por Altamiro Borges
Vade retro Bush, chefão do terrorismo (1)
A consagradora vitória de Barack Obama atesta que os estadunidenses não agüentavam mais o presidente-terrorista George W. Bush. De todo-poderoso, bajulado pela mídia venal, ele agora sai escorraçado da Casa Branca, como um dos presidentes mais odiados da história dos EUA. Nem o candidato do seu partido, o republicano John McCain, aceitou sua presença. Nos últimos dias, ele sofreu da solidão do poder, parecia um natimorto. Nem sequer foi às urnas para votar; depositou o seu voto nos correios. Triste fim de um tirano sanguinário. Para exorcizar de vez este satanaz, reproduzo uma série de artigos publicados no início de 2007. Vade retro, Bush.Bush, o chefão de terrorismo internacional
Logo após os atentados de 11 de setembro de 2001, em que três aviões derrubaram as “torres gêmeas” do World Trade Center, símbolo da ostentação capitalista, e atingiram as laterais do Pentágono, símbolo do poder do império, George W. Bush declarou: “Sou um presidente em guerra”, um war president. Já o seu vice, Dick Cheney, vinculado à indústria petrolífera, foi ainda mais assustador: “É diferente da guerra do Golfo [no governo de Bush-pai] no sentido de que ela pode não terminar nunca, pelo menos não no nosso tempo de vida”. Aqueles episódios trágicos mudariam os rumos da história e fariam a política terrorista-imperialista dos EUA atingir o seu ápice, colocando em risco a própria sobrevivência da humanidade.
Na sua história expansionista, os EUA já organizaram, financiaram e participaram de inúmeras guerras. A própria formação do país está manchada de sangue, com o extermínio de povos indígenas e a anexação de terras mexicanas. Para manter sua hegemonia no “quintal” latino-americano, os EUA também realizaram várias intervenções armadas em nações soberanas e bancaram golpes militares, ditaduras cruéis, atentados terroristas e assassinatos de líderes populares e nacionalistas. Já para ampliar a sua hegemonia planetária, lançaram as bombas atômicas em Hiroshima e Nagasaki, apoiaram genocídios na Ásia e na África, deram proteção a ditadores sanguinários e tornaram-se os recordistas mundiais no tráfico de armas.
“Tirando partido da tragédia”
A ação terrorista-imperialista dos EUA ainda será condenada pelo tribunal da história. O julgamento será ainda mais duro após a chegada de George W. Bush à presidência dos EUA, em janeiro de 2001. A maior potência do mundo é hoje dirigida por um homem que se considera “um enviado de Deus” e que mantém promiscuas relações com o poderoso “complexo militar-industrial”, que reúne fábricas de armamentos, corporações do petróleo e grandes bancos. Os suspeitos atentados de 11 de setembro serviram para retirar um desgastado Bush, eleito de forma fraudulenta, do seu isolamento e para justificar suas ações terroristas no Afeganistão e Iraque visando ampliar, numa escala sem precedentes, a hegemonia mundial dos EUA.
Segundo Richard Clark, assessor militar do Conselho de Segurança Nacional, os ataques foram utilizados para concluir o que Bush-pai deixara inconcluso. Tendo servido a quatro presidentes, Clark foi acionando quando dos episódios e lamenta. “Depois percebi com dor aguda, quase física, que estavam tentando tirar partido daquela tragédia nacional para promover a agenda deles no Iraque”. Paul O’Neill, ex-secretário do Tesouro, também registra em seu livro que o Iraque era uma obsessão de Bush antes dos atentados. Nas reuniões ministeriais, “ele era como um cego numa sala cheia de pessoas surdas”. A ocupação terrorista inclusive já estava detalhada, com os mapas das áreas potenciais de exploração do petróleo iraquiano.
A estratégia da Pax Americana
O plano para a expansão imperialista dos EUA, para a construção da chamada Pax Americana, já estava delineado desde o desmoronamento do bloco soviético. Com o fim da chamada “guerra fria” e da temida “ameaça comunista”, muitos iludidos apostaram em seus efeitos positivos com o fim da bilionária corrida armamentista – entre 1949/1991, os EUA gastaram US$ 7,1 trilhões na “defesa nacional”. Mas este nunca fora o projeto do poderoso “complexo militar-industrial” que domina a política ianque. Após a débâcle do bloco soviético, uma nova doutrina fascista emergiu deste grupo, a de estender o domínio anterior, num mundo bipolar, para a dominação completa do planeta, com a construção de uma potência unipolar.
Esta passou a ser a ambição das empresas que fizeram fortuna como fornecedoras de armas ao Pentágono durante a “guerra fria” e das corporações do petróleo, sequiosas pelas reservas do Oriente Médio. Nele estavam envolvidas empresas que ascenderam ao poder com a eleição de George H. W. Bush, o Bush-pai, como a Chevron, que batizou um petroleiro de 130 mil toneladas com o nome de Condoleezza Rice, ex-integrante do seu conselho de direção, e a Halliberton, que foi presidida pelo próprio Dick Cheney. Em 1992, na campanha por sua reeleição, este projeto já havia sido traçado pelos ideólogos ultradireitistas do Partido Republicano, os neocons, e pelos fanáticos religiosos que rodeavam a família Bush, os theocons.
Em março de 1992, o New York Times vazou um documento interno do Pentágono (DPG) que continha os detalhes desta estratégia para substituir a política da “guerra fria”. Ele já pregava a Pax Americana, com a existência de uma única superpotência mundial, com direito à ação unilateral, à guerra preventiva e ao uso de força, inclusive contra históricos aliados que se atravessem a reforçar seu poderio militar. Ele já tratava a região asiática – o Iraque, em especial – como estratégica neste projeto geopolítico. Mas seu vazamento gerou forte reação dos aliados e desgastou a imagem de Bush, contribuindo para as duas derrotas seguidas dos republicanos. O plano foi parcialmente “suavizado” durante os oito anos do “democrata” Bill Clinton.
“Identificar e destruir”
Em janeiro de 2001, porém, os neocons e os theocons finalmente retornaram ao poder, desta feita através da figura caricata de George W. Bush, o baby-Bush, o 43º presidente dos EUA. Estavam sendo criadas as condições para desarquivar a controvertida Orientação da Política de Defesa (DPG), elaborada em 1992 – depois atualizada, em 1997, com o nome de Projeto Novo Século Americano (PNAC), e que teve nova redação, em setembro de 2000, com o relatório Reconstruindo as Defesas da América (RAD). Como se observa, o projeto terrorista dos EUA, rebatizado de Estratégia de Segurança Nacional (NSS) e divulgado com pompa por baby-Bush em setembro de 2002, já estava pronto há quase uma década!
A versão original não deixava margem à dúvida sobre a agressividade imperialista. Já falava abertamente em promover “ações unilaterais”, sem qualquer consulta aos organismos internacionais, para promover os “valores americanos” da democracia liberal e do “livre mercado”. De forma grosseira, a DPG alegava que “sem a União Soviética, somos a única superpotência e o nosso objetivo número um deve ser o de manter as coisas assim”. Num outro ponto, esbravejava: “Não admitimos dividir nossa posição com ninguém”. O texto já antecipava a idéia das “guerras preventivas” e relativiza o conceito da soberania das nações.
Já o documento Estratégia de Segurança Nacional (NSS) só fez confirmar esta política belicosa. Nas suas 33 páginas, o texto escrito sob a direção de Condoleezza Rice era altamente agressivo. “Defenderemos os EUA, o povo americano e nossos interesses em casa e no exterior, identificando e destruindo as ameaças antes que elas cheguem às nossas fronteiras. Ao mesmo tempo em que os EUA tentarão recrutar o apoio da comunidade internacional, não hesitaremos em agir sozinhos, se necessário, para exercer nosso direito de autodefesa, agindo de maneira preventiva”. A NSS já previa a instalação de “bases americanas dentro e além da Europa Ocidental e do Nordeste Asiático” e o aumento do gasto militar anual de US$ 350 bilhões para mais de US$ 500 bilhões – fora os US$ 40 bilhões por ano para manter 150 mil soldados no Iraque.
Falso “combate ao terrorismo”
Lendo estes documentos, fica patente que os atentados de 11 de setembro serviram somente de pretexto para colocar em prática esta visão terrorista-imperialista. Sem as suspeitas ações comandadas por Osama bin Laden, por acaso um antigo aliado dos EUA na luta contra os soviéticos no Afeganistão, seria difícil emplacar nos EUA e na comunidade internacional um projeto tão belicista e belicoso. No passado, para justificar a histeria da “guerra fria”, a Doutrina Truman criou a imagem do “perigo comunista”. Agora, os atentados ajudaram a criar o clima do “perigo terrorista” e do “choque de civilizações”. O primeiro alvo desta estratégia imperial foi o Afeganistão, um país mais frágil e isolado no tabuleiro mundial.
