A HISTÓRIA DOS COSMÉTICOS
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Ativismo na Rede! "Nunca duvide que um pequeno grupo de pessoas conscientes e engajadas possa mudar o mundo; de fato, sempre foi somente assim que o mundo mudou." Fritjof Capra
Poliamor: você encara essa?
Suzana, 42 anos, arquiteta, foi casada três vezes e está separada há cinco anos. Sua última separação ocorreu quando ela percebeu que, além do marido, amava outro homem. Apesar de não desejar a separação, não teve outro jeito. O marido não aceitou essa situação. Tiveram sérias brigas e a ruptura não foi nada tranquila. A partir daí, Suzana decidiu mudar o padrão de sua vida amorosa. “Não quero mais saber de ter um único parceiro fixo e estável para tudo, e ter uma vida cheia de regras. Não estou mais disposta a me enquadrar em nada. Agora, me tornei adepta do poliamor. Acredito que, da mesma forma que amamos vários filhos e amigos, podemos ter relações amorosas/sexuais com várias pessoas ao mesmo tempo.”
Muitos se surpreendem com o relato acima. Entretanto, sabemos que o amor é uma construção social. Quando analisamos a sua história constatamos que os comportamentos amorosos e as expectativas em relação à própria vida a dois variam de época e lugar. Há enormes diferenças, por exemplo, entre o amor vivido na Grécia clássica, na Idade Média, no século XVIII e na atualidade.
A partir da primeira metade do século XX, temos sido regidos pelo mito do amor romântico. Este tipo de amor, calcado na idealização do outro e na ideia de fusão entre os amantes, na qual um só tem olhos para o outro, deixa de ser atraente. Está surgindo uma nova dimensão do amor, onde há mais troca e tentativa de um equilíbrio, sem sacrifícios. As fantasias do amor romântico se baseiam na dependência entre os amantes. Por essa razão, elas não conseguem mais satisfazer os anseios daqueles que pretendem se relacionar com seus parceiros como eles são e viver de forma mais independente.
Concordo com o psicanalista Jurandir Freire Costa quando diz que “o amor erótico não é apenas uma atração sexual acompanhada de sentimentos ternos — enlevo, carinho, preocupação, cuidado, dedicação, devoção etc.— ou violentos — desejos de posse exclusiva, ciúmes, desconfianças, rivalidades etc. Pensar no amor dessa maneira já faz parte do aprendizado amoroso, pois significa estar convencido de que ele foi sempre o que é hoje, ou seja, uma emoção sem memória e sem história.”
Acredito que a tendência seja o desejo de viver um amor baseado na amizade. Para isso são necessárias novas estratégias, novas táticas por meio de experiências nunca antes tentadas. O amor romântico começa a sair de cena, levando com ele a idealização do par amoroso, com a ideia dos dois se transformar num só e, consequentemente, a exigência de exclusividade. Com isso, abre-se a possibilidade de se amar e de se relacionar sexualmente com mais de uma pessoa ao mesmo tempo. O poliamor deve ampliar, portanto, o espaço que ocupa na vida amorosa do mundo ocidental.
No poliamor as pessoas podem estabelecer relações íntimas, profundas e eventualmente duradouras com vários (as) parceiros (as) simultaneamente. Poliamor como movimento existe de um modo visível e organizado nos Estados Unidos nos últimos vinte anos, acompanhado de perto por movimentos na Alemanha e Reino Unido. Recentemente, a imprensa começou a cobrir abertamente quer o movimento poliamor em si, quer episódios que lhe são ligados. Em novembro de 2005 realizou-se a Primeira Conferência Internacional sobre Poliamor em Hamburgo, Alemanha.
Nesse tipo de amor uma pessoa pode amar seu parceiro fixo e amar também as pessoas com quem tem relacionamentos extraconjugais ou até mesmo ter relacionamentos amorosos múltiplos em que há sentimento de amor recíproco entre todas as partes envolvidas. Os poliamoristas argumentam que não se trata de procurar obsessivamente novas relações pelo fato de ter essa possibilidade sempre em aberto, mas sim de viver naturalmente tendo essa liberdade em mente. Para eles, o poliamor pressupõe uma total honestidade na relação. Não se trata de enganar nem magoar ninguém. Tem como princípio que todas as pessoas envolvidas estão a par da situação e se sentem confortáveis com ela. A idéia principal é admitir essa variedade de sentimentos que se desenvolvem em relação a várias pessoas, e que vão para além da mera relação sexual.
Nan Wise, uma psicoterapeuta americana que pratica o poliamor, reconhece que é preciso muita estabilidade emocional. Ela é casada com John Wise há 24 anos e os dois mantêm uma relação amorosa com outro casal, Júlio e Amy. Como muitas dessas relações, Nan tem com John sua “relação primária”, e com Júlio e Amy uma relação secundária, termos que servem para atribuir níveis de importância a quem participa de um mesmo grupo.
Embora a relação amorosa entre três ou mais pessoas permaneça à margem da sociedade, os que a praticam são cada vez mais visíveis ao compartilhar sua experiência. Diversos sites oferecem desde dicas para a relação entre poliamantes até músicas, ensaios, artigos de opinião, filmes e literatura de ficção sobre o assunto. A Polyamory Society é uma organização sem fins lucrativos que promove e apóia os interesses de indivíduos com relacionamentos ou famílias múltiplas.
Para a escritora americana Barbara Foster, que estuda o poliamor e o pratica com seu marido há mais de 20 anos, se trata de um movimento social muito importante e que está na moda. Os poliamoristas advertem que essa prática amorosa é uma escolha, assim como é a monogamia, e traz consigo tantos ou mais desafios. Ela definitivamente não é uma solução para um mau casamento ou outros problemas de relacionamento.
Naturalmente, ninguém chega ao poliamor de uma hora para outra, isto é resultado de um longo processo de desenvolvimento pessoal, do qual, por enquanto, poucos são capazes. É necessária toda uma revisão de conceitos, de condicionamentos culturais e emocionais, para ver as coisas a partir de outro paradigma. Entretanto, os poliamoristas também sustentam o direito de qualquer um optar pela monogamia como escolha de vida e acreditam que essa seja a escolha certa para muitas pessoas.
A psicóloga americana Deborah Anapol, autora do livro Polyamory: The New Love Without Limits diz: "Nossa cultura coloca tanta ênfase na monogamia de modo que poucas pessoas se dão conta de que podem decidir sobre quantos parceiros amorosos/sexuais desejam ter. Ainda mais difícil de aceitar é a ideia de que uma relação de múltiplos parceiros possa ser estável, responsável, consensual, enriquecedora e duradoura. Poliamor não é sinônimo de promiscuidade".
É importante ressaltar que o poliamor não é a única forma satisfatória de relacionamento amoroso. Cada pessoa deve ter o direito de escolher a que mais se adapta às suas necessidades e características de personalidade. Mário Polly, um adepto dessa prática, diz que “provavelmente, muitos anos irão passar ainda até que o poliamor seja uma forma de relacionamento universalmente aceita e praticada sem barreiras legais e preconceitos sociais. As pessoas que estão praticando o poliamor atualmente são como desbravadores de um novo continente, abrindo caminhos para chegar onde nenhum homem jamais esteve e tornar realidade a utopia de que novas formas de relacionamento são possíveis como alternativa à antiga ditadura da monogamia compulsória”.
Fonte: Delas
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Os Mandamentos abaixo elencados têm um denominador comum: todos já foram experimentados e estão sendo aplicados em diversas regiões do mundo, setores ou instâncias de atividade. São iniciativas que deram certo, e cuja generalização, com as devidas adaptações e flexibilidade em função da diversidade planetária, é hoje viável. O artigo é de Ladislau Dowbor. (Charge de Santiago).
por Ladislau Dowbor
Como sociedade, desejamos não somente sobreviver, mas viver com qualidade de vida, e porque não, com felicidade. E isto implica elencarmos de forma ordenada os resultados mínimos a serem atingidos, com os processos decisórios correspondentes. Os Mandamentos abaixo elencados têm um denominador comum: todos já foram experimentados e estão sendo aplicados em diversas regiões do mundo, setores ou instâncias de atividade. São iniciativas que deram certo, e cuja generalização, com as devidas adaptações e flexibilidade em função da diversidade planetária, é hoje viável. Não temos a ilusão relativamente à distância entre a realidade política de hoje e as medidas sistematizadas abaixo. Mas pareceu-nos essencial, de toda forma, elencar de forma organizada as medidas necessárias, pois ter um norte mais claro ajuda na construção de uma outra governança planetária. Não estão ordenadas por ordem de importância, pois a maioria tem implicações simultâneas e dimensões interativas. Mas todos os mandamentos deverão ser obedecidos, pois a ira dos elementos nos atingirá a todos, sem precisar esperar a outra vida.
Considerando que a obediência à versão original dos Dez Mandamentos foi apenas aleatória, desta vez o Autor teve a prudência de acrescentar a cada Mandamento uma nota de explicação, destinada em particular aos impenitentes.
I – Não comprarás os Representantes do Povo
Resgatar a dimensão pública do Estado: Como podemos ter mecanismos reguladores que funcionem se é o dinheiro das corporações a regular que elege os reguladores? Se as agências que avaliam risco são pagas por quem cria o risco? Se é aceitável que os responsáveis de um banco central venham das empresas que precisam ser reguladas, e voltem para nelas encontrar emprego?
Uma das propostas mais evidentes da última crise financeira, e que encontramos mencionada em quase todo o espectro político, é a necessidade de se reduzir a capacidade das corporações privadas ditarem as regras do jogo. A quantidade de leis aprovadas no sentido de reduzir impostos sobre transações financeiras, de reduzir a regulação de banco central, de autorizar os bancos a fazerem toda e qualquer operação, somado com o poder dos lobbies financeiros tornam evidente a necessidade de se resgatar o poder regulador do estado, e para isto os políticos devem ser eleitos por pessoas de verdade, e não por pessoas jurídicas, que constituem ficções em termos de direitos humanos. Enquanto não tivermos financiamento público das campanhas, políticas que representem os interesses dos cidadãos, prevalecerão os interesses econômicos de curto prazo, os desastres ambientais e a corrupção.
II – Não Farás Contas erradas
As contas têm de refletir os objetivos que visamos. O PIB indica a intensidade do uso do aparelho produtivo, mas não nos indica a utilidade do que se produz, para quem, e com que custos para o estoque de bens naturais de que o planeta dispõe. Conta como aumento do PIB um desastre ambiental, o aumento de doenças, o cerceamento de acesso a bens livres. O IDH já foi um imenso avanço, mas temos de evoluir para uma contabilidade integrada dos resultados efetivos dos nossos esforços, e particularmente da alocação de recursos financeiros, em função de um desenvolvimento que não seja apenas economicamente viável, mas também socialmente justo e ambientalmente sustentável. As metodologias existem, aplicadas parcialmente em diversos países, setores ou pesquisas.
A ampliação dos indicadores internacionais como o IDH, a generalização de indicadores nacionais como os Calvert-Henderson Quality of Life Indicators nos Estados Unidos, as propostas da Comissão Stiglitz/Sen/Fitoussi, o movimento FIB – Felicidade Interna Bruta – todos apontam para uma reformulação das contas. A adoção em todas as cidades de indicadores locais de qualidade de vida – veja-se os Jacksonville Quality of Life Progress Indicators – tornou-se hoje indispensável para que seja medido o que efetivamente interessa: o desenvolvimento sustentável, o resultado em termos de qualidade de vida da população. Muito mais do que o produto (output), trata-se de medir o resultado (outcome).
III – Não Reduzirás o Próximo à Miséria
Algumas coisas não podem faltar a ninguém. A pobreza crítica é o drama maior, tanto pelo sofrimento que causa em si, como pela articulação com os dramas ambientais, o não acesso ao conhecimento, a deformação do perfil de produção que se desinteressa das necessidades dos que não têm capacidade aquisitiva. A ONU calcula que custaria 300 bilhões de dólares (no valor do ano 2000) tirar da miséria um bilhão de pessoas que vivem com menos de um dólar por dia. São custos ridículos quando se considera os trilhões transferidos para grupos econômicos financeiros no quadro da última crise financeira. O benefício ético é imenso, pois é inaceitável morrerem de causas ridículas 10 milhões de crianças por ano. O benefício de curto e médio prazo é grande, na medida em que os recursos direcionados à base da pirâmide dinamizam imediatamente a micro e pequena produção, agindo como processo anticíclico, como se tem constatado nas políticas sociais de muitos países. No mais longo prazo, será uma geração de crianças que terão sido alimentadas decentemente, o que se transforma em melhor aproveitamento escolar e maior produtividade na vida adulta. Em termos de estabilidade política e de segurança geral, os impactos são óbvios. Trata-se do dinheiro mais bem investido que se possa imaginar, e as experiências brasileira, mexicana e de outros países já nos forneceram todo o know-how correspondente. A teoria tão popular de que o pobre se acomoda se receber ajuda, é simplesmente desmentida pelos fatos: sair da miséria estimula, e o dinheiro é simplesmente mais útil onde é mais necessário.
IV – Não Privarás Ninguém do Direito de Ganhar o seu Pão
Universalizar a garantia do emprego é viável. Toda pessoa que queira ganhar o pão da sua família deve poder ter acesso ao trabalho. Num planeta onde há um mundo de coisas a fazer, inclusive para resgatar o meio ambiente, é absurdo o número de pessoas sem acesso a formas organizadas de produzir e gerar renda. Temos os recursos e os conhecimentos técnicos e organizacionais para assegurar, em cada vila ou cidade, acesso a um trabalho decente e socialmente útil. As experiências de Maharashtra na Índia demonstraram a sua viabilidade, como o mostram as numerosas experiências brasileiras, sem falar no New Deal da crise dos anos 1930. São opções onde todos ganham: o município melhora o saneamento básico, a moradia, a manutenção urbana, a policultura alimentar. As famílias passam a poder viver decentemente, e a sociedade passa a ser melhor estruturada e menos tensionada. Os gastos com seguro-desemprego se reduzem. No caso indiano, cada vila ou cidade é obrigada a ter um cadastro de iniciativas intensivas em mão de obra.
Dinheiro emprestado ou criado desta forma representa investimento, melhoria de qualidade de vida, e dá excelente retorno. E argumento fundamental: assegura que todos tenham o seu lugar para participar na construção de um desenvolvimento sustentável. Na organização econômica, além do resultado produtivo, é essencial pensar no processo estruturador ou desestruturador gerado. A pesca oceânica industrial pode ser mais produtiva em volume de peixe, mas o processo é desastroso, tanto para a vida no mar como para centenas de milhões de pessoas que viviam da pesca tradicional. A dimensão de geração de emprego de todas as iniciativas econômicas tem de se tornar central. Assegurar a contribuição produtiva de todos, ao mesmo tempo que se augmenta gradualmente o salário mínimo e se reduz a jornada, leva simplesmente a uma prosperidade mais democrática.
V – Não Trabalharás Mais de Quarenta Horas
Podemos trabalhar menos, e trabalharemos todos, com tempo para fazermos mais coisas interessantes na vida. A sub-utilização da força de trabalho é um problema planetário, ainda que desigual na sua gravidade. No Brasil, conforme vimos, com 100 milhões de pessoas na PEA, temos 31 milhões formalmente empregadas no setor privado, e 9 milhões de empregados públicos. A conta não fecha. O setor informal situa-se na ordem de 50% da PEA. Uma imensa parte da nação “se vira” para sobreviver. No lado dos empregos de ponta, as pessoas não vivem por excesso de carga de trabalho. Não se trata aqui de uma exigência de luxo: são incontáveis os suicídios nas empresas onde a corrida pela eficiência se tornou simplesmente desumana. O stress profissional está se tornando uma doença planetária, e a questão da qualidade de vida no trabalho passa a ocupar um espaço central. A redistribuição social da carga de trabalho torna-se hoje uma necessidade. As resistências são compreensíveis, mas a realidade é que com os avanços da tecnologia os processos produtivos tornam-se cada vez menos intensivos em mão de obra, e reduzir a jornada é uma questão de tempo. Não podemos continuar a basear o nosso desenvolvimento em ilhas tecnológicas ultramodernas enquanto se gera uma massa de excluídos, inclusive porque se trata de equilibrar a remuneração e, consequentemente, a demanda. A redução da jornada não reduzirá o bem estar ou a riqueza da população, e sim a deslocará para novos setores mais centrados no uso do tempo livre, com mais atividades de cultura e lazer. Não precisamos necessariamente de mais carros e de mais bonecas Barbie, precisamos sim de mais qualidade de vida.
