quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Internamos crianças para poder dirigir

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do blog Paranóptico

A poluição, às vezes quase abstrata nas notícias da grande imprensa, é fator determinante para o agravamento de muitos males.

No preço da gasolina e nos impostos não estão contidos certos detalhes.

O sofrimento e a morte de crianças vítimas da fumaça tóxica é um dos caros preços que pagamos por um sistema de transporte baseado no automóvel.

Ao pisarmos no acelerador para ir buscar uma criança na escola é como se pisássemos em sua própria garganta.

Sufocar crianças lentamente. Uma tortura silenciosa que realizamos diariamente.

ira2006
> Para ampliar, clique na imagem!

Fonte: SIM-DH

Relacionados: Na calada da noite, condenaram milhares de pessoas à morte, artigo, Vá de bike!

Fonte: Paranóptico

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CASO DANTAS.

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foto Folha de S.Paulo: o banqueiro daniel Dantas.


por Wálter Fanganiello Maierovitch

Todos os dias recebo como assinante e leio três jornais brasileiros. Mais ainda, sempre que possível “tô ligado” na CBN e não perco, por rádio ou internet, os comentários precisos e fundamentados da Lúcia Hippólito.

Os três jornais mencionados, quando tratam do processo criminal que está em fase de julgamento e sobre o banqueiro Daniel Dantas, usam a expressão “tentativa de corrupção”. Na CBN, não pela Lúcia Hippólito, já escutei muitas vezes a tal “tentativa de corrupção”.

Pois bem, o banqueiro Dantas foi acusado de consumado (não tentado) crime de corrupção ativa. E não poderia, tecnicamente, ser diferente.

O nosso Código Penal, consagrados doutrinadores, jurisprudência remansosa e operadores do Direito criminal, consideram o crime de corrupção ativa como sendo formal. Em outras palavras, o crime se consuma quando o oferecimento de vantagem patrimonial indevida, ou a promessa, chega ao conhecimento do funcionário. Assim, o crime de corrupção ativa consuma-se independentemente de o funcionário recusar o suborno.

As escutas e gravações ambientais captadas no interior de uma elegante churrascaria uruguaia sediada no aristocrático bairro paulista de Higienópolis, mostraram como ocorreram os fatos. O objetivo, segundo a acusação, era subornar autoridades policiais para se conseguir manipular um inquérito em curso, isto para exclusão de Dantas e a sua irmã das investigações. A grana do suborno foi apreendida.

O delegado federal Victor Hugo, -- que não conheço e com o qual, pelo que lembro, nunca tive contato , foi o grande herói dessa história. Ele não aceitou a fortuna oferecida, fez a apreensão do mais de R$1,0 milhão e prendeu os que se apresentaram como mandatários do banqueiro Daniel Dantas.

Sem dúvida, esse delegado, Victor Hugo, pode se olhar no espelho sem se envergonhar.

PANO RÁPIDO. Como ensina o jurista Damásio de Jesus, a corrupção ativa é crime formal, pois “atinge o momento consumativo no instante em que o funcionário toma conhecimento da oferta ou da promessa”.

Se Dantas for condenado, será por consumada corrupção ativa. A pena será dosada, individualizada, entre o mínimo de 2 anos e o máximo de 12 anos de reclusão. O regime prisional, aberto, semi-aberto ou fechado, depende da quantidade da pena imposta.

Fonte: Blog do Wálter Fanganiello Maierovitch

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Chutando cachorro morto

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por Luiz Antônio Magalhães

A mídia conservadora está aproveitando a cassação do governador tucano Cássio Cunha Lima, da Paraíba, para mostrar que também bate forte no PSDB. Ontem Ricardo Noblat escreveu sobre o assunto, aliás de forma bastante criativa, conforme se pode ler no post anterior. Hoje é a vez de Dora Kramer, no Estadão, bater firme no governador e no PSDB, mas cuidando de preservar os presidenciáveis José Serra e Aécio Neves. Bem, é sempre mais fácil surrar um paraibano cassado, que certamente vai perder o mandato. Por que essa gente não falou o mesmo antes, quando ele estava firme e forte no cargo?

De papel passado

Dora Kramer (Estadão, 26/11/2008)

Se havia alguma dúvida de que Cássio Cunha Lima é um político capaz de abusar de suas prerrogativas quando lhe convém, ele mesmo tratou de dirimi-la no epílogo do exercício de seu mandato como governador da Paraíba.

Na quinta-feira, 20, o Tribunal Superior Eleitoral decidiu por unanimidade cassar Cunha Lima por uso dos recursos do Estado para obtenção de benefícios eleitorais.

Na segunda-feira, 24, a maioria governista na Assembléia Legislativa de João Pessoa fez dez sessões extraordinárias e aprovou um festival de aumentos nos gastos do estado.

Reajustou salários do funcionalismo (em alguns casos à razão de 100%), autorizou contratação de novos servidores, adiantou a aprovação do Orçamento de 2009 e, como já havia anunciado a antecipação do pagamento do 13º, deixou toda a bomba armada para estourar na mão do sucessor.

Um gesto realmente à altura do veredicto do TSE. Em português rude, o governador foi condenado à perda do mandato porque, no entendimento da Justiça, usou dinheiro público para comprar votos.

Na campanha pela reeleição, em 2006, a Fundação Ação Comunitária distribuiu 35 mil cheques no valor total de R$ 4 milhões, a título de benemerência social. Cunha Lima defendeu-se alegando completo desconhecimento a respeito da distribuição do dinheiro, uma iniciativa da diretoria da fundação ligada ao governo do Estado.

Os ministros do TSE não acreditaram na independência da entidade, cujos propósitos fizeram-se ainda mais suspeitos quando se descobriu que os recursos não se destinaram necessariamente a minorar as agruras da pobreza.

Foram achados rastros da verba no pagamento de planos de saúde, na contratação de artistas, no pagamento de TV a cabo (algo aqui soa familiar), uma situação elegantemente definida pelo ministro Eros Grau como de "marcante descontrole na distribuição de valores financeiros na proximidade do pleito".

Ainda assim, no fim de semana, entre a decisão judicial e a farra final da abertura dos cofres às corporações amigas, Cássio Cunha Lima deu entrevistas dizendo-se injustiçado: "Fui condenado pelo que não fiz."

Recebeu a solidariedade dos companheiros de partido, o PSDB, foi simbolicamente abraçado da tribuna do Senado por parlamentares de muitas agremiações, correlatas e adversárias.

Todas deixadas com cara de tacho diante do monumental recibo que Cássio Cunha Lima resolveu passar, corroborando que de fato não tem pudor em usar a máquina pública como propriedade privada.

Aproveitou os últimos momentos de posse da prerrogativa de manipular verbas públicas para armar um legado em forma de arapuca ao substituto - o segundo colocado na eleição, ex-governador José Maranhão, também alvo de processos na Justiça Eleitoral - e preparar as bases para a campanha de senador em 2010.

Pela sentença, fica inelegível só até 2009.

Popular, Cássio Cunha Lima certamente terá a legenda do PSDB garantida, votos a mancheias assegurados, cabos eleitorais desde já arregimentados entre os favorecidos pelos aumentos, um mandato praticamente conquistado e nenhuma responsabilidade sobre as contas públicas estouradas.

Seu partido, o legítimo dono do mandato, conforme recente determinação judicial, não impôs nenhum reparo. Isso a despeito de ter sido o inventor, fiador, propagador e guardião da responsabilidade fiscal.

Mas, como na política vale a regra da aplicação da lei a cada um de acordo com suas amizades, o tucanato fez-se de morto. Não deu sinal de considerar a folia paraibana nem de longe parecida com a gastança patrocinada pelo governo federal.

Quando a coisa se refere ao PT é chamada de irresponsabilidade, aparelhamento, aproveitamento, ultraje ao pudor e qualificativos assemelhados. Bem merecidos, note-se.

Agora, quando um governador do partido faz o que fez Cássio Cunha Lima pelo pior dos motivos (porque quis, podia, tinha a caneta, o Diário Oficial e a maioria na Assembléia) à disposição na praça, o PSDB chama de injustiça e presta solidariedade.

No partido que se pretende em breve de volta à Presidência da República, há os esforços dos governadores José Serra e Aécio Neves para construir a imagem de responsabilidade e eficiência. Mas há o empenho de um Cássio Cunha Lima em alimentar a face do atraso que, não tendo o repúdio da direção, lícito concluir que mereça dela aprazível acolhimento.

Quase garoto, 24 anos, Cunha Lima chegou à Assembléia Nacional Constituinte, em 1987, como uma grande promessa da nova geração de líderes. Vinte anos depois, é a materialização do espírito carcomido da velhíssima política em sua mais anacrônica expressão.

Em 1988 nascia o PSDB, produto da revolta dos modernos contra os retrógrados do PMDB. Chegou ainda verde ao poder, produziu os grandes avanços da estabilidade, das privatizações, das regras de Estado acima das circunstâncias de governo, mas quando o assunto é prática política, reza pela cartilha arrivista dos velhos coronéis.

