefeito de São Gabriel da Cachoeira
Washington Novaes - Jornalista
Olinta Cardoso - Ex-Diretora da Vale
Mediador: André Trigueiro - Globo News
19h00 - 19h30 Encerramento + Premiação Concurso de Fotografia
19h30 - 20h00 Intervalo para relacionamento
20h00 - 23h00 Show - Homenagem a Carta da Terra

Programação Especial
Premiação e Exposição de Fotografia “Fotografia - comunicar para não esquecer”
Novos talentos da fotografia serão premiados durante o Fórum e suas fotografias comporão uma exposição, que estará disponível para visitação no espaço do evento.

Show Homenagem a Carta da Terra
Atividade que encerrará o Fórum e prestigiará a diversidade humana, através dos princípios que valorizam os direitos humanos, a paz e a integração entre os povos. A programação será composta por grupos de música nacionais. Haverá projeções de fotografias durante as apresentações

Fonte: Carta Capital

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Dilma não se entrega

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por Cynara Menezes

A notícia de que a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, pré-candidata do PT ao Planalto, sofre de câncer no sistema linfático acabou se transformando em um desconcertante “fato novo” da sucessão presidencial. Enquanto o drama pessoal era deixado de lado, a doença de Dilma detonou toda sorte de especulação na mídia sobre seu futuro político. E nem sempre de forma elegante.

Revelada no sábado 25, a doença da ministra deu asas à imaginação sucessória e inverteu o discurso do governo e da oposição. Nome predileto de Lula à disputa presidencial no ano que vem, Dilma vinha sendo estimulada pelo presidente a vestir o figurino de candidata. Um e outro foram então acusados de precipitar o debate eleitoral.

Com o “fato novo”, a oposição, e grande parte da mídia, mudou o discurso. Ao longo da última semana, apesar das reiteradas informações de que o linfoma foi detectado na fase inicial e as chances de cura são altíssimas, as palavras câncer e sucessão presidencial andaram juntas no noticiário. O que era indesejável, precipitado e ruim para a democracia passou a ser fundamental, urgente. A horda de colunistas políticos tomou a iniciativa de decretar o enterro da candidatura da ministra. Depois, ante a notícia de que a doença pode não ser tão grave, passou a acusar Dilma Rousseff de tentar se promover no episódio, ainda que o assunto tenha virado pauta nacional à revelia da paciente.

O governo, por seu lado, procura minimizar o assunto e tenta impedir a base aliada, em especial o PMDB, de alvoroçar-se como urubu na carniça. Poucas horas após o anúncio da doença, havia peemedebistas interessados em inflacionar o passe do partido em uma eventual aliança nas eleições presidenciais de 2010 sob o pretexto de que um concorrente enfermo se tornaria um fardo mais pesado.

*Colaborou Rodrigo Martins

Confira a íntegra desta reportagem na edição impressa da Carta Capital edição

Edição 544 (06/05/2009).

Fonte: Carta Capital

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Um futuro sombrio

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por Nouriel Roubini

O site RGE Monitor acaba de rever suas projeções para a economia global em 2009. Estamos em meio a uma contração sincronizada, que resultará no primeiro encolhimento do Produto Interno Bruto (PIB) global em décadas. Será a pior crise financeira desde a Grande Depressão. As transações comerciais mundiais sofrerão a maior redução desde o Pós-Guerra. O comércio deverá recuar 12% em 2009, em razão da séria e prolongada aversão da demanda, do excesso de oferta e da capacidade instalada e da falta de liquidez nos mercados financeiros.

Muitos analistas enfatizam que a segunda derivada da atividade econômica está se tornando positiva. As economias ainda registram contração, mas a um passo menos acelerado, o que seria a antessala da recuperação. A análise do RGE sustenta que a recessão mundial profunda e prolongada, no formato de U, ainda está a todo vapor. Em 2008, evaporou o consenso de que haveria uma crise curta e não muito profunda em forma de V. Ainda que o ritmo da desaceleração econômica esteja menor, em comparação à queda livre do último trimestre do ano passado e primeiro de 2009, ainda estamos muito distantes do fundo do poço. Particularmente na Europa e no Japão, há pouquíssima evidência de que a segunda derivada esteja em curso.

Ao fim do primeiro trimestre de 2009, houve alguns sinais de que o ritmo da contração estava arrefecendo, principalmente nos Estados Unidos e na China, onde as respostas de política econômica foram mais agressivas e a produção industrial pode ter registrado o pior momento em um período anterior ao da Europa e do Japão. No entanto, isso não é verdadeiro para as maiores economias do G-7.

A reação global deve ser tímida em 2010, dada a ressaca dos prejuízos das instituições financeiras, a escassez de crédito e a retomada tímida da demanda. Os principais pontos das novas projeções do RGE são:

1. A atividade econômica global recuará 1,9% em 2009. As economias avançadas deverão registrar uma contração de 4%, sendo o Japão e a Eurozona os mais prejudicados. O PIB americano continuará a encolher, apesar de em menor ritmo, mas com crescimento negativo em todos os trimestres deste ano.

2. Os mercados emergentes vão desacelerar fortemente, em relação ao desempenho dos últimos anos. Os Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) crescerão metade do que em 2008.

3. A deterioração das trocas comerciais, a redução dos ingressos de capital estrangeiro e as condições mais apertadas do crédito resultarão em uma recessão na América Latina, ante o crescimento de 4,1% em 2008. Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, México e Venezuela terão crescimento negativo em termos anualizados, enquanto países menores, como o Peru, vão experimentar uma significativa desaceleração.

4. As nações da Europa Oriental e da Commonwealth sofrerão as recessões mais fortes, dados a restrição ao crédito externo e o continuado risco da crise financeira. As reduções com as receitas do petróleo e o estresse financeiro contribuirão para a queda de 5% do PIB da Rússia, em termos anualizados. As retrações poderão atingir dois dígitos nos países bálticos.

5. Na região asiática, o crescimento cairá para menos de 3% em 2009. A China terá uma aterrissagem forçada, com o aumento do PIB de 5,5%, enquanto a Índia deverá registrar apenas 4,3%. Os quatro tigres asiáticos (Cingapura, Taiwan, Coreia do Sul e Hong Kong), assim como a Malásia e a Tailândia, viverão uma recessão.

6. O Oriente Médio e a África crescerão metade da performance de 2008, em razão da queda dos ingressos de capitais, da diminuição da demanda dos Estados Unidos e da União Europeia e do declínio dos preços das commodities. Israel e África do Sul terão desacelerações mais amenas.