VI – Não Viverás para o Dinheiro
A mudança de comportamento, de estilo de vida, não constitui um sacrifício, e sim um resgate do bom senso. Neste planeta de 7 bilhões de habitantes, com um aumento anual da ordem de 75 milhões, toda política envolve também uma mudança de comportamento individual e da cultura do consumo. O respeito às normas ambientais, a moderação do consumo, o cuidado no endividamento, o uso inteligente dos meios de transporte, a generalização da reciclagem, a redução do desperdício – há um conjunto de formas de organização do nosso cotidiano que passa por uma mudança de valores e de atitudes frente aos desafios econômicos, sociais e ambientais.
No apagão energético do final dos anos 90 no Brasil, constatou-se como uma boa campanha informativa, o papel colaborativo da mídia, e a punição sistemática dos excessos permitiu uma racionalização generalizada do uso doméstico da energia. Esta dimensão da solução dos problemas é essencial, e envolve tanto uma legislação adequada, como sobretudo uma participação ativa da mídia.
Hoje 95% dos domicílios no Brasil têm televisão, e o uso informativo inteligente deste e de outros meios de comunicação tornou-se fundamental. Frente aos esforços necessários para reequilibrar o planeta, não basta reduzir o martelamento publicitário que apela para o consumismo desenfreado, é preciso generalizar as dimensões informativas dos meios de comunicação. A mídia científica praticamente desapareceu, os noticiários navegam no atrativo da criminalidade, quando precisamos vitalmente de uma população informada sobre os desafios reais que enfrentamos. A pergunta a se fazer a cada ato de conusmo, não é só se “é bom para mim”, mas se é bem para o planeta e o bem comum, e buscar um equilíbrio razoável. A opção individual é essencial, mas não suficiente.
Grande parte da mudança do comportamento individual depende de ações públicas: as pessoas não deixarão o carro em casa (ou deixarão de tê-lo) se não houver transporte público, não farão reciclagem se não houver sistemas adequados de coleta. Precisamos de uma política pública de mudança do comportamento individual.
VII – Não Ganharás Dinheiro com o Dinheiro dos Outros
Racionalizar os sistemas de intermediação financeira é viável. A alocação final dos recursos financeiros deixou de ser organizada em função dos usos finais de estímulo e orientação de atividades econômicas e sociais, para obedecer às finalidades dos próprios intermediários financeiros. A atividade de crédito é sempre uma atividade pública, seja no quadro das instituições públicas, seja no quadro dos bancos privados que trabalham com dinheiro do público, e que para tanto precisam de uma carta-patente que os autorize a ganhar dinheiro com dinheiro dos outros. A recente crise financeira de 2008 demonstrou com clareza o caos que gera a ausência de mecanismos confiáveis de regulação no setor. Nas últimas duas décadas, temos saltado de bolha em bolha, de crise em crise, sem que a relação de forças permita a reformulação do sistema de regulação em função da produtividade sistêmica dos recursos. Enquanto não se gera uma relação de forças mais favorável, precisamos batalhar os sistemas nacionais de regulação financeira. O dinheiro não é mais produtivo onde rende mais para o intermediário: devemos buscar a produtividade sistêmica de um recurso que é público.
A Coréia do Sul abriu recentemente um financiamento de 36 bilhões de dólares para financiar transporte coletivo e alternativas energéticas, gerando com isto 960 mil empregos. O impacto positivo é ambiental pela redução de emissões, é anti-cíclico pela dinamização da demanda, é social pela redução do desemprego e pela renda gerada, é tecnológico pelas inovações que gera nos processos produtivos mais limpos. Tem inclusive um impacto raramente considerado, que é a redução do tempo vida que as pessoas desperdiçam no transporte. Trata-se aqui, evidentemente, de financiamento público, pois os bancos comerciais não teriam esta preocupação, nem esta visão sistêmica. (UNEP,Global Green New Deal, 2009). Em última instância, os recursos devem ser tornados mais acessíveis segundo que os objetivos do seu uso sejam mais produtivos em termos sistêmicos, visando um desenvolvimento mais inclusivo e mais sustentável. A intermediação financeira é um meio, não é um fim.
Particular atenção precisa ser dada aos intermediários que ganham apenas nos fluxos entre outros intermediários – com papéis que representam direitos sobre outros papéis – e que têm tudo a ganhar com a maximização dos fluxos, pois são remunerados por comissões sobre o volume e ganhos, e geram portanto volatilidade e pro-ciclicidade, com os monumentais volumes que nos levaram por exemplo a valores em derivativos da ordem de 863 trilhões de dólares em junho de 2008, 15 vezes o PIB mundial. A intermediação especulativa – diferentemente das intermediação de compras e vendas entre produtores e utilizadores finais – apenas gera uma pirâmide especulativa e insegurança, além de desorganizar os mercados e as políticas econômicas (1).
VIII – Não Tributarás Boas Iniciativas
A filosofia do imposto, de quem se cobra, e a quem se aloca, precisa ser revista. Uma política tributária equilibrada na cobrança, e reorientada na aplicação dos recursos, constitui um dos instrumentos fundamentais de que dispomos, sobretudo porque pode ser promovida por mecanismos democráticos. O eixo central não está na redução dos impostos, e sim na cobrança socialmente mais justa e na alocação mais produtiva em termos sociais e ambientais. A taxação das transações especulativas (nacionais ou internacionais) deverá gerar fundos para financiar uma série de políticas essenciais para o reequilíbrio social e ambiental. O imposto sobre grandes fortunas é hoje essencial para reduzir o poder político das dinastias econômicas (10% das famílias do planeta é dono de 90% do patrimônio familiar acumulado no planeta). O imposto sobre a herança é fundamental para dar chances a partilhas mais equilibradas para as sucessivas gerações. O imposto sobre a renda deve adquirir mais peso relativamente aos impostos indiretos, com alíquotas que permitam efetivamente redistribuir a renda. É importante lembrar que as grandes fortunas do planeta em geral estão vinculadas não a um acréscimo de capacidades produtivas do planeta, e sim à aquisição maior de empresas por um só grupo, gerando uma pirâmide cada vez mais instável e menos governável de propriedades cruzadas, impérios onde a grande luta é pelo controle do poder financeiro, político e midiático, e a apropriação de recursos naturais.
O sistema tributário tem de ser reformulado no sentido anti-cíclico, privilegiando atividades produtivas e penalizando as especulativas; no sentido do maior equilíbrio social ao ser fortemente progressivo; e no sentido de proteção ambiental ao taxar emissões tóxicas ou geradoras de mudança climática, bem como o uso de recursos naturais não renováveis (2).
O poder redistributivo do Estado é grande, tanto pelas políticas que executa – por exemplo as políticas de saúde, lazer, saneamento e outras infra-estruturas sociais que melhoram o nível de consumo coletivo – como pelas que pode fomentar, como opções energéticas, inclusão digital e assim por diante. Fundamental também é a política redistributiva que envolve política salarial, de previdência, de crédito, de preços, de emprego.
A forte presença das corporações junto ao poder político constitui um dos entraves principais ao equilíbrio na alocação de recursos. O essencial é assegurar que todas as propostas de alocação de recursos sejam analisadas pelo triplo enfoque econômico, social e ambiental. No caso brasileiro, constatou-se com as recentes políticas sociais (“Bolsa-Família”, políticas de previdência etc.) que volumes relativamente limitados de recursos, quando chegam à “base da pirâmide”, são incomparavelmente mais produtivos, tanto em termos de redução de situações críticas e consequente aumento de qualidade de vida, como pela dinamização de atividades econômicas induzidas pela demanda local. A democratização aqui é fundamental. A apropriação dos mecanismos decisórios sobre a alocação de recursos públicos está no centro dos processos de corrupção, envolvendo as grandes bancadas corporativas, por sua vez ancoradas no financiamento privado das campanhas.
IX – Não Privarás o Próximo do Direito ao Conhecimento
Travar o acesso ao conhecimento e às tecnologias sustentáveis não faz o mínimo sentido. A participação efetiva das populações nos processos de desenvolvimento sustentável envolve um denso sistema de acesso público e gratuito à informação necessária. A conectividade planetária que as novas tecnologias permitem constitui uma ampla via de acesso direto. O custo-benefício da inclusão digital generalizada é simplesmente imbatível, pois é um programa que desonera as instâncias administrativas superiores, na medida em que as comunidades com acesso à informação se tornam sujeitos do seu próprio desenvolvimento. A rapidez da apropriação deste tipo de tecnologia até nas regiões mais pobres se constata na propagação do celular, das lan houses mais modestas. O impacto produtivo é imenso para os pequenos produtores que passam a ter acesso direto a diversos mercados tanto de insumos como de venda, escapando aos diversos sistemas de atravessadores comerciais e financeiros. A inclusão digital generalizada é um destravador potente do conjunto do processo de mudança que hoje se torna indispensável.
O mundo frequentemente esquece que 2 bilhões de pessoas ainda cozinham com lenha, área em que há inovações significativas no aproveitamento calórico por meio de fogões melhorados. Tecnologias como o sistema de cisternas do Nordeste, de aproveitamento da biomassa, de sistemas menos agressivos de proteção dos cultivos etc., constituem um vetor de mudança da cultura dos processos produtivos. A criação de redes de núcleos de fomento tecnológico online, com ampla capilaridade, pode se inspirar da experiência da Índia, onde foram criados núcleos em praticamente todas as vilas do país. O World Economic and Social Survey 2009 é particularmente eloquente ao defender a flexibilização de patentes no sentido de assegurar ao conjunto da população mundial o acesso às informações indispensáveis para as mudanças tecnológicas exigidas por um desenvolvimento sustentável.
X – Não Controlarás a Palavra do Próximo
Democratizar a comunicação tornou-se essencial. A comunicação é uma das áreas que mais explodiu em termos de peso relativo nas transformações da sociedade. Estamos em permanência cercados de mensagens. As nossas crianças passam horas submetidas à publicidade ostensiva ou disfarçada. A indústria da comunicação, com sua fantástica concentração internacional e nacional - e a sua crescente interação entre os dois níveis - gerou uma máquina de fabricar estilos de vida, um consumismo obsessivo que reforça o elitismo, as desigualdades, o desperdício de recursos como símbolo de sucesso. O sistema circular permite que os custos sejam embutidos nos preços dos produtos que nos incitam a comprar, e ficamos envoltos em um cacarejo permanente de mensagens idiotas pagas do nosso bolso. Mais recentemente, a corporação utiliza este caminho para falar bem de si, para se apresentar como sustentável e, de forma mais ampla, como boa pessoa. O espectro eletromagnético em que estas mensagens navegam é público, e o acesso a uma informação inteligente e gratuita para todo o planeta, é simplesmente viável. Expandindo gradualmente as inúmeras formas alternativas de mídia que surgem por toda parte, há como introduzir uma cultura nova, outras visões de mundo, cultura diversificada e não pasteurizada, pluralismo em vez de fundamentalismos religiosos ou comerciais.
O fato que mais inspira esperança é a multiplicação impressionante de iniciativas nos planos da tecnologia, dos sistemas de gestão local, do uso da internet para democratizar o conhecimento, da descoberta de novas formas de produção menos agressivas, de formas mais equilibradas de acesso aos recursos. O Brasil neste plano tem mostrado que começar a construir uma vida mais digna para o “andar de baixo”, para os dois terços de excluídos, não gera tragédias para os ricos. Inclusive, numa sociedade mais equilibrada, todos passarão a viver melhor. Tolerar um mundo onde um bilhão de pessoas passam fome, onde 10 milhões de crianças morrem anualmente de causas ridículas, e onde se dilapidam os recursos naturais das próximas gerações, em proveito de fortunas irresponsáveis, já não é possível.
Nesta época interativa, o Altíssimo declarou-se disposto a considerar outros Mandamentos. Sendo o Secretariado do Altíssimo hoje bem equipado, os que por acaso tenham sugestões ou necessitem consultar documentos mais completos, poderão se instruir com outros Assessores, em linha direta sob www.criseoportunidade.wordpress.com. Críticas, naturalmente, deverão ser endereçadas a Instâncias Superiores. Apreciações positivas e sugestões de outros Mandamentos poderão ser enviadas ao blog acima citado, ou no e-mail ladislau@dowbor.org
NOTAS
(1) BIS Quarterly Review, December 2008, Naohiko Baba et al., www.bis.org/publ/qtrpdf/r_qt0812b.pdf p. 26: “In November, the BIS released the latest statistics based on positions as at end-june 2008 in the global over-the-counter (OTC) derivatives markets. The notional amounts outstanding of OTC derivatives continued to expand in the first half of 2008. Notional amounts of all types of OTC contracts stood at $863 trillion at the end of June, 21% higher than six months before”. São 863 trilhões de dólares de derivativos emitidos, frente a um PÌB mundial de cerca de 60 trilhões.
(2) Susan George traz uma ilustração convincente: um bilionário que aplica o seu dinheiro com uma conservadora remuneração de 5% ao ano, aumenta a sua fortuna em 137 mil dólares por dia. Taxar este tipo de ganhos não é “aumentar os impostos”, é corrigir absurdos.
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Bem-vindos à era das crianças por controle remoto
por Leonardo Sakamoto
- Vai já para trás do seu irmão!
Gritou a mãe. E o rapazinho, do alto dos seus cinco ou seis anos, acelerou o seu sedan de brinquedo e foi para perto do irmão, que passeava em um reluzente esportivo azul. Procurei os pés dele empurrando o carro por baixo, no melhor estilo Flinstones, ou mesmo algum pedal. Nada. O brinquedinho era elétrico.
Neste domingo, fui andar de bicicleta no Parque do Povo, aqui na capital paulista, para ver se conseguia reduzir a quantidade de Sakamoto no mundo. O lugar é agradável mas, de fato, não é o “povo” em seu significado mais amplo que o freqüenta e sim uma parte mais abonada dele. Apesar de aberto a todos, não reúne uma pluralidade comparável com a do Ibirapuera, sendo praticamente um reduto da classe média alta que vive em seu entorno. O que não é uma crítica a ele ou a seus freqüentadores. Mas são poucos os lugares em que encontraria uma quantidade perceptível de crianças andando nesses triciclos high-tech.
Quando pequeno, tive um velotrol de plástico, assento rosa e guidão branco e azul, com umas fitinhas que enfeitavam os manetes. A motorização ficava na base dos dois sapatinhos pretos que eu usava por conta do pé chato. Se na minha infância existia um mimo elétrico como esse, eu nunca vi. E mesmo se tivesse visto meus pais não teriam dinheiro para comprá-lo.
Ainda bem. Fico imaginando a geração de crianças que vai crescer com um carrinho elétrico. Certamente, farão menos exercícios que seus amigos que andam de triciclos, serão menos saudáveis – fisicamente falando. Brinquei muito de videogame quando criança, mas também andava de bicicleta, descia a rua com carrinho de rolimã, empinava pipa, jogava taco. Creio que meus pais conseguiram balancear bem os dois tipos de atividades e eu tive sorte de crescer em um bairro afastado do centro, em que a rua me pertencia mais do que eu aos muros da minha casa.
Contando a história a um amigo ele me revelou que o buraco é mais embaixo, pois em lojas especializadas já é possível encontrar esses mesmos carrinhos elétricos com controle remoto. Ou seja, pais guiando os filhos a um toque de botão. Fico sem entender se isso faz parte da paranóia de segurança urbana ou de uma definição de “conforto” que não entra no meu dicionário porque esbarra no significado de “bom senso”. Ou ainda de um tipo de prazer em considerar o próprio filho ou filha um brinquedinho – talvez compensando alguma carência de infância. E eu que achava estranhas aquelas cordinhas presas ao cinto da criança com um sistema de recolhimento de cabo semelhante aos usados para levar os totós para passear.
Talvez isso não tenha nenhum efeito na formação da criança, talvez seja inofensivo. Mas se já é estranho privar a criança de um mínimo de exercício físico, é mais esquisito ainda privá-la da autonomia de guiar o seu carrinho. Que tipo de pessoas estamos gerando com isso? Cidadãos mais obedientes, com uma vida assepticamente programada?
fonte: Blog do Sakamoto
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O Conversa Afiada reproduz a sugestão do amigo navegante IRR:
Enviado em 22/02/2010 às 13:58
Em tempo, um vídeo curtinho e de uma mensagem muito forte.
