sexta-feira, 4 de abril de 2008

A INTERVENÇÃO DOS BANCOS CENTRAIS

O que falta de verdade nas finanças internacionais

A operação “salvadora” dos bancos centrais consiste em assumir o risco financeiro criado pela banca internacional. O que não está claro é que assim possam conseguir evitar o desastre que, como uma mancha de óleo, já pode ter se alastrado de modo irreversível por todo o sistema financeiro internacional.

As chamadas “injeções de liquidez” que os bancos centrais estão fazendo nos mercados financeiros são tão imensas que os cidadãos normais perdemos qualquer sentido da magnitude. E como estão fazendo isso tão reiteradamente, o normal é que as pessoas pensem que esses recursos são o que verdadeiramente é necessário para evitar que a crise se torne mais aguda e se alastre.

Mas eu temo que, mesmo que as injeções continuem proporcionando mais dinheiro líquido aos bancos que operam em escala internacional, elas não vão conseguir parar a crise, porque não é isso que realmente é necessário para controlá-la.

Mais do que isso, até poderia ocorrer que ao colocar à disposição dos bancos cada vez mais recursos líquidos o único resultado seja conseguir que eles continuem fazendo o mesmo tipo de operação que provocou a crise.

Como já foi explicado suficientemente para quem tenha querido compreender, o que provocou a atual desordem financeira foi um processo bastante simples de entender. Amparados pelo boom imobiliário, muitos bancos, principalmente norte-americanos, multiplicaram sua oferta de hipotecas, evidentemente umas mais seguras ou arriscadas do que outras.

Como havia uma grande demanda de créditos, chegou o momento em que os próprios bancos precisaram de recursos alheios para continuar oferecendo títulos de crédito.

Como ocorre com qualquer prestamista, os bancos também tinham que oferecer garantias ou contrapartidas para obter essa liquidez adicional na forma de empréstimos interbancários. E para que pudessem dispor disso com comodidade, foram autorizados a criar novos produtos financeiros derivados das hipotecas que tinham concedido: as chamadas MBS (Mortgage Backed Securities ou obrigações garantidas por hipotecas).

Este produto era, na verdade, uma espécie de “pacote” no qual estavam as hipotecas boas (prime) e as ruins ou muito arriscadas (sub-prime); ou seja, continham, ao mesmo tempo, produtos seguros, mas também outros muito arriscados.

E são esses “pacotes” que foram adquiridos —muitas vezes sem saber realmente o que estavam adquirindo, do ponto de vista do risco, porque não se conhecia o que havia “dentro”— por uma infinidade de bancos de todo o mundo quando começaram a financiar uns aos outros.

A crise estourou quando as hipotecas sub-prime deixaram de ser pagas e, como já é fácil de imaginar, alastrou-se na medida em que o conteúdo desses tais “pacotes” ia sendo descoberto.

Por que, então, os bancos centrais vão injetar tantos recursos para enfrentar uma crise iniciada dessa maneira?

A resposta é fácil: não é por não haver dinheiro, mas porque os bancos não estão emprestando entre eles, temendo que a garantia recebida esteja, por assim dizer, contaminada por um risco oculto alto demais. E porque se os bancos não emprestam entre si, a crise acaba afetando não só os bancos, mas os industriais, os empresários, os consumidores... como está ocorrendo.

Por enquanto, o que os bancos centrais estão fazendo é proporcionar liquidez em troca, fundamentalmente, ... dos pacotes “sujos” (de altíssimo risco) que estão em poder dos bancos!

É assim que estão tentando tirar do mercado os produtos de alto risco, que, ao circular com transparência nula, paralisam a atividade bancária.

Dito de outra maneira, a operação “salvadora” dos bancos centrais está consistindo simplesmente em assumir o risco financeiro criado pela banca internacional, mas o que não está claro de jeito nenhum é que assim possam conseguir evitar o desastre que, como uma mancha de óleo, já pode ter se alastrado de modo irreversível por todo o sistema financeiro internacional.

Acredito que esse último dado é verdadeiro porque eu acho que injetando mais liquidez não se garante que os bancos vão deixar de criar e difundir títulos e produtos financeiros cada vez mais arriscados ou irrealizáveis e, portanto, de aproximar-se cada vez mais das fronteiras da insolvência. Queira-se ou não, a atividade bancária é como andar de bicicleta: se você parar, cai. Ou seja, que ou continuam fazendo o que faziam ou geram perdas ou insolvência.

Por que podemos ter essa suspeita? Porque, na verdade, ninguém sabe o que há no fundo de todos esses produtos financeiros derivados uns dos outros e que hoje em dia são o eixo do investimento financeiro. A opacidade é praticamente total, entre outras coisas, porque assim quiseram e permitiram os bancos centrais que sejam as finanças internacionais da nossa época: sem controle nem transparência.

Considere-se que o processo que desencadeou a crise tem sido possível porque o FED, o banco central dos Estados Unidos, permitiu em seu momento que os créditos hipotecários gerassem “derivados” na forma que mencionei acima e porque todos os grandes bancos centrais ignoraram reiteradamente as demandas para que estabelecessem maior controle e transparência neste tipo de operações de alto risco, feitas, inclusive, por alguns governantes conservadores.

Agora, quando a crise estourou e ninguém sabe quem vai ludibriar quem, o que ocorreu, como acabo de apontar, é que os bancos não confiam em ninguém na hora de mover os recursos de uns para outros, como é imprescindível que ocorra nos mercados financeiros, nem têm possibilidade de gerar novos recursos sem assumir, mais uma vez, riscos elevados.

Os bancos centrais podem continuar injetando liquidez eternamente, mas com isso não proporcionam o remédio que, nestas alturas, se requer com urgência: controle, transparência e confiança.

Juan Torres López é catedrático de Economia Aplicada da Universidade de Málaga (Espanha). Sua página web: www.juantorreslopez.com

Tradução: Naila Freitas / Verso Tradutores
> LEIA MAIS | Economia |
• No início da segunda etapa da crise global
• Por onde anda a famosa "mão invisível" do mercado?
• José Luís Fiori: Crises e hecatombes
Fonte: Agência Carta Capital

Share/Save/Bookmark

ISRAEL ATERRORIZA GAZA

A informação é da BBC:

A situação humanitária na Faixa de Gaza é a mais sombria desde que Israel ocupou o território em 1967, de acordo com organizações de direitos humanos e desenvolvimento sediadas na Grã-Bretanha.

Entidades que incluem a Anistia Internacional, Save the Children, Cafod, Care International e Christian Aid, consideraram o bloqueio à Faixa de Gaza, imposto há quase dois meses, como uma punição coletiva ilegal.

O relatório "Faixa de Gaza: Uma Implosão Humanitária", diz que o bloqueio acentuou dramaticamente os níveis de pobreza e desemprego, e levou à deterioração dos serviços de educação e saúde.


Mais de 1,1 milhão de habitantes da Faixa de Gaza dependem da concessão de surprimentos em caráter humanitário e dos 110 mil trabalhadores empregados no setor privado, 75 mil perderam o emprego, diz o documento.

"A menos que o bloqueio termine agora, será impossível tirar a Faixa de Gaza da beira do precipício e qualquer esperança de paz para a serião será destruída", disse Geoffrey Dennis, da Care International da Grã-Bretanha.
"Punir a população inteira da Faixa de Gaza negando a ela estes direitos humanos básicos é totalmente indefensável", disse a diretora da Anistia Internacional na Grã-Bretanha, Kate Allen.

"A Faixa de Gaza não pode se tornar um parceiro para a paz a menos que Israel, a Fatah e o Quarteto (EUA, ONU, União Européia e Rússia) envolvam o Hamas e dêem ao povo da Faixa de Gaza um futuro", disse Daleep Mukarji, da Christian Aid.

OMS acusa Israel de assassinar palestinos Gaza continua sofrendo com o bloqueio
A Organização Mundial de Saúde acusa Israel de assassinar palestinos doentes ao impedir que eles deixem a faixa de Gaza em busca de socorros médicos.

Até o momento 32 palestinos já morreram enquanto aguardavam vistos de viagem.

A OMS afirmou que “um tratamento mais rápido poderia ter salvado a vida dos pacientes”.

"Todas essas tragédias poderiam ter sido facilmente evitadas", afirmou o chefe do escritório da OMS para a Cisjordânia e a Faixa de Gaza, Ambrogio Manenti, em uma entrevista coletiva.

Autoridades palestinas da área da saúde na Faixa de Gaza disseram que desde junho do ano passado, mais de 100 pacientes já morreram após terem seus pedidos de visto negados.

Gaza continua sofrendo bloqueio israelense. Energia elétrica, alimentos, remédios e até água potável foram cortados.

A ONU protestou, a União Européia também protestou, mas de nada adiantaram esses protestos.

FONTE: Blog do Bourdoukan

Share/Save/Bookmark

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Miséria nos Estados Unidos

Isto a mídia não mostra


28 milhões de cidadãos, nos EUA, dependem de "bônus de caridade", para comer.
Esta foto está no The Independent, UK. Clique
AQUI para ler a notícia em inglês.

Fonte: Blog do Bourdoukan

Share/Save/Bookmark

Greve de Fome

por Georges Bourdoukan

A palestina Noura Al Hashlamoon de 37 anos, mãe de seis filhos, completa hoje 22 dias de greve de fome. Ela está detida na prisão de Al Ramla, Israel.