Mesmo após o governo afegão, sob o controle dos antigos aliados do Talibã, ter proposto entregar Osama Bin Laden a um país neutro e ter concordado com seu julgamento, mas sob as leis islâmicas, os EUA iniciaram o covarde bombardeio ao país em 7 de outubro de 2001. Uma semana após o início dos ataques aéreos, a proposta de paz foi reiterada, mas a resposta de Bush foi reveladora: “Não há necessidade de se negociar. Não temos que discutir se ele [Bin Laden] é inocente ou culpado. Sabemos que é culpado”. Na verdade, a captura do suspeito terrorista não era a prioridade dos EUA, que poderiam tê-la conseguido por meios pacíficos. Sua extradição, reiterada pelo Talibã, faria desaparecer o real motivo da guerra!
700 mil mortos no Iraque
A invasão do Afeganistão fazia parte de um plano maior; visava criar o clima para a ocupação do Iraque e o domínio daquela região estratégica. As cruéis sanções impostas ao Iraque pelo Conselho de Segurança da ONU, que causaram a morte de meio milhão de crianças e de um milhão de adultos, segundo cálculos da própria Unicef, nunca sensibilizaram os falcões republicanos. Diferentemente da secretária de Estado Madeleine Albright, proponente das sanções durante o governo do “democrata” Bill Clinton, que declarou que a morte de meio milhão de crianças “foi um preço que valeu a pena”, os neocons e os theocons nunca se contentaram apenas com as sanções. Desde Bush-pai, sempre sonharam em ocupar militarmente o país.
O saldo do terrorismo de Estado dos EUA é que desde o início desta brutal guerra de ocupação, em março de 2003, já morreram cerca de 700 mil iraquianos e mais de 3 mil soldados ianques – além de milhares de “mercenários modernos” contratados pelo governo Bush e pelas corporações que hoje exploram o país. O custo desta empreitada insana e genocida, segundo estimativa recente de Joseph Stiglitz, Prêmio Nobel de Economia, já supera os US$ 2,2 trilhões – para a alegria do “complexo militar-industrial” dos EUA. Não é para menos que George W. Bush, chefão do terrorismo internacional, recebeu as maiores contribuições financeiras desta “indústria da morte” na campanha para a sua reeleição em 2004
::
Vade retro Bush, o grande ditador (2)
Com base na histeria coletiva criada pelos atentados de 11 de setembro de 2001, que fez sua popularidade saltar de 38% para 82% em menos de duas semanas, George Bush aproveitou para também investir contra as liberdades civis nos EUA – velho desejo de seus conselheiros theocons e neocons. De forma premeditada, seu governo tentou reeditar o clima marcatista da caça às bruxas, encabeçado pelo senador fascista Joseph McCarthy, após a 2.ª Guerra. Nos quase 40 anos da chamada “guerra fria”, o fantasma do comunismo foi usado para amedrontar e coesionar a sociedade; agora, o perigo seria o do “terrorismo” e das “civilizações hostis”. Bush passou a repetir que “momentos extraordinários exigem medidas extraordinárias”.A mídia servil dos EUA inventou o risco do “cogumelo atômico sobre as cidades americanas” para criar o clima propício à regressão autoritária. Excitados com esta onda, os fanáticos religiosos voltaram a ocupar o cenário político. O pastor Jerry Falwell, criador da seita fascista Maioria Moral, fez de tudo para ligar o “terrorismo islâmico” aos defensores das liberdades civis nos EUA. Num programa de televisão, afirmou: “Os defensores do aborto têm culpa porque não se pode zombar de Deus. Os pagãos, as feministas, os gays e as lésbicas que tentaram fazer disso um estilo alternativo de vida também têm culpa. Aponto cada um na cara e digo: ‘Vocês ajudaram a fazer isso [os atentados] acontecer”.
A ditadura da Patriot Act
O procurador-geral da República, John Ashcroft, jurista famoso por combater os direitos humanos, por endeusar os símbolos históricos da causa racista no país e por seu fanatismo religioso, tornou-se o todo-poderoso no interior do governo Bush. Em várias ocasiões, fez questão de enfatizar o seu desdém pelas leis existentes. Numa reunião do Conselho de Segurança Nacional, um dia após os atentados, explicitou sua posição. “A missão central do executor da lei é impedir outro ataque e prender quaisquer cúmplices ou terroristas antes que voltem a atacar. Se não conseguirmos levá-los a julgamento, que assim seja”.
A expressão maior da regressão autoritária se deu com a aprovação da Lei Patriótica (USA Patriot Act), apenas 43 dias após os atentados. Foi o momento de maior glória de Ashcroft, como ele mesmo declarou à imprensa. Entre outras medidas antidemocráticas, a nova lei permitiu o julgamento militar de pretensos terroristas residentes no país; ampliou os poderes das agências federais de vigilância, como o FBI; tornou legal a difusão de notícias falsas na mídia subserviente; permitiu a prisão e a intimidação de imigrantes; ampliou o programa de repressão nos bairros populares, permitiu o indiciamento de advogados acusados de defender os “terroristas”; e reduziu drasticamente a Lei de Liberdade de Informação (FOIA). Numa tacada, o país que se gaba de ser “a pátria da democracia ocidental” transformou-se numa brutal ditadura!
A espionagem na internet
A Patriot Act foi aprovada por esmagadora maioria nas duas casas legislativas, com o apoio cúmplice dos parlamentares do Partido Democrata e o silêncio acovardado dos estadunidenses. Na Câmara Federal, o documento de 342 páginas, que poucos tinham lido e que sequer foi debatido, obteve 356 votos a favor e apenas 56 contra. Já no Senado houve um único voto contra. Alguns agora afirmam que aprovaram esta lei de nítido caráter fascista, sem apresentar emendas ou questionamentos, temendo serem tachados de antipatriotas e apavorados com a reação do eleitorado envenenado pela histeria reinante nos EUA. Poucos deputados e senadores tiveram a dignidade de se contrapor a esta violenta regressão autoritária.
A lei ampliou radicalmente o poder do governo para realizar a espionagem eletrônica sobre os cidadãos, inclusive via internet. Permitiu que a polícia invadisse as escondidas casas e escritórios para instalar nos computadores o dispositivo batizado de Lanterna Mágica, que registra cada tecla digitada e até mensagens não enviadas. A lei também reduziu as exigências para o FBI implantar o sistema de vigilância Carnivore (Carnívoro), que escaneia todo o tráfego das mensagens eletrônicas em busca de temas “suspeitos”, como a palavra Alá. A Patriot Act também autorizou o FBI, de posse de um mandato expedido por um tribunal secreto, a requisitar nas bibliotecas e nas livrarias a lista de livros obtidos por “pessoas suspeitas”.
Os campos de concentração
Diante das críticas de alguns poucos intelectuais e políticos à Lei Patriótica, John Ashcroft respondeu em tom intimidador: “Aos que assustam as pessoas amantes da paz com o fantasma da liberdade perdida, a minha mensagem é esta: as táticas de vocês só ajudam os terroristas, pois prejudicam a nossa unidade nacional e afetam nossa determinação”. Empolgado com o clima de histeria, o procurador-geral chegou a defender a construção de campos de concentração para internar os cidadãos considerados “combatentes inimigos”, o que não vingou no interior dos EUA, mas que foi implementado, com requintes da tortura, na base militar de Guantánamo, em Cuba, e no presídio de Abu Ghraib, no Iraque.
No auge da esquizofrenia, John Ashcroft também instituiu o “programa dos cooperadores responsáveis”, que premia com o cartão de residência permanente nos EUA, o cobiçado green card, os imigrantes ilegais que delatassem suspeitos de terrorismo. Várias listas de suspeitos, envolvendo inúmeras organizações não-governamentais de defesa dos direitos humanos, sindicalistas e ativistas de esquerda, foram encaminhadas ao governo e resultaram em processos de indiciamento – bem ao estilo da caça as bruxas da “guerra fria”.
5 mil presos sem provas
Em julho de 2004, balanço parcial das prisões efetuadas com base nesta lei fascista indicou que dos mais de 5 mil cidadãos detidos desde 11 de setembro apenas três foram acusados de algum crime relacionado aos atentados. Dois deles foram absolvidos das acusações de terrorismo e a única condenação efetuada está sob questionamento jurídico porque a promotoria não passou ao advogado de defesa a informação de que a principal testemunha de acusação tinha mentido ao prestar o depoimento no tribunal. Mesmo fora dos EUA, a histeria antiterrorista também trouxe resultados deprimentes. Oficiais da inteligência militar confessaram à Cruz Vermelha que 70 a 90% das pessoas presas no Iraque tinham sido detidas por engano.
Nesta nova fase da “democracia americana”, a prática de tortura também foi legalizada, conforme revelou o vazamento na mídia de centenas de fotografias e vídeos. É generalizada a prática da torturas, efetuada por sádicos soldados ianques e pelos chamados contractors (ex-militares que servem a firmas privadas de segurança, os mercenários modernos), na prisão iraquiana de Abu Ghraib. Diante do escândalo mundial, o presidente George Bush alegou que eram casos isolados, “poucas maçãs podres”.