7. Os pacotes sem precedentes de estímulos fiscal e monetário podem ajudar a aliviar a diminuição da demanda do setor privado e reduzir o risco de uma depressão mundial no formato de L. O financiamento das dívidas externas pode ser um desafio, especialmente para os mercados emergentes e as economias ocidentais europeias mais vulneráveis.

8. As perdas de emprego deverão superar a contração do mercado de trabalho da última recessão, contribuindo para o aumento da inadimplência, o que representa riscos adicionais para os bancos. A taxa de desemprego nos países desenvolvidos alcançará dois dígitos até 2010, aumentando a miséria. A despeito do caixa reforçado das instituições multilaterais, há o risco de tensões sociais e políticas.

9. Commodities são uma classe de ativos que poderá sofrer novas pressões em 2009, apesar dos cortes de produção. O RGE estima que o preço do barril do petróleo seja, em média, de 40 dólares em 2009, com a fragilidade da demanda mundial.

Fonte: Carta Capital

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Poço sem fundo

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da redação Carta Capital

Ainda é maio, mas a sucessão de escândalos a envolver o Congresso dá sinais de que 2009 será um ano fervilhante em Brasília.

Entre os destaques, o caso do ex-diretor do Senado João Carlos Zoghbi, dono de empresas com negócios milionários com o próprio Senado, segundo revelou a revista Época. Ou os 181 diretores “descobertos” também no Senado, como aquele responsável pela garagem, com salário de 18 mil reais. Ou ainda o escândalo das passagens aéreas utilizadas por familiares ou pelos próprios parlamentares em passeios no Brasil e no exterior.

Na avaliação do cientista político Marco Antonio Teixeira, professor da Fundação Getulio Vargas, trata-se de algo “sem precedente” na história, cheia de altos e baixos, do Parlamento nacional. “Estamos presenciando uma sucessão de escândalos que não tem intervalo temporal algum. E isso contribui para a falta de uma agenda positiva no Congresso”, avalia.

CartaCapital: Na sua avaliação, o País já assistiu a uma crise no Congresso semelhante à atual?
Marco Antonio Teixeira:
Em termos quantitativos e em um espaço tão curto de tempo, não há precedente. Claro que, desde os anos 80, tivemos diversos escândalos que marcaram a nossa história política. Mas o que estamos presenciando nos últimos anos é uma sucessão de escândalos que não tem intervalo temporal algum. E isso contribui para a ausência de uma agenda positiva do Congresso.

CC: Existe algum denominador comum nesses escândalos?
MAT:
Há uma questão importante nessa série de escândalos mais recente, que é a gente perceber o quanto uma parcela de nossos políticos simplesmente confunde o seu próprio bolso com o bolso do Estado. Eles não levam em consideração o fato de que o dinheiro deve ser usado em atividades públicas, de interesse público. Basta olhar para o caso das passagens aéreas. Alguns parlamentares quiseram justificar descaradamente passeios com a família como algo que não era ilegal. Podia não ser ilegal, mas era no mínimo imoral, já que se trata de uma atividade privada. Esses casos revelam a falta de espírito republicano.

CC: A natureza dos partidos influencia o grau de desfaçatez dos políticos?
MAT:
Os partidos políticos não cumprem o seu papel de representantes da sociedade ou de setores perante o Estado. Eles têm sido muito mais uma correia de transmissão de poder para as elites partidárias do que instrumentos de representação de interesses sociais. Dentro dos partidos, existem muito mais oligarquias partidárias do que um programa político coeso que, de alguma maneira, oriente os seus parlamentares.

CC: E qual o papel da mídia nessa história?
MAT:
Não existiriam os escândalos não fosse a cobertura da imprensa. A mídia tem funcionado como o principal instrumento de repercussão desses fatos, que só chegam à opinião pública a partir do próprio noticiário. Mas é preciso ver também que as instituições brasileiras foram sendo obrigadas a se abrir mais, a dar maior transparência a seus atos, e boa parte do material divulgado pela mídia é produto da necessidade de publicização. Não podemos esquecer, porém, que a mídia também é alimentada muitas vezes pela própria disputa pelo poder.

CC: E o senhor vê uma luz no fim desse túnel?
MAT:
Os assuntos públicos não estão tão encobertos como já estiveram. Por outro lado, o Legislativo não evoluiu da mesma maneira, apesar de que não há como negar que houve algum avanço. A definição de regras para as passagens é um exemplo. Talvez possamos ver uma luz no fim do túnel não só quando nos escandalizamos, mas também quando temos como resposta a criação de normas, de sistemas de controle que evitem que essas coisas voltem a acontecer. As instituições vão aprendendo com os seus erros.

Fonte: Carta Capital

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Casa-grande e senzala, sempre

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Legislativo e judiciário vivem uma estação de profundo descrédito. A explicação é fácil.

Por Mino Carta

Respeitados economistas europeus e americanos avisam que a crise econômica global ainda vai atingir maior gravidade nos países em desenvolvimento. Responsáveis pela saúde do mundo temem a pandemia suína. Mas não é destas crises que aqui se fala, e sim de outra, específica, de nítida marca brasileira. Nasce do descrédito das instituições democráticas, nas barbas do Pacto Republicano recentemente selado.

O País tem o presidente mais popular de sua história e goza de um prestígio internacional nunca dantes navegado, graças à simpatia e à vocação diplomática de Lula, e a uma política externa inteligente, independente e assertiva. Em contrapartida, a nação não alimenta a mais pálida confiança em relação ao Legislativo e ao Judiciário.

A opinião pública brasileira, por mais difícil que seja traçar-lhe os contornos, está indignada com os comportamentos dos parlamentares federais, entregues a uma mamata, como se dizia antigamente, sem precedentes. Muitos brasileiros fingem não perceber a evidência: a falta de decoro e pudor é apenas um dos aspectos de uma inesgotável trajetória de predações variadas e crescentes, a gerar uma crise moral que transcende largamente as fronteiras do Congresso Nacional.

Sem grande esforço tropeçaremos em desmandos iguais nas assembleias estaduais e nas câmaras municipais de todo o País, sem excluir a possibilidade de algumas, raras, surpresas. E sem falar da leniência mais ou menos generalizada em relação a valores éticos, em nome do célebre jeitinho, praticado em quaisquer níveis com a celebração do lema: aos amigos tudo, aos inimigos a lei.

Quanto ao Judiciário, é o império do presidente Gilmar Mendes, despótico não somente em Diamantino. O ministro Joaquim Barbosa não está enganado quando afirma que a Justiça está a ser “destruída”, embora nem todas as responsabilidades caibam a Mendes. Resta um fato indiscutível: o entrevero no STF, encenado ao vivo na semana passada do Oiapoque ao Chuí, teria cenário mais adequado se desenrolado em um botequim do arrabalde.