A informação é do Centro de Estudos Al Huquk.

A ex-prisioneira Raja Al Ghoul informou que Noura tem sofrido todo tipo de violação. Mohammad, o marido de Noura também está preso e os seis filhos do casal estão na casa da avó.
Noura foi seqüestrada pelo exército israelense há 15 meses. Foi interrogada durante semanas, apesar de não existirem ordens de prisão contra ela. Seu marido foi preso em 2006.

Várias organizações de Direitos Humanos protestaram, mas o governo de Israel recusa-se a dar qualquer informação. Atualmente Israel mantém mais de 10 mil e 500 prisioneiros em seus cárceres, centenas deles mulheres e crianças, sem que haja qualquer acusação
contra eles.

Fonte: Blog do Bourdoukan

Share/Save/Bookmark

SERRA, O FABRICANTE DE DOSSIÊS

Santoro (à esquerda) e Itagiba: se tem uma coisa de que eles entendem é de grampo ilegal

Paulo Henrique Amorim

Máximas e Mínimas 1048


“... (Serra) É um sujeito sem
nenhum escrúpulo” – Ciro Gomes


. Luiz Carlos Azenha, editor de um dos melhores sites de opinião e informação da internet brasileira, reproduziu – em boa hora – o histórico discurso do Senador José Sarney, em 20 de março de 2002, para denunciar a patranha que o candidato a presidente José Serra e o presidente da República Fernando Henrique Cardoso montaram para destruir a candidatura da filha de Sarney, Roseana, então governadora do Maranhão, e que liderava o IBOPE na disputa pela Presidência.

. Clique aqui para ler a íntegra do discurso de Sarney.

. Quem já descreveu a patranha em detalhes foi Saulo Ramos, no livro “Código da Vida”.

. E nem Serra nem o Farol de Alexandria foram à Justiça processar Saulo.

. Sarney e Saulo mostram como Serra e o Farol usaram o Ministério Público e a Polícia Federal, e a revista Época para desmontar Roseana.

. Para facilitar a leitura do amigo leitor enquanto vai ao site do Azenha, me permito fazer aqui um “quem é quem” da patranha:

. Procurador Mário Lúcio Avelar – autor da frase “então escreve: sou o Procurador do Serra”. Foi quem recebeu a documentação apreendida no escritório do marido de Roseana. Avelar é o mesmo “Procurador de Serra” que participou das investigações sobre os “aloprados”.

. Sobre os aloprados e os cartões corporativos da Dona Ruth, clique aqui para ler.

. Fence – empresa especializada em grampos e controlada por um ex-funcionário da área de telecomunicações do falecido SNI. A Fence foi contratada pelo Ministro da Saúde José Serra para fazer serviços de “inteligência” ...

. Márcio Fortes – da tropa de choque de Serra que, segundo Sarney, contratou agentes da área de informação, não desmobilizados para fazer dossiês.

. Aloysio Nunes – Ministro da Justiça do Farol e atual Chefe da Casa Civil do presidente eleito. Na época, deu total cobertura à patranha e não moveu uma palha para apurá-la.

. Paulo Renato de Souza – atual deputado federal pelo PSDB (aquele que pede licença ao Bradesco para falar mal de bancos estatais). Na época, Ministro da Educação e possível rival de Serra. Foi vítima de um dossiê preparado pela tropa de choque de Serra.

. Tasso Jereissati – também do PSDB e vítima de um dossiê preparado pela tropa de choque de Serra.

. José Roberto Santoro – Sub-Procurador da República que ajudou a montar a patranha. Servia no Ministério da Saúde, no tempo de Serra, sabe-se lá para fazer o que. Recentemente, Santoro prestou relevantes serviços como consultor para assuntos “legais” da Brasil Telecom, DEPOIS que Dantas saiu da BrT. Quer dizer, é tudo farinha do mesmo saco ...

. Marcelo Itagiba – outra farinha do mesmo saco. Atual deputado, Itagiba era delegado da Polícia Federal e mandava no Rio, onde prestou relevantes serviços à causa Dantas de “como enriquecer com o dinheiro dos outros”. Itagiba ajudou Santoro na patranha e agora o PiG o transformou em herói da causa “contra os grampos”. Se tem matéria de que Itagiba entende é essa – grampo ilegal ...

. Andrade Vieira – senador pelo Paraná, foi presidente do Bamerindus, morto em 1999. Em 1994, entregou cinco milhões de reais numa mala ao candidato Fernando Henrique Cardoso. EM DINHEIRO E EM MÃOS A FHC...

. Fernando Henrique Cardoso – recebeu no Palácio da Alvorada, logo após a realização da patranha, um fax que dizia: “missão cumprida”.

. Paulo de Tarso Gomes, delegado da Polícia Federal encarregado de executar a patranha. O mesmo que desmontou o Dossiê Cayman.

. Época – revista das Organizações (?) Globo, então dirigida por Paulo Moreira Leite, que enobrece as páginas do iG. Veja o que diz Sarney: “A data e a hora foram escolhidas – sexta-feira, fim de tarde -, para impedir a tomada de defesas judiciais ... Os seus objetivos e resultados estavam sendo aguardados (o grifo é meu, de PHA) por uma revista semanal (Época), para que fosse sua reportagem de capa, até com outdoors.” Quer dizer: a Época foi cúmplice da patranha. Uma operação que se assemelha à do delegado Bruno, que fez uma patranha com legítimos representantes do PiG para distribuir – de novo ! – a foto do dinheiro dos aloprados. A mesma tecnologia e o mesmo PiG !

. Sobre a urdidura da patranha, acompanhe o discurso de Sarney, em boa hora, republicado por Azenha.

. Clique aqui também para ler “Folha elege Serra que tem menos chance que o Vesgo”.

Fonte: Conversa Afiada


Share/Save/Bookmark

BRASIL, O PARAGUAI DE AMERICANOS E CHINESES

Por Luiz Carlos Azenha

Produzimos soja com sementes geneticamente modificadas da Monsanto. A soja é tratada com herbicida produzido pela Monsanto. O herbicida contamina pessoas e rios brasileiros. Pagamos caro pela tecnologia que gera as sementes e o herbicida. Exportamos matéria bruta e importamos inteligência. De quebra, mandamos água, muita água, que vai "embutida" na soja que alimenta os porcos chineses. Somos ou não o Paraguai de americanos, europeus e chineses?

Fonte: Vi o Mundo


Share/Save/Bookmark

Terrorismo midiático é arma política contra a democracia

DECLARAÇÃO DE CARACAS

Encontro inédito realizado em Caracas denuncia prática do terrorismo midiático por parte das grandes empresas de comunicação, acusadas de falsificar informações e agredir permanentemente os povos e governos que lutam pela paz e pela justiça social. O encerramento do I Encontro Latino-Americano contra o Terrorismo Midiático, domingo (30), foi marcado pela debate "Agências contra a guerra midiática", com a participação dos diretores das agências de notícias estatais da Argentina (Télam), Venezuela (ABN), Bolívia (ABI) e Cuba (Prensa Latina). Ao final do encontro que reuniu intelectuais e profissionais da comunicação de 14 países, em Caracas, foi lida a "Declaração de Caracas contra o terrorismo midiático".

A Declaração de Caracas faz um chamado aos chefes de Estado da América Latina e Caribe para que incluam o tema do terrorismo midiático em todas as reuniões e fóruns internacionais. O documento denuncia a prática da falsificação de informações por parte das grandes empresas transnacionais de comunicação, qualificando-a como uma agressão massiva e permanente contra os povos e governos que lutam pela paz, pela justiça social e pela inclusão. “O terrorismo midiático é a primeira expressão e condição necessária do terrorismo militar e econômico que o Norte industrializado emprega para impor à Humanidade sua hegemonia imperial e seu domínio neocolonial”, diz o texto. Como tal, acrescenta, “é inimigo da liberdade, da democracia e da sociedade livre, devendo ser considerado como a peste da cultura contemporânea”.

Em nível regional, diz ainda a declaração, “o terrorismo midiático é utilizado como arma política para a derrubada de governos democráticos de países como Guatemala, Argentina, Chile, Brasil, Panamá, Granada, Haiti, Peru, Bolívia, República Dominicana, Equador, Uruguai e Venezuela, além de estar sendo empregado para sabotar qualquer acordo humanitário ou saída política para o conflito colombiano, regionalizando a guerra na zona andina”.

O evento foi realizado ao mesmo tempo que a reunião da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), que também ocorreu na capital venezuelana. O argentino Jorge Steinsleger defendeu que o terrorismo midiático, "é o conceito de liberdade de expressão que rege a SIP".

O fórum contra o terrorismo da mídia contou com a grande participação da população de Caracas e de diversas cidades da Venezuela. Foi necessário disponibilizar televisores no saguão do centro cultural onde ocorre o evento para que todos os interessados pudessem escutar as palestras, uma vez que a sala de exposições não contava com o espaço suficiente para acolher todos os assistentes.

Além dos debates, várias propostas foram apresentadas no encontro. No sábado, o brasileiro Beto Almeida propôs a criação de um fórum latino-americano de redes públicas de TV e um circuito latino-americano de cinema. Na sexta-feira, o jornalista venezuelano Earle Herrera abordou o tema das mídias alternativas e comunitárias, defendendo seu fortalecimento para realizar uma "guerra de guerrilhas das comunicações".

