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quarta-feira, 7 de maio de 2008

HILLARY VAI CONTRATAR EQUIPE DE SERRA

Hillary: só espera o dossiê contra o Obama

por Paulo Henrique Amorim

Máximas e Mínimas 1116


Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

. Acompanhei as primárias de Indiana e da Carolina do Norte pela CNN e pela BBC.

. A Fox é como se você tivesse à sua frente a equipe completa dos colonistas da Globo e do Jornal das Dez.

. Você se convence de que o McCain já ganhou a eleição – ou que o “grau de investimento” foi uma desgraça ...

. Os comentaristas se perguntavam por que a Hillary não joga o chapéu e desiste ?

. É muito difícil ela conseguir os delegados necessários – dizem eles.

. As respostas – como em geral são as respostas dos “analistas” do mundo inteiro – eram inúteis.

. Até que, na CNN, Carl Bernstein, aquele que, com, Bob Woodward, fez as reportagens sobre Watergate, disse uma coisa interessante.

. Bernstein acabou de lançar uma biografia da Hillary.

. E Hillary só espera, segundo Bernstein, a revelação de um podre de Obama.

. Hillary espera uma bomba que destrua a reputação moral de Obama.

. Uma dessas baixarias de campanha, que aparecem em dossiês anônimos e entram no PiG como uma erva daninha.

. Em poucos dias, se tornam manchete – do PiG e seus portais na internet.

. Em suma, para Bernstein, Hillary espera um dossiê contra Obama, desses de derrubar jacarandá com um sopro ...

. Ou seja, Hillary vai mandar o James Carville ao Brasil para contratar Daniel Dantas, Márcio Fortes, Marcelo Itagiba e o Delegado Bruno – a turma do José Serquércia.

Fonte: Conversa Afiada


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“BrOi” – POR QUE NINGUÉM FALA DE DANTAS ?

E o “Danielzinho do Grampo” – por que o PiG não fala dele ?

por Paulo Henrique Amorim

Máximas e Mínimas 1119


Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.


. O competente jornalista Rubens Glasberg, editor responsável pela Teletime, acaba de publicar editorial de título “Um silêncio ensurdecedor” sobre o grande mistério da “BrOi” – por que ninguém fala de Daniel Dantas ?

. O presidente do BNDES deu entrevistas inúteis e redundantes.

. O novo gênio do PiG, o neo-Agnelli, o Sr Falco, que jogou Ricardo K para escanteio, e vai assumir a presidência da “BrOi”, foi entronizado na capa da Exame.

. E ninguém fala de Dantas.

. Como também não se fala quanto os empresários (?) Carlos Jereissati e Sérgio Andrade vão botar do PRÓPRIO BOLSO no negócio.

. Dantas vai levar para casa, na operação, a bagatela de US 1,1 bilhão.

. Um bilhão de dólares com grana (em boa parte) do BNDES !!!

. Glasberg é o mesmo que formulou 52 perguntas sobre a utilidade desta fusão e não obteve resposta (clique aqui).

. O PiG e seus colonistas estão agora muito preocupados com as operações do “Paulinho da Força” no BNDES.

. E do “Danielzinho do Grampo” – por que ninguém fala ?

. Leia a seguir a íntegra do editorial:


Um silêncio ensurdecedor
terça-feira, 6 de maio de 2008, 21h23

A seguir, editorial da revista TELETIME que circula em maio e analisa a formação da BrOi. A reportagem de capa explica detalhes sobre a fusão e como o negócio deflagrou a reestruturação do modelo de telecom.

"Depois de quase quatro meses de reportagens em off, balões de ensaio plantados até em colunas sociais e uma desenfreada especulação na bolsa de valores foi finalmente revelada a engenharia necessária para a criação da megatele nacional ¿ a chamada BrOi, resultado da reestruturação societária da Oi, seguida da compra do controle da Brasil Telecom.

Atendidos os interesses dos acionistas que querem sair do negócio e dos outros que pretendem ampliar sua participação no controle, passa-se agora a discutir as mudanças no Plano Geral de Outorgas (PGO) e as novas políticas públicas de telecomunicações necessárias para a viabilização do acordo que, pelas regras vigentes, é irregular. Ou seja, só agora vai se definir qual é o interesse público a ser atendido. É uma inversão completa de procedimentos. Mas governo, órgãos reguladores, partidos políticos, grande imprensa, os supostos concorrentes da BrOi e até os sindicatos das categorias sujeitas aos inevitáveis cortes de empregos decorrentes da incorporação acham tudo normal, salvo uma tímida iniciativa do DEM junto ao TCU.