Barbosa também não erra quando recomenda prestar atenção aos humores da rua. Mendes pode contar com o apoio estratégico dos seus pares e de boa parte da mídia, espanta, porém, a maioria dos patrícios e os incentiva a desacreditar da Justiça a partir da sua mais alta instância. São sentimentos e pensamentos que vêm de longe, agora, entretanto, se exasperam.

É possível que a crise das instituições não esteja tão clara aos olhos dos privilegiados e dos aspirantes ao privilégio. Ou, ao menos, dos cidadãos prontos a se identificarem com a hipocrisia midiática. Assentam suas crenças no seu próprio bem-estar, e o resto que se moa.

Conviria, porém, entender as razões deste descrédito vertiginoso em que despencaram o Legislativo e o Judiciário. Não se exija dos descrentes que na operação espremam as meninges. Constatem, simplesmente, que o Brasil continua atado à cultura da escravidão, a da casa-grande e da senzala. A prepotência, a desfaçatez, a empáfia dos predadores baseiam-se na certeza da impunidade e na resignação popular. A casa-grande age à vontade porque se sente à vontade.

Sim, em outros tempos a crise das instituições submeteria o Brasil a riscos hoje inimagináveis. Gerados inclusive pela necessidade dos presidentes governarem com o apoio de oligarcas e apaniguados. A questão tornou-se crucial depois do enterro do Estado Novo, primeiro com Getúlio democraticamente eleito e enfim suicida, depois com JK, com Jânio e suas apostas falidas, com Jango até o golpe.

A composição não foi árdua, depois da ditadura, para Sarney e Fernando Henrique Cardoso, excelentes no cumprimento da praxe antidemocrática. A dificuldade de Lula está aí com a nitidez do meio-dia, apesar de seu talento de conciliador, talento que nem sempre convém à situação. Nos tais tempos idos a casa-grande, em meio à meteorologia turva, não hesitou em convocar seus gendarmes. Hoje os gendarmes não são mais aqueles e os senhores quem sabe se tenham convencido de que como está é bom para eles, bom demais.

A casa-grande porta-se, sempre e sempre, com extremo imediatismo. O presente é que interessa, predação-já. Houvesse a vontade de cogitar do futuro, creio que o Brasil teria tomado os rumos da contemporaneidade. Mas a casa-grande jamais se preocupou com a senzala.

Fonte: Carta Capital

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O fim do padrão-dólar na America Latina?

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por Altamiro Borges

Segundo reportagem desta semana no jornal Valor, “o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já marcou data para anunciar seus planos ambiciosos para o uso do real nas transações da América do Sul... Na próxima reunião da Unasul, que agrega os países da região, ainda neste semestre, Lula quer apresentar aos parceiros proposta que pode ampliar o uso do real nas relações entre os vizinhos”. Caso a notícia se confirme, será um acontecimento inédito nesta sofrida região, tratada como “quintal dos EUA”, e poderá representar o fim do “império do dólar” no continente.

O estudo desta medida ousada reflete tanto a grave crise econômica dos Estados Unidos, que tem como efeito o derretimento da sua moeda, como o avanço das forças progressistas na América do Sul. Ela seria impensável há alguns atrás, quando os EUA exerciam poder unipolar e gozavam de ampla hegemonia. No mesmo rumo agora defendido pelo Brasil, a China propôs recentemente o fim do padrão-dólar nas transações comerciais e financeiras no mundo. O governo Hugo Chávez também apresentou a proposta da criação do “sucre”, como moeda única na região. A reação do “império do mal” a todas estas propostas tem sido violenta. É o seu poder que está em jogo!

A resistência do Banco do Central

Ainda conforme a reportagem, o mecanismo de substituição do dólar não está pronto e passa por discussões na equipe econômica, “onde, jura-se no Palácio do Planalto, já existe concordância do reticente Banco Central”. Só se a convicção de Lula for muito forte para dobrar as resistências do banqueiro Henrique Meireles, presidente do BC e ex-dirigente do Bank of Boston. Segundo os estudos prévios, os países sul-americanos seriam autorizados a sacar, junto ao BC, uma quantia de reais que seria usada para o comércio com o Brasil ou mesmo para repassar a outros países da continente. “Falta ainda, segundo um graduado assessor de Lula, definir o total que será posto à disposição dos vizinhos. Lula quer que seja uma quantia significativa”, afirma o jornal.

No mês passado, Brasil e Argentina já firmaram acordo de substituição do dólar nas transações comerciais entre os dois países. A medida foi favorável à nação vizinha, altamente dependente dos dólares para os seus negócios, o que se torna um calvário num período de escassez da moeda ianque no mundo. Lula já tem o apoio de Cristina Kirchner e de Hugo Chávez para sua proposta. Os demais países da região, inclusive os alinhados aos EUA, também deverão aderir à iniciativa, como forma, até pragmática, de superar a sua vulnerabilidade. O Brasil tem superávits com todas as nações da América do Sul, com exceção da Bolívia em função das suas exportações de gás.

A desconstrução dos Estados Unidos

Conforme constata o Valor, mesmo a contragosto, a iniciativa brasileira de expandir a circulação do real na região poderá “ser vista como uma medida antiamericana – o que não é – destinada a botar a colherzinha do Brasil na sopa da desconstrução dos EUA como emissor da moeda de troca mundial”. Mesmo assim, o jornal de negócios da burguesia nativa concorda que a medida é cabível. “Se quiser reduzir as fontes de pressão sobre as políticas comerciais dos parceiros sul-americanos e minimizar seus efeitos sobre as vendas de produtos brasileiros na região, o governo tem de buscar mecanismos criativos e menos dependentes do fluxo de dólares para esses países. Lula mandou seus técnicos encontrarem esses mecanismos e conta tê-los em mãos até junho”.

