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terça-feira, 6 de maio de 2008

General francês afirma que Brasil contribuiu com homens, armas e aviões para o golpe que derrubou Allende

por Antônio Mello

Numa entrevista a Leneide Duarte-Plon, publicada ontem na Folha, o general francês Paul Aussaresses, que foi do serviço secreto francês e trabalhou no Brasil durante a ditadura, afirmou que o país enviou armas, homens e aviões ao Chile para derrubar o governo Allende.

Aussaresses esteve no Brasil para ensinar a oficiais brasileiros técnicas de combate à guerrilha e também de tortura:

FOLHA - Em seu livro, há um capítulo em que o senhor narra os cursos de interrogatório e informação a oficiais no Centro de Instrução de Guerra na Selva, em Manaus. Quais eram suas atribuições?
AUSSARESSES
- Eu dava aulas nessa escola militar porque tinha sido instrutor das Forças Especiais do Exército Americano no Fort Bragg. Fui nomeado instrutor dos pára-quedistas da infantaria americana em Fort Benning, na Geórgia, e me pediram para ser também instrutor em Fort Bragg, na Carolina do Norte. Isso foi nos anos 60. Nessa escola, encontrei oficiais estagiários das forças especiais de vários países da América do Sul.

FOLHA - Inclusive do Brasil?
AUSSARESSES
- Exatamente.

FOLHA - Quem eram esses oficiais?
AUSSARESSES
- Não me lembro de seus nomes. Lembro de Umberto Gordon, que se tornou chefe das Forças Especiais do Chile, a DINA, o serviço secreto de Pinochet. Éramos muito amigos.

FOLHA - O senhor chegou ao Brasil em outubro de 1973, pouco depois do golpe militar do Chile. O Brasil participou ativamente no golpe contra Allende?
AUSSARESSES
- Que pergunta! Você pensaria que sou um idiota se não estivesse a par. Claro que o Brasil participou!

FOLHA - O senhor conta no livro. Gostaria que repetisse. O Brasil enviou aviões e armas?
AUSSARESSES
- Mas claro, armas e aviões.

FOLHA - E enviou oficiais também?
AUSSARESSES
- Sim, claro. As armas não sei dizer exatamente quais. Mas os brasileiros enviaram aviões franceses com projéteis fabricados na França pela sociedade Thomson-Brandtà. [Assinante lê a íntegra da entrevista aqui]

Fonte: Blog do Mello

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O Globo desinforma: ‘Bolívia aprova autonomia de Santa Cruz’

por Antônio Mello

Chamada na primeira página de O Globo hoje:

Bolívia aprova autonomia de Santa Cruz

O "sim" à autonomia do departamento boliviano de Santa Cruz de la Sierra ganhou ontem com 86% dos votos apurados. A abstenção foi muito alta, cerca de 40%, segundo os institutos de pesquisa. Houve 25 feridos em diversos protestos.

O apressado, ou desinformado, que lê a chamada pensa que a Bolívia foi às urnas ontem. Errado. A Bolívia não votou nada ontem.

O departamento de Santa Cruz convocou, ilegalmente, a população daquele departamento para ir às urnas votar por sua autonomia. Então, como se pode afirmar em manchete que a Bolívia aprovou algo?

Como se pode divulgar porcentagem da apuração de um referendo ilegal, que não teve fiscalização ou reconhecimento nem da OEA, nem da Comunidade Européia, nem da ONU?

Como se pode dar respaldo, afirmar que “O "sim" à autonomia do departamento boliviano de Santa Cruz de la Sierra ganhou ontem com 86% dos votos apurados”, se a votação foi convocada (mais uma vez: ilegalmente), patrocinada, votada e fiscalizada pelas mesmas pessoas?

Além do mais, como a chamada pode afirmar que o “sim” ganhou ontem com 86% dos votos apurados, se as apurações terminam apenas na sexta-feira, e a própria matéria publicada pelo jornal na página 21 informa que a porcentagem de 86% não se refere a votos apurados, mas a pesquisa de boca-de-urna, desqualificando assim a chamada da primeira página?

E mais: essa mesma pesquisa de boca-de-urna publicada pelo jornal estima o não comparecimento em 50%. Portanto, pela pesquisa, o “sim” é minoria, o “sim” perdeu, pois teve 86% dos votos de apenas 50% dos eleitores de Santa Cruz, o que dá 43%.

São tantos erros em tão poucos centímetros quadrados, que a gente fica em dúvida: Incompetência ou má-fé?

Fonte: Blog do Mello

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terça-feira, 29 de abril de 2008

O poder das Organizações Globo é um risco para a democracia no Brasil (III)

Por Antônio Mello

A Rede Globo consegue mudar até o fuso horário do Brasil.