E no meio desse megaprojeto, para o qual serão alocados recursos superiores a R$ 12 bilhões sem que se conheça ainda o plano de negócios, emerge uma informação que não provoca nenhum impacto entre os denominados formadores de opinião de nosso curioso País: o Opportunity, de Daniel Dantas, receberá um total de US$ 1,1 bilhão. É isso mesmo. Serão cerca de US$ 900 milhões pelas participações na Oi e BrT e outros US$ 200 milhões pela parte na Telemig Celular, recentemente vendida para a Vivo.
As acusações que pesaram contra o Opportunity (na Justiça do Brasil e de outros países) por fraude, desvio de recursos, enriquecimento ilícito, espionagem, corrupção serão esquecidas em troca de um acordo que viabilize uma grande empresa nacional. Os prejuízos totais, ao longo dos sete anos de administração "opportunista" só na BrT eram estimados pelos fundos de pensão e pelo Citi, que defenestraram Dantas em 2005, em valores acima de US$ 1 bilhão, podendo chegar a até US$ 2 bilhões. É incrível. O Opportunity entrou no processo de privatizações como administrador de recursos de terceiros. Investiu nada ou quase nada de dinheiro próprio e amealhou em dez anos só nas telecomunicações (sem falar de outros negócios como Metrô do Rio, Santos Brasil e Sanepar) uma fortuna que se estima entre US$ 2 bilhões e US$ 3 bilhões.

De onde sairão os recursos para premiar Daniel Dantas e apagar todo um período da História do Brasil? Pelo que foi explicado, quem bancará esse supernegócio serão o BNDES, os fundos de pensão e os minoritários da Oi. A explicação de dois presidentes de fundos de pensão a TELETIME News é estarrecedora. "Nós não somos a Justiça nem a Polícia. O que podíamos levar às autoridades nós levamos e até hoje não existe uma decisão judicial que nos respalde", disse um deles. Outro chegou a comparar a situação à do instalador de torre para telefonia móvel que se vê obrigado a fazer acordo com o traficante para subir o morro e fazer seu serviço. E é muito provável que esses gestores se sintam desamparados e inseguros, na pessoa física, temendo eventuais processos milionários promovidos pelo batalhão de advogados dos principais escritórios de advocacia do País contratados pelo Opportunity.

A explicação do BNDES, que como instituição de fomento do governo para o desenvolvimento de projetos nacionais está bancando um arranjo societário privado na Oi para a compra de outra empresa (a BrT), chega a ser bisonha. "O apoio à reestruturação societária da Oi/Telemar utilizará recursos provenientes do giro da carteira de ações da BNDESPar, o que não envolve recursos do Tesouro ou do Fat", afirmou a assessoria de imprensa do banco em resposta a artigo do jornalista Elio Gaspari, na Folha. Como se carteira de ações da BNDESPar resultasse de um processo de geração espontânea sem ser patrimônio público.

O Citi, por sua vez, não explica nada. Fez acordo com Dantas no processo que corria na Justiça de Nova York depois dos advogados do Opportunity recorrerem à documentação obtida pela bisbilhotice da Kroll, a e-mails internos do Citi e acusou o banco e os fundos por conspiração política, corrupção, alianças com a Andrade Gutierrez (que dividirá com a La Fonte o controle da BrOi), envolvendo até o nome do presidente Lula.

Mas nessa história toda o que mais surpreende é praticamente uma unanimidade nacional: a grande imprensa e todos os partidos atuantes no Congresso ignoram o capítulo Opportunity quando informam ou comentam a BrOi. Suspeitam, se tanto, da lisura do negócio por conta da Gamecorp, empresa que tem o filho do presidente Lula como sócio na qual a Oi investiu R$ 10 milhões. Ou da contribuição declarada de R$ 4,6 milhões da Andrade Gutierrez à campanha presidencial de Lula em 2006. O valor envolvido no caso Daniel Dantas é 700 a mil vezes maior do que o dinheiro injetado na Gamecorp. Isso, porém, não é considerado escândalo."