Mas, poucas semanas depois, vieram a publico vários pareceres jurídicos do próprio governo favoráveis a ignorar as convenções de Genebra na busca de resultados no interrogatório de presos. E se descobriu ainda a existência de autorizações do comando militar para o uso da prática de tortura. Acuado pela crítica internacional, o ex-secretário de Defesa, Donald Rumsfeld, foi obrigado a reconhecer publicamente ter aprovado as detenções secretas e o uso de força nas prisões.
“Vigiados em toda parte”
Mais recentemente, desgastado com o fracasso das ocupações do Iraque e do Afeganistão, o presidente George W. Bush tem sido pressionado a atenuar suas práticas ditatoriais. Mesmo assim, várias medidas ainda vigoram, entre elas o temível TIA (Total Information Awareness). Criado pelo Departamento de Defesa, sob a supervisão do almirante John Poindexter, o ex-assessor de segurança nacional condenado no escândalo Irã-Contras, esse programa continua a bisbilhotar a vida dos cidadãos.
Como denuncia Michael Posner, diretor da Comissão dos Advogados pelos Direitos Humanos dos EUA, “o objetivo do TIA é monitorar registros públicos, internet, médicos, histórias de créditos e viagens de todos os norte-americanos. Esse programa de centenas de milhares de dólares basicamente nos acompanha, nos vigia em toa parte, olha aonde vamos e o que fazemos”.
::
Vade retro Bush, o fanático religioso (3)
“Bush acha que Deus fala com ele. Ele se julga em missão divina. Reiterou que sua missão é ditada do alto, a pretexto de que ‘a liberdade é uma dádiva do todo-poderoso’... Essencialmente, o que ele disse foi ter sido ‘convocado’ para esse papel... George W. Bush foi colocado na Casa Branca por Deus”. Bob Woodward, no livro Plan of attack, com base em declarações do próprio presidente-maníaco. Na sua “guerra infinita” contra o “eixo do mal”, o presidente George W. Bush tenta estigmatizar todas as demais culturas e religiões do mundo. Apresenta-as como se fossem coisas “demoníacas” de “fanáticos”. Um dos mentores desta onda conservadora, Samuel Huntington, inclusive escreveu um livro defendendo que o maior problema do planeta na atualidade é o “choque de civilizações”. Esta teoria insana substituiu o célebre e desastroso conceito sobre o “fim da história”, do descartado Francis Fukuyama. É nela que o fundamentalista George W. Bush se baseia para justificar as suas agressões terroristas no planeta.
Escrito em 1993, o livro de cabeceira dos republicanos afirma que o mundo vive uma fase de transição e que a maior ameaça ao “ocidente” viria da chamada “conexão islâmica-confuciana”, incluindo os países árabes e a perigosa China. Diante deste cenário apocalíptico, Huntington sugere que o “mundo ocidental” deve usar meios militares para desestabilizar as “civilizações hostis” e preservar a sua hegemonia. “Um mundo sem o primado americano terá mais violência e desordem, menos democracia e crescimento, do que um mundo no qual os EUA continuem a ter mais influência do que qualquer outro país na formação dos negócios globais”. Os atentados de 11 de setembro seriam a prova cabal do acerto desta “teoria”.
“Enviado de Deus na Terra”
Por detrás desta “teoria insana” se escondem muitos tiranos maníacos. A mídia hegemônica, que costuma fazer grosseiras caricaturas do islamismo e de outros credos, não enfatiza que o próprio George W. Bush é um ativo partidário da intolerância e do fanatismo religioso. Ele jura que é um “enviado de Deus na terra” – ou, como escreveu um colunista do Washington Post, “é o próprio aiatolá da América”. Na sessão conjunta do Congresso de setembro de 2001, quando decretou sua “guerra infinita”, o atual presidente dos EUA esbravejou: “Ou você está conosco, ou está com os terroristas. De hoje em diante, qualquer nação que continuar a acolher ou apoiar o terrorismo será encarada pelos EUA como regime hostil”.
Foi nesta ocasião que Bush pregou a “cruzada contra o terrorismo”, numa versão cristã da Jihad, a guerra santa dos mulçumanos. Poucos dias depois, o pastor Jerry Falwell, um de seus “conselheiros espirituais”, aproveitou o clima de histeria decorrente dos atentados de 11 de setembro para afirmar que “Maomé é terrorista”. Já o reverendo Pat Robertson disse que aquele ataque fora “um castigo de Deus por causa da legalização aborto e da ação das feministas e gays”. E a jornalista Ann Coulter, entusiasta da “guerra santa”, escreveu: “Devíamos invadir o país deles, matar os líderes deles e convertê-los ao cristianismo”.
O “renascimento em Cristo”
De há muito que a família Bush explora a religiosidade dos estadunidenses para escamotear seus negócios ilícitos e justificar sua política ultraconservadora. Segundo vários dos seus biógrafos, após longa fase de “beberrão a arruaceiro”, o atual presidente difundiu amplamente a imagem do “renascido em Cristo” – horn again Christian –, o que rende muitos votos no segmento mais atrasado do eleitorado. Ele inclusive passou a fazer pregações em igrejas e nos shows evangélicos de televisão, nos quais satanizava as demais religiões e dizia que relia a Bíblia a cada dois anos. O reverendo Tony Evans, seu confidente em Dallas quando ele era governador do Texas, relata que Bush “sentia que Deus falava com ele”. Ele mesmo dizia que rezava várias vezes ao dia “para ser, tanto quanto possível, um bom mensageiro da vontade de Deus”.
Bush gostava de relatar que o seu “renascimento em Cristo” se dera com a ajuda do pastor midiático Billy Grahan, cultuado como o “estadista evangélico da América”. Grahan é um antigo conselheiro espiritual da família Bush, tendo passado várias férias na residência de praia em Kenneebunkport, no extremo oeste dos EUA. O reverendo inclusive teria uma ligação afetiva com baby-Bush devido à semelhança do seu problema com o do seu filho, Franklin Grahan, que aos 22 anos voltou a se dedicar à religião após longa fase de vícios e internações. Segundo relato do próprio Grahan foi numa conversa com o atual presidente, durante uma caminhada na praia de Kennebunkport, em 1986, que baby-Bush se reconverteu à religião.
“Livrar-se do último demônio”
“Quando a gente está sem Deus nesta vida, amarga terrível solidão... Há uma coisa que gostaria que você fizesse ao voltar ao Texas. Deus ama você, George. Deus está interessado em você. Para voltar a dedicar a vida a Jesus Cristo e se tornar um homem novo, você terá de se livrar daquele último demônio. George, dê isso a ele. Deus vai assumir a carga e você será libertado”, orientou o pastor. Segundo relato do próprio Bush, ele só teria se libertado dos seus “demônios” durante uma festa com os amigos texanos de Midland para comemorar o seu 40º aniversário. Após aquela longa folia, ele jurou que nunca mais iria beber.
Bush garante que sua vida mudou radicalmente depois que ele ouviu os “conselhos espirituais” do reverendo Grahan. Antes de “excomungar seus demônios”, afastando-se do alcoolismo e de outros vícios, ele havia fracassado na vida política (foi derrotado numa eleição para deputado em 1978) e no mundo dos negócios (suas três empresas do ramo de petróleo faliram entre 1976 e 1983). Após a “reconversão”, ele se tornou governador do Texas, em 1993 (reeleito em 1977), e presidente dos EUA, em 2000. Daí ele afirmar, com uma convicção hipócrita e oportunista, que é um predestinado, um “enviado de Deus na terra”.
O falso moralismo dos theocons
Na eleição de 2000, George Bush teve apoio ativo dos pastores ultraconservadores, como Pat Robertson, Jerry Falwell e do midiático Billy Grahan. Os seus cabos eleitorais foram os fanáticos das organizações religiosas de extrema direita dos EUA, como a Maioria Moral e a Coalizão Cristã, secretariada por Ralph Reed. Este só não pode participar mais ativamente da campanha eleitoral porque foi revelada sua atuação ilegal e criminosa de lobista da Microsoft e da corrupta Enron. Para colegas evangélicos, o “pastor” Reed jurava que “Deus escolheu Bush porque sabia de suas qualidades de líder vigoroso e resoluto”.
A agressividade dos tele-evangelistas contra as “civilizações hostis”, as liberdades democráticas, o aborto e o homossexualismo acabou rendendo votos entre o eleitorado mais conservador e chauvinista dos EUA. Além disso, ela foi apimentada pelo falso moralismo destas seitas. Isto apesar de denúncias contra muitos “pastores”. Um deles, Jim Baker, dono de império de hotéis, escandalizou o país ao admitir que mantinha relações extra-conjugais e ao ser preso por desvio de dólares dos fiéis. Já Jimmy Swaggart, cuja pregação alcançava mais de 100 países, incluindo o Brasil, caiu em desgraça ao se descoberto em prostíbulos. Ele chorou, pediu desculpas e, pouco depois, voltou à ativa, tornando-se ativo apoiador de George W. Bush.