Fonte: Blog do Miro

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“Árido movie”

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por Guilherme Scalzilli

O futuro do cinema brasileiro brotou no Nordeste. Os bambas do eixo Rio-São Paulo-Porto Alegre tanto já perceberam o fenômeno que tentam, há alguns anos, abortar a política descentralizadora do ministério da Cultura para os subsídios federais. Houve briga feia, mas uma das provas do valor da idéia é “Árido movie”, lançado em 2005.
Não importam as imperfeições, localizadas e menores: eis um dos melhores filmes brasileiros dos últimos tempos. Sua grandiosidade reside justamente na honestidade despretensiosa com que retrata natureza e cidadãos sem incorrer no regionalismo idiota das caricaturas globais.
As águas turvas de Recife, o interior pernambucano e seus azuis intangíveis, a beleza incompreensível do sertão pedregoso, desolação e loucura, delírio e violência, poesia e atraso. Revive o espírito do cinema marginal, udigrudi (Jairo Ferreira: “de invenção”), que, através de Rogério Sganzerla, Júlio Bressane e outros, impregnou de lisergia e liberdade os rigores do Cinema Novo.
Mas a simplicidade de “Árido movie” é apenas aparente. O diretor Lírio Ferreira (“Baile perfumado”) não é nenhum neófito. O veterano cineasta Murilo Salles empunha a câmera. No elenco, Paulo César Pereio, Selton Mello, Giulia Gam, o sensacional José Dumont, Luís Carlos Vasconcelos, Matheus Nachtergaele e José Celso Martinez Correia. A trilha sonora explode achados e raridades.
Cinema popular sem os populismos dos caça-níqueis de Luís Carlos Barreto, Globo Filmes, O2 e congêneres. Cinema também jovem, transgressor, livre dos jargões das provincianas classes médias carioca e paulistana, que buscam espelhos distorcidos nas telas dos shoppings. Vida longa a Lírio Ferreira, Cláudio Assis, Marcelo Gomes e todos os novos diretores nordestinos, grandes cineastas brasileiros.

Fonte: Blog do Guilherme Scalzilli

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A gripe do agronegócio

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É a doença originada do agronegócio internacional

Cristóvão Feil, no Diário Gauche

Eu sempre insisto aqui neste blog Diário Gauche que o nome que se dá a coisas, objetos, projetos, episódios e até a doenças é muito importante.

Vejam o caso dessa epidemia mundial de gripe viral. Estão chamando-a – de forma imprópria – de gripe suína. Nada mais ideológico. Nada mais acobertador da verdade.

O vírus dessa gripe se originou da combinação de múltiplos pedaços de ADN humanos, aviários e suínos. O resultado é um vírus oportunista que acomete animais imunodeprimidos, preferencialmente porcos criados comercialmente em situações inadequadas, não-naturais, intensivas, massivas, fruto de cruzamentos clonados e que se alimentam de rações de origem transgênica, vítimas de cargas extraordinárias de antibióticos, drogas do crescimento e bombas químicas visando a precocidade e o anabolismo animal.

Especulações científicas indicam que o vírus dessa gripe teve origem nas Granjas Carroll, no Estado mexicano de Vera Cruz. A granja de suínos pertence ao poderoso grupo norte-americano Smithfield Foods, cuja sede mundial fica no Estado de Virgínia (EUA).

A Smithfield Foods detém as marcas de alimentos industriais como Butterball, Farmland, John Morrell, Armour (que já teve frigorífico no RS e na Argentina), e Patrick Cudahy. Trata-se da maior empresa de clonagem e criação de suínos do mundo, com filiais em toda a América do Norte, na Europa e China.

Deste jeito, pode-se ver que não é possível continuar chamando a gripe de “suína”, pois trata-se de um vírus oportunista que apenas valeu-se de condições biológicas ótimas – propiciadas pela grande indústria de fármacos, de engenharia biogenética, dos oligopólios de alimentos e seus satélites de grãos e sementes. Todos esses setores contribuiram com uma parcela para criar essa pandemia mundial de gripe viral.

O nome da gripe, portanto, não é “suína”. O nome da gripe é: “gripe do agronegócio internacional” – que precisa responder judicialmente o quanto antes – urgentemente – pela sua ganância e irresponsabilidade com a saúde pública mundial.

Clique aqui para ir ao Diário Gauche


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O espetáculo da gripe

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por Luiz Carlos Azenha

Lá vamos nós, de novo, embarcar na montanha russa da mídia. Agora é a vez de você, caro telespectador, curtir todas as emoções da gripe seja-lá-como-decidiram-batizá-la.

Uma amiga, no México, me liga: e aí? Fique tranquila. Você não vai pegar gripe. Como assim? Respondo: quantos casos OFICIAIS existem no México? Algumas centenas? Ora, se a Cidade do México tem 22 milhões de habitantes a chance de você pegar a gripe E morrer é tão grande quanto a de acertar na Mega Sena. Oficialmente, ao que eu sei, são menos de 10 mortes no México, que é o epicentro da "epidemia".

Além disso, as chances de você se recuperar da gripe são grandes. É só comparar a relação casos confirmados/mortes no México ou fora dele.

Quantas mortes a malária causa anualmente? Um milhão. Isso mesmo: um milhão de pessoas morrem de malária, doença de pobre, todo ano. É por isso que minha amiga, ao circular na periferia da Cidade do México, descobriu que ninguém usa a máscara. O mexicano comum sabe que é mais provável que morra "atirado" ou atropelado do que de gripe.

Nos próximos dias, teremos todas as manchetes óbvias sobre os bebês, os anões e as mulheres grávidas que pereceram diante da "nova" enfermidade. Meu coração ficará com as vítimas e suas famílias. Nunca com os repórteres que vão fingir preocupação diante de hospitais e centros de pesquisa. Eles estarão a serviço do "espetáculo da gripe", assim como estiveram, não faz muito tempo, a serviço do sacrifício ritual da adolescente Eloá.

"Mas, Azenha, você não acredita na TV?". Costumo dizer que cobro um preço para fazer TV. Para assistir custa mais caro. Não suporto mais "indignação", "preocupação" e "emoção" ensaiadas, de estúdio, essa farsa repetitiva que ocupa o espaço entre dois comerciais.

Fonte: Vi o Mundo

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OS “ESCRAVIÁRIOS”

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Dando prosseguimento ao debate sobre a nova Lei do Estágio aberto na edição desta semana de CartaCapital (Estágio não é emprego, Solução ou Entrave e Plurivalente, trilíngue e leitor ), publicamos abaixo um texto escrito pelos dois estagiários de CartaCapital, os estudantes de jornalismo Manuela Azenha e André Oliveira, contando um pouco das experiências de colegas e amigos em São Paulo.

OS “ESCRAVIÁRIOS”

Por Manuela Azenha e André Oliveira, estudantes de jornalismo, estagiários de CartaCapital


O primeiro estágio de Catia foi em uma revista sobre vinhos e charutos. Aos 19 anos, ela não sabia muito sobre vinhos e muito menos sobre charutos. Apesar da pouca experiência, além do dono da revista, Catia era a única jornalista na redação. "Eu não tinha orientação nenhuma. As pessoas se esquecem que estágio é para aprender", conta ela. Depois de uma semana, insatisfeita com as condições de trabalho, anunciou ao chefe que iria embora.