Rubens Glasberg

Fonte: Conversa Afiada
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terça-feira, 6 de maio de 2008

FUNDOS GASTAM R$ 730 MILHÕES PARA CALAR DANTAS

Fundos acham que Dantas vai ficar quieto

por Paulo Henrique Amorim

Máximas e Mínimas 1113

. O excelente repórter Samuel Possebon publica na Teletime (clique aqui) texto esclarecedor:


Para terem uma participação de 10% cada um na futura estrutura da Oi, Funcef e Petros terão que investir, após vários processos de oferta pública de ações, cerca de R$ 280 milhões e R$ 450 milhões adicionais, respectivamente. Ou seja, os dois fundos ajudarão a capitalizar a reestruturação societária da Oi e a compra da Brasil Telecom. "Para nós, esse é um investimento que agora valerá a pena, ao contrário do investimento que tivemos que fazer depois da privatização", diz Pinheiro. Eles apostam que a BrOi terá um potencial de crescimento maior do que o das duas teles.

Sem falar explicitamente sobre o acordo com o Opportunity, até porque ele envolve termos de não agressão, tanto Pinheiro quanto Lacerda mostram certo constrangimento por terem tido que acertar o fim dos processos judiciais com Daniel Dantas. "Nós não somos a Justiça nem a polícia. O que podíamos levar às autoridades nós levamos, e até hoje não existe uma decisão judicial que nos respalde", disse Lacerda. "Para os fundos era importante acabar logo com as disputas judiciais, que estavam impedindo uma resolução do problema", diz o presidente da Funcef. O Opportunity receberá, após a reestruturação da Oi e compra da Brasil Telecom, cerca de R$ 1,5 bilhão pelas suas ações.

. Quer dizer: os fundos dos funcionários da Caixa Econômica e da Petrobrás vão gastar a ninharia de R$ 730 milhões para calar a boca de Dantas.

. Para ter certeza de que, no futuro, Dantas não vai atrás deles com um processo judicial.

. Certeza ?

. Quer dizer que o pessoal acha que o Dantas, com essa grana toda na mão, vai ficar quieto ?

. E vai dispensar os 1001 advogados que tem ?

. Se for para dormir com medo do Dantas, por que dar um cala-a-boca desse tamanho ?

Leia também:

E se Daniel Dantas for em cana?

Quanto Jereissati e Andrade vão botar DO PRÓPRIO BOLSO?

"BrOi": 52 perguntas que lula deve fazer

Alcatel + BrT: os Fundos e o Citi estão nessa?

Folha ouviu o galo cantar

Dantas embolsa US$ 1 bi e vai derrubar Lula – de novo

“BrOi”: de onde vem a grana? Leitores do Globo protestam

Carta: “BrOi” é o PAC do Dantas

“BrOi”: faltou combinar com o Miro

Procura-se

Fundos fazem acordo com líder do tráfico na favela

BNDES faz dívida para dar $$$ à “BrOi”

Quem vai botar assinatura no acordo da “BrOi”?

“BrOi”: primeiro é preciso abater Demarco

Dantas põe as cartas na mesa. Lula, Citi e Fundos fazem o que Dantas mais quer

PHA quer a “BrOi”

Lula tira Dantas da forca e faz “el gran acuerdo” com FHC

Pegasus, a mãe de todas as BrOi


. Clique aqui para ler outros textos que o Conversa Afiada já publicou sobre a “BrOi”.

. Clique aqui para ver por que o PiG não fala mal de Dantas. Note que a irmã de Dantas financiou uma empresa da filha de Serra.

Fonte: Conversa Afiada


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terça-feira, 29 de abril de 2008

Uma montanha de abutres

Por Emiliano José

O que pretende a mídia com essa cobertura do caso da menina morta? Para quem não é refém desse tipo de espetáculo provoca náuseas. É o eterno retorno. É sempre assim: trata-se de pegar um caso, aquele que cai como uma luva para as pretensões midiáticas, e envolver, capturar o pacato cidadão, a pacata cidadã. E o País, como no final das novelas, pára: só discute aquele assunto. A vítima, em duplo significado, é a menina morta – Isabella Nardoni. Durante esses dias todos ela foi esquartejada pela imprensa – apareceu sob todos os ângulos, como sob todos os ângulos apareceu o casal assassino. Sim, porque a mídia já decidiu, para além de investigações, que o casal a matou.