Já Pat Robertson, criador da Coalizão Cristã, detém postos de comando no Partido Republicano e possui milionários negócios, como a exploração de minas de ouro na Libéria e uma influente rede de televisão – Cristian Broadcasting Network (CBN). Seu programa diário na TV é famoso pelas agressivas campanhas contra o aborto e o casamento gay, pela obrigatoriedade do ensino religioso nas escolas e pela defesa dos “valores da família”. No ano passado, causou celeuma no país ao pregar o assassinato do presidente Fidel Castro. A Coalizão diz possuir um milhão de adeptos e se vangloria de ter já elegido vários deputados, senadores e governadores. Ela tem um luxuosa sede em Washington que serve para sua ação lobista.
“A cruzada sanguinária” de Bush
Na verdade, toda esta encenação religiosa serve aos propósitos dos republicanos ultraconservadores. De há muito que o Partido Republicano sofre enorme influência da direita religiosa dos EUA, dos chamados theocons. Nela militam não apenas reverendos fascistas, como Pat Robertson e Jerry Falwell, mas vários advogados com notável dedicação às campanhas moralistas. O grupo teve muito poder nos dois mandatos de Ronald Reagan, sendo baluarte da luta contra o comunismo, e também no governo de Bush-pai. Mas depois caiu no descrédito, sendo responsabilizado pelas duas derrotas consecutivas dos republicanos. Na gestão de Bill Clinton, os theocons lideraram a campanha moralista pelo impeachment do presidente.
Com a vitória de baby-Bush e, principalmente, após os atentados de 11 de setembro de 2001, este grupo retornou com toda força ao poder e hoje ocupa postos-chaves em várias áreas do governo, especialmente no Departamento de Justiça. O atual presidente usou, de forma oportunista, de toda a carga religiosa e das contribuições dos theocons para decretar sua “guerra santa ao terrorismo” e para proclamar o “choque de civilizações” como forma de justificar as criminosas ocupações do Afeganistão e, depois, do Iraque. Ele se postou como “mensageiro de Deus” nesta “cruzada” sanguinária. A direita religiosa também conseguiu emplacar a sua política contra as liberdades civis, o direito ao aborto e o homossexualismo nos EUA.
::
Vade retro Bush, mentiroso midiático (4)

Para justificar a sanguinária ocupação do Iraque, iniciada em março de 2003, o presidente-terrorista George W. Bush difundiu pelo mundo três falsidades grosseiras, que passaram a ser amplamente divulgadas pela mídia hegemônica. Contumaz mentiroso, ele garantiu que Saddam Hussein produzia armas biológicas, químicas e nucleares; que ele teve papel destacado no apoio operacional aos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001; e que ele mantinha estreitas ligações com a rede terrorista Al-Qaeda de Osama bin Laden.
Pouco antes do início da agressão, o secretário de Estado dos EUA, o general Colin Powell, apresentou no Conselho de Segurança da ONU, em fevereiro de 2003, as “provas cabais” que evidenciariam a produção das armas de destruição em massa. Elas incluíam algumas fotos aéreas desfocadas; a tradução de diálogos em árabe gravados pela CIA; a relação de tubos de alumínio comprados pelo Iraque que se destinariam à produção de armas nucleares; o testemunho de vários iraquianos sobre a existência de laboratórios móveis de armas químicas; e um “excelente” documento distribuído pelo serviço de inteligência da Grã-Bretanha.
“45 minutos do ataque nuclear”
Powell foi enfático na sua apresentação. “Saddam Hussein está tão determinado a ter a bomba nuclear que fez repetidas tentativas clandestinas para comprar tubos de alumínio, com certas especificações, em onze países diferentes”. “Soldado disciplinado”, como gostava de se gabar, o servil general também apresentou na ocasião um texto de 32 parágrafos “revelando as estreitas relações” entre Saddam e a Al-Qaeda. Hábil, chegou a sugerir que os ataques ao World Trade Center e ao Pentágono teriam sido tramados em Bagdá. Não restavam dúvidas: o Iraque era o centro do terrorismo mundial e devia ser imediatamente atacado!
Seu depoimento na ONU seguiu à risca o script elaborado na Casa Branca. Para gerar o necessário clima de histeria coletiva, o vice-presidente Dick Cheney jurou que “Saddam pode lançar, em 45 minutos, um ataque nuclear ao EUA”. A mídia ianque amplificou esta versão oficial, dando-lhe um tom apocalíptico, gerando pânico em várias cidades, com a compra de máscaras de proteção e a procura por abrigos. Já na Grã-Bretanha, onde era maior a desconfiança diante do servilismo de Tony Blair, o “cachorro sarnento”, o jornal The Sun, do magnata Rudolf Murdoch, estampou na capa: “Ingleses a 45 minutos do apocalipse”.
Falsidades rejeitadas na ONU
As mentiras dos pupilos de Bush, entretanto, não convenceram os membros do Conselho de Segurança da ONU. Algumas das “provas cabais” até causaram mal-estar e ironia. As fotos desfocadas poderiam ser de qualquer parte do deserto da região; já as gravações, todas trucadas, foram forjadas pela CIA; quanto aos tubos de alumínio, inspetores da ONU já tinham provado, em 2001, que eles não poderiam ser usados em centrifugadoras destinadas ao enriquecimento do urânio, já que eram “pesados demais, grossos demais e, na certa, vazariam”. Não havia risco de “um ataque nuclear em 45 minutos”, como alardeava Dick Cheney.
Já os tais laboratórios móveis foram denunciados por conhecidos membros do bando do ex-agente da CIA Ahmed Chalabi – milionário iraquiano residente no exterior e processado por vários casos de corrupção. Steve Allinson, ex-inspetor da ONU que esteve nos locais mostrados por Colin Powell, também contestou esta prova cabal. “A informação que nos deram era de que havia sete ou oito caminhões refrigerados, com agentes biológicos. Mas eram caminhões velhos, com teias de aranha. Nada de agentes”. Na prática, após sete anos das brutais sanções da ONU, o Iraque não tinha capacidade militar para ameaçar nenhum país.
Mas o que desmoralizou de vez as mentiras foi a reação pública do governo britânico, que desautorizou o “excelente documento”, após a confirmação de que ele continha informações retiradas da internet por um jovem estudante da Califórnia. Já no que se refere às ligações entre a Al-Qaeda e o governo iraquiano, até o mais novato assessor da ONU sabia que o primeiro grupo é vinculado aos xiitas e que Saddam Hussein liderava os sunitas – e que ambos vivem às turras e não negociam acordos comuns. O próprio governo do Iraque, temendo novas sanções da ONU, alertara o órgão para o risco de atentados da Al-Qaeda nos EUA.
Atentado ao Direito Internacional
Diante destes fatos inquestionáveis, a reunião de fevereiro de 2003 do Conselho de Segurança rejeitou o pedido do presidente George Bush de intervenção militar no Iraque. Mas os EUA já estavam decididos a realizar a sanguinária ocupação – pelo menos desde 1992, no governo de Bush-pai – e tinham proclamado o seu direito à “ação unilateral” e à “guerra preventiva” no documento Estratégia de Segurança Nacional (NSS). Sem o respaldo da ONU e num aberto desrespeito ao Direito Internacional, poucos dias depois o governo Bush ordenou o início da campanha sadicamente batizada de “choque e horror”, com o intenso bombardeio ao povo iraquiano. Já estava tudo montado; o depoimento de Powell era pura encenação.
Se os fatos não bastassem para desmascarar as mentiras de Bush, a ocupação serviria para desmoralizá-lo por completo. As armas de destruição em massa nunca foram encontradas. Uma investigação que durou dez meses após o início da ocupação e que varreu todo o país chegou a esta conclusão irretocável. Ela foi coordenada por David Kay, inspetor nomeado pelo próprio Bush, e contou com a participação de mais de cem especialistas. Seu relatório final foi taxativo: não havia armas químicas, nem bacteriológicas e nem nucleares. As mentiras foram usadas como pretexto para criar o clima de histeria e para justificar a guerra.
A confissão do crime
Menos de um ano depois da criminosa ocupação do Iraque, assessores da Casa Branca confessariam toda a trama. Em janeiro de 2004, o próprio Powell revelaria numa entrevista coletiva que não possuía “provas concretas” sobres as ligações do Iraque com a rede Al-Qaeda. Já o secretário de Defesa Donald Rumsfeld, ao ser interrogado no Congresso dos EUA após a difusão do relatório Kay, afirmou candidamente: “Na verdade, não sabemos se havia de fato qualquer arma de destruição”. Pouco antes do início da agressão, ele havia garantido à imprensa que “nós sabemos onde estão escondidas as armas proibidas de Saddam Hussein”. A desmoralização foi tanta que o falcão Rumsfeld teve que ser defenestrado do governo Bush.