Fala para pq a mídia é o que é (uma oligarquia) e não o que os desavisados pensam que elas são. E sobre o direito a comunicação e liberdade.
Intervozes – Levante sua voz
http://vimeo.com/7459748
É um vídeo muito bom, vale a pena você colocar aqui para seus leitores. Fala inclusive das principais famílias, políticos que tem o direito a de*formar opiniões no Brasil.
Intervozes – Levante sua voz from Pedro Ekman on Vimeo.
(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista
Fonte: Conversa AfiadaAcesse o novo Boca no Trombone, o 2! [www.muitasbocasnotrombone2.blogspot.com]
Paulistanos reprovam educação pública da cidade de São Paulo, revela pesquisa Ibope
por Simone Harnik, no UOL
Em São Paulo
A educação da cidade de São Paulo merece nota vermelha, na opinião dos paulistanos. Ela recebeu nota 5, em uma escala de 1 a 10 (a média seria 5,5), de acordo com uma pesquisa do Ibope Inteligência, feita a pedido do Movimento Nossa São Paulo.
Os dados foram divulgados nesta terça-feira (19) e fazem parte do Irbem (Indicadores de Referência de Bem-Estar no Município). A ideia é medir o nível de satisfação dos moradores da cidade.
A presença de manifestações culturais nas escolas também foi considerada insuficiente pelos entrevistados, e recebeu nota média de 5 pontos. Já a inclusão de portadores de deficiências na rede escolar foi considerada ainda pior: a nota média da cidade foi de 4,3.
A sensação de desigualdade também paira no ambiente escolar. Os paulistanos se mostraram insatisfeitos com o acesso à rede, e deram nota 4,3 para o quesito.
Somente entre os usuários da educação e suas famílias, a opinião é mais favorável aos serviços municipais. Veja as médias na tabela ao lado.
O objetivo do Irbem é formar um conjunto de indicadores que servirão para que a própria sociedade civil, governos, empresas e instituições conheçam as condições e os modos de vida dos cidadãos.
Na primeira fase do processo de formulação do índice foi realizada uma consulta pública pela internet que contou com a participação de 37 mil cidadãos de toda São Paulo. Eles informaram que itens consideravam importantes para a pesquisa.
Com isso, foi realizada uma consulta de 2 a 16 de dezembro de 2009, com 1.512 habitantes de São Paulo com 16 anos ou mais. O Ibope Inteligência, responsável pela medição, estima que a margem de erro seja de três pontos percentuais para cima ou para baixo.
Fonte: Viomundo
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Insatisfeitos, 57% dos paulistanos deixariam SP se pudessem, diz pesquisa
por Arthur Guimarães
Do UOL Notícias
Em São Paulo
Um estudo encomendado pelo Movimento Nossa São Paulo ao Ibope mostra que a falta de qualidade de vida na metrópole está aborrecendo cada vez mais a população paulistana. Como indica a análise, problemas como a palpitante violência, a carência nos serviços públicos e a falta de consciência coletiva transformam a capital em um lugar quase insuportável.
Dentre as informações tabuladas, um dos dados mais chocantes aponta que 57% dos habitantes mudariam de município se pudessem.
Divulgada nesta terça-feira (19), a pesquisa por amostragem foi feita em dezembro do ano passado e entrevistou 1.512 pessoas, cobrindo todas as regiões de São Paulo e mesclando perfis variados em relação ao sexo, grau de instrução, cor, estado civil e renda.
Com base em itens referentes à qualidade de vida sugeridos por quase 40 mil pessoas, os entrevistados fizeram um diagnóstico da relação que estabelecem com São Paulo. No geral, em uma escala de 1 a 10, os paulistanos deram, em média, a nota 4,8 para avaliar o grau de satisfação com a capital. Dos 174 temas sondados, apenas 39 tiveram "nota azul".
Para Oded Grajew, membro da secretaria executiva da entidade e um dos responsáveis pelo trabalho, a quadro é alarmante - e totalmente previsível. "A maioria dos nossos governantes é representante de seus financiadores de campanha, que normalmente são grupos ligados à especulação imobiliária, que fazem a cidade crescer sem organização", diz.
Além disso, segundo Grajew, a sobrecarga na infraestrutura, a preferência pelo transporte individual e o abandono dos pobres agravam a sensação de caos urbano. "É um lugar com dois rios enormes e sujos, uma poluição tremenda e uma baita insegurança. Quem quer viver assim?", questiona.
Como ele explica, a pesquisa serve exatamente para mostrar o tamanho do problema e pedir ações práticas das autoridades. "Se depender da prefeitura, não ficamos sabendo o nível em que está a situação. Há inclusive uma lei, a 14.173/06, que obriga a administração municipal a divulgar uma série de dados sobre o funcionamento de São Paulo, como tempo de espera em ônibus e hospitais. Mas nem isso é cumprido", afirma.
Segundo ele, já que não há movimentação por parte dos políticos, a sociedade civil organizada está dando um jeito de refletir sobre o quadro. "Cabe a nós fazer esse alertas. Nosso objetivo é dar instrumentos para a população avaliar se a gestão pública está melhorando ou não a qualidade de vida das pessoas", diz.
Para a íntegra da pesquisa, clique aqui
por Luiz Carlos Azenha
Moro em São Paulo. E sei, por experiência pessoal, que os paulistanos não estão satisfeitos com a vida que levam na cidade.
Uma pesquisa recente, feita pelo Ibope para o Movimento Nossa São Paulo (leia aqui), mostra que há espaço para uma candidatura corajosa, que esteja disposta a mostrar o mau gerenciamento ou a falta de gerenciamento que é a política oficial dos governos do PSDB/DEM em São Paulo. Não é que não haja governo: há governo para fazer uma ponte bonita sobre o rio Pinheiros para aparecer nos telejornais da TV Globo. Pouco importa que o rio seja podre e o trânsito horrível. Importa o cenário.
Pela pesquisa divulgada segunda-feira, os paulistanos dão nota 5 para a educação pública e 3,8 para a segurança pública; mais de 70% desaprovam a saúde pública e 77% desaprovam o tempo médio de deslocamento na cidade, que é de 2 horas e 43 minutos por dia. Se tivessem chance, 57% dos paulistanos deixariam a cidade.
A pesquisa se refere apenas aos moradores da região metropolitana de São Paulo. Sabemos que os eleitores do interior de São Paulo são mais conservadores, mas uma fatia deles também reclama dos serviços públicos, especialmente dos pedágios. No entorno da capital temos o chamado cinturão vermelho, onde um candidato de oposição à hegemonia PSDB/DEM no estado tem futuro.
Mas esse candidato precisa dizer aos eleitores que São Paulo não é assim por acaso, mas por causa de um modelo de administração que privilegia determinados interesses -- na capital, a especulação imobiliária e o automóvel --, enquanto abandona à própria sorte grande parte dos paulistas e paulistanos, como se vê quando as enchentes atingem bairros pobres.
Esse modelo está apenas se aprofundando. Em vez de dar prioridade absoluta ao transporte público, as grandes obras do atual governador contemplam o automóvel: a ampliação da marginal e do Rodoanel, que em breve serão inauguradas com grande fanfarra. Na marginal, o governador atrairá um número maior de automóveis para as margens de um rio podre, que transborda. Em vez de atacar de frente os problemas, optou por obras que rendem votos mas adiam a solução para o futuro.
Um governo que privilegia o automóvel e não o ser humano, que cobra impostos de todos mas que governa para alguns: estas são as bases gerais de uma candidatura de oposição em São Paulo. Mas exigem alguém como Ciro Gomes para encarná-la. Alguém que não tema o confronto político. Alguém que não faça campanha tentando se disfarçar de tucano.
Fonte: Viomundo
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Desde quarta-feira, 13 de janeiro, a jornalista Heloisa Villela, correspondente em Washington da TV Record, está no Haiti. Integram a equipe o repórter cinematográfico Joaquim Leite Neto e o produtor Sérgio Bermejo.
Os três voaram da capital dos Estados Unidos para Santiago, na República Dominicana. Daí, prosseguiram a viagem de carro. Foram sete longas horas, com direito a pneu furado, estradas esburacadas e sem asfalto. Os sinais do terremoto surgiram apenas na entrada da capital Porto Príncipe. Estrada rachada, casas tombadas, prédios destruídos. Mas era apenas o começo.
“Dentro da cidade, a realidade é de embrulhar o estômago e cortar o coração. Gente andando para lá e para cá, com malas, cestas, tinas cheias de coisas. Aparentemente, levando o que sobrou, quem sabe para onde”, relata Heloisa Villela, em entrevista ao Viomundo. “ Não sei nem mais que palavras usar para descrever o que acontece, no que se transformou a capital do Haiti. Um amontoado de escombros, de gente perdida, de desesperança.”
Viomundo -- Está hoje no portal do Estadão com informações do jornal O Estado de S. Paulo uma matéria com a seguinte manchete: Sem controle, saqueadores tomam conta no Haiti. É verdade?
Heloisa Villela -- Isso não existe!!! Essa não é realidade no Haiti, inclusive em Porto Príncipe. Querer mostrar que aqui é perigoso, além de leviano e irresponsável, é um desserviço para o trabalho de resgate e de ajuda humanitária. Tanto que todos os jornalistas estão circulando pelas ruas. Mas por conta desse alarme louco de alguns órgaos de imprensa, a ONU não quer deixar médicos e pessoal com caminhões de comida e outras coisas saírem do aeroporto sem escolta. O que, evidentemente, atrapalha e atrasa tudo.
Viomundo -- Será que é o medo que a imprensa branca tem dos pobres e pretos?
Heloisa Villela -- Com certeza, parece. Não passei nenhuma situação de perigo. Só fui bem tratada pelos haitianos, apesar da situação terrível que eles estão enfrentando. Na entrada de carga do aeroporto, deparei com um monte de motoristas da República Dominicana com toneladas de mantimentos. E eles vieram perguntar como conseguir uma escolta. Eu disse a eles que podiam ir sem problema. E eles ficaram mais tranquilos. Quando passaram, fiquei impressionada. Eram cinco caminhões enormes! Imagine se eles ficassem parados...
Viomundo – Você está em Porto Príncipe há uma semana. Antes de chegar, tinha ideia do tamanho da tragédia?
Heloisa Villela – Não! Mas não mesmo! Saí de casa, em Washington, às 5 da manhã de quarta-feira, 12 horas depois do terremoto. E sabia que havia destruição. Mas tanto assim, acho que ninguém ainda imaginava...
Viomundo – No primeiro e-mail que trocamos, na sexta-feira, você disse num trecho: “nós choramos e trabalhamos...” O que te chocou mais quando chegou?
Heloisa Villela – Os corpos… Gente apodrecendo na rua, nas calçadas. Corpos no meio do lixo. Imaginar que a vida termina assim... Quando subimos uma rua do centro da cidade, vimos uma casa funerária destruída mas ainda de pé. Quando cheguei perto, havia mais de 10 corpos lá dentro, meio cobertos com lençóis. Não sai da minha lembrança a imagem que estava ao lado, a cabeça de uma senhora de cabelos grisalhos presos num coque. Uma mulher passou em frente na mesma hora e quase vomitou. Começou a chorar desesperada. Tinha perdido todos os parentes e aquela cena certamente trouxe toda a tristeza e a dor à tona. Eu fiz uma entrevista com ela e quando terminei, também desmoronei.
Mais tarde, fomos a um bairro chamado Petionville, onde mora a classe média alta. Também está no chão. Fomos até uma escola e uma voluntária que trabalha lá nos mostrou o prédio que foi de três andares. Um desabou sobre o outro. Na hora, umas 200 crianças ainda estavam em sala de aula. Essa cena foi difícil aguentar. Olhar no chão peças de quebra-cabeça, cadernos, provas, uniformes…A história da escola realmente acabou comigo...
Viomundo – Que outra imagem te marcou muito?
Heloisa Villela – Eu vi um corpo sendo queimado. Me disseram que era um ladrão. Foi pego em flagrante e a população julgou e condenou na hora.
Viomundo – Em agosto de 2005, você esteve em Nova Orleans, cobrindo o furacão Katrina, outro horror. Daria para fazer um paralelo entre essas duas tragédias?
Heloisa Villela – Andei pensando nisso. É difícil comparar, mas ao mesmo tempo não é. No Katrina, o que deu muita revolta foi ver que as pessoas que morreram no Ninth Ward, uma área bem pobre da cidade, poderiam ter sido salvas. O governo sabia que ia enfrentar um furacão sem precedentes. Mas não disponibilizou ônibus para retirar os moradores que não tinham carro ou saúde para se locomover a pé.
Aqui em Porto Príncipe, dá revolta também, mas fica um pouco mais difícil focar essa raiva. A cidade é um amontoado de gente. A grande maioria, pessoas que vêm em busca de trabalho já que a agricultura foi destroçada e o projeto econômico passou a ser construir fábricas para fazer roupas para os estrangeiros. Todas as griffes famosas, que vendem caríssimo na Quinta Avenida, em Nova York, usam a mão-de-obra barata do Haiti e de outros países. Há a construção precária, barata, a ausência de um código de obras que obrigue as construtoras a fazer casas que resistam a tremores... Como você vê, são várias coisas. É um conjunto de problemas.
Viomundo – O que acha que os haitianos vão pensar depois de tudo isso?
Heloisa Villela – Não sei... Mas tivemos a sorte grande de conhecer um pastor haitiano no caminho, que trouxemos de carro da fronteira para cá. Ele nos apresentou o Pierre, um rapaz que trabalha em vários orfanatos da igreja deles. São 17 orfanatos, com mais de 2.500 crianças no país. Nenhuma morreu!!! O Pierre conversou muito comigo. Lamentava, dizendo: “meu país esta quebrado. Partido”. Mas, em seguida, foi para a política, reclamando que não existe nenhum representante que faça algo pelo povo. Nunca houve. A conclusão dele é de que o Haiti precisa de um outro tipo de político, que atenda às necessidades da população.
Viomundo – Neste momento, o que dói mais?
Heloisa Villela – São os acampamentos gigantescos. As pessoas dormindo em qualquer calçada. Muita gente! É a total desesperança e falta de perspectiva...
Viomundo – Você conseguiu presenciar algum final feliz?
Heloisa Villela – Infelizmente, por enquanto, não. Acompanhamos a tentativa de resgate em uma outra escola. A equipe da República Dominicana, que trabalhava no local, batia nos escombros e ouvia as batidas de volta. Eles estavam entusiasmados e desesperados porque estava muito difícil chegar ao interior do prédio. Não pude ficar para ver o resto da operação porque estava na hora de mandar as imagens do dia para o Brasil, por satélite. Mas assim que ficamos livres novamente, voltei lá e vi dez bolsas plásticas com corpos dentro diante dos escombros…
Viomundo – Desde 2004, o Brasil está no Haiti, integrando a missão de paz das Nações Unidas. O que a população haitiana está achando das tropas brasileiras lá nesta catástrofe?
Heloisa Villela – Por enquanto não tenho nenhuma informação ou observação a este respeito. Tentei dar um pulo na base brasileira para sair com eles [militares brasileiros] pelas ruas, mas encontrei tantas coisas no caminho que acabei não chegando lá. Amanhã, vou tentar novamente. Achei melhor relatar o que está acontecendo com os haitianos em vez de fazer matérias sobre os brasileiros no terremoto do Haiti...
Viomundo – Há informações de que os estadunidenses apoderaram-se do aeroporto de Porto Príncipe e estariam boicotando a aterrissagem de aviões brasileiros e até franceses. É real?
Heloisa Villela – Infelizmente, acho que isso que gera muito ciúme. Mas o fato é que os americanos chegaram em peso, com mais de cinco mil homens e mulheres da marinha, do exército e da aeronáutica. Imediatamente, começaram a arrumar o aeroporto. Ocuparam a torre de controle, com os haitianos, e trouxeram equipamento de rádio, instalado em barracas, próximas da pista, para controlar a chegada e a saída dos vôos. No domingo, por exemplo, dois vôos da FAB estavam listados. Um para chegar pela manhã e outro à tarde. Não sei se pousaram, mas estavam na lista do americano, que respondia pela torre de controle.