E o casal pode até ter matado. Mas, que direito tem a mídia de pré-julgar, como o faz rotineiramente? Não teria. Mas se julga no direito de fazê-lo e nada acontece. Ela pode, pode tudo. Ou ao menos pensa e age dessa maneira. Poderíamos, quem sabe, recorrer a Theodor Adorno com sua densa análise sobre a indústria cultural – tudo transformado em mercadoria, inclusive as emoções, os sentimentos, que são construídos e reconstruídos permanentemente pela mídia. Nem o inconsciente, tão presente num tipo de cobertura como essa, pode ser pensado individualmente. Ele é suscitado constantemente, chamado a cada minuto pela mídia, e se manifesta das mais variadas maneiras – o chamado inconsciente coletivo. O que é raiva da multidão? É uma raiva natural? Ou, de alguma forma, essa raiva é chamada à cena?

Poderíamos, também, falar na sociedade do espetáculo, e aí recorreríamos a Guy Debord. Que é tudo isso senão um impressionante espetáculo, que busca no terreno do sórdido, dos sentimentos mais obscuros da alma humana, a sua matéria-prima, usada à saciedade? E a partir do acontecimento, parece que tudo agora coloca-se à disposição da cena, da montagem do espetáculo, da lógica da mídia, sempre pronta, preparada para o espetacular. Todos os atores são colocados em cena, para além de suas vontades, sem que consigam perceber que se preparam constantemente para a cena. A vítima, porque nada pode fazer para impedir a utilização. Os réus – é, a mídia já os decidiu nesse lugar – são atores privilegiados e ocupam espaço no fantástico show global da vida, sem que talvez sequer percebam estarem sendo utilizados para esse espetáculo.

A polícia e o Ministério Público entram no jogo. É visível como tudo muda quanto os microfones são colocados à frente da fonte, das autoridades. Todos se submetem, se orientam de acordo com lógica do espetáculo. Tudo está situado de acordo com as câmeras, com as luzes que ofuscam e condicionam. E a população também. Uma parte dela envolve-se diretamente: vai à porta da delegacia, apedreja, quer sangue, condena os que a mídia decretou como assassinos. Quer linchar. A mídia sabe que estimula esse procedimento. Não é inocente. Outra parte da população opina – para as câmeras, para os repórteres que aparecem daqui e dali, de todo lugar que se tem pra partir. Claro que essa opinião foi construída previamente, foi pacientemente tecida pelos conceitos embutidos na notícia, se é que se pode qualificar de notícia uma cobertura com essa característica. Ou a chamada notícia é isso mesmo? Há lágrimas na multidão, há rostos encolerizados, há desejo de violência. A mídia não pergunta sobre as conseqüências de sua atividade, reitere-se. Ela vende o que lhe interessa.

Foi, na história bíblica, Jesus quem clamou “Pai, eles não sabem o que fazem”, não foi? Creio que foi. Esse clamor não pode partir da mídia. Ela sabe o que faz. Sabe que está mexendo com sentimentos profundos, ancestrais. Está lidando com a vida e a morte. Com a violência que vem do íntimo de uma sociedade envolvida pela banalidade do mal – e agora visitamos Hannah Arendt. Com a violência contra as crianças. Que importa? O que interessa é aquela criança morta – branca, de classe média. “Que pauta!” – gritará logo o chefe de reportagem. “Vamos colocar todo o reportariado em cima da menina morta”. “Vamos fungar no cangote deles!” “E seguiremos até quando sobrar fôlego, e quanto mais demorar para chegar a conclusões mais definitivas, tanto melhor”.

Não, a mídia não tem perguntas sobre o entorno social. Parece, dada a natureza hiperbólica da cobertura sobre a menina morta, que não há outras meninas mortas, e há aos montes, infelizmente. Todo dia. Sem exceção. Meninas e meninos são maltratados, não são cuidados como deveriam pela sociedade, não são cuidados devidamente por suas famílias. Até porque as famílias assim descuidadas estão doentes – aqui no sentido mais amplo, social, psicológico.

É o pai que maltrata a filha, que bate. É o pai que estupra continuamente a filha ou o filho. É o pai que mata. É a mãe que abandona ou que bate ou que mata. Não há nenhum exagero no que digo, infelizmente. O que há é uma subestimação estatística de tudo isso. Uma tentativa da sociedade de considerar esse quadro de violência como algo confinado a quatro paredes, onde a lei não entra. A banalidade do mal. Ainda bem que temos o Estatuto da Criança e do Adolescente, que se constitui numa das legislações mais avançadas relativas à proteção integral à criança e ao adolescente. Lamentavelmente, no entanto, apesar dos avanços, ainda falta muito para que seja cumprido com o devido rigor.