A confissão do crime desgastou ainda mais a imagem da mídia hegemônica dos EUA, que veiculou sem qualquer neutralidade ou espírito crítico as mentiras de Bush. Segundo o comunicólogo Ben Bagdikian, “cinco ou seis corporações controlam atualmente tudo o que os estadunidenses lêem, vêem e ouvem”. Todas elas se somaram à onda conservadora, de cunho patriótico-religioso, para justificar a agressão ao Iraque. Dois destes impérios midiáticos – a News Corp, do australiano naturalizado Rupert Murdoch, e as publicações da seita Moon, do reverendo sul-coreano Sun Myung – têm notórias relações com o Partido Republicano e fizeram campanha descarada pela agressão. Apenas o jornal New York Times, temendo a perda leitores, publicou editorial, em maio de 2004, com a singela autocrítica da abjeta manipulação.
Negócios com a família Laden
Esta mesma mídia venal ajudou a cultivar a imagem pública do presidente-terrorista George Bush após os ataques de 11 de setembro. Ela fez de tudo para esconder a trajetória sinuosa e nada transparente do ocupante da Casa Branca. Para manter entorpecido o povo estadunidense, ela não deu destaque às antigas alianças da família Bush com Saddam Hussein e mesmo com Osama bin Laden – o primeiro recebeu milhões de dólares para compra de armas, inclusive bacteriológicas, na sua guerra contra os aiatolás que lideraram a revolução no Irã; já o segundo foi assessorado pela CIA, com dinheiro, treinamento e armas sofisticadas, como o míssil Stinger, na sua rica guerrilha contra o regime pró-soviético do Afeganistão.
George W. Bush, um mentiroso profissional, sempre ocultou as suas obscuras relações com a família Bin Laden. Seu primeiro negócio no ramo do petróleo, como dono da empresa Arbusto Energy, deu-se através de empréstimos do banco BCCI, de James Bath, que também era representante no Texas do xeque Salem bin Laden – proprietário, junto com seu famoso irmão, da maior construtora do Oriente Médio, a Ladem Brothers. Quando a Arbusto entrou em concordata, em 1981, o poderoso grupo saudita ajudou novamente a tirar do sufoco o atual presidente. Isto talvez explique porque Bush fez questão de censurar 28 páginas do relatório sobre os atentados de 11 de setembro que se referiam à Laden Brothers e porque a família Bin Laden foi removida às pressas do país, desrespeitando as rígidas normas de segurança após os ataques.
“Arruaceiro e beberrão”
Na sua trajetória de “filhinho de papai”, Bush cometeu várias irregularidades, que infelizmente são pouco conhecidas devido à blindagem da mídia. Como estudante, foi um aluno “beberrão e arruaceiro”, segundo a corrosiva biografia escrita por James Hatflied. Temendo represálias, a Editora St. Martins’Press mandou recolher 70 mil exemplares do livro. O autor provou que Bush foi preso por dirigir embriagado e também por porte de cocaína – neste caso, sua ficha foi removida dos registros policiais por interferência direta do pai, então na presidência. O estabanado Bush, num discurso para os alunos da Universidade de Yale, em maio de 2001, confirmou esta péssima fama: “Aos que receberem honras, prêmios e distinções, eu digo ‘muito bem’. Aos que não receberem, eu digo: ‘Vocês também podem chegar à presidência dos EUA”.
Já como empresário, bancado pela família, ele foi um desastre, levando à falência três empresas do ramo de petróleo – Arbusto, Spectrum e Harken –, todas elas envolvidas em falcatruas, como remessa ilegal de divisas, sonegação de impostos e irregularidades trabalhistas. Para viabilizar a sua candidatura ao governo do Texas, Bush chegou a ocultar por oito meses da SEC, agência estatal reguladora do mercado de ações, que vendera dois terços de suas ações da Harken Energy – o que caracteriza grave violação da legislação estadunidense. Com a mesma aversão à transparência, Bush nunca explicou seu estranho “alistamento” na Guarda Nacional dos Texas como forma de desertar do serviço militar durante a guerra do Vietnã.
Verdadeiras razões da guerra
A trajetória deste “mentiroso profissional” ganhou contornos mais trágicos com sua chegada à presidência dos EUA. No poder, suas mentiras serviram para justificar ataques criminosos que, no fundo, têm razões econômicas e geopolíticas ambiciosas. Sob as areias do Iraque existem 115 milhões de barris de petróleo, a segunda maior reserva do planeta – a Arábia Saudita possui 262 milhões de barris. Com a derrubada de Saddam Hussein e a imposição de um governo fantoche, os EUA ainda afastaram o risco da substituição do dólar pelo euro nas transações petrolíferas – como era o projeto iraquiano. A invasão também foi uma cartada decisiva na geopolítica mundial, servindo de anteparo aos países rivais, em especial à China.
Já no caso do Afeganistão, bombardeado a partir de outubro de 2001, o que está por detrás do genocídio também é o “ouro negro”. Além de produzir o melhor caviar do mundo, o Mar Cáspio, na Ásia Central, esconde enormes reservas petrolíferas já comprovadas. Em decorrência de sua localização geográfica, porém, os lençóis petrolíferos caucasianos só podem se transformar em dólares após a construção de um oleoduto de US$ 3,2 bilhões ligando o Turkmenistão ao Paquistão, o que obriga a cortar ao meio o oeste afegão. O governo dos talibãs, ex-aliados dos EUA, era contra esta obra. Deposto à força, Afeganistão, Paquistão e Turkmenistão assinam, em dezembro de 2002, o acordo para a construção do oleoduto.
::
Vade retro Bush, o empresário corrupto (5)
Até o mais debilóide cidadão estadunidense – e há muitos, segundo o cineasta Michel Moore no corrosivo livro “Uma nação de idiotas” – sabe que por detrás da retórica antiterrorista do presidente George Bush se escondem poderosos interesses econômicos – em especial das indústrias de petróleo e de armas e dos conglomerados financeiros. Não fossem os altos lucros auferidos por estes setores com a ocupação do Iraque, bastaria um rápido histórico sobre a trajetória da dinastia Bush para se ter certeza da falsidade do discurso do atual presidente. A família sempre esteve envolvida em negócios bilionários e ilícitos!Antes de virar o 43º presidente dos EUA, em janeiro de 2001, George W. Bush foi acionista e participou da direção de várias companhias do ramo do petróleo – Arbusto, Spectrum e Harken. Já seu pai, George H.W. Bush, que presidiu o país entre 1989 e 1992, foi fundador e executivo da Zapata Oil e da Pennzoil, uma das maiores empresas petrolíferas do planeta. Seu avo, Prescott Sheldon Bush (1885-1953), foi dirigente da United Banking Corporation, banco acusado de transações ilegais com os nazistas. E seu bisavô, Samuel Prescott Bush (1863-1948), fez fortuna com a Buckeye Steel durante a I Guerra Mundial.
Família de mercadores de armas
Os negócios lucrativos e as relações promíscuas com o poder datam do período da I Guerra Mundial. No governo de Woodrow Wilson, o bisavô do atual presidente, Samuel Prescott Bush, dono da indústria de peças Buckeye Steel, tornou-se diretor do Escritório das Indústrias de Guerra e conselheiro do governo. Em curto espaço de tempo, ele dobrou a fortuna da empresa, que passou a fabricar munição, canos de canhões e outras armas. O estranho enriquecimento acabou sendo alvo de investigação de uma comissão parlamentar, presidida pelo senador Gerald Nye, sobre os “mercadores de armas”. Mas, curiosamente, os registros de suas falcatruas foram destruídos nos anos 90 para “economizar espaço” no Arquivo Nacional.
Já seu outro bisavô, George Herbert Walker, esteve envolvido com estranhos “contratos de guerra”, sendo presenteado pelo governo com milionários projetos de produção de manganês e de renovação dos campos petrolíferos na Alemanha devastada pela guerra. Os negócios melhoraram com a união dos Bush com os Walker, graças ao “casamento” da filha de George com o filho de Samuel. A rica união permitiu que a dinastia estreitasse as relações com os bancos e as casas de investimento de Wall Street e projetou o filho de Samuel, Prescott Sheldon, pai do primeiro presidente Bush e avô do segundo, no mundo da política.
As negociatas com os nazistas
Prescott foi eleito duas vezes ao senado em Connecticut e consolidou os vínculos dos negócios com o Estado. Sua trajetória, porém, foi marcada por vários escândalos. O maior deles se deu durante a II Guerra Mundial. Como diretor do United Banking Corporation (UBC), ele foi acusado de intermediar transações comerciais, como a venda de armas, para a Alemanha. Ele inclusive comprou do industrial nazista Fritz Thyssen, chamado de “anjo de Hitler”, a indústria Silesian Steel, que explorava os prisioneiros do campo de concentração de Auschwitz. Ao ser revelado o caso, o presidente Franklin Roosevelt enquadrou a UBC na Lei de Transações com o Inimigo e decretou intervenção branca na instituição bancária.
