Por Luciano Martins Costa
A imprensa brasileira parece ter combinado que a visita ao Brasil do presidente russo Dmitri Medvedev não tem maior importância. A cobertura foi pontual e, não fosse a negociação de uma dúzia de helicópteros para a Força Aérea Brasileira, o leitor poderia entender que se tratava do executivo de uma empresa petrolífera russa visitando a Petrobras.
No entanto, trata-se de um dos países mais poderosos do mundo, um dos maiores mercados para a carne brasileira e outros produtos, além de fazer parte do conjunto de nações que a crise financeira mundial acaba de agregar ao grupo de líderes que discutem o futuro da globalização.
Comparados rapidamente ao material publicado pela imprensa internacional, observa-se que os jornais brasileiros simplesmente decidiram que o evento não era importante. No entanto, até mesmo a conservadora agência americana Forbes considerou estratégica a viagem de Medvedev ao Brasil.
Além de buscar ocupar os espaços deixados pela crise financeira dos Estados Unidos, o presidente russo prepara o caminho para influenciar a reunião dos chamados emergentes, que deve se realizar no ano que vem na Rússia.
Brasil, Rússia, Índia e China integram o bloco chamado de Brics, considerado a principal força econômica que pode contrabalançar a influência internacional dos Estados Unidos. O anúncio da cúpula no ano que vem consolida a tese de uma ação conjunta dos quatro países nos mercados globais, o que vem sendo observado atentamente pelos analistas internacionais.
Decisão acertada
Apenas na imprensa brasileira a viagem de Medvedev foi considerada desimportante. E não foi por falta de material: as agências internacionais de notícias despacharam farta cobertura da visita. Os chamados grandes jornais brasileiros parecem ter combinado: nenhum deles publicou a notícia em primeira página.
Não esqueça o leitor que a imprensa brasileira se engajou completamente no plano do governo Bush de controlar o mercado latino-americano por meio do Nafta. O Nafta naufragou, o Brasil preferiu estabelecer relações comerciais e diplomáticas com uma diversidade maior de países e a crise financeira mostra que a decisão foi acertada.
Agora a imprensa tenta ignorar o poder dos Brics, como se uma página de jornal pudesse interromper o fluxo da História.
Fonte: Observatório da Imprensa
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