Fonte: Blog Entrelinhas

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Doações a Santa Catarina

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por Idelber Avelar

Thiago Berlim e Ricardo Aoki, de Santa Catarina, nos deixam aqui (via Biajoni) os números de contas para doações às vítimas das enchentes.

Contas do Fundo Estadual da Defesa Civil, CNPJ 04.426.883/0001-57:

Banco do Brasil - Agência 3582-3, Conta Corrente 80.000-7
Besc - Agência 068-0, Conta Corrente 80.000-0.
Bradesco - Agência 0348-4, Conta Corrente 160.000-1

São mais de 100 mortos e 60 mil desabrigados no lindíssimo estado barriga-verde. Ajude a divulgar ou deixe lá uma contribuição, se puder.

Atualização: Inagaki, claro, faz o supimpa serviço, inclusive indicando a importante iniciativa do Alles Brau.

Fonte: O Biscoito Fino e a Massa

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Dicas para escrever bem

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30 dicas para escrever bem


/Autor: Professor João Pedro da UNICAMP/

1. Deve evitar ao máx. a utiliz. de abrev., etc.

2. É desnecessário fazer-se empregar de um estilo de escrita demasiadamente rebuscado. Tal prática advém de esmero excessivo que raia o exibicionismo narcisístico.

3. Anule aliterações altamente abusivas.

4. não esqueça as maiúsculas no início das frases.

5. Evite lugares-comuns como o diabo foge da cruz.

6. O uso de parêntesis (mesmo quando for relevante) é desnecessário.

7. Estrangeirismos estão out; palavras de origem portuguesa estão in.

8. Evite o emprego de gíria, mesmo que pareça nice, sacou??... então valeu!

9. Palavras de baixo calão, porra, podem transformar o seu texto numa merda.

10. Nunca generalize: generalizar é um erro em todas as situações.

11. Evite repetir a mesma palavra pois essa palavra vai ficar uma palavra repetitiva. A repetição da palavra vai fazer com que a palavra repetida desqualifique o texto onde a palavra se encontra repetida.

12. Não abuse das citações. Como costuma dizer um amigo meu: "Quem cita os outros não tem idéias próprias".

13. Frases incompletas podem causar

14. Não seja redundante, não é preciso dizer a mesma coisa de formas diferentes; isto é, basta mencionar cada argumento uma só vez, ou por outras palavras, não repita a mesma idéia várias vezes.

15. Seja mais ou menos específico.

16. Frases com apenas uma palavra? Jamais!

17. A voz passiva deve ser evitada.

18. Utilize a pontuação corretamente o ponto e a vírgula pois a frase poderá ficar sem sentido especialmente será que ninguém mais sabe utilizar o ponto de interrogação

19. Quem precisa de perguntas retóricas?

20. Conforme recomenda a A.G.O.P, nunca use siglas desconhecidas.

21. Exagerar é cem milhões de vezes pior do que a moderação.

22. Evite mesóclises. Repita comigo: "mesóclises: evitá-las-ei!"

23. Analogias na escrita são tão úteis quanto chifres numa galinha.

24. Não abuse das exclamações! Nunca!!! O seu texto fica horrível!!!!!

25. Evite frases exageradamente longas pois estas dificultam a compreensão da idéia nelas contida e, por conterem mais que uma idéia central, o que nem sempre torna o seu conteúdo acessível, forçam, desta forma, o pobre leitor a separá-la nos seus diversos componentes de forma a torná-las compreensíveis, o que não deveria ser, afinal de contas, parte do processo da leitura, hábito que devemos estimular através do uso de frases mais curtas.

26. Cuidado com a hortografia, para não estrupar a língúa portuguêza.

27. Seja incisivo e coerente, ou não.

28. Não fique escrevendo (nem falando) no gerúndio. Você vai estar deixando seu texto pobre e estar causando ambigüidade, com certeza você vai estar deixando o conteúdo esquisito, vai estar ficando com a sensação de que as coisas ainda estão acontecendo. E como você vai estar lendo este texto, tenho certeza que você vai estar prestando atenção e vai estar repassando aos seus amigos, que vão estar entendendo e vão estar pensando em não estar falando desta maneira irritante.

29. Outra barbaridade que tu deves evitar chê, é usar muitas expressões que acabem por denunciar a região onde tu moras, carajo!... nada de mandar esse trem... vixi... entendeu bichinho?

30. Não permita que seu texto acabe por rimar, porque senão ninguém irá agüentar já que é insuportável o mesmo final escutar.

Fonte: Blog do Nassif

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Vilões e heróis

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por Mino Carta

Há quem volte ao assunto do Bem contra o Mal, ou vice-versa. Ou, por outra, à inesgotável dicotomia de heróis e vilões. Apresso-me a esclarecer que, na minha opinião e na dos meus botões, homens de boa e má vontade existem em todas as classes sociais, em todas as raças, em todos os países. A Máfia, por exemplo, é a imagem perfeita e acabada da maldade. Ela é citada por vários navegantes. Anoto, entretanto, que não resulta de miséria, como se dá, em muitos aspectos, no caso da criminalidade nativa. A Máfia é establishment, vale-se da indulgência dos governos e explora o medo generalizado de ricos e pobres e o vício de tantos. No Brasil, o poder assemelha-se bastante à Máfia. Como observa, aliás, a navegante Waleria. Insisto, de todo modo. Os vilões nativos militam na minoria privilegiada, ainda que vilão também seja Fernandinho Beira-Mar. O qual, porém, expõe-se a riscos que os donos do poder jamais correrão. Edmundo Adorno diz que vilania é a do povo, submisso, resignado, alienado. Sim, a incapacidade de reação às humilhações diuturnas por parte do povo brasileiro me entristece, mas vilania não é. Que esperar de massas que ainda trazem no lombo a marca do chicote da escravidão? A maioria vive em um limbo trágico, abandonada ao seu destino por uma elite feroz, voltada exclusivamente para a satisfação imediata dos seus interesses. E o País? Que se moa.

Fonte: Blog do Mino

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A candidata Dilma

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por Mino Carta

Ao dizer em Roma que o próximo presidente da República será mulher, Lula lançou a candidatura de Dilma Rousseff. A escolha foi vaticinada em primeiro lugar neste blog, tão logo começou o segundo mandato do ex-metalúrgico. Modestamente. Achava então que a chefe da Casa Civil seria, no mínimo, candidata interessante. Pelo caminho surgiram-me umas dúvidas. Não gosto, por exemplo, da fusão que consagra a BrT-Oi com a grana do BNDES, pela qual Dilma empenhou-se a fundo. Não creio que a operação seja feita a favor do Brasil, e sim de dois pobretões chamados Sergio Andrade e Carlos Jereissati, e de outros interesses não melhor especificados. Diga-se que me pego frequentemente de olhos marejados ao meditar sobre o destino infeliz dos cavalheiros acima. Andrade, aliás, contribuiu de forma generosa para o êxito da campanha do PT à reeleição e Jereissati é sócio do filho do nosso presidente na firma deste. Conflito de interesses? No Brasil, é rotina, faz parte do script.

Fonte: Blog do Mino

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Meirelles confessa que não aperta os bancos

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Meirelles não peita os bancos

Meirelles não peita os bancos!

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Diz o estadão na pág B3: “Meirelles indica que Selic não vai cair…questionado sobre a decisão dos bancos de entesourar ou comprar títulos públicos com o dinheiro do compulsório liberado pelo BC, Meirelles disse que o governo está tentando reverter a situação indiretamente, via bancos públicos, como o BNDES, Banco do Brasil e Caixa.”

Fonte: Conversa Afiada

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Lula aprende com Equador e rompe com empreiteira

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Serra e Correa: Serra mira para onde Correa não está

Serra e Correa: Serra mira para onde Correa não está!



. Segundo a Folha de S.Paulo (* da Tarde), o Governo brasileiro rompeu com a empreiteira Camargo Corrêa, que participava das obras do PAC na transposição do Rio São Francisco.

. Como sempre, no meio da obra, a Camargo Corrêa pediu mais grana.

. O ministro Geddel Vieira Lima não deu o aumento que a empreiteira pediu e chamou a segunda colocada na concorrência

(*) Já estava na hora de a Folha tirar os cães de guarda do armário e confessar que foi “Cão de Guarda” do regime militar. Instigado pelo Azenha – clique aqui para ir ao Viomundo – acabei de ler o excelente livro “Cães de Guarda – jornalistas e censores do AI-5 à Constituição de 1989”, de Beatriz Kushnir, Boitempo Editorial, que trata das relações especiais da Folha (e a Folha da Tarde) com a repressão dos anos militares. Octavio Frias Filho, publisher da Folha (da Tarde), não quis dar entrevista a Kushnir.