Então, realmente não sei se existe boicote. O que eu vi foram vários helicópteros americanos sendo carregados com água e comida enquanto havia sol. Sem parar. Isso, nós temos de admitir, eles sabem e podem fazer muito bem. Têm os equipamentos, o pessoal e o dinheiro. O exército brasileiro, que trabalha duro aqui, até onde eu vi, não havia se mobilizado para restaurar o funcionamento do aeroporto. Os americanos vieram e fizeram o trabalho. E ainda vão fazer muito mais aqui no Haiti, porque eles têm uma população grande de refugiados haitianos em Miami e não querem perder terreno nas Américas. É como disse o sábio Pierre, em uma das longas manhãs, dirigindo para cima e para baixo: “O Chávez [Hugo Chávez, presidente da Venezuela] nos ajudou muito instalando energia elétrica, construindo parques. Os americanos não gostam”.
E é isto mesmo. Os Estados Unidos não querem dar espaço ao Chávez. Por isso vão investir bastante aqui. Se eu fosse haitiana, iria achar ótima a chegada dos americanos e continuaria cultivando a amizade e simpatia dos brasileiros. Usaria toda a ajuda que aparecesse. Então, do ponto de vista deles, que são as vítimas dessa tragédia, ainda bem que os americanos chegaram e o resto do mundo também.
Viomundo – Os Estados Unidos poderiam estar atuando no Haiti desde o início, inclusive com equipes médicas, e não o fizeram. Seria para deixar o caos se estabelecer, depois aparecerem como os salvadores da pátria?
Heloisa Villela – No primeiro momento, acho que ninguém conseguiu ajudar. Era muito caos. Aeroporto fechado, porto danificado… Não sei se dá para dizer que eles podiam ter feito mais e não fizeram. Ninguém fez. Mas acho que essa ajuda é estratégica e humanitária. Dá vontade de vomitar ao ver o Obama chamar o Bush e o Clinton para liderar o fundo de ajuda ao Haiti. Ou seja, todas as políticas erradas adotadas pelos dois terão continuidade na nova administração. Uma pena, mas nenhuma surpresa.
Viomundo – Tem quem diga que o Brasil teria sido escanteado com a chegada dos estadunidenses. Que papel o Brasil desempenha lá agora?
Heloisa Villella – As tropas brasileiras fazem a segurança, como já vinham fazendo. E só poderiam fazer mais se houvesse um incremento de pessoal e equipamentos. Mas diante da imensidão dessa tragédia, não tem o menor sentido essa discussão. Quem faz mais, quem coordena, não me interessa. É como disse uma americana que tem orfanatos aqui: “Entrevista? Não estou interessada. A não ser que vocês tenham comida para as minhas crianças!”
Viomundo – No socorro à população, o que importa é a solidariedade.
Heloisa Villela – Com certeza. Tanto que não vi aqui ainda qualquer discussão sobre a origem de quem está ajudando... Mas parece haver algum tipo de coordenação, que divide as áreas da cidade e entrega para as diferentes equipes. Quem tem uma presença muito marcante, aqui, nas ruas, limpando escombros e trabalhando pesado, são as equipes da República Dominicana, país vizinho do Haiti.
Viomundo – Como está o atendimento dos feridos?
Heloisa Villela – Um caos. Uma tristeza. Tem gente ferida nos acampamentos. Mas os pacientes graves são levados para o hospital, que não tem condição de atender à todo mundo. Várias camas foram improvisadas do lado de fora, onde o sol inclemente não ajuda nada…
Viomundo – Países estão mandando água e alimentos, que não chegam à população como deveriam. Por quê?
Heloisa Villela – Ontem, ouvi na rádio que um depósito de comida da ONU foi invadido pela população e que os americanos, agora, vão fazer a segurança dele. Ainda não vi distribuição de comida nas ruas. Mas vi muita água sendo entregue na rua e jogada do ar, ou entregue em mãos, quando os helicópteros pousam, como foi o caso do voo que eu acompanhei, que também levou caixas com aquela comida do exército. Uma pasta rica em proteína. Mas sei que várias áreas de Porto Príncipe estão intransitáveis. Não se pode passar de carro. Não vi até agora uma organização no sentido de juntar os sobreviventes e desabrigados para facilitar a entrega de água e comida, descobrir quem está vivo e quem está perdido, juntar parentes...
Viomundo – O que vai ser do já tão miserável Haiti?
Heloisa Villela – Impossível de responder. Pobreza e miséria, agora, agravados pela tragédia.No momento, não vejo como essa cidade vai voltar a funcionar, a existir. O país precisa de um mínimo de organização política que nasça de baixo, que realmente represente esse povo. Enquanto a minoria que ganha dinheiro à custa da miséria continuar no poder, o mundo pode ajudar à vontade, mandar muito dinheiro, que a realidade não vai mudar.
Fonte: Viomundo
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“Não há outra solução possível para o mal crônico e profundo do povo senão uma lei agrária que estabeleça a pequena propriedade, e que vos abra um futuro, a vós e vossos filhos, pela posse e cultivo da terra. É preciso que os brasileiros possam ser proprietários de terra, e que o Estado os ajude a sê-lo.”
“A propriedade não tem somente direitos, tem também deveres, e o estado de pobreza entre nós, a indiferença com que todos olham para a condição do povo, não faz honra ao Estado. Eu, pois, se for eleito, não separarei mais as duas questões: a da emancipação dos escravos e a da democratização do solo. Uma é o complemento da outra. Acabar com a escravidão não nos basta; é preciso destruir a obra da escravidão.”
Esses são trechos de um discurso de Joaquim Nabuco, na campanha abolicionista, pronunciado em Recife, na praça de São José do Ribamar, em 5 de novembro de 1884.
Segundo o chanceler Celso Amorim, “ele (Nabuco) levanta pela primeira vez a bandeira de uma lei agrária, a bandeira da constituição da democracia rural”.
Celso Amorim fez nesta segunda feira, na Academia Brasileira de Letras, no Rio, um discurso em homenagem aos cem anos da morte de Joaquim Nabuco.
O título da conferência foi “As duas vidas de Joaquim Nabuco: o reformador e o diplomata”.
A íntegra do excelente pronunciamento de Amorim está aqui.
E ainda temos que ouvir a Kátia Abreu e o Caiado …
Paulo Henrique Amorim
Em tempo: se o amigo navegante admira Nabuco, como este modesto blogueiro, terá cometido o grave erro de folhear o caderno “Mais”, de domingo. É uma homenagem ginasiana a Nabuco. E tenta transformar Nabuco em refém de uma boutade de Mario de Andrade, que cunhou a expressão “moléstia de Nabuco”, para designar o deslumbramento da elite brasileira com a Europa. Só que Nabuco, aristocrata, fez mais para o Brasil encarar de frente as suas moléstias, como a escravidão, do que o “brasileirismo” de Mario de Andrade ou sua desvairada paulicéia.
Fonte: Conversa Afiada
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Com a chuva da madrugada, a cidade de São Paulo voltou ao normal, esta manhã: é o caos.
O engarrafamento é generalizado.
As avenidas marginais desertas, porque os acessos ficaram interditados.
O Vale do Anhangabaú encheu.
O nível dos rios subiu perigosamente.
As obras do Zé Alagão à beira dos rios são um crime ambiental, que ninguém pune.
Casas inundadas.
O rio Tamanduateí saiu do leito.
O córrego Ipiranga idem.
Como a Prefeitura não recolhe o lixo, o espetáculo de sujeira nas ruas é haitiano.
A Central de Abastecimento, a CEAGESP, está completamente alagada – a distribuição de comida será comprometida.
Moradores usam barcos infláveis para andar nas ruas.
Na TV Record, o programa local mostra imagens dramáticas.
Nos intervalos, dois comerciais do “São Paulo trabalhando (sic) por você”.
Desde o início da chuva no início de dezembro, já morreram 52 pessoas em São Paulo, por causa da inépcia das autoridades.
O Governo de Zé Alagão afogou-se.
Paulo Henrique Amorim
Em tempo: grande engarrafamento na Rodovia Dutra a caminho de São Paulo. Caminhoneiro não venha para São Paulo.
Fonte: Conversa Afiada
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Brasil 2002. Direção: Helvécio Ratton, produção: Simone Magalhães Matos, argumento e roteiro: Jorge Durán e Helvécio Ratton.
por Alessandro Piolli
Uma onda no ar é a história da criação e do desenvolvimento da Rádio Favela de Belo Horizonte - "a voz livre do morro", como a chamavam seus idealizadores. A rádio pirata entrava no ar todos os dias no horário do programa estatal A Voz do Brasil. A tática e o amplo alcance dos transmissores da rádio, que mandavam suas ondas bem além da favela, incomodavam as autoridades. Jorge, um dos idealizadores da Rádio, que é negro e morador da favela, acaba sendo perseguido e preso pela polícia. Atrás das grades, é questionado por outro detento sobre como foi criação da Rádio... Começa uma história de luta, resistência cultural e política contra o racismo e a exclusão social, em que a população da favela encontra uma importante arma: a comunicação.
As músicas escolhidas para o filme mostram uma atenção especial da rádio em valorizar a diversidade da cultura afro na América e sua força como mecanismo de protesto. Quem assiste o filme pode apreciar desde o rap nacional dos Racionais MCs, passando pelo break, o samba, o blues, o funk, a música da gente dos morros, até o berimbau da capoeira. As descontinuidades temporais de algumas cenas são marcadas por músicas que também tem o papel de estabelecer conexão entre diferentes universos tratados no filme: a política, a polícia, a favela, a escola, a rádio e o crime.
A Rádio desempenha outros importantes papéis como, por exemplo, o de promover a comunicação dentro e fora da favela. As vozes de protesto aparecem de maneira bem direta, pedindo mais verbas para geração de empregos, melhorias nas escolas e menos dinheiro para armar a polícia. Essa programação, "afinada" com a população excluída, aparece nas falas dos locutores como expressão do descontentamento sobre a condição da população pobre. A utilização desse meio de comunicação para se promover mudanças positivas rendeu um prêmio das Nações Unidas à Rádio Favela, pelo seu papel educativo e de prevenção ao uso e tráfico de drogas.
O racismo é mostrado em diferentes espaços. Um dos episódios mais marcantes de discriminação racial acontece na escola. Jorge tinha uma bolsa para estudar num colégio da elite de Belo Horizonte, pois sua mãe era a faxineira da escola. Durante a apresentação de um seminário sobre a libertação dos escravos, os alunos afirmam que a Lei Áurea teria resolvido de forma definitiva a questão do negro na história do país. Ele discorda, dizendo que Lei Áurea não representou efetivamente a liberdade para o negro, questionando a situação dos descendentes dos escravos no atual contexto.
O desenrolar desse episódio, ao mesmo tempo em que despertou raiva, estimulou o rapaz a refletir sobre sua luta. O racismo, mascarado pela idéia de que no Brasil não existe discriminação racial e a condição de exclusão social, da qual ainda partilha boa parte da população negra, foram alguns dos principais motivos que estimularam a iniciativa da criação da rádio.
A possibilidade do cinema interferir na construção da identidade do negro, devido à visibilidade que esse veículo proporciona, tem gerado importantes discussões sobre produções que abordam a questão. O filme Cidade de Deus, por exemplo, apesar de ser muito elogiado pela crítica cinematográfica, é alvo de severas críticas de lideranças da favela que inspirou o filme. O raper MV Bill protestou, na ocasião do lançamento, em rádios e jornais, contra a imagem estereotipada que, segundo ele, aumenta o preconceito e não auxilia na transformação da realidade, referindo-se às cenas de assassinato a sangue frio, às crianças com armas na mão e outras imagens de violência escolhidas para mostrar a realidade na favela.
Já o criador da Rádio Favela, Misael Avelino dos Santos, considera Uma Onda no Ar um contraponto importante à visão apresentada em Cidade de Deus. Apesar de o filme, segundo Misael, atenuar cenas de violência da polícia, ele o elogiou por "tocar o som da vitória" mostrando que existem possibilidades para a superação dos problemas das favelas.
::Mudamos!
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Será que o governador quer que a gente acredite que ele não sabe o que assina?
Serra: "Como assim banda lerda? Tá até rápida demais pra esse povão devagar"
Kassab:"Chefinho, melhor teria sido uma banda a lenha!"
Serra e o "mico" da banda-larga
do blog de Brizola Neto
Hoje de manhã, o Governo paulista começou a tomar “enérgicas providências”, ao se surpreender com o que a gente disse aqui no mesmo dia em que a medida foi anunciada: o plano de banda-larga popular de José Serra era pura balela. Hoje de manhã, a Folha Online anuncia as “ameaças” do governo Serra à Telefônica:
“Única operadora a vender planos de internet pelo programa “Banda Larga Popular”, a Telefônica perderá a isenção de ICMS concedida pela Secretaria da Fazenda de São Paulo caso obrigue o consumidor a pagar assinatura telefônica para ter acesso à internet pelo programa. A informação foi confirmada pela secretaria e pela assessoria do governo paulista”
Claro que, para não deixar pior do que já é o “mico” que o Governador José Serra pagou, a matéria afirma que Serra ” disse que as prestadoras não poderiam cobrar assinatura telefônica de novos clientes, vinculando os dois serviços”.
Conversa fiada. Leiam o texto (clique aqui) da mesma Folha sobre o anúncio da medida e veja se há uma palavra sobre isso. Diz, apenas, que não seria cobrado o modem e a instalação, o que operadora nenhuma mais cobra hoje.
O valor real da banda-larga popular de José Serra é tão absurdo que a própria Folha, hoje, publica o que já mostramos aqui: nem precisa de isenção de impostos para cobrar mais barato. Leia só:
“O pacote de voz mais econômico da Telefônica custa R$ 24,90 por mês. Somando-se aos R$ 29,80 da banda larga popular, resultaria em R$ 54,70 mensais. A NET já vende banda larga, voz e TV por R$ 39,90 e deverá começar a vender em novembro o seu pacote popular por R$ 29,80.”
Eu republico aí do lado o anúncio da Vivo, oferecendo internet sem fio a R$ 49,90, com desconto para R$ 24,95 nos três primeiros meses. Tudo com imposto e mais barato que a “bandinha” de Serra.
Será que os responsáveis pelo ato oficial (veja aqui o decreto) não sabiam que haveria necessidade de ser assinante do serviço? Então porque escreveram, no item 4 do artigo 5° que o serviço:
“deverá estar disponível a todos os assinantes da prestadora, salvo nos casos em que haja inviabilidade técnica;”
Que assinantes? Claro que assinantes da linha telefônica, ou seriam os assinantes da revista “Ternura”? A única restrição prevista ali (art. 4°) seria a cobrança de serviços de provedor de internet à parte. Será que as autoridades que negociaram uma isenção de impostos (dinheiro público!) não se preocuparam em perguntar à Telefônica o óbvio: “vem cá, vocês não vão obrigar a pessoa a comprar uma linha de telefone, não é?”
A banda do Serra não era tão larga assim, mas as pernas da mentira são curtas, bem curtinhas.Brizola Neto: A "bandinha" de Serra
O Conversa Afiada publica texto enviado pela Tia Carmela:
Serra cria o Mensalão da Banda Lerda
Com ciúme do Programa Internet Para Todos, do governo federal, e preocupado com a perda de receita de seus amigos espanhóis da Telefonica, que ganharam a telefonia de SP de seu amigo FHC, o Maior de Todos os Brasileiros resolveu dar um dinheirinho para cobrir o rombo da perda de assinantes do serviço de internet banda larga (Speedy). A Telefonica anda em baixa porque a própria ANATEL foi obrigada a admitir que o serviço prestado era de qualidade tão ruim que teve sua comercialização proibida.
Seguindo as práticas cleptotucanas usuais de solidariedade com os amigos, o Presidente de Nascença lançou um programa cujo é-di-tal foi elaborado de tal forma que apenas a Telefonica poderia se habilitar.
Pelo programa, já batizado de Mensalão da Banda Lerda a Telefonica continuará prestando serviço de qualidade inferior, uma pseudo-banda larga (250 Kb), e cobrando preços parecidos com o que já cobra. Mas deixará de pagar ICMS.
A população de São Paulo já organiza um grande ato de júbilo em homenagem ao Mais Preparado dos Políticos, como forma de agradecer a mais essa grande decisão de estadista.