No sábado, foi realizada uma manifestação de rua que passou na frente do edifício onde estava ocorrendo a assembléia da SIP. Um grupo teatral de Caracas encenou a obra "Liberdade de Pressão", dedicada aos meios de comunicação latino-americanos controlados pela direita.

O evento também teve uma exposição do famoso caricaturista cubano Ares, denominada "Liberdade de impressão", na qual são expostas obras que retratam os abusos das grandes empresas informativas e suas conseqüências para os povos latino-americanos.

Tradução: Naila Freitas / Verso Tradutores

Fonte: Agência Carta Maior

Share/Save/Bookmark

O CUSTO DA GUERRA: 6.000.000.000.000 de dólares

2008 será o ano mais caro da guerra do Iraque. Os críticos fazem contas sobre o que teria sido possível fazer nos EUA com o dinheiro gasto até aqui. Com um trilhão de dólares, seria possível contratar mais 15 milhões de professores, garantir assistência para 530 milhões de crianças e financiar as bolsas de 43 milhões de estudantes.

Até militares estadunidenses de alta graduação admitem há bastante
tempo que as tropas coligadas nos dois cenários principais da guerra
mundial contra o terror - Iraque e Afeganistão - são um desastre. Já
derrubaram pela força dois regimes, carregando, assim, com uma guerra
cujo fim não é previsível. Economicamente, essas guerras são uma
catástrofe ainda maior. Não é possível ganhá-las e há muito tempo não
são financiáveis, nem sequer para um país como os EUA.

Há 5 anos, foi dito à opinião pública norte-americana que a guerra do
Iraque custaria, no máximo, 200 bilhões de dólares; no pior dos casos,
270 bilhões. Os gastos armamentísticos do Pentágono chegavam então a
350 bilhões de dólares. O duelo armado foi "vendido" como uma guerra
barata, que só poderia trazer benefícios para os EUA e para o mundo
todo: mais segurança e uma redução no preço do petróleo.

Lawrence Lindsay, o assessor econômico da Casa Branca que ousou falar
em 200 bilhões de dólares, foi demitido. O governo Bush havia afirmado
antes que toda a empreitada custaria, no máximo, entre 50 e 60 bilhões
de dólares. Uma insolente mentira, destinada a tranqüilizar a opinião
pública norte-americana diante dos planejados - e pouco depois
executados - cortes fiscais para os proprietários de capital e
patrimônio.

Alguns economistas, como William Nordhaus, da Universidade de Yale,
chegaram a estimativas modestas que multiplicavam por mais de cinco o
valor anunciado pelo governo: 1,9 trilhões de dólares.

É fácil explicar a diferença: todos os custos posteriores à guerra
simplesmente haviam sido omitidos pelo governo. Assim, os custos com a
reparação dos estragos bélicos, que no Iraque, segundo cálculos
conservadores, podiam chegar a várias centenas de milhares de milhões
de dólares. Assim, também, os custos de assistência às vítimas da
guerra, que no Iraque multiplicam por muito os custos que já
representa essa partida para os EUA. Assim, também, os custos em
dívida pública, que a política fiscal de George W. Bush, sozinha, já
faria aumentar.

Joseph Stiglitz, que se tornou célebre como crítico da política
devastadora do Banco Mundial, deu-se ao trabalho, junto com a ex-
conselheira do governo Clinton, Linda Bilmes, de calcular exatamente
quanto custou até agora a guerra do Iraque. Chamou-lhes a atenção, já
em 2005, a incongruência dos dados oficiais do Escritório Orçamentário
do Congresso (CBO, em inglês): de acordo com esses dados, os custos da
guerra do Iraque teriam sido até então de apenas 500 bilhões de
dólares: dez vezes o custo bélico originalmente anunciado, mas, mesmo
assim, um valor manifestamente baixo. Começaram, portanto, a
investigar a coisa com maior detalhe e ofereceram, em janeiro de 2006,
seus resultados provisórios: com uma estimativa conscientemente
conservadora, os custos da guerra, na opinião de ambos, teriam que
estar entre o trilhão e os dois trilhões de dólares.

Reação oficial do governo Bush: quando entramos em uma guerra, não
nos submetemos aos ditados da contabilidade. Stiglitz e outros
"derrotistas" foram censurados por simplesmente passar por alto o bem
que a guerra representava para o Iraque e para o resto do mundo.

Stiglitz e Bilmes, então, entraram em detalhes para refutar as
manobras falsárias do governo. A guerra tinha sido financiada até
aquele momento graças a 25 leis de emergência, ou seja, com leis
orçamentárias extraordinárias. Além disso, o Pentágono teve o cuidado
de não calcular o conjunto dos custos bélicos efetivos.

Após meses de pesquisas, Stiglitz e Bilmes publicaram agora seus
circunstanciados descobrimentos. O resultado é assustador: a guerra de
Bush no Iraque custou, só aos EUA, 3 trilhões de dólares. Nessa
quantia estão incluídos os gastos bélicos diretos, na medida em que se
refletem no orçamento dos EUA. A isso é preciso acrescentar os custos
propriamente econômicos, que não aparecem no orçamento: Stiglitz e
Bilmes calculam os efeitos macroeconômicos e econômico-planetários da
guerra em pelo menos outros 3 trilhões de dólares. Apenas os custos
diretos da guerra de Bush já ultrapassam os das guerras do Vietnã e da
Coréia somados. O montante, estimado de modo conservador, destes 6
trilhões de dólares eqüivale aproximadamente ao valor de todas as
reservas de ouro e divisas do mundo. Todos os meses, os EUA precisam
desembolsar mais de 16 bilhões de dólares em custos correntes para as
guerras do Iraque e do Afeganistão, além dos 439 bilhões de dólares do
orçamento de defesa.

Chama a atenção a quantidade de coisas que o Pentágono e os
assessores econômicos do governo de Bush passam por alto em matéria de custos: por exemplo, o custo dos soldados mortos e de seus familiares
e dependentes. Ou o dispêndio gerado pelos numerosos feridos ou os
gravemente mutilados, aos quais técnicas médicas avançadas conseguiram
salvar a vida, ao preço de terem que continuar vivendo como jovens
inválidos. Isso para não falar das vítimas iraquianas da guerra, que
segundo estimativas de organizações não governamentais ascendem ao
milhão de pessoas. E que também não aparecem nos cômputos de Stiglitz
e Bilmes.

O governo dos EUA também mentiu no tocante aos custos da supostamente tão eficiente privatização da guerra. Os empregados das empresas de segurança que por encomenda do Pentágono desenvolvem no Iraque seu sangrento negócio custam, em média, dez vezes mais do que custa um G.I. regular (soldados de infantaria) - 400.000 dólares por ano, contra 40.000. Agora há 180.000 mercenários no Iraque. Comparadas a isso, as medidas de economia adotadas parecem piada de falsário: os soldados norte-americanos teriam que financiar parcialmente seu equipamento, segundo exigem os estudos de substituição de danos do Pentágono.

Stiglitz e Bilmes calcularam, também, o que já custou o aventureiro financiamento da guerra de Bush e o que vai terminar custando. Por causa dos cortes fiscais massivos em favor das grandes empresas e dos possuidores de capital e patrimônio, uma parte crescente dos gastos bélicos teve que ser financiada com créditos. Isso vai custar, nos próximos anos, centenas de milhares de milhões de dólares em juros. Uma vez que os norte-americanos não economizam, senão que vivem em esmagadora maioria de empréstimos (muitos foram forçados a isso por salários e rendas em baixa), os juros terão que ser financiados com importações de capital. O crescente endividamento do Estado transforma- se, assim, a um ritmo vertiginoso, em um crescente endividamento exterior.

O governo Bush acaba dentro de alguns meses; as conseqüências
financeiras de sua aventura bélica serão padecidas pelas gerações e os
governos vindouros.

Qualquer economista sabe o que os belicistas bushistas ignoram: aos custos diretos de uma guerra, que aparecem como gasto militar nos
orçamentos, somam-se sempre os custos econômicos de conjunto. Stiglitz
e Bilmes calculam aqui, entre outros, os efeitos do rápido aumento do
preço do petróleo. Foi prometido que, graças à intervenção no Iraque, o
preço cairia de maneira duradoura; como sabe todo o mundo, atualmente
ronda os 100 dólares por barril. Isso tem enormes conseqüências, não
só para a economia dos EUA, mas para toda a economia mundial.
Conseqüências que só são um pouco menos graves graças à queda do dólar.

Em outono de 2007, até os congressistas conservadores ficaram
assombrados com a desenvoltura com que, quase simultaneamente, o
presidente Bush solicitava 200 bilhões de dólares adicionais para sua
guerra e vetava a aprovação pelo Congresso de um gasto de 20 bilhões
de dólares destinados ao saneamento e restauração de escolas públicas.