O Brasil inteiro dormia e acordava inocente da necessidade premente de o Acre, o Pará e mais algumas dezenas de municípios do Amazonas mudarem seu fuso horário. Mas foi só as emissoras de TV (à frente a hegemônica Rede Globo) terem que adequar sua programação aos fusos horários do país, respeitando a classificação indicativa, para que a necessidade de uma mudança geral acontecesse.

Veja bem, esse fuso horário foi adotado em 1913, mas só agora, quase cem anos depois, após ameaças da Rede Globo de apenas transmitir em VT os jogos de futebol para aqueles estados da região Norte, descobre-se que ele prejudica atividades econômicas, tem mau hálito e chulé.

O presidente Lula sancionou na última quinta-feira o projeto de lei do senador petista Tião Viana, lá do Acre, que diminui em uma hora o fuso daquela região, em relação a Brasília. Com isso, descobrimos que há quase cem anos eles são prejudicados, pois agora o novo fuso lhes vai proporcionar economia de energia, integração de transportes e facilitará as transações econômicas com os demais estados. Parece piada.

O Altino Machado, nosso blogueiro acreano, postou uma foto da capital, Rio Branco, no novo horário em que as crianças sairão para as escolas e os trabalhadores para o trabalho. Clique aqui para vê-la. É um breu. Mesmo assim o presidente assinou o projeto que entrará em vigor daqui a 60 dias, para alegria da Globo.

Por isso reproduzo a seguir trechos de uma postagem de junho do ano passado:

As Organizações Globo têm um peso descomunal no Brasil. Esse peso descomunal deve ser discutido no Congresso. É necessário que se criem mecanismos regulatórios para garantir a liberdade de expressão. E a liberdade só pode existir se for plural, se não houver uma instância - como as Organizações Globo - com o poder de influenciar mais de 70% da população. Mecanismos que proibissem – como acontece em outros países, inclusive os EUA - a concentração de veículos de comunicação nas mãos de um só grupo, numa mesma cidade ou estado. Aqui no Rio, por exemplo, as Organizações Globo têm a TV Globo (RGTV), os jornais mais vendidos - O Globo e Extra -, estações de rádio - Globo, CBN... - além da revista Época, do portal de notícias etc., etc.

(...)... Até quando se vai permitir a concentração de poder que as Organizações Globo têm no país? Isso não faz bem para a informação livre, muito menos para a democracia. Ao contrário: não permite uma e ameaça a outra.

Fonte: Blog do Mello

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FHC entregou o petróleo aos ban...queiros

Por Antônio Mello

Mais uma dos arquivos do jornalista Aloysio Biondi. Este artigo foi publicado na revista Caros Amigos, em março de 2000. E mostra a indignação do jornalista com o entreguismo do governo tucano de FHC.

O assunto é atual, pois trata da descoberta, à época, dos campos de Marlim e Roncador, exatamente como estão sendo descobertas novas reservas de petróleo agora. Só que o governo FHC, segundo Biondi, entregou de mão beijada um dinheiro que poderia vir integralmente para o país a “espertos” empresários:

(...)... o povo brasileiro, com as reservas de petróleo, e mais ainda, com os campos fantásticos descobertos pela Petrobrás, tirou a Mega-Mega Sena. Virou trilionário. Mas não sabe disso. O povo não sabe, o Congresso não sabe. Por isso, o governo FHC prepara-se para nova rodada de leilões destinados a entregar o petróleo brasileiro a multinacionais. Ou, mesmo, já vem entregando indecentemente o petróleo descoberto peta Petrobrás, que pertence efetivamente a cada cidadão brasileiro, a meia dúzia de empresários nacionais e banqueiros nacionais e estrangeiros. Exemplo? O fantástico campo de Marlim, com sua produção de 400.000 barris/dia, por exemplo, foi “repartido” agora com meia dúzia de sócios que se juntaram em uma empresa de fundo de quintal para... fornecer parte do dinheiro necessário para duplicar a produção. Essa operação já seria um assalto contra a sociedade brasileira, mesmo que os “sócios” realmente desembolsassem a cifra de 1,5 bilhão de reais para financiar sua parte no projeto de exploração de Marlim. Nem isso existe. A empresoca de fundo de quintal tem um capital bruto de 200 milhões de reais e foi formada – como narrado em nosso livrinho O Brasil Privatizado – apenas... para tomar 1,2 bilhão de reais emprestados no exterior, que obviamente a própria Petrobrás poderia obter. Um negócio da China, um assalto, uma mina de ouro, capaz de faturar centenas de bilhões de reais, entregue por 200 tostõezinhos fajutos. [Leia o artigo completo aqui, e aproveite para conhecer o site que preserva o trabalho do Biondi, que morreu em 2000]

Fonte: Blog do Mello

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