Se os conceitos de indústria cultural ou de sociedade do espetáculo ou de banalidade do mal não nos bastam para entender a cobertura da menina morta, vamos ao cinema. Assistir, então, ao A Montanha dos Sete Abutres, fantástico filme de Billy Wilder. Ali se compreenderá o que é a mídia – não importa a morte de milhares de pessoas, importa o drama, a morte de uma. Charles Tatum, jornalista – o protagonista, vivido por Kirk Douglas, num impecável desempenho – leva essa compreensão às últimas conseqüências, praticamente deixando morrer, com suas táticas de postergação do salvamento, o sujeito preso no buraco de uma caverna. Quem assistir a esse filme, feito há quase 60 anos – exatamente em 1951 –, verá o quanto a imprensa continua a mesma.

Com algumas mudanças, que a roda gira. Afinal, nada será como antes. A mídia hoje está muito mais sofisticada, não só pelos meios, mas por suas mudanças conceituais. Não há mais lugar para crises de arrependimento, como aquela que acomete Tatum depois da morte do homem preso na caverna. Havia espaço para a reflexão ético-moral, nem que a posteriori. Havia, na culpa de Tatum, a idéia de um sentido de missão na mídia.

Hoje tudo se justifica em nome da absoluta mercantilização da notícia. A ética vale para referir-se a políticos, aos outros. O inferno são os outros, para a mídia. Ela é, sempre, o implacável justiceiro, não submetido a regras democráticas e, portanto, incapaz de aceitar que cometa erros. Hoje ela não deixa sequer que os mortos descansem em paz.


Por Emiliano José
Fonte: Revista Carta Capital
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Jornal Nacional omite pesquisa CNT/Sensus

JN omite CNT/Sensus

Por Eduardo Guimarães

Imagino que ninguém, em seu juízo perfeito, discordará da premissa de que jornalismo existe para informar. Portanto, você, leitor, seja de que ideologia for, tenha a opinião política que tiver, certamente me apoiará na afirmativa de que não cabe a qualquer meio de comunicação escolher o que seu público deve ou não saber.
Se você que me lê, independentemente de concordar comigo, discordar de mim ou não ter opinião formada apóia a premissa que escrevi no parágrafo anterior, seguramente concordará se eu disser que é uma aberração que a edição do Jornal Nacional do primeiro dia desta semana tenha omitido uma notícia que esteve o dia inteiro em destaque em todos os portais de internet - inclusive no G1, da Globo - e em todos os outros telejornais da noite.
A notícia à qual me refiro, como você já deve ter percebido, é a de que a pesquisa de opinião CNT/Sensus detectou que a aprovação popular ao governo Lula e ao titular desse governo acaba de bater novo recorde, e de que a maioria dos brasileiros apóia um terceiro mandato para o presidente da República.
O responsável por essa "belezinha" de jornalismo tem nome: Ali Kamel. Ao menos é assim que esse indivíduo aparece nos créditos que voam pela telinha ao fim de cada edição do Jornal Nacional.
A decisão de um órgão de imprensa de privar seu público de tão importante informação só porque um de seus manda-chuvas não gosta dela, caro leitor concordante, discordante ou indeciso, parece ter alguma lógica para você?
Para mim não tem. Qualquer um que tenha acesso à internet ou que conheça alguém que tem acesso à internet ou que assistiu a algum telejornal na noite da sonegação informativa do JN ficou sabendo não só o que o telejornal omitiu, mas também de sua omissão.
Do lado de fora dos círculos de apoiadores ou detratores convictos do governo Lula, as pessoas têm mentes mais aptas a julgar fatos políticos com isenção, pois não são apaixonadas por nenhum dos lados. O que será, então, que esse tipo de cidadão achou de Ali Kamel surrupiar-lhe a informação?
Mas se fosse só isso, não seria nada. O ensandecido Ali Kamel achou também que seria uma boa oportunidade para reafirmar que o jornalismo da Globo continuará tentando desmoralizar supostos candidatos à sucessão de Lula que, na visão desse maluco - e de outros como ele -, ameaçam o projeto de José Serra de se eleger presidente em 2010 e, assim, mandou suas marionetes atacarem o irmão de Ciro Gomes e, claro, a mesma Dilma Rousseff que a CNT/Sensus mostrou que, ao invés de "encolher", cresceu.
E depois Globo, Folha, Veja e Estadão não entendem por que perderam o poder que tinham de influenciar politicamente a sociedade.

Fonte: Blog Cidadania.com

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