Comentário da Tia Carmela: O Zezinho sempre gostou de ajudar seus amiguinhos espanhóis. Lá na rua dele, na Móoca, tinha o Pepe, que era filho do seu Salvador, um espanhol que vendia pão de bicicleta de manhã cedo. O Zezinho gostava muito do Pepe, porque ele sempre ajudava o Zezinho quando ele se metia em encrenca. Eles tinham um acordo: quando um estava precisando de dinheiro pra comprar doce, o outro pagava. Acontece que o Pepe era um menino muito guloso e sempre tirava vantagem. Pagava umas balinhas do Zezinho e na hora de tomar sorvete, que era mais caro, arrumava um jeito do Zezinho pagar…
Fonte: Conversa AfiadaSerra cria o Mensalão da Banda Lerda
Ainda sobre os animais da UNIBAN
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por Rodrigo Vianna
Parece piada pronta: o Democratas - eterno PFL - vai aproveitar o feriado do Dia dos Mortos para reunir a Juventude do partido, em Blumenau (SC).
É verdade. Um leitor me mandou o texto. Está no blog da Juventude do DEM - http://www.juventudedemocratas.org.br/default.asp.
Heráclito Fortes: DEM esbanja juventude no Piauí
Veja o que diz o texto do DEM:
"(...) é claro, vai ter também muita festa. Primeiro, por que para o jovem a política significa fazer novos amigos."
Ah, que bonitinho. Eles vão fazer amigos no Dia dos Mortos!
Outro trecho:
"Para muitos que sairão de canto distantes do país e que já mantem contato pelas redes na internet, o evento é a oportunidade conhecer cara-a-cara os parceiros de militância política. Sem contar que Blumenau é nada mais, nada menos, do que a terra da OktoberFest. Na organização geral, está a moçada de Santa Catarina, que montou um verdadeiro quartel-general para que absolutamente todo detalhe corra bem."
Quartel-general. Disso, a turma do DEM entende - desde 64.
Jorge "vamos acabar com essa raça" Bornhausen integra a juventude demo? E o Heráclito Fortes?
Serra não foi convidado. O DEM acha que o governador de São Paulo anda meio mortão...
O Marcelo Tas (aquele do CQC - programa de humor) estará lá. Vai animar a festinha em Blumenau. E isso não é piada, tá no site do partido. O Tas virou palestrante demo.
Ótimo programa pro Dia dos Mortos...
Fonte: O Escrevinhador
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Demo aproveita Dia dos Mortos pra reunir juventude
Werneck: Eleição de 2010 não muda hegemonia
Seguiremos em marcha até que todas sejamos livres
Em 2010, a Marcha Mundial das Mulheres vai organizar sua terceira ação internacional. Ela será concentrada em dois períodos, de 8 a 18 de março e de 7 a 17 de outubro, e contará com mobilizações de diferentes formatos em vários países do mundo. O primeiro período, que marcará o centenário do Dia Internacional das Mulheres, será de marchas. O segundo, de ações simultâneas, com um ponto de encontro em Sud Kivu, na República Democrática do Congo, expressará a solidariedade internacional entre as mulheres, enfatizando seu papel protagonista na solução de conflitos armados e na reconstrução das relações sociais em suas comunidades, em busca da paz.
O tema das mobilizações de 2010 é “Seguiremos em marcha até que todas sejamos livres”, e sua plataforma se baseia em quatro campos de atuação sobre os quais a Marcha Mundial das Mulheres tem se debruçado. Os pontos são: Bem comum e Serviços Públicos, Paz e desmilitarização, Autonomia econômica e Violência contra as mulheres. Cada um desses eixos se desdobra em reivindicações que apontam para a construção de outra realidade para as mulheres em nível mundial.
Estão previstas também atividades artísticas e culturais, caravanas, ações em frente a empresas fabricantes de armamentos e edifícios da ONU, manifestações de apoio às ações da MMM em outros países e campanhas de boicote a produtos de transnacionais associadas à exploração das mulheres e à guerra.
No Brasil
A ação internacional da Marcha Mundial das Mulheres no Brasil acontecerá entre os dias 8 e 18 de março e será estruturada no formato de uma marcha, que vai percorrer o trajeto entre as cidades de Campinas e São Paulo. Serão 3 mil mulheres, organizadas em delegações de todos os estados em que a MMM está presente, numa grande atividade de denúncia, reivindicação e formação, que pretende dar visibilidade à luta feminista contra o capitalismo e a favor da solidariedade internacional, além de buscar transformações reais para a vida das mulheres brasileiras.
Serão dez dias de caminhada, em que marcharemos pela manhã e realizaremos atividades de formação durante à tarde. A marcha será o resultado de um grande processo de mobilização dos comitês estaduais da Marcha Mundial das Mulheres, que contribuirá para sua organização e fortalecimento. Pretendemos também estabelecer um processo de diálogo com as mulheres das cidades pelas quais passaremos, promovendo atividades de sensibilização relacionadas à realidade de cada local.
Para participar
A mobilização e organização para a ação internacional da Marcha Mundial das Mulheres no Brasil já começou. Entre os dias 15 e 17 de maio, a Marcha realizou um seminário nacional, do qual participaram militantes de 19 estados (AM, AP, AL, BA, CE, DF, GO, MA, MS, MG, PA, PB, PE, PR, RJ, RN, RO, RS e SP), além de mulheres representantes de movimentos parceiros como ANA, ASA, AACC, CONTAG, MOC, MST, CUT, UNE e Movimento das Donas de Casa). Este seminário debateu e definiu as diretrizes da ação de 2010.
Os comitês estaduais da MMM saíram deste encontro com tarefas como arrecadação financeira, seminários e atividades preparatórias de formação e mobilização, na perspectiva de fortalecimento dos próprios comitês e das alianças entre a Marcha Mundial das Mulheres e outros movimentos sociais. Neste momento, estão sendo realizadas plenárias estaduais para a formação das delegações e organização da atividade.
Para participar, entre em contato com a Marcha Mundial das Mulheres em seu estado (no item contatos) ou procure a Secretaria Nacional, no correio eletrônico marchamulheres@sof.org.br ou telefone (11) 3819-3876.
"Material do ENEM é roubado na gráfica da Folha, que filma tudo mas não age; tumultos em trens da Central do Brasil resultaram de sabotagem; PSDB 'vaza'dossiê contra Petrobrás feito por consultoria das petroleiras multinacionais; mídia martela cenas de ação inexplicável do MST no interior de SP; atraso na devolução do IR é noticiado pelo Globo como 'punição' contra classe média"
Caro (a) parceiro (a) do Movimento Nossa São Paulo:
Estamos próximos de conseguir a lei que permitirá a instalação do Conselho de Representantes em cada uma das 31 subprefeituras de São Paulo, mas para que isto realmente aconteça precisamos muito de seu apoio e participação.
É importante que todas as entidades, as organizações sociais e os movimentos populares que defendem a descentralização administrativa e uma maior participação da sociedade civil na definição das prioridades da cidade façam a adesão à Frente Pela Implementação do Conselho de Representantes nas Subprefeituras.
O Conselho de Representantes terá um importante papel para melhorar a gestão de cada distrito, acompanhar o Plano de Metas e debater o Plano Diretor e o orçamento municipal. Também ajudará outros conselhos temáticos a viabilizarem suas propostas.
Para aderir à frente clique aqui ou acesse o site do Movimento Nossa São Paulo (www.nossasaopaulo.org.br).
Aproveitamos para convidá-lo (a) para a próxima reunião da frente, que acontece na terça-feira, dia 13 de outubro, às 19 horas, no Auditório Prestes Maia, no 1º andar da Câmara Municipal de São Paulo.
Segue anexo o projeto de lei que foi debatido e aprovado em reuniões anteriores da frente e que será entregue ao Secretário Especial de Relações Governamentais, Antonio Carlos Rizeque Malufe, na próxima sexta-feira (9/10), como sugestão para que o Conselho de Representante se torne uma realidade em São Paulo.
Outras informações sobre a frente e o movimento pela implantação do Conselho de Representantes poderão ser conferidas no site do Movimento Nossa São Paulo.
Contamos com seu apoio e adesão.
Atenciosamente,
Grupo de Trabalho Democracia Participativa e Grupo de Trabalho Jurídico do
Movimento Nossa São Paulo
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Serra celebra o Rio 2016!
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O ghee é a gordura derivada do leite, após total remoção de suas partes sólidas e da água. É a essência do leite, sua parte mais secreta.
Além de saboroso acompanhamento de pães e biscoitos, o GHEE é um excelente óleo de cozinha, sendo indicado como um substituto saudável da manteiga e dos óleos.
O GHEE apresenta ligações químicas estáveis entre suas moléculas, o que torna difícil a oxidação e a formação de radicais livres. Além disso, é uma das gorduras que apresenta maior smoke point: 252 C, ou seja, pode ser aquecido a temperaturas normais de cozimento sem alterar suas propriedades.
Na índia, o ghee é um produto de uso cotidiano, considerado sagrado e celebrado como símbolo de auspiciosidade, nutrição e cura. É a gordura base da culinária indiana e importante remédio na medicina ayurvédica.
De acordo com a medicina ayurvédica, o GHEE aumenta a inteligência, refina o intelecto e melhora a memória. Produz Ojas, que é a base da imunidade e a essência de todos os tecidos do corpo, atuando na renovação física e mental. Nessa tradição, o GHEE é utilizado em diversas formulações medicinais e como óleo para massagem; equilibra os doshas (biotipos) vata e pitta.
Para os praticantes de yoga é um lubrificante natural, ajudando na flexibilidade para a prática das ásanas.
O GHEE é queimado nos templos e pujas (rituais) por toda a Índia. Diz-se que “a luz de uma chama de ghee afasta toda a negatividade”.
Muitas outras culturas pelo mundo utilizam um produto similar ao ghee. No Brasil, ele pode ser comparado à manteiga de garrafa, um preparado comum no nordeste. Culinária francesa é a Beurre noisette, a manteiga clarificada.
O ghee é essencialmente uma gordura saturada. Mas gordura saturada faz bem á saúde?
Hoje, sabe-se da grande importância de ingerir gorduras de qualidade, pois elas são facilitadoras da absorção de nutrientes pelo nosso organismo além de conter altos teores de vitaminas, ácidos graxos essenciais, elementos minerais e fito esteróis.
Os ácidos graxos ou gorduras podem ser estudadas em duas categorias principais: saturadas e insaturadas - mas é importante ressaltar que não existe na natureza uma gordura 100% saturada ou insaturada. Gorduras saturadas podem ser divididas em ácidos graxos de cadeia longa e ácidos graxos de cadeia curta. Os de cadeia longa - principalmente as gorduras animais, não conseguem ser digeridas e metabolizadas integralmente pelo organismo humano e por esta razão podem causar doenças como o câncer além de formar depósitos na corrente sanguínea. Já os ácidos graxos saturados de cadeia curta são mais facilmente digeridos e metabolizados pelo corpo humano, tornando-se combustível para desempenhar todas funções que precisam de energia. As gorduras insaturadas podem dividias em monoinsaturada e poliinsaturada.
As monoinsaturadas são aquelas gorduras que buscamos ingerir como alimento funcional como o óleo de linhaça, oliva, gergelim, castanha etc. Estas são as gorduras insaturadas saudáveis, geralmente muito sensíveis ao aquecimento e por isso recomenda-se que seja acrescentada aos alimentos após o cozimento (não servem para refogar por exemplo). As gorduras poliinsaturadas são as gorduras que facilmente se oxidam, produzindo radicais livres - moléculas altamente reativas que agridem e danificam as células saudáveis do corpo humano causando morte celular e consequentemente doenças e envelhecimento precoce.
O ghee é essencialmente composto por ácidos graxos de cadeia curta sendo a maioria de suas gorduras saturadas, que são facilmente digeríveis. A taxa de absorção do ghee é de 96%, a mais alta de todos os óleos e gorduras. Embora seja um subproduto da manteiga rico em ácidos graxos, pesquisas indicam que ghee não eleva os níveis de colesterol, mas deve-se usar o bom senso na hora de consumi-lo como se faz com qualquer alimento.
Fonte: Yamunahara
::Seguiremos em marcha até que todas sejamos livres
Em 2010, a Marcha Mundial das Mulheres vai organizar sua terceira ação internacional. Ela será concentrada em dois períodos, de 8 a 18 de março e de 7 a 17 de outubro, e contará com mobilizações de diferentes formatos em vários países do mundo. O primeiro período, que marcará o centenário do Dia Internacional das Mulheres, será de marchas. O segundo, de ações simultâneas, com um ponto de encontro em Sud Kivu, na República Democrática do Congo, expressará a solidariedade internacional entre as mulheres, enfatizando seu papel protagonista na solução de conflitos armados e na reconstrução das relações sociais em suas comunidades, em busca da paz.
O tema das mobilizações de 2010 é “Seguiremos em marcha até que todas sejamos livres”, e sua plataforma se baseia em quatro campos de atuação sobre os quais a Marcha Mundial das Mulheres tem se debruçado. Os pontos são: Bem comum e Serviços Públicos, Paz e desmilitarização, Autonomia econômica e Violência contra as mulheres. Cada um desses eixos se desdobra em reivindicações que apontam para a construção de outra realidade para as mulheres em nível mundial.
Estão previstas também atividades artísticas e culturais, caravanas, ações em frente a empresas fabricantes de armamentos e edifícios da ONU, manifestações de apoio às ações da MMM em outros países e campanhas de boicote a produtos de transnacionais associadas à exploração das mulheres e à guerra.
No Brasil
A ação internacional da Marcha Mundial das Mulheres no Brasil acontecerá entre os dias 8 e 18 de março e será estruturada no formato de uma marcha, que vai percorrer o trajeto entre as cidades de Campinas e São Paulo. Serão 3 mil mulheres, organizadas em delegações de todos os estados em que a MMM está presente, numa grande atividade de denúncia, reivindicação e formação, que pretende dar visibilidade à luta feminista contra o capitalismo e a favor da solidariedade internacional, além de buscar transformações reais para a vida das mulheres brasileiras.
Serão dez dias de caminhada, em que marcharemos pela manhã e realizaremos atividades de formação durante à tarde. A marcha será o resultado de um grande processo de mobilização dos comitês estaduais da Marcha Mundial das Mulheres, que contribuirá para sua organização e fortalecimento. Pretendemos também estabelecer um processo de diálogo com as mulheres das cidades pelas quais passaremos, promovendo atividades de sensibilização relacionadas à realidade de cada local.
Para participar
A mobilização e organização para a ação internacional da Marcha Mundial das Mulheres no Brasil já começou. Entre os dias 15 e 17 de maio, a Marcha realizou um seminário nacional, do qual participaram militantes de 19 estados (AM, AP, AL, BA, CE, DF, GO, MA, MS, MG, PA, PB, PE, PR, RJ, RN, RO, RS e SP), além de mulheres representantes de movimentos parceiros como ANA, ASA, AACC, CONTAG, MOC, MST, CUT, UNE e Movimento das Donas de Casa). Este seminário debateu e definiu as diretrizes da ação de 2010.
Os comitês estaduais da MMM saíram deste encontro com tarefas como arrecadação financeira, seminários e atividades preparatórias de formação e mobilização, na perspectiva de fortalecimento dos próprios comitês e das alianças entre a Marcha Mundial das Mulheres e outros movimentos sociais. Neste momento, estão sendo realizadas plenárias estaduais para a formação das delegações e organização da atividade.
Para participar, entre em contato com a Marcha Mundial das Mulheres em seu estado (no item contatos) ou procure a Secretaria Nacional, no correio eletrônico marchamulheres@sof.org.br ou telefone (11) 3819-3876.
(A imagem é do livro Apocalipse Motorizado. Ilustrações de André Singer - Ed. Conrad)
A direita vem aí, faminta. Não vai sobrar nem as migalhas
por Luiz Carlos Azenha
Ninguém é "de direita" no Brasil. Ninguém assume ser de direita. Mas ela existe, se esconde sob diversos disfarces e representa uma aliança entre grandes interesses econômicos internacionais e grandes interesses econômicos nacionais subordinados àqueles. O tal pacto de elites. Elas fazem concessões pontuais para preservar o essencial: o controle da terra, do subsolo e dos recursos naturais.
O presidente Lula não representou um rompimento com isso. Ele costurou alianças em direção ao centro para garantir a "governabilidade". Hoje o agronegócio manda na agricultura e no meio ambiente, os banqueiros controlam o Banco Central e os recursos naturais do Brasil estão entregues a interesses privados -- da Vale do Rio Doce aos parceiros estrangeiros da Petrobras.