A nova Lei do Estágio promete acabar com a figura do “escraviário”, neologismo criado para o estagiário usado como mão-de-obra barata. Muitas vezes mal pagos, exercendo funções não relacionadas com o curso que frequentam e trabalhando um número de horas que compromete seus estudos, ser estagiário costuma ser uma fase, ainda que considerada necessária, de dúvidas e frustrações.

Voltando para casa entediada com a rotina do curso de Jornalismo, Catia resolveu que aquela seria sua última tarde livre. Aceitou o primeiro estágio que conseguiu. Dessa vez, em uma revista sobre negócios e
empreendimentos, dirigida a banqueiros. Ganhava relativamente bem e contentava-se em estar fora de casa trabalhando.

Filha de religiosos ultraconservadores, Catia decidiu não seguir a linha da família. Mas os
pais passaram a respeitar a decisão da filha assim que ela começou a ajudar a pagar a mensalidade da universidade com metade de sua bolsa de 1.000 reais. "Não sabia se fugia de casa ou do trabalho”, desabafa Catia. Acabou fugindo do seu segundo estágio.

Estagiando e aprendendo:

Mas há aqueles que ganham bem fazendo o que não gostam e outros que gostam do que fazem mesmo ganhando mal. Jorge está no segundo caso.

Aprendiz de assistente em um grande estúdio de fotografia de moda e publicidade, recusou uma entrevista de emprego para aprender a tirar foto, mesmo sem remuneração. Trabalhando com um fotógrafo reconhecido, Jorge pôde aprender a fundo aquilo que é dado rapidamente nos laboratórios da faculdade.

Com a experiência do estágio, já surgem oportunidades de trabalho como fotógrafo de estúdio profissional. Afetado pela crise econômica, no entanto, o mercado de fotografia vem encolhendo. Jorge reclama dos dias seguidos em que não há o que fazer no estúdio. "Não tem sessão de foto e, portanto, o dinheiro não entra. A situação é angustiante".

Mini-saia e top

Claudia, 21 anos, faz Rádio e TV, é estagiaria há 8 meses no SBT. Foi contratada inicialmente para um freela, mas conseguiu renovar seu contrato, agora sob a nova lei. Sem carro, leva uma hora e meia até chegar à via Anhanguera, onde fica a sede da emissora.

De lá, segue para a faculdade em São Bernardo, o que leva mais duas horas. “Não tenho do que reclamar. Estou aprendendo muito, compensando o que vemos superficialmente na faculdade. Em alguns programas, a equipe é pequena e posso acompanhar o processo todo de produção”.

Nessas circunstâncias, as oportunidades que aparecem são surpreendentes. Claudia foi chamada pela produção para participar do “Futebol de Sabão”, caso alguma das integrantes do quadro faltasse no dia. Ela poderia escolher entre a equipe das Coelhinhas da Playboy e a das garotas do "A Praça é Nossa".

No final não precisou participar do futebol, mas foi chamada novamente, dessa vez para contracenar com Silvio Santos em uma vinheta. De início, resistiu ao vestuário proposto: mini-saia de frevo e top. “A saia era muito curta, me sentia pelada. Falei que não iria usar”. Só concordou quando pôde vestir um short por baixo da saia para então convidar Silvio para um frevo pernambucano.

Do “clipping” à privada

“Estagiário sofre”, é o que diz Marina, estudante de jornalismo de segundo ano, que já passou por dois estágios diferentes. “No meu primeiro estágio tive que fazer clipping, conta. Clipping, para
quem já esqueceu da “era pré-Google”, é o resultado do trabalho de quem seleciona, classifica, organiza e armazena todo o conteúdo de jornais e revistas.

“Fiquei pouco tempo no trabalho, não me sentia útil”, diz Marina. O segundo estágio prometia ser diferente, já que era em numa redação. Mas, com a duração de poucos meses, foi uma experiência pior que a primeira. “A dona do jornal era uma louca, tive que cuidar de criança e até lavar privada”, conta.

O estágio de Marina já seguia a nova Lei do Estágio. No entanto, experiências como a dela mostram que a Lei, apesar de trazer benefícios como o auxílio-transporte e a jornada de 6 horas, não protegem o
estudante dos “maus chefes”.

Tory, que estagia numa editora, não é contratada segundo a Lei. No entanto, conta que tem um chefe compreensivo, amigo e honesto. “Eu não tenho nenhum tipo de contrato formal, é tudo acertado na palavra, mas eu tenho um horário flexível, uma boa bolsa e auxílio-transporte”, diz.

Tory acredita que seu caso é a exceção, pois a maior parte de seus amigos enfrentam péssimas condições de trabalho, estando ou não dentro da nova Lei do Estágio. Mas ela acha que a Lei representa um avanço. “Acredito que é um começo, é importante que exista essa regulamentação”, explica. “Se eu aceito trabalhar fora dela é uma opção minha, mas pelo menos eu sei que existe uma alternativa que trabalha, pelo menos em tese, a meu favor”.

Fonte: Carta Capital

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Quem está destruindo a credibilidade do Judiciário



por Guilherme Scalzilli

Se os problemas fossem restritos a Gilmar Mendes, bastaria esperar até abril de 2010 para que o ministro retornasse à irrelevância plenária. O “espírito Mendes” infecta cada corredor, cada cadeira almofadada, cada elevador do Judiciário brasileiro.
O “espírito Mendes” está na própria tentativa de Joaquim Barbosa passar aos anais como o Eliot Ness de José Dirceu, atropelando procedimentos para cumprir os prazos de um julgamento politicamente contaminado desde a origem (engraçado é que seu “destempero verbal”, subitamente descoberto pela imprensa, tenha passado despercebido na época do chamado Mensalão).
O “espírito Mendes” manifesta-se ainda na absurda cassação de Jackson Lago, defendida pelo presidente do TSE, Ayres Britto, segundo o qual um candidato é responsável por qualquer ilícito praticado por qualquer cabo eleitoral, mesmo que este aja por conta própria (basta pagar uns trocos para alguém assumir uma ilegalidade, e melamos a eleição). E manifesta-se também na estapafúrdia decisão de empossar o segundo colocado do primeiro turno, via anulação dos votos do cassado, como se a rejeição àquele não tivesse peso na decisão do eleitorado.
O “espírito Mendes” arrasta suas correntes na decisão da desembargadora Cecília Mello, que desqualificou o trabalho do juiz Fausto de Sanctis na operação Castelo de Areia utilizando argumentos inaceitavelmente subjetivos, para não dizer tendenciosos.
E por aí vai. O conservadorismo obsoleto, o conflito de interesses e as aparentes mentiras de Gilmar Mendes deveriam constranger seus colegas de tribunal a, pelo menos, solicitar comedimento ou explicações plausíveis. Se os nobres magistrados conseguem engolir essas idiossincrasias, pior para eles. Mas não nos deixemos levar por simplificações personalistas, pois não chegamos a essa miserável situação apenas graças a uma ou duas entidades penadas.