A preocupação dos congressistas tinha fundamento, porque os custos da
guerra continuam subindo sem freio. 2008 será o ano mais caro da guerra do Iraque. Os críticos agora fazem contas sobre o que teria sido possível começar a fazer com essas enormes quantias para acabar com as misérias que castigam o país mais rico da terra. Com um trilhão de dólares, teriam podido contratar mais 15 milhões de professores, garantir assistência para 530 milhões de crianças, financiar as bolsas de 43 milhões de estudantes. Teriam podido fazer o saneamento das urbanizações miseráveis, renovar os arruinados edifícios das escolas de todo o país. Com uma parte do montante desperdiçado na demonstração de superioridade militar, os EUA teriam podido, finalmente, permitir-se colocar os alicerces de um Estado social moderno. Tudo isso poderia ter sido feito, se não se fosse
escravo da superstição da "seriedade", da respeitabilidade e da ombridade de uma casta governante orgânica na classe dos proprietários de capital e patrimônio.

Os propagandistas da guerra mundial contra o "terror" afirmam que a guerra não deixou, contudo, de ter suas vantagens. E é verdade que quem quiser proceder a um cálculo custo/benefício não pode deixar de computar os benefícios desta guerra. A propaganda de Bush não ousou, até agora, pôr nos "Haveres da Guerra" os de fato enormes benefícios que ela tem trazido para as trasnacionais petroleiras estadunidenses, para as empresas de construção, para as empresas de segurança e para a indústria armamentista. Seria perfeitamente congruente com a lógica neoliberal levar a conta dos benefícios obtidos - ou pelo menos, "garantidos"- pelos oportunistas da guerra em matéria de "postos de trabalho" e "investimentos".

Para Joseph Stiglitz é difícil - como para qualquer economista competente na análise custo/benefício- reconhecer o menor proveito nesta guerra. A única vantagem que um perito econômico imbuído de todo o cinismo que costuma acompanhar a profissão poderia, talvez, divisar no processo bélico é que serviu para tornar mais lento o crescimento da economia dos EUA. Graças a isso, a grande crise econômica mundial que se aproxima talvez se abaterá com menor virulência do que teria sido sem a guerra.

Peste ou cólera, guerra ou crise: qual é o "mal menor" do capitalismo realmente existente?

*Michael Krätke, membro do Conselho Editorial de SINPERMISO, estudou
Economia e Ciências Políticas em Berlim e em Paris. Atualmente é
professor de Ciências Políticas
e de Economia em várias universidades
alemãs e no estrangeiro, desde 1981 principalmente em Amsterdã. Co-
editor da revista alemã SPW (Revista de política socialista e economia) e da nova edição crítica das Obras Completas de Marx e Engels (Marx-Engels Gesamtausgabe, nueva MEGA). Pesquisador associado ao Instituto Internacional de História Social em Amsterdã. Autor de numerosos livros sobre economia política internacional.


Tradução para Sinpermiso.info: Amaranta Süss

Tradução para Carta Maior: Naila Freitas / Verso Tradutores

Fonte: Agência Carta Maior


Share/Save/Bookmark

terça-feira, 1 de abril de 2008

Sobre Ali Kamel- incrivelmente o cara é diretor de jornalismo da Globo.

Vejam no site Vi o Mundo:

E vejam no Blog do Mello tudo o que este escreveu sobre o Ali Kamelo, ops, Kamel.
Share/Save/Bookmark

PRIMEIRO DE ABRIL DE 1964: SEGUNDO "O GLOBO", NASCIA UM PARAÍSO NO PLANETA



editorial de "O Globo", em 02/04/1964

Vive a Nação dias gloriosos. Porque souberam unir-se todos os patriotas, independentemente de vinculações políticas, simpatias ou opinião sobre problemas isolados, para salvar o que é essencial: a democracia, a lei e a ordem. Graças à decisão e ao heroísmo das Forças Armadas, que obedientes a seus chefes demonstraram a falta de visão dos que tentavam destruir a hierarquia e a disciplina, o Brasil livrou-se do Governo irresponsável, que insistia em arrastá-lo para rumos contrários à sua vocação e tradições.

Como dizíamos, no editorial de anteontem, a legalidade não poderia ser a garantia da subversão, a escora dos agitadores, o anteparo da desordem. Em nome da legalidade, não seria legítimo admitir o assassínio das instituições, como se vinha fazendo, diante da Nação horrorizada.

Agora, o Congresso dará o remédio constitucional à situação existente, para que o País continue sua marcha em direção a seu grande destino, sem que os direitos individuais sejam afetados, sem que as liberdades públicas desapareçam, sem que o poder do Estado volte a ser usado em favor da desordem, da indisciplina e de tudo aquilo que nos estava a levar à anarquia e ao comunismo.

Poderemos, desde hoje, encarar o futuro confiantemente, certos, enfim, de que todos os nossos problemas terão soluções, pois os negócios públicos não mais serão geridos com má-fé, demagogia e insensatez.

Salvos da comunização que celeremente se preparava, os brasileiros devem agradecer aos bravos militares, que os protegeram de seus inimigos. Devemos felicitar-nos porque as Forças Armadas, fiéis ao dispositivo constitucional que as obriga a defender a Pátria e a garantir os poderes constitucionais, a lei e a ordem, não confundiram a sua relevante missão com a servil obediência ao Chefe de apenas um daqueles poderes, o Executivo.

As Forças Armadas, diz o Art. 176 da Carta Magna, "são instituições permanentes, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade do Presidente da República E DENTRO DOS LIMITES DA LEI."

No momento em que o Sr. João Goulart ignorou a hierarquia e desprezou a disciplina de um dos ramos das Forças Armadas, a Marinha de Guerra, saiu dos limites da lei, perdendo, conseqüentemente, o direito a ser considerado como um símbolo da legalidade, assim como as condições indispensáveis à Chefia da Nação e ao Comando das corporações militares. Sua presença e suas palavras na reunião realizada no Automóvel Clube, vincularam-no, definitivamente, aos adversários da democracia e da lei.

Atendendo aos anseios nacionais, de paz, tranqüilidade e progresso, impossibilitados, nos últimos tempos, pela ação subversiva orientada pelo Palácio do Planalto, as Forças Armadas chamaram a si a tarefa de restaurar a Nação na integridade de seus direitos, livrando-os do amargo fim que lhe estava reservado pelos vermelhos que haviam envolvido o Executivo Federal.

Este não foi um movimento partidário. Dele participaram todos os setores conscientes da vida política brasileira, pois a ninguém escapava o significado das manobras presidenciais. Aliaram-se os mais ilustres líderes políticos, os mais respeitados Governadores, com o mesmo intuito redentor que animou as Forças Armadas. Era a sorte da democracia no Brasil que estava em jogo.

A esses líderes civis devemos, igualmente, externar a gratidão de nosso povo. Mas, por isto que nacional, na mais ampla acepção da palavra, o movimento vitorioso não pertence a ninguém. É da Pátria, do Povo e do Regime. Não foi contra qualquer reivindicação popular, contra qualquer idéia que, enquadrada dentro dos princípios constitucionais, objetive o bem do povo e o progresso do País.

Se os banidos, para intrigarem os brasileiros com seus líderes e com os chefes militares, afirmarem o contrário, estarão mentindo, estarão, como sempre, procurando engodar as massas trabalhadoras, que não lhes devem dar ouvidos. Confiamos em que o Congresso votará, rapidamente, as medidas reclamadas para que se inicie no Brasil uma época de justiça e harmonia social. Mais uma vez, o povo brasileiro foi socorrido pela Providência Divina, que lhe permitiu superar a grave crise, sem maiores sofrimentos e luto. Sejamos dignos de tão grande favor.

FONTE: Vi o Mundo


Share/Save/Bookmark

BEATRIZ KUSHNIR: O LIVRO QUE A MÍDIA FEZ QUE NÃO VIU


Beatriz Kushnir escreveu um livro "incômodo" para a mídia brasileira. É "Cães de Guarda - Jornalistas e Censores, do AI-5 à Constituição de 1988", que conta histórias interessantes sobre os bastidores de jornais e emissoras de televisão durante o regime militar. Fala do funcionário que Victor Civita despachou para "treinar" censores em Brasília. Fala dos censores que foram trabalhar dentro da TV Globo. Fala dos policiais que se tornaram "jornalistas" e dos jornalistas que fizeram papel de policiais. Fala dos bastidores da "Folha da Tarde", o jornal do grupo Folha que prestou serviços à repressão. Está explicado, portanto, o motivo pelo qual esse livro quase não foi resenhado. Beatriz hoje é diretora do Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro, que tem um dos maiores acervos da imprensa alternativa que floresceu durante o regime militar.
Por Luiz Carlos Azenha
Fonte: Vi o Mundo
Share/Save/Bookmark

DANTAS PÕE AS CARTAS NA MESA. LULA, CITI E FUNDOS FAZEM O QUE DANTAS MAIS QUER

A chantagem é uma hipótese

Paulo Henrique Amorim

Máximas e Mínimas 1044


. A leitura da reportagem do excelente Samuel Possebon, da Teletime – clique aqui para ler – levanta hipóteses de fazer chorar.

. A hipótese mais constrangedora é que a República Federativa do Brasil, através da Presidência da República, se curvou diante de uma forma de pressão que se poderia chamar de chantagem, e obrigou os fundos de pensão e o Citi a ceder às pressões de Dantas.

. Quer dizer, Dantas governou o Brasil.

. Se não, vejamos.