Num quadro de escassez, expresso na crise econômica internacional, a disputa pelo controle dos recursos -- e de como gastá-los -- deve se acirrar em todo o mundo. No Brasil não é diferente. Essa disputa passa pelas eleições de 2010.
Lula, no poder, se comportou como um sindicalista pragmático. Preferiu os acordos de bastidores às ruas. Não trabalhou para estimular, organizar ou vitaminar movimentos políticos de sustentação às propostas de seu governo. Não trabalhou para aprofundar a democracia, isto é, para engajar politicamente os que ascenderam economicamente graças às políticas sociais de seu governo. O que explica a vitória de Gilberto Kassab em bolsões de classe média baixa em São Paulo: eleitores beneficiados por programas do governo federal, despolitizados, gravitaram para o candidato com o melhor marketing televisivo.
Já contei aqui sobre o comício final de Marta Suplicy, que teve a presença de Lula: um belíssimo cenário para gravar a propaganda mas nenhuma vibração popular. Vitória completa da forma sobre o conteúdo, do marketing sobre a política.
Agora, às vésperas de 2010, Lula costura de novo para o centro. O governador José Serra faz o mesmo. Serra limou Yeda Crucius de sua coalizão. A Veja já fez duas reportagens seguidas prevendo a hecatombe da tucana gaúcha. O PSDB já deve ter fechado acordo com José Fogaça, do PMDB, para apoiá-lo como candidato a governador em 2012, em troca de apoio no ano que vem.
Os aliados conservadores de Lula são José Sarney e Michel Temer, o que explica o furor midiático em relação à "farra das passagens". Se ambos fossem aliados de Serra o Congresso não estaria "em crise", nem mereceria tamanha cobertura do eixo midiático Veja-Globo-Folha.
A Folha Online anuncia um acordo entre Serra e o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, pelo qual este seria vice na chapa tucana. Com isso o governador paulista reduz ainda mais a margem de manobra de Lula no PMDB e deixa o presidente da República no colo do trio Sarney-Temer-Renan.
Os acordos acima citados reforçam a posição de Serra no Sul e no Sudeste. Mais ainda se considerarmos que a crise econômica internacional está longe de acabar, que teremos um crescimento interno reduzido este ano e apenas razoável em 2010.
Em entrevista à CartaCapital, Dilma Rousseff disse: "A eleição do Lula, do Evo, da Michelle, da Cristina, do Hugo Chávez, marcam um processo de democratização muito comprometido com os povos dos paises nos quais ocorre".
A diferença é que, no Brasil, o "processo de democratização" foi superficial, não-orgânico e, hoje, depende da sobrevivência política do símbolo dele, Lula. Diante do quadro que descrevi, fiquem de olho: devem aumentar os pedidos para um terceiro mandato ou para que o presidente saia de vice na chapa de Dilma Rousseff.
Quantos bilhões de dólares vale o pré-sal? Quantos bilhões de dólares valem os minérios no subsolo brasileiro? A direita, que nunca chegou a perder o controle da riqueza, vem aí faminta por privatizar cada centavo desses bens públicos, para tomar de volta mesmo as migalhas que Lula distribuiu.
Fonte: Vi o Mundo
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É inacreditável a irresponsabilidade daqueles que receberam de forma legítima, do povo, uma cadeira no Senado Federal. É inacreditável que coloquem seus interesses políticos de curto prazo adiante dos interesses da população e do Brasil.
A Petrobras pode ser investigada? Pode e deve. Não importa que seja uma empresa estratégica, nem que carregue consigo a simbologia do país. A Petrobras pode e deve ser cobrada, sempre, especialmente quando coloca em risco o meio ambiente, quando colabora com a precarização das relações de trabalho -- através da terceirização -- ou quando coloca interesses particulares de seus acionistas adiante dos interesses do Brasil.
Não queremos uma estatal fazendo o papel que a petroleira da Venezuela teve naquele país, de um verdadeiro governo paralelo, que colocava interesses comerciais e estratégicos dos Estados Unidos acima dos interesses nacionais. Ou vocês acham que não foi a intervenção de Chávez na PDVSA o estopim para o golpe contra o presidente da Venezuela?
O problema, portanto, não é se a Petrobras deve ou não ser investigada. É como fazê-lo. Já existem todas as instâncias necessárias à investigação da Petrobras, tanto da parte do governo, quanto da oposição, quanto da sociedade. A empresa pode ser investigada pelo Ministério Público, pelo Tribunal de Contas, pela Polícia Federal e nas diversas comissões do Parlamento. Não há dúvida: a Petrobras deve satisfações ao Congresso, pode e deve ser denunciada na tribuna e precisa responder a todos os questionamentos que recebe.
O que não dá para entender, sinceramente, é que se pretenda promover um circo no Congresso às custas da Petrobras, especialmente num momento de crise econômica internacional em que suposições, ilações e acusações infundadas podem afetar a empresa. Que diretor da Petrobras terá coragem de tomar uma decisão estratégica sob o risco de depois ser arrastado e torturado pelo Arthur Virgílio sob as luzes da CPI? Qual será a reação dos parceiros estrangeiros da Petrobras diante dos escândalos artificialmente produzidos no Congresso? Quanto os acionistas da empresa perderão em dinheiro? Que projetos serão adiados ou comprometidos pela inquisição pré-eleitoral?
Em tese, uma CPI não deveria assustar ninguém. Mas não falamos em tese. Falamos no Brasil. E falamos a partir de exemplos concretos: qual foi a utilidade das CPIs recentes, além de gerar uma enxurrada de manchetes, 95% das quais baseadas em fofocas, meias-verdades, distorções e mentiras? Tomemos como exemplo a CPI das Escutas Telefônicas Clandestinas. Qual foi a serventia, além de torrar dinheiro público com a defesa dos interesses do banqueiro Daniel Dantas?
A CPI dos Amigos de Dantas foi o caso mais concreto e escabroso, até agora, da privatização do Congresso brasileiro. Quem vai ganhar com a CPI da Petrobras? O Brasil? O eleitor? O acionista da empresa? O projeto de exploração do pré-sal?
Ou é aquela mesma turma que pretendia transferir a base de lançamentos de Alcântara para os Estados Unidos, que vendeu a Vale a preço de banana, que planejava vender Furnas, o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal?
A CPI da Petrobras é mais um passo na privatização do Congresso brasileiro, desta vez em nome de interesses externos conjugados com os de pilantras brasileiros de sempre. Pilantras, diga-se, com mandato popular.
PS: Está sendo lançada nos bastidores da internet uma articulação que tem como objetivo dar uma resposta unificada da blogosfera independente a este absurdo.
Fonte: Vi o Mundo
::Graças à dica do meu amigo Ricardo Melo conheci os documentários Zeitgeist (cuja tradução literal seria Espírito do Tempo). São dois filmes, um de junho de 2007 e outro de outubro de 2008 (chamado "Addendum").
O primeiro destrói com muita propriedade e embasamento os mitos religiosos que muitos ainda seguem cegamente, a farsa dos atentados terroristas de 11/9 ao World Trade Center e ao Pentagono e o corrupto e fraudulento sistema econômico que rege nossas vidas.
Mas se o primeiro já era bom, o segundo filme, o "Zeitgeist Addendum", é realmente excepcional. Ele começa com um aprofundamento das explicações do corrupto e criminoso sistema monetário mundial - essencial para quem, como eu, não entende quase nada de economia.
O segundo ato conta com a participação de John Perkins, ex-agente da CIA que escreveu o ótimo livro "Confissões de um Assassino Econômico", que ajuda a revelar a participação do governo dos EUA em golpes de Estado e assassinatos de políticos, principalmente na América Latina, culminando com o frustrado golpe contra Hugo Chávez, na Venezuela em 2002. Perkins joga luz também sobre o que chama de "Corporatocracia" que é o sistema que realmente manda no mundo, onde um grupo fechado de grandes empresas multinacionais dá as cartas e rege as sociedades de maneira ditatorial e anti-democrática sempre visando o lucro acima de tudo e de todos.Mas é no terceiro ato que o documentário eleva-se acima da mera crítica ao sistema, apontando corajosamente soluções para os problemas mundiais e apresentando um novo tipo de sociedade, proposta pelo movimento "Projeto Vênus", que não seria baseada na perseguição do lucro. Algo totalmente revolucionário e, por incrível que pareça, bastante plausível, mas que exigiria acima de tudo uma mudança no comportamento e na consciência dos seres humanos.
Existem várias formas de ver os dois documentários. Ambos estão no youtube e também podem ser baixados pelos torrents da vida. No próprio site oficial dos filmes também dá para vê-los, com legendas e tudo: Zeitgeist The Movie.
Não deixem de assistir e disseminem para o maior número de pessoas possível!
Fonte: Tudo em Cima
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Leandro Fortes, da Carta Capital, um dos jornalistas que mais vêm honrando a profissão no Brasil, fazendo reportagens genuinamente investigativas, sem medo de desagradar aos poderosos, nos deu um presente este fim de semana. Leandro retomou seu blog Brasília, eu vi. Diz Leandro: "Acho que temos que reforçar essa rede de jornalistas independentes e honestos. Pode, no fim das contas, ser tudo que nos resta."
Vida longa.
Já no terreno da comédia pastelão, tivemos outra sensacional notícia: Soninha Francine descobriu que José Serra é de esquerda. Agora sim, fiquei tranquilo.
Fonte: O Biscoito Fino e a Massa
Links para saber mais sobre as mudanças na Lei Rouanet. Em todos esse sites é possível fazer mais buscas sobre o tema!
A carta aberta que reproduzo a seguir foi escrita por Leandro Fortes, da Carta Capital.
No dia 11 de março de 2009, fui convidado pelo jornalista Paulo José Cunha, da TV Câmara, para participar do programa intitulado “Comitê de Imprensa”, um espaço reconhecidamente plural de discussão da imprensa dentro do Congresso Nacional. A meu lado estava, também convidado, o jornalista Jailton de Carvalho, da sucursal de Brasília de O Globo. O tema do programa, naquele dia, era a reportagem da revista Veja, do fim de semana anterior, com as supostas e “aterradoras” revelações contidas no notebook apreendido pela Polícia Federal na casa do delegado Protógenes Queiroz, referentes à Operação Satiagraha. Eu, assim como Jailton, já havia participado outras vezes do “Comitê de Imprensa”, sempre a convite, para tratar de assuntos os mais diversos relativos ao comportamento e à rotina da imprensa em Brasília. Vale dizer que Jailton e eu somos repórteres veteranos na cobertura de assuntos de Polícia Federal, em todo o país. Razão pela qual, inclusive, o jornalista Paulo José Cunha nos convidou a participar do programa.
Nesta carta, contudo, falo somente por mim.
Durante a gravação, aliás, em ambiente muito bem humorado e de absoluta liberdade de expressão, como cabe a um encontro entre velhos amigos jornalista, discutimos abertamente questões relativas à Operação Satiagraha, à CPI das Escutas Telefônicas Ilegais, às ações contra Protógenes Queiroz e, é claro, ao grampo telefônico – de áudio nunca revelado – envolvendo o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes, e o senador Demóstenes Torres, do DEM de Goiás. Em particular, discordei da tese de contaminação da Satiagraha por conta da participação de agentes da Abin e citei o fato de estar sendo processado por Gilmar Mendes por ter denunciado, nas páginas da revista CartaCapital, os muitos negócios nebulosos que envolvem o Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP), de propriedade do ministro, farto de contratos sem licitação firmados com órgãos públicos e construído com recursos do Banco do Brasil sobre um terreno comprado ao governo do Distrito Federal, à época do governador Joaquim Roriz, com 80% de desconto.
Terminada a gravação, o programa foi colocado no ar, dentro de uma grade de programação pré-agendada, ao mesmo tempo em que foi disponibilizado na internet, na página eletrônica da TV Câmara. Lá, qualquer cidadão pode acessar e ver os debates, como cabe a um serviço público e democrático ligado ao Parlamento brasileiro. O debate daquele dia, realmente, rendeu audiência, tanto que acabou sendo reproduzido em muitos sites da blogosfera.
Qual foi minha surpresa ao ser informado por alguns colegas, na quarta-feira passada, dia 18 de março, exatamente quando completei 43 anos (23 dos quais dedicados ao jornalismo), que o link para o programa havia sido retirado da internet, sem que me fosse dada nenhuma explicação. Aliás, nem a mim, nem aos contribuintes e cidadãos brasileiros. Apurar o evento, contudo, não foi muito difícil: irritado com o teor do programa, o ministro Gilmar Mendes telefonou ao presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer, do PMDB de São Paulo, e pediu a retirada do conteúdo da página da internet e a suspensão da veiculação na grade da TV Câmara. O pedido de Mendes foi prontamente atendido.
Sem levar em conta o ridículo da situação (o programa já havia sido veiculado seis vezes pela TV Câmara, além de visto e baixado por milhares de internautas), esse episódio revela um estado de coisas que transcende, a meu ver, a discussão pura e simples dos limites de atuação do ministro Gilmar Mendes. Diante desta submissão inexplicável do presidente da Câmara dos Deputados e, por extensão, do Poder Legislativo, às vontades do presidente do STF, cabe a todos nós, jornalistas, refletir sobre os nossos próprios limites. Na semana passada, diante de um questionamento feito por um jornalista do Acre sobre a posição contrária do ministro em relação ao MST, Mendes voltou-se furioso para o repórter e disparou: “Tome cuidado ao fazer esse tipo de pergunta”. Como assim? Que perguntas podem ser feitas ao ministro Gilmar Mendes? Até onde, nós, jornalistas, vamos deixar essa situação chegar sem nos pronunciarmos, em termos coletivos, sobre esse crescente cerco às liberdades individuais e de imprensa patrocinados pelo chefe do Poder Judiciário? Onde estão a Fenaj, e ABI e os sindicatos?
Apelo, portanto, que as entidades de classe dos jornalistas, em todo o país, tomem uma posição clara sobre essa situação e, como primeiro movimento, cobrem da Câmara dos Deputados e da TV Câmara uma satisfação sobre esse inusitado ato de censura que fere os direitos de expressão de jornalistas e, tão grave quanto, de acesso a informação pública, por parte dos cidadãos. As eventuais disputas editoriais, acirradas aqui e ali, entre os veículos de comunicação brasileiros não pode servir de obstáculo para a exposição pública de nossa indignação conjunta contra essa atitude execrável levada a cabo dentro do Congresso Nacional, com a aquiescência do presidente da Câmara dos Deputados e da diretoria da TV Câmara que, acredito, seja formada por jornalistas.
Sem mais, faço valer aqui minha posição de total defesa do direito de informar e ser informado sem a ingerência de forças do obscurantismo político brasileiro, apoiadas por quem deveria, por dever de ofício, nos defender.
Leandro Fortes
Jornalista
A atual demanda por produtos florestais é grande e insustentável. É preciso que a sociedade tome consciência disso e incentive a produção sustentável de madeira, exigindo o certificado de que a extração foi feita de forma legítima. Essa é uma das melhores alternativas existentes hoje para desenvolver economicamente regiões de floresta respeitando-se aspectos sociais e ambientais.
Nós, consumidores, podemos ajudar a proteger a floresta tomando algumas medidas simples, como:
• Comprar apenas produtos de madeira (móveis, material de construção, papel) que tenham o selo FSC de certificação florestal.
• Se você não encontrar produtos com o selo FSC, converse com seu fornecedor sobre a importância do selo para garantir a procedência da madeira e demais produtos florestais.
• De forma geral, antes de comprar um produto de madeira, mostre-se interessado pela procedência do material. Peça garantias de que a extração de madeira não destruiu economias locais, empregou mão-de-obra infantil ou gerou impactos ambientais. Suas perguntas deixarão claro ao fornecedor que os consumidores se preocupam com a extração da madeira.
Fonte: Greenpeace Brasil
Acesse também: Meia Amazônia Não.