Fonte: Conversa Afiada

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Dantas luta desesperadamente pela “BrOi” e pressiona K

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A Alcatel une K (*) a Dantas

A Alcatel une K (*) a Dantas!



por Paulo Henrique Amorim

Máximas & Mínimas 2108


. O Conversa Afiada obteve informação de fonte que não pode ser identificada de que Daniel Dantas faz uma pressão descomunal sobre Ricardo K (*), presidente da Brasil Telecom, para preservar a patranha da “BrOi”, a qualquer custo. .

. Tudo indica que a “BrOi” tenha ido para o saco e vá terminar como fim de feira.

. Por um motivo muito simples.

. A “BrOi” foi montada com base no preço das ações da Brasil Telecom ANTES da crise.

. A Oi “comprou” a BrT pelo dobro do preço que as ações da BrT valem hoje no mercado.

. Mesmo sem botar um tusta no negócio, Carlos Jereissati e Sergio Andrade, os empresários (?) que vão ficar com 78% do mercado nacional de telefonia fixa, demonstram que já desistiram do negócio.

. Talvez prefiram até pagar a multa.

. A patranha, mesmo com doação do BNDES, para eles ficou sem graça.

. Neste momento, duas entidades lutam desesperadamente para manter a patranha de pé.

. Uma, o Governo Lula, através do BNDES, que botou dinheiro do Fundo dos Trabalhadores, o FAT, para financiar dois empresários que não vão botar um tusta no negócio.

. O BNDES não pode dar o braço a torcer.

. Nem reconhecer que fez a mais “inescrupulosa” operação entre empresários e Governo de quem notícia Janio de Freitas.

. E nessa hora em que a economia mais precisa de dinheiro e de liquidez, o BNDES está lá, atolado num negócio que não interessa mais aos empresários interessados.

. Quem também luta desesperadamente para preservar a “BrOi” é Daniel Dantas.

. Sim, claro, o FAT, o BNDES, o Banco do Brasil, o “Gomes”, o Gilberto Carvalho, o José Dirceu e a Ministra Dilma Roussef fecharam uma patranha que dará US$ 1 bilhão de cala-a-boca a Dantas.

. Dantas tem uma forte carta na manga.

. Suas relações especialíssimas com Ricardo K (*), a quem o pessoal da famiglia de Dantas se refere como o “Kagão”.

. Dantas sabe de muitos segredos de K (*).

. Por exemplo, o segredo da Alcatel.

. Uma empresa com sede em Paris.

. Paris, uma cidade que aproxima K (*) de Dantas.

. Assim que chegou à Brasil Telecom, quando K (*) ainda fazia o papel de feroz inimigo de Dantas, mandou investigar as relações de Dantas com a fornecedora Alcatel.

. Uma pouca vergonha!, apontou o relatório da empresa ICTS, que o mesmo K (*) contratou para apurar as falcatruas de Dantas.

. Um negócio da China: Dantas, pela Brasil Telecom, comprava equipamentos da Alcatel; e a Alcatel, por fora, comprava cotas dos fundos de Dantas …

. Dantas ferrava os acionistas da Brasil Telecom – os fundos de pensão e o Citi -, e engordava o fundo dele, em Cayman.

. Bem, qual não é a surpresa do mundo dos negócios – e de Dantas – quando se sabe que K (*), mais tarde, fechou um novo contrato com a Alcatel.

. Um contrato de R$ 2 bilhões para a compra de equipamento de telefonia.

. Mas, a Alcatel, antes, não era um fornecedor inidôneo?

. Como é que de uma hora para outra se torna um fornecedor que mereça um pedido de bilhões de reais?

. No meio dessa inexplicável reviravolta está um personagem central, Otavio de Azevedo Marques.

. O “Otavinho” tem um pé na Alcatel e outro no grupo do Sergio Andrade (aquele que não vai botar um tusta na “BrOi”).

. O “Otavinho” está na origem da Telemar, quando participou de dois empreendimentos – Calais e Pegasus – que eram uma fachada para os acionistas da Telemar (Jereissati e Andrade) “potencializarem” seus lucros sem – como sempre – botar um tusta.

. As relações entre K (*) e “Otavinho” são muito próximas.

. Pois, o Dantas também sabe dessa história da Alcatel.

. E, por isso, passou, agora, recentemente, a exercer sobre K (*) uma pressão quase insuportável.

. Para que K (*) feche o mais rápido possível a patranha da “BrOi” – e ele, Dantas, leve para casa, sob as bênçãos do Presidente Lula, US$ 1 bilhão.

. K (*) não decide sozinho.

. Mas, ele está no centro das operações.

. E seus movimentos e as informações que detém podem ser cruciais, nessa hora em que a “BrOi” parece destinada a ter o fim do Lehman Brothers …

. O Delegado Ricardo Saadi, que preparou um relatório fajuto, de sabor menta, um relatório que não investiga a “BrOi” (embora o ínclito delegado Protógenes Queiroz tenha deixado as gravações dos sócios no ato de montar a patranha da “BrOi”), pois, esse delegado Saadi não diz uma única palavra sobre a Alcatel em seu relatório.

. Por que será?

. Saadi deve ter falado com os fundos de pensão que controlam a Brasil Telecom – Previ, Petros e Funcef.

. Deve ter dito acesso ao relatório da ICTS.

. Mas, como o relatório dele – um relatório fajuto, não menciona a Alcatel nem essa misteriosa transação que une K (*) a “Otavinho”, isso, de tão estranho, tem que haver uma explicação.

. Primeira hipótese: Saadi omite a Alcatel, provavelmente, porque os fundos e o Ricardo K (*) não lhe passaram a investigação da ICTS sobre a Alcatel.

. Segunda hipótese: o delegado pode ter sido vítima de uma síndrome conhecida como “omissão temporária da verdade”.

. Os fundos e K (*) contaram ao Delegado Saadi a verdade toda sobre a Alcatel.

. Mas, como o delegado Saadi demonstra a visível intenção de blindar a “BrOi”, para salvar algumas cabeças do PT – inclusive a do Presidente Lula -, é possível também que o delegado Saadi tenha omitido a Anatel porque quis omitir.

. Quem iria perceber, não é isso, delegado ?

. Mas, quem quer falar da Alcatel e não para de cochichar no ouvido do K (*) (**) é o Dantas.

. Quero o meu bilhão de dólares, deve dizer a Dantas, baixinho, em francês, no ouvido do K (*).

(*) A letra “K”, como se percebe, aponta para direções divergentes.

(**) A pressão sobre o K (*) pode ser feita pelo Dantas ou por um melhor amigo do Dantas. Um advogado de sua confiança. Digamos, por exemplo, o Chico Müsnich, pode ser o intermediário da pressão sobre K (*). Qualquer um dos 1001 advogados de Dantas.

Fonte: Conversa Afiada

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Os soldados da “teoria da contaminação” voltam a atacar

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Serra, Itagiba, Jobim: está tudo contaminado!

Serra, Jobim e Itagiba: está tudo contaminado!


por Paulo Henrique Amorim

O deputado serrista Marcelo Itagiba ameaçou hoje de manhã na CBN mandar prender o ínclito delegado Paulo Lacerda.

O motivo: a suposta contaminação da operação Satiagraha pela Abin.

A relação entre a Abin e a Polícia Federal é perfeitamente legal e o ínclito delegadoPaulo Lacerda é um homem de bem e não mentiu à CPI dos amigos de Dantas.

O serrista Marcelo Itagiba é que, como sempre, milita no submundo das operações trevosas que notabilizam a carreira de homem público de José Serra.

A teoria da contaminação é para melar o jogo, salvar Dantas, Serra e Lula.

Em homenagem aos soldados dessa batalha sem glória, o Conversa Afiada republica o que já disse a teoria da contaminação:

Carta: a conexão Serra-Itagiba-Kluwe-Mendes-Jobim
22/novembro/2008 15:03

Marcelo Itagiba transformou Kluwe, da ABIN, numa das estrelas da CPI dos Grampos. Carta Capital mostra porque o araponga quer incinerar Paulo Lacerda

Paulo Henrique Amorim

Máximas e Mínimas 2103

Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

“O sol é o melhor desinfetante” – autor anônimo

. A Carta Capital, como se sabe, é o único órgão de imprensa do Brasil que merece ser lido.

. Os outros se lê para saber o que Daniel Dantas e o Golpe de “Estado de Direita” querem fazer crer que aconteceu.

. Leandro Fortes é aquele repórter que desnudou as atividades empresariais – e, portanto, aéticas e, muitas vezes, ilegais – do Supremo Presidente do Supremo, Gilmar Mendes.

. Nesta edição da Carta Capital que acaba de chegar às bancas – Fortes trata do “Araponga Agitado”, Nery Kluwe, agente da ABIN e presidente da Associação dos Servidores da ABIN.

. O Globo disse esta semana que Kluwe era o principal suspeito de ter feito o grampo sem áudio da conversa entre Gilmar Mendes e o senador Demóstenes Torres.