. A começar pelo HOUAISS e a definição de “chantagem”:

. substantivo feminino


1- pressão exercida sobre alguém para obter dinheiro ou favores mediante ameaças de revelação de fatos criminosos ou escandalosos (verídicos ou não)

2- Rubrica: termo jurídico.
crime de extorsão por esse meio

. Vamos voltar à Teletime, do respeitado jornalista Rubens Glasberg, que, no início desse processo de cessão de direitos a Daniel Dantas, fez 52 perguntas que o Governo, o BNDES e os Fundos não conseguem responder (clique aqui para ler as perguntas de Glasberg)


. Na quinta-feira da semana passada, tudo indicava que as chances de o Citi fazer acordo com Dantas em Nova York eram remotas.

. Naquela mesma tarde, o Citi enfiou na Justiça de Nova York uma nova acusação contra Dantas: a de que ele fazia chantagem contra o Citi.

. Veja bem: às cinco da tarde, o Citi ia à Justiça de Nova York com uma quinta versão da acusação contra Dantas – agora acusações ainda mais pesadas, o que incluiu a acusação de chantagem.

. Cinco da tarde em Nova York.

. Às oito noite, o Citi fazia o acordo da “BrOi” com Dantas, no Brasil.

. Sem a garantia de que a “BrOi” viesse a existir.

. O que aconteceu para que ocorresse essa vira-volta fulminante ?

. Vamos reter alguns pontos da reportagem de ontem de Samuel Possebon:

“... a garantia que o banco norte-americano e que os fundos têm de que valerá a pena passar uma borracha em cima dos prejuízos causados por Daniel Dantas é, concretamente, nenhuma. Ou, na melhor das hipóteses, meramente política.”

. E mais:

“... fundos e Citibank estão aceitando um acordo com o Opportunity, abrindo mão de recuperar na justiça todos os prejuízos causados por Dantas ao longo dos últimos anos, simplesmente porque existe uma grande pressão para que a fusão entre Oi e Brasil Telecom saia. Ou seja, em nome da BrOi, o Opportunity ganha um atestado de boa conduta daqueles que o acusaram ao longo de todos estes anos.”

. Um presidente de um dos três Fundos em questão – Previ, Petros e Funcef – disse a Rubens Glasberg que a “BrOi” era o equivalente a fazer um acordo com o líder do tráfico na favela, para poder viver em paz.

. O presidente do Fundo só fala em off.

. Nesta história edificante, só se fala em off.

. Ninguém tem a coragem de botar a cara na janela.

. Só os nobres colonistas do PiG.

. E o Ministro das Comunicações, Hélio Costa que, como se sabe, recebe informações direto do ET de Varginha ...

. Onde estamos ?

. Que pressão política é essa ?

. Quem tem o poder de exercer pressão política sobre o Ministro da Fazenda, para fazer pressão sobre o Citi, e ao mesmo tempo fazer pressão sobre os presidentes de Fundos ?

. E fazer pressão por que ?

. Por que a Presidência da República estaria desesperada, aflita para criar a player das players em telefonia – essa ficção concebida pelo “fusionador” Luciano Coutinho – antes de mudar a Lei que a permita ?

. (E para conseguir a “BrOI” será necessário que os diretores do BNDES, um por um, assinem contratos de financiamento aos empresários (?) Carlos Jereissati e Sérgio Andrade –, que trazem na biografia a história da Pegasus – clique aqui para ler “Pegasus, a mãe de todas as “BrOi”’.

. Os diretores do BNDES vão assinar um contrato em que os dois (empresários (?) não põem um tostão.

. Veja que ontem a PHA Comunicação reafirmou a proposta: dar R$ 1 a mais do que Jereissati e Andrade puserem DO PRÓPRIO BOLSO no negócio – clique aqui para ler.

. Uma das hipóteses – ressalto, aqui, HIPÓTESE, de minha exclusiva autoria – e que deriva das informações de Glasberg e Possebon.

. Veja bem, a hipótese é:

- Dantas chantageou o Governo da República.

. Com que ?

. Para voltar ao Houaiss: Dantas poderia – ressalte-se PODERIA – ter ameaçado revelar fatos criminosos ou escandalosos, verídicos ou não.

. Que fatos PODERIAM ser esses ?

. A planilha Excell com as relações de Dantas com o PT.

. Da mesma forma que Dantas empurrou Fernando Henrique Cardoso contra a parede e, numa reunião no Palácio da Alvorada, re-nomeou a diretoria da Previ para manter os amigos de Dantas.

. Da mesma forma, Dantas TERIA em mãos a planilha Excell com suas relações com o PT.

. (A planilha com as relações com o PSDB fica para outra opportunity ...)

. É essa uma especulação extravagante ?

. Talvez.

. Mas, talvez não seja.

. Vamos fazer outra especulação.

. Vamos supor que o ex-ministro José Dirceu, nas suas renovadas funções de maior-de-todos-os-lobistas, trabalhe muito próximo de Daniel Dantas.

. Que Dantas e Dirceu conheçam, como ninguém, a planilha Excell das relações Dantas-Telemig Celular-Brasil Telecom-Marcos Valério-SPM&B etc e tal.

. Que essa planilha tenha aparecido debaixo da porta de alguém.

. Uma planilhinha completa.

. Nomes à esquerda, valores à direita, como nas cartas de vinho que o Ministro Dirceu passou a estudar.

. Tudo suposição desvairada.

. Mas, então, caro leitor, que outra explicação dar para a denúncia inacreditável de Possebon.

. Os Fundos e o Citi passam a borracha nas atividades de benemerência de Daniel Dantas em troca de NENHUMA garantia.

. E que a única explicação para essa capitulação seja a pressão “POLÍTICA”.

. Como explicar isso a não ser a HIPÓTESE de uma chantagem ?

. Uma alternativa é que Glasberg e Possebon tenham aderido ao gênero da ficção.

. Ou que tenha havido “el gran acuerdo” – clique aqui para ler.

. Lula pega o esqueleto (Dantas) do armário de FHC e transfere para o armário de Lula.

. Lula tem 60% de aprovação popular e deve achar que no armário dele cabe tudo.

. Cuidado com os “idos de agosto”, teria sido a mensagem que Júlio César ouviu ao subir as escadarias do Senado romano ...

. É bom levar Dantas a sério – ele já enredou Collor (ao usar a informação privilegiada do congelamento de ativos), o Farol e Lula.

. Só não teve vez com Itamar Franco, que o escorraçou da Cemig, quando foi Governador de Minas ...

. Clique aqui para ler tudo o que o Conversa Afiada já publicou sobre a “BrOi”.

Fonte: Conversa Afiada


Share/Save/Bookmark

POR QUE FALAR TANTO EM DANTAS?

Menem não pode ver um juiz que sai correndo

Paulo Henrique Amorim

Máximas e Mínimas 1045

. Por que o Conversa Afiada fala tanto de Dantas e da “BrOi” ?

. Porque estou convencido de que a “BrOi” vai celebrar “el gran acuerdo” da pacificação das forças políticas predominantes na “Nova República” – ou seja, o regime pré-democrático que se instalou depois dos anos militares.

. A questão do Império foi a escravidão.

. A questão dos anos militares foi a supressão dos direitos dos trabalhadores.

. A questão da ”Nova República” é a privatização.

. A privatização – especialmente a da Telebras – foi o que permitiu salvar um regime econômico que faliu na crise da dívida.

. A privatização foi o colateral que o Brasil deu aos bancos.

. No México, a mesma coisa, no Peru e na Argentina, também.

. No México, o presidente privatizador fugiu; no Peru, está na cadeia; na Argentina, não pode ver um juiz ou um policial que sai correndo.

. (O presidente Lula, como se sabe, não tem nenhuma semelhança com Nestor Kirchner ...)

. Aqui, o Farol de Alexandria dá palestras a US$ 60 mil e aparece no PiG três vezes por dia.

. A privatização da Telebras – de que Dantas é o maior beneficiário e o seu símbolo – botaria o Farol de Alexandria na cadeia no México, no Peru e na Argentina ...

. Com a “BrOi”, o Governo Lula passa a borracha em cima.

. A corrupção no Governo do Farol vai para debaixo do tapete, com a capitulação diante de Dantas.

. Clique aqui para ler “Dantas põe as cartas na mesa. Lula, Citi e fundos fazem o que Dantas mais quer”.

. Para fazer a “BrOi” e calar Dantas, o BNDES “financia” os empresários (?) que não botaram um tusta para comprar a Telemar no Governo do Farol; os Fundos e o Citi fazem um acordo com Dantas na Justiça – e vai todo mundo feliz para casa.

. A melhor maneira de concluir “el gran acuerdo” será a eleição de Aécio Neves 2010, em dobradinha com o PT – como ocorrerá na prefeitura de Belo Horizonte.

. Lamentavelmente, não se faz omelete sem quebrar ovos.

. A eleição de José Serra, marcada para 2010, terá que ser adiada para 2014...

. As conferências de FHC se desvalorizarão um pouco – passarão de US$ 60 mil para US$ 6 mil.

. Porque o preço “del gran acuerdo” é tirar São Paulo da jogada.

. E só não vê isso quem não quer.

. É só acompanhar as viagens de do Presidente Lula ao Rio.

. E ler a entrevista de Aécio Neves na Carta Capital.

. Clique aqui para ler.

. Clique aqui para ler tudo o que o Conversa Afiada já publicou sobre a “BrOi”.