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DRÁUZIO VARELLA
EM DEFESA DA LIBERDADE E DO PROGRESSO DO CONHECIMENTO NA INTERNET BRASILEIRA
A Internet ampliou de forma inédita a comunicação humana, permitindo um avanço planetário na maneira de produzir, distribuir e consumir conhecimento, seja ele escrito, imagético ou sonoro. Construída colaborativamente, a rede é uma das maiores expressões da diversidade cultural e da criatividade social do século XX. Descentralizada, a Internet baseia-se na interatividade e na possibilidade de todos tornarem-se produtores e não apenas consumidores de informação, como impera ainda na era das mídias de massa. Na Internet, a liberdade de criação de conteúdos alimenta, e é alimentada, pela liberdade de criação de novos formatos midiáticos, de novos programas, de novas tecnologias, de novas redes sociais. A liberdade é a base da criação do conhecimento. E ela está na base do desenvolvimento e da sobrevivência da Internet.
A Internet é uma rede de redes, sempre em construção e coletiva. Ela é o palco de uma nova cultura humanista que coloca, pela primeira vez, a humanidade perante ela mesma ao oferecer oportunidades reais de comunicação entre os povos. E não falamos do futuro. Estamos falando do presente. Uma realidade com desigualdades regionais, mas planetária em seu crescimento.
O uso dos computadores e das redes são hoje incontornáveis, oferecendo oportunidades de trabalho, de educação e de lazer a milhares de brasileiros. Vejam o impacto das redes sociais, dos software livres, do e-mail, da Web, dos fóruns de discussão, dos telefones celulares cada vez mais integrados à Internet. O que vemos na rede é, efetivamente, troca, colaboração, sociabilidade, produção de informação, ebulição cultural. A Internet requalificou as práticas colaborativas, reunificou as artes e as ciências, superando uma divisão erguida no mundo mecânico da era industrial. A Internet representa, ainda que sempre em potência, a mais nova expressão da liberdade humana.
E nós brasileiros sabemos muito bem disso. A Internet oferece uma oportunidade ímpar a países periféricos e emergentes na nova sociedade da informação. Mesmo com todas as desigualdades sociais, nós, brasileiros, somo usuários criativos e expressivos na rede. Basta ver os números (IBOPE/NetRatikng): somos mais de 22 milhões de usuários, em crescimento a cada mês; somos os usuários que mais ficam on-line no mundo: mais de 22h em média por mês. E notem que as categorias que mais crescem são, justamente, "Educação e Carreira", ou seja, acesso à sites educacionais e profissionais. Devemos assim, estimular o uso e a democratização da Internet no Brasil. Necessitamos fazer crescer a rede, e não travá-la. Precisamos dar acesso a todos os brasileiros e estimulá-los a produzir conhecimento, cultura, e com isso poder melhorar suas condições de existência.
Um projeto de Lei do Senado brasileiro quer bloquear as práticas criativas e atacar a Internet, enrijecendo todas as convenções do direito autoral. O Substitutivo do Senador Eduardo Azeredo quer bloquear o uso de redes P2P, quer liquidar com o avanço das redes de conexão abertas (Wi-Fi) e quer exigir que todos os provedores de acesso à Internet se tornem delatores de seus usuários, colocando cada um como provável criminoso. É o reino da suspeita, do medo e da quebra da neutralidade da rede. Caso o projeto Substitutivo do Senador Azeredo seja aprovado, milhares de internautas serão transformados, de um dia para outro, em criminosos. Dezenas de atividades criativas serão consideradas criminosas pelo artigo 285-B do projeto em questão. Esse projeto é uma séria ameaça à diversidade da rede, às possibilidades recombinantes, além de instaurar o medo e a vigilância.
Se, como diz o projeto de lei, é crime "obter ou transferir dado ou informação disponível em rede de computadores, dispositivo de comunicação ou sistema informatizado, sem autorização ou em desconformidade à autorização, do legítimo titular, quando exigida", não podemos mais fazer nada na rede. O simples ato de acessar um site já seria um crime por "cópia sem pedir autorização" na memória "viva" (RAM) temporária do computador. Deveríamos considerar todos os browsers ilegais por criarem caches de páginas sem pedir autorização, e sem mesmo avisar aos mais comum dos usuários que eles estão copiando. Citar um trecho de uma matéria de um jornal ou outra publicação on-line em um blog, também seria crime. O projeto, se aprovado, colocaria a prática do "blogging" na ilegalidade, bem como as máquinas de busca, já que elas copiam trechos de sites e blogs sem pedir autorização de ninguém!
Se formos aplicar uma lei como essa as universidades, teríamos que considerar a ciência como uma atividade criminosa já que ela progride ao "transferir dado ou informação disponível em rede de computadores, dispositivo de comunicação ou sistema informatizado", "sem pedir a autorização dos autores" (citamos, mas não pedimos autorização aos autores para citá-los). Se levarmos o projeto de lei a sério, devemos nos perguntar como poderíamos pensar, criar e difundir conhecimento sem sermos criminosos.
O conhecimento só se dá de forma coletiva e compartilhada. Todo conhecimento se produz coletivamente: estimulado pelos livros que lemos, pelas palestras que assistimos, pelas idéias que nos foram dadas por nossos professores e amigos... Como podemos criar algo que não tenha, de uma forma ou de outra, surgido ou sido transferido por algum "dispositivo de comunicação ou sistema informatizado, sem autorização ou em desconformidade à autorização, do legítimo titular"?
Defendemos a liberdade, a inteligência e a troca livre e responsável. Não defendemos o plágio, a cópia indevida ou o roubo de obras. Defendemos a necessidade de garantir a liberdade de troca, o crescimento da criatividade e a expansão do conhecimento no Brasil. Experiências com Software Livres e Creative Commons já demonstraram que isso é possível. Devemos estimular a colaboração e enriquecimento cultural, não o plágio, o roubo e a cópia improdutiva e estagnante. E a Internet é um importante instrumento nesse sentido. Mas esse projeto coloca tudo no mesmo saco. Uso criativo, com respeito ao outro, passa, na Internet, a ser considerado crime. Projetos como esses prestam um desserviço à sociedade e à cultura brasileiras, travam o desenvolvimento humano e colocam o país definitivamente para debaixo do tapete da história da sociedade da informação no século XXI.
Por estas razões nós, abaixo assinados, pesquisadores e professores universitários apelamos aos congressistas brasileiros que rejeitem o projeto Substitutivo do Senador Eduardo Azeredo ao projeto de Lei da Câmara 89/2003, e Projetos de Lei do Senado n. 137/2000, e n. 76/2000, pois atenta contra a liberdade, a criatividade, a privacidade e a disseminação de conhecimento na Internet brasileira.
André Lemos, Prof. Associado da Faculdade de Comunicação da UFBA, Pesquisador 1 do CNPq.
Sérgio Amadeu da Silveira, Prof. do Mestrado da Faculdade Cásper Líbero, ativista do software livre.
João Carlos Rebello Caribé, Publicitário e Consultor de Negócios em Midias Sociais
PARA ASSINAR O ABAIXO-ASSINADO, CLIQUE AQUI.
Fonte: Vi o Mundo
2005, Editora Record
resenhado por Ernesto friedman
Magnífico! Um livro essencial. Depois de ganhar o prêmio Pulitzer com seu famoso livro ““Armas, Germes e Aço””, Jared Diamond nos traz “Colapso”, antológico trabalho sobre a evolução das sociedades. Ele analisa com detalhe e elegância, porque elas sucumbem e porque são bem sucedidas. O livro é um curso intensivo para nos atualizarmos sobre as dificuldades do relacionamento da humanidade com a natureza. E está na hora de se informar sobre o assunto. O meio-ambiente está na pauta do dia. Diamond fornece a justa dimensão dos problemas do desmatamento, da poluição industrial, do crescimento da população. Não é pouca coisa. Ao longo da existência do homem na Terra, populações inteiras tiveram oportunidade de sobreviver e escolheram o caminho da extinção. Diamond não esquece de nos mostrar casos positivos, em que, apesar de limitações naturais fortes, comunidades conseguem sobreviver.
Diamond aplica seu modelo de análise a grande número de civilizações da história. Mostra-nos com inteligência as trajetórias dessas civilizações até a falência. Ele nos apresenta a fantástica trajetória da Ilha da Páscoa, cujos habitantes originais chegaram até a ilha num barco, vindo da Polinésia. A população se desenvolveu, chegando a 5000 pessoas, e viveu isolada ali por 500 anos. O desleixo com o meio-ambiente e a falta de ações de seus líderes levaram esta sociedade à pura e simples extinção. Quando os navegantes portugueses chegaram à ilha, só havia grandes estátuas de pedra. Erich Von Däniken, um charlatão famoso nos anos 70, explicou de maneira bizarra o desaparecimento dos habitantes da Ilha da Páscoa e os enormes monumentos que eles construíram: seres do espaço teriam vindo à Terra, ensinaram aos habitantes a construir os monumentos e foram embora. Simples, não é? Diamond nos mostra os erros que conduziram ao desaparecimento da gente da ilha. A derrubada das florestas destruiu a capacidade dos habitantes da Ilha da Páscoa de sobreviverem. A história é trágica e passa por um final onde até o canibalismo é usado como meio para sobreviver. Por outro lado, encontramos uma ilha com duas milhas de diâmetro, no Pacífico, em que a população percebe suas dificuldades e desenvolve mecanismos para produzir o sustento e tornar viável a vida na ilha. Ou seja, há salvação.
Colapso é um abrangente curso de história focado nas características dos povos, as vantagens que tinham para sobreviver e os defeitos que os levariam a morte. Maias, vikings, esquimós, japoneses, chineses, australianos e muitos outros têm sua história contada ou seu presente analisado pelo modelo de estudo de Diamond. Você sabia que o Japão, que sempre associamos a uma congestionada Tóquio, tem 78% de seu território reflorestado. Tudo acontece por que a dinastia Tokugawa, no século XVII, percebeu que as florestas da ilha estavam desaparecendo e atuou para resolver o problema. Ao mesmo tempo, o miserável Haiti, onde a população ainda vive de frágil agricultura familiar, só dispõe de 1% de seu território com florestas. Os exemplos se sucedem e os problemas decorrentes são minuciosamente analisados. A abordagem segura de Diamond nos mostra que preocupação com meio-ambiente não é frescura. Não é livro fácil. Para muitos, nestes tempos de simplificações e resumos, será intragável. Para outros, será um divisor de águas, será a descoberta de uma nova maneira de ver o mundo e a história. Pode ser o livro que vai nortear a vida profissional de um leitor.
O estilo de Jared Diamond me lembra Stephen Jay Gould, que escrevia sobre história natural. São escritores que têm o dom de criar uma estrutura de conhecimento que abre novas portas para o leitor que os encontra. A abordagem de Diamond nos traz uma nova visão sobre problemas sociais contemporâneos. Sua análise do extermínio de Tutsis pelos Hutus, na África, é um exemplar magnífico de explicações simples não são boas receitas para tratar a história. A alta densidade demográfica e a escassez de recursos decorrentes da exploração desenfreada do meio-ambiente aparecem como fatores que não podem ser desacreditados na justificativa do extermínio de cerca de 10% de uma população. A visão malthusiana buscada por Diamond, nos traz novas possibilidades de análise de problemas que superficialmente podem ser descritos como decorrentes de baixo índice de educação ou puro racismo. O motivo não foi apenas o ódio dos Hutus pelos Tutsi. Diamond aponta que em certas regiões, onde só havia Hutus, o extermínio chegou a 5% da população. Havia outras causas.
A visão míope do governo americano do presidente Bush se torna mais crítica depois de lermos Colapso. A recusa da rica civilização americana em enfrentar o problema do meio-ambiente pode ser o prenúncio do final da civilização no planeta? A poluição em larga escala da China será o limitante do mega crescimento dessa economia? No quadro mundial, com as queimadas da Amazônia, o Brasil aparece mal na foto. O livro de Diamond nos mostra o quanto críticas são as ações demandadas para tratar esses problemas.
Um pensamento leva a outro. Vendo o que os desequilíbrios podem fazer com as civilizações, pensei aqui com meus botões. Imaginem uma cidade como o Rio de Janeiro. Aqui, as mães ricas (renda maior que 10 salários mínimos) têm em média apenas um filho. Já as mulheres pobres (renda na faixa de 1 salário mínimo) têm mais de 5 filhos. A população cresce com maior número de crianças miseráveis, sem instrução e sem opções na vida. A massa de ignorantes vai crescer se tornando a grande maioria. A população jovem será manipulada por traficantes de drogas, traficantes de deuses (franquias de religiões) e traficantes de cidadania (políticos corruptos manipulando promessas sociais que não serão cumpridas). Por uma bolsa família, os governantes se perpetuarão no poder, agravando os defeitos de uma sociedade que perde a oportunidade de aproveitar seus potenciais. O desequilíbrio criado pode ser o causador de uma guerra civil. Em tempo: a Vila Cruzeiro está sitiada há mais de 40 dias e os traficantes não parecem dispostos a ceder. A guerra civil Carioca vai reduzir a capacidade produtiva da cidade e do estado do Rio. A indústria migrará para outros estados ou paises, aumentando o desemprego. A falta de turistas afugentados pela rotina de crimes diminuirá a oferta de empregos em serviços. A “taxa diária de balas perdidas atingindo pessoas” maior que um caso por dia, não é grande atrativo para chamar um viajante ao Rio. O desemprego contribuirá para o aumento do crime organizado ou não. O ciclo de piora acelerará a decadência da cidade. Este exercício é pura paranóia ou apenas a previsão óbvia de nosso futuro? A falência anunciada do Rio de Janeiro pode ser um bom caso de colapso para ser estudado no futuro pelos discípulos de Diamond.