. É aquele grampo sem áudio que a Veja disse que tinha sido feito pela ABIN e provocou dois fatos de monumental importância.

. Um, o Presidente Supremo do Supremo, Gilmar Mendes, chamou o Presidente Lula, o que tem medo, “às falas”.

. E o serrista Nelson Jobim produziu uma prova falsa, uma babá eletrônica, para demonstrar que Paulo Lacerda tinha feito o grampo.

. Lula, o que tem medo, mandou o ínclito delegado Paulo Lacerda para mesma prateleira da geladeira em que se encontra o também ínclito delegado Protogenes Queiroz.

. Uma farsa grotesca, muito menos sofisticada que o “Plano Cohen” ou a “Carta Brandi”.

. Agora, Fortes mostra por que Kluwe está interessado em incinerar o Dr Paulo Lacerda.

. Porque, se ficasse lá, o Dr Paulo Lacerda demitiria Kluwe da ABIN.

. Kluwe é suspeito de usar informações da ABIN para causas particulares (Kluwe é advogado).

. Coisa pouca, não é isso, caro leitor.

. Crime de pequena monta, não é isso, caro leitor.

. Kluwe é também acusado de passar cheque sem fundos.

. E do crime de “não comprovação de despesas”.

. O caro leitor certamente já ouviu falar disso: embolsar o dinheiro na hora da prestação de contas …

. O deputado serrista Marcelo Itagiba transformou Kluwe numa das estrelas da CPI dos Grampos, aquela dos amigos de Daniel Dantas.

. Um dos amigos de Dantas nesta CPI é o deputado Raul Jungman, que se tornou o DJ do golpe de “Estado de Direita”, ao vazar uma gravação do bate boca entre delegados que queriam destruir Protogenes Queiroz.

. Na CPI, Kluwe defende a tese da “contaminação”, tese que interessa a José Serra e a Dilma Rousseff.

. Fortes trata também das atividades de Itagiba no submundo em que opera José Serra.

. Serra não dorme, como sabe o amigo leitor.

. Ministro da Saúde no iluminado Governo do Farol de Alexandria, Serra contratou Itagiba para uma sinistra atividade: dirigir uma “Gerência Geral de Segurança e Investigações da ANVISA”.

. Na verdade, a função de Itagiba, com a colaboração de um espiãozinho de quinta, Fernando Barcellos, era produzir dossiês contra adversários de Serra, dentro do próprio PSDB.

. Serra produziu dossiês arrasadores contra Paulo Renato de Souza e contra Tasso Jereissati.

. Espanta que, até hoje, Serra não tenha produzido um dossiê “arrasador” contra Aécio Neves.

. Mas, tudo tem o seu tempo…

. Barcellos foi exonerado do Ministro da Saúde por ordem de Serra, porque deu bolo.

. Um espião da ABIN, no Ministério da Saúde, aqui prá nós…

. Mas, onde está Barcellos, hoje?

. Que função estratégica e essencial exerce ele?

. A de chefe de gabinete… de quem?

. De Marcelo Itagiba, na Câmara dos Deputados!

. Parece ou não parece uma súcia, isso aí, caro leitor?

. Estão todos unidos pelo mesmo princípio: declarar a contaminação da investigação do ínclito Delegado Protogenes Queiroz, deixar Dantas sair de fininho, fazer a “BrOi” para distribuir grana para todo mundo nas eleições, poupar Serra e Dilma Rousseff.

. O que não pode aparecer:

. Que Serra tem encontros (ou tinha) freqüentes com Dantas e a irmã, Veronica, esta, por sua vez, sócia da filha de Serra num empreendimento internético, com sede em Miami.

. Miami?

. Miami, caro leitor…

. O que Serra tem tanto a conversar com Dantas?

. Será que os dois discutiram o sucesso da operação para pegar os “aloprados”?

. (É bom o caro leitor lembrar que o dinheiro dos “aloprados” foi em notas de baixo valor – coisa que só empresa de metrô, ônibus ou bingo tem…)

. (Por falar nisso, por onde anda o delegado Bruno, esse herói do PiG?)

. A teoria da contaminação é também para poupar a Dilma Rousseff, aquela que deu o OK à patranha da “BrOi”.

. Mulher de forte índole, a quem o pessoal da famiglia de Dantas se referia como a Margaret Thatcher…

. Não perca o seu tempo com o PiG, caro leitor.

. Tudo faz parte “del gran acuerdo”, caro leitor: inclusive a venda da Nossa Caixa ao Banco Brasil.

. Você não pega no meu Daniel Dantas que eu não pego no teu …

. Como não se pode confiar em nada do que o PiG diz, leia “A Folha não acerta nem o resultado da Mega-Sena”, vá rápido à Carta Capital e leia, também, a reportagem “Excesso ou falta”, de Gilberto Nascimento – “Enquanto a CPI das Escutas (a do Itagiba) quer restringir o uso de grampos, a da Pedofilia pede mais interceptações legais”.

. (Caro leitor, esta reportagem trata de outra patranha de Itagiba: foi ele quem disse que havia no Brasil 400 mil grampos. O William Waack deu essa noticia como se tivesse acabado de abrir as portas de Auschwitz. Na verdade, os telefones grampeados não passam de 12 mil e todos COM AUTORIZAÇÃO DOS JUIZES !)

Fonte: Conversa Afiada

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Parlamentares que apóiam Protógenes querem frente contra corrupção

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por Paulo Henrique Amorim

Um grupo composto por deputados e senadores de diferentes partidos se reuniu no início da tarde desta quarta-feira para organizar uma frente política. A iniciativa visa dar apoio ao delegado Protógenes Queiroz, afastado da Operação Satiagraha e da Diretoria de Inteligência da Polícia Federal, mas vai além. Seus integrantes pretendem formar uma frente parlamentar contra a corrupção.

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Grupo pretende ampliar adesões de deputados e senadores.


A reunião ocorreu no gabinete do senador José Nery (PSOL-PA) e contou com a presença dos senadores Pedro Simon (PMDB-RS), Romeu Tuma (PTB-SP), Wellington Salgado (PMDB-MG) e Eduardo Suplicy (PT-SP). Também participaram três deputados do PSOL: Luciana Genro (RS), Ivan Valente (SP) e Chico Alencar (RJ), além do próprio delegado Protógenes.

“A investigação realizada pelo delegado Protógenes revelou fatos da maior gravidade que nos deixou estarrecidos”, afirmou Luciana Genro. “Hoje, há uma tentativa de desmoralizar a investigação dele para favorecer a defesa do banqueiro Daniel Dantas”, disse. Para a deputada, há uma articulação entre a tentativa de desmoralizar a investigação e a defesa de Dantas, que pediu a nulidade das provas. “Isso demonstra a amplitude dos tentáculos desse império criminoso, que chegou ao Executivo, Legislativo e Judiciário”, afirmou.

O grupo também discutiu formas de combater a corrupção. Uma das propostas debatidas visa acabar com o sigilo nas investigações que envolvem pessoas que ocupam cargos públicos. Uma outra reunião ficou marcada para o próximo dia 10 de dezembro, com o objetivo de aumentar o número de participantes e elaborar uma estratégia de ação contra a corrupção.

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Delegado Saadi, cadê o bife?

Relatório Saadi é fajuto e tenta salvar (parte do) PT

Fonte: Conversa Afiada

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Moody’s: Banco Central do Brasil não presta

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A culpa é deles

A culpa é deles!

“(…) a agressividade do Banco Central durante o ano foi exagerada. (…) é o momento de o banco virar sua política monetária para a direção certa, abrindo portas para o relaxamento. Durante o ano, o Banco Central reagiu exageradamente a uma inflação que é, em sua maior parte, imune à política monetária, já que foi causada principalmente por preços externos. (…) o Banco Central estava caindo em contradição. (…) injetando liquidez ao sistema ao mesmo tempo em que mantinha as taxas de juros altas.” Trecho do relatório da agência de risco Moody’s, divulgado hoje, que também diz o seguinte: “a recessão não faz parte do cenário brasileiro. (…) esperamos que o Banco Central comece a relaxar a política monetária o mais rápido possível.” Veja a íntegra do relatório da Moody’s.

Fonte: Conversa Afiada

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São Paulo - a mais poderosa e ma-ra-vi-lho-sa…!

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Maravilhosa terra da garoa, querida Sampa!

Maravilhosa terra da garoa, querida Sampa!



Por Washington Olivetto

Alguns dos meus queridos amigos cariocas têm mania de achar São Paulo parecida com Nova York. Discordo deles. Só acha São Paulo parecida com Nova York quem não conhece bem a cidade. Ou melhor, quem a conhece superficialmente e imagina que São Paulo seja apenas uma imensa Rua Oscar Freire. Na verdade, o grande fascínio de São Paulo é parecer-se com muitas cidades ao mesmo tempo e, por isso mesmo, não se parecer com nenhuma.