Fonte: Blog do Guilherme Scalzilli

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A débâcle da FSP

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por Emir Sader

A Folha era um jornal totalmente inexpressivo até a década de 70. Havia uma supremacia clara do Estadão, a Folha não tinha cara definida. Participou do coro de conclamação de toda a imprensa brasileira – menos a Ultima Hora - ao golpe militar de 1964, contribuindo à construção do plano de desestabilização do governo legitimamente eleito que teve a participação direta do governo dos EUA, assim como da hierarquia da Igreja Católica, dos partidos de oposição e das grandes entidades empresariais. Uma vez dado o golpe, o apoiou, assim como a instalação da ditadura militar, acobertou todos os crimes da repressão, reproduzindo as mentirosas versões oficiais, assim como todos os outros jornais.

Nos anos 70, Claudio Abramo assumiu a direção do jornal, na tentativa da família Frias de conquistar graus de credibilidade, que o jornal nunca tinha tido. A nova orientação, valendo-se da hegemonia da orientação liberal que triunfava na oposição, levou o jornal a ganhar uma identidade de jornal democrático, pluralista.

A abertura gradual de espaços opositores, depois da derrota da resistência armada, e o caráter conservador do Estadão, possibilitaram a aparição de um espaço que a FSP soube aproveitar.

A imagem da FSP como expressão da “sociedade civil” ficou graficada nas fotos que o jornal fazia anualmente com representantes dela, que eram fotografados encima do prédio do jornal, pretendendo consolidar a marca do jornal como representante orgânico da sociedade civil, espaço opositor ao regime. Colunistas progressistas se somavam a espaços para artigos na pagina 3 de intelectuais e dirigentes opositores consolidaram essa imagem do jornal. A campanha pelas eleições diretas teve no jornal seu instrumento mais direto, enquanto as lutas sociais encontravam cobertura antes restrita à imprensa alternativa.

Essa imagem se consolidou e se prolongou mais além da direção de Claudio Abramo. Ao longo da década de 80 o jornal se beneficiou dessa imagem, que se firmou quando o jornal se colocou na oposição ao governo Collor, diferenciando-se do resto dos jornais. Foi o seu momento de maior prestígio e de maior tiragem. Dos seus leitores vinculados a partidos, a maioria era do PT. Tinha colunistas, às segundas-feiras, como Marilena Chaui, Florestan Fernandes, Paulo Sergio Pinheiro, Darcy Ribeiro, abrigava outros intelectuais de esquerda na sua página 3, dava cobertura jornalística que o diferenciava claramente do Estadão e do Globo.

O declínio da FSP veio com a ascensão de FHC ao Ministério de Economia do governo de Itamar e com o lançamento do Plano Real. Nesse momento o jornal já era dirigido por Otavio Frias Filho, acompanhando o mesmo mecanismo de oligarquia familiar que se dá no Globo, na Editora Abril, no Estadão. A combinação desses fatores apontou para a decadência irreversível do jornal desde o governo FHC, consolidando-se no governo Lula.

A identificação com a elite branca dos jardins paulistanos – em que coincide rigorosamente com a elite tucana – foi fazendo do jornal um componente essencial da nova direita brasileira. Neoliberal na economia, liberal com os traços autoritários e discriminatórios no social e no político, pretensamente sofisticado, mas na verdade provinciano no plano cultural.

A adesão expressa ao tucanato fez com que o jornal baixasse de mais de 600 mil exemplares de tiragem, a menos de 300 mil em 10 anos, com uma queda que não se detêm – apesar do esforço desesperado do apelo aos brindes. Além de que o publico do jornal ficou muito seletivo – centralmente tucanos e classe média alta e burguesia.

A adesão aos tucanos e a feroz e obscurantista oposição ao governo Lula fez com que o jornalismo perdesse toda qualidade. Tudo passou a ser editorializado no jornal. Todos os colunistas – à exceção de José Simão – passaram a ser iguais. O jornal chegou a cobrir as eleições internas do PT sob a rubrica do “mensalão”, a grande sacada jornalística do jornal, com que acreditou que derrubaria a Lula. Na sua histeria chegou a publicar na primeira página o artigo de um suposto psicanalista, que dizia que o governo Lula tinha assassinado a mais de 100 pessoas no acidente da Tam em Congonhas.

Houve uma radical perda de credibilidade da FSP, que era seu diferencial, tornando-se um jornal tucano e serrista, que editorializa todo o jornal, revelando uma incapacidade para compreender o governo Lula e sua imensa popularidade, assim como as transformações que o país vive. (O Força Serra Presidente é uma sacada muito real para caracterizar o tucanalhanato de todo o jornal, em particular da editoria política e dos cronistas políticos, assim como da família proprietária da empresa.) Alguns cronistas tentam enganar que fazem criticas de esquerda ao governo, mas não conseguem esconder suas penugens tucanas.

Intelectuais de esquerda são entrevistados a cada tanto tempo ou se lhes dá espaço de artigo, contanto que se reservem a criticar o governo e o PT, sem qualquer critica à direita, menos ainda ao monopólio de imprensa da direita.

O FSP (Força Serra Presidente) revela que vai jogar ainda mais pesado na campanha presidencial, em que seu candidato e eterno colunista será o candidato da direita. O episódio da “ditabranda” e o da publicação de uma ficha falsa da Dilma, retirada de um site de extrema direita, de ex-oficiais das FFAA a favor da ditadura, confirmam isso. A perda de assinaturas e de tiragem do jornal os exaspera, a crise econômica vai chegar em cheio a toda a imprensa escrita – já chegou à Editora Abril, salva por enquanto por Serra com a compra dos fascículos -, que tira muito menos do que dizem e se dão conta que vai minguando cada vez mais também as publicidades.

É o episódio final, sem pena nem glória, de uma imprensa que chancelou o golpe e a ditadura militar, foi o sustento central do governo FHC, foi derrotada duas vezes por Lula e se desespera com a hipótese de ter que ficar na oposição outro período mais. Nunca confessou, mas confirmou com o silêncio, ter emprestado carros da empresa para a repressão da ditadura. (Como se sentem supostos esquerdistas que trabalhar lá diante disso? Nem se pronunciaram sobre a “ditabranda”, revelando que já não lhes sobra nada de caráter, que estão plenamente comprometidos com a empresa, à qual muitos emprestam seus nomes para constar no comitê editorial.)