Associações de Cooperativas Autogestionárias
ANTEAG - Associação Nacional de Trabalhadores e Empresas de Autogestão e participação acionária - www.anteag.org.br
UNISOL Brasil - União e Solidariedade das Cooperativas Empreendimentos de Economia Social do Brasil - www.unisolbrasil.org.br
Bancos e sistemas de crédito solidários
Ecosol - Cooperativa Central de Crédito e Economia Solidária – www.ecosol.com.br
Banco Palmas - www.bancopalmas.org.br
Sobre o movimento de Economia Solidária e sua organização nacional
FBES - Fórum Brasileiro de Economia Solidária - www.fbes.org.br
Outras incubadoras
ITCP Unicamp - www.itcp.unicamp.br
ITCP-COPPE UFRJ - www.itcp.coppe.ufrj.br
ITCP FGV - www.itcpfgv.org.br
INTECOOP UFI - www.intecoop.unifei.edu.br
INCOOP UFSCar - http://www.ufscar.br/~consusol/incoop.htm
ITCP UFV - http://www.ufv.br/pec/itcp/
Outros links de interesse
NESOL - Núcleo de Economia Solidária USP - http://www.poli.usp.br/p/augusto.neiva/nesol/index.htm
Cultura• VJ Astronauta Mecânico - farofa cibernética mistura de boa música eletrônica com grandes artistas, como Guido Crepax, Keith Haring e Guto Lacaz • Cuba Workshop - site sobre viagens fotográficas a Cuba • Parreira ponto com - Site de crônicas, charges - por Cláudio Parreira | ||
Política• Desaparecidos Políticos - Oferece busca detalhada sobre dossêis de desaparecidos políticos.http://www.desaparecidospoliticos.org.br • Unesco - Informações sobre a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura. http://www.unesco.org • CUT - Central Única dos Trabalhadores. http://www.cut.org.br • EZLN - Exército Zapatista de Libertação Nacional. http://www.ezln.org.mx • Memória - Revista mensal de política e cultura. http://www.memoria.com.mx • Site do Instituto de Políticas Públicas Florestan Fernandes. http://www.iff.org.br • Polis - Site do Instituto de Estudos, Formação e Assessoria em Políticas Sociais. http://www.polis.org.br • Revista de Ciências Políticas - Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal do Paraná. www.scielo.br/rsocp | ||
Comunicação• Bafafá - Jornal de opinião alternativo. Jornalistas, artistas,arquitetos, escritores, intelectuais, produtores e publicitários assinam artigos, reportagens, entrevistas e colunas. www.bafafa.com.br • Cultura e Mercado - revista eletrônica cultural do Instituto Pensarte que visa articular o setor cultural em torno de políticas culturais mais democráticas. http://www.culturaemercado.com.br • Alainet - Agência Latinoamericana de Informação. http://www.alainet.org • Derechos -Ferramenta para comunicação e informação sobre a violação dos direitos humanos em todo o mundo http://www.derechos.org • Agência AIDS -Site com os principais estudos e notícias. http://www.agenciaaids.com.br • Cocadaboa - Produção independente orgulhosa por ser polêmica. http://www.cocadaboa.com • Página oficial do Fórum Social Mundial. http://www.forumsocialmundial.org.br • Comunique-se - Informações sobre a imprensa brasileira http://www.comunique-se.com.br • Movimento Sindical - Links para alguns dos sites sobre movimento sindical. http://www.sindicato.com.br • Centro de Mídia Independente. - Versões em português, espanhol, inglês e esperanto. http://www.brasil.indymedia.org • ANF -Agência de Notícias da Favela - site com informações dos morros cariocas. http://www.anf.org.br | ||
Educação• Núcleo de Estudo da Violência da Universidade de São Paulo.http://www.nev.prp.usp.br •Associação Nacional de Pós - Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais. http://www.anpocs.org.br •Mantém reunido o acervo pessoal e intelectual do escritor Gilberto Freyre. http://www.fundaj.gov.br/fgf/index.html • Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil. http://www.cpdoc.fgv.br/comum/htm/ • Associação Brasileira de Ciência Política. http://www.cienciapolitica.org.br • Movimento Estudantil Popular Revolucionário http://mepr.org.br/ • Associação Vitae - Proporciona bolsas na área de artes, música e desenvolve apoios a museus e bibliotecas - http://www.vitae.org.br • Enecos - para estudantes de Comunicação Social. www.enecos.org.br • Escola Base - site com textos e sinopse do videodocumentário sobre o famoso caso da Escola de Educação Infantil Base que conta e analisa os 10 anos do episódio, considerado marco histórico da irresponsabilidade da imprensa brasileira. http://escola.base.sites.uol.com.br/ | ||
Ongs• Abong - Associação Brasileira de Organizações não Governamentais.http://www.abong.org.br • Travessia - ONG criada para atender crianças e adolescentes que vivem em situação de rua na região central da cidade de São Paulo. http://www.travessia.org.br • Transparência Brasil - ONG que trabalha no combate à corrupção. http://www.transparencia.org.br • Ibase - Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas, ONG de utilidade pública. http://www.ibase.br • Greenpeace - http://www.greenpeace.org.br • Web Zumbi - ONGs da Bahia http://ospiti.peacelink.it/zumbi | ||
Geral• MST - Site do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terrahttp://www.mst.org.br • FENAPEF - Federação Nacional dos Policiais Federais http://www.fenapef.org.br • CECAE - Programa de cooperação da USP com micro e pequenas empresas. http://www.cecae.usp.br/atualtec/ • DIEESE - Departamento Intersindical de Estatísticas e estudos Sócio - Econômicos. http://www.dieese.org.br • Cáritas Brasil - Clique e faça uma doação para a construção de cisternas caseiras e outras pequenas obras hídricas em toda a região semi - árida. http://www.cliquesemiarido.org.br • Médicos Sem Fronteiras - Organização humanitária internacional que leva cuidados de saúde a vítimas de catástrofes, conflitos, epidemias e exclusão social. http://www.msf.org.br • DHNET - Movimento Nacional de Direitos Humanos. http://www.dhnet.org.br/mndh • Chega de Confisco - Site com esclarecimentos sobre a arrecadação do IRPF (Imposto de Renda Pessoa Física). http://www.chegadeconfisco.com.br • Cladem - Comitê latino - americano e do Caribe para Defesa dos Direitos da Mulher. http://www.cladem.org • Scielo - Revista Brasileira de Ciências Sociais de periodicidade quadrimestral publicada pela ANPOCS http://www.scielo.br • Centro de Justiça Global - Denúncias e documentação sobre casos de violação dos Direitos Humanos. http://www.global.org.br • Movimientos - Comunidade Web de Direitos Sociais. http://www.movimientos.org • Cimi - Conselho Indigenista Missionário. http://www.cimi.org.br • ANAB - Movimento Brasileiro dos Atingidos por Barragens. http://www.anab.hpg.com.br • Madres - Associação de Mães da Praça de Maio. http://www.madres.org • Viento Sur - Página da revista Viento Sur. Debate de temas como capitalismo, território, movimentos sociais e ecologia. http://www.nodo50.org/viento_sur • Human Rights Internet - Mantém uma rede para troca de informações sobre direitos humanos. http://www.hri.ca • Setor 3 - Informações sobre o Terceiro Setor http://www.setor3.com.br • Cruz Vermelha http://www.cicr.org/por • Care - Trabalho de combate à pobreza http://www.care.org.br • Comissão Pró-Yanomami - Sua atividade é apoiar os índios na defesa do meio-ambiente, da cultura e no uso sustentável das terras que ocupam - http://www.yanomami.com.br/ • Narcóticos Anônimos - Atua em 70 países, uma das maiores e mais antigas do mundo nesta área http://www.na.org.br • OCB - Organização das Cooperativas do Brasil http://www.brasilcooperativo.com.br/ • Projeto Quixote - Apoio a crianças e adolescentes em situação de risco social http://www.projetoquixote.epm.br • Bico de Papagaio - Página sobre a Amazônia com informações sobre entidades populares do campo e da cidade, entidades de pesquisa, artigos, banco de imagens, reportagens http://www.bicopapagaioam.hpg.ig.com.br • Territorial - Instituto de Pesquisa, Informação e Planejamento. www.territorial.org.br |
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Fábula Amoral
"A cada 12 pessoas no mundo, há uma arma. A minha preocupação é: como armar as outras 11?" (Yuri Orlov).
Um dos melhores e mais criativos filmes de 2005, O Senhor das Armas é, desde a sua seqüência inicial, brilhante! Afinal, qual a melhor forma de expor o risco que representa uma arma de fogo a todos nós do que mostrando para que ela foi criada? A diferença é que o relativamente desconhecido diretor, Andrew Niccol (S1m0ne e Gattaca - A Experiência Genética), valendo-se de uma ousadia raramente vista na história do cinema americano contemporâneo, opta por contar, durante os créditos iniciais do longa, uma pequena estória dentro da estória principal. A sua câmera acompanha a trajetória de uma única bala, desde a sua cuidadosa confecção em uma fábrica, seu manuseio, comércio e sucessivos transportes até seu depósito e uso em uma metralhadora numa das constantes guerras civis africanas, quando atinge acidentalmente a cabeça de uma criança que estava próxima e nada tinha a ver com o conflito.
O Senhor das Armas surpreendeu público e crítica no ano passado quando esteve melhor do que nunca contextualizada pelo referendo das armas de fogo no Brasil. Com o seu recente lançamento em DVD, eis a oportunidade que faltava para conferir este filme que é tão chocante e explosivo quanto o assunto do qual trata.
Yuri Orlov (Nicolas Cage) é filho de imigrantes ucranianos e que, ainda criança, vai para os Estados Unidos. Seduzido desde sempre pelo american way of life, ao ambicioso Orlov não resta alternativa senão ascender economicamente à margem da sociedade seguindo uma vocação que lhe parece natural: o contrabando de armas. Sua impressionante carreira como homem de negócios amoral que desconhece princípios e ideais lhe permite ter tudo o que sempre sonhou: a admiração do irmão mais novo (Jared Leto, de Alexandre e Clube da Luta) e o amor da mulher por quem sempre foi apaixonado (a belíssima Bridget Moynahan), mas também a implacável perseguição do agente da Interpol Jack Valentine (Ethan Hawke, de Assalto a 13a. DP e Dia de Treinamento, além de Gattaca).
Orlov é narrador de sua própria história, jamais manifestando remorso ou consciência durante uma transação. Seus comentários são ácidos e ferinos, jamais poupando as instituições políticas e sociais, como se tentasse minimizar a si mesmo e a sua consciência o que faz de errado. Para ele, aliás, nada do que faz é imoral ou errado e, ao falar sobre o porque de não mais negociar com Bin Laden, por exemplo, Orlov dispara: "nunca se deu devido a questões morais; os cheques deles simplesmente retornavam". O cinismo dos seus comentários e o seu caráter um tanto niilista casam perfeitamente com as músicas da trilha sonora escolhida a dedo para ilustrar com ironia as mais diversas passagens de sua carreira e vida pessoal.
Com O Senhor das Armas, Niccol tenciona ser chocante, engajado. Não faltam referencias a recente história contemporânea, quando as armas parecem ter adquirido o estatuto de divindades e são tão comuns em nossas vidas (com os cada vez mais violentos jogos de videogames e filmes, por exemplo) quanto o são para os cada vez mais jovens soldados africanos (muitos deles, crianças que mal tem forças de carregar as metralhadoras que portam).
As suas personagens são porta-vozes do seu discurso, que não economiza críticas a nada, muito menos aos supostos motivos alegados para a realização da desastrosa invasão ao Iraque recentemente. Valentine é incisivo: "Falam de armas de destruição de massa, mas as verdadeiras armas que matam, que mais ceifam vidas, não são mísseis ou bombas de hidrogênio. São as pequenas armas, de fácil manuseio por qualquer pessoa: pistolas e metralhadoras". Mais tarde, Orlov complementa um discurso bem dirigido a administração de George Bush: "Sou um mal necessário. Chamam-me de contrabandista, mas sou apenas um pequeno comerciante perto do maior comerciante de armas do mundo, o exército dos Estados Unidos da América. Em um ano, vendo menos armas do que ele produz em apenas um dia".
Politicamente engajado, embora amoralmente narrado: sobre esta aparente contradição, é que O Senhor das Armas se constrói como um dos mais contundentes discursos contra a administração belicista norte americana e como uma das mais gratas surpresas do seu cinema nos últimos anos. A criatividade de sua montagem só encontra páreo na acidez do seu discurso. Definitivamente, um filme não apenas para quem acredita em um "cinema politizado", mas quem aprecia, acima de tudo, o "bom cinema".
Toda hora chegam às telonas os chamados "feel-good movies", aqueles filmes que fazem com que você se sinta bem, feliz da vida, na saída. Bem mais raros são os longas que ocupam do outro lado do espectro, os "feel-bad movies", que fazem o público olhar seu umbigo e pensar a respeito. Nação Fast Food (Fast Food Nation, 2006) é definitivamente um exemplo do segundo tipo.
O drama do sempre competente e versátil Richard Linklater - de filmes tão bons quanto díspares como Antes do pôr-do-sol, O Homem Duplo e Escola de Rock - se baseia no best-seller de não-ficção de Eric Schlosser, publicado em 2001, sobre a indústria da comida industrializada. O tema é basicamente o mesmo de Super size me - A dieta do palhaço, mas, diferente do documentário de Morgan Spurlock, mira mais alto que o mero valor nutricional dos alimentos servidos nas redes de restaurantes.
Através de várias histórias paralelas, Linklater tenta abraçar toda a, com o perdão do trocadilho, "cadeia alimentar" de uma corporação desse mercado. Mostra o desenvolvimento de um produto, o hamburguer "Grandão", desde o processamento da carne até o marketing para comercializá-lo. Nesse meio conhecemos imigrantes ilegais, empresários, supervisores, balconistas, chapeiros... pequenas engrenagens de uma máquina cujo único objetivo é o maior lucro possível.
O foco é, obviamente, o popularíssimo McDonald´s, com um nome alterado para Mickey´s (nos EUA o apelido da rede é "Mickey D") e a trama começa quando o presidente da companhia destaca Don Anderson (Greg Kinnear), um diretor de marketing de sucesso, para investigar um achado em um dos hamburgueres congelados da empresa... estrume. Ele parte então para Cody, no Colorado, onde toda a carne do "Grandão" é processada.
Linklater critica muito além da indústria alimentícia. Para ele, "fast food" é toda sorte de atendimento/processo que emprega pessoas como robôs. É o balconista de hotel incapaz de ouvir, repetindo exaustivamente as mesmas frases prontas; é a caixa da lanchonete que oferece sempre as mesmas ofertas; mas poderiam ser também as operadoras de telemarketing incapazes de resolver um problema que não esteja listado em sua frente; ou o suporte técnico que te olha como louco quando seu problema real inexiste nas FAQs... mas todas essas pessoas, fora do expediente, são... enfim... pessoas. E Linklater também faz questão de mostrar isso, como um brilhante contraponto às suas identidades corporativas. O diretor preocupa-se em desenvolver cada um de seus protagonistas, dando a eles uma alma, que é devorada dia-a-dia no cotidiano mecânico desses processos, sem recorrer jamais ao melodrama ou buscando polêmicas forçadas.
E o cineasta sequer está preocupado em apontar dedos. Não busca culpados dentro de sua estrutura. Todos são culpados e vítimas, mesmo os que estão no mais alto escalão. Afinal, não foi o presidente da empresa que pediu a investigação? O imigrante ilegal não cruzou a fronteira por livre e espontânea vontade? Não somos nós que consumimos os produtos dessas empresas?
"Feel bad", "feel very bad"...
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Leve sua própria sacola ao fazer compras
Se puder, leve sua própria sacola ao fazer as compras. Assim você deixará de usar (e, posteriormente, descartar) vários sacos plásticos. Se não for possível, procure encher bem os saquinhos para reduzir a quantidade deles que você leva para casa e que irão parar no lixo.
Este tipo de saco, que, em São Paulo, por exemplo, corresponde a 40% das embalagens jogadas no lixo, demora 450 anos para se decompor e ocupa de 15% a 20% do volume de um lixão, embora corresponda a apenas de 4% a 7% de sua massa. Portanto, seu uso deve ser evitado.Evite comprar produtos “superembalados” e, sempre que possível, prefira os bens não-embalados (como, por exemplo, alimentos frescos). Embalagens do tipo “caixinha-dentro-de-um-saquinho-dentro-da-sacola-dentro-do-sacolão” geram uma quantidade enorme de lixo.
Procure comprar produtos em embalagens que tragam quantidades adequadas para sua família. Por exemplo: se a sua família é grande, compre as bebidas nas embalagens maiores; se for pequena, evite as embalagens grandes e, conseqüentemente, o desperdício.
Não compre embalagens descartáveis de refrigerantes ou bebidas quando houver a possibilidade de comprá-las em embalagens retornáveis.
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O primeiro passo para combater o excesso de lixo é combater o excesso de luxo. Evite fazer compras por impulso e não consuma além de suas possibilidades, para não desperdiçar (e não se endividar). Planeje bem antes de ir ao mercado e evite comprar grandes volumes para estoque. Quanto menos você comprar, menos vai jogar fora.
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"A informação que temos não é a que desejamos. A informação que desejamos não é a que precisamos. A informação que precisamos não está disponível”
john peers
(Gilberto Gil)
Sara, sara, sara, sarará
Sara, sara, sara, sarará
Sarará miolo
Sara, sara, sara cura
Dessa doença de branco
Sara, sara, sara cura
Dessa doença de branco
De querer cabelo liso
Já tendo cabelo louro
Cabelo duro é preciso
Que é para ser você, crioulo
No serviço de auto-falante
No morro do pau da bandeira
Quem avisa é o zé do caroço
Amanhã vai fazer alvoroço
Alertando a favela inteira
Ai Como eu queria que fosse em Mangueira
Que existisse outro zé do caroço ( caroço,caroço)
Pra dizer de uma vez pra esse moço
Carnaval não é esse colosso
Nossa escola é raiz é madeira
Mas é morro do pau da bandeira
De uma vila isabel verdadeira
É o zé do caroço trabalha
É O zé do caroço batalha
E que malha o preço da feira
E na hora que a televisão brasileira
Destroi a gente com a sua novela
É que o zé bota a boca no mundo
E faz um discurso profundo
Ele quer ver o bem da favela
Esta nascendo um novo lider
No morro do pau da bandeira
Esta nascendo um novo lider
No morro do pau da bandeira
No morro do pau da bandeira
No morro do pau da bandeira
Lelele, lelelelelelelele
Por que vocês não sabem do lixo ocidental?
Não precisam mais temer
Não precisam da solidão
Todo dia é dia de viver
Por que você não verá meu lado ocidental?
Não precisa medo não
Não precisa da timidez
Todo dia é dia de viver
Eu sou da América do Sul
Eu sei, vocês não vão saber
Mas agora sou cowboy
Sou do ouro, eu sou vocês
Sou do mundo, sou Minas Gerais
Estranhem o que não for estranho.
Tomem por inexplicável o habitual.
Sintam-se perplexos ante o cotidiano.
Tratem de achar um remédio para o abuso
Mas não se esqueçam de que o abuso é sempre a regra.
Bertolt Brecht