São Paulo, entre muitas outras parecenças, se parece com Paris no Largo do Arouche, Salvador na Estação do Brás, Tóquio na Liberdade, Roma ao lado do Teatro Municipal, Munique em Santo Amaro, Lisboa no Paris, com o Soho londrino na Vila Madalena e com a pernambucana Olinda na Freguesia do Ó.

São Paulo é um somatório de qualidades e defeitos, alegrias e tristezas, festejos e tragédias. Tem hotéis de luxo, como o Fasano, o Emiliano e o L’Hotel, mas também tem gente dormindo embaixo das pontes. Tem o deslumbrante pôr-do-sol do Alto de Pinheiros e a exuberante vegetação da Cantareira, mas também tem o ar mais poluído do país. Promove shows dos Rolling Stones e do U2, mas também promove acidentes como o da cratera do metrô e o do avião da TAM em Congonhas.

São Paulo é sempre surpreendente. Um grupo de meia dúzia de paulistanos significa um italiano, um japonês, um baiano, um chinês, um curitibano e um alemão. São Paulo é realmente curiosa. Por exemplo: tem diversos grandes times de futebol, sendo que um deles leva o nome da própria cidade e recebeu o apelido ‘o mais querido’. Mas, na verdade, o maior e o mais querido é o Corinthians, que tem nome inglês, fica perto da Portuguesa e foi fundado por italianos, igualzinho ao seu inimigo de estimação, o Palmeiras.

São Paulo nasceu dos santos padres jesuítas, em 1554, mas chegou a 2007 tendo como celebridade o permissivo Oscar Maroni, do afamado Bahamas. São Paulo já foi chamada de ‘o túmulo do samba’ por Vinicius de Moraes, coisa que Adoniran Barbosa, Paulo Vanzolini e Germano Mathias provaram não ser verdade, e, apesar da deselegância discreta de suas meninas, corretamente constatada por Caetano Veloso, produziu chiques, como Dener Pamplona de Abreu e Gloria Kalil.

São Paulo faz pizzas melhores que as de Nápoles, sushis melhores que os de Tóquio, lagareiras melhores que as de Lisboa e pastéis de feira melhores que os de Paris, até porque em Paris não existem pastéis, muito menos os de feira. Em alguns momentos, São Paulo se acha o máximo, em outros um horror. Nenhum lugar do planeta é tão maniqueísta. São Paulo teve o bom senso de imitar os botequins cariocas, e agora são os cariocas que andam imitando as suas imitações paulistanas.

São Paulo teve o mau senso de ser a primeira cidade brasileira a importar a CowParade, uma colonizada e pavorosa manifestação de subarte urbana, e agora o Rio faz o mesmo. São Paulo se poluiu visualmente com a Cow Parade, mas se despoluiu com o Projeto Cidade Limpa. Agora tem de começar urgentemente a despoluir o Tietê para valer, coisa que os ingleses já provaram ser perfeitamente possível com o Tâmisa.

Mesmo despoluindo o Tietê, mantendo a cidade limpa, purificando o ar, organizando o mobiliário urbano, regulamentando os projetos arquitetônicos, diminuindo as invasões sonoras e melhorando o tráfego, São Paulo jamais será uma cidade belíssima. Porque a beleza de São Paulo não é fruto da mamãe natureza, é fruto do trabalho do homem. Reside, principalmente, nas inúmeras oportunidades que a cidade oferece, no clima de excitação permanente, na mescla de raças e classes sociais. São Paulo é a cidade em que a democratização da beleza, fenômeno gerado pela miscigenação, melhor se manifesta. São Paulo é uma cidade em que o corpo e as mãos do homem trabalharam direitinho, coisa que se reconhece observando as meninas que circulam pelas ruas.

E se confirma analisando obras como o Pátio do Colégio (local de fundação da cidade), a Estação da Luz (onde hoje fica o Museu da Língua Portuguesa), o Mosteiro de São Bento, a Oca, no Parque do Ibirapuera, o Terraço Itália, a Avenida Paulista, o Sesc Pompéia, o palacete Vila Penteado, o Masp, o Memorial da América Latina, a Santa Casa de Misericórdia, a Pinacoteca e mais uma infinidade de lugares desta cidade que não pode parar, até porque tem mais carros do que estacionamentos. São Paulo não é geograficamente linda, não tem mares azuis, areias brancas nem montanhas recortadas. Nossa surfista mais famosa é a Bruna, e nossos alpinistas, na maioria, são sociais.

Mas, mesmo se levarmos o julgamento para o quesito das belezas naturais, São Paulo se dá mundialmente muito bem por uma razão tecnicamente comprovada.

Entre as maiores cidades do mundo, como Tóquio, Nova York e Cidade do México, em matéria de proximidade da beleza, São Paulo é, disparado, a melhor. Porque é a única que fica a apenas 45 minutos de vôo do Rio de Janeiro.

*Washington Olivetto é paulista, paulistano e publicitário

Fonte: Conversa Afiada

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Comerciantes gananciosos saqueiam SC

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Por Paulo Henrique Amorim

. Estou com o comandante Johnny que é do Corpo de Bombeiros Voluntário de Penha, Santa Catarina.

. Ele está desde sábado trabalhando no resgate de sobreviventes na cidade de Ilhota, na região do morro do baú, onde já morreram só nessa região mais de 50 pessoas.

. O mais revoltante, segundo o comandante Johnny, são os comerciantes gananciosos que aproveitam a tragédia para aumentar preço.

. Por exemplo, um botijão de gás a R$ 120, uma bombona de água de 20 litros de água mineral por R$ 50, quando na verdade deve ser vendida a R$ 4.

. Isso revolta o comandante Johnny.

Veja o relato de um morador de Itajaí sobre as angústias e os estragos da enchente.




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O Conversa Afiada oferece este espaço para o leitor postar suas opiniões a respeito da tragédia provocada pelas chuvas em Santa Catarina. Vale comentar sobre a cobertura da imprensa, ações (ou omissões) das autoridades no atendimento às vítimas, expor dúvidas ou apresentar sugestões.

Fonte: Conversa Afiada

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Brasil de Fato: o Equador e a Odebrecht

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Equador: Enfrentar a Odebrecht é só o começo

A expulsão da construtora brasileira Norberto Odebrecht do Equador desvela uma situação na qual nem a elite brasileira nem parte do governo federal querem admitir; a de que o país vizinho, na verdade, tenta se livrar de mais de 30 anos de dívidas ilegítimas e odiosas. As primeiras, aquelas que se referem a empréstimos contraídos fora do marco legal nacional e internacional, em um contexto injusto, de falta de transparência, que viola a soberania e os direitos humanos. As segundas, as que foram contraídas sem o consentimento da população.

Por Eduardo Sales de Lima, do Brasil de Fato
(VIA VERMELHO)

A atitude tomada pelo governo do Equador surge como conseqüência direta do relatório Auditoria Integral do Crédito Público (Caic), apresentado em novembro, que abordou detalhes de empréstimos feitos ao Equador que vão de 1976 a 2006.

Entre as inúmeras irregularidades ocorridas nesses 30 anos, o estudo aponta um contrato repleto de ilegalidades envolvendo o Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES), a construtora Odebrecht e o governo equatoriano.

A auditoria cita a assinatura de dez contratos ampliadores, que aumentaram os custos da obra da segunda maior usina hidrelétrica equatoriana, a San Francisco, e demonstra uma submissão do empréstimo feito pelo BNDES à legislação brasileira, quando este deveria ser regido pelas leis equatorianas.

Somado a isso, no meio do ano, a Odebrecht – que também está sendo indiciada em inquérito pelo acidente no metrô paulista – provocou a paralisação da hidrelétrica equatoriana por conta de problemas na turbina e no túnel por onde passa a água.

Após rescindir todos os contratos com a empreiteira brasileira, o governo do Equador pretende, ainda, não reconhecer a dívida pertencente à Odebrecht junto ao BNDES, de 243 milhões de dólares. Para tanto, o governo do presidente Rafael Correa decidiu recorrer à Câmara de Comércio Internacional, em Paris.

Além disso, serão investigados pelo governo equatoriano parte dos funcionários públicos do país e os vestígios de todas as operações da empresa no Equador.

Credores “mui amigos”

A atitude de Correa mostra que na América Latina já não existem tantos presidentes que permitem a ação de grupos e instituições internacionais especializados em ganhar com o endividamento de países pobres.

Considerando todo o período do estudo da Caic, o presidente equatoriano anunciou que "não pagará a dívida ilegítima, a dívida corrupta e ilegal". Uma mensagem direta, também ao BNDES. A recomendação dos economistas integrantes da auditoria é a de que não se pague cerca de 40% da dívida externa do país, por causa dos indícios de corrupção – ou seja, um total de 3,9 bilhões de dólares.

