Mostrando postagens com marcador Neoliberalismo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Neoliberalismo. Mostrar todas as postagens

sábado, 4 de abril de 2009

Ricos, os males do mundo

::

Reprodução
O presidente e seu colega francês, Nicolas Sarkozy. Para Francisco Viana, o Brasil passa a entrar no protagonismo das relações internacionais com Lula
O presidente e seu colega francês, Nicolas Sarkozy. Para Francisco Viana, o Brasil passa a entrar no protagonismo das relações internacionais com Lula


por Francisco Viana*
De São Paulo

No momento em que a política se perde no labirinto da falta de alternativas para um sistema decadente, o capitalismo neoliberal, o presidente Lula desponta como uma voz lúcida e realista. Ele analisa: os países ricos são os culpados pelos males da humanidade; crítica a elite de Wall Street, fala sem meias palavras. Enfim, coloca o dedo na ferida: o neoliberalismo fracassou. Foi um dos maiores engodos da história da humanidade.

É verdade. Não há intolerância nas palavras do presidente. Elas soam como cristalina realidade. Tanto que Obama foi o primeiro a dizer sobre Lula: "Esse é o cara". A informalidade tem duplo significado: reconhece Lula como um igual; valoriza o discurso do presidente brasileiro. O neoliberalismo criou um mundo de aparências, que ilude com o discurso da liberdade. Mas, na prática, a liberdade existe apenas para o capital, que dita as regras, concentra a renda e condena a ética ao ostracismo. É a racionalização da irracionalidade. A frase é de Marcuse e foi dita ainda na década de 60 quando a sociedade unidimensional - carente do elemento crítico - começou a ser modelada.

Lula tem lançado luzes sobre esse dramático ambiente. Estilhaça o monocórdio discurso institucional. Jamais - e essa é a realidade histórica - o Brasil foi protagonista da cena política internacional. Sempre foi coadjuvante. Agora é o presidente americano quem reconhece: Lula, "o cara", é o político mais popular do mundo. Não há racismo algum na sua fala ao lembrar que a crise é de responsabilidade da elite branca de Wall Street. Longe de acender a fogueira dos preconceitos, quis dizer apenas que não foram os excluídos que acenderam o estopim do drama, mas, sim, os seus próprios artífices - os países ricos.

A novidade protagonizada por Lula é que ele transmite o seu discurso falando direto com a sociedade. A mídia reclama, gasta rios de tinta para ridicularizá-lo, mas se perde na própria inconsistência. Lula simboliza a razão dos fatos, não os fatos da razão. Parte da mídia tenta, sem êxito, fazer a sociedade acreditar que seu discurso é preconceituoso porque existem negros em meio aos brancos de Wall Street. Parece brincadeira. Soaria bem em seções de humor.

Por razão dos fatos entenda-se a realidade concreta. Por fatos da razão, a realidade construída artificialmente pela manipulação da realidade. Quando fala, Lula está tecendo o fio mais nobre da política: o exercício da palavra como elemento de transformação da realidade.

Foi o que fizeram os humanistas na transição da Idade Média para o Renascimento, entre os séculos XIV e XV, quando o homem (humanidade) e a sua capacidade de construir a vida foram trazidas para o centro do espaço público. Deixou-se para trás o carcomido. Enviabilizado discurso religioso que via no homem um ser decaído, carente de salvação, para vê-lo, como ele realmente é, sujeito da sociedade política. Não um objeto, um joguete nas mãos das elites ultrapassadas.

A Idade Média dos dias atuais é a sujeição das multidões aos interesses de uma minoria predatória que exerce seu domínio pela ideologia do capital, acondicionado no éter do consumo, no medo do desemprego e do terrorismo e numa estrutura política que aprisiona a palavra, se esta se erguer em favor de mudanças estruturais.

A fala do presidente Lula, nesse contexto, é renovadora. Aponta no rumo de um novo renascimento, da recriação do humanismo cívico. Os brasileiros precisam ver Lula para além dos resultados da economia. Com ele, a política tende a ganhar nova dimensão. Se Obama vier a ter a lucidez de Lula, os ricos, países ou indivíduos, poderão ser a redenção e não a praga do mundo.

Na transição da Idade Média para o Renascimento foi assim. Foi quando o liberalismo tradicional, aquele que precisa ser resgatado nas suas raízes mais profundas, começou a nascer junto com o republicanismo e as ideias socialistas. Foi a época em que o poder deixou de ser exercido por "direito" divino. Foi a época em que a sociedade despertou para a realidade da construção política da economia e começou a questionar o porquê da existência de ricos e pobres.

Hoje, o que está ruindo é o poder exercido em nome do deus dinheiro. É a máquina que faz da sociedade contemporânea livre para consumir, mas prisioneira de um modelo de vida e um sistema econômico que só colhe o que semeia: crises e mais crises. Repito: o Brasil precisa entender melhor o que o presidente Lula está dizendo.

*Francisco Viana é jornalista, consultor de empresas e autor do livro Hermes, a divina arte da comunicação. É diretor da Consultoria Hermes Comunicação estratégica (e-mail: hermescomunicacao@mac.com)

Fonte: Terra Magazine

::

Share/Save/Bookmark

quarta-feira, 30 de abril de 2008

Naomi Klein alerta sobre a teoria dos choques

Por Redação Revista Fórum

"A América Latina tem que mostrar ao mundo as conseqüências dos programas econômicos neoliberais aplicados na região", disse Naomi Klein, durante a apresentação de seu livro The Shock Doctrine: The Rise of Disaster Capitalism (A doutrina do choque: O auge do capitalismo do desastre, em tradução livre), na Feira do Livro de Buenos Aires.

A jornalista canadense e militante da corrente contra a globalização neoliberal é uma das teóricas do movimento surgido em Seattle, em 1999. Um marco nesse sentido foi seu primeiro livro, No Logo, publicado em 2000, uma análise do lado obscuro das marcas das multinacionais.

O novo livro em que Klein contrapõe com fatos e documentos os postulados do guru neoliberal Milton Friedman e de seus "Chicago's Boys", "não poderia ter sido escrito se eu não tivesse vivido em Buenos Aires durante a crise" posterior à queda do governo de Fernando de la Rúa, em dezembro de 2001.

Para a autora, que viveu um ano na Argentina a partir de 2002, foi decisivo ver como, em um momento de comoção política, social e econômica, se ativou em muitos argentinos "a memória histórica de resistir a todas as tentativas das crises" da mão de postulados neoliberais.

Klein contou também que recebeu o "presente" de ter vivido no país antes da invasão do Iraque, porque lhe deu um olhar distinto ao que tinham no Canadá ou Europa sobre a guerra então iminente, pois alguns argentinos apontaram um paralelismo com o que havia sido a ditadura (1976-1983).

A história do neoliberalismo "não é a que narram os vencedores", ou seja, os beneficiados pelas receitas de brutal impacto social, disse Klein, e por isso a "América Latina tem que ensinar ao mundo, em um panorama mais amplo", as conseqüências sofridas pela aplicação desses "projetos tão violentos".

Assista ao vídeo "A Doutrina do Choque"

Fonte: Revista Fórum


Share/Save/Bookmark