Em decorrência do escândalo, Prescott Bush foi obrigado a se afastar da direção do UBC e aderiu, numa hábil manobra para limpar a sua imagem, à campanha nacional de arrecadação de dinheiro para o Fundo Nacional de Guerra (NWF). Concluída a guerra, cumpriu um mandato apagado no Senado e se aposentou. Mas a família já havia tomado gosto pela junção entre os negócios, em especial no ramo de petróleo, e a política. O filho de Prescott, George Herbert Walker Bush, pai do atual presidente, logo ocupou o lugar de pai nesta empreitada, mudando-se de Connecticut para o Texas, a terra do petróleo.
Presidente da indústria de petróleo
Em 1950, com a ajuda do pai senador e de suas conexões com os investidores de Wall Street, ele fundou a primeira empresa de petróleo da família, a Bush-Overbey Oil. Quatro anos depois, criou a Zapata Oil, que se beneficiou de um projeto do pai que permitia a perfuração e extração de petróleo em mar, mesmo sem a sua empresa ter qualquer experiência nesta área. Em 1963, fruto da fusão com a Penn Oil, nasceu a Pennzoil, um das maiores empresas de petróleo do mundo. Consolidada a fortuna, George H.W. Bush partiu para a política, elegendo-se duas vezes deputado, mas fracassando no seu projeto para o Senado.
Vinculado aos interesses dos poderosos grupos petrolíferos, tornou-se presidente do Partido Republicano, diretor da Agência Central de Inteligência (CIA), quando realizou negociações secretas de armas com o Irã e o Iraque, e vice-presidente na chapa de Ronald Reagan. Às vésperas de sua posse como presidente da Republica, em 1989, ele próprio admitiu que chegara ao mais elevado posto do país graças ao poderio das empresas petrolíferas. “Vou colocar desta forma: eles conseguiram eleger um presidente dos EUA que veio da indústria do petróleo e gás”. Desgastado com as inúmeras denúncias de tráfico de influência e da ligação com setores ultradireitistas e racistas, George H. W. Bush não conseguiu se reeleger em 1992.
Banco dos criminosos e vigaristas
Mas ele não desistiu e conseguiu realizar, oito anos depois, uma façanha na política dos EUA ao eleger seu filho para presidente – houve apenas outro caso na história do país, na eleição de John Quincy Adams. Mas a imagem do filho era bem diferente da cultivada pelo pai, um ex-piloto condecorado pelos serviços prestados na guerra e um homem de negócios bem sucedido. Já seu filho, George W. Bush, ficou famoso por fugir do exército durante a guerra do Vietnã, valendo-se da influência do pai, e ainda por suas prisões por dirigir embriagado e até por porte de cocaína na sua fase de universitário. Já no mundo dos negócios, o incompetente atual presidente manteve a tradição da dinastia do envolvimento em casos suspeitos.
Antes de levar à falência três empresas de petróleo – Arbusto, Spectrum e Harken – e virar administrador do time de beisebol Rangers, ele esteve metido em várias falcatruas. A Harken foi processada por fraude contábil, sonegação fiscal e vínculo com o Bank of Commerce & Credit International. O BCCI, apelidado de banco dos criminosos e vigaristas (criminal and crooks) da sigla, promoveu um dos maiores escândalos financeiros da história dos EUA. Ele atolou bilhões de dólares em lavagem de dinheiro do narcotráfico, contrabando de material nuclear e tráfico de armas. Entrou em colapso em 1991, quando sumiram US$ 5 bilhões utilizados no suborno de governantes de 78 países e de 28 senadores e 108 deputados dos EUA.
A família Bush sempre manteve relações estreitas com a direção do BCCI. Richard Helmns, ex-diretor da CIA e embaixador no Irã no tempo do ditador Reza Pahlevi, foi quem apresentou o principal operador do banco nos EUA, Mohammed Rahim Irvani, ao presidente Bush-pai. Antes disso, seu filho já havia virado amigo, durante seu “serviço militar” na Guarda Nacional do Texas, de outro pistolão do BCCI, James Bath. Em 1977, através deste contato, o banco financiou a primeira empresa de petróleo de baby-Bush, então com 31 anos, a Arbusto. Bath, que era representante no Texas da Bin Laden Brothers Construction, também foi o responsável pelo primeiro contato do atual presidente com a família de Osama bin Laden.
Apoio dos executivos-ladrões
Outro antigo contato da dinastia Bush que beneficiou o atual presidente foi com o Grupo Carlyle, um dos principais fornecedores do Pentágono. Antes de ser governador do Texas, Bush-II integrou o conselho de direção de uma das subsidiárias deste grupo, a CaterAir. As indústrias deste grupo fabricam, entre outras coisas, o tanque Bradley e as peças do helicóptero Apache. A guerra declarada por George Bush “contra o terrorismo” usa as armas fabricadas pelas empresas do Grupo Carlyle. Outra ironia da história é que a família Bin Laden também é uma poderosa acionista desta corporação transnacional.
Estas intrincadas relações com o “complexo industrial-militar” é que levaram George W. Bush ao poder. Em maio de 2004, quando vários escândalos colocaram no banco de réus os executivos-chefes de várias empresas, a revista Time revelou que sua reeleição teve o apoio financeiro de 261 destes criminosos; 31 contribuíram para seu adversário democrata, John Kerry. Entre as corporações que entraram em colapso por fraudes contábeis estava a Enron, a sétima maior multinacional do mundo na lista da revista Fortune, e a Arthur Andersen. Ambas foram as principais financiadoras de Bush. Ken Lay, o corrupto presidente da Enron, acompanhou-o desde o início da carreira política, ajudando-a a se eleger governador do Texas.
A maior parte da equipe do atual presidente também presta serviços ao “complexo militar-industrial”. O vice-presidente Dick Cheney presidiu a Halliburton Industries, a empresa de petróleo maior beneficiária da ocupação do Iraque; sua esposa, Lynne Cheney, participa do conselho de direção do maior fabricante de armas dos EUA, a gigante Lockheed; o procurador-geral John Ashcroft foi advogado da Monsanto e da AT&T; o ex-secretário de defesa Donald Rumsfeld pertenceu à direção da General Instrument, Sears e Kellogg’s; já o secretário de saúde Tommy Thompson foi, ironicamente, acionista da empresa de fumo Philip Morris; e a atual secretária de Estado, Condoleezza Rice, foi do conselho da Chevron – um dos maiores petroleiros desta empresa foi batizado com o seu nome pelos relevantes serviços prestados.
Máfia dos gusanos cubanos
Como se nota, a dinastia Bush mantém ótimas amizades. Os três irmãos do atual presidente também estão envolvidos em negócios ilícitos. Jeb Bush, governador da Flórida, mantém estreitas relações com a máfia dos exilados cubanos, os gusanos (vermes). Tão logo chegou a Miami, nos anos 80, ele virou sócio do “empresário” Armando Codina – processado por vários casos de corrupção. Depois, passou a freqüentar os luxuosos jantares e a voar no jatinho particular de Alberto Duque – que também foi condenado a 15 anos de prisão por fraudes, mas conseguiu “fugir” da cadeia. O outro vigarista com quem manteve relação foi Hiram Martinez, que também teve prisão domiciliar decretada por especular no ramo imobiliário.
Já Camilo Padreda, ex-oficial da contra-espionagem do ditador Fulgêncio Batista, outro amigo intimo de Jeb, foi indiciado por contrabando de drogas, lavagem de dinheiro e tráfico de armas. Miguel Recarrey, indicado por Jeb para integrar o gabinete do governador do Estado, ficou famoso por desviar verbas do programa Medicare – de assistência médica aos idosos. A sede da sua empresa, a International Medical Center, foi o quartel-general dos contra-revolucionários nicaragüenses. Na sua mansão em Miami, este “exilado” mantinha um arsenal de rifles e metralhadoras. Já seu irmão, Jorge Recarrey, que se gabava de ter prestado “serviços” à CIA, indicou seu amigo Jeb Bush como “consultor para acordos imobiliários”.
Detector de metais na Casa Branca
Os outros dois irmãos do atual presidente, Marvin e Neil, preferiram não ingressar na política. Mesmo assim, estiveram metidos em vários escândalos. Neil Bush foi diretor da Silverado Banking, empresa acusada de falência fraudulenta e desvio de US$ 1,3 bilhão dos cofres públicos. Ele gostava de viajar a Argentina para jogar tênis com seu amigo Carlos Menem, que na época já era acusado de vários casos de corrupção. Já Marvin Bush, irmão mais novo do atual presidente, integrou o conselho de direção da Fresh Del Monte, empresa acusada de subornar políticos do México e manter dinheiro sujo no paraíso fiscal das ilhas Cayman.