Nas palavras de Correa, será necessário julgar os culpados pelo endividamento externo que adquiriram vantagens “com títulos espúrios, com chantagens e traição”. Segundo ele, cada qual tem que pagar com seus bens o que corresponda.

A auditora fiscal Maria Lúcia Fattorelli, que também integrou a Caic, afirma que a partir do início da década de 1980 um expressivo montante da dívida privada foi transferido para o Banco Central do Equador. Segundo a auditoria, a dívida externa do país aumentou de 240 milhões de dólares em 1970 para 17,4 bilhões de dólares em 2007.

O presidente equatoriano ainda anunciou em público que "os emprestadores não são menos culpados, os que induziram compulsivamente, os que amarraram e pressionaram para empurrar seus empréstimos e lucrar com beneficiosas comissões". Um recado que também serve para a Odebrecht e para o governo brasileiro.

Segundo Fattorelli, em relação aos empréstimos bancários, o chamado endividamento agressivo foi patrocinado principalmente pelos bancos privados, que ofereciam taxas de juros baixíssimas, chegando a ser até negativas. “Depois, a partir de 1979, o Federal Reserve (Banco Central dos Estados Unidos), que na verdade é um conjunto de bancos privados, começou a subir as taxas de juros internacionais, que chegaram a 20,5% ao ano. Isso foi um verdadeiro golpe contra todos os países, inclusive contra o Brasil.”

Ela acrescenta ainda que os principais responsáveis pela dívida comercial do Equador nesses 30 anos são todos dos Estados Unidos ou da Inglaterra. Dos quais: Citibank, o JPMorgan e Chase Manhattan.

“Brio”

Para a economista Roberta Traspadini, a atitude do governo equatoriano frente não só à Odebrecht e ao BNDES, mas também em relação às instituições financeiras internacionais compreende um direito à soberania e à defesa dos interesses nacionais. “O Equador, a partir de sua lógica de produção nacional e internacional, atrela sua postura à uma política de Estado, cuja coerção e consenso tentam caminhar em um sentido, senão totalmente oposto, ao menos mais tensionado e disputado, do que o executado pelo Estado brasileiro”, contextualiza.

Já o presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Heráclito Fortes (DEM-PI), não vê a situação com tal visão crítica e defendeu no Congresso, no dia 24, que o governo brasileiro tome uma postura de enfrentamento em relação à gestão do presidente Rafael Correa. "O Brasil não pode ficar silencioso. O brio brasileiro está ferido", disse.

Para Traspadini é necessário, antes de tudo, saber quem está falando e quem essa pessoa representa. “Se por brio, se entende a capacidade de dominar, ditar as regras e impor, dado seu poderio econômico-militar-político e sua aliança com os grupos e Estados hegemônicos mundiais, sim, a política de Correa afeta os brios brasileiros”, pondera.

“E se por brio se entende a capacidade de ao estar junto, não impor e sim se contrapor à lógica de poder dominante ao longo da história, em que a referência está no desejo e necessidade dos povos latinos e não da classe dominante, então, a política de Correa não só mexe com o brio, como o coloca em seu devido lugar”, conclui.

Fonte: Vi o Mundo

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É PRECISO FAZER A VIAGEM VERTICAL

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por Luiz Carlos Azenha

Lendo "O Corte", de Donald Westlake, me ocorreu que vivemos tempos bicudos. Trata-se de um livro de ficção, mas que fala das conseqüências do capitalismo pós-anos 80 -- de Ronald Reagan e Margaret Thatcher e de todos aqueles que, mais ou menos, adotaram o mesmo modelo. Na América Latina, com resultados desastrosos, Carlos Menem, Fernando Henrique Cardoso, Carlos Salinas de Gortari e mais recentemente Lula, que apesar de ter feito concessões aqui ou ali preservou intacto o modelo de colocar o país a serviço do capital financeiro, do agronegócio, das empresas de telefonia, empreiteiras e mineradoras.

O "grande acordo" de que nos fala Paulo Henrique Amorim é isso: um conchavo de bastidores entre o PT e o PSDB em que os dois partidos preservam seus interesses fundamentais na política brasileira -- e, acima de tudo, os de seus financiadores. Os tucanos, como deixou clara a campanha de Gilberto Kassab em São Paulo, já incorporaram à sua plataforma o esqueleto dos programas sociais petistas; o PT, como deixou claro o presidente Lula ao aceitar a privatização dos aeroportos, já incorporou à sua plataforma o essencial aos grandes interesses econômicos em nome dos quais o Brasil é governado.

Mudar para não mudar, como nos ensinou o historiador Leôncio Martins Rodrigues, tem sido a marca definidora da História brasileira.

Mas, voltando ao "O Corte", o livro conta a história de um desempregado que planeja conquistar uma vaga disputadíssima numa empresa e, com esse objetivo, passa a eliminar fisicamente todos os seus concorrentes. Uma forma alegórica de tratar do downsizing, a eliminação de vagas com a qual o capitalismo neoliberal nos brindou pós-80. Essa lógica persiste e não é preciso ir longe para constatá-la: olhe à sua volta. Nas últimas duas décadas a regra tem sido a eliminação de postos de trabalho, o acúmulo de funções, o corte de benefícios, o aumento da jornada através do uso de novas tecnologias (computador, internet e telefonia celular). É a precarização do mundo do trabalho, a disputa selvagem por empregos, o vale-tudo para manter as vagas.

É óbvio que tudo isso tem conseqüências concretas no dia a dia das pessoas. Numa emissora em que trabalhei os chefes eram recompensados generosamente sempre que gastavam menos que o previsto no orçamento. E obtinham isso arrancando o couro dos subordinados, privilegiando os puxa-sacos e "punindo" os que se davam conta das táticas patronais com a pecha de "revoltados" ou "encrenqueiros". É a lógica corporativa do dividir para governar.

Não me assusto, portanto, quando leio estatísticas dando conta de que a depressão e a ansiedade são as doenças do século 21. Sintoma da precarização do mundo do trabalho, dos laços sociais tênues que resultam da competição selvagem entre trabalhadores, da intensificação dos fluxos migratórios de quem busca novas oportunidades e da invasão do universo familiar pelo trabalho (por conta da internet e do celular).

Fazer a "Viagem Vertical" é, portanto, uma estratégia de sobrevivência. Trata-se do nome de outro livro que li recentemente, em que um velho é levado por circunstâncias pessoais a refletir sobre seu papel no mundo. Esse auto-conhecimento é necessário a todos os humanistas que pretendem preservar algo que o capitalismo selvagem pretende esmagar no campo das idéias: a capacidade de empatia social. De se enxergar nos outros, de rejeitar o egoísmo social e de lutar pelo aperfeiçoamento da sociedade. Fazer a viagem vertical, em minha opinião, implica em cultivar a reflexão e o humanismo. E não ceder aos impulsos dos que pretendem continuamente precarizar nossa vida.

Quando eu entrei pela primeira vez em uma redação, nos anos 70, este era o espírito da grande maioria dos jornalistas. Eramos todos pobres ou remediados e, independentemente de posição política, acreditávamos na profissão como instrumento de denúncia social para melhorar o mundo. Hoje, no entanto, a lógica do "eu primeiro" se impôs nas redações. As empresas da mídia corporativa se tornaram instrumentos de propaganda do mundo do trabalho precarizado e do vale-tudo nas relações sociais.

Mas sobrararam os "vãos" da internet para que a gente se junte, ainda que seja apenas para rir da desgraça que vivemos em comum.

PS: No Brasil, o caso do banqueiro Daniel Dantas reflete a mudança de paradigma: quando o jornalismo foi colocado ativamente a serviço do crime organizado.

Fonte: Vi o Mundo

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Ministros querem modelo baseado na agricultura familiar

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MERCOSUL

Ministros querem modelo baseado na agricultura familiar

Presentes à X Reunião Especializada sobre Agricultura Familiar no Mercosul (Reaf), ministros e vice-ministros de Brasil, Paraguai, Uruguai e Venezuela avaliam que o mundo passa por intensas transformações sociais e econômicas e que chegou a hora de garantir a soberania alimentar dos povos do continente.

RIO DE JANEIRO – A certeza de que a economia mundial passa por transformações profundas e a necessidade de se afirmar um novo modelo agrícola que seja baseado na agricultura familiar e que garanta a soberania alimentar dos povos da América do Sul deu a tônica do debate travado entre ministros e vice-ministros de Brasil, Paraguai, Uruguai e Venezuela durante a X Reunião Especializada sobre Agricultura Familiar no Mercosul (Reaf). O evento, que reúne cerca de 300 representantes de governo e da sociedade civil de diversos países, acontece até quinta-feira (27) no Rio de Janeiro, cidade que também recebe, a partir desta quarta-feira (26), a Feira Nacional de Agricultura Familiar e Reforma Agrária.