FONTE: Conversa Afiada


Share/Save/Bookmark

As dinastias midiáticas

por Emir Sader

Na imprensa brasileira mandam as dinastias estamentais. Os pais proprietários entregam a direção dos jornais, das revistas, das rádios e das televisões – das suas empresas – aos seus filhos, que repassam para os netos, perseverando todos no direito que se auto-atribuíram de decidir quem é e quem não é democrático, quem fala e quem não fala em nome da nação!

Assim tem sido ao longo de toda a história da imprensa no Brasil. No momento mais decisivo da história do século XX, em 1964, essas dinastias pregaram e apoiaram o golpe militar, assim como a instalação de uma longa ditadura, que mudou decisivamente os rumos do nosso país. Enquanto os militares intervinham nos poderes Judiciário e Legislativo, enquanto suspendiam todas as garantias constitucionais, enquanto fechavam todos órgãos de imprensa que discordaram do golpe e da ditadura, enquanto a maior repressão da nossa história recente se abatia sobre milhares de brasileiros presos, torturados, exilados e mortos, enquanto isso, as dinastias da imprensa mercantil se calaram sobre a repressão e apoiaram o regime militar!

Eram estes mesmos Mesquitas, Frias, Marinhos, Civitas, estes mesmos que transmitem por herança – como se fosse um bem privado – seu poder dinástico, transferindo-o para os seus filhos e netos. Os júlios, os otávios, os robertos, os victor, vão se sucedendo uns aos outros, a dinastia vai se perpetuando. Que se danem a democracia e o país, mas que se salvem as dinastias!

Mas, hoje, elas estão vendo seu poder se esvaindo pelos dedos. Conta-se que um desses herdeiros, rodando em torno da mesa da reunião do conselho editorial, herdada do pai, esbravejava irado: “onde foi que nós erramos? onde erramos?”. Estava desesperado porque a operação “mensalão” não conseguiu derrubar Lula elegendo o tucano, da sua preferência.

Se ele tivesse olhado os gráficos escondidos na sua sala, teria visto que, nos últimos dez anos, as tiragens dos jornais despencaram. A Folha de São Paulo, por exemplo, que é um dos de maior tiragem, perdeu em 10 anos, de 1997 a 2007, quase cinqüenta por cento dos seus leitores! Depois de quase ter atingido 600 mil leitores, vai fechar o ano de 2008 com menos de 300 mil! Uma queda ainda mais grave se considerarmos que, nesse período, houve crescimento demográfico, aumento do poder aquisitivo, maior interesse pela informação e elevação do índice de escolaridade dos brasileiros.

Os leitores deste jornal de direita estão entre os mais ricos da população. Noventa por cento dos seus menos de 300 mil exemplares são destinados aos leitores das classes A e B, as mesmas que não atingem dezoito por cento da população brasileira. Em outros termos, nove entre cada dez leitores do jornal pertencem aos setores de maior poder aquisitivo e suas condições de vida estão a léguas de distância das do nosso povo – esse povo que gosta do programa bolsa família, dos territórios de cidadania, da eletrificação rural, dos mini-créditos, do aumento real do salário mínimo, da elevação do emprego formal, etc.

A última e mais recente pesquisa sobre o apoio ao governo Lula, que a imprensa dinástica procurou esconder, realizada pela Sensus, revela que Lula é rejeitado por apenas treze por cento dos brasileiros! É essa ínfima minoria, cinco vezes menor do que aquela dos que apóiam o governo Lula, que povoa os editoriais dessa imprensa, suas colunas, seus painéis de cartas dos leitores! Esse é o índice da influência real que a mídia mercantil – juntando televisão, rádio, jornais, revistas, internets, blogs – tem! Apesar de todos os instrumentos monopólicos de que dispõem, apesar das campanhas diárias para dominar a opinião pública, não conseguem nada além desse pífio resultado dos treze por cento que representam!

As dinastias podem continuar a ter filhos, netos e bisnetos, mas é possível que já não dirijam jornais. Esta pode ser a última geração de jornalistas dinásticos que, talvez exatamente por isso, revelam diariamente o desespero da sua impotência, assumindo o mesmo papel que ocuparam nos anos prévios a 1964. É o mesmo desespero da direita diante da popularidade de um Getúlio e do governo Jango. Nos dois casos, só lhes restou apelar à intervenção das Forças Armadas e dos EUA, estes mesmos EUA que nunca fizeram autocrítica, nem desta nem de qualquer outra das suas intervenções contrárias à democracia da qual pretendem ser os arautos! Depois de terem pedido e apoiado o golpe militar, porque ainda acreditam que podem dizer quem é democrático e quem não é?

por Emir Sader - fonte: Agência Carta Maior
Share/Save/Bookmark

Dossiê Veja - novo capítulo: O araponga e o repórter

Depois de se aliar a um araponga, o jornalista é promovido.


A matéria foi bombástica e ajudou a deflagrar a crise do “mensalão”. Uma reportagem de 18 de maio de 2005, de Policarpo Jr., da sucursal da Veja em Brasília, mostrava o flagrante de um funcionário dos Correios – Mauricio Marinho – recebendo R$ 3 mil de propina (clique aqui



A abertura seguia o estilo didático-indagativo da revista:

(…) Por quê? Por que os políticos fazem tanta questão de ter cargos no governo? Para uns, o cargo é uma forma de ganhar visibilidade diante do eleitor e, assim, facilitar o caminho para as urnas. Para outros, é um instrumento eficaz para tirar do papel uma idéia, um projeto, uma determinada política pública. Esses são os políticos bem-intencionados. Há, porém, uma terceira categoria formada por políticos desonestos que querem cargos apenas para fazer negócios escusos – cobrar comissões, beneficiar amigos, embolsar propinas, fazer caixa dois, enriquecer ilicitamente.

A revista informava que tinha conseguido dar um flagrante em um desses casos na semana anterior:

Raro, mesmo, é flagrar um deles em pleno vôo. Foi o que VEJA conseguiu na semana passada.

Anotem a data que a revista menciona que recebeu a gravação: semana passada. Será importante para entender os lances que serão mostrados no decorrer deste capítulo.

A matéria, como um todo, não se limitava a descrever uma cena de pequena corrupção explícita, embora só esta pudesse ser comprovada pelo grampo. Tinha um alvo claro, que eram as pessoas indicadas pelo esquema PTB, especialmente na Eletronorte e na BR Distribuidora. O alvo era o esquema; Marinho, apenas o álibi.

O que a matéria não mostrava eram as intenções efetivas por trás do dossiê e do grampo. Os R$ 3 mil eram um álibi para desmontar o esquema do PTB no governo, decisão louvável, se em nome do interesse público; jogo de lobby, se para beneficiar outros grupos.

Antes de voltar à capa, uma pequena digressão sobre as alianças espúrias do jornalismo.

Os dossiês e os chantagistas

A partir da campanha do “impeachment” de Fernando Collor, jornalistas, grampeadores e chantagistas passaram a conviver intimamente em Brasília. Até então, havia uma espécie de barreira, que fazia com que chantagistas recorressem a publicações menores, a colunistas da periferia, para montar seus lobbies ou chantagens. Não à grande mídia.

Com o tempo, a necessidade de fabricar escândalo a qualquer preço provocou a aproximação, mais que isso, a cumplicidade entre alguns jornalistas, grampeadores e chantagistas. Paralelamente, houve o desmonte dos filtros de qualidade das redações, especialmente nas revistas semanais e em alguns diários.

Foi uma associação para o crime. Com um jornalista à sua disposição, o grampeador tem seu passe valorizado no mercado. A chantagem torna-se muito mais valiosa, eficiente, proporcional ao impacto que a notícia teria, se publicada. Isso na hipótese benigna.

É uma aliança espúria, porque o leitor toma contato com os grampos e dossiês divulgados. Mas, na outra ponta, a publicação fortalece o achacador em suas investidas futuras. Não se trata de melhorar o país, mas de desalojar esquemas barra-pesadas em benefício de outros esquemas, igualmente barra-pesadas, mas aliados ao repórter. E fica-se sem saber sobre as chantagens bem sucedidas, as que não precisaram chegar às páginas de jornais.

Por ser um terreno minado, publicações sérias precisam definir regras claras de convivência com esse mundo do crime. A principal é o jornalista assegurar que material recebido será publicado – e não utilizado como elemento de chantagem.

Nos anos 90 esses preceitos foram abandonados pelo chamado jornalismo de opinião. No caso da Veja a deterioração foi maior que nos demais veículos. O uso de matérias em benefício pessoal (caso dos livros de Mario Sabino), o envolvimento claro em disputas comerciais (a “guerra das cervejas” de Eurípedes Alcântara), o lobby escancarado (Diogo Mainardi com Daniel Dantas), a falta de escrúpulos em relação à reputação alheia, tudo contribuiu para que se perdessem os mecanismos de controle.

Submetida a um processo de deterioração corporativa poucas vezes visto, a Abril deixou de exercer seus controles internos. E a direção da revista abriu mão dos controles externos, ao abolir um dos pilares do moderno jornalismo – o direito de resposta – e ao intimidar jornalistas de outros veículos com seus ataques desqualificadores.

É nesse cenário de deterioração editorial que ocorre o episódio Maurício Marinho.

A parceria com o araponga

Nas alianças políticas do governo Lula, os Correios foram entregues ao esquema do deputado Roberto Jefferson. Marinho era figura menor, homem de propina de R$ 3 mil.