O filho do proprietário original é eleito e reeleito como editor chefe do jornal, reproduzindo o mecanismo de uma empresa de oligarquia familiar. Ele só ocupa esse cargo, porque é filho do seu pai, como seu nome indica. Nenhum outro mérito, salvo membro a segunda geração de uma empresa familiar. Nenhuma democracia rege na redação do jornal. O consolo é que, ainda que tivesse filho, não poderia colocar a sucedê-lo, porque é a ultima geração dessa imprensa escrita no Brasil.

Fonte: Blog do Emir Sader

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Os holofotes da imprensa

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por Luciano Martins Costa

Para a imprensa ver


Os jornais continuam acompanhando atentamente os movimentos dos dirigentes da Câmara e do Senado Federal, em seus malabarismos para dar uma satisfação à opinião pública sem desagradar ao seu público interno.

Como se sabe, quem manda no Congresso Nacional é o chamado “baixo clero”, aquela massa disforme de parlamentares de baixa visibilidade e pouca expressão individual que formam a maioria silenciosa.

Pois na semana passada, essa maioria silenciosa fez muito barulho, protestando contra a promessa de moralizar os gastos com passagens aéreas e proibir a cessão de bilhetes a parentes.

O “baixo clero” não se preocupa com questões como governabilidade ou reputação do Parlamento. São expressões sofisticadas demais para sua compreensão.

O grupo se identifica pelo chamado “quero o meu” e só se organiza ou se manifesta coletivamente quando surge alguma ameaça a seus privilégios de parlamentares.

Mas, quando se juntam, fazem tremer a liderança.

É isso que mostram os jornais de hoje: o presidente do Senado, José Sarney, está na muda: reduziu as cotas de passagens mas manteve a permissão para emissão dos bilhetes em nome de terceiros, e sumiu do noticiário.

O presidente da Câmara, Michel Temer, referendou um ato administrativo destinado a dar uma no cravo e outra na ferradura: as regras sobre uso de passagens aéreas pelos deputados ficaram mais rigorosas – a emissão de bilhetes para parentes será proibida, vôos ao exterior só com autorização especial e fim do acúmulo de créditos de um ano para o outro.

Mas, para acalmar o “baixo clero”, ele promete aumentar os vencimentos dos parlamentares, equiparando-os aos dos ministros do Supremo Tribunal Federal.

Não é nada, não é nada, mas pode ser o começo de alguma mudança, se a sociedade continuar alerta.

A imprensa não tirou os olhos do Congresso desde a reabertura dos trabalhos legislativos, quando se noticiou a nomeação do deputado Edmar Moreira, o senhor do castelo, para a Corregedoria da Câmara.

Moreira, lídimo representante do “baixo clero”, ousou se colocar entre os “lordes” do Congresso.

Foi defenestrado.

Mas seu caso abriu os olhos da imprensa, e o noticiário sobre o Parlamento tem sido desde então uma sucessão de escândalos.

As últimas medidas, anunciadas nesta quarta-feira, revelam que o Congresso só funciona sob pressão.

Cabe à imprensa manter os holofotes acesos.

Empurrando com a barriga

Luiz Egypto, editor do Observatório da Imprensa:

- A julgar pela manifestação do ministro Hélio Costa, das Comunicações, em entrevista coletiva na quarta-feira passada, em Brasília, não há esperanças de que a tão aguardada Conferência Nacional de Comunicação, convocada para dezembro, tenha sucesso no encaminhamento de uma reforma na Lei Geral da Comunicação, pelo menos durante o governo Lula. O ministro ponderou que, por ser ano de eleições gerais, 2010 "não é ano para se discutir esse assunto", conforme anotou a repórter Gerusa Marques.

É de se lamentar, antecipadamente, que essa discussão fique outra vez adiada, sobretudo no contexto da convocação de uma conferência tão importante quando a anunciada pelo ministro – o qual, aliás, por decreto, é o coordenador do evento, cujo tema central será “Comunicação: meios para a construção de direitos e de cidadania na era digital”.

Para ficar apenas no exemplo mais gritante do anacronismo da legislação que rege as comunicações no país, o Código Brasileiro de Telecomunicações foi promulgado em 1962, quarenta e sete anos atrás, quando não havia emissoras de rádio FM, TV colorida e sequer se sonhava com a internet. Afora temas candentes como a democratização do acesso à comunicação, a convergência tecnológica e a inclusão digital, uma conferência plural e democrática que não incida na modernização da legislação, e não ofereça alternativas socialmente legítimas de marcos regulatórios para a radiodifusão, deixará o seu trabalho pela metade. E, a esta altura do campeonato, é proibido perder tempo.

Fonte: Observatório da Imprensa

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A quem interessa ranquear o Enem?

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por Luis Araujo


O INEP divulgou esta semana um ranque com as notas das escolas no último ENEM. A grande mídia usou e abusou, fez comparações, listou as melhores, as piores, tentou encontrar explicações para o sucesso de umas e para o fracasso de outras.

Em entrevista publicada pela Revista do ENEM de 2007 o atual presidente do INEP, Reynaldo Fernandes, afirmava que a “prova do ENEM, mesmo que se deseje manter o mesmo grau de dificuldade, muda um pouco de ano para ano. Se cai a nota dos alunos num ano, fica difícil dizer se eles aprenderam menos ou se, simplesmente, a nota foi menor porque a prova foi mais difícil”.

O professor Ruben Klein, que em artigo publicado em 2003 alertava para o fato de que o Saeb possui uma escala única e o Enem não, pelo fato de seus candidatos não serem nem uma população e nem uma amostra, não permitindo a comparação de desempenho ao longo do tempo.

Não tenho conhecimento de mudanças metodológicas operadas no formato do ENEM. É verdade que a proposta de transformar a prova do ENEM em prova unificada do vestibular levará a sua reformulação, mas isso ainda não aconteceu.

Fica então a pergunta: para quem serve a divulgação de ranque com notas do ENEM se as mesmas não podem ser comparáveis com os anos anteriores? Ou seja, o fato de uma escola pública ou privada aparecer em melhor colocação este ano não quer dizer obrigatoriamente que sua educação está melhor, nem que seus alunos melhoraram.
Na mesma entrevista de 2007 o presidente do INEP afirmou que “o ENEM é usado também para avaliar o desempenho dos sistemas de ensino”.

Seria interessante que o INEP esclarecesse de que forma esta prova está sendo utilizado com instrumento de avaliação dos sistemas de ensino e, obviamente, em que unidades da federação isso vem acontecendo.