Um dos pontos altos da X Reaf, o debate entre os governos envolveu o ministro do Desenvolvimento Agrário do Brasil, Guilherme Cassel, o ministro da Pecuária, Agricultura e Pesca do Uruguai, Ernesto Agazzi, o vice-ministro de Agricultura e Pecuária do Paraguai, Henry Moriya, e o vice-ministro de Desenvolvimento Rural e Integração do Ministério da Agricultura e Terra da Venezuela, Gerardo Rojas.

“A Reaf e a feira acontecem num momento muito importante, em que as sociedades do mundo todo estão sendo sacudidas e onde alguns temas voltam de outra forma e com mais força. Há apenas seis meses, vigorava em todo o mundo a lei severa do mercado, era dominante a idéia de que as leis de mercado eram capazes de resolver todos os nossos problemas. Diziam que a otimização da alocação do capital, por si só, dava conta de levar a humanidade pra frente. Esses paradigmas apodreceram completamente, os mercados hoje estão sendo salvos com dinheiro público, por bancos centrais, por dinheiro do povo”, disse Guilherme Cassel.

O ministro brasileiro afirmou que “essas leis que sacralizavam o mercado eram as mesmas leis que determinavam que a reforma agrária era um tema do passado e que a agricultura familiar era uma coisa pobre, ultrapassada, sem importância econômica”. Cassel avaliou que a Reaf acontece num momento de afirmação: “Vivemos um momento em que a agenda da segurança alimentar volta com força. Quem produz os alimentos que a gente consome no dia-a-dia são os agricultores familiares, os assentados da reforma agrária e as comunidades indígenas de nossos países. Nesse momento em que o mundo e os valores estão em crise, cegou a hora da afirmação da agricultura familiar, de afirmar o nosso modelo de desenvolvimento e de produção e dizer em alto e bom som que esse modelo é o melhor para toda a sociedade”.

O momento de mudanças globais e a ruptura de paradigmas econômicos e sociais também foram ressaltados pelo vice-ministro venezuelano Gerardo Rojas: “A América Latina está rompendo paradigmas. O Paraguai e a Argentina estão rompendo paradigmas. O Brasil, como já fez no passado, está rompendo paradigmas com esquemas e modelos impostos de fora. Temos que seguir adiante e construir um novo modelo juntos, mas esse modelo tem que ter normas que devem ser decididas com a participação do povo”, disse.

Rojas saudou a Reaf como um momento político único: “Poder celebrar hoje essa reunião conjunta custou vidas e muito sangue. O que estamos vivendo aqui hoje não seria uma coisa fácil de se aceitar pelos que mandavam em nossos países há dez ou quinze anos. Estamos mudando, e mudando para melhor. Os processos de participação e de tomada de decisão conjunta entre a sociedade civil organizada e o Estado na América do Sul nos fazem vislumbrar o futuro desse continente, que por tantos anos foi explorado e marginalizado. Ainda não conseguimos solucionar todos os problemas econômicos que têm os países, mas estamos tentando”.

Participação

O vice-ministro paraguaio Henry Moriya, afirmou que o fortalecimento da agricultura familiar no país e no continente é uma das prioridades do presidente Fernando Lugo: “No Paraguai, temos uma reivindicação histórica da sociedade civil rural, que sempre reclamou ao governo políticas de Estado, mas, em um processo democrático que durou 19 anos, o país teve 18 ministros da Agricultura. Num ambiente com tanta instabilidade, sempre foi muito difícil construir políticas de Estado. A determinação do presidente Lugo é que este governo, esta administração, vá construir as políticas de Estado tão aguardadas pelo setor rural, com a participação do setor rural”, disse.

Moriya afirmou que o Paraguai pretende se engajar com mais força na busca por políticas públicas continentais: “Temos o mandato do presidente Lugo de escutar, de abrir a participação e fazer uma discriminação positiva dos grupos mais vulneráveis, como os jovens, os indígenas e as mulheres. Nesse sentido, a Reaf é um âmbito que reforça a decisão política do governo paraguaio de construir de forma participativa, com a sociedade civil, as políticas de Estado. Acreditamos que este desejo acalentado por tanto tempo pelo povo paraguaio vai ser reforçado com a Reaf”, disse o vice-ministro, que agradeceu “a solidariedade dos países mais desenvolvidos do Mercosul nesta construção de políticas de integração”.

Elaboração conjunta

O ministro uruguaio Ernesto Agazzi falou da importância da elaboração conjunta de políticas públicas entre os governos e a sociedade civil: “Os governos não podem atuar sozinhos, têm que promover a participação da sociedade, têm que abrir canais de participação nos institutos públicos para as organizações dos agricultores familiares. A democracia não é somente eleger seus representantes, a democracia é organizar a força popular. Se for somente eleger, seguiremos numa sociedade hierarquizada”, disse.

Agazzi quer que o Mercosul viabilize os mecanismos de participação da sociedade, o que, segundo ele, depende dos governos: “Para que a participação popular tenha conteúdo, é necessário um processo de construção social dessa participação. Acredito que estão havendo mudanças muito profundas em nossos países e que todos temos a responsabilidade de fazer com que essas mudanças sirvam para criar estruturas políticas distintas das tradicionais. A educação, por exemplo, deve ser decidida com a participação de professores e estudantes. O mesmo vale para a agricultura familiar. Essa participação não acontece espontaneamente, mas se constrói”.

Mercado justo

Gerardo Rojas afirmou que a Venezuela luta pela unidade latino-americana: “Nesse intento, vamos combatendo as muitas debilidades que surgem nessa missão de desenvolvimento. Acreditamos no que disse Simon Bolívar: a pátria é a América. Vamos agir como uma só pátria, como um continente unido, pois desta maneira seremos menos suscetíveis às grandes mudanças que estão acontecendo no mundo. Somente unidos nós poderemos construir um continente onde haja menos diferença, menos desigualdade, mais equidade, mais justiça e mais oportunidades”.

Guilherme Cassel felicitou a maior participação de Paraguai e Venezuela na Reaf: “É muito importante a participação do Paraguai na Reaf. Todos nós estamos acompanhando com muita expectativa, e com muita solidariedade acima de tudo, esse início de caminhada do governo Lugo. É também muito importante para todos os países aqui presentes a participação ativa da Venezuela na Reaf. Juntos, vamos afirmar um outro modelo de integração, um outro tipo de comércio e de mercado. Queremos um mercado justo e solidário que garanta, acima de qualquer coisa, a segurança alimentar de nossos povos, o acesso à terra e a preservação do meio ambiente”, disse o ministro brasileiro.

Fonte: Agência Carta Maior

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"PT envelheceu internamente e precisa se revigorar"

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EMIR SADER

"PT envelheceu internamente e precisa se revigorar"

O impulso inicial que deu vida ao PT e desembocou no governo Lula, se esgotou. O dinamismo, a referência hoje está no governo e não no PT. Este precisa revigorar-se social e ideologicamente, para voltar a desempenhar um papel importante no campo político e ideológico do país, que tem na conjuntura já aberta da sucessão presidencial a maior das suas batalhas contemporâneas. A análise é de Emir Sader.

O PT foi a maior esperança da esquerda brasileira – e talvez mundial, em um momento de esgotamento da esquerda tradicional. Depois de mais de duas décadas de existência, desembocou no governo Lula que, medido pela imagem ideológica que o partido tinha na sua fundação ou que exibiu na sua primeira década de vida, seria irreconhecível.

Não se trata agora de fazer uma breve história do partido e saber onde aquele fio original foi cortado e outro perfil foi se desenhando. Certamente ele tem a ver com a projeção da imagem de Lula, por cima e, de certa forma, de maneira independente do partido. Trata-se agora de tentar entender a situação em que se encontra o partido – paradoxalmente com um perfil político extremamente baixo, quando Lula exibe níveis recordes de apoio, de 80%. Em suma, o sucesso do governo não é o sucesso do PT, que ainda não saiu das duas crises que o envolveram nos últimos anos.

O PT sofreu dois duros golpes desde a vitória de Lula, em 2002. O primeiro, o perfil assumido pelo governo, com Palocci funcionando quase como um primeiro-ministro e impondo uma hegemonia neoliberal e continuísta ao governo. Tal como havia se configurado na parte final e decisiva da campanha eleitoral, se constituiu em torno de Lula um núcleo dirigente do governo, que tinha em dois dos arquitetos da vitória – Palocci, com a Carta aos brasileiros, e Duda, com o “Lulinha, paz e amor” -, referências fundamentais.

Palocci dava a linha geral, manejava os recursos, impunha – até mesmo a Lula – o discurso geral do governo. O PT presenciou tudo isso, ferido pela crise de expulsão e posterior saída de outros de seus membros, impotente. Não conseguir defender a reforma da previdência, que atentava contra tudo o que havia defendido, nem as orientações econômicas do duo Palocci-Meirelles, se defendia das posições de ultra-esquerda, que prenunciavam um caminho de isolamento, sectarismo e derrota.