Em determinado momento, o esquema Jefferson passou a incomodar lobistas que atuavam em várias empresas. Dentre eles, o lobista Arthur Wascheck.

Este recorreu a dois laranjas – Joel dos Santos Filhos e João Carlos Mancuso Villela – para armar uma operação que permitisse desestabilizar o esquema Jefferson não apenas nos Correios. como na Eletrobrás e na BR Distribuidora. É importante saber desses objetivos para entender a razão da reportagem da propina dos R$ 3 mil ter derivado - sem nenhuma informação adicional - para os esquemas ultra-pesados em outras empresas. Fazia parte da estratégia da reportagem e de quem contratou o araponga.

A idéia seria Joel se apresentar a Marinho como representante de uma multinacional, negociar uma propina e filmar o flagrante. Como não tinham experiência com gravações mais sofisticadas, teriam decidido contratar o araponga Jairo Martins.

E, aí, tem-se um dos episódios mais polêmicos da história do jornalismo contemporâneo, um escândalo amplo, do qual Veja acabou se safando graças à entrevista de Roberto Jefferson à repórter Renata Lo Prete, da Folha, que acabou desviando o foco da atenção para o “mensalão”.

Havia um antecedente nesse episódio, que foi o caso Valdomiro Diniz, a primeira trinca grave na imagem do governo Lula. Naquele episódio consolidaram-se relações e alianças entre um conjunto de personagens suspeitos: o bicheiro Carlinhos Cachoeira (que bancou a operação de grampo de Valdomiro), o araponga Jairo Martins (autor do grampo) e o jornalista Policarpo Jr (autor da reportagem).

No caso Valdomiro, era um contraventor – Carlinhos Cachoeira – sendo achacado por um dos operadores do PT, enviado pelo partido ao Rio de Janeiro, assim como Rogério Buratti, despachado para assessorar Antonio Palocci quando prefeito de Ribeirão.

Jairo era um ex-funcionário da ABIN (Agência Brasileira de Inteligência), contratado pelo bicheiro para filmar o pagamento de propina a Valdomiro Diniz.

Tempos depois, Jairo foi convidado para um almoço pelo genro de Carlinhos Cachoeira, Casser Bittar.

Lá, foi apresentado a Wascheck, que o contratou para duas tarefas, segundo o próprio Jairo admitiu à CPI: providenciar material e treinamento para que dois laranjas grampeassem Marinho; e a possibilidade do material ser publicado em órgão de circulação nacional.

Imediatamente Jairo entrou em contato com Policarpo e acertou a operação. O jornalista não só aceitou a parceria, antes mesmo de conhecer a gravação, como avançou muito além de suas funções de repórter.

O grampo em Marinho foi gravado em um DVD. Jairo marcou, então, um encontro com Policarpo. Foi um encontro reservado - eles jamais se falavam por telefone, segundo o araponga -, no próprio carro de Policarpo, no Parque da Cidade. Policarpo levou um mini-DVD, analisou o material e atuou como conselheiro: considerou que a gravação ainda não estava no ponto, que havia a necessidade de mais. Recebeu a segunda, constatou que estava no ponto. E guardou o material na gaveta, aguardando a autorização do araponga, mesmo sabendo que estava se colocando como peça passiva de um ato de chantagem e achaque.

Wascheck tinha, agora, dois trunfos nas mãos: a gravação da propina de R$ 3 mil e um repórter, da maior revista do país, apenas aguardando a liberação para publicar a reportagem.

Quando saiu a reportagem, a versão do repórter de que havia recebido o material na semana anterior era falsa e foi desmentida pelos depoimentos dados por ele e por Jairo à Policia Federal e à CPI do Mensalão.

Pressionado pelo eficiente relator Osmar Serraglio, na CPI do Mensalão, Jairo negou ter recebido qualquer pagamento de Wascheck. Disse ter se contentado em ficar com o equipamento, provocando reações de zombaria em vários membros da CPI.

Depois, revelou outros trabalhos feitos em parceria com a Veja. Mencionou série de trabalhos que teria feito e garantiu que sua função não era de araponga, mas de jornalista. O único órgão onde seus trabalhos eram publicados era a Veja. Indagado pelos parlamentares se recebia alguma coisa da revista disse que não, que seu objetivo era apenas o de "melhorar o pais".

Segundo o depoimento de Jairo:

‘Aí fiquei esperando o OK do Artur Washeck pra divulgação do material na imprensa. Encontrei com ele pela última vez no restaurante, em Brasília, no setor hoteleiro sul, quando ele disse: ‘Eu vou divulgar o fato. Quero divulgar’. E decorreu um período que essa divulgação não saía. Aí foi quando eu fiz um contato com o jornalista e falei: ‘Pode divulgar a matéria’’.

Clique aqui para ler os principais trechos do depoimento do araponga Jairo à CPI.

E aqui para acessar o relatório final da CPMI.

Reações na mídia

A revelação do episódio provocou reações acerbas de analistas de mídia.

No Observatório da Imprensa, Alberto Dines publicou o artigo “A Chance da Grande Catarse do Jornalismo”

O atual ciclo de denúncias não chega a ser uma antologia de jornalismo mas é uma preocupante coleção de mazelas jornalísticas. Busca-se a credibilidade mas poucos oferecem transparência, pretende-se a moralização da vida pública mas os bastidores da imprensa continuam imersos na sombra:
Tudo começou com uma matéria de capa da Veja sobre as propinas nos Correios, clássico do jornalismo fiteiro.

(...) Carece de (...) transparência a ouverture desta triste e ruidosa temporada através da Veja. Dois meses depois, a divulgação do vídeo da propina nos Correios continua envolta em sombras, rodeada de dúvidas e desconfianças. E, como não poderia deixar de acontecer com fatos mantidos no lusco-fusco da dubiedade, cada vez que a matéria é examinada ou discutida sob o ponto de vista estritamente profissional, mais interrogações levanta.

Caso da entrevista ao Jornal Nacional (Rede Globo, quinta-feira, 30/6) do ex-agente da ABIN, Jairo Martins de Souza, autor da gravação. O araponga — que, aliás, se diz jornalista [veja abaixo comentários de Ricardo Noblat] e faz negócios com jornalistas — revelou que ofereceu o vídeo ao repórter Policarpo Júnior, da sucursal da Veja em Brasília, e que este aceitou-o antes mesmo de examinar o seu teor [abaixo, a transcrição da matéria do JN].

Na hora da entrega, o jornalista teria usado um reprodutor portátil de DVD para avaliar a qualidade das imagens. De que maneira chegou ao jornalista e por que este aceitou o vídeo são questões que até hoje não foram esclarecidas.

Tanto o repórter como a revista recusam-se terminantemente a oferecer qualquer tipo satisfação ou esclarecimento aos leitores. Não se trata de proteger as fontes: elas seriam inevitavelmente nomeadas quando o funcionário flagrado, Maurício Marinho, começasse a depor. Foi exatamente o que aconteceu e hoje Veja carrega o ônus de ter se beneficiado de uma operação escusa – chantagem de um corrupto preterido ou ação formal da Abin para desmoralizar um aliado incômodo (o PTB, de Roberto Jefferson).

(...) Araponga não é jornalista, vídeo secreto ainda não é reconhecido como gênero de jornalismo. Talvez o seja num futuro próximo.

O episódio mereceu comentários do blogueiro Ricardo Noblat:

Ao ser contratado para filmar Marinho e grampear André Luiz, a primeira coisa que ele disse que fez foi procurar a Veja e oferecer o material. ‘Foi um trabalho puramente jornalístico’, garantiu.

A amigos, nas duas últimas semanas, Jairo confessou mais de uma vez que espera ganhar o próximo Prêmio Esso de Jornalismo. Ele se considera um sério candidato ao prêmio.

Não é brincadeira não, é serio! Porque ele está convencido de que filmou e grampeou como free-lancer da Veja – embora jamais tenha recebido um tostão dela por isso. Recebeu dos que encomendaram as gravações.

Jairo ganhava como araponga e pensava em brilhar como jornalista.

É, de certa forma faz sentido."

Tempos depois, a aliança com o araponga renderia a Policarpo a promoção para chefe de sucursal da Veja em Brasília. A revista já caíra de cabeça, sem nenhum escrúpulo, no mundo nebuloso dos dossiês e dos pactos com lobistas. E o grande pacto do silêncio que se seguiu na mídia, permitiu varrer para baixo do tapete as aventuras de Veja com o araponga repórter.

O final da história

Parte da história terminou em agosto de 2007. Sob o titulo “PF desmonta nova máfia nos Correios”, o Correio Braziliense noticiava o desbaratamento de uma nova quadrilha que tinha assumido o controle dos Correios (clique aqui).

No comando, Arthur Wascheck, que assumiu o comando da operação de corrupção dos Correios graças ao serviço encomendado a Jairo - grampo mais publicação do resultado na Veja.

Durante a Operação Selo, foram presas cinco pessoas, em dois estados mais o Distrito Federal.

