
Acordei com os gritos da minha mãe: “Levanta! Levanta! O exército está aqui!” Meu pai não estava em casa naquela noite [...] Dois soldados me pegaram e me levaram para fora. Aí eu vi que queriam me prender. Fiquei com medo, comecei a chorar e chamei meu tio para ir comigo.
Os soldados algemaram minhas mãos com algemas de plástico, o que doeu muito. Um soldado me agarrou pela camisa e começou a andar e me empurrar. A camisa apertava meu pescoço e eu não respirava direito. Tentei me liberar e ele me deu um soco nas costas e apertou mais a camisa, me sufocando ainda mais. Outro soldado me socou também e puxou meu cabelo quando andávamos. Chorei e gritei por meu tio e meu pai. Os soldados me batiam e diziam “quieto, quieto!” Me levaram para um beco entre as casas, onde há cactos. Estávamos andando perto de uns cactos quando um soldado me empurrou sobre eles. Os espinhos me cortaram nas mãos e nas pernas. O soldados continuaram me empurando e batendo ao longo do caminho.
Segue por um bom tempo o inferno vivido por Muhammad Salah Muhammad Khawajah, garoto de 12 anos espancado e detido pelas forças de ocupação israelense recentemente em Nilin, Distrito de Ramalá, Palestina Ocupada. 12 anos de idade: arrancado de dentro de sua própria casa.
Que não se perca de vista, em nenhum momento, um fato que está amplamente documentado. Se você não está ouvindo falar de Israel na imprensa, o mais certo é que continua a rotina de assassinatos, demolição de casas, violência contra crianças, anexação de terra palestina com o muro, bloqueio naval e terrestre, humilhações nos postos de controle que picotam e enjaulam a terra palestina, agressões e encarceramentos de deputados e observadores internacionais e agora, incrivelmente, a proibição da entrega de comida. Como uma espécie de gang adolescente birrenta e agressiva que se vê de posse de granadas e metralhadoras semi-automáticas, Israel vai desrespeitando, uma por uma, todas as leis internacionais que regulam a convivência com os vizinhos. Violam, inclusive, em níveis inimagináveis, as convenções humanitárias que regem o próprio conceito de ocupação colonial.
É um exemplo inaudito de um estado criminoso o suficiente para não caber nem mesmo no padrão humanitário internacionalmente recomendado às potências coloniais ocupantes. Em meio a tantos crimes, encontra tempo para censurar contatos diplomáticos feitos pela soberana República Federativa do Brasil.
Em Gaza, Israel vai pouco a pouco esmagando a população de 1,5 milhão de palestinos com o fechamento das fronteiras terrestre e marítima, disparos contra barcos de pescadores, proibição da entrada de víveres e séries intermitentes de atos de sabotagem econômica e assassinato político. Um cotidiano de terror vai criando desnutrição, desemprego e desespero. O especialista Juan Cole, professor da Universidade de Michigan, qualifica a situação atual de 3 milhões de palestinos como de escravidão e o bloqueio de comida como crime de guerra.
Se de ética se trata, que fique dito: a ocupação e a escravidão vividas pelo povo palestino representam a questão moral incontornável do nosso tempo. Sem uma solução que termine de vez com a ocupação israelense e garanta ao povo palestino um estado contínuo e viável nas fronteiras internacionalmente reconhecidas, as de 1967, não há vislumbre de paz duradoura para o planeta.Fonte: O Biscoito Fino e a Massa
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Um comentário:
Por quê não são amplamente divulgadas as atrocidades que há décadas os israelenses vêm praticando contra os palestinos?
Quais os interesses que estão por trás disto?
O verdadeiro "eixo-do-mal" não será : USA <=> ISRAEL ?
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