Pouco tempo depois, quando o governo ainda não decolava, veio a chamada “crise do mensalão”, em um momento em que o partido ainda não tinha se refeito da primeira crise. Foram os piores anos da história do PT – 2003-2005. A imagem do partido foi revertida de partido ético, da transparência, para partido vinculado a negociatas e à corrupção, uma reversão da qual não conseguiu e dificilmente conseguirá sair. Apesar das eleições internas, que recuperaram um pouco da auto-estima, sem forjar uma nova direção com capacidade de redefinir o papel do PT e suas relações com o governo.

Lula e o governo se safaram da crise a partir dos efeitos das políticas sociais que se fortaleceram com as mudanças dentro do governo – especialmente a queda de Palocci e o enfraquecimento das suas orientações dentro do governo – e com o papel dinâmico que Dilma Rouseff passou a imprimir nas ações governamentais.

Mas, de alguma maneira o governo se safou com a crise exportada para o PT. A imagem que ficou foi a de que “os petistas” haviam cometido graves erros, que quase comprometeram irremediavelmente o governo Lula. E as acusações sobre José Dirceu e sobre os principais dirigentes partidários confirmavam essa versão. E o baixo perfil das direções posteriores, tanto a que foi eleita no PEC, quanto posteriormente pelo Congresso, foram na mesma direção, pelo baixo perfil dessas direções, pela falta de capacidade de iniciativa política e de mobilização da própria militância do PT.

O Congresso, ao invés de um grande balanço do primeiro governo de esquerda, conquistado ao longo das lutas de toda a história do PT, acabou sendo mais um acerto de contas entre as tendências sobre a crise do partido. Criticas à política econômica reafirmaram certo grau de independência diante do governo, mas em geral a avaliação deste e, sobretudo, as propostas para o segundo governo, não foram o centro do Congresso, desperdiçado para recuperar a capacidade de ação do PT.

No entanto, os problemas vêm de mais atrás e são mais profundos. A via moderada escolhida pelo PT já se assentava numa perda do peso da militância jovem e da militância social, marcante já no Congresso de 2000, realizado em Pernambuco. O partido perdeu capacidade de empolgar e mobilizar os que lutam ou poderiam ser despertados para a luta por um outro país, por “um outro mundo possível”. Uma parte destes trabalham em torno do MST ou de outros movimentos sociais, outros permanecem no PT, mas sem ímpeto de ação. O envelhecimento interno do partido é óbvio, não apenas na idade dos seus membros, mas também na falta de idéias, de criatividade, de alegria, de encarar os novos desafios com um rico e pluralista debate interno.

É como se o PT estivesse ainda sofrendo os efeitos de uma quase morte da experiência de governo, tivesse se safado por pouco, mas tivesse exaurido suas energias na sobrevivência, não voltando a ganhar ímpeto, criatividade, iniciativa, capacidade de liderança e, principalmente, de mobilização de novas camadas.

A elaboração de uma plataforma pós-neoliberal e o apoio decidido à organização das bases sociais pobres que apóiam substancialmente ao governo Lula – se constituem nas duas maiores tarefas que o PT tem que enfrentar, para se renovar, se revigorar. Encarar frontalmente o tema da plataforma com que vai lutar para o governo posterior ao de Lula e recompor suas bases sociais de apoio, na direção das grande massas do nordeste e das periferias das grandes metrópoles – onde residem os imensos bolsões de pobreza beneficiados pelas políticas sociais do governo – para reconquistar energia, capacidade de luta, de mobilização.

Porque o impulso inicial, o que deu vida ao PT e desembocou no governo Lula, se esgotou. O dinamismo, a referência hoje está no governo e não no PT. Este precisa revigorar-se social e ideologicamente, para voltar a desempenhar um papel importante no campo político e ideológico do país, que tem na conjuntura já aberta da sucessão presidencial a maior das suas batalhas contemporâneas. É uma nova grande possibilidade para o PT, onde se disputa o futuro do Brasil na primeira metade do século – na consolidação, correção de rumos, aprofundamento das linhas progressistas do governo atual ou no catastrófico retorno do bloco de direita ao governo.

O papel do PT será essencial se assumir a luta pelo cumprimento desses dois objetivos essenciais: formulação da plataforma pós-neoliberal para a campanha de 2010 e trabalho duro na organização das grandes camadas pobres que dão sustentação ao governo Lula.

Fonte: Agência Carta Maior

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Bancos recebem ajuda de US$ 4 trilhões. E o resto do planeta?

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Estudo destaca que já foram empregados, para o auxílio às instituições financeiras, mais de quatro trilhões de dólares, um valor quarenta vezes superior ao que se investe para combater a pobreza e a mudança climática. Os US$ 152,5 bilhões investidos pelos EUA para o resgate de uma só empresa, a AIG, supera longe os 90,7 bilhões de dólares que esse país e os europeus destinaram à ajuda para o desenvolvimento em 2007.

Nova York (IPS) – As enormes somas de dinheiro que Estados Unidos e países europeus estão destinando para socorrer os bancos em risco de quebra podem ocasionar conseqüências desastrosas para os esforços que visam a reduzir a pobreza e os efeitos da mudança climática, alertam especialistas. Um informe da organização não-governamental Instituto para Estudos de Políticas, com sede em Washington, destaca que já foram empregados para o auxílio às instituições financeiras mais de quatro trilhões de dólares, um valor quarenta vezes superior ao que se investe para combater a pobreza e a mudança climática.

Os autores do estudo assinalam que os governos dos países ricos provavelmente usarão a desculpa dos custos do resgate dos bancos para não cumprir seus compromissos em matéria de ajuda para o desenvolvimento e ações contra o aquecimento global.

O trabalho foi divulgado na véspera de duas reuniões patrocinadas pela Organização das Nações Unidas (ONU) com o propósito de fazer avançar sua agenda sobre meio ambiente e desenvolvimento. Neste final de semana, em Doha, inicia a conferência de três dias sobre financiamento para o desenvolvimento, enquanto que a cúpula sobre mudança climática começará na próxima semana na cidade polonesa de Poznan, com a presença de mais de 8 mil delegados.

Espera-se que durante os debates, que se estenderão por mais de uma semana, chegue-se a novos compromissos para combater a mudança climática, incluindo a assistência aos países em desenvolvimento para que implementem medidas com esse fim. Funcionários da ONU têm a esperança de que a reunião constitua um “marco no caminho ao êxito” para as negociações lançadas em conferências anteriores.

Ela tem a missão de estabelecer a agenda para as conversações finais sobre o tratado que sucederá o Protocolo de Kyoto que, em 1997, estabeleceu metas de redução de emissões de gases. Essas conversações serão realizadas na Dinamarca, em 2009. No entanto, analistas assinalam que, dada a preocupação dos governos dos Estados Unidos e dos países europeus com a crise econômica, é altamente improvável que se consigam grandes avanços em matéria de financiamento para mitigar a mudança climática.

Independentemente do que façam as nações ricas nesta matéria, destaca o estudo, a crise financeira está golpeando todos os países igualmente. “O aumento da pobreza e do desemprego no mundo em desenvolvimento levarão a uma competição ainda mais brutal que a atual pelo emprego”, disse John Cavanagh, principal autor do estudo.

A mudança climática, acrescentou, põe em perigo o futuro do planeta. Para Cavanagh, as nações ricas “têm a fixação de responder apenas à crise financeira e, especificamente, de sustentar suas próprias instituições financeiras”. Segundo o estudo, os 152,5 bilhões investidos pelos EUA para o resgate de uma só companhia, a AIG, supera longe os 90,7 bilhões de dólares que esse país e os europeus destinaram à ajuda para o desenvolvimento em 2007. No ano passado, Washington destinou à assistência de todas as nações em desenvolvimento US$ 23 bilhões, mas gastou 29 bilhões para salvar o banco Bear Stearns. A soma empregada pelos europeus e pelos EUA para resgatar as instituições financeiras é mais de 300 vezes superior aos 13 bilhões de dólares em novos compromissos assumidos para ajudar os países mais pobres a enfrentar a mudança climática nos próximos anos.

Os investigadores destacaram ainda que o governo suíço destinou 60 bilhões de dólares para socorrer o banco UBS, cinco vezes mais que a soma comprometida pelo conjunto dos governos europeus em 2007 para financiar ações contra a mudança climática nos países pobres. O estudo assinala também que os Estados Unidos não financiam nenhum projeto relacionado à mudança climática no mundo em desenvolvimento e jamais firmou o Protocolo de Kyoto, ainda que seja responsável por um quarto das emissões de gases do planeta, principal causa do aquecimento global segundo os cientistas.

“Esta assimetria nas prioridades atormentará os Estados Unidos e o resto dos países do hemisfério Norte no longo prazo, Eles não só têm a obrigação de solucionar o desastre que provocaram, como também isso é algo que responde a seus interesses”, resumiu Sarah Anderson, co-autora da investigação.

Tradução: Katarina Peixoto

Fonte: Agência Carta Maior

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