Segundo o jornal:

Entre os presos estão Sérgio Dias e Luiz Carlos de Oliveira Garritano, funcionários dos Correios, além dos empresários Antônio Félix Teixeira, Marco Antônio Bulhões e Arthur Wascheck, considerado pela PF como líder do grupo e acusado de ter sido o responsável pela gravação feita no dia em que Marinho recebia a propina. Os investigadores não quantificaram o volume de recursos envolvidos nas fraudes, mas calculam que seja de dezenas de milhões de reais.

De acordo com os investigadores, “o grupo agia como traficantes nos morros".

“Havia uma quadrilha na ECT (Empresa de Correios e Telégrafos), que foi desbaratada e afastada. A outra organização tomou o lugar dela. Assim como os traficantes fazem, quando saem, morrem ou são presos, acontece a mesma coisa no serviço público. Quando uma quadrilha sai do local, entra outra e começa a praticar atos ilícitos no lugar da que saiu”, explica o delegado Daniel França, um dos integrantes do grupo de investigação.

A corrupção tinha apenas trocado de mãos:

Para o Ministério Público Federal, o entendimento era o mesmo.

“Não se pode dizer que a corrupção terminou ou se atenuou. O que houve foi uma substituição de pessoas, alijadas do esquema”, afirma o procurador da República Bruno Acioli.

Segundo ele, há pelo menos 20 empresas, muitas delas ligadas a Wascheck, estão envolvidas nas fraudes que podem atingir outros órgãos públicos, conforme investigações da PF.

A ficha de Wascheck era ampla e anterior ao episódio do qual Veja aceitou participar:

O empresário, conforme os investigadores, atuava na área de licitações desde 1994, sendo que um ano depois ele fora condenado por irregularidades em licitação para aquisição de bicicletas pelo Ministério da Saúde.

O valor das fraudes chegava a milhões de reais:

Segundo a polícia, o grupo de Wascheck vendia todo tipo de material para os Correios. De sapato a cofres, sendo que muitos integrantes do esquema eram também procuradores de outras empresas envolvidas nas concorrências. Com a análise dos documentos, que começou a ser feita ontem, os investigadores devem chegar aos valores das fraudes. “O que posso dizer é que esse prejuízo é de milhões de reais. Dezenas de milhões de reais”, diz o procurador da República, ressaltando que seu cálculo se baseia em alguns casos específicos. “Existem licitações na casa de bilhões de reais”, afirma o procurador.

No sistema de buscas da revista, as pesquisas indicam o seguinte:

Operação Selo Wascheck: 0 ocorrências

Operação Selo (frase exata) Período 2007: 0 ocorrências

Revista de 8 de agosto de 2007: nenhuma menção

Na edição de 15 de agosto, nenhuma menção. Mas uma das materias especiais atende pelo sugestivo título de “Porque os corruptos não vão presos”

"Frágil como papel

A Justiça brasileira é incapaz de manter presos assassinos
confessos e corruptos pegos em flagrante. Na origem da
impunidade está a própria lei".

A reportagem fala do mensalão, insinua que os implicados até melhoraram de vida, menciona símbolos midiáticos de corrupção (Quércia, Maluf, Collor etc). Nenhuma palavra sobre a Operação Selo e sobre o papel desempenhado pelas reportagens de escândalo da própria revista no jogo das quadrilhas dos Correios.

Seus aliados foram protegidos.


Share/Save/Bookmark

O lápis do Serjão

Por Emiliano José

- Emiliano, não gosto do título. Asas invisíveis? Não é bom.

Era Sérgio de Souza do outro lado da linha, Serjão. Ligava de São Paulo. Ele acabara de ler os originais do livro que eu acabara de escrever sobre Renzo, padre Renzo Rossi. Do lado de cá da linha, em Salvador, resmunguei em silêncio. Eu gostava muito do título que dera à biografia do sacerdote italiano que tanto se dedicara aos presos políticos brasileiros – As asas invisíveis do padre Renzo.

Mas, o Serjão, ora, era o Serjão. Eu não me sentia nem um pouco à vontade, nem com autoridade para contraditá-lo. Não sabia o que ele iria sugerir como alternativa. Dias depois, outro telefonema:

- Emiliano, vamos deixar o seu título mesmo. Ele é bom.

Serjão era assim: sempre pronto a refletir, a voltar atrás se fosse o caso. Um homem cheio de cuidados com os outros, incapaz de uma indelicadeza. Lembro-me, ao pensar nele, de um livro de Leonardo Boff sobre saber cuidar. Serjão era um ser cuidadoso, de espírito fino, elegante nas palavras, educado no melhor sentido da expressão. Não cultivava a autoridade – desfrutava dela porque a conquistava naturalmente diante de seus pares.

1978. Chego do Aeroporto Dois de Julho, de Salvador, onde fora cumprir uma pauta. Serjão era o redator-chefe do Jornal da Bahia. Fora chamado pelo dono do jornal, João Falcão, e montou uma equipe de grande qualidade. Digo-lhe, entusiasmado, sobre uma descoberta: havia muitos urubus circulando no entorno do aeroporto e, atingindo as turbinas, podiam derrubar aviões. A mim, parecia algo forte. Sentado, lápis batucando suavemente na mesa, levantou os olhos, e me perguntou quantas fontes eu havia consultado.

- Uma – respondi, já meio envergonhado.
- E você acha que isso basta para informar a população sobre esse risco?
Silêncio.
-Você quer espalhar o pânico, sem nenhuma base concreta, sem uma aferição mais segura?
Silêncio.
Não houve matéria.

Ali, reaprendi a lição da apuração criteriosa, da cobertura séria. Serjão e suas aulas quase monossilábicas. Ele já aparece assim desde jovem, no livro de Roberto Freire – Os cúmplices, creio que é este o título dos dois volumes. Era o Capitão de Freire – o escritor, para que não haja confusão com homônimos. Capitão a quem se prestava continência por respeito, não por galões.

Nascimento de Caros Amigos, querida criação dele, 1997. Queria que eu fizesse uma reportagem sobre a fuga de Theodomiro Romeiro dos Santos, que acontecera às vésperas da anistia, em 1979, e que até ali não havia sido contada. Fiz. Cheguei a ir a Pernambuco onde ouvi Theo durante várias horas. Conversei com Francisco Vasconcelos, que então era um dos editores da revista, e o consultei sobre a possibilidade de fazer um texto na primeira pessoa.

Contar uma história era o que eu queria, até porque ia falar de uma pessoa com quem eu estivera preso por quase quatro anos. Chico Vasconcelos consultou não sei quem, e a resposta foi de que eu fizesse uma reportagem clássica, nada de muitas invenções. Mandei o texto tradicional, na terceira pessoa. Dali a pouco, o telefone toca. Era o Serjão.

- Emiliano, você não acha melhor escrever a reportagem na primeira pessoa, contar uma história?
- Acho, respondi, alegre.
- Faça assim. Fica melhor.

Eu pensei: a gente sabe a quem chama de mestre. Um de meus orgulhos jornalísticos: ter participado do primeiro número de Caros Amigos com aquela reportagem, sob a direção de um capitão tão seguro.
Meses depois de ter lançado a 1ª edição do livro sobre Marighella pela Casa Amarela – Carlos Marighella, o inimigo número um da ditadura militar -, Serjão me liga:

- Emiliano, você conhece o Roberto Romano?
- Não. Sei apenas que é professor, acho que da Unicamp, e está presente no meu livro sobre Marighella.

Serjão então me revelou que o professor estivera com ele, não sei se na redação, me parece que sim. E que ele, Serjão, perguntara se ele havia lido o livro sobre Marighella, onde ele figurava. Disse que não. E, parece, não demonstrava muito interesse por essa leitura. Serjão deu-lhe o livro de presente.

- E ele depois me ligou dizendo que pegara o livro e não o largara até terminar. E me mandou um texto cheio de elogios ao seu texto. Estou lhe mandando.

Um ser cuidadoso. Pensei: a gente sabe a quem chama de amigo.
Não sei se em 2005 ou 2006. Me liga:

- Emiliano, minha filha foi para a Bahia com uma amiga. É uma menina, ainda. Acho que neste momento está em Porto Seguro. Você pode me ajudar, ampará-la, cuidar dela por aí?
- Claro – respondi.

Reconhecia do outro lado da linha a voz ansiosa, cuidadosa do pai-avô de uma adolescente de 15 anos ou um pouco mais. Além de pedir a amigos que olhassem por elas em Porto Seguro, eu as hospedei em minha casa, em Salvador. Levei-as numa noite a desfrutar da Sorveteria da Ribeira, única chance que tive de passear com as duas. Um pai cuidadoso, carinhoso.

O lápis do Serjão jaz inerte em sua mesa, ansioso, quem sabe, por outra mão talentosa como a dele. É, lápis, ele usava lápis para analisar os muitos textos que caíam em suas mãos. Morreu no dia 25 de março. E mereceu um estrondoso silêncio da mídia brasileira. Ela faz de conta que o ignora. Não quer falar de um dos mais competentes jornalistas brasileiros, que criou, concebeu, dirigiu tantas publicações.

O mundo, que me desculpem se parece lugar-comum, o mundo ficou muito mais pobre sem ele. Muito mais. E o que podemos fazer? Tentarmos todos os que o admiramos, honrarmos suas lições, cheias de sabedoria. Honrarmos um homem íntegro, de esquerda, que sempre teve lado – o dos excluídos, o dos oprimidos. Salve Serjão, nosso Capitão.

fonte: Carta Capital
Share/Save/Bookmark