Estas e outras denúncias chegaram a causar desconforto na Casa Branca quando o pai era presidente. Este ainda tentou justificar os “negócios e as amizades” dos seus filhos. “Os meninos têm o direito de ganhar a vida”. Já um agente do serviço secreto encarregado da segurança da família presidencial foi mais direto: “Olhe, a gente avisa os garotos. Mas é só o que podemos fazer. Não temos como impedi-los de se ligarem a estas pessoas. Além de avisar, a única coisa que podemos fazer é submeter essa gente ao detector de metais quando aparece por aqui [na Casa Branca]”. Mas, infelizmente, o detector de metais não impediu que um de seus filhos, George W. Bush, chegasse a presidência dos EUA.
::
Vade retro Bush, uma fraude no poder (6)

George W. Bush chegou ao governo dos EUA graças a uma escandalosa fraude nas eleições presidenciais de novembro de 2000. Não é para menos que o cineasta Michael Moore, um de seus mais ácidos críticos, sempre o trata como “presidente” (entre aspas) ladrão! Pelo seu espantoso currículo – de estudante preso por embriagues e porte de cocaína; de empresário que levou à falência três empresas do ramo de petróleo; de político demagogo vinculado ao fanatismo religioso e aos grupos racistas; e de um homem de idéias radicalmente conservadoras e obscurantistas –, Bush nunca teria condições de chegar ao poder central da maior potência do planeta. Mas nos EUA, uma nação imperialista e ensimesmada, tudo é possível!
A eleição de 2000 se constituiu numa das maiores fraudes da história deste país, tornando-se motivo de galhofa no mundo inteiro. Apesar de ter recebido 539.898 votos populares a menos do que seu adversário, o democrata Al Gore, Bush foi beneficiado por uma vergonhosa sentença da Suprema Corte, que decidiu, por cinco votos a quatro, validar a irregular apuração na Flórida. Esta apuração, que se arrastou por quase 40 dias, foi coordenada pela secretária de Estado Katherine Harris, que, por coincidência, também era a co-presidente do comitê da campanha do Partido Republicano no Estado, por acaso governado pelo irmão Jeb Bush. Até hoje, muitos estadunidenses encaram a primeira eleição de Bush como um golpe de estado.
O “expurgo ético” na Flórida
Ao contrário do que alardeia a mídia hegemônica pelo mundo, as eleições nos EUA não são um exemplo de democracia e nunca foram um primor de honestidade. O presidente da “pátria da liberdade” é eleito de forma indireta num Colégio Eleitoral no qual nem sempre prevalece o resultado da votação popular – o que já ocorreu quatro vezes na história, inclusive na vitória de Bush. As regras aplicadas neste intrincado sistema eleitoral são excludentes e casuísticas, servindo ao governante de plantão. O venezuelano Hugo Chávez, que a mídia venal gosta de chamar de autoritário, mas que já venceu oito eleições diretas, é outro que sempre solicita ironicamente a intervenção da ONU “contra as fraudes nesta republiqueta ditatorial”.
Na eleição de 2000, as regras para escolher os delegados da Flórida no Colégio Eleitoral foram alteradas pouco antes do pleito. A reforma aprovada no Estado excluiu milhares de eleitores da lista de votantes, na maioria de negros. O racismo nos EUA já é uma chaga bastante conhecida. No país inteiro, 1,4 milhão de negros – 13% da população masculina negra – não pode votar por ter sofrido algum tipo de perseguição judicial. Katherine Harris agravou ainda mais esta discriminação, efetuando o que ficou conhecido como “expurgo ético”. Além dos milhares dos já excluídos nas eleições passadas, ela retirou da lista de votantes outras 58 mil pessoas, entre as quais estavam muitos ex-processados por meras infrações de trânsito.
Os ausentes e as borboletas
Com este golpe, a esposa de Jeb Bush, que já foi detida por agentes da imigração ao tentar contrabandear US$ 19 mil em jóias, pode votar; mas 31% de todos os negros da Flórida não tiveram este mesmo direito democrático. Somente em Miami-Dade, maior condado da Flórida, 66% dos excluídos eram negros. Essa decisão prejudicou enormemente o candidato democrata, que teve 90% dos votos dos negros, dos poucos que puderam exercer este direito, no pleito de 7 de novembro de 2000, segundo os institutos de pesquisa.
Além do “expurgo ético”, ocorreram outras irregularidades, como a da “lista dos ausentes”, que valida o voto por correspondência proveniente do exterior. A maioria dos beneficiários desta regra é composta de militares em serviço, que geralmente são simpatizantes dos republicanos. Caso estes votos não fossem computados a diferença entre os dois candidatos na Flórida seria de apenas sete votos a favor de Bush – e não de 537. Até a cédula eleitoral impressa no Estado, batizada de “cédula borboleta”, foi desenhada por uma republicana, a projetista Theresa LePore, que procurou confundir os eleitores. Segundo o jornal Palm Beach Post, mais de 3 mil eleitores, na maioria idosos, foram induzidos ao erro com esta tramóia.
Suprema Corte dos Republicanos
Cálculos parciais indicam que 87 mil votos foram roubados do democrata Al Gore em decorrência destas irregularidades nas listas de votantes – 162 vezes a mais do que a suposta margem de vitória de Bush na Flórida. Mesmo assim, a Suprema Corte dos EUA decidiu validar a vergonhosa fraude. Quatro dos juízes que votaram a favor desta roubalheira tinham nobres motivos políticos. Sandra O’Connor foi indicada por Ronald Reagan; já Willian Rehnquist foi bancado por Richard Nixon. Como republicanos de carteirinha, e já na casa dos setenta anos, eles almejavam por uma aposentadoria segura num governo republicano.
Já a esposa do juiz Thomaz Lamp trabalhava na Fundação Heritage, um dos principais centros de estudos dos conservadores na capital federal e fora contratada por Bush, pouco antes da eleição, para ajudar a recrutar pessoas para seu iminente governo. Já Eugene Scalia, filho do juiz Antonin Scalia, era advogado do escritório Gibson, Dunn & Crutcher, exatamente o escritório de advocacia que representa George Bush perante a Suprema Corte. Foi este juiz que deu a explicação mais estapafúrdia para seu voto no plenário: “A contagem de votos de legalidade questionável ameaça causar danos irreparáveis ao requerente [Bush] e ao país ao lançar uma mancha sobre o que ele alega ser a legitimidade da sua eleição”.
Na posse, o “viva o ladrão”
Em decorrência da roubalheira, Bush venceu as eleições de novembro de 2000 somente na Flórida, que é governada por seu irmão e detém 25 votos no Colégio Eleitoral. No restante do país, o democrata Al Gore ficou à frente do republicano tanto na votação popular (539.898 votos a mais), como no próprio Colégio (267 contra 246). Nem mesmo no Texas, então governada por Bush, o expurgo da lista de votantes de 66 mil ex-presidiários, garantiu a sua vitória. Mas no autoritário sistema eleitoral dos EUA, os 537 votos de Bush na Flórida valem mais do que 539.898 de diferença de Gore na votação popular. Baita democracia!
Questionado pelo resultado fraudulento da eleição e conhecido por sua sinistra biografia, George W. Bush tomou posse, em 20 de janeiro de 2001, totalmente desacreditado. A sua limusine blindada não conseguiu abafar os gritos de “viva o ladrão” de mais de 20 mil manifestantes presentes nas ruas de Washington. Ele sequer teve coragem de percorrer a pé os últimos quatro quarteirões antes de chegar ao Capitólio – o que já é tradição no país. Acuado, o início da sua gestão foi marcado pela completa inércia. Nos primeiros seis meses de governo, Bush visitou sete vezes seu rancho no Texas, num total de 54 dias de férias, passou 38 dias na residência de verão Camp Davis e mais quatro dias na casa de praia da família em Kenebunkport.
A salvação do “bobo incompetente”
O desgaste de sua imagem alimentou o humor de inúmeros chargistas e foi motivo de gozação em alguns programas de televisão, como no talk show de Dave Letterman, na CBS. Eles retratavam o novo ocupante da Casa Branca como um “preguiçoso”, um “bobo incompetente” e até como o boneco de ventríloquo do seu vice, Dick Cheney. Os jornais registraram que, até agosto, Bush passou quase metade do mandato de férias. Alguns humoristas insinuaram que “o presidente continuava sendo o mesmo garoto indolente que, na faculdade, preferia a baderna e o álcool (ou coisa mais forte) aos estudos”. Até entre os republicanos surgiram críticas a sua total inépcia; alguns chegaram a insinuar a possibilidade do impeachment.
George W. Bush também gerou fortes desconfianças no mundo. Num gesto abrupto, seu governo retirou o apoio ao Tribunal Criminal Internacional, assinado pelo antecessor Bill Clinton. Pouco depois, anunciou sua recusa em assinar o Protocolo de Kyoto, sobre controle dos gases poluentes, e investiu contra Robert Watson, presidente do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, por pressão direta, segundo memorando vazado na imprensa, de uma das financiadoras de sua campanha, a Exxon. Ainda abandonou o tratado dos mísseis antibalísticos (ABM), voltou atrás na política de dez anos de eliminação das minas terrestres e iniciou a sabotagem ao tratado de proibição dos testes nucleares (CTBT). Ficou patente a sua visão militarista e seu unilateralismo na condução da política externa, o que gerou temores no mundo.