Pelo visto a única forma encontrada de influenciar o ensino médio é permitir que a imprensa construa conclusões afobadas e sem base científica sobre a qualidade de nossas escolas.

O Globo chegou a seguinte conclusão: “A falência das redes públicas estaduais de ensino é o resultado que emerge dos últimos números do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem 2008). Entre as mil escolas do país com piores notas no último exame, realizado ano passado, 965 são das redes estaduais”.

Esta postura conseguirá somente aumentar o preconceito contra as instituições públicas, mas não me parece que esta seja uma tarefa institucional nem do INEP nem do MEC.

Fonte: Blog do Luis Araujo

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Algum ideólogo do capitalismo explica isso?

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Relatório aponta aumento de trabalho escravo.

Fonte: Instituto Humanitas.

O ano de 2008 registrou o maior número de denúncias sobre trabalho escravo desde a primeira divulgação dos relatório sobre violência do campo da Comissão Pastoral da Terra (CPT), há 14 anos. Segundo o último levantamento da entidade, divulgado ontem, em Indaiatuba, só no ano passado, 280 denúncias foram computadas - quatro a mais do que o número de 2005. O ano de 2008 foi também o que registrou o segundo maior número de trabalhadores libertados da história, só perdendo para 2007. Em 2008, foram libertados 5.266 trabalhadores, diante de 5.974 do ano anterior. O setor sucroalcooleiro foi novamente o que teve o maior número de casos de trabalho em condições de escravidão. Dos trabalhadores envolvidos em denúncias, 36% trabalhavam na produção de cana-de-açúcar.

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Vejam quem é o Ministro Joaquim Barbosa

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 ministro Joaquim Barbosa
[por Romain Leal]

Conhecido como Joaquim Barbosa, apenas, ele é ministro do Supremo Tribunal Federal do Brasil desde 25 de junho de 2003, quando nomeado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. É o único negro entre os atuais ministros do STF. Joaquim Barbosa nasceu no município mineiro de Paracatu em 7 de outubro de 1954 (54 anos), noroeste de Minas Gerais. É o primogênito de oito filhos.


Pai pedreiro e mãe dona de casa, passou a ser arrimo de família quando estes se separaram. Aos 16 anos foi sozinho para Brasília, arranjou emprego na gráfica do Correio Braziliense e terminou o segundo grau, sempre estudando em colégio público. Obteve seu bacharelado em Direito na Universidade de Brasília, onde, em seguida, obteve seu mestrado em Direito do Estado.

Prestou concurso público para Procurador da República e foi aprovado.
Licenciou-se do cargo e foi estudar na França por quatro anos, tendo obtido seu Mestrado em Direito Público pela Universidade de Paris-II (Panthéon-Assas) em 1990 e seu Doutorado em Direito Público pela Universidade de Paris-II (Panthéon-Assas) em 1993.

Retornou ao cargo de procurador no Rio de Janeiro e professor concursado da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Foi Visiting Scholar no Human Rights Institute da faculdade de direito da Universidade Columbia em Nova York (1999 a 2000), e Visiting Scholar na Universidade da California, Los Angeles School of Law (2002 a 2003). Fez estudos complementares de idiomas estrangeiros no Brasil, na Inglaterra, nos Estados Unidos, na Áustria e na Alemanha. É fluente em francês, inglês e alemão.

O currículo do ministro do STF Joaquim Barbosa que vocês acabam de ler foi extraído da Wikipédia, mas pode ser encontrado facilmente nos arquivos dos órgãos oficiais do Estado Brasileiro. "E o que mostra esse currículo?", perguntarão vocês. Antes de responder, quero dizer que o histórico de vida de Joaquim Barbosa pesa muito neste caso, porque mostra que ele, à diferença de seus pares, é alguém que chegou aonde chegou lutando contra dificuldades imensas que os outros membros do STF jamais sequer sonharam em enfrentar.

Não se quer aceitar, nesse debate - ou melhor, a mídia, a direita, o PSDB, o PFL, os Frias, os Marinho, os Civita não querem aceitar -, que Joaquim Barbosa é um estranho no ninho racialmente elitista que é o Supremo Tribunal Federal, pois esse negro filho de pedreiro do interior de Minas é apenas o terceiro ministro negro da Corte em 102 anos, conforme a Wikipédia, tendo sido precedido por Pedro Lessa (1907 a 1921) e por Hermenegildo de Barros (1919 a 1937). E quem é o STF hoje no Brasil? Acabamos de ver recentemente nos casos Daniel Dantas, Eliana Tranchesi etc. É o que sempre foi: a porta por onde os ricos escapam de seus crimes.

Joaquim Barbosa é isolado por seus pares pelo que é: negro de origem pobre numa Corte quase que exclusivamente branca nos últimos mais de cem anos, que julga uma maioria descomunal de causas que beneficiam a elite branca e rica do país. Sobre o que ele disse ao presidente do STF, Gilmar Mendes, apenas repercutiu o que têm dito, em ampla maioria, juízes, advogados, jornalistas, acadêmicos de toda parte do Brasil e do mundo, que o atual presidente do Supremo, com suas polêmicas midiáticas, com denúncias de grampos ilegais que não se sustentam e que ele até já reconheceu que "podem" não ter existido - depois de toda palhaçada que fez -, desserve à instituição que preside e ao próprio conceito de Justiça.

Gilmar Mendes pareceu-me ter querido "pôr o negrinho em seu lugar", e este, altivo, enorme, colossal, respondeu-lhe, com todas as letras, que não o confundisse com "um dos capangas" do supremo presidente "em Mato Grosso". Falando nisso, a mídia poderia focar nesse ponto, sobre "Mato Grosso", mas preferiu o silêncio. Esperemos...

Finalmente, esse episódio revelou-se benigno para a nação, a meu juízo, pois mostrou que ainda resta esperança para a Justiça brasileira. Enquanto houver um só que enfrente uma luta aparentemente desigual para si simplesmente para dizer o que falam quase todos, porém sem que os poucos poderosos deem ouvidos, haverá esperança.

Enquanto um resistir, resistiremos todos. Joaquim Barbosa é um estranho no ninho do STF, entre a elite branca da nação, e está sendo combatido por isso e por simplesmente dizer a verdade em meio a um mar de hipocrisia. O Brasil inteiro sabe disso e essa talvez seja a verdade mais importante, pois dará consequência aos fatos.

Matéria sobre o episódio no Jornal Nacional
http://www.youtube.com/watch?v=Z1yOqrD1BTs

Fonte: Bodega Cultural

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