segunda-feira, 10 de novembro de 2008

OBAMA, A MODA E A SUBSTÂNCIA

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por Luiz Carlos Azenha

Barack Obama venceu as eleições nos Estados Unidos com 66% dos votos dos jovens de até 29 anos de idade. Os eleitores mais jovens representaram 18% do total em 2008. Já se fala em uma certa "geração O", dos militantes que ajudaram a eleger o democrata. Típico modismo que logo será manchete no Brasil.

Enquanto isso os republicanos advertem que os Estados Unidos são um país de "centro-direita". É uma tentativa de fazer com que Obama não cumpra as promessas de campanha. E que, ao fazê-lo, provoque uma tremenda decepção nos eleitores e abra espaço para a volta dos conservadores ao poder, já nas eleições parlamentares em dois anos.

Como já escrevi neste blog, Obama não é revolucionário. Nem vai fazer um governo "de esquerda". Mas isso não deve nos cegar para o fato de que ele vai formar um governo de centro-esquerda dentro do quadro político dos Estados Unidos. Alguém que imaginar que Obama vai passar a pregar contra os interesses dos Estados Unidos é doido.

Porém, houve uma clara mudança de conjuntura política. E é isso o que importa. O neoliberalismo morreu na crise econômica. O governo Obama será o coveiro. Os estadunidenses passam a admitir a existência do aquecimento global. Institucionalmente. Passam a apoiar o desenvolvimento de fontes alternativas de energia. Institucionalmente. Passam a apoiar as pesquisas com células tronco. Institucionalmente. Passam a condenar a tortura. Institucionalmente. Você pode achar que tudo isso é pouco. Eu acho que é alguma coisa.

No mínimo ficamos livres de um governo teológico cristão no Hemisfério. Não dêem bola para os neocons brasileiros: assim como os neocons estadunidenses estão fazendo neste exato momento eles vão dizer e escrever que Obama não significa nada, que não vai mudar nada. Eu digo que já mudou. No mínimo, como um político de seu tempo, Obama reconheceu o poder da internet. E tirou proveito dele. Com isso trouxe para o debate político centenas de milhares de pessoas que estavam distantes, principalmente jovens. Centenas de milhares de pessoas como você, caro leitor.

Nos Estados Unidos o Stanley Burburinho já teria o seu próprio blog e teria alguns milhares de leitores. No Brasil o Eduardo Guimarães abriu o caminho. A gente chega atrasado, mas chega. Não sei se isso se aplica ao Burburinho, mas eu e o Eduardo estamos muito velhos para fazer a revolução. Nosso negócio é o avanço incremental. Com ajuda da turma do salonpas.

Fonte: Vi o Mundo

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