Somente após os suspeitos atentados de 11 de setembro de 2001 é que George W. Bush tomou posse, de fato, na presidência dos EUA. Como afirma o jornalista Argemiro Ferreiro, no excelente livro “O império contra-ataca”, eles ressuscitaram o isolado presidente. “O ex-executivo sem qualificações para dirigir empresas de petróleo de pequeno porte, derrotado na votação popular do país por mais de meio milhão de votos, mas beneficiado pela decisão político-partidária de cinco juízes da Suprema Corte, tornou-se, da noite para o dia – graças às falhas de seu governo, que permitiram o êxito de uma operação terrorista impossível – no mais integro, competente e patriota dos governantes e líderes que a história já conheceu”.
::
Vade retro Bush, “mentor” do terrorismo (7)
''Darei uma razão propagandística para começar a guerra, não importa se é ela plausível ou não. Ao vencedor não se pergunta depois se ele disse ou não a verdade''. Discurso de Adolf Hitler, em 25 de outubro de 1939, poucos dias antes da invasão da Polônia.
Até hoje persistem dúvidas sobre o que de fato aconteceu na manhã de 11 de setembro de 2001. Naquele fatídico dia, dois aviões atingiram as “torres gêmeas” do World Trade Center, em Nova York, símbolo da ostentação capitalista; outro destruiu parte do prédio do Pentágono, em Washington, símbolo do poder imperial; e um quarto caiu na Pensilvânia. Segundo dados oficiais, estes atentados causaram a morte de 3 mil pessoas e comoveram o mundo. Mas eles também ressuscitaram a desgastada imagem de George W. Bush, eleito de forma fraudulenta no final de 2000, e lançaram o planeta na insana “guerra infinita” contra o “eixo do mal” – que já contabiliza a morte de 700 mil iraquianos e de mais de três mil soldados ianques.
Alguns setores mais críticos, inclusive nos EUA, garantem que os atentados foram orquestrados de forma inescrupulosa pela própria equipe de facínoras do governo Bush, interessada em criar o clima de histeria para justificar as bárbaras invasões do Afeganistão e Iraque. A comparação com o nazista Adolf Hitler é inevitável. Outros, menos conspirativos, afirmam que eles foram funcionais aos planos expansionistas do imperialismo. Apresentam várias provas que confirmam que o governo dos EUA nada fez para evitar os atentados, mesmo sabendo previamente do risco iminente. Razões para tão graves e espantosas suspeitas existem. Não são meras especulações dos críticos mais radicais do presidente-terrorista George W. Bush.
Relações íntimas com os bin Laden
Afinal, são conhecidas as antigas e íntimas relações entre a dinastia Bush e a rica família de Osama bin Laden, dona de uma das maiores construtoras do Oriente Médio. A primeira empresa de petróleo do atual presidente, a Arbusto, inclusive foi financiada pela corporação do líder do grupo al-Qaeda, culpado pelos ataques. Não é para menos que no discurso em que anunciou a invasão do Afeganistão, Bush ordenou que se retirassem as referências à construtora árabe. Esta postura tão cordial diante desta fiel parceira nos negócios também pode explicar porque os familiares de Osama bin Laden foram retirados às pressas dos EUA, sem se sujeitarem às rigorosas normas de segurança dos aeroportos impostas no dia dos atentados.
Além disso, é público e notório que os setores mais agressivos do imperialismo já almejavam há tempos ocupar países estratégicos, preocupados com a grave crise energética e motivados pelo aumento do poder geopolítico dos EUA no planeta. Estas idéias já estavam presentes no governo de Bush-pai no documento Orientação da Política de Defesa (DPG), de 1992, que inclusive sugeria a invasão do Iraque. Os atentados serviram somente de pretexto para reeditá-las, em setembro de 2002, na fascista Estratégia de Segurança Nacional (NSS). Os motivos para esta ação belicista e expansionista não tinham nada a ver com Osama bin Laden, mas sim com as ambições do poderoso “complexo industrial-militar” que domina os EUA.
Alertas sobre os aviões-mísseis
Mas o que reforça a tese – seja da conspiração ou da razão funcional – são alguns fatos que antecederam os atentados. Hoje se sabe que, desde 1996, o serviço de inteligência interna, o FBI, já produzia relatórios alertando para o risco da al-Qaeda usar aviões como mísseis em ataques suicidas nos EUA. Eles citavam que este grupo treinava pilotos no próprio território ianque e em outros países. Em março de 1999, o serviço de inteligência da Alemanha (BND), forneceu à CIA o nome e o telefone de Marwan al-Shehhi, o terrorista que seqüestrou o vôo 175 da United Arlines e lançou o avião contra o World Trade Center. Ele mantinha contatos com o Mohamed Zammar, residente em Hamburgo, ativo militante da al-Qaeda.
Cinco meses antes dos ataques, o próprio governo dos EUA avisara as companhias aéreas sobre o perigo do seqüestro de aviões para fins terroristas. Esta possibilidade foi comunicada diretamente ao presidente Bush nos primeiros dias de agosto de 2001, tanto pela CIA, que enviou um memorando advertindo sobre possíveis ataques, como pelo FBI, através do top-secret briefing do agente Kenneth Williamns. O texto, datado de 6 de agosto, tinha como título “Bin Laden determinado a atacar dentro dos EUA”. Logo na sua abertura, o agente inclusive mencionava o World Trade Center como provável ''alvo da ação terrorista''.
Ordem superior suspeita
O presidente George W. Bush manteve o conteúdo deste texto em rigoroso sigilo por quase três anos para que o país não soubesse que havia ignorado o alerta. Ele só se tornou público em abril de 2004, quando a sua ex-assessora de segurança, Condoleezza Rice, foi obrigada a ler o título do top-secret briefing numa seção do Congresso. Diante da denúncia bombástica, a Casa Branca ainda tentou desmentir as evidências. Alegou que eram apenas especulações visando abortar os ataques ao Afeganistão e ao Iraque. Coisa de antipatriotas. Mas Eleanor Hill, antiga inspetora-chefe do Departamento de Defesa, confirmou no comitê parlamentar responsável por apurar falhas na segurança que a CIA, o FBI e outros serviços de inteligência dos EUA já tinham provas suficientes sobre os riscos de ataques da al-Qaeda.
Um agente do FBI, que até hoje tem a sua identidade mantida em sigilo, ainda revelou ao comitê que seus superiores negaram, em 29 de agosto de 2001 – duas semanas antes dos atentados –, o pedido de prisão de Khalid Al-Midhar, um dos seqüestradores do vôo AA77, cujo avião foi lançado contra o Pentágono. Este havia participado de uma reunião da al-Qaeda, na Malásia, 18 meses antes. A CIA sabia da sua militância no grupo e seu nome constatava da lista de passageiros do avião-bomba. Stella Rimington, ex-chefona da M15, agência de inteligência do Reino Unido, revela em seu livro de memórias que estranhou o fato do governo estadunidense nada ter feito para reforçar a segurança nos aeroportos, já que eram conhecidos os relatórios da CIA e do FBI sobre os cursos em escolas de aviação do país de militantes islâmicos.
''Uma junta de homens do petróleo''
Tamanho desprezo por informações tão alarmantes e graves é que leva várias pessoas a acreditarem que o presidente-terrorista George W. Bush orquestrou macabramente os atentados ou, no mínimo, foi cúmplice dos ataques para viabilizar o seu projeto expansionista. Alguns até estranham o fato do plano de ocupação do Afeganistão ter sido anunciado apenas seis dias após os atentados, em 17 de setembro. No documento de duas páginas e meia, classificado de top-secret, o presidente já detalhava a campanha de invasão do Afeganistão e dava ordens aos seus assessores para iniciarem o planejamento das opções militares de ataque ao Iraque. Tão lerdo diante dos inúmeros alertas; tão ágil na aplicação do seu sonho imperialista!
O premiado escritor Gore Vidal, que se auto-exilou após a invasão do Afeganistão, é um dos que afirma que os atentados serviram de pretexto para ambições econômicas. ''Somos governados por uma junta de homens do petróleo. A maior parte deles é do ramo do petróleo – ambos os Bushes, Cheney, Rumsfeld e assim por diante. Eles estão no poder e este grande golpe irá beneficiá-los pessoalmente e [...] também vai beneficiar os EUA: que o país tenha acesso a esse imenso manancial de óleo da Ásia Central através de diversos oleodutos... Durante muito tempo tratamos com o Talibã, mas seus homens se tinham tornado doidos e desmiolados demais, a ponto de tornar-se impossível tratar com eles. Então entramos no país para tentar estabilizar a situação, para que a Unocal (empresa de energia) possa construir o oleoduto''.
Fonte: Blog do Miro
::



























































Nenhum comentário:
Postar um comentário